Schröder: O mais perigoso dos idiotas úteis de Putin*

Foto: Alexey Druzhinin/Afp/Getty Images via Expresso

O antigo Chanceler alemão, Gerhard Schröder é o exemplo de alguém que traiu o seu eleitorado e a sua nação sendo, hoje, um gigantesco embaraço para a Alemanha, a Europa e o mundo ocidental.

Este homem liderou a Alemanha entre 1998 e 2005, eleito pelo SPD (o equivalente ao nosso Partido Socialista) e que após deixar o cargo foi trabalhar para o governo de Putin. Sim, não vamos brincar com as palavras, ele foi trabalhar para a Rosneft e a Gazprom,  empresas da área da energia da Rússia e já se sabe que ninguém, muito menos um ex Chanceler alemão, vai trabalhar para uma grande empresa russa sem a aprovação e supervisão de Putin. E é hoje lobista de Putin.

Segundo o Expresso, o desconforto na Alemanha é enorme. Hoje. Ontem nem tanto…Como nós, portugueses, os entendemos. A vergonha e desconforto com Durão Barroso ainda hoje não desapareceu.

 

*Forma como foi apelidado pelo jornal britânico “The Telegraph”

A sério????

Isto não se inventa. Quando vi na televisão fiquei entre o incomodado e o envergonhado com a situação mas pensei: que se foda, pelo menos o Estado tratou do assunto. Agora, vejo nas redes que afinal foram privados a tratar e esta malta foi apenas aproveitar o momento para ficar no boneco televisivo.

É o grau zero.

Vasco Pulido Valente, Mário Soares, Putin e os ensinamentos da História

Parte I

aqui escreveu o João Mendes sobre um antigo artigo de Vasco Pulido Valente e penso que foi o João Maio (não encontro) que escreveu sobre um outro antigo artigo, desta feita de Mário Soares. Em comum: uma previsão antecipada do que hoje está a acontecer. Mas existe outra coisa, mais importante, em comum. Cada um à sua medida sabiam da importância da História na explicação do presente e na previsão do que pode ser o futuro.

O desconhecimento da História explica muito do que está a acontecer. E essa ignorância, de boa parte da classe política europeia, é a causa de termos chegado aqui. Só uma absurda ignorância pode explicar a dependência de parte importante da Europa, com a Alemanha à cabeça, de energia fornecida pela Rússia. A ganância não justifica. Aliás, a ganância é, por si só, uma materialização dessa grave ignorância. A mesma falha de formação que levou a Europa a deixar morrer a sua indústria, a não apostar em ser, o mais possível, auto suficiente. A pequenez intelectual da nossa classe política é um reflexo do nosso desinteresse e da forma como, cada vez mais, preferimos políticos assépticos – aliás, sobre esta particularidade, aconselho este ARTIGO de 2004, escrito por Graça Franco no Público.

A mesma ignorância histórica leva muitos dos nossos mais jovens a não compreender o que está em causa. Quando muitos responsáveis políticos falam, e com razão, da “geração mais qualificada de sempre” esquecem que essa “qualificação” demasiadas vezes também é fruto de algum facilitismo. Que começou na minha geração, os que chegaram ao secundário e ao ensino universitário nos inícios dos anos 90 do século passado. Foi uma opção dos países ocidentais (com honrosas excepções). Um dos pilares do conhecimento, a História, passou a uma espécie de parente pobre do sistema. Eu sei que não foi o único. Aqui chegados, um ponto de ordem: estou a falar da maioria, como é obvio. Não vale a pena começarem já a preparar as espadas para a caixa de comentários…

Ora, uma sociedade menos preparada acaba por ter como consequência natural uma menor qualidade dos seus dirigentes políticos. Mesmo sabendo que Vasco Pulido Valente era genial, o facto de ter escrito, em 2015, isto: “A Crimeia foi o primeiro objetivo; e o segundo foi parte da bacia de Donetsk, porque a Crimeia não serve de nada sem uma ligação fácil e segura ao coração do Império, Não existe ponta de dúvida que Putim não recuará”, não faz dele um adivinho ou uma espécie de Zandinga. Não. Apenas se limitou a aplicar os seus vastos conhecimentos da História a uma realidade que estava a começar. Melhor dito, a recomeçar.

