Capitão da Areia

À noite,

Há fadas pelo céu,

Gigantes como eu,

Cuidado!

Há sombras na janela,

Peter Pan dança na estrela,

Não acordes na viagem.

Conta-me uma história

De tesouros e luar,

És capitão da Areia,

E pirata de Alto Mar

Agora,

As cortinas têm rostos,

São fantasmas bem-dispostos,

Cuidado!

O Super-homem está a caminho,

Traz o Panda e o Soldadinho,

Fecha os olhos e verás.

Às vezes

Há dragões que têm medo

E é esse o seu segredo,

Cuidado!

Vivem debaixo da cama,

Brincam com o Homem-aranha,

Vais levá-los no teu sono.

Conta-me uma história

De tesouros e luar,

És capitão da areia,

E pirata de alto mar

Conta-me uma história

Onde eu entro devagar,

És capitão da areia

Diz-me onde me vais levar

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Momento Ratzo-Canónico da Semana

Música para fins-de-semana e tolerâncias-de-ponto. Legendado em brasileiro. Sejam tolerantes. Peace.

Jónsi – Go Do:

Ele há coisas tão boas, mas mesmo tão boas, que é pecado não as partilhar: o novo trabalho de Jónsi!

E agora uma cantiga facista

De que muito gosto. É duns gajos a quem chamávamos Heróis ao Mar.

The Offshores, uma nova banda portuguesa

Hoje estou contente, bastante contente mesmo. Bem sei que os leitores não têm nada a ver com os meus contentamentos  e descontentamentos privados mas, passados muitos anos, relocalizei o meu amigo Carlos Gonçalves Pereira, um histórico da música portuguesa, que fez parte de bandas míticas como os Corpo Diplomático, os Casino Twist aqui retratados, os Aqui d’el Rock ainda que de forma fugaz, os sofisticados Barbarella de boa-memória e, mais recentemente, os Raindogs. Reencontrei-o graças à Enciclopédia e ao José Eduardo ( obrigado J. E.).

Com o Carlos partilhei noites inteiras de música e criação, de planos, de projectos, de  conversas de viagens, de loucuras várias, etc. Ainda me lembro bem de quando ele me apareceu em casa (vivia eu num país europeu que não a Holanda) a convidar-me para ser manager do projecto que estava a criar em Amsterdão, de eu ter ido conhecer a banda e ter estado tentado a mudar-me para lá – ainda tenho as gravações, Carlos. Depois, com o tempo (não havia telemóveis nem internet), perdemos o rasto um do outro, até hoje.

Pois bem, a conversa já se alonga e serve para dar a conhecer dois projectos recentes do CGP: Mr Wolf & Brother Ramon e os Offshores, estes últimos com disco a sair brevemente. A seu tempo darei aqui notícia. Para já, fiquem com os Raindogs para aguçar o apetite.

Galandum Galundaina

Já por cá se falou deles, mas sou obrigado a voltar ao palco, também por eles.
São gente de qualidade que faz música fantástica procurando mostrar que ser (n)do interior não é uma fatalidade.

Car@s leitor@s,
os Galandum Galundaina:

Malcolm McLaren 1946 – 2010

Malcolm McLaren e Sid acabam de se reencontrar algures

no centro da terra. Gostava de ser uma mosca

morta para assistir

discretamente.  Quando o final chegou

Malcolm ouviu isto cantado por um arcanjo:

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Foge Bandido Foge

Foge Bandido Foge, novo projecto de Manel Cruz (ex-Ornatos Violeta) apresenta-se hoje ao vivo na Aula Magna, em Lisboa. Fiquem com dois aperitivozinhos em forma de vídeo:

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iPod – Um pedido de ajuda pascal:

Confesso, sou um dos últimos parvos que compra música. Sim, é verdade, eu ainda compro música. Depois de anos com a Tubitek elevada a minha herdeira, surgiu a FNAC que se amantizou violentamente com a minha carteira.

