Menos turmas com os mesmos alunos

Trabalhar numa escola não pode ser fácil, porque implica lidar com muitos e variados domínios do ser humano. Como se isso não bastasse, para se trabalhar numa escola, em Portugal, é-se obrigado a lidar com uma opinião pública frequentemente hostil ou indiferente e com sucessivos governos que, relativamente à Educação, baseiam as suas decisões numa mistura de incompetência, insensibilidade e ignorância que se parece demasiado com má-fé.

Uma das actividades a que as escolas se dedicam, no final do ano lectivo, apesar do mito de que está toda a gente de férias, consiste na criação de turmas. Trata-se de um serviço que envolve membros das direcções, funcionários administrativos e muitos professores. Antes disso, com a maior antecedência possível, cada escola divulga a sua oferta formativa. Graças a todo este processo trabalhoso, os alunos matriculam-se no ano e/ou nos cursos que pretendem frequentar. Assim, a pouco e pouco, é com base em matrículas e inscrições que se vão criando turmas, de cada vez que se atinge o número mínimo de alunos exigido por lei.

Entretanto, a definição da rede escolar deveria ter sido feita até 30 de Junho, o que não aconteceu. Quando alguém, no Ministério, se lembrou de a divulgar, as escolas ficaram surpreendidas com uma redução do número de turmas imposta com a habitual negligência de quem não perde tempo a estudar o terreno. De qualquer modo, quem trabalha nas escolas, já sabe que é em Julho e em Agosto que os ministros ditos da Educação tomam decisões que – das duas uma – ou não deviam tomar ou já deviam ter tomado. [Read more…]

As Perguntas do Dia

Por que é que anda para aí um montão de gente preocupada com a dívida da Câmara de Gaia (que se analisada per capita anda pelo meio da tabela) e ninguém se lembra de que o défice, ainda monstruoso, da Câmara de Lisboa tem sido substancialmente reduzido à custa de todos nós, que comprámos por 100 milhões de euros os esgotos da capital, um negócio nauseabundo, que cheira tão mal como o da venda dos terrenos do aeroporto e a oferta dos terrenos da frente ribeirinha? […] Por que é que a Câmara de Lisboa, com mais de 12 mil funcionários, é o maior empregador do concelho e isso nunca vem à baila quando se acusam algumas autarquias do interior por serem as maiores empregadoras do seu município?

Jorge Fiel

Comparadores de Pénis

constituintes dos genitais masculinosO exercício do blogger é o de manifestar algum pensamento com o máximo liberdade e verdade emocional. O que se escreve sente-se com as tripas. Daí uma linguagem mais dada ao coloquial e às interjeições e vernáculos do nosso descontentamento. Gostar do que se gosta. Detestar o que se detesta, isso passa rente à pele e como nenhum inócuo artigo de jornal o faz. A capacidade para fazer sentir ideias e seduzir intelectualmente para elas mora na bloga e noutros domínios da rede, mas os seus efeitos são imediatos e consolidam, como um fermento, as moções da grande massa de cidadãos. O socratismo percebeu demasiado bem essa importância de gerar um conjunto de blogues e de federar um conjunto de bloggers, os quais, devidamente avençados, coordenassem e sincronizassem a apresentação quotidiana da mundividência exclusivista que esses dois Governos quiseram passar, ainda que a realidade íntima das contas, das acções e das movimentações de bastidores indicassem o conhecido rumo inexorável em direcção aos cornos da realidade.

