Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (I)

«Tua, est (E.), na margem direita do rio Douro.

O sítio é, ao mesmo tempo, grandioso e tristonho. Junto do entroncamento não há povoação alguma. O rio, enorme e de leito xistoso, corre a dois passos. De um lado e  outro, despenhadeiros. Defronte, ao cimo, situa-se a aldeia vinhateira de Nagoselo. Mais no alto, à direita, oculta-se a antiga vila de Soutelo do Douro.

O comboio, de material antiquado, com locomotivas da era do Fontismo, ou as automotoras, movidas a gasoil, um pouco mais rápidas, mas muito baloiçantes, saem da estrada em sentido inverso (isto é, na direcção do Poente), acompanhando por momentos a margem direita do rio Douro. A estrada para Carrazeda de Ansiães passa por cima da linha. Eis a confluência.

Afastamo-nos do Douro e entramos na garganta pedregosa e alcantilada do afluente. De relance vê-se a graciosa ponte moderna, de betão, que dá passagem à estrada de Carrazeda para Alijó, assim como o longo viaduto, misto, de pilares de granito e tabuleiro metálico, de vigas encanastradas, da Linha do Douro, cuja vista rapidamente se perde.

Transpõe-se um pequeno viaduto e imediatamente se trespassa um breve túnel, cortado no flanco rochoso do despenhadeiro. À saída surge a garganta encaixada entre caóticas penedias.

Alcantis formidáveis! [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 7 – Manuel Monteiro

«Para se fazer uma viagem a Bragança no ano pouco remoto de 1903 escolhia-se o Verão, seguia-se pela linha férrea do Douro, fazia-se um transbordo na Estação do Tua e subia-se pela via reduzida, aberta na margem esquerda deste rio. Pelo arrostar ofegante e moroso do comboio através da penedia britada a golpes de dinamite sobre a corrente coleante, profunda e torva, chegava-se a Mirandela ao cair da tarde. Aqui jantava-se mais reputada hospedaria de Trás-os-Montes, a do Zé Maria, que presidia pessoalmente com as suas barbas bíblicas às refeições dos seus hóspedes. [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 6 – Daniel Deusdado


Passei os últimos quatro anos com o peso da morte do rio Sabor na parte subterrânea do meu cérebro. De vez em quando, subitamente, lembrava-me de um rio pequeno que parecia chorar e rir, rebelde e limpo, de que quase ninguém queria saber à excepção de uns sonhadores unidos na Plataforma Sabor Livre.
Perante a ameaça de uma gigantesca barragem, eles falavam de um rio ainda com peixes, águias, lobos, vegetação milenar, muito inóspito, livre da nascente à foz, que viam morrer às mãos da ganância energética da EDP. E claro, com a bênção do anterior Governo – eram necessários muitos milhões para abater ao défice, a EDP pagava-os, foi sem espinhas.
Assim se vendeu a preço de saldo um extraordinário pedaço selvagem do território português, verdadeiramente único para quem tivesse olhos de ver – e muitos seriam os que, cada vez mais, acorreriam para sentir o que era a natureza em estado puro como quase já não há no mundo ocidental. Ou acham que os turistas viajam para visitar barragens e “centros de interpretação ambiental” que ficcionam o que existia antes destes holocaustos hídricos? Ou que alguém vem para Portugal para tomar banho em águas sujas e perigosas como são as de muitas barragens? [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 5 – Pedro Homem de Mello


«Que diz além, além entre montanhas,
O rio Doiro à tarde, quando passa?
Não há canções mais fundas, mais estranhas,
Que as desse rio estreito de água baça!…
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade?
Ó ruas torturadas e compridas,
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade
Onde as veias são ruas com mil vidas?…
Em seus olhos de pedra tão escuros
Que diz ao vê-lo a Sé, quase sombria?
E a tão negra muralha à luz do dia?
E as ameias partidas sobre os muros?
Vergam-se os arcos gastos da Ribeira…
Que triste e rouca a voz dos mercadores!…
Chegam barcos exaustos da fronteira
De velas velhas, já multicolores…
Sinos, caixões, mendigos, regimentos,
Mancham de luto o vulto da cidade…
Que diz o rio além? Por que não há-de
Trazer ao burgo novos pensamentos?
Que diz o rio além? Ávido, um grito
Surge, por trás das aparências calmas…
E o rio passa torturado, aflito,
Sulcando sempre o seu perfil nas almas!…»

