“Os professores estão muito divididos”

O título deste texto corresponde a uma afirmação de Nuno Crato, em mais uma tentativa de intoxicar a opinião pública e de semear a dúvida entre os professores.

A grande maioria das reuniões de avaliação marcadas para a semana passada não se realizou. A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.

A notícia de que os professores estão muito divididos é, portanto, manifestamente exagerada.

Nuno Crato utiliza tudo o que possa servir para demonizar os professores. Para isso, cultiva, com grande habilidade, as declarações e os silêncios.

Assim, não hesitou em afirmar que os professores transformaram os alunos em reféns e apelou a que não fizessem greve aos exames, depois de ter falhado a exigência dos serviços mínimos.

No que se refere aos silêncios, hoje, na SIC, recusou-se a dizer o que poderá acontecer aos alunos que possam ser impedidos de fazer exame, amanhã, em consequência da greve. Com esta atitude, tenta amedrontar os professores mais hesitantes, ao mesmo tempo que mantém os pais e os alunos sob tensão, lançando-os, mais uma vez, contra os professores. Bastaria que tivesse afirmado que os alunos que não fizerem exames não serão prejudicados, mas isso seria contrário ao maquiavelismo que norteia a sua actuação. [Read more…]

Nuno Crato, a dama de lata

nuno thatcher

Por entre a pura e madura mentira, a Nuno Crato coube a tarefa governativa de partir a espinha aos professores, o maior corpo profissional da função pública. A ideia é simples: derrotados estes não haverá mais resistência à minimalização do estado e  abertura do ensino, da saúde e não só às maravilhas do mercado e das negociatas à sombra do governos.

Chegamos a um ponto em que se estica a corda, cantando uma vitória de Pirro antecipada: com uns 5000 professores, de todos os graus de ensino, a maior parte dos exames vão-se realizar amanhã, desvalorizando uma greve que nesse caso chegaria aos 95% de adesão.

O problema desta gente é que toma os outros por parvos, ou seja, coloca-os ao seu nível. E como se pensa acima da lei (é significativo que vários comentadores tenham passado à descarada defesa da proibição das greves), imagina que tudo lhes é permitido. Chega a meter dó o esforço que se faz por encontrar “provas” de que esta greve prejudica os alunos, como se um exame adiado fosse um problema para quem arranja mais tempo para estudar. [Read more…]

Natação Obrigatória

Com esta coisa da mudança para as Ilhas há uma ferramenta que se tornará indispensável. Deixo aqui as instruções, em versão musical…

via Natação Obrigatória.

Carta da APRE

A todos os professores

Estamos convosco

Meus amigos:

Amanhã, de olhos postos em vós, estamos convosco – nós, aposentados; nós, funcionários públicos; nós, quantos tememos pelo que vem a seguir; e nós, todos os outros, os que bem sabemos os males que nos espreitam: os que vemos como os direitos e a Lei, feita para nos defender a todos, tem sido letra morta – e já se chegou ao ponto de nos virem publicamente ameaçar de que logo a seguir hão-de tratar de a pôr a jeito.
Este é o ponto, meus amigos – o cerne da questão. Do que se trata aqui é de se estar a semear o terror no que era terreno sagrado, pelo preço de sangue que custou.
Em Democracia, ninguém pode impor unilateralmente – e ninguém é obrigado a aceitar – condições de trabalho impróprias. Ninguém pode aumentar arbitrariamente – e ninguém é obrigado a aceitar – horários, só para poder depois despedir mais gente. Ninguém pode mandar às malvas a própria decisão do colégio arbitral que solicitou e integrou (queria-a, sim, que foi quem a requereu – mas só se fosse a seu favor…). Ninguém pode, por ter errado todo o tempo, por não ter conseguido fazer o que lhe competia, e por não ter sido capaz de controlar o défice, apesar de tudo aquilo a que sujeitou o povo – para quem só deve trabalhar e a quem só deve o mandato – violar tão declaradamente as regras que suportam a sua própria legitimidade. Ninguém pode, finalmente, mudar o nome das coisas. [Read more…]

Natureza da “democracia”

Nuestra democracia viene de una reforma y no de una ruptura con la dictadura”, diz o jornalista espanhol Carlos Elordi. A nossa também, mas ninguém fala disso.