Porque a História, infelizmente, repete-se. Quando muito mudam os protagonistas. A repetição é causada pela ignorância. Sobretudo daqueles que tinham a obrigação de não serem ignorantes. A mesma ignorância daqueles que, não satisfeitos com os erros cometidos com a Rússia, continuam a cometer e de forma mais grave, um erro gigantesco na forma como nos estão a condenar a ficar na mão e sob a bota da China. Por ganância? Certamente. Por ignorância? Absolutamente.

Alexandre Guerreiro, o Expresso e o Aventar

Ex-espião pró-russo: como ele saiu da secreta para o Conselho de Ministros, uma viagem ao Irão e a ligação a três partidos – Expresso

Os leitores do Aventar souberam primeiro. Agora (e uma vez mais) o Expresso completa o que já se tinha dito aqui.

“Andamos a Leste”, uma crónica de Madalena Sá Fernandes

Partilho aqui um excerto de uma crónica que li hoje no Público. De Madalena Sá Fernandes.

Manifestações. Uma mensagem no WhatsApp. Um míssil. Miss you! Bombardearam um lar. Também eu, temos de combinar. Vem aí a terceira guerra mundial. Que tal hoje à tarde? Vídeos de pais a despedirem-se dos filhos. Trânsito na Segunda Circular. Os ucranianos. Vou tentar pensar noutra coisa. A Rússia invadiu a Ucrânia. Não te esqueças de comprar leite. Bombardearam uma escola. Vou pôr gasolina. Tomaram Chernobyl. Onde é que eu pus os óculos? Putin ameaça quem intervier. São 20€ de gasolina. Rússia lança ataques aéreos. Qual é a bomba? Pessoas em pânico fogem da Ucrânia. É a bomba 3. A culpa é do Putin. Desculpe, esse carrinho é meu. A culpa é dos EUA. Já não tem alho francês? A culpa é da NATO. No corredor 6 ao lado dos frescos. A culpa é do PCP. Ah, também preciso de champô. A culpa é da China. Patrícia chamada à caixa central. Como é que foi o teu dia? Pela paz. Parece que não estou aqui. Fim da guerra. Também eu, não consigo pensar noutra coisa. Onde é que pus os óculos? Andamos a Leste. 

A direita e a solidariedade ‘soft’ dos ‘likes’ no Facebook

Laurinda Alves. Fotografia: Filipa Couto

Nos últimos dias, temos assistido à escalada da intolerância, do ódio e do separatismo bacoco entre opiniões. No meu caso, tenho apanhado por essa internet fora uma panóplia de saudosistas e desiludidos, hoje capacitados de uma estoica postura de “contra tudo e contra todos“, como se as vítimas ucranianas servissem de arremesso à limpeza de imagem de quem, há tempos, tão embeiçado andava (uns escondidos, outros bem à mostra) com o regime neo-fascista e autocrático de Vladimir Putin.

Aqueles que, outrora feirantes dos vistos gold para oligarcas russos, apoiantes fervorosos dessa direita reaccionária e saudosista dos tempos do PREC, são hoje indefectíveis defensores do Estado de Direito e contra os autoritarismos. Devo lembrar que estes são os mesmos que apoiaram a venda de empresas estratégicas do sector público ao Estado chinês… esse Estado plural, democrático e defensor dos Direitos Humanos. São exactamente esses, os que anteriormente aplaudiam quando se jogava monopólio com Estados que não respeitam os valores democráticos, só pela cor do pilim, que hoje se deixam ver, do alto da sua moral e heroicidade, com bandeirinhas ucranianas em fotografias no Facebook, em publicações carregadas de dogmas fabricados na hora e de argumentos de “se não concordas comigo, és amigo do Putin”. Sim, há gente que outrora apertava a mão a gente “do Putin” e que hoje se apercebe do que andou a fazer. Coitadinhos.

Serve este longo preâmbulo para tornar pública uma mensagem de Laurinda Alves, vereadora dos Direitos Humanos e Sociais na Câmara Municipal de Lisboa, eleita pela coligação NOVOS TEMPOS, que deixa transparecer essa hipocrisia direitola de se dizer muito solidário num dia e depois lavar as “manchas” da solidariedade no outro. Na mensagem que enviou para os colegas da CML, a vereadora convoca uma sessão de esclarecimento sobre o apoio aos refugiados ucranianos que chegam a Portugal. Na mensagem, afirma a independente eleita pela coligação, que a sessão serve “(…) para assumir publicamente que a CML NÃO tem capacidade para se responsabilizar pelo acompanhamento destas famílias (…)” e “(…) deixando claro que a CML não se responsabiliza, não paga, não dá sequência a mais nada após o acolhimento de emergência (…)”.