Pedro Homem de Mello, Poesias Escolhidas

Outros textos:
1 – Francisco José Viegas
2 – Guilherme Felgueiras
3 – Eça de Queirós
4 – Miguel Torga

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Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 4 – Miguel Torga


«S. Leonardo de Galafura, 8 de Abril de 1977

O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passados de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor pintou ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis de visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta».
Miguel Torga, Diário XII

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2 – Guilherme Felgueiras
3 – Eça de Queirós
 

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Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 3 – Eça de Queirós


«Em 1880, em Fevereiro, n’uma cinzenta e arripiada manhã de chuva, recebi uma carta de meu bom tio Affonso Fernandes, em que, depois de lamentações sobre os seus setenta annos, os seus males hemorroidaes, e a pesada gerencia dos seus bens «que pedia homem mais novo, com pernas mais rijas»―me ordenava que recolhesse á nossa casa de Guiães, no Douro! Encostado ao marmore partido do fogão, onde na véspera a minha Nini deixára um espartilho embrulhado no Jornal dos Debates, censurei severamente meu tio que assim cortava em botão, antes de desabrochar, a flôr do meu Saber Juridico. Depois n’um Post-Scriptum elle accrescentava―«O tempo aqui está lindo, o que se póde chamar de rosas, e tua santa tia muito se recommenda, que anda lá pela cozinha, porque vai hoje em trinta e seis [20]annos que casámos, temos cá o abbade e o Quintaes a jantar, e ella quiz fazer uma sopa dourada».

Deitando uma acha ao lume, pensei como devia estar boa a sopa dourada da tia Vicencia. Ha quantos annos não a provava, nem o leitão assado, nem o arroz de fôrno da nossa casa! Com o tempo assim tão lindo, já as mimosas do nosso pateo vergariam sob os seus grandes cachos amarellos. Um pedaço de céo azul, do azul de Guiães, que outro não ha tão lustroso e macio, entrou pelo quarto, alumiou, sobre a poida tristeza do tapete, relvas, ribeirinhos, malmequeres e flôres de trevo de que meus olhos andavam agoados. E, por entre as bambinellas de sarja, passou um ar fino e forte e cheiroso de serra e de pinheiral. [Read more…]

Dos santos e dos demónios

Tens alguma razão, Pedro. Às vezes, são os documentos que provam muito do que se quer provar. E se é verdade que, à data da publicação do Ajuste Directo o Secretário de Estado era desde há 7 meses Elísio Summavielle, a verdade é que o contrato foi assinado antes, ou seja, a decisão política – que é aquela que interessa – não foi dele. Assim, o reconhecimento do erro implica um pedido de desculpas aos dois que, embora tardio, vem ainda a tempo.
Seja como for, toda esta questão levanta um problema cuja gravidade poderá ser ainda maior do que aquela que eu levantei com o post inicial – ninguém negou que Elísio Summavielle deverá ser o Director-Geral do Património nomeado por Francisco José Viegas, nem sequer o próprio Summavielle.
E é grave porque se trata de uma nomeação completamente despropositada. Para além de ser reconhecidamente incompetente, como o considera a generalidade dos agentes ligados ao Património português, estamos em presença de alguém que foi Secretário de Estado de um Governo cuja política para o sector é completamente oposta à que este Governo preconiza.
Segundo Francisco Sande Lemos, a verdadeira razão para a nomeação [Read more…]

Pedido de desculpas a Francisco José Viegas

Venho por este meio pedir desculpas a Francisco José Viegas por ter posto em causa a sua integridade no post «A promiscuidade e as ligações perigosas de Francisco José Viegas». [Read more…]

Ainda o Ajuste Directo ao Projecto de Francisco José Viegas


O meu prezado colega Carlos Garcez Osório aponta uma série de erros ao meu post A promiscuidade e as ligações perigosas de Francisco José Viegas. Elídio Sumavielle, por seu lado, veio ao Aventar dizer de mim o que Maomé não disse do toucinho.
Não tenho muito mais a dizer, a não ser que factos são factos:
. O Ajuste Directo em causa foi entregue no dia 18 de Maio de 2010. O Secretário de Estado da Cultura, nomeado em Outubro do ano anterior, era Elídio Summavielle.
. A Direcção-Geral de Cultura do Norte é um organismo tutelado pela Secretaria de Estado da Cultura e não me parece que possa fazer ajustes directos de quase 30 mil contos sem autorização superior.
. Francisco José Viegas foi o mentor, o coordenador e o apresentador de todo o projecto, sendo que, em nenhum momento, pus em causa a qualidade de documentários que nunca vi e de que nunca tinha ouvido falar.

