Diálogo sobre a intervenção directa no processo de avaliação

sam shepard

© 2006 La MaMa production (http://bit.ly/toothofcrime1)

Hoss: How could this happen?
— Sam Shepard, The Tooth Of Crime

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– Explique-me, por favor: quem é que intervém directamente na avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL?

– É muito simples. Na avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL, intervêm directamente quer o Avaliado, quer…

– O Avaliado intervém directamente na avaliação do desempenho?

– Sim, o Avaliado intervém directamente na avaliação do desempenho. Leia o Regulamento de avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL e perceberá: “Intervêm directamente no processo de avaliação do desempenho: a) O Avaliado; b) O Diretor do Departamento…”…

– O Diretor?

– Exactamente: o Diretor.

director

– Está a insinuar que o Diretor do Departamento intervém directamente na avaliação do desempenho? O Diretor intervém directamente? Desde quando é que um Diretor intervém directamente? Qualquer dia, temos [Read more…]

Alunos vão continuar mais uma semana sem aulas

E já não há paciência que aguente isto.

No parlamento, o responsável pelo erro nos concursos, Pedro Passos Coelho teve oportunidade de dizer a Ferro Rodrigues que o erro tinha, de facto existido, mas num contexto de reforma. Isto é, erraram, mas ao tentar fazer melhor. E, como sempre, Pedrinho Coelho é capaz de ter parte da razão – a legislação de concursos mudou e foram as mudanças que resultaram nesta confusão. Logo, se estivessem quietinhos, a coisa tinha corrido melhor.

O Governo procurou passar parte dos concursos a contrato para a esfera das escolas e criou uma réplica do concurso nacional em cada escola. Ora, no ponto em que estamos, cada professor concorre a tudo o que lhe aparece, de Melgaço a Tavira, porque, basicamente, o que nós queremos é trabalhar.

Ora, se em cada escola, há um concurso diferente e completamente “estanque” em relação aos outros temos novamente um problema – a Professora A foi hoje colocada em 6 escolas. Vai aceitar, até 3ª feira numa das escolas. Logo, as outras 5 só depois de terça poderão convocar outro e assim sucessivamente. Só que há um detalhe. Se, na semana seguinte o MEC chamar o candidato 2, que até pode ser o mesmo nessas 5 escolas, na semana seguinte serão 4 as escolas sem professor…

Mais uma moedinha, mais uma voltinha...

A cabeça de um ministro por 0,8%

As trapalhadas de Pedro Passos Coelho em torno da escola nos últimos três anos têm sido o pano de fundo para tantas e tantas declarações ignorantes que saltaram para o espaço mediático.

Nos últimos dias houve uma nota dominante: Pedro Passos Coelho falhou na colocação de professores e isso é a prova de que não é possível fazer um concurso nacional para colocar os professores.

Ora, nada mais falso, como já procurei provar ontem. O concurso não falhou por ser central e nacional. Essa foi a parte que correu bem. O erro aconteceu quando Pedro Passos Coelho o tentou passar para o nível local. Aí é que o porta-aviões foi ao fundo.

Os laranjas de serviço colocaram também em cima da mesa um argumento que se vira contra o próprio governo: os erros aconteceram apenas com 0,8% dos professores. Se esta afirmação for verdadeira, atendendo a que há cerca de 100 mil docentes na Escola Pública, estaremos a falar de um universo de 800 e não de 150 como foi dito pela tutela. Mas, a ser verdade uma coisa ou outra, de onde surge tanta confusão? Acreditam mesmo que foram apenas 150 os professores envolvidos nesta confusão. Se assim fosse, um mês não seria suficiente para os colocar? Até à mão, os serviços teriam tempo para o fazer. É claro que não foi essa a dimensão do problema.

Podem correr e saltar e até sugerir que deve ser o Ricardo Salgado, do BES mau, a escolher os professores segundo os apertados critérios familiares, porque, todos o sabemos, os nossos gestores são todos fantásticos.

