Eleições legislativas antecipadas?

Ninguem quer governar nestas condições, até porque tudo indica que a situação é bem pior da que os socristas nos querem fazer crer. O FMI já anda por aí, 50% de possibilidades de intervir, preparam-nos os próprios porta vozes do PS, o que quer dizer que é quase certo. O segundo PEC está em marcha, nos segredos dos gabinetes de Bruxelas, e na semana passada o país esteve novamente à beira de não conseguir fazer os pagamentos imediatos.

Mas o caminho é estreito, para não dizer que a curto prazo não há outro, enquanto não passa o olho do furacão é preciso que Sócrates beba o cálice do seu próprio veneno até ao fim. Pelo meio temos as Presidênciais o que tambem introduz contenção na estratégia de tomada do poder. No meio disto tudo, a identificação da situação com este desemprego e com as medidas que vão tornar-nos mais pobres, com o PS a ser identificado com tudo isto, arruma e destrói, de caminho, a candidatura de Alegre.

Mas logo que as coisas estejam concertadas, que se tenha batido no fundo, é muito possível que o reeleito Presidente da República marque eleições antecipadas. Quase certo, exige-lhe o PSD e a nação.

Entretanto, há vozes que tentam beliscar a candidatura de Cavaco, ameaçando apresentar um novo candidato no centro-direita. Só fazem isto porque sabem que a reeleição são favas contadas e chegam-se à frente por ainda não terem sidos convidados para a festança das mordomias e dos lugares bem pagos.

Há momentos, na SIC, vi Medeiros Ferreira, em directo, passar a extrema unção a Sócrates e a Alegre!

Presidênciais – Ovos no mesmo cesto?

Há quem diga que o povo português é muito intuitivo e sabichão e que será por isso que tem no governo um partido e na presidência o seu contrapeso. Um militante de outro partido.

A ver vamos, como diz o ceguinho, se é por ser prudente ou porque foi assim e ponto. É que o que aí vem é deveras engraçado e vai testar essa particularidade do bom povo. As sondagens indicam a quase maioria absoluta do PSD e, a ser assim, Cavaco não seria eleito, o que aconteceria pela primeira vez na política portuguesa, o Presidente em exercício não ser reeleito.

Há, aqui, uma janela de oportunidade para Manuel Alegre, o povo de esquerda todo à volta do poeta para contrabalançar o governo de Passos Coelho. E os vinte por cento que elegeram Sócrates e que agora lhe escapam para o PSD, vão votar Alegre, mesmo não sendo de esquerda? É que se não for assim Alegre não ganha, poderá ir a uma segunda volta, mas aí a situação será muito complicada. Ainda não haverá governo aquando das presidenciais, será muito dificil que o Presidente em exercício não seja reeleito, Alegre não obtem o pleno na esquerda, única forma de ganhar.

Mas se Cavaco ganhar os votos fogem ao PSD, atendendo à sabedoria do povo que não quer os ovos todos no mesmo cesto? Votam no PS exaurido, desgastado, sem soluções e a quem, nas sondagens, ameçam dar 26% dos votos?

Isto de porreiro não tem nada, pá!

Cavaco e a Direita

Alguma direita anda desorientada. Só pode. Com tantos e tão bons motivos para criticar Cavaco foram lembrar-se DESTE.

Alegre: Uns rins de fazer inveja

O homem deve ter uns rins de fazer inveja ao Nelson Évora.
Tão depressa se cola ao PS e passa semanas sem dizer o que quer que seja, como num incrível golpe de rins vem atacar o PEC e o seu autor, o Governo. Próxima jogada: atacar os que dizem que o primeiro-ministro mentiu no negócio PT/TVI. E a seguir? Talvez criticar o rumo que está a ser seguido nos Ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.
Há que mostrar distância em relação ao PS. Mas não em demasia, porque o apoio do Partido é necessário. Afinal, é tudo uma questão de engenharia… e de excelentes rins.

Cavaco Silva ganha de novo à primeira volta

Já antecipava a ideia aqui:

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Mais uma candidatura a piscar o olho à Esquerda, a de Fernando Nobre, e Cavaco Silva passou a ter mais firme a possibilidade de ganhar à primeira volta. Isto a acreditar que Manuel Alegre não desiste, o que seria, neste momento, o aniquilar do capital político que alega ter desde as últimas presidenciais.

O prazo de validade do Governo PS, dependerá, em larga medida, do desfecho das eleições presidenciais e da composição entretanto operada dentro do aparelho partidário social-democrata. E o próprio PS sentir-se-á liberto do pesadelo da obrigação de governar.