Por último, se achei curioso ver o Carlos a defender a lisura de processos do Governo anterior, vi com compreensão a forma como Elídio Summavielle se defendeu. O sítio de onde o fez, o belíssimo Palácio Nacional da Ajuda, certamente inspirou-o a produzir aquele belo naco de prosa.
Quanto a Francisco José Viegas, e repetindo algo que já disse ao Carlos Garcez Osório pessoalmente, não reconheço qualquer integridade a alguém que ataca com todas as forças a construção da Barragem do Tua mas que, chegado ao Governo, esquece imediatamente tudo o que defendeu. Não tem qualquer integridade quem é nomeado para defender a Cultura e o Património e, ao invés, defende a EDP e os interesses privados.
No fim disto tudo, a única pergunta que pensei que fariam e que ninguém fez nem o próprio negou: Elídio Summavielle vai mesmo ser o próximo Director-Geral do Património?

Francisco José Viegas está um político feito

Para todas as actividades e profissões, há estereótipos raramente inofensivos e muitas vezes maldosos, mesmo quando há um fundo de verdade. O grande problema surge quando os estereótipos, sobretudo os menos simpáticos, se aproximam demasiado da realidade.

Sobre os políticos, o estereótipo diz-nos que prometem seja o que for para não cumprirem quando chegam ao poder ou que se desdizem para depois tentarem explicar que não se desdisseram ou que foram mal compreendidos ou que as aquilo que disseram foi retirado do contexto ou que os tempos mudaram, ao contrário dos burros, que, como se sabe, não mudam.

Em Portugal, os políticos são iguais aos estereótipos. Exemplo disso é a contradição entre as declarações de Passos Coelho e as medidas que tomou quando chegou ao poder: parecem retiradas de um filme com um mau guião ou de uma farpa queirosiana.

Francisco José Viegas, há cerca de dois anos, condenava o crime que está a ser cometido no Tua e, agora, aceita ser cúmplice desse crime. No fundo, é uma questão de coerência: se fosse coerente com as suas afirmações anteriores, não poderia ser um político.

A desgraça para o vinho do Porto

Como ao Ricardo, também a questão da paisagem me preocupa. Mas preocupa-me ainda mais o impacto que esta barragem terá na produção de vinho do Porto. Basta ver o que aconteceu com a Barragem da Aguieira para se perceber que o micro-clima do Douro será drasticamente alterado, tendo os nevoeiros frequentes e densos passado a fazer parte do dia-a-dia daquela região.

Elevada humidade favorece a incidência de doenças fúngicas, em particular o míldio [daqui]. A severidade da doença apresenta alta correlação positiva com o número de horas diárias de molhamento foliar e com a humidade relativa do ar maior que 90% [daqui].  O desenvolvimento da doença é favorecido pelas chuvas na primavera e pela formação de um micro-clima húmido junto à videira: terrenos impermeáveis, solos húmidos e muito férteis, plantações densas, nevoeiros até tarde, orvalhos muito fortes, etc. [do próprio Ministério da Agricultura, que, afinal, também sabe das consequências]

Há um bem precioso e único no mundo, e que constitui a forma de vida de muita gente, que está em risco para que uma barragem seja feita. Obrigado EDP pelo egoísmo-negócio. Obrigado PS pela propaganda-negócio. Obrigado PSD pela cobardia-negócio.

Obrigado, sincero, aos que procuram que esta calamidade não avance. Que, por uma vez, seja feita a vontade dos cidadãos em vez da vontade de alguns cidadãos.

O relatório da Estrutura de Missão do Douro sobre a Barragem do Tua

Projecção do impacto de uma das linhas de alta tensão sobre o Alto Douro Vinhateiro após a construção da Barragem

Em 2009, a Estrutura de Missão do Douro fez um relatório sobre a Barragem de Foz Tua, assinado por Ricardo Magalhães, Chefe de Projecto da Missão do Douro.