Mas, os factos estão aí para o provar: sempre que o Governo (este e os outros) respeitou a graduação profissional, os concursos correram bem. E, ao contrário, sempre que o Governo (este e os outros) desrespeitou a graduação profissional, a coisa correu mal.

Logo, parece-me que por causa de uns míseros 0,8% de docentes contratado não vale a pena arriscar a cabeça de um ministro.

Fazendo uso da nova imagem da cidade do Porto: GRADUAÇÃO.

Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!

patetaDurante alguns anos, o Ministério da Educação prejudicou um pouco as escolas. A partir de 2005, tornou-se o principal problema. A população, pouco esclarecida e com pouca vontade de se esclarecer, tem gostado de assistir à acção dos marialvas políticos, que isto é um país em que o pequeno salazarismo é a sujidade das unhas e, por isso, há muita gente que treme de gozo quando alguém “mostra quem manda”. Sendo a classe docente um dos grupos mais invejados, tem sido grande o regozijo das gentes, face aos ataques perpetrados pelos gémeos Sócrates e Coelho.

Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida.

É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia. [Read more…]

Graduação é o tempo de serviço e a nota da formação. (ponto!)

Os erros do Governo na colocação de Professores são recorrentes e consequência da dificuldade em gerir um processo muito fácil de conduzir. Não fosse o caso de estarem neste momento vários incompetentes à frente do MEC até porque há escolas, há alunos, há professores. Não há é aulas. Certamente, um detalhe, sem importância.

É só meter o Excel a funcionar e está a “andar de moto“. Confesso que já não dou para o peditório Crato – ele, um cadáver político, que entrou como o mais rigoroso de todos os rigorosos, desceu por um plano inclinado e acabou desfeito no chão da 5 de outubro. Sobre ele, the end!

Agora, quanto aos concursos, calma aí, porque os laranjinhas não vão ficar a falar sozinhos.

Vamos lá então, explicar estas coisas, especialmente a si, caro leitor, que de profs percebe pouco, mas que tem alguma curiosidade em entender como é que cerca de 100 mil professores são colocados.

As regras dos concursos, tradicionalmente, juntam dois factores: nota da formação inicial com o tempo de serviço (um valor por cada ano de serviço). Um professor que acabe o curso com 14 e trabalhe 3 anos irá concorrer com 17 e um professor que acabe com 16 e trabalhe um ano concorre com a mesma graduação: 17.

Foi assim durante muitos anos, até que um dia, uma senhora, agora condenada, resolveu inventar a roda e começar a pensar em esquemas alternativos de alocar os seus recursos humanos às unidades de gestão (esta frase saiu mesmo perfeita, não????). [Read more…]

Crato nobelizado

Vi tudo. Na Assembleia da República o ministro Nuno Crato enfrentava as questões postas pelos deputados da oposição (dos grupos parlamentares afectos ao governo só vieram débeis balbucios). E então, enquanto o ministro e respectivo secretário de estado tentavam navegar naquela tempestade, entendi o olhar dos premiados pelo Nobel da Medicina este ano. É que, quando se esperava que o padrão de actividade das células de posicionamento – “place cells” – do hipocampo viessem sobrepor-se à grelha celular abstracta – “greed cells”- permitindo aos sujeitos orientarem-se pelos marcos politicamente relevantes que a situação apresentava, tal não aconteceu. Esta interacção falhou e os dois políticos não obtiveram a expectável orientação, apresentando um comportamento entre o errático e o cataléptico.

“Portaram-se como baratas tontas, queres tu dizer!” – protestareis vós. E com razão, foi mesmo isso que aconteceu. Mas com linguagem neurológica premiada a coisa tem outra frescura, outro gabarito, reconheçam.