1984

Um filme de  Michael Radford, baseado na obra de George Orwell.

Legendado em português. Ficha IMDB.

Pode obter gratuitamente o livro aqui.

É fazer as contas

Se há cinco anos foram mais de 120 mil os professores que se manifestaram (…) ontem estiveram cerca de 80 mil (…) em 2008 eram cerca de 140 mil professores e hoje são pouco mais de 100 mil. in Correntes

Até podem fazer um gráfico, mas não se esqueçam das parcelas.

Do direito à futilidade

Ó Maria João, se eu mandasse, nunca me passaria pela cabeça retirar-lhe o direito a ser fútil e a julgar-se engraçada e educada, actividades que consegue praticar com grande autonomia. Já percebi, de qualquer modo, que, para si, discutir Política e Educação corresponde a comentar o verniz das unhas ou as camisolas da Catarina Martins e a fazer associações simplistas entre partidos e regimes políticos ou a chamar políticas socialistas à corrupção do Estado. Diante de si, estarei sempre em desvantagem, porque não tenho competências de “fashion adviser” que me permitam debater consigo, por exemplo, a Educação, esse tema que passa, sobretudo, pelo comentário à barba de três dias ou ao corte dos fatos de Nuno Crato. Ainda me lembrei de voltar a falar do conteúdo do texto da Inês Gonçalves, mas – lá está – não estou apto a escrever sobre as tendências da moda para este ano.

Também eu, Maria João, sou um ferocíssimo defensor do direito de todos nós à futilidade. É graças a essa prática continuada da futilidade que sou capaz de me divertir a ler o que escreve, porque é importante, também, lermos textos que não nos ensinem nada de importante, tal como é fundamental para o meu equilíbrio emocional ouvir os dislates de personagens como uma Paula Bobone ou um Cláudio Ramos. A Maria João é, no fundo, o gloss com que me mimo para não estar sempre sisudo a pensar em coisas importantes. [Read more…]

Sétima Revisão da Troika: documentos traduzidos para português

Introdução

AVISO: Este trabalho ainda não foi revisto. Penso no entanto que é importante este material estar o mais cedo possível disponível para discussão. Agradeço que deixem um comentário caso encontrem gralhas ou omissões.

Esta é a tradução dos documentos publicados pelo FMI no dia 12 de Junho (PDF). Como é normal, tanto para este governo como para o anterior, a tradução destes documentos para português parece não ser considerada urgente. A menos que, naturalmente, haja alguma pressão dos meios de comunicação social. A página do governo onde se encontram os documentos das sucessivas revisões da Troika contém traduções para os memorandos relevantes, infelizmente essas traduções costumam aparecer três a cinco meses depois de serem publicados os originais, ou seja quando já não são necessários, quando são irrelevantes.

Assim, mais uma vez, a tradução destes documentos recai sobre os ombros dos próprios cidadãos. Estes documentos são talvez mais importantes que o próprio Orçamento de Estado dado que são eles que, em última análise, ditam as políticas, estabelecem os objectivos e, de uma forma geral, norteiam a acção dos governos.

Do comunicado à imprensa do FMI, podemos ler: [Read more…]

Manifestação dos professores, Lisboa, 15 de Junho

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Errata

expressoMiguel Sousa Tavares escreve de acordo com uma antiga ideologia.

Miguel Sousa Tavares é um palhaço

Ainda ligam ao que ele vomita pela boca fora?

Futilidades

A Raquel Varela é do PCP,  e temos “os países (…) com ideologia próxima do bloco“.  Coisas da moda.

Miguel Sousa Tavares, o adulterado

Sempre igual a si próprio. Puro e duro.

A greve, o presente e o futuro dos alunos

Santana Castilho

Em dia de manifestação de professores, em véspera da greve de tantas discórdias, permito-me lançar ao vento estas perguntas:

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos cortar os planos de estudo dos ensinos básico e secundário?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos diminuir a carga horária de algumas disciplinas, sem que os respectivos programas tenham sido alterados?

Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o número de alunos por turma? [Read more…]

O repouso do guerreiro

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Sempre certeiro, e após denunciar Inês Gonçalves, mais uma perigosa comunista infiltrada no ensino secundário, Vítor Cunha retempera forças preparando-se para novo combate.