Traduzindo, quer dizer a senhora vereadora, em nome da CML e da coligação que a governa, que tudo bem, venham os refugiados, mas uma vez cá chegados, que fiquem entregues à sua sorte. Ou as associações que se ralem. Ou o c*ralho!

Laurinda Alves quer “gerir expectativas”. As de quem?!

Como sempre. A direita é aquela pessoa que escreve no mural #prayforukraine, muda a fotografia do perfil para uma bandeirinha ucraniana e nos diz “estejamos do lado de quem é agredido”. Depois, quando já meio mundo está, e bem, do lado do agredido e esse meio mundo lhe pede que ajude frontalmente as vítimas da guerra, para lá de palavras com ‘likes’ no Facebook e “votos de condenação” nas assembleias, diz não ter “capacidade para se responsabilizar”.

Parecem o Pôncio Pilatos.

Mensagem enviada por Laurinda Alves aos colegas da CML.

Toma o comprimido que isso passa

Esta coisa da guerra e da paz, Rússia e Ucrânia, Leste e Ocidente, Putin e Zelensky, Batatinha e Companhia, está a deixar homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, completamente ‘tan tan’, cegos de ódio (e não sabem bem a quem, porque o ódio deles hoje é contra o Putin, amanhã é contra o Costa, depois de amanhã é o PCP e na Segunda será o Biden, sem critério próprio), a metralhar populismo do que fica bem e dá likes pelos facebooks.

Vejo homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, demasiado molhados com a guerra. Podem contar-nos que sonhos têm, senhores de meia-idade, classe média-alta, de direita, que explique essa tusa toda que, antigamente, apresentavam tão murcha? O que vos entesa tanto, neste caso em particular? É que guerras já existiam e vocês andavam com disfunção eréctil.

A nova de hoje é a de que “quem usa a situação na Ucrânia para falar na Palestina faz dói-dói” e “vocês só falam da Palestina porque não condenam a Rússia e isso faz dói-dói”. Temo ter de explicar a quem, toldado pelo ódio, não vê o óbvio:

É exactamente por muitos de nós condenarmos taxativamente a invasão russa na Ucrânia, que vos vemos hipócritas ao lado da Ucrânia agora, quando nunca estiveram do lado da Palestina.

É preciso fazer um desenho ou o vosso spin vai continuar de pau feito pelos hologramas que criaram na vossa própria cabeça? Até lá, é tomar um comprimido. Isso passa.

Cordão Humano em Lisboa pela paz na Ucrânia, contra a invasão de Putin. Março, 2022.

Manifestação de solidariedade com o povo da Palestina e de condenação da violência do Estado de Israel. Maio, 2021.

Fotografias: MAYO.

Um Líder vs Um Embaraço

Um verdadeiro líder de um Povo vê-se na forma como actua perante as dificuldades. Ao ver Zelensky nas televisões, a ser entrevistado por uma correspondente inglesa, em plena capital da Ucrânia, no meio de uma guerra e em verdadeiro perigo de vida, recordei-me, imaginem, de Carles Puigdemont, o antigo líder da Catalunha.

Carles Puigdemont, à primeira dificuldade, desertou para Bruxelas abandonando os seus sem qualquer hesitação. E qual o principal risco que corria? Ser preso e ir a tribunal. Volodymyr Zelensky, líder da Ucrânia, perante uma invasão do seu país o que fez? Ficou a lutar ao lado dos seus e, como se sabe, recusou a oferta de asilo dos EUA. Com esta sua atitude, corajosa e patriótica, Zelensky é hoje um herói ucraniano e Carles Puigdemont um embaraço para o povo catalão. Um enfrentou o perigo de ser morto (que ainda corre) e o outro fugiu com medo de ser preso.

Citando José Ortega Y Gasset, “O homem é o homem e a sua circunstância”. Neste caso, adaptando, um líder é um líder e a sua circunstância.

 

 

 

Normalizar o ódio

“Facebook e Instagram vão permitir temporariamente incentivos à violência contra a Rússia em publicações sobre a Ucrânia.

Meta vai alterar temporariamente a política relativa aos discursos de ódio. Utilizadores de alguns países vão poder incentivar à violência contra a Rússia em publicações no contexto da invasão da Ucrânia.”

