Coimbra é uma lição

Manif-Reitoria

Outono de 1570: o jovem rei Sebastião viaja até Coimbra, entra numa aula, e é recebido com uma enorme pateada. De imediato mete a mão à espada mas é serenado: tratava-se de uma tradição académica de reverência a sua majestade, uma honraria rara, uma praxe, dir-se-ia tempos mais tarde, e o rei sorriu, agradeceu, e segundo um cronista voltou todos os dias repetindo-se o enxovalho.

Verão de 2014: numa comemoração os governantes são interrompidos por

um grupo de estudantes repúblicos, empunhando cartazes e interpelando e interrompendo os oradores, recorrendo a linguagem rude e até a insultos.

As “provocações” estudantis fizeram-se sentir com particular intensidade durante a intervenção do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado. Neste contexto, o orador seguinte – o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier – recusou-se a falar.

A enxovalhar governantes desde o séc. XVI, isto é que é uma tradição académica, centenária, património da Humanidade. Mai nada.

 

Imagem

Temos campeão

Final da última etapa da Volta à Suiça, terceira vitória de Rui Costa, preparando-se agora para o Tour.

É este ano, acredito, que o 3º lugar de Joaquim Agostinho em 1978 e 79 merece ser atacado, o nosso recorde mundial no ciclismo de estrada pela pedalada do agora campeão mundial.

Há desportos, populares, onde até somos campeões do mundo, o que há é menos gente a dar por isso.

Mais uma vez, os exames

Por Santana Castilho

Nuno Crato chamou ocultas às ciências da Educação. Compreende-se, por isso, que trate crianças de 9/10 anos de idade como adultos pequenos a quem, em sede de exames nacionais, pediu uma declaração escrita, por honra delas. Compreende-se que à revelia do que se faz na Europa e do que as neurociências e a psicologia do desenvolvimento descrevem como características fundamentais dessa idade as obrigue a um exame nacional, com os contornos daquele que actualmente existe.
Na semana passada, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou os resultados dos exames a que se submeteram 220 mil alunos do 4º e 6º anos de escolaridade. Aproximadamente 95.000 reprovaram em Matemática e cerca de 46.000 em Português. Para estes, desde que os pais o queiram, haverá mais três semanas de aulas extraordinárias, seguidas de novo exame. É pertinente perguntar se o expediente compensa o efeito pernicioso do aumento do número de alunos por turma, da falta de dispositivos de apoio ao longo do ano, designadamente docentes, de metas curriculares rígidas, inibidoras da acomodação das diferenças entre as crianças e de um calendário escolar inapropriado, desequilibrado relativamente à duração dos períodos lectivos e onde a antecipação do exame significa uma grande perturbação das aulas dos 5º, 7º, 8º e 9º anos.  [Read more…]

Os pensadores e os carrapatos

Está por aí a tentar fazer caminho, com a ajuda de esforçados comentadores televisivos, a ideia de que há uma geração de intelectuais de direita a “sair do armário” ou lá que raio é – a imagem não é lá grande coisa, mas é lá com eles.

Dada a consabida fragilidade dos afloramentos reflexivos de tal gente, apesar da sua promoção mediática (o deserto de ideias que são, hoje, as televisões, é propício, como outros desertos, à sobrevivência de tais espécies), resta aos mais atrevidos alegarem convictamente a sua condição de herdeiros de Edmund Burke e C.K. Chesterton. Assim, pensam eles, à sombra tutelar destes vultos, talvez os levem a sério. ‘Taditos. E infelizes de nós.

postais da ria (2)

Diferença no detalhe

No confronto entre Seguro e Costa é, hoje, consensual a constatação do vazio de propostas concretas ou de um debate conceptualmente interessante. Como era de esperar, os discursos de Costa no American Club e no Tivoli foram simples exercícios de oratória em que a ausência de ideias se escondia sob a muralha das palavras. Todavia, por ser de justiça, gostaria de relevar uma das pouquíssimas diferenças de substância entre eles: interpelado pela torpe golpaça eleitoral tentada por Seguro (redução para 180 deputados na Assembleia da República e alteração “ao conveniente” das leis eleitorais), Costa refutou e rejeitou tal proposta, garantindo que, na sua perspectiva, ela era inaceitável por ferir o principio da proporcionalidade – que considerou intocável – e consistir numa ilegítima tentativa de “ganhar na secretaria o que se perdeu nas urnas”. Mau grado a pobreza da analogia futebolística, louve-se e grave-se na pedra esta declaração de António Costa, já que aquele vai ser um caminho tentado pelos sectores mais golpistas do “bloco central”, com previsível efeito catastrófico sobre a legitimidade da representação parlamentar.

Hoje começou o Verão

A baixa temperatura que se regista só tem uma explicação: o governo cortou no calor.