Se os tiverem

tomates

Segunda-feira fazem GREVE!

Não há qualquer limitação legal ao exercício da GREVE pelos membros das Direcções das Escolas, logo, estão também convocados para se juntarem a nós na GREVE. Ou será que deixaram de ser Professores?

Lembro um detalhe – imaginem que o vosso Agrupamento é transformado em Mega-agrupamento e, continuando a imaginar, perdem o lugar na Direcção. Já pensaram que a Mobilidade está mesmo ali ao virar da esquina?

Mas, claro, podem sempre continuar a fazer de conta que esta luta é coisa de sindicatos e segunda-feira até podem substituir toda a gente, se calhar até podem fazer o exame pelos alunos!

Hoje todos os caminhos vão dar a Braga

Color run
Pelo menos os que eu conheço.
Hoje é a terceira Color Run de Portugal. E a terceira cidade escolhida para receber «os 5k mais felizes» foi Braga.
Hoje é a minha terceira Color Run. [Read more…]

Basilius

basilius

Joaquim Vieira Basílio de seu nome, anda desde 1959 nas andanças do teatro amador. Em 1992 criou o Mendigo Basilius, personagem que vai percorrendo recriações históricas (nasceu na Feira Medieval de Coimbra) em Portugal, Itália e Espanha.  

É um mendigo muito peculiar: as esmolas que recolhe são oferecidas a uma instituição de solidariedade, como costuma dizer o Mário da Costa devolve a generosidade que cada terra tem.

Finalmente homenageado pela Câmara Municipal de Coimbra, estas fui eu que as fiz, com uma máquina fotográfica.

Ministro da Economia confrontado com Borda D´Água

Álvaro ri de Gaspar a bandeiras despregadas

O horror! Inês Gonçalves é do Bloco de Esquerda!

No princípio, era o verbo, ou seja, o texto. E o texto tinha uma autora. E a autora dizia que tinha 18 anos e que se chamava Inês Gonçalves. E o senhor Vítor viu que um texto daqueles não podia ser de uma rapariga de 18 anos.

Foi então que o senhor Vítor criou o homem de meia-idade com bigode. O homem de meia-idade com bigode era, afinal, o autor.

O senhor Vítor, mais tarde, descobriu que, afinal, existia mesmo uma Inês com 18 anos que era mesmo autora do texto que, durante uns minutos, fora da autoria de um homem de meia-idade com bigode.

A Inês, afinal, não era um homem de meia-idade com bigode, mesmo que possa haver algum homem de meia-idade com bigode que, à noite, goste que lhe chamem Inês, mas não temos nada com isso.

O senhor Vítor, aceitando que a autora se chamava Inês, não aceitava que uma rapariga de 18 anos se pudesse interessar por problemas próprios de homens de meia-idade com bigode. Há homens de meia-idade sem bigode, mas esses interessam-se por outras coisas, que um bigode faz muita diferença. Também há homens com bigode sem ser de meia-idade e, por isso, com interesses completamente diferentes dos dois anteriores.

O senhor Vítor encontrou, então, uma nova solução: como a Inês, por ter 18 anos, estava impossibilitada de formar opinião sobre temas próprios dos homens de meia-idade com bigode, tornou-se óbvio que o texto tivesse sido ditado à jovem autora por um homem de meia-idade com bigode. [Read more…]

Inês Gonçalves?

Oui, c’est moi!

Mudem a k7

Mas alguém ainda acredita na cantiga dos professores manipulados pela Fenprof? 100 000 carneiros é um rebanho que não cabe em Portugal.

Palhaço!


