Let’s look at the trailer….

Podem ir buscar as pipocas.

José Milhazes explica o corporativismo tuga

Ontem, na SIC Notícias (o vídeo ainda não está disponível mas podem ver AQUI) José Milhazes colocou o dedo na ferida sobre a questão dos ucranianos em Portugal, relembrando o que se passou há uns valentes anos. Foi nos anos noventa do século passado que Portugal recebeu um número bastante elevado de ucranianos que vinham procurar uma vida melhor.

Uma boa parte deles, provavelmente a maioria, eram trabalhadores qualificados no seu país (cirurgiões, enfermeiros, professores, engenheiros, etc.). Em Portugal trabalhavam nas obras, na limpeza de casas, na hotelaria. E porquê? Como José Milhazes muito bem sublinhou: “graças ao sistema corporativo existente nas nossas universidades de defesa do nosso tachinho” e prosseguiu recordando que muitos deles andaram anos e anos para verem os seus cursos superiores reconhecidos (e alguns nunca o conseguiram). O mesmo se passou (será que ainda passa?) com muitos brasileiros.

Agora, por causa da invasão da Ucrânia e segundo os números divulgados ontem por António Costa, já chegaram mais de 14 mil ucranianos a Portugal e muitos mais estão a caminho por este andar da guerra. Será que Portugal mudou? Será que o corporativismo da nossa Universidade é coisa do passado? Não acredito mas….

Ucrânia Rejeita Mário Machado

É o que se pode ler na capa do DN de hoje. Lê-se também:

“Não queremos este tipo de pessoas no nosso país.

A pessoa que refere não pode ser aceite na legião internacional”, garante adido militar ao DN, justificando-se com o facto de serem excluídos combatentes com cadastro. E rejeita a hipótese de o neonazi condenado se juntar a uma milícia.

Não sei quanto a vós, mas eu tenho o DN como um jornal sério. Sendo verdade, isto é um embaraço ainda maior para a justiça portuguesa, que suspendeu as apresentações quinzenais de Mário Machado sem se certificar que o líder neonazi reunia condições para combater na Ucrânia. Pelos vistos, não reúne.  Agora – em princípio – vai ter que abrir um procedimento para anular a suspensão das apresentações quinzenais do arguido. E entretanto ele já foi. Não aprenderam nada com o João Rendeiro.

Os velhos colaboracionistas franceses voltaram….

A Renault, a exemplo da Nestlé*, a manter uma velha tradição nacional colaboracionista. Anda Macron pelos palcos internacionais a bradar contra Putin e no segredo dos gabinetes do capitalismo selvagem business as usual…. hipócritas do caralho.

*Sim, erro meu, a Nestlé não é francesa. De todo o modo, aqui ficam outras empresas (palmado ao nosso Carlos Osório) que, tal como a Renault, continuam na Rússia: Leroy Merlin, Danone, Auchan ou Decathlon.

O novo Hitler

Cronologia do “mas”….

Primeiro começaram a dizer que o Putin não ia invadir a Ucrânia e que as informações dos serviços secretos dos EUA eram falsas e uma forma de Biden pressionar para uma guerra. Putin invadiu.

Depois veio a treta que Putin apenas estava a realizar uma “operação militar” em zonas historicamente russas. Putin começou a invadir em zonas diferentes das tais “historicamente” russas.

A seguir a narrativa passou a ser que a Rússia apenas estava a bombardear zonas militares. Rapidamente se viu que Putin manda bombardear tudo e um par de botas. Nem escolas, teatros ou hospitais escapam.

Como a coisa estava a ficar pouco suportável para as teses do “putinismo escondido” nas mentes de certas almas de extrema esquerda e direita, passaram à fase da pornografia pura: a solução passa pela rendição da Ucrânia, por promover a paz impedindo a Ucrânia de receber armas e pela rendição sem condições de Zelensky.

Como diz o João Mendes: ide-vos foder!

E a malta do “mas” também…

Ucrânia: últimos números sem mas nem meio mas…

Mais de 10 milhões de ucranianos foram deslocados. O equivalente à população de Portugal.

Mariupol foi arrasada. Cerca de 80% das suas infraestruturas estão danificadas ou destruídas. Uma das maiores da Ucrânia e considerada russófona pelo invasor. Imaginem se não fossem.

