Fala que não entende…

em frente de crianças que pensa não entendem, grande engano

Retirado do meu livro de 2004: A ilusão de sermos pais,

1. A criança, esse subentendido.

Foi a frase de uma das pessoas que trabalha comigo, durante um Seminário de Etnopsicologia da Infância, a decorrer durante o ano académico. De imediato várias ideias saltaram na minha cabeça. A primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: o que é uma criança? Conceito definido por imensas teorias de imensas escolas que percorrem o mercado da erudição académica, já comentadas no Capítulo anterior. No entanto, a criança é uma entidade heterogénea de idades diferentes: há a cronologia que acompanha o transcorrer da sua vida, há capacidades definidas conforme as possibilidades de entendimento do real há o contexto que rodeia os mais novos e os adultos que definem o conceito. [Read more…]

Não Corremos Esse Risco

O deputado nominalmente mais votado nas últimas eleições no Brasil vai responder pelos “crimes de falsidade material e ideológica“.

Tiririca, vem-te para Portugal! Neste paraíso descabelado, os deputados podem dizer o que quiserem, podem fazer o que quiserem (ou somente a ponta de um corno) que nós ainda lhes pagamos 12 salários mínimos por mês; aqui, os deputados são inimputáveis, perdão, para-lamentares imunes. E, como tu, riem imenso…

Difícil é educá-los

POr SANTANA CASTILHO

A epígrafe é título de livro. Simples, como o são todas as coisas importantes. O livro que David Justino escreveu não será suficiente para catalisar um debate e um compromisso social sem os quais continuaremos a estragá-los. Mas é mais um passo nesse percurso meritório a que a Fundação Francisco Manuel dos Santos se entregou. O livro é um contributo sério para que algum dia comecemos a educá-los. Recomendo a sua leitura a todos os que se interessam por eles. Eles são os nossos estudantes.
A amizade que me liga a David Justino foi construída, era ele ministro da Educação, sobre discussões longas e francas que tivemos a propósito das medidas de política que ia lançando. Muitas vezes fiquei perplexo, e assim lho dizia com frontal franqueza, face à dissonância que encontrava entre o pensamento dele e as medidas que acabavam por ganhar forma. A resposta era invariavelmente a mesma: os constrangimentos de contexto político e os estranhos equilíbrios, que nunca entendi, de que o ministro não podia dispensar o professor. Que pena tenho que David Justino, ministro, não tenha feito aquilo que David Justino, professor, hoje defende no seu livro. Estaríamos, sem qualquer dúvida, a educá-los melhor.
Na apresentação do livro, David Justino afirma haver uma pergunta decisiva por responder em Portugal: o que queremos do sistema educativo? [Read more…]

O ensino privado religioso e a liberdade de escolha

Ainda sobre o ensino privado, e a liberdade de cada um educar os seus filhos de acordo com as respectivas convicções religiosas, no que dizem ser um exercício de liberdade e por vezes me parece ser mais um exercício de propriedade, recordo o velho princípio de que a liberdade de cada um acaba onde começa a dos outros. Neste caso a dos filhos, que são pessoas e não uma espécie de cãezinhos para amestrar.

De uma crónica de Manuel António Pina:

A notícia revelada na passada segunda-feira pela BBC de que em dezenas de escolas inglesas se ensina hoje que a homossexualidade deve ser punida com a morte por apedrejamento (ou lançando fogo ao “criminoso”, ou atirando-o de um penhasco) e os ladrões punidos cortando-se-lhes mãos e pés (com figura junta a explicar como se faz) tem que ser antecedida do mesmo “Acredite se quiser”.
A coisa passa-se numa rede de 40 escolas privadas onde as liberais e multiculturais leis britânicas permitem que sejam ministrados os curricula escolares sauditas. Segundo a BBC, além de na homofobia, os 5 mil jovens, crianças e adolescentes entre os 6 e os 18 anos, na sua grande maioria provavelmente de nacionalidade inglesa, que frequentam tais escolas, são igualmente educados no anti-semitismo (lê-se-lhes “Os protocolos dos sábios do Sião” e ensina-se-lhes que os judeus pretendem dominar o Mundo) e na intolerância religiosa (num manual destinado a alunos de 6 anos condena-se ao “fogo do Inferno” quem não acredita no Islão).

