Miguel Sousa Tavares: desculpas de mau apagador

Miguel Sousa Tavares, na sequência do que escreveu na semana passada, conseguiu reconhecer que se enganou na quantia astronómica que os professores recebiam por classificar exames. A argumentação não é convincente e, como qualquer menino birrento, não consegue reconhecer um erro sem, imediatamente, contra-atacar, acumulando mais erros.

Talvez, desta vez, tenha ido ler, finalmente, o despacho 8043/2010. Uma vez aí chegado, descobriu ou reconheceu que se tinha enganado: os professores recebiam 5 euros ilíquidos por exame. No entanto, não perde uma oportunidade para acrescentar que poderiam receber “7,5 ou 15, em casos particulares.” Mais uma vez, alguém menos informado poderia ficar a pensar que havia casos particulares na classificação dos exames. A verdade é que esses dois valores são pagos não a professores classificadores mas sim, numa fase posterior, aos que procedem a reapreciações (€7,48 ilíquidos) e aos especialistas que analisam reclamações relativas a reapreciações (€14,96 ilíquidos). [Read more…]

Miguel Sousa Tavares: ignorante, irresponsável, inimputável ou pior?

O conteúdo da última crónica de Miguel Sousa Tavares já foi comentado aqui e aqui. Resumidamente, o cronista do Expresso comete duas inexactidões em duas afirmações, numa ilustração do adágio que diz “cada cavadela, cada minhoca”: os professores recebiam 25 euros por cada exame corrigido e, ao que parece, corrigiam os exames dos seus próprios alunos.

Para lá da necessária discussão sobre as novidades impostas pelo Ministério neste âmbito, fica, mais uma vez, demonstrada a irresponsabilidade de alguns comentadores pagos pelos meios de comunicação social. O mesmo Miguel Sousa Tavares que, ainda há pouco, proferira imprecisões sobre a manifestação de dia 12, volta a falar do que não sabe.

O poder não constitui um privilégio; é, antes, uma responsabilidade. Miguel Sousa Tavares junta a uma formação de jurista uma longa carreira de jornalista. Presentemente, exerce funções de comentador, o que é uma forma de poder. Se é certo que de um comentador se espera, evidentemente, uma opinião, isso não o exime de rigor na busca e na confirmação dos dados em que vai basear essa mesma opinião.

Miguel Sousa Tavares é lido por milhares de portugueses que ainda acreditam que estão a ler as opiniões de um antigo jornalista, ou seja, de alguém que sabe do que fala, de alguém que só fala do que sabe, de alguém que só fala quando sabe. Puro erro: Miguel Sousa Tavares faz um uso irresponsável, eventualmente inimputável, do poder que não sabe merecer.

Aconselha-se, portanto, os leitores do ex-jornalista a fazer, semanalmente, um trabalho que devia ser anterior à escrita e da responsabilidade de quem escreve: confirmar os factos.

Homens da Luta respondem a Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares e a luz de Sophia: o lado bom da Força

Doação do espólio de Sophia de Mello Breyner à Biblioteca Nacional

Miguel Sousa Tavares faz-me lembrar Luke Skywalker, pois também dentro dele convivem o lado bom e o lado negro da Força. Tendo como ponto comum a frontalidade, há um Miguel Sousa Tavares inteligente e sensível, o mesmo que dirigiu a Grande Reportagem, por exemplo, e um outro que escreve e fala com a clava de um troglodita, quando defende o seu clube (é uma espécie de Leonor Pinhão de calças, pronto), quando ataca os professores ou quando argumenta com o volume de vendas dos seus livros como prova da qualidade dos mesmos. Hoje, tive o grato prazer de reencontrar o melhor Sousa Tavares: na companhia das irmãs, fez a doação do espólio da mãe, Sophia de Mello Breyner, à Biblioteca Nacional. Trata-se de um gesto absolutamente grandioso, de uma generosidade tão absoluta que só pode ser apanágio de pessoas que estão acima do portuguesinho egoísta, para quem a posse é um direito e a partilha é impensável. Vale a pena ler esta reportagem e apreciar as palavras de Miguel Sousa Tavares, com direito a brinde: uma história engraçadíssima que inclui Azeredo Perdigão, Sophia e dois patos.