Hoje vivemos noutro modelo de relação do Governo com a bloga. Não é possível vender a austeridade como se vendia o optimismo mais imbecil, rapace e charlatão. Não se pode falar bem da dor, da fome, da inactividade profissional. A política de austeridade é o que é. Uma merda. Uma necessidade. Visa corrigir as consequências de um modo de governar que resolvia problemas à superfície, atirando uma torrente de dinheiro sobre eles. Há quem diga que a austeridade tem sido extrema. Do meu ponto de vista, ela foi concentrada no tempo, nos últimos dois anos. Teria de ser. Foi uma escolha estratégica. Se se colocarem na pele de um Governo que surgiria sempre como odioso por cortar de modo extremo durante dois anos, hão-de concluir que não seria justo ficar tal Governo com todo o ónus político por ter feito o que devia e seria incontornável fazer numa legislatura: salvar o País, represtigiá-lo, recredibilizá-lo externamente; apertar a gestão das contas públicas segundo um modelo sóbrio, sólido, sustentado, realista; e, claro, com isso penalizar milhões de cidadãos. E depois?! [Read more…]

Não há dinheiro …

… mas houve mil milhões para cancelar contratos swaps. Há a questão da ministra que mentiu,  ou não, mas ainda mais importante é saber quem é que assinou esta porcaria.

Quem é que assinou estes contratos de swaps? Qual é a responsabilidade do PSD? E do PS?

É muito giro ver o PS pedir demissões como se esta escandaleira lhe fosse alheia. Mas onde estão os nomes? Eles existem,  os swaps não nasceram incógnitos. É nisto que a discussão se deve centrar e não na ministra que me parece ter mentido e que, portanto, só tem uma saída, seguida da imputação do custo da sua acção tardia e, quiçá, errática.

Chega de usar a peneira da demissão para não se falar do que é de facto importante. Quem é que assinou estes negócios que já comeram um quarto dos famosos 4 mil milhões que querem cortar na despesa do estado?

Nomes. Crime e castigo.  O resto só deve vir a seguir. Nunca antes, como tem sido estratégia do PS.

Vitor Sousa Censura Comentários no Facebook

candidato-vitor-sousa-1O actual número dois do executivo bracarense, Vitor Sousa, tem por hábito frequente censurar comentários e perguntas que os seus potenciais eleitores lhe colocam na página de facebook, que utiliza de forma entusiasmada para dialogar com os cidadãos.
Dialogar não, que o diálogo pressupõe sempre que há o outro, a outra parte; no caso de Vitor Sousa, a sua página de campanha é um monólogo, um entediante e repetitivo monólogo de Vitor Sousa com Vitor Sousa.
Hoje Vitor Sousa brindou o seu povo com a divulgação de um vídeopago com dinheiros públicos e também publicado na páginda de facebook do próprio município! – onde dá conta de “Projetos de Regeneração Urbana, desenvolvidos entre 2009 e 2013“.
Na verdade, 90% dos ditos projectos 2009-2013 estão ilustrados com imagens… virtuais, como pode ser comprovado aqui. Ora, para final de 2013 faltam alguns meses: resta saber, por exemplo, se há ainda tempo para implantar o famigerado parque das Sete Fontes – 20 mil hectares! -, num local que até data recente este mesmo executivo – e Vitor Sousa – tinham viabilizado como zona de construção…
E os 45 hectares do chamado Parque Norte? E a pista ciclável no rio Este, em leito de cheia: aguentará as chuvas de Novembro? E os quase 29 km de ciclovias na cidade: onde estão?
E os 35 hectares do Parque Oeste? Onde? Crível só mesmo a informação de que a Câmara Municipal de Braga já plantou 8.979 árvores e arbustos.
Vitor Sousa faz-me lembrar a EDP e a sua relação imatura com os meios de comunicação franca.
É este o homem que quer governar a dita terceira cidade de Portugal?