Outra vez os custos do ensino, privado vs público

Mais umas achas para a fogueira, no blogue do Paulo Guinote. Eu sei que os dogmas de fé não se discutem, como o temos feito nesta casa, mas não custa nada tentar.

Greve geral, e tapar o sol com uma peneira de malha larga

Segundo os dados do ministério, 23 por cento dos professores fizeram greve, um número que sobe para os 38 por cento no caso do pessoal não docente.

Notícia de Última Hora

Acaba de chegar à redação do Aventar a seguinte notícia importantíssima:
Greve Geral
O Governo aderiu massivamente à Greve Geral convocada para hoje e decidiu não trabalhar; os efeitos nocivos são vários e têm-se intensificado nos últimos 20 anos.
Especialistas apontam como causas prováveis uma excessiva exposição a dinheiro fácil de Bruxelas “a fundo perdido” (colocar ênfase no “perdido“). Para disfarçar o problema, vão ser encomendados nove milhões de computadores Cagalhães e 500 toneladas de vaselina.”

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. [Read more…]

Herbert Spencer-Pai fundador da Antropologia-4

o sábio que soube juntar a biologia à sociologia e cunhou a frase a sobrevivência do mais apto

Texto retirado do meu livro O grupo doméstico ou a construção conjuntural da reprodução social, publicado aqui e aqui.

Herbert Spencer, filósofo e sociólogo dos mais notáveis da Inglaterra, nasceu em Derby (27 de Abril de 1820) e morreu em Brighton (8 de Dezembro de 1903).     Herbert Spencer (1820-1903) foi conhecido como um dos pioneiros do Darwinismo Social do Século XIX. Filósofo inglês, recusou a oferta de estudar na Universidade de Cambridge, ganhando mais saber de ensino superior por meio das suas próprias leituras. Como Darwinista Social, colaborou para que a teoria do evolucionismo fosse aceite pelo mundo social fundamentando essa a sua batalha através do seu ensino e dos seus livros O princípio evolutivo baseava-se na ideia de que todo mudava das formas mais simples as mais complexas.

Foi Herbert Spencer quem, de facto, cunhou a frase da sobrevivência do mais forte ou survival of the fittest, noção que desenhava ou indicava uma luta permanente entre as espécies. O resultado foi aplicar a ideia ao facto de que a espécie mais forte ganhava e se multiplicavam e as mais facas, desapareciam ou pereciam. A sua obra Synthetic Philosophy aplicou o processo evolutivo a todos os

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Diário do Professor Arnaldo – O aluno com mão pesada

Dizia-me ontem um colega na sala de professores sobre um aluno muito indisciplinado:
– Sabes, o problema é que a mãe não tem mão nele.
E respondi-lhe eu:
– Pois, mas pelo que vi um dia destes, já o filho tem mão na mãe. E não é nada leve. Até me doeu!
E logo me lembrei deste episódio, que li aqui há meses, muito antes de sonhar em ser convidado para escrever no Aventar.

Universidade do Porto pede esmola a antigos alunos para comemorar o Centenário

Recebi isto hoje. E que tal se fossem pedir ao ministro Gago?

Sem vaselina

Em reunião do Ministério com Directores de Agrupamentos daqui do centro, o Ministério anunciou que está a preparar as seguintes medidas:

– Todos os cargos passam para a componente não-lectiva, incluindo cargo de Director de Turma ou Coordenador de Departamento. Ou seja, 22 horas efectivas para todos os professores.

– Acabam as reduções de horário por antiguidade, mesmo para os professores que já as têm. Não sei se será legal, a ver vamos.

– Fim de Area de Projecto e de Estudo Acompanhado (isto já se sabia).

– Todos os professores que a partir de Setembro mudavam de escalão ficam congelados de imediato.

– Acaba o cargo do Bibliotecário tal qual ele existe hoje em dia (passa a ser obrigado a ter turmas).

– Trabalho nocturno passa a ser considerado apenas depois das 22 horas.

O fim das AEC’s, na minha opinião, vem já a seguir, até porque, com os cortes orçamentais, há vários municípios que estão a devolver as responsabilidades ao Ministério.

É fácil de imaginar as consequências que isto terá a nível de horários.

Alarmismo? Nada disso. São informações de fonte sindical segura.