O estranho caso de Élsio Menau

Forca

No país onde o Presidente da República hasteou alegremente a bandeira de pernas para o ar, um artista de street art algarvio, Élsio Menau, vai responder em tribunal por um trabalho de fim de curso que, apesar de ter recebido a classificação de 17 valores, foi considerado pelas autoridades como crime de ultraje à bandeira.

A imagem que podem ver em cima é talvez a que melhor ilustra este caso: procurando representar um país com a corda no pescoço, algo que corresponde, mais do que nunca, à realidade da esmagadora maioria da população portuguesa, Menau deu esta forma à sua ideia. Será que alguém realmente acredita que o objectivo seria o enxovalho deste símbolo da nação? Só por má fé ou pura estupidez.

A composição foi inicialmente instalada num terreno baldio, às portas de Faro, tendo sido removida 2 dias depois pelas autoridades. Estávamos em Junho de 2012. Apesar do sucedido, a obra esteve em exposição na Galeria de Arte do Convento de Santo António, em Loulé, entre Setembro e Outubro do mesmo ano. Curiosamente (ou não), Menau foi chamado a apresentar-se nas instalações da Polícia Judiciária da Quarteira apenas depois do insólito episódio do 5 de Outubro em que o senhor Aníbal hasteou  a bandeira ao contrário. [Read more…]

Damnatio ad Bestias

damnatio_ad_bestias_tradicoesEm nome da “tradição“, venham de lá esses leões

Não há dinheiro

Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital.

«O governo actual

manteve todas as práticas de co-governação com a banca e as instituições financeiras que já vinham do governo anterior (…)» Pacheco Pereira hoje no Público, a pretexto da «crise» no BES.

O Libório na cidade dos 3 P’s

Como dizia um parvalhão qualquer numa rádio de Braga, a corrida do porco Libório foi a recuperação de uma tradição medieval. E todos sabemos como eram suaves as tradições medievais…
Ao Libório, o porco, empurraram-no, puxaram-lhe o rabo e as orelhas e arrastaram-no durante 500 metros aos pontapés.
São corajosas, as pessoas que vivem na cidade dos 3 P´s. Enfrentam o porco!
E se esses P’s todos que lá vivem fossem brincar com o caralhinho? Sabemos que gostam, todos eles sem excepção. Era boa ideia, porque porcos já eles são.

Regresso ao passado

Parece que ontem, dia 20 de Junho, se cumpriu uma «tradição» em Braga, manchando a festa alegre que se pretende que o S. João seja. Uma tradição que não era cumprida há 98 anos. Saudosa, portanto!

Diz quem viu e até faz (má) locução na Tv Minho que foi «um momento bonito». Eu olho para aquelas imagens e ocorrem-me vários adjectivos. Nenhum deles será bonito. Bonito, bonito seria deixarem o Libório no seu cantito.

Foi-me garantido, ainda na véspera de tão fantástica ressurreição, por um amigo próximo que estava na organização de tamanha crueldade, que o animal não sofreria qualquer dano. Eu, conhecedora do comportamento humano quando em «matilha» e frequentemente em estado de pouca sobriedade, imaginava o que por aí viria.

Infelizmente, pelo que li de relatos de quem viu o acontecimento e foi mais imparcial do que o magnífico repórter da Tv Minho e pelo que vi nas imagens, a realidade foi mais ou menos como eu a imaginara.

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O “acordo ortográfico”

não unifica, não simplifica, nem reflecte qualquer evolução natural da Língua. «Ele foi antes orquestrado por um número muito reduzido de pessoas, em circunstâncias verdadeiramente penosas, para não dizer fraudulentas.»

O algodão não engana

Sonasol

Paulo Mota Pinto, o deputado do PSD cuja única mancha curricular, nas palavras da tia Leal Coelho, reside no facto de ter sido juiz do Tribunal Constitucional, admitiu ontem, em curta entrevista ao Público, que o TC não tem obrigação de aclarar o Governo que, por intermédio dos seus moços de recados no Parlamento, endereçou esse pedido aos “infames” juízes do TC. Mais uma mancha no currículo do homem, coitado. A tia vai ficar possidónia…

Por falar em manchas, não é que o senhor deputado, segundo a edição de hoje do Expresso, é o escolhido pela família Espírito Santo para Chairman do BES? Apesar da sua experiência no sector ser zero, sabemos bem que um deputado do PSD costuma ser pau para todo o conselho de administração. Haverá melhor tira-nódoas para um CV constitucionalmente encardido? Alguém chame o senhor do Sonasol para aclarar a situação!

Soneto Bracarino*

“A Vraga do São João
Transita pela baleta
E deus Vaco, do garrafão
Fez dum vácoro bedeta.