Vamos fazer uma Casa dos Segredos professores? ep.1

Andrea Osório

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segredo 1 – Menti nos subcritérios da BCE
segredo 2 – A minha cunha está dentro da casa
segredo 3 – O meu melhor amigo é diretor da escola
segredo 4 – A minha rival está na casa
segredo 5 – O meu padrinho é o Crato
segredo 6 – Sou técnico especializado em CEF’s
segredo 7 – Dou TIC mas não sou professor profissionalizado na área
segredo 8 – Fui excluída pelo MEC indevidamente
segredo 9 – Adivinho os professores que são colocados em certas escolas
segredo 10 – Concorro só até 50 km de casa por sofrer de saudades
segredo 11 – Sou o confidente do diretor
segredo 12 – Concorri a nível nacional e fiquei de fora
segredo 13 – Fui colocado em mais de 3 horários
segredo 14 – Só fiquei colocada a 700 Km de casa

Quer partilhar o seu segredo?

O manicómio

Santana Castilho *

O grotesco do caos em que o início do ano lectivo se transformou vai do cómico ao dramático. Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes. A última paciente, a directora-geral da Administração Escolar, decidiu sambar na cara de milhares de alunos, pais e professores: com a coragem própria dos cobardes, mandou os directores despedirem os professores anteriormente contratados. Sim, esses mesmos em que o leitor está a pensar. Aqueles a quem o ministro Crato (entretanto desaparecido atrás da palavra que não tem) garantiu, na casa da democracia, que não teriam qualquer espécie de prejuízo quando ele, ministro incompetente, corrigisse o enorme disparate para que acabava de pedir a desculpa da nação.

Leio que são 150 nestas condições. Contratos antes assinados, agora rasgados. Como o daquela colega de Bragança, colocada em Constância a 12 de Setembro e reenviada para Vila Real de Santo António a 3 de Outubro. Casa alugada com caução perdida. Filha a mudar de escola outra vez. Confiança no Estado caída na lama, a reclamar, pelo menos em nome da decência mínima e última, que algo aconteça. Porque não se trata da consciência que o ministro não tem. Trata-se da obrigação republicana de quem o nomeou. [Read more…]

Títulos das próximas crónicas de José Manuel Fernandes

Hoje, José Manuel Fernandes (JMF) declarou que é capaz de acabar com o problema da colocação dos professores. Deu à sua crónica o título: Querem acabar com os caos [sic] das colocações? Eu digo como. O João José já descodificou o texto.

Não vou explorar o veio do mau português de JMF, porque não seria inédito e acabaria por se tornar repetitivo. Prefiro tentar adivinhar títulos de algumas das próximas publicações do ilustre cronista. O resultado é uma patetice, mas é natural: estou a escrever sobre o José Manuel Fernandes.

Aqui vai, por temas:

Futebol

Querem que a selecção nacional marque mais golos? Convoquem-me

Sexo

Querem que as vossas mulheres tenham orgasmos múltiplos? Dêem-me a vossa morada

Culinária

Querem que a vossa maionese deixe de talhar? Eu explico

Saúde

Querem saber qual é a cura do ébola? Eu envio por mail

Sociedade

Querem uma xícara de açúcar? Batam-me à porta

Educação

Querem saber de quem é a culpa de as escolas terem turmas de trinta alunos, de se terem transformado em agrupamentos gigantescos, de haver falta de recursos humanos, de se ter cortado nas horas de várias disciplinas, de se ter obrigado à alteração de manuais adoptados para seis anos ao fim de dois anos e de haver tantos erros nos concursos dos professores? Esperem aí, que ando sempre com uma fotografia do Mário Nogueira no bolso

Grau zero de um governo

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O que se passa na educação é o último patamar do que se pode esperar descendo a escadaria da qualidade governativa. Erros não assumidos, mitigação da realidade, ausência de responsabilização e tratar 150 pessoas como danos residuais. Acresce alunos sem aulas e professores que estavam ali e vão para acolá.

Para que serve o ministério da educação, com as suas diversas delegações regionais e direcções gerais? Potes para nomeação política. Entrave ao acto de educar. Fonte de infindável burocracia usurpadora de tempo que deveria ser lectivo.