Claro, é outro mentiroso como ela

Presidente lembra que Ministra das Finanças continua a ter a confiança de Passos Coelho

Rocco Siffredi enraba

Quem abandonar animais. Numa publicidade contra o abandono animal. Receio é que esta campanha possa ter o efeito contrário
rocco

Aplausos para Rui Rio

Por uma vez na vida, tenho de dar os parabéns a Rui Rio. Chamou os bois pelos nomes (aqui chegado, resisto à piada fácil) e disse aquilo que é evidente para todos a não ser para os ingénuos: que Maria Luís Albuquerque mentiu de forma descarada no Parlamento e que, por isso, não tem condições para ser Ministra das Finanças.
«Não disse a verdade toda» foi a frase utilizada por Rui Rio. Vai dar ao mesmo. Mentirosa, impostora, trapaceira, trampolineira, enganadora. É tudo a mesma coisa. Numa única frase, mentiu com quantos dentes tem na boca.
Não era necessário vir Rui Rio dizê-lo. Todos ouvimos a Srª Swap no Parlamento. Dizendo que não sabia de nada e que nada lhe fora transmitido. Não sabia de nada? O próprio Vítor Gaspar o disse ontem, ela sobre o assunto em causa sabe mais do que a Lúcia. É a experiência em pessoa, visto que ela próprio assinou vários contratos do género, ruinosos para as contas públicas.
E aqui estamos, nós os contribuintes portugueses, para pagar os desmandos da Srª Swap. Que no afã de meter 200 milhões de contos no cu de Ricardo Salgado e afins, nem cuidou de ver quais eram os contratos que urgia extinguir e quais eram aqueles, como os do STCP, que neste momento até estavam a dar lucro.
Vai de férias, a Srª Swap, tranquila porque está a cumprir a sua missão. Todos sabem qual é.

Um Conas Chamado Rio

CunnusO País e o Porto têm tido em Rui Rio um austero e severo líder autárquico. Trata-se de um homem sério? Sem dúvida. De um político pelo qual podemos pôr as mãos no fogo? Sim, quase em absoluto. E no entanto, é um conas. Um elitista. Alguém que corta relações com parte da alma portuense, o FC Porto, e acha que é assim que se amputa a passada promiscuidade clube-autarquia. Não esteve mal na requalificação dos bairros da cidade, na remoção do Bairro de São João de Deus, mas não teve nada para oferecer às camadas mais pobres da população, um dinamismo novo por mais emprego, um projecto de vida. Rui mostrou-se muito preso de movimentos e imaginação para combater o desemprego da cidade, coisa a que um autarca menos merceeiro poderia obstar com mais cultura, novo petróleo do empreendimento jovem. Gritou na questão SRU, é certo, mas do enfraquecimento da liderança do Norte e do Porto falam anos de silêncio em torno dos dossiês da ANA, da RTP-Porto, do Porto de Leixões, da Casa da Música, do túnel do Marão, do comboio Porto-Vigo, dos voos para Bragança e Vila Real. Nisto foi conas. Passado é passado, embora isto nos esteja atravessado.

Agora lembrou-se de dar alvitres e judicar acerca da democracia adulta em que ainda não vivemos a propósito das declarações erráticas da Ministra Albuquerque no Parlamento. Rio tem um punhal bastante comprido, na hora de dar facadas morais e desleais aos seus oponentes e adversários internos, sendo que, tanto quanto me dei conta, os principais adversários e oponentes de Rio encontram-se precisamente no próprio partido, talvez em exclusivo, o que o irmana com Pacheco Pereira, outro que é basicamente um espírito de contradição e de uma fertilidade intelectual estéril simplesmente atroz. Outro conas. Mas adiante. Certo é que Rio diz mais, na sua entrevista conas à RTP, cuja superioridade moral é todo um tratado absolutista do à-vontade para julgar do alto da burra. Ignorando deliberadamente a complexidade do caso e o peso político da contenda PS-PSD subjacente aos swap, Rio simplifica o seu ataque dizendo que a Ministra não diz a verdade, o que faz pressupor como inteiramente honestos e assertivos os testemunhos de Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício. Nada mais parcial.  [Read more…]

O ministro da Educação-mercadoria

Santana Castilho*

As coreografias políticas de inferior qualidade, geradas pela irresponsabilidade de Gaspar, Portas, Passos e Cavaco, varreram o importante sério em função do urgente falso. O país viveu as últimas semanas à espera da salvação e acabou condenado. Os pequenos delinquentes políticos foram premiados. Tudo voltou ao princípio. Os mesmos de sempre ficaram satisfeitos. Passos Coelho, qual garoto a quem perdoaram a última traquinice, retomou a sua natureza profunda. Foi escasso o tempo necessário para o ouvir recuperar o discurso de ódio à Constituição e aos funcionários públicos. Sem vergonha, resgatou a União Nacional.