Até ao dia. Ao dia em que uma boa alma decidiu por fim ao meu calvário na FNAC e as suas constantes mudanças do escaparate de música alternativa e sucessivos atrasos na disponibilização das últimas boas novidades, oferecendo-me um iPod nano de 16GB. Ok, passei a ser extorquido pelo iTunes. Para cúmulo, o rádio do meu carro não tinha uma entrada auxiliar. Dass. Até que arranjei uma maquineta meia doida que punha a minha música a tocar no rádio, via frequência, mas que se perdia constantemente nas viagens mais longas, ou seja, sempre que me desviava mais de 10km de casa.

Entretanto, uma troca de carro resolveu o assunto. Tinha entrada auxiliar. Maravilha…ups, tinha que mudar as músicas à mão. Quem considera perigoso conduzir e falar ao telemóvel nunca experimentou iPod e conduzir. Entretanto fui informado que o rádio tinha disco duro ou coisa do género. Uns vinte gigas, pelos vistos. Esfreguei as mãos de contente. Vi a luz!

Novo balde de água fria: o caraças do iPod não passa as músicas para o rádio! Inferno. Ando eu a cumprir a lei, a comprar música e o iPod não deixa passar as músicas para o tal disco do rádio. O cabrão! E saber que todos me chamavam/chamam totó por comprar música…

Por isso, escrevo este post a pedir ajuda aos leitores: alguém conhece um meio de eu enganar a Apple e conseguir passar as minhas várias centenas de músicas para o rádio do carro???

Galandum Galundaina

Galandum Galundaina, Vidigueira, 2010

[audio:http://aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2010/04/endrominus070.mp3|titles=endrominus070]

Como endrominar podcasts faz parte dos meus ócios (saudades da rádio…) misturei três faixas do novo álbum dos Galandum Galundaina, Senhor Galandum, que aqui vos deixo.

Sou suspeito para falar da música dos Galanduns, que a amizade se mete de permeio, e na primeira destas músicas está uma cantiga de embalar que muito me diz e um dia eles me souberam ensinar, num momento muito especial da minha vida que para sempre lhes devo e nunca esquecerei.

Ouçam, e digam de vossa justiça. O disco anda aí pelas lojas, e vale muito a pena.

O zumba no caneco…

Estes rapazes e raparigas de capa e batina, com instrumentos musicais a tiracolo, com as as capas no chão a pedirem dinheiro para uma qualquer viagem de  curso, cheiram-me a carnaval, a “fazer de conta”, aquilo não é nada para arranjar dinheiro para uma viagem.

Hoje no Mosteiro dos Jerónimos lá vi uma “Tuna académica” e fiquei com a ideia que é de uma das novas Universidades, há por ali muita novidade quanto à vestimenta, parece que sairam do atlier da Ana Salazar, barretes, casacas à maneira, botas a condizer. Cheira-me a fim de semana bem passado, com uma noitada no Bairro Alto e umas quecas longe das vistas .Estamos a melhorar, até agora o que se via (na mais bela praça do Mundo) eram excursões de gente da terceira idade, garrafão na mão e uns petiscos de fazer água na boca, saboreados entre os belos jardins e àrvores frondosas.

Mas, estava eu, com a “tuna”, os rapazes e as raparigas têm um grande orgulho em serem alunos universitários e tocarem um qualquer instrumento porque não fraquejam, não desistem, não param um minuto que seja. E, ali estão, com o pézinho a dar para o lado compassadamente, e nem se apercebem do alívio na cara dos turistas quando se vêm livres deles.

É que visitar o mosteiro com aquelas dezenas de pessoas à nossa frente é penitência suficiente!

2010, Março, 26

Se hoje evocamos a primavera e a poesia

porque não havemos de lembrar também, antes que o  dia se esgote, o sr. Johann Sebastian Bach, que veio ao mundo a 21 de Março de 1685?

Dia mundial da poesia?

Dia mundial da poesia?

Comemora-se hoje o dia mundial da poesia. Não é coisa que eu engula facilmente.

Por todo o país e, provavelmente, por todo o mundo há tertúlias e coisas mais ou menos engraçadas. Algumas coisas boas, e outras de pouco ou nenhum valor. A pergunta mais corrente será: O que é a poesia? O que é ser poeta?