Um aroma reitoral

Brindou-me o Reitor com análise detalhada das minhas últimas flatulências sobre o ensino privado. Agradeço e retribuo. Afirmas:

Os custos com o pessoal são muito inferiores no privado.

Acredito, se o dizes, tem de ser verdade. Tu sabes tudo. Mas pela análise das tabelas salariais contratadas não percebo. Será que as escolas privadas usam e abusam dos contratados? Despedem sem justa causa mal começam a ganhar muito? Ou, como se queixam os sindicatos, não as cumprem?

Será que as turmas têm todas 28 alunos? Os professores 26 aulas por semana? Eu pergunto todos, porque tenho uns amigos num colégio afamado cá do burgo que se queixam disso mesmo. [Read more…]

May Malen's Diary-Chapter 9

This is the day when I was little

Once upon a time, as all stories must begin, I was born. My parents, Grannies and their husband were very anxious in the expatiation of seeing me. So were my cousins Tomas and Maira Rose, they wanted to have a cousin to play with. Their disillusion was big, as I was only a Carrot, with no name and used to sleep and sucks mother’s milk, and then I fell asleep again. My parents wanted a daughter and I was a girl for their satisfaction. They have already had a son, who takes care of us from eternity. I feel protected by him. Auntie Paula and Uncle Cristan, were also in the expectation of seeing me as soon as possible. However, as they are people of respect, they waited three months before going with their kids to have a family gathering around my coat, my baby bed. The only person who did not turned up was Abuelo, as Auntie [Read more…]

Ainda o financiamento do ensino privado pelo estado

No Público de hoje relata-se uma discussão no parlamento onde um secretário de estado afirmou “um aluno do público custa 3752 euros menos do que no privado. Neste sistema, actualmente, um estudante custa 4440 euros“.  O ministério propõe-se pagar menos às escolas privadas, ficando ainda assim o custo de um aluno em “mais 36 euros do que um do público“.

PSD e CDS tentaram lançar areia para os olhos com um estudo da OCDE de 2007 que indica outros valores, e embora saibamos ser este governo hábil na manipulação de números convém não exagerar: sempre deve ter uma ideia mais aproximada das suas despesas do que a OCDE.

Fica assim claro o que já era uma evidência: no privado além dos outros custos  há ainda uma despesa a não desprezar: o lucro que é a sua razão de ser. Digam-me que as escolas religiosas não têm fins lucrativos, e além de me rir respondo que têm fins confessionais, o que é bem pior se falamos do direito ao ensino num estado laico.

Os argumentos da associação patronal do sector vão caindo, alguns pelas piores razões. Dizia o seu líder: “Temos de falar de condições iguais e também é necessário ver se nas contas entra o custo dos edifícios. No privado, o Estado não gasta com esses edifícios”, o que além de aplicado a outros sectores da economia sugerir que o estado subsidie as instalações de uma fábrica (o típico capitalista português quer sempre  menos estado na hora de pagar impostos mas muito mais estado quando toca ao subsídizito que o sustenta),  se revela desactualizado: as escolas públicas vão passar a pagar renda à Parque Escolar, o que como alerta o Paulo Guinote é gravissímo porque “vai estrangular financeiramente a gestão destas escolas e agrupamentos“, e acrescento eu, é meio caminho para a privatização da Parque Escolar, que seguirá o mesmo caminho da Estradas de Portugal mal haja engenharia para se tornarem lucrativas.  [Read more…]

a infância da criança

toda criança pasa à adulto aió saber o que se espera dela

Se actualmente é difícil falar em crianças, a abordagem à temática fica mais complicada quando temos limitações do número de palavras. Mas, vamos a isso.

Dentro das várias definições de infância e criança usadas nos meus textos, há duas que me satisfazem. Criança, é um ser humano no início do seu desenvolvimento fisiológico e social que depende dos seus adultos na alimentação, nos sentimentos, no carinho, no vocabulário e no abrir da sua imaginação para entender como se desenvolve o mundo. Adultos que podem ser os pais, os tutores ou um conselho de família. Infância é a pessoa que nasce, cresce, aprende a vida intra social. Na cronologia da vida, essa criança passa a etapa da infância. Conceito que transcorre, idealmente, desde a nascença até à idade púbere, idade em que o indivíduo se torna fisiologicamente apto para a procriação de outros seres humanos. Atenção, referi reprodução fisiológica. Será que é adequado ter cromossomas só para reproduzir seres humanos? Em todos os meus textos tenho dito que isso não é suficiente. Aliás, a própria História assim parece provar. Uma palavra cheia de distinções na cronologia do tempo e conforme seja a hierarquia social. Criança, em consequência, não é um conceito biológico, é muito mais, é um conceito social. Motivo pelo qual o meu amigo e colega na cátedra do Collège de France em Paris, Pierre Bourdieu, o sábio dos sábios em ciências do homem, nunca quis estudar o pré púbere, como poucos de nós temos feito. Os cientistas, excepto os analistas clínicos,

