Conselho de Ministros (parte II)

tentacoes-bosh

Relatava o secretário de estado da cultura:

– Há, no Museu Nacional de Arte Antiga, uns painéis de um tal Nuno Gonçalves, coisa antiga que…

– Venda-se! – diz a Albuquerque das Finanças – se é tão velho, esse tal Gonçalves deve ser algum pensionista e é preciso garantir a sustentabilidade etc. e tal.

– Também há um do Bosch e…

– Isso não! Não quero chatices com multinacionais de electrodomésticos!

– E quanto à custódia de Belém?- perguntava o s.e.c.

– Se é de Belém, o sr. presidente da República que fique com ela e resolva o que fazer- deliberou o Passos. E segue.

Reunião do Conselho de Ministros

joan-miro-12

Pergunta o Passos: “Não percebo o que se passa. Quem é esse tal Miró?!”.

O secretário de estado da cultura descansou o 1º ministro, garantindo-lhe que ia investigar.

Adeus, Miró

Sim, adeus.

Não nos esqueçamos: “by decision of the Portuguese Republic“.

miró

Joan Miró (1893-1983)
Apparitions (Visions)
30/8/1935 (http://bit.ly/1nMBLB9)

Sim, Miró

Durante a manhã de hoje, deu entrada na secretaria do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa uma providência cautelar apresentada pelo Ministério Público. Para quê? Para deixarem de andar a brincar com coisas sérias.

R.I.P.

Preferia não colocar este post. Obrigado Philip.

Guitarras da Ucrânia

Vasco Graça Moura

vasco
Em Portugal, é habitual fazer homenagens aos mortos. A quem se tecem grandes elogios. Mesmo os seus adversários, nesse momento só têm palavras bonitas para deixar.
Não foi o caso de Vasco Graça Moura. Foi homenageado ainda em vida, com direito à presença de ex-presidentes da República e do presidente da Comissão Europeia. O tom foi o mesmo de sempre nestas circunstâncias e muitos falaram como se ele já tivesse morrido. Artur Santos Silva chegou mesmo a falar no passado.
Para ser sincero, devo dizer que não gosto de Vasco Graça Moura. Nunca gostei. Sobretudo naqueles anos áureos do cavaquismo, durante os quais era mais Papista do que o próprio Papa, prestou um mau serviço à democracia portuguesa. Quanto à obra literária, não a conheço o suficiente para poder pronunciar-me. Como ser humano, obviamente lamento muito.

Nota: Reconheço que este post, escrito nesta altura, não será muito simpático. Mas esperem só até ouvirem Mário Soares, daqui a uns tempos, a fazer o seu elogio.

A verdadeira tradição coimbrã

TheToiletPoster-1mb-1

Praxe, tradição, universidade, boémia, andam estas palavras metidas no mesmo novelo,  a ver se o desenrolamos, fica o desenho de um jantar,  para quem anda baralhado:

Tradição coimbrã é quando dois cotas veteranos entram no Zé Manel, são sentados na mesma mesa onde um jovem casal já debica as espinhas porcinas, caloiros, e coincidindo nos cogumelos aporcalhados em segunda degustação a Isabel pede o verde da travessa de grelos, travessa para quantos? quatro, como estamos sentados, ora essa.

Naturalmente, depois de nos agradecerem o corte no refogado , pagaram silenciosamente a verdura que salvou a segunda arremetida proteica, não é para meninos, o Zé Manel conhecido internacionalmente como dos Ossos.

Coimbra e tradição, não é de esquerda nem direita, é para quem sabe.

A ilustração, Zappa na Retrete,  viveu em forma de poster durante décadas no Zé Manel, ao lado de outro clássico com moscas, e desapareceu, como outras preciosidades, após uma Asae qualquer. Que se saiba o “conselho de veteranos” não se manifestou.

Sons do Aventar

Em maio, na Casa da Música e na companhia de Rodrigo Leão.

Abbado per sempre

abbado

Fica aqui o registo da bonita, sentida e merecida homenagem que hoje foi prestada a Claudio Abbado.

Emannuel Viollet-le-Duc, o nazi do património

03 Sé Velha interior det 01[1]

Claro que este título é uma figura de estilo, mas aquela que o Google e seu doodle do dia merecem.

Viollet-le-Duc foi o pai de uma teoria genocida que imperou na relação entre arquitectura e património medieval a partir de meados do séc. XIX, entre nós com atentados praticados durante décadas. Tratava-se de repor a pureza original dos edifícios, como se a História morresse no séc XIV, arrasando tudo o que lhes foi acrescentado entretanto. [Read more…]

Vida e morte de uma biblioteca

A história é longa mas prometo que tem umas passagens quase palpitantes lá mais para a frente, é terem um bocadinho de paciência. O Jardim do Marquês, no Porto, teve, durante pouco mais de 50 anos, uma biblioteca. Chamava-se Biblioteca Infantil Pedro Ivo (BIPI) e foi uma das primeiras bibliotecas de bairro do país, inaugurada em 1948. Por ela passaram umas quantas gerações de crianças (ao que parece, uma delas até é hoje um autor desta casa e não estou a falar de mim). Quando começaram as obras do metro, a biblioteca foi encerrada, todo o jardim esteve em risco (se bem me lembro, correram petições pela salvação dos plátanos centenários), e a biblioteca nunca mais reabriu.