Ai o binho, João, ai o binho
Mais santa é a voa vevedeira
De correr atrás dum vacorinho
Em vondosa vrincadeira.

Tudo tão vom e velo, criancinhas
Correi, correi, ó indolentes
No interbalo do binho e das sardinhas…

Correi, que ganham bossas mentes
Correi, que o binho é gasolina
Correi, correi, ó inocentes…

Fernando Castro Martins”
(via FB)
* a propósito de um retrocesso civilizacional acontecido hoje em Braga.

Sucessão no BES

O número 2 passa a número 1 e o deputado “manchado” fica com a cadeira. Problema resolvido.

O que estão a ler alguns membros do Governo

Aos professores portugueses


Quer eu queira quer não queira
Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira
Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta

Perceberam? Eu estarei sempre do outro lado da luta. Sempre. E a minha luta não é a vossa!
E às vezes, quase que fico a pensar que a ordinária da Maria de Lurdes Rodrigues é que tinha razão ao querer pôr-vos na ordem!

Uma mão lava a outra e as duas levam-nos a carteira

Não tem experiência bancária e tem uma mancha no currículo. Um banco que tem fornecido ministros e secretários de estado fecha o ciclo escolhendo um político de carreira para os seus quadros.

Procurando sacudir a água do capote

austeridade

Passos Coelho procura, com descaramento, inverter a situação. É ele e o seu governo quem legisla fora da lei. É ele que repetidamente tenta fazer passar leis, as quais, antecipadamente, se sabe não estarem conforme o nosso quadro legal. Não são os juízes que se devem demitir. Se não consegue governar dentro da lei, é Passos Coelho quem se deve demitir.

Chega de esquemas para arranjar bodes expiatórios para a incompetência governativa. Sim, incompetência, ou não ganhou este governo as eleições prometendo que nem aumentaria impostos nem cortaria salários? Não bastava cortar nas “gorduras”? E os 7 mil milhões enterrados no BPN, onde é que estão passados 6 anos depois da escandalosa nacionalização?

[gráfico]

Liberdade vs regulação

Um debate interessante que serve também para elucidar algumas mentes confusas que costumam passar por aqui. Uma coisa é defender a liberdade de investir, arriscar, criar riqueza. Outra bem diferente é aceder à pretensão corporativista do capital instalado que gostaria de operar sem concorrência, eliminando à nascença potenciais novos concorrentes que apostam na inovação, oferecendo uma solução à medida do consumidor. O maior aliado que o capitalista monopolizador pode encontrar é sempre o Estado burocrata disposto a tudo regular. Quando bem sucedido, já sabemos quem será o lesado…

No país onde toda a mulher é fruta…

… a Pêra quer salvar a selecção do Felipão (será que os homens são todos pão?):

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Se vos aparecer um anúncio da Scandifinance

scandi

 

…fujam a sete pés!

Foi o que eu fiz, mas antes disso pedi ajuda a um companheiro aqui do Aventar para umas pequenas investigações e decidi contribuir para desmascarar mais um esquema.

Tendo respondido a um anúncio para emprego, recebo como resposta este email, cujo conteúdo passo na íntegra:

«Caro Candidato
Nossa empresa Scandifinance está em busca de funcionários. Temos o prazer de recebê-lo como um candidato para a nossa oferta de emprego em Portugal.
Somos um novo grupo de investimento com vários anos de trabalho na Europa.
Nossa empresa tem grandes perspectivas em Portugal. Nossa empresa é uma empresa líder no mercado de empréstimos e mini empréstimos. Nosso objetivo é expandir o nosso negócio e também que nossos clientes recebam o melhor
serviço possível.
Atualmente, estamos expandindo nossos negócios em Portugal e por isso precisamos de mais trabalhadores para promover a nossa empresa e atender às necessidades de nossos clientes em Portugal e no resto da Europa.

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Apenas 30 vagas?

Eu diria que este curso é coisa para formar uns milhares em Portugal. Se considerarem equivalências as horas de experiência acumulada então seria preferível passar à frente da licenciatura e avançar já para doutoramento e MBA…

D’ “Os sítios mais lindos que vi”

O Vale do Tua cantado por quem gosta dele. Requiem por um vale encantado?

Os Cabelos Compridos Estão na Moda

ponto_juridico_advogadasPonto Jurídico: as Advogadas (de cabelos compridos).

Este governo é uma anedota

O recorde de dar o dito pelo não-dito vai em 24h. Vamos aguardar mais umas horas para se desdizerem na totalidade. Incompetentes e bem pagos é a marca deste governo.

É uma injustiça

filipe vi
Por muito menos do que isto o Pepe levou vermelho directo.

Erro no exame de Português

O dono do IAVE ainda não foi demitido. Compreende-se: mentir, ser insolente e cometer erros, é a cara deste governo.