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a criança abandonada

abandonada não apenas de comida, mas sim de carinho...

 Falar em crianças, é uma tarefa difícil. Pensamos que sabemos tudo sobre elas e tratamo-las como melhor nos parece, ou reparamos nada saber e mimamos um ser que toma vantagem da dor dos pais, que vivem arrependidos desse nada saber. Arrependimento reflectido nas suas caras e nos presentes oferecidos, na simpatia usada para matar a dor da falta de apreço do seu comportamento. Quando nada se sabe sobre criar filhos, a dor bate nos progenitores

O desconhecimento de como tomar conta de uma criança é uma maneira de a abandonar. No lado oposto, há os que pensam tudo saber, mandando nela como se fosse escrava: punem, corrigem, batem, e enviam-na para a solidão do quarto. Em sociedades patriarcais, como a nossa, onde é o elemento masculino do grupo doméstico, quem dá menos carinho, arremete mais sobre os seus filhos e pede-lhes contas, de manhã à noite. Sem nada, devem inventar, como tenho observado no meu trabalho de campo em várias aldeias e diferentes continentes. Especialmente se o dia se passou sem se fazer nada de produtivo aos olhos dos pais, ou se a produtividade desejada, vira jogo de berlindes, da macaca ou na exploração do mato com os seus camaradas.

Tenho narrado noutros textos, a existência de uma diferença entre menino e menina. Esta segunda pessoa tem o seu tempo todo ocupado. As sociedades patriarcais usam e abusam das senhoras desde novas: nos trabalhos na cozinha, no coser e

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O Professor Arnaldo vai leccionar Educação Sexual

Lamentavelmente, no último Conselho de Turma fui o escolhido para leccionar as 12 horas de Educação Sexual a que todas as turmas têm direito em cada ano lectivo. Quase sempre, o Director de Turma é o escolhido, porque tem uma relação mais próxima com os alunos, mas neste caso fui eu. A velhota fugia do assunto como o Diabo da Cruz e os outros elementos do Conselho de Turma também.
Para além de ficar sem 12 horas para a minha disciplina, o que é trágico no 7.º ano, verdadeiramente dramático é mesmo o facto de eu ter de falar de Educação Sexual com crianças de 12 anos. Meu Deus, eu não estou preparado para aquilo! Eu não tenho à vontade com eles para falar dessas coisas. Eu nunca falei de Educação Sexual com ninguém ao longo da minha vida. Eu não sou casado nem tenho filhos. Nem sequer tenho qualquer actividade sexual, a não ser aquela que mantenho diariamente comigo próprio e com os meus 5 amigos.
Eu não percebo nada de Educação Sexual. Só de hardcore 1.º Escalão. As pessoas normais pensam em Júlio Machado Vaz quando pensam em Educação Sexual, eu penso em Rocco Siffredi. As pessoas normais pensam em Marta Crawford quando pensam em Educação Sexual, eu penso em Linda Lovelace e, mais recentemente, em Gina Lynn.
A culpa é do meu pai. A única vez de que me falou em sexo, na vida, foi para me dizer que a masturbação provocava cancro e que eu não devia fazê-lo.
O problema é que agora vou ter de falar do assunto como professor, como um adulto fala com uma criança e como se percebesse muito do assunto. E tem a grande lata, o Secretário de Estado, de dizer que todos os professores foram formados e estão preparados para leccionar Educação Sexual. Formado, eu? Só se for em acariciar o golfinho.

Ensino público e mama privada

Alexandre Homem Cristo chora o corte de 70 milhões nos subsídios ao ensino privado. Diz que é socialismo. E manda três argumentos para o ar sem ter medo que lhe caiam em cima, situação vulgar quando se fala do que não se sabe.