O caos poderá ter interesse para um matemático, como Crato, ou não houvesse até uma teoria para este. Mas nada traz à educação. Feche-se então o ministério da educação, com ganhos para todos. Menos para os tadinhos do pote. Tadinhos.

Um caos com objectivos

privatizationConfesso que a princípio me pareceu teoria da conspiração, mas a insistência de Maria de Lurdes Rodrigues, perdão, de Nuno Crato na actual novela da colocação de professores começa a convencer-me: tudo isto é propositado.

Propositado o caos para surgir com a solução milagrosa e salvadora: contratação directa dos professores pelos directores com que Nuno Crato, perdão, Maria de Lurdes Rodrigues, iniciou o fim da escola pública.

Há dois interesses por parte da ideologia dominante em fazê-lo. Um é político, directo (quando a escola onde sou efectivo foi obrigada a agrupar-se com todas as do pequeno concelho fizemos as contas, emprega um tal número de licenciados que multiplicado pelos seus familiares directos garantia a reeleição eterna de qualquer autarca que a controlasse, e já faltou mais para isso acontecer). Outro é económico, essa é a condição que falta para a entrega das escolas públicas à gestão privada.

O caminho foi sendo construído nos anteriores governos: o primeiro concurso nacional fraude (por conta do cargo de professor titular), o fim dos concursos anuais, o início das vigarices conhecidas por contratações de escola, as escolas TEIP e seu estatuto, a par de todas as mudanças que foram fazendo da escola pública de há 12 anos o caos que hoje é.

O caos, esse grande construtor de novas ordens. Estou  a delirar? leiam o José Manuel Fernandes.

7 de Outubro: milhares de alunos sem centenas de aulas

Num mundo governado por gente que gosta tanto de exibir números, é bom que o leitor repare bem no título: por ser dia 7 de Outubro, estamos na quarta semana de aulas e há milhares de alunos sem aulas. Se juntarmos todas as aulas que não houve até hoje, não deve ser difícil chegar às centenas.

Raquel Abecasis, uma representante da direita idiota (pleonasmo?) chegou a dizer que a culpa é dos sindicatos e dos comunistas, ou seja, dos professores, essa classe poderosíssima que, na realidade, manda no Ministério da Educação. Uma pessoa mais impressionável pode chegar a imaginar que os ministros e os secretários de Estado nem conseguem chegar aos respectivos gabinetes, impedidos por uma horda de perigosos barbudos e barbudas revolucionários que ocuparam o edifício da 5 de Outubro em Abril de 1974 e ainda de lá não saíram. José Manuel Fernandes, sempre na palhaçada (ou não fosse membro da direita idiota), conseguiu declarar que isto dos concursos dos professores é tão difícil que não há computador que aguente e a culpa, já se sabe, é de Mário Nogueira e dos guerrilheiros entricheirados na sala de fotocópias do Ministério.

Entretanto, no dia 7 de Outubro de 2014, há milhares de alunos sem centenas de aulas. Pensai nestes números e, antes de organizardes milícias para combater os comun… os professores, lede. Lede muito. Lede, até, o texto de João Miguel Tavares, um homem de uma certa direita que, por vezes, contraria os pleonasmos. É o primeiro da lista.

Caro Nuno Crato: ainda aí está? – João Miguel Tavares

O que se passa nas escolas? Os casos contados pelos leitores

Eles ainda estão à espera de um dia de escola normal

À quarta semana de aulas há milhares de alunos com furos

Escola em Lisboa encerrada por falta de professores

Professores contratados admitem que “caos nas escolas” se mantenha na próxima semana

Adenda: texto fresquinho do Paulo Guinote – Implosão do Ministério da Educação e Ciência: objectivo atingido

Escolas sem professores

Este filme de terror prova uma coisa: o quadro de tantas escolas está por preencher. Não é um erro só do Crato, mas dos seus antecessores.

Dia Mundial do Professor

No Dia Mundial do Professor, é importante lembrar que o Ministério da Educação, que teve vários meses, para não dizer anos, para preparar um concurso de professores, conseguiu a proeza de falhar redondamente.