Começo a pensar, seriamente, em sair de todas as redes sociais. O pior é que, no mundo global de hoje, todos nós, mais ou menos, dependemos, directa ou indirectamente, das redes sociais. No meu caso, por causa da Fotografia, uso o Instagram para divulgar trabalho.

Mas isto é o cúmulo dos cúmulos. É a normalização do ódio como um todo (porque, convenhamos, já ele estava normalizado há muito nestas redes). É a banalização da atrocidade. É a apologia da indiferença.

Eu não estou contra a Rússia enquanto país. Eu não estou contra os russos enquanto povo, porque para mim também eles são joguetes e sofrem às mãos do tirano que os governa há décadas. Em meu nome, não. Banalizar os insultos a um povo, seja ele qual for, é não entender nada do que nos trouxe até aqui. É não perceber minimamente o conceito de empatia. Eu sou pela causa Palestiniana, mas não estou contra o povo de Israel.

Sei que a Meta, dona do Facebook e do Instagram, entre outras, é uma empresa privada e, como tal, gere-se da maneira que bem entende. Quem nela está inscrito, ou aceita, ou não aceita os termos a que se compromete quando se inscreve. No entanto, e apesar do facto que supracito, sabe a empresa, e concordaremos todos nós, que quando num mundo global como o de hoje, onde milhões de pessoas se encontram ligadas a estas redes sociais, esta última terá, em última instância, algumas responsabilidades sociais que não pode, em circunstância alguma, deixar de lado. Mas todos sabemos de onde vem o lucro destas empresas. Por isso, por muito que nos escandalize, cá continuamos muitos, senão a maioria. E porquê? Que droga é esta que muitos de nós não conseguimos largar e que cada cada vez nos divide mais? Que instituto do mal é este que nos instiga a, gratuitamente, odiarmos um povo que muitos de nós nem sequer conhece?

Depois do escândalo com a Cambridge Analytica e tudo o que daí veio a público, começa a tornar-se óbvio quais as reais intenções de quem quer este mundo “conectado” ao máximo. E não é para o nosso bem.

Estou na trincheira dos que querem a paz e não desarmam por um mundo sem guerra. Dos que nunca querem a guerra. Nunca estarei na trincheira dos que fazem da guerra lucrativa. Em meu nome, não.

Alexandre Guerreiro e os seus amigos da MGIMO

A Universidade onde o Alexandre Guerreiro andou a dizer umas coisas consegue estar ao nível da personagem:

MGIMO students,educated young people,say that Putin’s army isn’t killing the population, that Putin has the right to invade a neighbouring country & demand “denazification,demilitarisation,neutral status & legalisation of the seizure of Crimea” under threat of continued massacres

Estudantes do MGIMO, jovens universitários, dizem que o exército de Putin não está matando a população, que Putin tem o direito de invadir um país vizinho e exigir a “desnazificação”, desmilitarização e legalização da tomada da Crimeia” sob ameaça de massacres contínuos

O vídeo da vergonha pode ser visto AQUI.

Uma grande capa!

Alexandre Guerreiro vs José Milhazes

Hoje tivemos o aquecimento na SIC Notícias. No final ficou a promessa da SICN para um debate entre as duas partes, de hora e meia ou mais. A coisa promete.

Eu sou um ingénuo…

Fonte: Aqui

Alexandre Guerreiro e o Aventar

O jurista e comentador Alexandre Guerreiro diz que Putin e Lavrov receberam um relatório com a sua sugestão sobre como invadir o Donbass protegido pelo direito internacional. Ex-espião, nega ser pago para ser um “agente de influência”, mas assume que quer influenciar para que nem tudo o que vem de Leste seja diabolizado – Expresso.

Ao longo dos últimos dias, o Aventar publicou vários artigos sobre o “comentador” Alexandre Guerreiro que geraram uma enorme curiosidade dos leitores com audiências recorde no nosso blogue. Hoje, o Expresso publicou um trabalho sobre a personagem em causa. Um trabalho do jornalista Vitor Matos.

Nessa entrevista, alguns dos dados agora tornados públicos pelo Expresso já os leitores do Aventar os conheciam, nomeadamente a ligação umbilical à Rússia, a sua participação num evento da Universidade de MGIMO (Rússia) e da ligação desta (e do Alexandre Guerreiro) ao ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

Agora sabemos quem pagou as despesas: “Na segunda participação, o governo da Crimeia ofereceu a viagem e a estadia” mas o homem continua a dizer que não é pago pelos russos. Aliás, começou por dizer que nunca recebeu nem um chupa-chupa para mais à frente reconhecer que afinal lhe pagaram a ida à Crimeia. Mais uma das múltiplas contradições da personagem, algo já visto antes nos seus escritos nas redes ou intervenções na SIC.