Entretanto, enquanto o Carnaval ao invés de terminar, vai engrossando, há quem se preocupe com a estética da República, discutindo se não seria de actualizar o busto da República. Nesta época faz todo o sentido preocuparmo-nos com tal: a República funciona bem, muito bem, estará é com má cara

Estranhas manobras

O surrealismo lusitano, canta e ri, corre e dança, inebriante, vicioso, contagiante. Num carrossel contínuo que mal permite repor o fôlego. Tudo é informação, tudo é actualidade, e no entanto nada parece verosímil.

Dois episódios de ontem, deste carrossel:

1 – A escova de Francisco Louçã sobre os ombros de José Sócrates, no plenário parlamentar, em híbrido gesto de solidariedade para com o Primeiro-Ministro, acerca das escutas.

Não bate certo, algo está por trás disso. Talvez as presidenciais. Talvez.

2 – O estranho avanço de Paulo Rangel, numa sôfrega candidatura à presidência do PSD, a dividir um eleitorado com Aguiar-Branco, e a solidificar um outro eleitorado, o de Pedro Passos Coelho.

É uma candidatura tardia, incoerente e desleal. Imprópria para quem assumiu o compromisso de que ficaria no Parlamento Europeu, e que as excepcionais razões do actual momento político por ele invocadas, só servem de injusto atestado de incompetência a Aguiar-Branco.

Parece que o Norte continua a assustar as ditas elites do PSD, desde os tempos de Francisco Sá Carneiro.

Pedro Passos Coelho agradece.

Num inebriante começo de mês, estas são apenas duas voltas de um carrossel de estranhas manobras. Tudo à roda, sem tino ou razão.

Vergonha, precisa-se

As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.

Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.

Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).

Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.

Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.

Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.

Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.

Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?

A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.

Faltam 434 dias para o fim do Mundo…

O caso desesperado dos clientes do BPP é um escândalo que, típico da nossa inveja, passa ao lado da esmagadora maioria dos portugueses. Aliás, o sentimento dominante é “eles são ricos, que se entendam”. Estamos a falar, na esmagadora maioria dos casos, das poupanças de uma vida de trabalho de gente séria e honesta. Sim, os ricos que o povão despreza, esses, trataram de vida a tempo e horas com o nosso dinheiro, safando-se, à tangente, de ficar sem o graveto que tinham no BPP através da intervenção do Estado – intervenção essa que serviu, apenas e só, para resolver o problema a meia dúzia de “amigos”. (Declaração de interesses: não conheço nenhum dos lesados nem fui/sou cliente desse banco. Felizmente!).

Outra matéria que o povão adora é as pensões dos políticos. Outra escandaleira das grandes mas tratada pela imprensa de forma grosseira. Não são os políticos, são meia dúzia de tratantes que, entre outras coisas, são ou foram políticos. Isto de generalizar dá audiências mas cria injustiças como a dos clientes do BPP.

Entretanto, hoje é 31 de Janeiro e começaram as comemorações do centenário da República. Se é verdade que os jornais falam do tema, não o é menos que o tratam aos olhos da intriga política actual: Os eventuais recados de Cavaco ao Governo, os estados de alma de Manuel Alegre.

Uma boa razão para votar Alegre

Valter Lemos, o ex-vereador que chumbou por faltas, não gosta de Manuel Alegre.

“Não apoio Manuel Alegre e não considero que a candidatura cumpra as condições adequadas para a Presidência”

afirma o teórico da campanha de privatização do ensino público encabeçada por Maria de Lurdes Rodrigues.

Manuel Alegre recebeu desta forma um inesperado apoio: muitos professores passam a encarar a sua candidatura de outra forma, até porque o inimigo do meu inimigo se meu amigo não tem de ser, pelo menos meu inimigo não é.

Candidatura de Manuel Alegre comentada no Vidas Alternativas 204

O país e os políticos estão preocupados com as contas públicas. O deficit a controlar, a inflação, o crescimento do PIB e a divida publica, já tão grande, são um quebra-cabeça para eles.
O desemprego aumenta, o que torna as coisas mais complicadas, e as reivindicaçoes também, o que nem sempre é sinal de bom senso e nao facilita também.
No meio de tudo isto, surgiu o anúncio, para alguns algo perturbador, para outros sinal de esperança, da candidatura de Manuel Alegre.
O Bloco de Esquerda acorreu logo a dar-lhe todo o seu apoio.
O PCP foi cauteloso e moderado, como é, aliás, seu costume. O PS está num grande imbróglio e quer pensar no assunto na devida altura, porque entende que este não é o momento de o país se preocupar com isso.
O PSD parece estar num enorme desnorte de que dificilmente se cura. O Presidente Cavaco é a sua única referência.
Entretanto, uma nova intervenção do BE, no final das suas jornadas parlamentares, a favor do ex deputado do PS, Manuel Alegre, nao veio ajudar nada a sua candidatura para sair vitoriosa.
Veio complicar mais as coisas no seio do PS -assunto para o qual o BE se está nas tintas, pois quanto mais fracturas melhor – mas também veio fazer parecer que a candidatura a que chama de “supra partidária” surja como uma candidatura bloquista. [Read more…]