Depois de mais uma década de abandono, um grupo de cidadãos ocupou pacificamente a BIPI e propôs-se reabrir a biblioteca à comunidade. Passou-se isto a 16 de Junho de 2012.  Três dias depois, o então presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, mandou entaipar a biblioteca. E um mês depois, a CMP decidiu promover uma hasta pública de concessão do espaço, sem que nela se tivesse em conta o carácter de serviço público do local ou sequer o fim cultural que o espaço sempre tivera. [Read more…]

Há uma ética de esquerda e uma ética de direita?

No jornal Público de 22 de Janeiro é apresentado um trabalho, pela pena do jornalista José António Cerejo, sobre a Casa Fernando Pessoa, sobre a sua directora Inês Pedrosa, e sobre adjudicações. O artigo é claro. Conheço o CCP (Código da Contratação Pública), mas sem mais pormenores sobre o que foram os ajustes directos realizados (despachos de autorização de abertura dos procedimentos, consulta/s efectuada/s, etc.) não posso dizer se os casos apontados estão ou não dentro da legalidade.

Mas uma coisa eu sei, os mais elementares princípios de ética estão ausentes deste/s caso/s referidos na notícia. Esta matéria não tem tido o mesmo “tratamento” na opinião pública à semelhança de outras mais ou menos parecidas.

E daí a minha dúvida, haverá uma ética de esquerda e uma ética de direita?

Na caixa do artigo é referido o nome de Rui Pereira, director municipal.

E pensei, este director Municipal, Rui Pereira, será a mesma pessoa que foi chefe de gabinete do Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas (ex-director da Casa Fernando Pessoa)?

Direita

Recomenda-se a leitura deste longo texto de António Araújo, “A cultura de direita em Portugal“.

Tem lá pérolas assim:

«O que nos interessava, afinal, não era o conteúdo mas o estilo, e estilo foi coisa que jamais faltou ao Indy – entre um bom título e a verdade, geralmente sacrificava-se a verdade.» – João Miguel Tavares

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Egídio Santos

estaleiros_navais_viana_castelo
© Egídio Santos. A exposição Rostos é composta por dois conjuntos de imagens. Expostas numa sala estarão as fotografias que fiz em 1991 no interior dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. São 30 imagens que mostram momentos diversos de um dia de trabalho dos Estaleiros. O outro grupo de imagens, mostradas num ecrã, realizadas nas manifestações de 7 e 13 de Dezembro de 2013, transmitem a tristeza e desilusão que assolou toda a comunidade de Viana do Castelo ao saber da decisão de fechar os ENVC, despedindo a totalidade dos trabalhadores. São rostos de revolta, tristeza. São centenas de famílias que se sentem abandonadas por um governo que as devia proteger. Esta exposição acaba por ser uma homenagem à alma dos Estaleiros de Viana: os seus trabalhadores.
A exposição inaugura dia 22 de Janeiro e encerra dia 19 de Fevereiro. Local: Casa do Vinho Verde, Rua da Restauração, 318, Porto.

Miró

Exactamente: “by decision of the Portuguese Republic“.

 

Claudio Abbado (1933 – 2014)

Precioso

Um mapa histórico animado  com 3000 anos da Península Ibérica, ou de como iberos nos arrumámos no nariz da Europa, e arrumaremos, num universo de séculos nenhuma fronteira é imutável.

Mapas originais em diapositivos podem ser vistas por exemplo nesta História de Espanha em 8 minutos:

[Read more…]

Hoje, lembrei-me de Djavan

A que propósito? Já lá vamos.

Através do jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que Cavaco Silva se pronunciou acerca de Eusébio, nos seguintes termos: “uma pessoa de qualidades humanas excepcionais“.

Exactamente:

estadao

Curiosamente, sabendo nós aquilo que muito bem sabemos, o presidente da República terá de facto escrito excepcionais e a máquina devoradora de consoantes gerou este ‘excecionais’.

excecionais cavaco

Isto é, só recorrendo a um jornal brasileiro é que podemos ter uma ideia daquilo que o presidente da República Portuguesa efectivamente escreveu.

Sim, sem AO90, em Portugal e no Brasil, escreve-se ‘excepcionais’. Sim, com o AO90, no Brasil escreve-se excepcionais e em Portugal escreve-se excecionais — é um paradoxo, eu sei, mas a culpa não é minha.

***

Agora, Djavan.