Em consequência disso, houve professores mal colocados. Nuno Crato pediu desculpa e prometeu que ninguém, incluindo professores, seria prejudicado.

Tendo em conta o que sabemos sobre o chefe do governo, seria surpreendente que uma promessa fosse mantida por algum dos seus subordinados. Assim, há centenas de professores que, ao fim de três semanas de aulas, serão obrigados a mudar de escola e/ou de terra, o que, para muitos, acontecerá pela segunda vez este ano lectivo. Para além disso, há milhares de alunos que serão afectados por mais uma mudança.

Hoje, é o Dia Mundial do Professor. Em Portugal, os professores estão a ser maltratados desde 2005.

Neste Dia Mundial do Professor, leia-se a história da professora Céu Bastos que, sendo de Bragança, foi colocada em Constância, para, pouco tempo depois, ser obrigada a ir para o Algarve. Mesmo que esta fosse a única vítima de um erro ministerial, haveria sempre demasiadas vítimas.

Nuno Crato, tal como as suas duas antecessoras, não merece perdão e desejo-lhe um resto de vida muito feliz longe da Educação. No entanto, cada vez mais dou por mim a perguntar-me se uma classe tão agredida e tão passiva terá menos culpas que ministros destes?

Cratenstein

Nuno Crato, qual Victor Frankenstein em versão imbecil, não consegue enfrentar o monstro que criou. Mas também não quer. Em vez de ficar horrorizado com o resultado da sua obra, como aconteceu com o original, justifica-a, desculpa-a e, no cúmulo da estupidez, insiste em elogiá-la.

Mas ele que se cuide, não vá a “Criatura” virar-se contra o criador e, como acontece na história de Mary Shelley, atacar-lhe a amada que, no caso de Crato, é a sua posição, o seu cargo, a sua glória efémera junto dos patetas. E, finalmente, exterminar o seu próprio “pai”.

Mentir é feio

Lula da Silva costuma dizer que governar bem é fazer o óbvio e o processo de colocação de professores é um daqueles que é tão simples que não é fácil entender de onde vem tanta confusão.

Como já antes escrevi, enquanto o concurso é nacional, corre tudo bem. Quando o Governo resolve introduzir outras variáveis no concurso, então está o caldo entornado.

A explicação é simples: para os concursos dos professores dos quadros, nas escolas “normais” o MEC faz uma lista (de graduação) em que entram apenas dois factores – nota de curso e o tempo de serviço. Simples e eficaz. Completamente aceite por toda a classe como o mecanismo mais eficaz de criar uma lista ordenada.

Quando chega à fase de escolher os professores contratados, Passos Coelho resolve inventar e introduz outras variáveis, nomeadamente nas candidaturas às escolas TEIP (“mais complicadas”) e às escolas com Autonomia (uma coisa que não existe).

E a prova de que o erro está no concurso “especial” resulta deste facto – o concurso dos professores dos quadros não deu erro e o concurso que colocou docentes a contrato nas escolas “normais” está fechado também sem erros.

Só há erros onde Passos Coelho resolveu inventar.

Perante o erro, há duas semanas atrás no Parlamento, um personagem de quem me recuso a dizer o nome, pediu desculpas e acrescentou duas afirmações mais: vamos corrigir o erro e nenhum professor será prejudicado.

Pois, está visto como são sentidas e honestas as palavras dos homens de confiança de Passos Coelho.

E, se me permitem, esta reflexão vai direitinha para Pedro Passos Coelho uma vez que não há Ministro da Educação:

– a Joana é uma mulher com 30 anos. Tem um filho com 5 e vive em Espinho. Foi colocada na Amadora. Tirou o filho do Jardim de Infância aqui no Norte e rumou a sul, montou uma casa nova e começou a dar aulas na sua nova escola. O filhote teve que se adaptar a uma nova realidade. Hoje, a mãe do Pedro, a Joana, foi chamada à Direção: és o elo mais fraco. Estás despedida.