E se o relatório do ICOMOS / UNESCO escondido pelo Governo é arrasador no que toca aos efeitos da construção da Barragem na paisagem duriense, o presente relatório não o é menos. Espantoso, sobretudo porque assinado por alguém que tem vindo a defender continuamente a construção do empreendimento.

Atente-se apenas nas seguintes frases do relatório:

«Questões críticas que não se podem escamotear: A hipótese de vir a ser criada uma toalha de água (mais ou menos interessante, consoante a cota de pleno armazenamento) que não seja suficientemente diferenciadora. (…) Não se diferenciará do Azibo, do Alto Rabagão, do Douro e, portanto, dificilmente se poderá constituir numa clara vantagem competitiva decisiva para a região.»

<em>«A singularidade paisagística de uma parte do Vale que o torna, em termos de recurso turístico, um atractivo de excepção e, portanto, uma mais-valia, decorrente da associação do vale encaixado com a presença marcante do comboio e a possibilidade do mesmo fruir. O vale, sem o comboio, constitui um valor natural efectivo, em termos de sustentabilidade mas não tem uma valia intrínseca específica, uma vez que não é acessível.»

«A eliminação da ligação ferroviária diminuirá, à partida, a atractividade e a possibilidade de exploração turística do corredor do Tua, em particular, de Mirandela, na medida em que desaparecerá a oferta de um produto turístico – o passeio à Foz do Tua.» [Read more…]

A opinião de Francisco José Viegas sobre a linha do Tua

O Aventar tem falado sobre a Linha do Tua, o Douro, as barragens e a forma como tem sido tratado o dito património da humanidade e o seu VEU (Valor Excepcional Universal). Eu também podia recordar aqui a única viagem de comboio que fiz por esse paraíso ameaçado, mas não o faço – e logo por duas razões. A primeira, acabei de a dizer: fiz apenas uma viagem. A segunda, muito mais importante, porque não o faria tão bem como Francisco José Viegas – que tanto e tão comovidamente por lá viajou – o fez em Maio de 2010, na revista LER, quando ainda não era Secretário de Estado da Cultura.

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Quatro Minutos sobre o Vale do Tua, o Douro, o Património de Toda a Humanidade

Chamei a atenção [antes das eleições] para os perigos que corria a região Património Mundial do Douro (…)”, Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.

Qual destas palavras não perceberam?

A Câmara Municipal de Alijó Pratica a Censura no Facebook

Já era de prever. A página Alijó 360º, mantida pela Câmara Municipal de EDP, perdão, Alijó, foi censurada hoje pelas 23h, poucos minutos depois de eu ali ter comentado um post. (Aparentemente, alguém pago com dinheiros públicos está a fazer horas extra! – a Bem da Nação)

Desapareceram alguns cometários e desapareceu também a possibilidade de serem feitos novos comentários a posts existentes. A verdade e a vergonha na cara parecem incomodar José Cascarejo, esse grande  defensor do progresso que a barragem do Tua há-de trazer. Aposto que esta personagem fosca da democracia transmontana vai, já nos próximos dias, manifestar-se totalmente CONTRA a barragem… pífia gente.

Depois de a EDP ter fechado o seu mural fendido no facebook, depois de Assunção Cristas, ministra do Ambiente, ter feito o mesmo, quem será o próximo a sentir-se incomodado pelas verdades em torno do embuste do Plano Nacional de Barragens?…

Barragem do Tua ou Património Mundial – O que é mais importante para o país?


O leitor Mário Carvalho fez a pergunta que se impõe: Barragem do Tua ou Património Mundial – O que é mais importante para o país?
Os criminosos que fizeram parte do Governo anterior já responderam à pergunta, mas os actuais ainda vão a tempo de responder de forma diferente. Ou dão preferência à pandilha de Mexia, fazendo o país pagar com milhões e milhões um empreendimento completamente inútil, ou conservam para o país e para o Douro um estatuto de Património Munidal.
Dado que o actual Governo recebeu em Agosto um relatório demolidor da Unesco e escondeu-o até hoje, parece que a resposta também já está dada. A esses, sempre direi por agora que, se concretizarem o seu projecto, ficarão na História e serão relembrados por terem acabado com o Património Mundial de uma região única e irrepetível. Por causa de um monte de betão que não serve para nada.
Alarves sem alma nem coração, economistas da treta que não percebem a importância do Turismo num país como Portugal, iletrados que se dizem homens de cultura. A História já cavou a vossa sepultura.