De todo o modo, depois de uma leitura atenta à peça jornalística, ficam algumas dúvidas que espero ver respondidas nos próximos tempos:

  1. O que é que realmente fazia no Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED)? Analisava o quê? Só para saber se era o gajo que tirava fotocópias e servia café ao chefe de serviço ou se era coisa mais importante e; por via do que temos visto (e nas companhias com se relaciona) , qual o motivo para ter sido exonerado do cargo no SIED? Sim, segundo as fontes do Aventar, o rapaz foi exonerado.
  2. Qual o motivo para, depois de ser exonerado do SIED, a  Presidência do Conselho de Ministros (PCM) lhe ter criado um posto de trabalho alegadamente “à medida” no governo da PAF, em 2015?

  3. Qual a relação entre a sua ligação à Rússia e em alguns dos seus posts partilhar ideias comuns com as do Chega? Será que temos aqui uma ponte?

Estou certo que vamos ter, aqui no Aventar (e não só), “cenas dos próximos episódios”.

(já agora, a foto deste artigo é de Alexandre Guerreiro, militante do PAN, sim, do PANe foi retirada DAQUI)

Olaf Scholz e a opinião pública alemã

Foto: Michael Kappeler / dpa

The chancellor of Germany said that a military solution to the war in Ukraine “makes no sense” and urged for a diplomatic solution. I urge @OlafScholz to come to Mariupol and try his “diplomatic solutions” to stop Russian shelling.

O Chanceler alemão, Olaf Scholz (SPD) pode estar a ser o primeiro líder europeu a recuar por motivos económicos. Já sei que muitos dirão que se estava mesmo a ver e a célebre frase “É a Economia, estúpido” será a primeira a surgir. Só que o problema de Olaf é outro.

Obviamente, o preço do barril do petróleo, do gás ou dos cereais está a gerar pânico em muitas das grandes empresas alemãs e imagino a pressão que devem estar a exercer sobre o governo alemão. O problema do chanceler é outro. A sociedade alemã. Ou seja, os eleitores. No último estudo de opinião conhecido (Instituto FSB), 49% dos alemães eram favoráveis ao envio de tropas da NATO para a Ucrânia – e este estudo foi publicado na última semana de Janeiro, ainda antes da invasão e existe a noção que esta percentagem hoje é maior. Além disso, em Berlim, realizou-se uma das manifestações mais participadas na Europa a favor da Ucrânia. Ou seja, a opinião pública alemã está de um lado e os grandes interesses económicos alemães estão do outro.

Falta saber de que lado da barricada se vai posicionar Olaf Scholz. Sobretudo quando já se percebeu o lado que os Liberais e os Verdes, seus parceiros de coligação, escolheram. A opção que o Chanceler alemão tomar vai ser um importante indicador para o que podem vir a fazer os restantes líderes europeus. Esta pode mesmo ser a primeira grande batalha entre a opinião pública europeia e os seus lideres, depois de  boa parte dos especialistas terem afirmado que até agora foram os primeiros a impor aos segundos o caminho a seguir.

PCP e o Algodão

Como escreveu hoje o Nuno Gouveia no twitter: “O PCP foi um caniche do império do mal da URSS. Está com o regime ditatorial dos irmãos Castro em Cuba. Apoia a Coreia do Norte. Recebeu as FARC no Avante. Apoia a ditadura venezuelana. Ainda ano passado apoiou o regime estalinista da Bielorrússia” e eu acrescento aquele momento surreal sobre Holodomor.

Realmente, o PCP é como o algodão, não engana.

PCP – Isto não vai acabar bem…

Há Câmaras municipais onde o PCP tem maioria que estão a condenar a invasão da Rússia à Ucrânia de uma forma declarada e dura, contrariando o que tem sido o discurso oficial do partido comunista.

Depois de ontem em Lisboa, a diferença noutros locais. É o eleitorado, estúpido!

 

 

O preço do Petróleo e a Guerra

É ou não é verdade que a gasolina que é vendida hoje deriva de petróleo comprado há meses? E que o preço do barril nessa altura estava bem mais baixo do que hoje? Então, onde entra a desculpa da guerra nesta equação? Será que alguém nos pode explicar?

Olha outro militar a destoar….