Sabe, senhor Primeiro Ministro, o que eu estimo é o que lhe desejo. Espero que os seus filhos ou os seus netos possam sentir o mesmo que está a sentir o Pedro. E, já agora, aos seus desejo o mesmo que o senhor desejou à Joana.

Dia Mundial do Animal

dia_mundial_animalMas não esqueçam: o mau trato a animais é crime!

Educação em estado de Citius

A justiça entrou no PC e não saiu?

Não há crise, suspende-se.

No caso dos Profs, saiu quem não devia?

Não há crise, anule-se!

À escolha do freguês

Acompanhar a abertura de cada um dos anos letivos deste governo é quase tão interessante como seguir a casa dos segredos ou as conferências de imprensa do Flopetegui. E, não fosse o pequeno detalhe de ainda estarem uns milhares de alunos sem aulas, até daria para rir.

O número de alunos por turma subiu até níveis completamente insuportáveis e com claro prejuízo para todos, em especial para os alunos com mais dificuldades, a quem se torna quase impossível dar qualquer tipo de ajuda extra.

E, o mais interessante é que no primeiro dia do mês de outubro os professores continuam sem saber o resultado de parte importante dos seus concursos. Houve imensas trapalhadas com a colocação dos docentes dos quadros, nomeadamente permitindo a gente com menor graduação obter uma colocação melhor, mas enfim…

Agora, no caso dos docentes contratados, o nó parece impossível de desfazer – duas semanas para corrigir uma fórmula matemática?

Nos últimos dias chegou à caixa de mail dos professores uma mensagem que ilustra a confusão do processo. Diz a administração que

nessa data, deverá (o professor) então exercer a sua preferência, aceitando o horário que melhor se ajustar à sua pretensão, sendo que ambos serão considerados horários anuais para todos os efeitos.

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Dificuldade do conceito

homem salsicha

O Sr. ministro explica a problemática da salsicha educativa, sublinhando a dificuldade do conceito e o facto de os indivíduos atingidos pelo fenómeno não terem, normalmente, consciência do que consigo ocorreu.

É-lhes opaco, por assim dizer.

Há alunos sem aulas. Muitos!

O país tem acompanhado com particular apreensão o processo de colocação de professores. É verdade que tem dado mais atenção à casa dos segredos, mas talvez a certeza de que ainda há uns milhares de alunos sem aulas ajude a perceber que deve haver um conjunto bem significativo de famílias que percebe o alcance do que está a acontecer.

Se por um lado, Nuno Crato causou prejuízos aos Professores, as consequências que todo o processo está a ter na escolas e nos alunos é difícil de quantificar. Há, por todo o país, uns milhares largos de alunos sem professor, enquanto estes continuam, desempregados e desesperados, em casa sem alunos.

E, ao contrário do que diz o Marques Mendes ou quem se coloca ao nível dele, o problema não está na existência de um concurso nacional para todos os docentes. Aliás, mesmo este ano, enquanto o concurso foi nacional, nada de tecnicamente errado aconteceu. A incompetência do Sr. Ministro só se manifestou quando tentou destruir o concurso nacional e multiplicar por cada escola um processo que seria muito mais fácil de concretizar e claramente mais transparente se continuasse a ser nacional.
Neste momento o ponto de situação é simples: com o modelo criado, Nuno Crato não vai conseguir terminar o processo.
Dito isto, importa agora avançar com soluções para o problema, uma vez que os dias passam e o MEC continua sem conseguir desatar o nó.

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Cheque-enchido para Passos Coelho

paioPassos Coelho acredita ter explicado, ontem, que os problemas do ensino em Portugal se deveram ao aumento da “chamada salsicha educativa”, expressão cuja origem anda a mobilizar os meios de comunicação social, a blogosfera e as redes sociais. Tenho, ainda, a certeza de que a indústria pornográfica não desperdiçará a oportunidade e estará para breve a estreia do filme “Quero a tua salsicha educativa toda!”

As metáforas que inventamos ou copiamos dizem muito acerca de nós e da nossa visão de mundo. Passos Coelho escolheu a salsicha.