Primeiro acha as escolas com contratos de associação serviam para tapar buracos, e pergunta “se nessas zonas já existiam escolas a funcionar na rede pública, porque razão foi o Estado aí construir mais escolas?”. Eu explico-lhe: na maior parte dos casos não foi por falta que escolas da rede pública que se deu da mamar às privadas, foi porque as privadas e o Ministério da Educação inventaram essa necessidade. Na zona de Coimbra, e durante o reinado da viúva de Mota Pinto na DREC nasceram que nem míscaros  no Outono, concorrendo directamente com as escolas públicas. Como foram patrocinadas por PSD e PS nunca mais ninguém se lembrou que era uma absurdo a sua existência. Se for preciso faço-lhe um mapa. Acresce que há menos alunos no ensino básico por razões demográficas. Também se arranja um gráfico se for preciso.

Depois acha que saem mais baratas ao estado. “Estas escolas têm de prestar contas e correm o risco de não ver o seu contrato renovado em caso de má gestão. A isto chama-se accountability e, lamentamos informar, é algo que não existe nas escolas estatais.” Olhe que não: [Read more…]

Portugal precisa de uma cultura diferente de responsabilidade

Por Santana Castilho *

1. A Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) produziu um longo esclarecimento sobre a forma como dois decretos-lei deveriam ser interpretados. Porquê? Porque haverá incorrecções relativas à progressão na carreira docente nos últimos três anos. Consequências? Directores mobilizados para um longo trabalho administrativo de expurgo; professores ameaçados de retrocederem na carreira e reporem parte dos salários recebidos. Não se trata de legislação de ontem. Trata-se de legislação com anos. Esta circunstância torna pertinentes as considerações seguintes: por que razão só agora a DGRHE se deu conta da situação? Que interpretação estará correcta? A que agora é feita por aquele organismo central ou a que foi feita pelas direcções das escolas? Ou ambas são possíveis? Que fizeram as estruturas de supervisão e controlo? Sabe-se que muitos pedidos de esclarecimento foram feitos à DGRHE. Que respostas obtiveram? Quem responde pela má qualidade da produção de leis que, assim, originam prejuízos para muitos, tempo perdido e desconfiança acrescida? O texto que chegou às escolas continha a ameaça explícita de responsabilizar administrativa e financeiramente os actuais directores, mesmo que não tenham sido os intérpretes do que se questiona. Agora mesmo o problema é candente: em 2011 tudo ficará congelado; mas até lá há decisões que estão na mão de directores que têm dúvidas sobre as leis (na semana passada, o Conselho de Escolas dirigiu 100 perguntas ao secretário de Estado respectivo). Que devem fazer? Se adiam têm os professores em protesto angustiado, sob humana pressão. Se decidem correm o risco de mais tarde lhes dizerem que interpretaram mal e são responsáveis.
Portugal precisa de uma cultura diferente de responsabilidade.
2. O debate sobre o orçamento de Estado foi uma coreografia de mau gosto. A casa da democracia foi substituída pela casa de Eduardo Catroga e os deputados por negociadores que não se sentam na Assembleia da República. Quando o orçamento chegou ao Parlamento, os seus 230 membros já estavam reduzidos a um papel que Eça e Ortigão assim caricaturaram, em versão ortográfica por mim corrigida: [Read more…]

may malen’s diary, chapter 6

May Malen being spoiled by Mum, at her home in Cambidge: a forbidden spoil!

MAY MALEN’S  DIARY CHAPTER 6

Ensaio de etnopsicologia da infância

I do not know why, I am too little to understand, but I have loved my parents even since I have been able to remember. Both of them have been extremely nice to me. The strength of Dad Felix, his tenderness with me, the way he taught me to walk, step by step, not even touching me as he trusted me that I was not to fall as I did on the day of my tenth’s months. I remember, or Abuelo, Mum and Dad may have told as I was too little to remember every single minute of my life as a little girl. I know very well, both because of my studies and for Abuelo’s explanations that Melanie Klein and Wilfred Bion used to say that children´s memory begin at their 5th month of existence into

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O Diário do Professor Arnaldo: 9 de Novembro

Aluno 1:
– Setor, a composição tem de ter mesmo 10 linhas?

Professor:
– É o que diz aí, não é? Mínimo 10 linhas.

Aluno 2:
– Ó setor, eu fiz 11 linhas. Pode ser, não pode?