Com tal e eloquente fundo, surpreendem os dias de desespero que Nuno Crato vem laboriosamente oferecendo aos professores e à escola pública? Só a quem tem memória curta. E são, infelizmente, muitos. Atropelam-se os exemplos.

1. Repito o que já escrevi: não houve nem há qualquer concurso nacional de professores. Houve, e continua a haver, um enorme logro. [Read more…]

E quando o impensável acontece…

Pode haver razões que a (nossa) razão desconhece e não aceita.
Um famoso programa de televisão Paquistanês está a fazer correr fita por entregar bebés como prémio (em Português, ao abrigo do AO). Trata-se de crianças abandonadas nas ruas e recolhidas por uma ONG, a Chhipa Welfare Association, e entregues a casais estéreis que há muito esperam poder ser guardiões de uma criança. Isto porque a adopção não existe no Paquistão.
O apresentador do programa (em Inglês, sem AO), pelos vistos muito admirado, mas também frequentemente polémico, afirma que apenas pretende espalhar amor e que está a dar o exemplo ao entregar um bebé a um casal sem filhos. Pelo caminho, aproveita e ganha mais popularidade e mais uns quantos espectadores…
É de lamentar? É, pois claro que é, mas ainda mais de lamentar é o facto de naquele país, como em tantos outros, as crianças serem privadas dos seus direitos e tratadas como objectos.
Num país onde estes direitos estão assegurados, isto nunca aconteceria. Penso eu de que.

Os bancos não são pessoas de bem

JPMorgan-Chase manipulou o mercado, concorda em pagar multa de 410 milhões de dólares (em inglês).

Depois do Basta de Camilo Lourenço

carlos abreu amorimGaia não pode parar Carlos Abreu Amorim.

Foi para isto que inventaram especialistas em Comunicação?

Ou seja, mente com quantos dentes tem na boca

Rui Rio: Se vivessemos numa democracia adulta, uma pessoa que chega ao Parlamento e não diz a verdade a toda não tinha condições para desempenhar o cargo de ministra das Finanças»

Albuquerque


All my lazy teenage boasts are now high precision ghosts
And they’re coming round the track to haunt me.
When she looks at me and laughs I remind her of the facts

Comentários e imbecis

A título meramente pessoal fica o aviso: o próximo cabrão de merda que utilizar uma caixa de comentários minha para fazer queixinha de quem legitimamente lhe apagou as cagadelas anteriores, passa para a minha lista de trolls.

Quem não quer ler tem muito blogue à escolha com inteira liberdade de comentar (é um respeitável modo de estar na net como qualquer outro).

Eu sei que é Verão e há pouco para fazer e etc.  Vão ao chafariz mais próximo, molhem a cabeça, bebam um tinto, façam o pino, pinoquem se estiverem com quem. Os meus amigos, por mais que discorde deles, no meu espaço não são insultados.

Até porque hoje é dia internacional da amizade.

Water On head

 

 

5 minutos em directo com a Dona Albuquerque

Mente, e quando lhe dizem que mentiu volta a mentir dizendo que não mentiu.  Nunca vi uma mentirosa assim.

Vida de troll

Eu sei que você o faz. Todos actuamos como se não o fizéssemos, como se fossemos seres humanos imaculados que NUNCA tenham feito dessas coisas perversas. Mas sei que você o faz. E que o faz frequentemente.

Você responde a trolls.