Em boa parte da Ucrânia estão a ser bombardeados hospitais, refúgios e lares de idosos.

Os EUA e a UE querem voltar à sua confortável corrupção, comprando petróleo e gás russos, aplicando sanções fracas, falando da boca para fora sobre a democracia, convidando Putin para Davos. Os ditadores sempre escalam e o Ocidente continua dobrando. Mas desta vez existe um problema: a Ucrânia se recusa a desistir – Garry Kasparov, antigo campeão do Mundo de Xadrez (Rússia).

A agressão violenta contra a Ucrânia não para, um massacre insensato onde a cada dia se repetem destruição e atrocidades. Não há justificativa para isso. Suplico a todos os atores da comunidade internacional, para que se empenhem realmente para pôr fim a esta guerra repugnante” – Papa Francisco (para citar alguém de quem a esquerda gosta).

This is not about Ukraine at all, but the world order. The current crisis is a fateful, epoch-making moment in modern history. It reflects the battle over what the world order will look like” – Sergei Lavrov, Russian Foreign Minister (para citar outro querido de certa esquerda e de certos militares filhos de putin que andam pelas televisões).

Wohlstandsverwahrlosung.

 

Ucrânia e Nestlé

Alguém ajude a Raquel Varela

Confesso que não tenho por hábito ver o programa da RTP chamado “O último apaga a luz” onde participa, entre outros, Raquel Varela. Porém, hoje, perante o ruído sobre a intervenção de Raquel Varela no dito, fui espreitar.

Sinceramente, ainda estou de boca aberta. Logo no arranque a douta comentadora saliva raiva contra Zelensky zurrando sobre o facto de “um ex comediante que se tornou presidente”. Bem, esta parte pode não parecer mas é importante. Para a douta senhora, de cima da sua suposta superioridade académica, o facto de o presidente eleito da Ucrânia ter sido humorista é uma questão que o menoriza. Sim, não vamos esconder as coisas como elas são. Raquel Varela em nada se distingue daqueles professores doutores com todas as letras que todos nós tivemos um dia de aturar nas universidades portuguesas que frequentamos, cujo facto de terem obtido um grau académico os faz considerarem-se superiores a todos os restantes humanos. Não sei o que pensará Raquel Varela do facto do Secretário Geral do PCP ser afinador de máquinas e ter apenas o 3º ciclo. Aliás, imagino o pior. A sua postura petulante, notória até no tom de voz, faz dela uma afilhada predilecta das tias de Cascais ou da Foz. Estas e ela não diriam coisa diferente sobre as habilitações académicas de Jerónimo de Sousa ou sobre o facto de Zelensky ter sido humorista. A casta.

[Read more…]

Breves notas sobre o momento

  1. José Crespo de Carvalho é Professor Catedrático. Qual o espanto com o que disse? Quantos professores doutores com todas as letras a dizer alarvidades vocês conhecem? Eu conheci e conheço imensos. Este é mais um. Alguns deles andam pelas nossas televisões e jornais. É o estado a que isto chegou. Andam com saudade dos negreiros é o que é. Vergonha é coisa que já nem existe…
  2. “A Síria está em guerra civil há mais de 20 anos. O presidente sírio não foi eleito, sucedeu ao seu pai que governou mais de 30 anos. Bashar Al-Assad usou armas químicas contra a população síria. Al-Assad tem o apoio do Irão e da Rússia. Agora continuem a comparar a Síria à Ucrania e perguntem à Alma se vive nos escombros”, escrito por Helena Sampaio;
  3. Um Juiz decide deixar o facho Mário Machado ir combater para a Ucrânia sem ter de cumprir as apresentações quinzenais na esquadra. Vamos acreditar que o douto juiz, no seu íntimo, acredita que o melhor é enviar o gajo para a guerra e, quem sabe, levar um tiro. Sim, vamos ser crentes que foi isso. Já nem sei que diga.
  4. A estes professores doutores com todas as letras e doutos juízes juntem boa parte dos militares que dizem umas coisas nas televisões, acrescidos de boa parte da nossa classe política e já sabemos o estado a que chegaram as ditas “elites” nacionais. Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável, como cantavam os Mão Morta.