Daniel Barenboim, um dos maiores pianistas e maestros da actualidade, diz que é impossível falar de música, e que são muitas as definições de música, mas que, na prática, se limitam a descrever uma reacção subjectiva. Todas elas parecem dizer muito e não dizem nada.

Sem querer pôr-me à ilharga de Barenboim, eu também digo que não sei o que é a poesia, e duvido muito de quem diz que sabe. Desde a respiração de Deus à depuração absoluta da palavra, já ouvi de tudo.  Parecem dizer muito e não dizem nada.

Isto, porque a poesia é um sentimento, o sentimento poético, como o sentimento do amor, o sentimento da alegria, o sentimento da tristeza, o sentimento do medo. O mesmo acontece na arte, ou sentimento artístico, seja qual for a expressão artística, plástica, musical etc. E o sentimento é um fenómeno muito complexo. [Read more…]

"You can never hold back spring": Tom Waits

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Valsa das Flores e Versos à Primavera

Na minha homenagem à Primavera, recorro a ‘Valsa das Flores’, editada por Adya Classic. E, não sendo escritor, e muito menos poeta, atrevo-me a publicar uns singelos versos, meus, à Primavera:

Oh Mãe Natureza, imploro-te com amor

Manda o Sol suave, doce e reluzente

Trazer a Primavera no matinal alvor

Para valer a este mundo carente.

Que os campos se vejam floridos,

De manhãs e tardes de mil cantares

E de misteriosos voos destemidos

De aves livres em todos os lugares.

Oh Primavera de sentidos sonhos

Volta a abençoar-me o frágil coração

E incandesce de brilho os meus olhos.

Regressa, dá aos novos as esperanças

Porque, dizia o sábio Poeta de então,

O melhor do mundo são as crianças.

A Primavera no coração dos homens: Chaplin e Yeats

Chaplin tinha 63 anos quando filmou “Luzes da Ribalta”.

Mas reparem na candura infantil com que vai saltitando enquanto canta: “É o amor, o amor, o amor, o amor, o amor”.

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Alex Chilton (1950-2010)

Ornatos Violeta – Capitão Romance

MC Snake – Foi você que pediu uma explosão racial?


Porque uma, duas, três não são demais. Assassinado por quem é pago para nos defender. Foi você que pediu uma explosão racial?

Eduard Khil, o cantor soviético do YouTube


É o novo êxito do YouTube: um vídeo musical de 1976, no qual o cantor romântico soviético Eduard Khil trauteia a melodia de uma canção à qual os censores do Kremlin não deixaram passar a letra por falar de um cowboy cuja namorada ficava em casa a tricotar meias.
Realmente, depois de ouvir a letra com atenção, não se percebe quais os motivos que levaram à censura. Quanto a Eduard Khil, parece que não sabe muito bem o que é a internet.

Tierras de Miranda – Nuobas

Na semana em que os Galandum Galundaina apresentam o seu novo disco, destaque para um blogue em mirandês que para lá de fazer o que fazem outros blogues locais ainda serve de veículo à nossa belíssima segunda língua oficial.

Noubas, blogue da aldeia dos irmãos Meirinhos que com o Paulo Preto formam os Galandum, um grupo que só podia existir nas terras de Miranda do Douro onde a música faz parte da paisagem, é mais uma paragem obrigatória na Volta a Portugal em Blogues.

E aqui fica um dos temas de Senhor Galandum:

Homenagem a Jean Ferrat – C’est beau la vie (Memória descritiva)

Jean Ferrat era o nome artístico do cantor francês Jean Tenenbaum, nascido em 26 de Dezembro de 1930 em Vaucresson (Hauts-de-Seine). Morreu ontem com 79 anos, em Ardèche, uma localidade no sul de França. De origem judaica, era o mais novo de quatro irmãos. Seu pai, nascido na Rússia, foi deportado durante a guerra para Auschwitz e ali morreu. Compreende-se melhor através deste pormenor biográfico o sentimento com que Ferrat canta Nuit et Brouillard.