O que é a salsicha para o primeiro-ministro? É a Educação. E o que é a Educação para o mesmo primeiro-ministro? É uma salsicha, ou seja, o pior dos enchidos. [Read more…]

Salsicha educativa

hot-dog-dog

Resumindo e concluindo: o Coelho queria dizer que Crato é ou faz cachorros. Concordo.

A manipulação de notas

pescadinhaA entrada para a Universidade em Portugal depende, na maior parte dos casos, da classificação final do ensino secundário, o que inclui a avaliação do trabalho dos alunos ao longo de três anos e os resultados dos exames, que poderão ter pesos diferentes conforme correspondam ou não a disciplinas específicas escolhidas pelas instituições de ensino superior.

Assim, um aluno que queira entrar para um curso superior tem de se preocupar apenas com as classificações. O “apenas” pode parecer estranho, como se tirar boas médias fosse fácil, mas a verdade é que ter como única preocupação uma média aritmética é empobrecedor e enganoso, porque não é garantia de que um aluno fique verdadeiramente preparado e, mais do que isso, não é suficiente para ficar a saber se escolheu o percurso académico que se ajusta às suas características.

São frequentes as referências à necessidade de rever o sistema de acesso ao ensino superior, que deveria passar por um papel mais activo das próprias universidades, uma vez que, no fundo, se limitam a seleccionar os seus alunos com base no trabalho realizado no ensino secundário. As razões para esta abstenção universitária serão várias, incluindo falta de recursos para realização de provas de acesso e de entrevistas, por exemplo. [Read more…]

Notas inflacionadas

nas classificações internas do secundário? claro que há, no privado.

Maria de Lurdes Rodrigues, a privatizadora

maria lurdes rodrigues pena suspensa

O programa político da traficante de influências Maria de Lurdes Rodrigues era claro: privatizar a escola pública. Há quem, sobretudo à esquerda, não veja isso apesar da sua mais profunda reforma, a da gestão das escolas,  e  de ter aumentado a privatização concreta através do tráfico de contratos de associação, para onde o Ministério Público deveria olhar com atenção. A prova dos nove chegou agora:

Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento.

disse a condenada a pena suspensa. Ora o que faltou para essa mesma privatização, mas grandes passos anda a ser dados, é precisamente a célebre “liberdade de contratação das escolas”.

Isto é muito simples: a nota de curso e o tempo de carreira são os únicos dados objectivos que permitem ordenar professores. E o estado não é o colégio onde se escolhem os da mesma religião, os amigos dos amigos, nalguns casos que os vi os do mesmo cartão partidário. Acabar com esta seriação é o sonho de quem quer abrir as escolas ao negócio, à cunha, ao compadrio e nepotismo. [Read more…]

O Crato

nuno crato
O Crato! Conheci-o, sabes, Horácio? – desculpem, mas não resisti a polir-me neste tom shakespeariano. Era um eloquente comentador naquele programa em que o Crespo e mais três economistas – sim, o Crato é economista, tendo feito uma pós-graduação em matemática; que querem, ninguém é perfeito – botavam sentença uma coisa chamada, se não estou em erro, “plano inclinado”.

E era vê-los, todos lampeiros, discorrendo sobre o facto de, com excepção dos presentes no programa, os portugueses serem todos, em maior ou menor grau, oligofrénicos.

Eles não usavam muito aquilo que se designa por argumentos. A sua retórica era mais próxima do que, na velha terminologia coimbrã, se chama – com vossa licença – caga-tacos. Jogando todos em casa e sem grande risco de contraditório, Crato, Medina e Duque pareciam, aos ingénuos, saber do que falavam e havia até quem pensasse que tais figurões eram pessoas sérias. Agora que vemos Crato com a responsabilidade do Ministério da Educação e (os deuses nos valham!) da Ciência, não no cargo – ao seu alcance, penso – de porteiro, mas no cargo de ministro, espantamo-nos com o seu desempenho no Parlamento. Perdido no labirinto da sua própria incompetência. Intelectualmente trôpego, pouco informado, não-sei-se-vá-se- venha, incapaz de defender os pontos de vista que, acreditavam alguns, possuía.