Os Generais não podem…

… estão muito ocupados a comentar nas televisões

Apanhámos um Oligarca Russo do RSI

Somos os maiores, carago!

O combate também está nas nossas mãos

Nada mais a acrescentar…

Pelo meio de muitas justificações para os ataques russos a prédios de habitação, hospitais, maternidades, um teatro cheio de civis e até a gente na fila para comprar pão, Carlos Branco conclui: “Nós não estamos ainda numa situação de ataque deliberado e sistemático aos civis”

Os novos “Yuri Petrovich Vlasov”

I love the Russian people. That is why I have to tell you the truth. Please watch and share. AQUI

Ide vós negociar com Putin

(Home of activist Olga Misik)

Putin speaks of cleaning the nation from traitors and of course there are list of potential first victims. Their apartments are already marked. Never again what?

Vladimir Putin: “Russian people will always be able to distinguish true patriots from traitors and just spit them out like a fly that accidentally flew into their mouth. Such a natural and necessary self-purification of the society will only strengthen our country.

Não se negoceia com criminosos de guerra. Não se negoceia com quem mata. Não se conversa com quem faz ao seu povo e ao povo da Ucrânia o que este tirano está a fazer. Podem ir vocês e levem convosco a tropa do “mas”. Putin bom é um Putin com um tiro na cabeça. Tal como Hitler.

Negociações para o fim da guerra – ponto de situação actual

Segundo anuncia o Financial Times, citado pelo Business AM, as negociações encontram-se neste ponto:
“Se a Ucrânia aceitar um estatuto de neutralidade, renunciar a juntar-se à OTAN, comprometer-se a respeitar limites quanto às forças militares e armamento, assim como não aceitar receber armas nem a instalação de bases militares estrangeiras, a Rússia aceita o cessar-fogo e a retirada da Ucrânia.”

História is a bitch…..

Entre 1640 e 1668, entre Portugal e Espanha, tivemos a chamada “Guerra da Restauração”. Portugal lutava contra o ocupante, Espanha. Lutava pela restauração da sua independência enquanto nação. Para alguns, o melhor teria sido Afonso VI de Portugal ter desistido, acatar as exigências de Carlos II de Espanha. Foi uma guerra violenta. Por vezes, entre vizinhos que se conheciam. Outras vezes utilizando mercenários e não faltaram incidentes de crueldade singular. Os portugueses não aceitaram ser súbditos dos seus vizinhos castelhanos. E ao não aceitarem as exigências de Carlos II de Espanha, este teve ainda muitas vidas para ceifar…

Para alguns, hoje, nada teríamos para festejar a 1 de Dezembro. O Aventar seria mais um blogue em castelhano e, com sorte, a gasolina estava mais barata. O mais certo seria que em Portugal os chamados partidos independentistas fossem maioritários nas eleições regionais. Os seus líderes, com algum azar, estavam presos ali para os lados de Valladolid. Porque mantinham viva a vontade frustrada em 1640, porque, ainda hoje, tantos séculos depois, não perdoam a rendição de Afonso VI. Estes gajos independentistas não querem perceber que com a sua decisão, Afonso VI evitou mais um banho de sangue. Os castelhanos sempre o acusaram de ter estado ao serviço do imperialismo britânico, mas que teve a lucidez de na 25º hora ter recuado. Os independentistas relembram que os castelhanos assassinaram Afonso VI, pela calado, uma semana depois da assinatura do acordo (palavra simpática para rendição).

A ver se percebi, é isto que estão a pedir a Zelensky para fazer? É isto que consideram ser o melhor para os ucranianos? É fácil pedir para os outros se renderem. É fácil pedir aos outros para viverem sob o jugo de um ditador como Putin. A mim cheira-me a egoísmo. Mas isso sou eu que estou a soldo do imperialismo ocidental. Seja lá o que isso for. Se é viver num país onde posso livremente escrever estas merdas, livremente escolher os meus líderes, livremente escolher onde quero viver e trabalhar, livremente escolher o que quero ver nos meus tempos livres e livremente ser português, então estou a soldo desse tal imperialismo ocidental. Do russo, cubano, venezuelano ou norte coreano é que não, obrigado.

ALTERIUS NON SIT QUI SUUS ESSE POTEST

Também tu, Kim Jong-un???