Será de mim ou este tipo de perguntas, que os putos fazem constantemente, é completamente insuportável? Tenho cada vez menos paciência para esse tipo de perguntas, cada vez menos. Apetece-me insultá-los.

Este governo cortou na educação

O economista Eugénio Rosa, especialista em desmontar manipulações das contas públicas, razão mais que suficiente para não aparecer nos debates televisivos, publicou uns dados curiosos sobre a educação em Portugal. Sobretudo estes:

Contrariando toda a propaganda do governo, este desinvestimento na educação explica-se da seguinte forma: [Read more…]

as felonias dos nossos governantes

o sítio onde tanto se sofre e pode ser resolvido

Não me é fácil escrever estas palavras, menos ainda a palavra felonia, de amplo significado: Rebelião (de vassalo para com o seu senhor), traição, crueldade. Também não me é fácil adjudicar estes adjectivos às pessoas que nos governam, no melhor sentido das suas intenções, mas com mal resultado. Mal resultado não propositado, mas contudo, mal resultado para a nossa sobrevivência.

Longe de mim adjudicar o adjectivo aos nossos governantes, como tenho feito em textos anteriores. É infantil pensar que os nossos representantes na soberania da Nação, querem matar o povo à fome, apesar de ter ouvido os debates ocorridos na Assembleia. É nessa instituição onde se resolvem as leis e se orienta o caminho que a Nação deve seguir. Bem sabemos que em democracia, há diversas formas de pensar, todas elas com assento no parlamento. Todas elas com promessas de trabalho e de abrir indústrias, de criar fontes de trabalho para quem tem apenas a sua força para laboral: nem casa própria nem alugueres baixos de prédios ou quartos ou andares, para viver. Ainda mais, o preço dos comestíveis tem sido elevado por um imposto de valor adquirido, que, mal foi anunciado que seria a partir de Janeiro, os comerciantes começaram logo a cobrar. O nosso povo, habituado a obedecer aos que mandam, paga sem debater. Na minha impressão, ainda existe a ideia de os soberanos não terem de prestar contas a ninguém. A nossa monarquia foi longa demais, quase a ultrapassar os

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amigos e companheiros

a solidariedade é o bem mais prezado, Dear May

….para a minha neta May Malen I Isley, para começar a aprender…

Dois conceitos de difícil definição. Dois conceitos relacionados com os sentimentos, com a interacção social. Conceitos diferentes para adultos e crianças, para classe social, para o tempo que passa e se escorre entre a cronologia da História e os hábitos definidos ao longo do tempo.

Normalmente, o conceito de amigo, é ser solidário com problemas, alegrias, amarguras, amores e desencantos das pessoas com quem convivemos em momentos e alturas diferentes. Por outras palavras, eu diria que é estar ao dispor de seres humanos que amamos e dos quais dependemos nas ideias, no trabalho e, especialmente, na educação das crianças que, por causa da nossa amizade de adultos, passam a ser não apenas pequenos que entendem em conjunto a interacção social, a dependência dos adultos e a disciplina que estes lhes incutem. Este comportamento separa já os dois conceitos que refiro: amigos e companheiros. A subordinação às formas de ser, agir, ouvir e aceitar, faz das crianças amigas e companheiras. O adulto, com maior experiência de interacção na vida social e na cronologia histórica acumulada no tempo, torna possível separar as duas palavras: amigo, dependente; companheiro, fidelidade sem condições. Acrescentaria ainda que, como conceito, amigo define uma hierarquia que depende do lugar social que a pessoa ocupa ou do lugar que alcançou na vida. Além

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O Diário do Professor Arnaldo: 4 de Novembro – Os cromos

Não, não vou chamar cromos aos alunos. Apesar de o serem.
Vou apenas referir-me ao principal divertimento dos putos por estes dias. Pegam em cromos virados ao contrário e batem-lhes com uma palmada, tentando fazer com que fique visível a parte da frente. Depois, parece que os colam em cadernetas, não sabendo poruqe razão têm de lhes dar uma palmada primeiro. No meu tempo, era mais simples. Colávamos na caderneta e pronto, estava despachado.
É algo de profundamente irritante. Entro na escola, estão eles espalhados pela entrada a dar palmadas nos cromos. Vou a passar pela sala de convívio, só ouço «pum», «pum», que é o barulho deles a baterem-lhes. Vou a entrar na sala de aula, lá estão eles sentados no chão a fazer o mesmo. Até dentro da aula, se os deixassem, eles jogavam com os cromos. Aliás, chegaram a fazê-lo numa aula de substituição. Claro, tive de os apreender.
Pelos vistos, é este o principal divertimento das crianças de hoje em dia. Isto e a fornicação, claro.