O fundamental é que há uma mudança geopolítica radical e ela apanhou a Europa desprevenida, a Europa respondeu bem, mas deve responder com mais força porque o [presidente russo] Putin demonstrou que é um homem em quem não se pode confiar e do qual tudo se pode esperar, tudo do pior”, alertou o General Ramalho Eanes.

Olha, mais um militar que não concorda com as três sumidades militares televisivas que temos.

Isto não está fácil, Galp…

Além do gás liquefeito da Rússia que chegou a Sines na passada sexta-feira, Portugal continuará nos próximos dias a receber cargas oriundas do mercado russo. Entre elas está gasóleo de vácuo, que a Galp já admitiu que ainda receberia no quadro das encomendas já em trânsito

Mais um argumento a esvoaçar…

O batalhão Azov e os seus primos

O sentimento anti-guerra está a crescer na Rússia, com as pessoas no país a “rapidamente começarem a perceber quem é o responsável por iniciar o conflito”, anunciou esta terça-feira o líder da oposição russa, Alexey Navalny – diversas sondagens realizadas pela Anti-Corruption Foundation, organização fundada pelo líder política, que descobriu que houve “rápidas mudanças na avaliação da guerra” entre o povo russo. “Sem dúvida, o Kremlin também pode ver essas dinâmicas, daí o nervosismo, as tentativas desesperadas de encerrar a campanha de guerra o mais rápido possível. O impulso antiguerra vai continuar a crescer em toda a sociedade, então os protestos antiguerra não devem ser interrompidos sob nenhuma circunstância”, apelou Navalny.

Eu suponho que aqueles que dizem que Zelensky ao não se render está a levar o povo ucraniano para a morte, venham agora dizer que Alexey Navalny está a levar o povo russo para a morte ao incentivar os protestos anti guerra. Mas, vamos ao que interessa, o tal batalhão Azov.

O pelotão Azov é composto por neo nazis e outros fascistas do mesmo género que pululam pela Ucrânia. Ora, Putin e a sua máquina de propaganda, onde não faltam desde aliados no ocidente (porque será???) até meros idiotas úteis, não se cansa de bradar e sublinhar este facto. É natural. Como é natural relembrar os direitos LGBT na Palestina – a homossexualidade é ilegal (?!) na Faixa de Gaza. A autoridade religiosa é profundamente fundamentalista. Em geral, a comunidade LGBT enfrenta a rejeição, hostilidade e até violência física em Palestina. Da mesma forma, segundo a IMAGES, 21% das mulheres palestinianas entrevistadas para o seu relatório, confirmaram já ter sido alvo de violência doméstica fruto da tradição e cultura palestiniano. E nem vale a pena referir tudo o que se sabe sobre o Hamas.

Mas, afinal, onde é que eu quero chegar? Simples: Estes comportamentos e ideologias destes grupos na Palestina invalidam a luta pela liberdade e contra a ocupação das suas terras por parte do Povo da Palestina? Não.  A ideologia por detrás dos membros do pelotão AZOV invalida a justeza da luta do Povo ucraniano? Também não. Não vamos misturar alhos com bugalhos nem fazer o jogo da propaganda putiniana. Porque esta coisa de “aquele terrorista/fascista é melhor do que aquele outro” cheira a hipocrisia. Não cheira, tresanda.

 

Alexandre Guerreiro não desilude

Já várias vezes se falou aqui no Aventar nesta personagem televisiva chamada Alexandre Guerreiro. E o motivo é simples: esta personagem tão em voga nas televisões e nas redes sociais é todo um projecto. Sim, é verdade que muitos de nós olhamos para ele da mesma forma que o fazemos com algumas excentricidades de um circo. E toda a excentricidade, chame-se ela José Castelo Branco ou Alexandre Guerreiro fascina as massas. A grande diferença é que enquanto o primeiro não esconde ao que vem, já o segundo está envolto numa névoa quase tão misteriosa como a que fez desaparecer D. Sebastião.

A última desta personagem é a forma como utiliza as redes sociais, em especial o Twitter, para atacar quem não concorda com as suas opiniões (uma maioria, por sinal) e quem se atreve a colocar em causa tanto a sua suposta independência como os seus supostos conhecimentos.

Ora, nestas coisas é preciso ter algum cuidado e, como diz o povo, “não atires pedras se os teus telhados são de vidro”.