O que se diz por aí

Segundo António Vitorino, Manuel Alegre tem de conquistar o centro. Parece-me algo difícil, para quem ainda não conseguiu, sequer, conquistar o próprio PS que teima em enxotar o “disponível”.
Na banca, tudo na mesma, pois continua, coitada, a tentar sobreviver. Isto ao mesmo tempo que as taxas Euribor cai consecutivamente, o que me princípio seria bom para empresas. Em princípio, pois há quedas que se compensam com subidas de encargos e afins.
Na Austrália, Frederico Gil deu-se mal no Open da Austrália. As coisas não correram nada bem, novamente. Agora há que levantar e seguir caminho.
Já Vítor Baía foi considerado o melhor guarda-redes português, numa classificação dos melhores guarda-redes, em que ficou em 18º lugar.
Na Expo 2010, em Xangai, Portugal abandonou o projecto de recriar a Praça do Comércio. Compreende-se: para ser realista teria de ser um pavilhão sempre com obras a decorrer o que ficaria caro e pouco estético.
Por cá, somam-se os indicadores de modernidade e de bem estar em Portugal: um terço dos portugueses sem meios para ter a casa quente.

O que se diz por aí

Depois do mau tempo, más notícias continuam a chegar dos Açores, enquanto prossegue a trágica contabilidade do Haiti, onde urge estancar a onda de violência pelo caos reinante.
No país da liberdade, uma mulher foi despedida por mostrar os seios a duas colegas e amigas do trabalho. Mais uma vítima do falatório e, possivelmente, da inveja.
Cavaco Silva irá na Segunda-feira visitar os agricultores da zona Oeste para lhes dar uma palavra de esperança e de ânimo, o que sempre ajuda a esperar pelas ajudas financeiras.
Entretanto o PS descredibiliza uma candidatura de Manuel Alegre às presidenciais, ao contrário do Bloco de Esquerda . Parece que Manuel Alegre ainda não percebeu que sendo tão convicto republicano, ou avança ou não avança. Ou está à espera de mais uma vaga de fundo partidária, para dar a vitória a Cavaco Silva?
Quem quiser ir assistir ao Mundial de Futebol, o melhor é levar uma tenda de campismo.
Por fim, o Governo já tem mais um argumento para construir um novo aeroporto fora de Lisboa.

Presidenciais: cenas dos próximos capítulos

Já vi este filme 2 ou 3 vezes, e a rotina dá tédio.

A esquerda discute as presidenciais, a direita como de costume não precisa.

Depois de Alegre ter pedido o apoio do PS, e embora haja resistentes, vamos ter com elevada probabilidade uma repetição das últimas eleições mas sem Mário Soares, e a vaga possibilidade de, ao invés do habitual candidato do PC, alguém que possa fazer o pleno à esquerda, tipo Carvalho Silva.

Era  um bom entretenimento, embora duvide. O avanço de um candidato com essas qualidades deixaria o BE numa posição embaraçosa, mas nada que não se resolva, e existe sempre o risco de não haver 2ª volta. Ou de o militante do PS ficar em 3º, o que garantia a vitória a Cavaco (é só fazer as contas e não esquecer que a base de apoio a Sócrates é mesmo de direita).

Como ando num estádio de acentuado cepticismo duvido, passe o pleonasmo. E lá me vou tristemente preparando para pelo menos na segunda volta ir votar no vate de Águeda, um homem da caca e deus se existisse saberia quanto eu odeio a caca e os que a praticam, como já o fiz com Soares e Sampaio. Não é que precise de digestivos, para votar contra Cavaco corro com gosto e não me canso.

O resto é conversa.

Quando se aproximam os Magos, nada como recordar como foi o caminho para Belém

Quando vejo os socratistas tão azucrinados com o Presidente da República em versão Cavaco, lamechinhas de choro e ranho, dá-me uma coisa na puta da memória e a gaja cospe esta lembradura: mas quem é que foi buscar Mário Soares à senilidade e à reforma só para impedir que Manuel Alegre tivesse disputado pelo menos a 2ª volta das presidenciais com o sr. Aníbal? Quem é que acreditou na coabitação pacífica com o homem de Poço de Boliqueime?

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Os três magos, mosaico séc VI, Basílica of S. Apolinário, Ravena

É certo que o vate de Águeda até podia ter tido, se eleito, condições para acabar com o socratismo depois do cavaquismo, o que era obra épica demais para ele, desconfio, e falamos de ses, e nesse caso andariam agora  os choramingas com problemas no emprego.

Mas um bocadinho de vergonha. Eu sei: perderam-ma toda, que a vida está difícil. Mas disfarcem.