DVDs comprados e nos quais me chamam ladrão

um mundo sem fimOs editores de DVD continuam a insistir na inserção de um clip de visualização obrigatória antes de se poder passar ao conteúdo comprado (clip este financiado pelo estado). Nele afirmam que eu não roubaria certos artigos e, portanto, não faria um download ilegal. E fazem-no precisamente num produto que comprei. [Read more…]

Duas ou três coisas sobre *fatos do Acordo Ortográfico de 1990

DR AO90

Pour prendre position il faut, en général, 
savoir d’abord un certain nombre de choses.
— Georges Didi-Huberman (2009:15)

And intellectual bankruptcy, I’m sorry to say, 
is a problem that no amount of drilling 
and fracking can solve.
— Paul Krugman, 15/3/2012

Em 2009 (p.18), escrevi:

Existindo, como em qualquer reforma, opções susceptíveis de contestação e de debate no plano linguístico, já se torna difícil rebater argumentos taxativos, simplistas e contraditórios, que não vão ao cerne da motivação, ou então acusações avulsas, suspiradas através do facilitismo da emoção, peças movidas em tabuleiros não linguísticos e não culturais.

De facto, é extremamente difícil rebater aquilo que Seixas da Costa escreveu há pouco mais de um ano:

A má fé [sic] e a distorção propositada obtêm, por vezes, algumas vitórias. Admito que alguns possam não gostar do novo Acordo Ortográfico, mas não é aceitável que, por mera vigarice intelectual, se procurem criar mitos em torno das mudanças que ele introduz.

O mais flagrante, e que tenho verificado que que [sic] está já na cabeça de muitas pessoas incautas, é a ideia de que a palavra facto passa, por virtude do Acordo, a mudar para fato. De tanto isto ser repetido, há quem acredite.

Ora isto é uma falsidade, que alguns se entretêm a instilar. Por uma vez, que fique claro: o novo Acordo Ortográfico não altera a forma de escrita (e, naturalmente, de pronúncia) da palavra “facto”.

Quantas vezes será necessário repetir isto?

Depois desta acusação em abstracto, consideremos uma hipótese remota, mas concreta: [Read more…]

Descobri a identidade da verdadeira Inês Gonçalves

ines
Pensavas que escapavas imune, Fernando Nabais?
Está tudo explicado: a Inês Gonçalves é tua familiar e usaste-a como alegada autora de um texto que verdadeiramente foi escrito por ti.
O Vítor Cunha acertou na «mouche»: um homem de meia-idade com bigode a fazer passar-se por uma adolescente. Que tristeza!

A Inês Gonçalves não existe

Como descobriu bem cedo o Vítor Cunha e seus comentadores aplaudiram. Esta entrevista é uma fraude, só pode.

Respondam à Inês

30370O Vítor Cunha muniu-se de cachimbo e lupa e, convencido de que o hábito faz o monge, deu por si a pensar que já era o Sherlock Holmes. Depois de ter lido com alguma atenção o texto da Inês Gonçalves que aqui republicámos, deduziu, julgando-se decerto brilhante, que a Inês se preocupava com assuntos reservados a homens de meia-idade com bigode, já que está cientificamente provado que é necessário possuir ornamentos pilosos na cara e próstatas inchadas para uma pessoa se preocupar com problemas tão chatos como a criação de mega-agrupamentos ou os cortes de horários lectivos.

É claro que o nosso Sherlock quis parecer suficientemente hábil para poder afirmar que nunca tinha dito que a Inês não existia, embora tenha deixado a insinuaçãozita a espreitar com o rabo de fora. Ainda que reconhecendo a hipótese remota de que uma adolescente tivesse um facebook sem o Justin Bieber, Vítor Cunha, esquadrinhando, ainda e sempre de lupa em riste, pôs a mão no queixo e ter-lhe-á cheirado que, a existir uma jovem Inês Gonçalves, o texto talvez tivesse sido ditado pelo misterioso homem de meia-idade, enquanto cofiava o provável bigode. [Read more…]

Viagem a Atenas e ao futuro de Portugal

Aviso à navegação: este relato não é  asséptico, nem imparcial. É a história de uma ida a Atenas, o berço da democracia, agora transformado em laboratório de experiências pela Troika, que todos os dias mata em todos nós mais um pouco de esperança. É o relato do contacto, na primeira pessoa, com um estado policial, que nos deixa o sentimento de que, na Grécia, a polícia é um dos principais inimigos dos cidadãos. É a narrativa de uma perda pessoal. Do vazio que fica depois de nos roubarem algo que nos é precioso e vital. De nos sonegarem a memória. Mas é também a história de gente que resiste. Que teima em idealizar um sonho colectivo. Que persiste em ser solidária. E que acredita que todos os povos são irmãos. [Read more…]