Primeiro pensei que era coisa do Inimigo Público. Depois vi que era do Sapo:

O norte-coreano Kim Jong-un terá negado a ajuda de Vladimir Putin na invasão da Ucrânia, dizendo-lhe que a Rússia é “muito doida”. A alegação ocorre quando a invasão russa em solo ucraniano chegou à estagnação, com relatos de um furioso Putin a considerar recorrer ao ‘plano B’ – armas não convencionais.

Bloco de Esquerda e o rabo de fora…

O Bloco de Esquerda decidiu unir-se ao Podemos (Espanha) num movimento internacional criado por este com o objectivo de evitar o envio de armas à resistência ucraniana. A primeira surpresa: ver o Bloco de Esquerda a unir-se a um partido que em Espanha tem feito e dito, sobre a invasão russa da Ucrânia aquilo que o Bloco critica ao PCP. Um cheirinho a hipocrisia, não? Então, cá dentro critica o PC e lá fora une-se com os que dizem/defendem o mesmo que o PCP. Hummm, parece que estou a ver ali no canto um rabo de fora…

(estas linhas da notícia são uma delícia: El pasado lunes, Podemos celebró que los comunistas portugueses del Bloco de Esquerda se hayan sumado a la iniciativa. Esta entente sirve a Podemos para posicionarse en el tablero internacional y ganar espacio en la política interna)

A segunda surpresa: não enviar armas para os resistentes ucranianos cujo seu país está a ser invadido pela Rússia de Putin. Entendem que o esforço deve ser todo concentrado na busca pela paz. A paz é o que todos queremos, sejamos de esquerda, de direita ou candidatos a Miss Universo. Só que, para que a paz exista é preciso que todos a desejem. Putin quer a paz? Quer, mas só depois de ter conseguido matar todos os ucranianos que desejem ser ucranianos e não russos e depois de ter destruído toda a Ucrânia. Até o conseguir, não teremos paz. E os ucranianos, querem a paz? Querem. Querem o seu país livre de forças militares ocupantes e com isso, existirá paz. É assim tão difícil perceber a realidade? Depois de os russos terem invadido a Ucrânia a paz só é possível se eles regressarem a casa. A partir do momento que entraram e começaram a matar e destruir como raio se ontem a paz sem recuarem? A paz só não a quer quem vende armas ou quem for chalupa. Todos a queremos. O problema é como a obter.

Para uns, a paz só se consegue se as tropas russas regressarem a casa e aí as partes se sentarem a negociar a dita. Para outros, não chega. Será necessário Putin ser corrido ou morto. E depois temos os líricos que entendem que a paz se obtém com a rendição dos ucranianos (não sei se pensavam o mesmo em 1939 ou na ocupação de Timor). E depois temos os sonhadores, que acreditam em unicórnios e que com músicas e corações desenhados a coisa vai lá.

Por último, temos os hipócritas. Os hipócritas estão do lado de Putin mas sabem que afirmar isso prejudica a sua imagem e o seu negócio (os votos) e então defendem coisas que não lembrariam nem aos terraplanistas: somos pela paz e por isso o caminho é não fornecer armas aos ucranianos. Ou seja, traduzido, se os ucranianos não tiverem armas a paz é garantida. Pois é. Após serem assassinados e o seu país totalmente destruído, só fica uma das partes. E assim temos paz. A paz dos agressores e a morte dos oprimidos.

[Read more…]

Grupo VW e as mãos cheias de sangue

Vou acreditar que o Observador traduziu bem o que disse o homem. Uma vergonha sem nome.

O Conde Ferreira e a invasão da Ucrânia – Crónicas do Rochedo #56

Nigel Farage says Ukraine invasion is result of EU and Nato provoking Putin

Olhem quem se juntou ao PCP e a outros companheiros de luta de certa esquerda portuguesa, o Nigel! Que maravilha. Por estes dias, vejo juntar-se a este belo grupo de “Putinianos dos Últimos Dias” os chalupas que acreditavam que a vacina para combater a Covid era uma estratégia do Bill Gates para nos “chipar” a todos ou que nos iam infiltrar uma cena qualquer no braço com 5G (confesso que nesta estive esperançado pois nalgumas zonas deste belo rochedo a rede de telemóvel é miserável. Não resultou, dasss). E os terraplanistas. Sim, esses também andam por essas bandas. Les beaux esprits se rencontrent….

Ver o Nigel, o Tiago e a Raquel juntos no mesmo barco fez-me olhar para a realidade com outros olhos. Quando era adolescente (no século passado) costumava juntar-me com os amigos na conversa noite e madrugada fora ali para as bandas do cruzamento da Areosa. De quando em vez surgiam umas figuras fascinantes que desciam a rua de Costa Cabral até ao cruzamento. Eram os mais rebeldes pacientes do Hospital Conde Ferreira. Escapuliam-se dos seus dormitórios pela calada da noite e vagueavam pela Costa Cabral. Uns apareciam nas Antas, outros no Marquês e os que vos falo inclinavam para a “minha” Areosa. Talvez por ser a descer. Talvez.

O que sei é que se juntavam a nós, pediam um cigarro, acendiam e fumavam o SG Filtro com o vigor e o prazer de um fruto que lhes era proibido. E falavam. Falavam muito. Para alguns, no meu grupo, era uma verdadeira conversa de doidos e afastavam-se. Para mim (e para o nosso José Mário Teixeira) não era motivo de alheamento. Pelo contrário. Nunca percebi se por um certo pudor e respeito ficava ali a ouvir. Ou, se calhar, era curiosidade. Ou ainda, como diziam, era proximidade – diz-se que os “tolos” reconhecem os seus pares. Who knows…

De repente, sem mais nem menos, partiam. Subiam em direcção ao seu hospital. E ficávamos nós a comentar esses momentos que eram sempre surreais. O mesmo surreal que sinto quando ouço os Boaventura, as Raquel e outros espíritos sobre a culpa da Ucrânia, da Nato, do imperialismo e do Sérgio Conceição na invasão russa da Ucrânia.

No fundo, continuo na mesma. Fico a ouvi-los. Bastava pedirem e até lhes oferecia um cigarro. Já não um SG Filtro pois disso não há por estas bandas. Mas um Camel dos meus. E depois, era vê-los partir. Não para o hospital, como os outros do passado século. Para o conforto dos seus sofás de couro de Professor Doutor com todas as letras numa qualquer faculdade das nossas Universidades. Só que destes tenho medo. Podem vir a ser professores da minha filha. São professores dos filhos dos outros. MEDO.

Raquel Varela: Alexandre Guerreiro, és tu?

Li algures que existem pessoas que a certa altura decidem ser do contra por ser contra. Por muito desmiolada que possa ser a sua opinião e sendo elas pessoas não destituídas de inteligência. Dizem-me que é uma defesa. Um mecanismo natural do cérebro a defender-se de uma realidade que não querem ou não podem aceitar.

Eu sempre considerei a Raquel Varela uma pessoa sensata e dotada de inteligência. Mesmo não estando de acordo com imensas das suas opiniões. Mais, há meses fui um dos que escrevi que cheirava a perseguição toda aquela história das suas habilitações académicas e os “papers” supostamente repetidos. Por isso ainda estou incrédulo com as suas atitudes, mais do que as suas opiniões, no tocante à guerra na Ucrânia. O que leva Raquel Varela a parecer um Alexandre Guerreiro de saias nesta temática?

A última foi na passada sexta-feira, no programa na RTP em que participa, “O último apaga a luz”. De repente e com um ar até um pouco estranho, Raquel Varela começou a debitar que a bombardeada maternidade de Mariupol* tinha lá dentro o batalhão AZOV e que nem sequer estava a funcionar como tal. Bem, eu das “fontes russas” já tinha ouvido/lido que o ataque à maternidade tinha sido feito não pelos russos mas pelo tal batalhão AZOV. Mais tarde, como a coisa não pegou, veio uma nova versão, afinal tinham sido eles, russos, mas a maternidade já não funcionava como tal e era poiso do batalhão dos neo nazis do batalhão AZOV. Agora, confesso, não esperava ver uma Raquel Varela, transfigurada, em fúria e de cabeça quase perdida a debitar propaganda russa. Porquê? A que propósito?

Podia ter sido um caso isolado. Podia existir um qualquer erro de percepção solitário. Quem nunca? Só que não é. É uma narrativa constante de Raquel Varela no que toca à Guerra na Ucrânia e aos ucranianos. Alguns exemplos do que tem dito e escrito:

“É completamente incompreensível o cerco e a provocação que a NATO faz à Rússia através da Ucrânia” afirmou. Raios, a Ucrânia é que foi invadida. Será assim tão difícil de entender que essa narrativa não cola? Outra: “Zelensky provocou Putin com a adesão da Ucrânia à NATO”. Santo Deus, outra vez a história “a gaja até estava de mini saia”. E continua: “O que vem aí agora: A Ucrânia vai-se sentar à mesa das negociações e aceitar os termos da negociação que a Rússia vai impor” ou  “Isto que a Ucrânia fez é completamente suicida”.

Citando Luís Ribeiro, “Morreu a mãe e morreu o filho. E continua a haver gente a dizer “Sim, mas…”. “Mas a NATO. Mas os EUA. Mas o imperialismo. Mas o belicismo. Mas os nazis.” Expliquem todos esses “mas” ao bebé que morreu antes de viver”.

*The pregnant woman in the photo has died, according to the Associated Press. Her unborn child has also died. The woman was injured in the Russian attack on the maternity hospital in Mariupol on March 9. Photo: Evgeniy Maloletka via Instagram.

 

E em Portugal, nada???

China pressionada por Biden – Invasão da Ucrânia

Há uns dias atrás, após o logro da 3ª ronda de negociações entre Ucrânia e Rússia, onde esta ousou endurecer as suas posições em vez de as desanuviar, ao declarar que nem a independência da Ucrânia aceitaria, sugeria que uma pressão sobre a China talvez ajudasse a travar aquela horrenda tormenta que se abateu sobre o povo ucraniano.
É que, vejamos, por muito que as sanções económicas estejam a afectar a Rússia, podemos já constatar não são suficientes para demover Putin. De facto, o que está a acontecer é que as suas transacções financeiras, arredadas do sistema “Swift”, estão a ser canalizadas para o sistema “Cips”, controlado pela China, aproximando os dois países rivais desde há séculos.

Daí, ter sugerido que, sendo os europeus um dos melhores clientes de produtos chineses, uma pressão no sentido de afastar a China de um limbo de nem sim, nem não ao massacre da Ucrânia, empurrando-a para pressionar Putin e assim o encurralar, poderia [Read more…]

Vamos aproveitar e olhar para a China? #2

A China sabe que o dia seguinte pode ser complicado. Muito complicado para os seus negócios, para a sua política geoestratégica ou seja, para os seus interesses. A liderança chinesa sabe interpretar os sinais.

E os sinais são claros. A Rússia de Putin cometeu um erro crasso ao invadir a Ucrânia e, no fim, aconteça o que acontecer vai ficar de rastos em termos económicos e sociais. Pior, principalmente para a China, conseguiu unir o mundo ocidental. De repente, a Europa está unida, quer a NATO e pensa até na criação de uma força militar interna. Simultaneamente, os Estados Unidos e a Europa reaproximam-se; o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália (juntamente com outros países do Pacífico) nem um segundo hesitaram. E a China?

A China olha para todo o cenário e pensa que por culpa de Putin, os seus adversários principais, os Estados Unidos, emergem desta crise numa sintonia com os seus aliados que não se via há décadas. E sabe que unidos se tornam, economicamente, mais interdependentes e, consequentemente, mais fortes. A China está a ver o comportamento da sociedade civil ocidental e percebe que a linha que a separa de ser o próximo alvo de boicotes económicos é ténue. Cada vez mais. Aliás, sabe que dentro da sociedade civil ocidental já se discute, já se propõe esse boicote. Os cidadãos. Os governantes ainda estão a “esperar para ver” e a rezar para que a China dê um sinal. Aliás, sobre isto e pela rama já vários aventadores falaram nas Conversas Vadias.

Ora, o primeiro sinal de que a China pode mudar o rumo desta história de guerra foi dado hoje. Foi João Querido Manha, na sua página no Twitter que chamou a atenção para um facto relevante: “um analista político chinês em Shangai diz que a China tem duas semanas para decidir apoiar o Ocidente e pressionar Putin a acabar a guerra”. Quem desejar ter o trabalho de ler, em inglês, o que esse analista escreveu (AQUI) percebe que essa mudança estratégica da China pode ser mais rápida do que alguns, como eu, imaginavam. Ainda bem

Resta saber é se, mesmo assim, no dia seguinte ainda vai a tempo de ultrapassar a má vontade em consumir produtos “Made in China”. Veremos, se Putin deixar, se o mundo mudou. Eu não acredito no Pai Natal mas…

De Alexandre Guerreiro a João Lemos Esteves é um salto…

Sobre o Alexandre Guerreiro já o Aventar falou inúmeras vezes ao longo destes dias. Desde o primeiro post a 25 de Fevereiro que se tornou viral passando por ESTE que viralizou de igual forma até ao que se publicou hoje. O Expresso acordou um pouco mais tarde assim como a Sábado e ontem o Ricardo Araújo Pereira. E de repente, ontem, surge um texto em castelhano sobre o rapaz.

Dizer que o texto é em castelhano é simpatia minha. Enfim, pouco importa. Ora, o texto é de um português, de seu nome João Lemos Esteves. O nome não era estranho. Ora este João Esteves é, segundo o seu twitter: Senior Intell Analist Hagana Consulting. Mas que raio se passa com os “Intell” portugueses? É que o Alexandre Guerreiro também o é/foi. Onde são recrutados? Mais, onde são formados? É que se um é amigo do Putin, o outro é amigo de Trump. Será que ser-se chalupa é requisito para ser espião em Portugal?

Mesmo tendo deixado mais acima o link para o tal texto em castelhano, não resisto a partilhar aqui uma parte do mesmo.

Nótese este nombre: Boaventura Sousa Santos, el inspirador espiritual-político-académico de Alexandre Teixeira Neto Guerreiro. El amigo de la agencia de propaganda rusa SPUTNIK, que se autodenomina padre del acuerdo político que llevó a Antonio Costa a la dirección del gobierno portugués y de partido político pro-Putin Podemos en España. Volveremos a él muchas, muchas veces aquí en TOTAL NEWS AGENCY. Y no olvidar que también el viernes, como parte de esta operación de contrainteligencia, las autoridades portuguesas arrestaron al rabino de la Comunidad Israelí de Oporto, Daniel Litvak. Israel es lo enemigo que une Alexandre Teixeira Neto Guerreiro, Antonio Costa, Boaventura Sousa Santos y lo Podemos en España, muchas veces con estrategias comunes. 

Um e outro, académicos. Um e outro cepas de universidades portuguesas. Um e outro a defender o indefensável. Se a estes juntarmos o trio de militares putinianos que pululam nas televisões só se pode concluir que a culpa foi do Covid. De certeza. É miolo comido. Muito comido. Valha-nos Deus….

Ricardo Araújo Pereira e Alexandre Guerreiro

Foi ontem. Na SIC. Podem ver AQUI todo ou AQUI a parte sobre o Alexandre Guerreiro.

Branco, Agostinho e Companhia Limitada – Os Generais que nos envergonham

Confiemos nos generais russos, já que não podemos confiar nos nossos. Ou, melhor, em alguns dos nossos generais, felizmente na reforma, que, nos últimos dias, têm manchado a farda que usam com intervenções que mais fazem parecê-los filhos de Putin ou adidos militares da embaixada russa em Lisboa, não oficiais-generais de um exército português e da NATO. A 11 de Fevereiro, dias antes da violação da Ucrânia, entrevistado pelo Jornal de Negócios, o general Carlos Branco sossegava o mundo contra os avisos de Joe Biden: “Os russos não estão interessados em invadir a Ucrânia. Só o farão in extremis.” Viu-se. Adiantava também que era melhor a Europa não se imiscuir na guerra, pois esta iria ser péssima para nós, que iríamos ficaria para trás em diversos campos, “em particular na nanotecnologia”. Depois, no Diário de Notícias, afirmou que “os russos pretendem apoderar-se da Ucrânia intacta. Com o menor dano possível”. Está a ver-se: à hora em que escrevemos, há já dois milhões de refugiados, com expectativas de quatro milhões. “O menor dano possível”, segundo o general Branco.

O texto é do historiador António Araújo. No Diário de Notícias. Está tudo dito.