Tudo começa assim: você publica algo inteligente na “World Wide Web”. Divulga-o. Espera que o mundo inteiro lhe agradeça por trazer aquilo que ainda não tinha sido dito na história da humanidade.

Depois ELE aparece. Alguém diz algo para o provocar. Na maior parte das vezes diz para si mesmo “troll” e volta a viver a sua existência maior do que a vida. Mas aqui e acolá, o troll toma o lugar do seu pai. Ou da sua mãe. Ou da sua ex-mulher. Ou do seu ex-qualquercoisa. Algum ponto foi tocado. Ali mesmo, no centro da sua cabeça.

E você responde. Porque… porque… porque… se não responder, então TODOS talvez pensem que este tipo tem razão e você TEM que deixar as coisas claras.

()

Este é um breve trecho de um artigo dedicado ao tema dos troll e sobre como alguém se transformou num troll, ao ponto de chegar a gastar doze horas por dia a trollar. Partilha algumas das técnicas que usava, tais como “respostas curtas e simples que obrigavam a contra-argumentos demorados e deliberados por parte do visado (e que lhe davam prazer só por saber que estava a obrigar a outra pessoa a perder tempo)” (via).

Vida de troll é isto. Espalhar sementes de ódio e viver da colheita de vinagre. O que é que se faz? Apaga-se. Demora menos do que doze horas por dia.

A Liderança de Seguro está Morta

A moção de confiança que se ritualizou agora mesmo no Parlamento foi uma humilhação para António José Seguro. Poderia ter sido a moção de confiança à cooperação estratégica do PS com as condições de governabilidade para a próxima década, encaradas realisticamente e sem sombra de preconceito; poderia ter sido a moção de confiança à igualdade, não de dois, mas de três partidos de Governo perante responsabilidades, metas e desígnios inscritos no Memorando. Mas não foi.

Serviu exclusivamente para desfile triunfal de uma maioria reconsagrada, com dois anos para fazer toda a diferença. Da moção surgiu um Governo arregimentado, coeso e focado, no sentido de conduzir a Política segundo os imperativos de retoma económica, sob a legitimidade constitucional segregada pelas últimas eleições legislativas. O PS voltou a não estar à altura do País e das aspirações da sua juventude capaz de comparar países, partidos, políticas, caminhos de sucesso por esse mundo: um Partido que ilegitimamente trai as aspirações de milhões de portugueses no sentido de um entendimento alargado no âmbito da governabilidade, ostraciza-se a si mesmo. O PS perdeu uma oportunidade ímpar. Quer de eleições antecipadas, quer da possibilidade de fazer parte da solução e não do problema, do vício empata e do clube engonhante a que se reduz a Oposição.

Se houve quem acreditasse que do PS viriam propostas construtivas e capacidade de entendimento, sem palas nem esporas, deve estar desiludido. Mil vezes desiludido. Até aqui, parte do aparente fracasso das políticas da Troyka [nulo crescimento e empolamento da dívida] advinha basicamente da cisão entre duas formas de conceber a governação dentro da Governação.  Cisão na gestão do imediato, entre dois pólos e enfoques complementares, mas em contenda dentro do mesmo Governo, onde Gaspar pontificava. Os pólos da consolidação e do crescimento. A consolidação levou sempre a melhor. Demasiado. Agora, a sobrevivência deste Governo está indissociavelmente ligada a quantos sinais de crescimento e consolidação, com inversão de ciclo, se confirmarem na economia.

Esta moção marca, portanto, o tiro de partida para dois anos onde não será de menos mobilizar e convencer o País das vantagens de libertar a sociedade para a magna tarefa de ser e fazer mais, fazendo recuar o Estado de pesar sobre cada um, sufocando-nos fiscalmente e tolhendo a iniciativa privada graças a uma teia inextricável de obstáculos e burocracias. Dois anos em que se assistirá ao acantonamento do PS, por moto próprio, incapaz de uma agenda credível, incapaz de outra retórica senão a eleitoralista e a do facilitismo frouxo e oportunista. E porquê?! Por se ter submetido à velhice mais asna e politicamente mais esclerosada que alguma vez imaginámos poder tutelá-lo, nesta Hora crítica do País. Seguro perdeu em toda a linha. Perdeu-se a si mesmo. Perde internamente, pois é vítima dos efeitos da sua capitulação às vozes de facção e reduto; perde eleitorado que lhe lê a fraqueza, a superficialidade e a imaturidade para acordos com significância nacional abrangente, chamem-se ou não de salvação nacional.

A Oposição Parlamentar já não é liderada por Seguro, se é que chegou a ser. A sua sobrevivência política, antes de um Costa qualquer que avance, tem dois meses para mostrar capacidade de superação. Seguro está encostado às cordas. Uma bancada hostil. Uma fronda de velhos movimentando os bastidores, mal-fodida, igualmente hostil, indiferente à ternura segurista, antes ferindo-lhe as ilhargas com esporas de Esquerda. Ele é alguém que já não pode passar má figura perante um Novo Governo Passos disposto à negociação perpétua e à adopção mesmo de soluções com que o próprio Seguro obtivera convergência negocial na ronda de iniciativa presidencial.

Quando o Governo patinava e a crise interna estava iminente, Costa simulou avançar, mas travou. Agora, perante o crescer de uma vontade governativa de fazer mais, melhor, diferente; perante a suspeita de uma economia a florescer, quem ousará avançar e disputar, em Outubro-Novembro, o lugar esmagado de Seguro?!

O Vítor Gaspar explicou,  devagarinho

A Albuquerque é mentirosa. Qual das palavras não perceberam?

Moção de confiança

Vão os deputados eleitos com este discurso

votar uma moção de confiança ao governo. A legitimidade está à vista: é nenhuma. A democracia não é uma ditadura por quatro anos.

Quem Não Mente?

Hoje, Maria Luís Albuquerque poderá retractar-se ou não! da imprecisa formulação inicial acerca da transmissão do terrível dossiê swap. Já observámos uma sensível evolução discursiva do «nada lhe foi transmitido relativamente à matéria dos swap» para «o que lhe foi transmitido acerca da matéria dos swap era insuficiente para tomar decisões». As modulações discursivas são imperdoáveis em Política [em comparação com o facto de se ter lesado os contribuintes e o erário em vários milhares de milhões de euros, coisa de que nem se fala nem interessa para nada], especialmente quando o que se pretende é abater alguém seja a que pretexto for, por daí se extraírem vantagens mesquinhas na contenda política. E a questão é muito simples na sua extrema e intrincada complexidade: interessa ao País que as Oposições explorem este filão de putativa inconsistência até às últimas consequências ou o que interessa ao País é perceber quantos contratos swap os Governos Socialistas autorizaram, por que motivo os autorizaram e por que, na altura da transição, Pedro Felício, Carlos Costa Pina e Teixeira dos Santos sabiam tão pouco ou quase nada acerca dos prejuízos potenciais e virtuais de esse tipo de negócios ao ponto de ter sido aos bochechos que toda a informação se reuniu para formar um quadro só inteligível ulteriormente?