Eis Crato, em quem luz algum talento. Só não conseguimos vislumbrar qual.

José Manuel Fernandes volta a analfabetar

O Paulo e o Paulo comentaram uma coisa que o José Manuel Fernandes obrou, sobre ensino, no Blasfémias onde lhe pagam. Tapei o nariz, fui ver, a meio do primeiro parágrafo regressei ao velho Grito do Povo, e antes de vomitar saltei para os comentários. Gostei deste:

jose manuel fernandes

embora seja repetitivo explicar ao mundo que o ex-director do Público é o Relvas dos jornais, fazido e bem pago.

Quando a extrema-direita endinheirada decide sustentar um pasquim online e não arranja melhor que um analfabeto para ali se sustentar temos o retrato do país que somos. Coitado, aprendeu a juntar letras ainda no tempo do Salazar.

Pequenos e médios trafulhas

Maria de Lurdes Rodrigues foi condenada. Por alegado crime insignificante (embora importe que se vá acumulando jurisprudência sobre casos que tais), comparado com o mal irremediável que fez no ministério que tutelou. As próprias palavras por si proferidas à saída do Tribunal ( “Nunca tinha entrado num tribunal. Estou muito mal impressionada com aquilo que aqui vi”) mostram a distância a que esta gente está dos problemas reais de que sofre o país, que governaram de modo, como diz a lei, “solidariamente responsável”.

Ela e o seu herdeiro espiritual Nuno Crato conseguiram um desolador efeito de devastação no sistema de ensino com o qual parecem ter uma relação no limite do patológico. Para lá de todos os problemas já conhecidos, hoje multiplicaram-se as notícias de escolas – algumas novas! – que vão encerrar, embora algumas tenham mais de quarenta alunos. Já não há limites para a barbaridade. No fim, restam condenações por pequenas e médias aldrabices, favorecimentos, tráfico de influências. Mas o mal pesado que foi e continua a ser feito ficará sem outra resposta que as anémicas reacções eleitorais. Só os crentes ficarão descansados, já que acreditam – como uma pessoa com quem falei hoje – que Deus ajustará as contas depois. Chamam a isto esperança de justiça. Eu, com o devido respeito, chamo alienação. Nisto, eles são mais felizes. Mas também mais disponíveis para ser enganados de novo.

Os primeiros livros da vida

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© André Letria

Talvez os livros mais importantes de todos sejam os que são feitos para as crianças, escritos e desenhados para que um dia os abram e descubram dentro deles quase tudo o que interessa saber. Talvez o que depois aprendam, e designadamente a ler, não sirva para quase nada, a não ser para deixarem de ser crianças. Na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, em Lisboa, um curso de pós-graduação em Livro Infantil preenche uma lacuna de formação específica nessa área, destinando-se tanto a profissionais da Edição como do Jornalismo cultural, da Educação ou da Pedagogia, podendo interessar ofícios tão diversos quanto aqueles exercidos por bibliotecários, educadores de infância, assistentes sociais ou animadores culturais.

Vários especialistas ensinam o que sabem fazer melhor, entre os quais a escritora Margarida Fonseca Santos, os ilustradores André Letria e Danuta Wojciechowska, ou o designer gráfico Jorge Silva, e tendo já participado em conferências e seminários de edições anteriores do curso escritores fundamentais como Luísa Dacosta, António Torrado ou Alice Vieira, ilustradores de ponta e lança como António Jorge Gonçalves, ou importantes editores nesta área como Carla Oliveira ou Pia Kraemer. Coordenado cientifica e pedagogicamente por Dora Batalim e José Alfaro, o curso em Livro Infantil está aberto a todos quantos desejem alargar o seu campo de saberes ou simplesmente actualizar-se, e não apenas a licenciados. Mais informações aqui.