Lembrei-me de Djavan, por causa [Read more…]

Ary morreu há 30 anos

As canções: Um Homem na Cidade, os Retalhos, o Cavalo à Solta. Os poemas: a Arte Peripoética, o João Ratão. Sim, foi há 30 anos.

ary

“Direção” também leva aspas

Se o Sul Informação tinha como objectivo seguir a boa prática dos jornais A BolaExpressoDiário de Notícias, ainda há determinados aspectos que devem ser melhorados. Se *espetaculares leva aspas, *Direção (Regional de Cultura) também tem de levar. Não sendo *Direção brindada com aspas, não se percebe o motivo de estas ornamentarem o *espetaculares. Tertium non datur.

sul informação

Os Mirós, o Património Cultural e a hipocrisia

A sra. deputada Gabriela Canavilhas, ex-Ministra da Cultura do 2º governo de José Sócrates (2009-2011), vem insurgir-se contra a venda dos badalados Mirós, por parte do Estado Português. Argumenta com a eventual inventariação e classificação dos quadros, baseando-se na Lei de Bases do Património Cultural (Lei 107/2001).

A sra. deputada alega que a referida Lei de Bases estabelece de forma clara princípios fundamentais e estruturantes que atribuem ao Estado responsabilidades inequívocas na salvaguarda e valorização do património cultural”.

E continua, “Se não der seguimento à inventariação, tal como a lei prevê, então [o Estado] estará a contornar a lei e a afirmar publicamente que pretende deixar alienar bens públicos sem sequer os inventariar, o que é muito grave. E só temos duas semanas para travar este processo”.

Pois, digo eu. Isto é tudo muito bonito, mas pergunto, o que andou a sra. deputada Gabriela Canavilhas a fazer quando foi Ministra da Cultura? Uma coisa é certa, achou que a área do Património Cultural e dos Museus não era importante, pois delegou no seu Secretário de Estado essas matérias. O que desde 1980 até 2011 (sim, em 31 anos) nunca tal tinha sido feito por parte de todos os Secretários de Estado da Cultura (quando não havia Ministério) nem por parte de todos os Ministros da Cultura!

 

Na morte de Juan Gelman

Recorde-se a belíssima carta que endereçou à neta que a ditadura militar lhe roubou e que demoraria 24 anos a encontrar.

Projecto Troika

Não números em folhas de excel, mas rostos, nomes, histórias, vidas. Oito fotógrafos e um realizador propõem-se mostrar um país sob o domínio da troika. Uma plataforma online, um livro e um filme serão o legado que esperam deixar, um retrato do país ao longo deste período, uma memória perene de quanto nos tem acontecido como povo.

Adriano Miranda, António Pedrosa, Bruno Simões Castanheira, José Carlos Carvalho, Lara Jacinto, Paulo Pimenta,  Pedro Neves, Rodrigo Cabrita e Vasco Célio são os autores.  Quem quiser contribuir para o financiamento do projecto com um donativo (a partir de 1 euro) poderá fazê-lo  através da plataforma Projecto Troika. [Read more…]

(re)Lembrando Eugénio de Andrade

cartaz comemoracoes Eugénio de Andrade

Se eu estivesse aí no Porto, e lá não estivesse o gelo que por aqui faz e está, até que talvez me apanhassem lá… ler o resto

Os Mirós do Japão*

        Nos últimos dias, alguns jornais, nomeadamente o Público, noticiavam que havia uma petição on-line no sentido de impedir que uma colecção de cerca de 85 pinturas de Juan Miró, propriedade do Estado Português, fosse vendida. Desde logo apareceram os “bitaiteiros” do costume. Que sim, o Estado não tem capacidade para ser proprietário de tal colecção, e o montante da venda serviria para abater ao prejuízo daquele banco. Que não, a venda da colecção é um crime de lesa pátria. E por aí fora.

Por aquilo que fui lendo, o assunto incomoda, e parece que ninguém (da comunicação social a responsáveis do BPN, passando pelo Ministério das Finanças, etc.) esclarece o que de facto se passou. Felizmente há alguém que tem escrito sobre o assunto, e de forma acutilante. Lendo o que Manuel de Castro Nunes escreve (vários posts)  percebe-se tudo. [Read more…]

Xutos: avé, avé

35 anos, sempre a rasgar: Xutos & Pontapés, a melhor banda portuguesa, para sempre (e ninguém pára a Irmã Lúcia, pois é).

Que se cante o fado 
Que se louve a saudade 
Este país quer mais futebol 
Que se pague a conta 
Que se roubem os velhos
Que nada se passe
A não ser a fome 
E que o país por fim apodreça
Pega na vela e torna a acender
Derrete a cera e torna a vender
Ninguém pára a irmã Lúcia, ninguém pára a irmã Lúcia, oéé

Mais Menos

Mais Menos adeus pátria famímila [Read more…]

Postais de propaganda da II Guerra Mundial em Portugal

postal_o-único-conforto

Há uns anos tive que vagar a casa dos meus avós paternos. Na secretária do quarto de meninice do meu pai descobri uma pequena colecção de propaganda de guerra. Principalmente britânica, postais, folhetos e brochuras, alguma alemã, brochuras e folhetos, e um par de brochuras de origem americana. [Read more…]

Parabéns, António Lobo Antunes

Prémio Internacional Nonino 2014

2014-popup_internazionale