Por que motivo tem de ser a nova Ministra das Finanças a pagar toda a factura de uma matéria por que não foi responsável directa enquanto governante, tendo herdado um dossiê escabroso?! Ok, talvez Albuquerque o tenha engonhado e não o poderia engonhar. A vingança serve-se fria, mas o Regime Socialista Português serve-a a ferver sempre que um titular de cargo público ouse encalacrar o Partido Socialista, os seus ex-titulares de cargos públicos, entalando-os nas gravíssimas irresponsabilidades em que incorreram. Isso é que é imperdoável, em Portugal. Denunciar abusos, excessos, malfeitorias políticas costuma ser mortífero para o atrevido denunciante. É por isso que está interdito falar no socratismo [raro é o companheiro do BE que convoque, invoque, relacione o passado socratista com muitas das opções políticas em decurso, pacta sunt servanda] e muitos preferem falar no cavaquismo e nas culpas da monarquia às riscas a abordar o hiato de irrespirabilidade antidemocrática dos anos 2005-2011. Albuquerque meteu a unha no mau trabalho dos socialistas, denegriu-o, quis dar a entender que os titulares desse Governo não lhe transmitiram nada porque pouco ou nada saberiam. Azar. Quem se mete com o PS, leva. E hoje, quem se mete com o PS ex-Governo, leva dos galfarros do PS e pode levar com toda a violência e toda sanha dos esbirros não-PS, iludidos com futuros e convénios de Esquerda que nunca sucederão, bem pode vaca tossir e os agentes do Grande Satã branquear todos os dias a pessoa política e pública do grande embusteiro. Nós, os que amamos a verdade, não temos culpa que a verdade incrimine os governos socratistas. Pela dívida. Pelos improvisos. Pela inaudita vertente casino trazida para a governação.  É a vida.

Mentirosa


Hoje, 30 de Junho, em actuação no Parlamento.

Não há dinheiro (título seguido de interrogação, exclamação ou ponto final)

government-money

No princípio não era o verbo mas sim a gordura, as gorduras, para ser mais exacto. Era preciso cortá-las, apesar de derretê-las fazer mais sentido, fisicamente falando.  Quando chegou a hora de as cortar, indo ao dinheiro dos partidos, como o das fundações, dos trabalhos adicionais e dos pedidos a escritórios de advogados,  a montanha pariu um fica-tudo-na-mesma e o arco do poder deixou de falar no assunto. [Read more…]

Moedas, Borges, FLAD e Machete: relações perigosas

pilhas-de-moedas-de-ouro-16812996Uma pequena empresa pode comprar uma companhia do tamanho da PT? Pode. Um grande especialista neste tipo de operações é o nosso amigo Moedas. Fundou mesmo uma empresa que só faz isso, temporariamente em nome da mulher desde que entrou para o Governo

Essa empresa é associada do Grupo Carlyle (exactamente, o proprietário do Freeport), do qual tem a representação EXCLUSIVA em Portugal, que tem esta actividade no centro do seu core business.

Como funciona o esquema?

Constitui-se uma pequena empresa, com capital social simbólico (a Leitaria Garrett, por exemplo). Através das relações, no mercado de capitais e na banca, obtém-se um empréstimo no valor suficiente para a aquisição (hostil se necessário) da maioria do capital de uma empresa do tamanho da PT. Realiza-se o negócio e, no dia seguinte, a “PT” compra a “Leitaria Garrett”, herdando assim o seu património: activos e dívidas. Deste modo será a própria “PT” a pagar a dívida contraída para a sua aquisição. Curioso, não?

António Borges explica, e defende, os Hedge Funds…

 

Versão integral deste artigo aqui

Selassie e as trocas (swaps?) da ‘troika’

Certos caminhantes, de passos erráticos e de baixas dioptrias, conformam-se com a visão curta. Inibem-se de tomar consciência do horizonte distante e profundo de misérias que tragam e destroem milhões neste devassado e imenso mundo.

Selassie, o etíope do FMI vai deixar a ‘troika’ da ‘ajuda externa’ (?) a Portugal. Nada de novo. O dinamarquês Poul Thomsen, louro e de olhos azuis, também já o fizera.

As trocas de homens de epiderme distinta, em termos de ternuras, poderiam conduzir-nos até Vinícius:

Se por acaso o amor me agarrar
Quero uma loura pra namorar

Mas se uma loura eu não encontrar
Uma morena é o tom

Infelizmente, contra as excepções dos abastados que sustentam com jóias e lusitana, espanhola, francesa, italiana ou germânica paixão, os sentimentos populares são de tristeza.