Não se justifica o apoio ao ensino privado

Actualmente, são quase 100 as escolas privadas que contam com o apoio do Estado através da concessão de subsídios aos seus alunos. No total, cerca de 300 milhões de euros do Orçamento de Estado são todos os anos canalizados para essas instituições.
Há uma razão histórica. Os contratos de associação começaram numa altura em que a rede pública não cobria a totalidade do território nacional. Hoje em dia, essa razão já não se justifica. Há escolas em todo o país e a sobre-lotação é um problema que se coloca cada vez menos, sobretudo no interior e nas grandes cidades, em que o número de alunos é cada vez menor.
Contribuir para o ensino privado é desvalorizar a escola pública. Como se pode entender que o Estado pague a elevada mensalidade a um aluno quando haveria lugar para ele, sem acréscimo de custos, numa escola oficial?
Dou um exemplo entre muitos que poderiam ser dados: no centro do Porto, no eixo Batalha / Campanhã, fechou nos últimos anos o histórico Rainha (Escola Secundária Rainha Santa Isabel) e a Escola Secundária Carlos Cal Brandão. Mesmo em frente, virado para a Biblioteca Municipal, o Colégio de Nossa Senhora da Esperança, um dos mais miseráveis estabelecimentos de ensino que conheci, propriedade da Misericórdia do Porto, continua com o contrato de associação e até alargou a sua oferta do 9.º para o 12.º ano.
Numa época de cortes a torto e a direito, são 60 milhões de contos que vão direitinhos para os bolsos dos privados. Enquanto isso, escolas públicas fecham, professores com horário zero continuam sem trabalho (mas com salário) e milhares de professores profissionalizados pelo Ministério da Educação continuam no desemprego. É por tudo isto que saudo a iniciativa do Governo de rever completamente estes contratos.
Assumo que esta é, acima de tudo, uma questão ideológica.

O Diário do Professor Arnaldo (2 de Novembro)


Hoje fiquei boquiaberto. Numa turma de 7.º ano, uma aluna estava a enviar bilhetinhos, através de uma colega, para um rapaz. Não é uma aluna brilhante, mas geralmente porta-se bem e é muito educada.
Como é óbvio, interceptei o bilhetinho e fiquei com ele. Por mera curiosidade, abri para ver o que estava escrito. Fiquei tão espantado, tão sem palavras, que rapidamente o meti ao bolso. Devo ter corado, porque um dos putos da frente perguntou logo:
– O que diz, setor?
Mudei de assunto e tentei fingir que nada tinha acontecido. Reparem: era uma turma de 7.º ano e uma miúda de 12 anos, educada e bem comportada. E sai-me aquilo que nunca esperei ler. Antes de o entregar à Directora de Turma, tirei uma fotocópia.
Sinceramente, estou escandalizado. Nunca pensei que as coisas tivessem chegado a este ponto. Com crianças de 12 anos e numa terra de província. Felizmente, não tenho filhas…

o elefante ou o quebra-nozes para as crianças?

bailado escrito por Piotr Illich Tchaikowsky, entre Fevereiro de 1891 e Março de 1892

Tchaikovsky – Dança Russa (Ballet “Quebra-Nozes”) – Maestro Paulo de Tarso.

Para nossa neta Maira Rose, filha de Cristan van Emden e Paula (née Iturra)

Foi comentado neste sítio de debate no mês de Dezembro de 2009, que Natal era quando o marketing quiser. Comentário que me leva a pensar a relação dos adultos e das crianças. Essa relação, hoje, de distância e, antigamente, de larga intimidade, ambas com muito imaginário e certa afectividade. Imaginário, como é natural, que varia no tempo e no espaço. Como Pyotr Ilyich Thcaikosky e Gus van Sant. Como a água do óleo. Qual, a verdadeira? Qual, a conveniente? Qual, a da História? Não é o acaso que me leva a pensar no Elefante e no Quebra-nozes. [Read more…]