Pornografia (6)


Sim, a pornografia é uma indecência.

E eu sou contra o Plano Nacional de Barragens. Já me roubaram que chateia.

Pornografia (5)

Sim, a pornografia é uma indecência.

A Ignorância Não Usa Gravata

Não, sra. ministra, não. A barragem de Foz Tua não tem ainda um paredão. Isso é a esperança verde da EDP.

Sra. ministra Assunção Cristas: antes de falar de matérias importantes faça, por obséquio, uma de duas coisas, informe-se com quem sabe ou contrate assessores letrados.

A bem da Nação.

Se Ainda Houver Um Pingo de Decência…*

… esta barragem da mentira não terá passado de um sonho pérfido.

Há uns tempos, uma ministra-da-cultura de um país africano, Gabriela Canavilhas de seu nome, vinha a terreiro promover a construção de uma barragem; por entre exemplos de fascismo mal amanhado, a idónea ministra lá tentou convencer todos os portugueses de que a barragem é cultura…

Tenho pessoal fé que Francisco José Viegas, actual secretário de estado da cultura, está consciente de que a construção daquele mamarracho hedonista e desnecessário coloca em perigo todo o Alto Douro… o de agora e o das gerações que se seguem.

* Foto obtida desde o rio Douro este sábado. Como se depreende, um paredão de 90 metros de altura nada interfereé magia!

O Vale do Tua

O vale e a Linha do Tua no período pré-filosófico. Só falta aqui é betão

Linha do Tua – Actos e Omissões (2)

Mentir é muito feio.

"Aquilo" *

Deve estar radioso António Mexia; hoje, acolitado pelos prestimosos ministérios do Ambiente e Cultura, várias autarcas locais (em estado de euforia), e vária outra dessa gente progressista que nos governa (a nós, não a eles), foi iniciar a construção de uma barragem inútil para, dizem, produzir electricidade!…

O Vale do Tua perece assim face aos interesses da Nação que, esses mesmos interesses, tornaram os municípios do Douro os mais pobres de todo o Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes, precisamente desde que as salvadoras barragens começaram a chegar;

Depois a salvação de Trás-os-Montes era o IP4, essa desastrosa estrada pejada de cadáveres lançada por Cavaco, o mesmo que, falando ainda recentemente de comboios, se manifestou seu adepto mas que, entre 1988 e 1992 tratou da tosse a cerca de 25% da rede ferroviária.

Tudo isto acontece num pequeno país que gasta o dobro do petróleo** per capita da Dinamarca, que tem o maior rácio de km de auto-estrada por habitante, o único em que a rede de auto-estradas é mais extensa que a rede de vias férreas, e com das piores taxas de salário e mobilidade da Europa.

Portugueses, se morrerdes todos embrenhados numa bola de petróleo em fogo, electrocutados e afogados logo a seguir, será pequeno castigo… aplaudirei de pé.

* sou imparável…

** o nosso problema – diriam iluminados tudólogos lisboetas – é mesmo esse, a falta de produção energética, não o excesso de consumo…

Tão Lindos, os Bichinhos…


Sou pragmático: defendo o afogamento nas águas progressistas de uma barragem dos ministérios da Cóltura e do Ambiente e a criação, em vez, do Ministério da Felicidade Suprema dos Portugueses. Com um brilhozinho nos olhos e um sorriso de margem a margem…

Encontrado Mais Um Cadáver*

É mais um cadáver descoberto dentro de portas e sem cheiro; sem que alguém tivesse alguma vez dado sequer pela sua existência, eis que o Instituto de Conservação da Natureza foi encontrado morto, prostrado na sanita, quando se preparava para cooperar na “gestão do fundo Baixo Sabor“; a banal descoberta aconteceu por acaso quando o próprio Ministério do Ambiente procurava um novo buraco para se esconder, já que gosta de pautar a sua existência pelo recato e inutilidade.

O Ministério da Cóltura manifestou já a sua solidariedade, advogando – como compete a um cão amestrado – que a Barragem do Tua é também um imperativo não de Trás-os-Montes ou de Portugal mas sim de toda a Humanidade.

* com o Alto Patrocínio da EDP

A Amnésia e a Sobranceria Afectam Cada Vez Mais Portugueses