De Miguel Sousa Tavares no ‘Expresso’

Do artigo ‘Céu Nublado’, na edição do jornal ‘Expresso’ de Sábado, de Miguel Sousa Tavares, transcrevo o seguinte trecho:

Na década do agora inimigo das grandes obras públicas, Cavaco Silva, construímos sem parar: auto-estradas, hospitais, escolas e tudo o mais.’O país está dotado de infra-estruturas!’, proclamou-se triunfantemente. E, de facto, o país precisava. O problema é que, enquanto se dotava de infra-estruturas para servir a economia, o país vendia a economia, a troco de subsídios para abate e set-aside; vendemos assim a agricultura, as pescas, as minas, a marinha mercante, os portos, as indústrias que podiam vir a ser competitivas. Ficámos com os têxteis e o fado.    

De facto, assim se iniciou a caminhada na direcção do abismo, continuada por Guterres, Barroso – dois fugitivos – Santana Lopes e José Sócrates.

Todos eles, mesmo Sócrates, se regressassem ao passado, provavelmente diriam “se pudesse voltar atrás, sabendo o que sei hoje…”. Sucede, contudo, não se tratar de problemas de ordem pessoal. Foram lesados interesses nacionais soberanos e, mediante a perda de capacidade produtiva, o País está em sérias dificuldades para gerar riqueza, postos de trabalho e meios financeiros capazes de honrar os compromissos de endividamento externo.

Mas nada disto é relevante. Viva o Benfica campeão (se fosse o Braga ou o Porto, saudaria de idêntico modo), vem aí o Papa e siga a Marinha que, com os dois submarinos alemães, nos ajudará a submergir, mais fundo, em lodosos mares.

A barrela: Miguel Sousa Tavares lava mais branco

Quem viu os «Sinais de Fogo» desta semana, no qual foi entrevistado Gonçalo Amaral, não pode ter deixado de ficar surpreendido com a súbita transformação de Miguel Sousa Tavares. O jornalista voltou a ser o «animal feroz» a que nos habituou ao longo dos anos. Rude, directo, roçando por vezes a falta de educação, nomeadamente quando não deixa os seus convidados falar.
No entanto, uma semana antes, ao receber o primeiro-ministro, Miguel Sousa Tavares foi de uma candura a que não estávamos habituados. Calmo, simpático, educado, ofereceu a José Sócrates mais 60 minutos de publicidade e ouviu, sem pestanejar nem questionar, as patranhas do costume.
Algo vai mal no país, muito mal, quando pessoas que desde sempre foram independentes se tornam de repente os maiores defensores do Governo ou, pura e simplesmente, deixam de emitir as suas críticas de sempre. Falo de Miguel Sousa Tavares, mas falo também de Marinho e Pinto, por exemplo.
Nos «Sinais de Fogo» desta semana, Miguel Sousa Tavares trucidou Gonçalo Amaral. Na semana passada, foi o que se viu. Mais uma barrela. MST lava mais branco.

Bardamerda, adiante*

São comentários de blogues? Isso é o lixo de Portugal. Não vou comentar uma única frase de blogues.

Miguel Sousa Tavares, em entrevista ao CM.

*citação do mesmo autor no mesmo local

Entrevista a Sócrates – a cassete era do Cunhal?

O nosso país, pela mão dos socialistas nos últimos 12 anos, ocupa o lugar desastroso, de ser o mais pobre e o mais desigual. Sócrates compara com os países mais ricos e mais capazes, como se perder competitividade na Alemanha seja o mesmo que perder competitividade em Portugal, em termos de nível de vida das pessoas, de capacidade das empresas lutarem nos mercados…

A Face Oculta é uma prova que o Estado de Direito não funciona e quando aparece alguem a referir-se a “chefe” não é ele é outro que nem ele sabe quem é, isto apesar de os “escutados” serem todos seus amigos pessoais e seus compinchas no PS!

O aeroporto da Portela, que segundo doutos estudos iria crescer acima dos 6% em número de passageiros, desceu – 2.5 % o que quer dizer que está ao nível de 2007, nunca se percebendo porque iria tanta gente sempre procurar Lisboa, cada vez mais em turismo e negócios. Alguém vai ter que fechar aeroportos face ao “desvio” de tanta gente para Lisboa…

O TGV não é por ser rentável é para ficarmos ligados à Europa…e os boys não são boys são pessoas propostas pelos accionistas das empresas do estado e nomeados pelo governo que, por acaso, nomeia os boys do PS!

Nunca, mas nunca aprenderá nada!

Um texto meio ao calhas

(adão Cruz)

Caros amigos:

Há já largos dias que não tenho ligado puto ao Aventar. Não é que esteja zangado nem que me tenha esquecido dos amigos. O facto é que tenho estado de molho. E o molho, neste caso é à base de um estupor de uma tendinite na face interna da coxa direita, que me limita grandemente a minha actividade e me faz dizer umas asneiras daquelas que a gente diz quando está fodido e mal pago. Tenho-me valido dos anti-inflamatórios, que são tão bons a aliviar as dores como a dar cabo de um gajo. Ele são dores de cabeça, ele são tonturas, vertigens, náuseas, vómitos, azia e enfartamento pós-prandial, perda de apetite, eu sei lá! De tal modo que eu arrumei com eles, preferindo as dores aos efeitos secundários, já não falando nos efeitos nefastos que vocês desconhecem e ainda bem, muito mais silenciosos e subtis, que quando eclodem são do carago! [Read more…]

As Honduras muito bem explicadas a Miguel Sousa Tavares

Recordo que a pergunta do tal referendo que Zelaya tentou organizar era “¿Está de acuerdo que en las elecciones generales de 2009 se instale una cuarta urna en la cual el pueblo decida la convocatoria a una asamblea nacional constituyente?”; ou seja, a questão a referendar era se, no dia das eleições gerais (as tais que ocorreram na semana passada) deveria também ser votada a eleição de uma assembleia constituinte. Ora, tal nunca poderia servir para Zelaya se candidatar a um segundo mandato, como MST escreve: mesmo que a tal constituinte retirasse a proibição constitucional da reeleição, isso ocorreria já sob um novo presidente.

no Vento Sueste

No Teu Deserto

“Na verdade, o deserto não existe: se tudo à sua volta deixa de existir e de ter sentido, só resta o nada. E o nada é o nada: conforme se olha, é a ausência de tudo, ou, pelo contrário, o absoluto. Não há cidades, não há mar, não há rios, não há sequer árvores ou animais. Não há música, nem ruído, nem som algum, excepto o do vento de areia quando se vai levantando aos poucos – e esse é assustador. Será assim a morte, também, Cláudia?”

no teu deserto

No Teu Deserto, o quase romance de Miguel Sousa Tavares.

Já passava da meia-noite quando, hoje, o comecei a ler. Foi sem parar, até ao último paragrafo, derradeira linha, definitiva palavra. Nem sei que horas eram quando desliguei a luz e comecei a dormir. O deserto do Miguel e da Cláudia prenderam-me com toda a força, colaram-se como uma lapa da praia das Caxinas às minhas mãos e ao meu cérebro. Só quem conhece o Sahara (ou julga conhecê-lo pois nem mesmo os senhores do deserto, os Tuaregues, o conhecem) pode compreender o fascínio desta obra. O Sahara entrou na minha vida no ano 2000 e ainda hoje suspiro por a ele regressar. Está prometido para 2010. Ainda falta tanto, tanto tempo…

Na capa escreveram que “No Teu Deserto” é um “quase romance”. Não discuto. Pois que seja. Para mim é um livro belo, com uma história fabulosa e um hino ao “nosso” deserto. Procurando fugir aos habituais clichés sobre o deserto, o amor e a sociedade moderna, Miguel Sousa Tavares escreveu uma obra magnífica e que retrata, não sei se intencionalmente, a forma como hoje vivemos, à velocidade da viagem entre Algeciras e Alicante, sempre nos limites e sem olhar para trás. Sempre no fio da navalha.

Claro que eu sou suspeito, eu gosto do Miguel Sousa Tavares, mesmo quando não concordo com ele. O seu “Sul” é um dos meus livros preferidos, a sua “Grande Reportagem” é uma eterna saudade, o seu “Equador” um marco. Mas, “No Teu Deserto”, é uma obra de uma beleza comovente e que nos faz voar. Dei por mim a recordar Abril de 2000 e como fiquei aprisionado ao Deserto, como suspiro pelo meu “cimbalino berbere” de menta que tanto tento replicar em casa sem o conseguir – faltam-me as folhas de menta mal lavadas e as mãos sujas com unhas indescritivelmente pretas daquele estranho no meio do nada.

“Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia (…) A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo ´nada`, eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram”.

Eu vou, antes, irei novamente, meu caro Miguel e espero conseguir ver a estrela de Cláudia, lá bem no cimo, ao lado de outras estrelas da saudade.