Obrigado a abandonar os estudos para sustentar a família, actuou nos anos 50 em pequenos cabarés de Paris. Cantou versos de Louis Aragon e canções dedicadas a Neruda e a Lorca. Os seus temas eram, geralmente, de índole política. Foi com Nuit et Brouillard que o êxito chegou para Ferrat, pois recebeu o Grande Prémio do disco de 1963 com esse tema sobre os campos de extermínio. Nesse disco, incluía-se C’est beau la vie, com que antecedo as palavras deste texto. [Read more…]

Jean Ferrat, 1930 – 2010

Morreu Jean Tenenbaum conhecido por Jean Ferrat, cantor de palavras.

La commune [Read more…]

Os alunos mataram o professor de Música. Coitadinhos dos alunos

As declarações do Director-Regional da Educação de Lisboa à saída da Escola de Fitares são o retrato ideal das razões do estado actual da educação em Portugal: o professor era frágil emocionalmente, tinha problemas, mas os alunos, que até são bons alunos, têm de ser protegidos, coitadinhos, que é para não se sentirem culpados. De resto, já estão psicólogos a tratar do assunto. Quanto ao professor, parece que no seu estado actual não precisará muito de psicólogos.
Deu nisto a política educativa de Maria de Lurdes Rodrigues, que neste momento tem as mãos sujas de sangue. Não devia conseguir dormir de noite até ao fim dos seus dias. Um conjunto de medidas e de discursos, ao longo dos anos, que só tiveram como objectivo denegrir a classe dos professores junto da opinião pública e retirar-lhe prestígio e credibilidade.
As alterações ao Estatuto do Aluno, conjugadas com o novo regime de Gestão Escolar, fizeram o resto. Hoje em dia, a escola não tem poder para castigar de imediato um aluno indisciplinado, quando antes, de acordo com o Estatuto promulgado pelo ministro David Justino, o Presidente do Conselho Executivo podia suspender imediatamente um aluno até 5 dias. Hoje em dia, o Conselho de Turma pode nem sequer ser ouvido.
Para além disso, o Director da escola está hoje nas mãos dos Encarregados de Educação, que estão sempre em maioria no Conselho Geral, mesmo que não o estejam em teoria. A qualquer momento, os Encarregados de Educação podem dar cabo da vida de um Director e é por isso que mandam nas escolas. E como a maior parte dos nossos Directores não tem a fibra suficiente para pôr os pais no seu devido lugar, recebe 1, 2, 3, 7 queixas de um professor e acaba sempre por dar razão aos alunos. Ou não faz nada, o que vai dar ao mesmo.
Sei do que estou a falar.
«É da idade», dizia um dos alunos do 9.º B com mais participações disciplinares. Aos meus meninos de 9.º ano, eu explico-lhes gentilmente, logo na primeira aula, o que acontece a quem tem problemas de comportamento provocados pela idade. O professor de Música não foi capaz disso? Não é justificação para que pareça ser o culpado por ter morrido.
Não, não foi ele o culpado, mas sim um bando de 25 energúmenos que, por não terem recebido em casa a educação suficiente, cresceram com um sentimento de impunidade e de irresponsibilidade. E aí, a culpa já não é deles.

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 7:

E termino esta breve aparição (e absoluta estreia) na blogosfera com a junção de dois génios da música em português, tomando de assalto a rubrica “Não sejas duro(a) de ouvido” do FMSá, a partir da meia-noite já vos devolvo o rapaz. Foste tu que mos deste a conhecer. Obrigado. Zita Formoso.

e para fim, fica a surpresa, a nossa:

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 6:

Dedicada ao autor original da série neste dia em que completa mais um ano de vida e com dois dos nossos preferidos. Zita Formoso.

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 5:

Das profundezas do México chegou a Lila Downs e a música ranchera nunca mais foi a mesma. Zita Formoso.

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 4:

Na hora do regresso a casa e sem tempo para nada, fica a música que ouço sempre que estou cansada. Zita Formoso.

Conheço algumas mulheres fortes


Mulheres que sabem dar.
Mulheres que sentem.
Mulheres que nunca recebem.
Mulheres que gostam de viver.
Mulheres que não têm medo.
Mulheres de poucas palavras.
Mulheres que caem e levantam-se.
Mulheres que passam despercebidas.
Mulheres que estão sozinhas porque são fortes.

Tindergirl