Portugal, como outros países, está condenado a estas mudanças de homens da ‘troika’. O alemão Juergen Kroeger também nos deixou.

Todavia, é imperativo permanecermos conscientes de que com a substituição dos homens, do FMI, da CE ou do BCE, ficam em boas mãos a herança de nos fazer controlar o défice orçamental, garantir os cortes de despesas públicas através de despedimentos da fp, de reformas e pensões, e de outras coisas mais, que são  malévolas demais.

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Dompenaxinho – Já não dói não

Gosto de cantigas de Verão, mesmo sem gostar do Verão. Esta é das mais surpreendentes dos últimos anos.  Os mitras açorianos são os maiores.

Obrigado Hugo Ferreira.

Cenas Menores Contra um Bode Expiatório

É preciso deixar de repetir o que muitos socialistas e outras abéculas do fanatismo insultador dito de Esquerda têm-se esforçado por demonstrar e tem falhado no âmago: que Maria Luís Albuquerque recebeu a totalidade da informação pertinente relativa aos swap aquando da transição de pastas entre Governos cessante e empossado, em Junho de 2011. Perante o Parlamento e os portugueses, Albuquerque disse que não recebera tal informação cabal nessa altura. De todas as vezes o disse. Modificou a forma de o dizer, mas manteve o que disse. Afinal, farrapos de emails, informações avulsas a seu pedido, relatórios tardios, resumos, elementos posteriormente enviados, acrescentados, portanto informação em construção, indicam que mentiu segundo a sindicância peremptória da Oposição?! Porquê?!

O ataque concertado de que Albuquerque é hoje alvo também é uma manobra, mais uma, que fundamentalmente branqueia e oculta as aselhices e incúrias dos Governo Sócrates. Sobre a matéria de facto e os acontecimentos passados relativos aos swap importaria explorar por que se fizeram em tal número e quem deles beneficiou lateralmente. Nunca o saberemos porque sabê-lo não é típico do modo como se sindica dolo e desgoverno em Portugal. Não se sindicam. Insista-se na mentira da Ministra e sindicar-se-ão ainda menos. Não temos razões para acreditar que, neste imbróglio, só Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício é que são a parte rigorosa no relato dos factos. Pelo contrário, tendo em contra o fluxo de informação subsequente àquela transição solicitado pela então secretária de Estado, este tripé de sábios pouco saberia do que lhes foi por ela solicitado. Pouco ou nada saberiam os facultadores da informação. Andariam aliás tão às aranhas quanto caloiros à entrada no Curso Superior, sendo que aqueles estavam de saída do regabofe governamental e ignoravam as perdas escandalosas que aqueles contratos comportavam. [Read more…]

Mas Antes

Há textos que não consigo só deixar aqui em forma de endereço quando leio o último ponto final.  Acontece uma ou duas vezes por ano, e é regra desta casa não republicar textos a torto e direito. Este é um deles, do Gregório Duvivier (esse, o actor e argumentista da Porta dos Fundos), roubado na Folha de S. Paulo.  Como escreveu a Clarice Falcão, com quem Gregorio partilha os dias, “O maldito escreve muito bem, esse maldito.”

Ela saiu de casa batendo a porta. Mas antes, ele tinha mandado ela tomar no cu. Mas antes, ela tinha pedido que ele pelo menos limpasse a merda que fez. Mas antes, ele tinha derramado vinho no tapete. Mas antes, ela tinha duvidado de que ele derramaria o vinho todo no tapete. Mas antes, ele tinha dito que derramaria o vinho todo no tapete. [Read more…]

Luis Buñuel – O Fantasma da Liberdade

[youtube http://youtu.be/t-N8_wF6z60]

O Fantasma da Liberdade, legendado em português. Um filme de Luis Buñuel (1974) com  Jean-Claude BrialyAdolfo Celi e Michel Piccoli.

Ficha Imdb.