Por isso, aqui no Aventar já foram destapados alguns dos seus telhados de vidro. Sejam eles o facto de o homem ser, supostamente, um especialista em futebol, direito, assuntos militares, receitas culinárias e outras características que ainda estamos a tempo de desvendar. Depois da sua ligação umbilical à Rússia de Putin, o que explica muita coisa, e após o termos visto a atacar terceiros por questões académicas, aqui fica num rigoroso exclusivo Aventar mais um momento Alexandre Guerreiro que na sua intifada se esqueceu dos seus belos telhados de vidro. Ou atendendo ao que são as suas opiniões, quem sabe se não são antes de cristal. Por hoje é tudo com a garantia que não nos vamos ficar por aqui….

A ferida da hipocrisia

Há uns dias, abordei aqui o tema. Coisas que me enojam. Afinal, não sou o único enojado com a hipocrisia que grassa hoje no mundo, graças à guerra na Ucrânia.

Em baixo, Richard Barrett, deputado da República da Irlanda, do partido People Before Profit/Solidarity, põe o dedo na ferida. E bem.

António Costa – Um Político com (muita) Sorte

Ainda o PSOE não sonhava e já António Costa tinha feito história ao criar a geringonça juntando PS, Bloco e PCP. Contrariado mas obrigado pelos votos, Pedro Sánchez foi “obrigado” a criar a sua geringonça com o Podemos e um conjunto de partidos de esquerda e independentistas. Com uma diferença: ao contrário do Bloco e do PCP, o espanhol Podemos exigiu participar no governo.

Entretanto, em plena pandemia, António Costa vai a votos e consegue uma maioria absoluta. Pouco depois a Rússia decide invadir a Ucrânia e a Europa fica de pantanas. E em Espanha? Está instalada a paz podre. O PSOE está na linha da frente da condenação à Rússia. O Podemos votou como o nosso PCP na Europa, culpa a Nato, os Estados Unidos e toda aquele rol do costume que por aqui já conhecemos. No passado fim de semana, duas ministras do Podemos, num comício partidário, criticaram fortemente a decisão do governo (de que fazem parte, relembro) em fornecer armas à Ucrânia. Nem é preciso dizer mais nada sobre o ambiente político que se vive por estas bandas.

É por isso que António Costa é um político com sorte, muita sorte. No momento certo livrou-se destes belos activos tóxicos. Já Sánchez deve estar a olhar para o seu vizinho com inveja…

Resistir não é ilusão

A resistência de um Povo face ao opressor nunca é uma ilusão. É uma esperança. É um direito. Foi essa resistência, tantas vezes esmagada pelo opressor indonésio, que permitiu a Timor Leste conquistar a sua independência. Com sangue, muito sangue inocente. E com comunicação.

Ainda me recordo como se fosse hoje do barco onde iam muitos jovens, muitos sonhadores portugueses e de outras nacionalidades e jornalistas. O “Lusitânia Expresso”. E recordo os directos da rádio, as angústias dessa viagem ouvidas à distância. Nessa altura, não faltaram estratégias de comunicação, tentativas bem sucedidas de, entre outros, colocar Bono Vox (dos U2) a falar sobre a opressão vivida em Timor, de forçar os principais meios de comunicação social internacional a juntar a sua à nossa voz. E até uma manifestação em Madrid se fez. Sim, enquanto uns lutavam no terreno outros como Ramos Horta (Prémio Nobel da Paz) lutavam por esse mundo fora na procura de influenciar os que podiam ajudar na libertação do seu povo.

Não foi fácil. Demorou muitos anos, décadas até. Mas ninguém se atrevia a dizer a um timorense que era uma ilusão. Uma ilusão provocada por Xanana Gusmão. Não. Obviamente, cada vez que uma alta patente indonésia era abatida, uma aldeia libertada ou uma manifestação organizada, existia uma romantização e certamente não faltaram encenações. Porque é necessário puxar pela moral das tropas e das gentes. E não estava Timor a resistir? Como ensina a História, enquanto existir um Homem disposto a lutar a resistência não acaba. E esse é o erro mortal de Putin. Enquanto existir um ucraniano vivo disposto a lutar, a resistência não terminará. E estou certo que mais depressa morre Putin do que termina a resistência ucraniana.

Volodymyr Zelensky é o Xanana Gusmão dos ucranianos e tal como alguma direita criticava Xanana, o apelidava de extremista de esquerda, hoje certa esquerda faz o mesmo ao líder ucraniano, apelidando-o de extremista de direita. É um sinal dos tempos. Revelador. Ninguém gosta daqueles que nos mostram que os covardes somos nós.

Porque resistência e o combate pela Liberdade nunca é uma ilusão. É um direito. É o valor supremo de um Povo.

 

Embaixada da Rússia em Lisboa

A foto é de Carlos Nunes Lopes. Embaixada da Rússia em Lisboa, esta noite. Agora é que não nos vamos livrar de um míssil.

 

Um Exército Único Europeu faz sentido?

Será que já se pode discutir a sério a criação de um Exército Único Europeu? A invasão da Ucrânia por parte da Rússia pode permitir uma discussão mais séria e, simultaneamente, conseguir a atenção da sociedade civil em cada um dos países membros, algo impensável há menos de um mês.

Quando escrevo “discutir” não significa “decidir já”. Significa o que a própria palavra “discutir” nos diz: uma ampla discussão interna em cada país membro ponderando os prós e os contras e no final de um amplo debate nacional em cada um dos países, levar a decisão a votação democrática.

A criação do EUE terá de ser pensada, na minha opinião, como uma garantia real de a Europa dispor dos meios necessários para se defender e se proteger sem depender de terceiros. Não pode e não deve a Europa continuar dependente dos Estados Unidos para se defender de uma agressão externa. Em primeiro, porque não lembra a ninguém estar a pedir aos outros para fazer um trabalho que é da nossa responsabilidade e, em segundo, porque não podemos estar dependentes dos humores de um Presidente dos Estados Unidos. E se a actual invasão é um exemplo da urgência dessa discussão, a anterior presidência dos EUA entregue a Trump já deveria ter servido de sério alerta para o problema que temos em mãos.

A capacidade de defesa e reforço europeu em questões militares é um debate que não pode continuar a ser adiado. E se o caminho decidido pelos cidadãos europeus for o da criação do Exército Único Europeu então sim, a OTAN/NATO já não se justificará.

(os valores apresentados no quadro acima referem-se a 2017 – hoje seriam ainda mais favoráveis à criação do EUE

 

 

Guerra na Ucrânia: Quem não quer ser lobo – Crónicas do Rochedo #55

Três generais portugueses, que fazem a análise da guerra nas televisões, têm sido acusados de posições pró-russas. Eles respondem que fazem comentários “neutrais” com base na doutrina militar e geoestratégica. E que não querem “diabolizar” nenhuma das partes. A guerra sobre a guerra tem estado ao rubro – Vitor Matos, Expresso, 7 Março

 

O Aventar foi um dos poucos blogues a abordar esta matéria. Não faltaram comentadores, jornalistas, políticos e até outros militares a considerarem, no mínimo, curioso este alinhamento destes três militares. Porquê? A própria peça jornalística o refere:

O major-general Raul Cunha chegou a dizer, na SIC, que “o Presidente russo foi encurralado” pela NATOe justificou a anexação da Crimeia; o major-general Carlos Branco disse ao “Observador” que a Rússia não ia “permitir a chacina da população ucraniana russa” em Lugansk e Donetsk, classificando a parte ucraniana como “a ameaça”; um terceiro analista, o major-general Agostinho Costa tem usado (nos três canais de televisão) argumentos como “a preocupação [dos russos] em não causar baixas civis”, ou a desvalorização da coluna paralisada perto de Kiev. No dia seguinte à invasão, quando garantiu: “Os russos já estão em Kiev.” E disse que Volodymyr Zelensky tinha fugido para Lviv, na zona ocidental“.

Ora, olhando para o que estes três militarem andaram e andam a dizer, comparando com a realidade que nos é dada a ver, penso que se entende, por um lado o desconforto das chefias militares no activo com estes momentos televisivos (chegando a palavra “vaidade” a ser referida) e por outro as críticas de que estão a ser alvo (cuja dimensão até justifica uma peça no Expresso) nas redes sociais. Obviamente, alguns desses críticos fizeram o trabalho de casa e daí surgirem acusações como: “Outras fontes explicam a posição destes generais por alegadamente pertencerem à ala esquerda militar. Alguns argumentos não são muito diferentes dos do PCP, sobretudo os que têm a ver com a expansão da NATO e dos”nazis” nas repúblicas separatistas. Todos foram ver por onde andaram e andam estes militares, onde costumam ir falar, o que costumam dizer, as coincidências e os percursos – no fundo, foram fazer o que os militares costumam fazer sobre os outros.

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O problema do comentário televisivo….

….. não é só a falta de rigor nas escolhas: