Medina Carreira outro amiguinho de Relvas

Escrevemos aqui sobre o beija-mão de altas personalidades do PSD e do PS a Miguel Relvas durante a apresentação do seu novo livro. Mas não nos podemos esquecer da tirada deste passarão num momento épico das suas homilias na TVI quando a boca o traiu, ao ser pressionado pelo Professor Carlos Fiolhais:

Prof. Carlos Fiolhais: o diploma do “doutor” Relvas não vale nada.

Medina Carreira: o quê?

Prof. Carlos Fiolhais: … do “doutor” Relvas, o diploma não vale nada.

Medina Carreira: Nunca falei com ele, não sei…

Com a preciosa ajuda do João José Cardoso

Vaselina ajuda

Vaselina

Deve estar a doer taaaaaanto, até mete dó. Será que acabou o stock de vaselina na Opus Dei?

Projeções do referendo grego

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As projecções do referendo na Grécia segundo quatro empresas distintas.

A data mais temida

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A data mais temida pelo sistema financeiro e pelos governos europeus que o servem fielmente é a data das eleições espanholas, agendadas para dezembro deste ano. Se um Syriza incomoda os mercados, um Syriza e um Podemos incomodam muito mais. Para os mercados financeiros seria um pesadelo gerir (leia-se manipular) cimeiras europeias com Tsipras e Iglesias do Podemos. Este é o cenário mais temido, tudo o resto que acontecer até às eleições espanholas não será mais do que um longo esforço para fazer do Syriza um exemplo a não ser seguido em Espanha, na Irlanda onde o Sinn Féin tem 20% nas sondagens, na Escócia onde o Partido Nacional Escocês é maioritário e em Portugal se o Bloco continuar a sua subida nas sondagens.

Ao contrário de outros comentadores, não sou vidente e não sei o que se sucederá na Grécia. Sei que os gregos e o Syriza não querem sair do euro e muito menos da União Europeia. Sei de governos que gostariam de os empurrar para fora do euro e de muitos mais que rezam pela queda do governo do Syriza. Não estou otimista para hoje. Se o governo do Syriza cair, não pense a oligarquia financeira que se vai livrar das suas responsabilidades. Depois do Syriza a política não voltará a ser a mesma, o povo reconhece hoje melhor do que nunca a diferença entre os submissos ao poder financeiro e os que lutam contra aqueles que em Genebra, na City londrina, no Luxemburgo, na Holanda ou na Jerónimo Martins continuam a ter lucros com a crise e a esmagar o povo.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 02/07/2015.

Miguel Relvas, Paula Teixeira da Cruz e o PS dos Negócios

Não, não estamos em Palermo, Nápoles ou numa ditadura do terceiro mundo. Estamos nesse portugalito onde a Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, não perde a apresentação do livro de Miguel Relvas, o mesmo Relvas que está no centro da investigação do Gabinete da Luta Anti-fraude da União Europeia (OLAF) sobre o financiamento da empresa Tecnoforma através de fundos comunitários em 2004, quando Passos Coelho era gestor da Tecnoforma e o próprio Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local, adjudicou 1,2 milhões de euros à mesma Tecnoforma para a formação de funcionários de aeródromos. O Miguelito de costas quentes, estava radiante na apresentação. Parecia um puto perdoado pela mãe depois de partir a cristaleira.

Se tivéssemos um presidente a sério isto seria motivo para demitir a Ministra, mas não sejamos demasiado exigentes.

Aliás a lista de presenças durante a apresentação do livro de Relvas foi muito esclarecedora: Maria Luís Albuquerque, Durão Barroso, Passos Coelho, Luís Marques Guedes, vários secretários de Estado, Fernando Seara (que também não perdeu a apresentação do livro de Domingos Névoa), Marco António Costa, o empresário José Maria Ricciardi e o PS dos Negócios (tal como o definiu Seguro) representado por Jorge Coelho. Se Nuno Crato também comparecesse, Relvas conseguiria o jackpot da falta de decoro.

A grande questão é: o que sabe Relvas para ter ascendente sobre toda esta constelação? Quando a coisa tem esta dimensão o mais provável são questões de financiamento do partido e/ou de campanhas eleitorais. Nah, estou a reinar, votem outra vez nos mesmos, força!

Os amigos de Relvas

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Quando se traça a geografia política dos amigos de Miguel Relvas é impossível ficar indiferente à amplitude da máquina de influências que Relvas montou. Já conhecíamos o poder que continua a deter sobre Passos Coelho e Paulo Pereira Coelho, ambos envolvidos no caso Tecnoforma que está a ser investigado pelo OLAF (Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia). Hoje, Durão Barroso assume a filiação ao grupo exclusivo dos amigos de Miguel Relvas apresentando o seu novo livro, no qual Aznar assina o prefácio. Este é o mesmo Durão Barroso que em Abril do passado ano lamentou que o ensino em Portugal perdeu exigência, como é sabido Relvas é a encarnação suprema da exigência do ensino nacional. Mas este é certamente um irrelevante detalhe comparado com o serviço que um ex-presidente da comissão irá prestar a uma pessoa que está a ser investigada por múltiplas fraudes curriculares e é suspeito de beneficiar a Tecnoforma quando foi Secretário de Estado da Administração Local. O ex-político mais descredibilizado do país demonstra assim ter um poder notável sobre o nosso primeiro-ministro e o ex-Presidente da Comissão Europeia. Espero que a Procuradoria Geral da República se interesse por esta questão e sobretudo que comunique muito com o OLAF.

Em Abril, Rodrigo Rato, vice-presidente do governo de Aznar, começou a ser investigado por fraude fiscal. Afinal faz todo o sentido o prefácio de Aznar ao livro de Relvas.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 11/06/2015.

Ronaldo já tem nome nas estrelas

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Entre as designadas galáxias distantes, formadas no Universo primordial cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang, a galáxia CR7 (COSMOS Redshift 7) é a mais brilhante entre todas. Foi observada por uma equipa liderada pelo David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade de Lisboa, e do Observatório de Leiden, Holanda, que realizou as observações com o Very Large Telescope do ESO. Explicou o David Sobral que o nome também é inspirado no Cristiano Ronaldo porque também ele emana um brilho “fora de série”.

Como funciona o futebol moderno?

Está na cara que a transferência de que se fala não corresponde minimamente à realidade financeira do Sporting. A indignação de Dias da Cunha é muito justificada, melhor do que ninguém ele sabe que aquilo é um crime. Mas mais importante que dissertar aqui sobre a distracção colectiva do momento, dos detalhes sórdidos da transferência em si, peço a atenção do leitor para o cerne do problema. Para essa nova criminalidade que invadiu o futebol europeu que usa obscuros fundos de investimento, agentes de futebol sem escrúpulos, sites de apostas e resultados combinados. Estas modernices já aterraram em Portugal há alguns anos e não se restringem aos três grandes, quase todos os clubes da Primeira Liga participam nestes esquemas manhosos. Vejam com atenção a reportagem realizada em 2013 pela France 2 está lá tudo, até exemplos em Portugal.

Diz que Salazar morreu pobrezinho

(publicada no diário As Beiras, 23/04/2015)

Internado após a queda da cadeira em 1968, foi reservada a Salazar uma ala inteira do sexto piso da Casa de Saúde da Cruz Vermelha de Benfica, isto em tempos em que apenas um terço dos portugueses tinha alguma vez entrado num hospital.
No entanto, quando morreu a sua conta bancária estava próxima do zero, daí a lenda do Salazar que morreu pobrezinho, logo honesto. Mas a realidade é que a culpa de a conta bancária ter chegado às lonas é do próprio Salazar. Apesar de ter acautelado a sua reforma numa quinta do Vimieiro e de possuir uma conta bancária típica de um alto representante do regime, Salazar teve o azar de cair nas malhas da protecção social do Estado Novo. Depois de internado e incapacitado para governar, Salazar foi exonerado e substituído por Marcelo Caetano. Tecnicamente desempregado e com tratamentos dispendiosos para pagar, a conta bancária de Salazar ia esvaziando à medida que passavam os meses, a tal ponto que o presidente Américo Tomás aprovou legislação para que se pudesse pagar as contas dos tratamentos médicos do ex-Presidente do Conselho.
O que este episódio revela é que Salazar foi incapaz de montar um sistema de saúde e protecção social digno, sendo incompetente a tal ponto que foi vítima das próprias injustiças que criou, com a agravante de ter vivido os seus últimos anos à custa de milhões contribuintes pobres sem acesso a hospitais. Salazar não morreu pobre, Salazar morreu a 27 de julho de 1970 como um privilegiado do regime com governanta, chauffeur, residência e viatura de estado.

Bota Botilde anuncia candidatura à presidência

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É oficial, a Bota Botilde anunciou que será candidata à presidência em 2016.

A Bota Botilde destaca que a sua candidatura é independente dos partidos, que vem incomodar muita gente e que é politicamente incorrecta. Ah! … e vai lutar contra a corrupção, para tal missão criou uma página no facebook que já tem 11 amigos.

Bloco contra coligação de interesses em Angola

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O Bloco apresentou hoje na Assembleia da República uma proposta para solicitar às autoridades judiciais angolanas a libertação e anulação do julgamento do jornalista Rafael Marques. Uma proposta corajosa que dignifica qualquer democracia  e que toca na questão central do Charlie Hebdo. Liberdade de expressão, lembram-se? Apenas o Bloco e 5 deputados do PS (Isabel Santos, Eduardo Cabrita, Bravo Nico, Carlos Enes e António Cardoso) votaram a favor. PS, PSD, CDS, PCP e Verdes votaram todos contra. Tenho a certeza que a esmagadora maioria de militantes e simpatizantes do PCP e PS reprovam e não compreendem a posição do respectivo partido.

70 anos depois da libertação de Auschwitz, 50 anos depois da marcha entre Selma e Montegomery, depois de décadas de combate a ditaduras criminosas, a governos corruptos e a quem com eles compactuou, eis que em 2015 a cobardia, o lambe-botismo e os interesses económicos mais sujos disseram presente com toda a força na Assembleia da República. Uma vergonha. Hoje as águas ficaram bem separadas no parlamento.

Trá lá lá lá

Poderia ganhar a Eurovisão.

Serviço Público

Diamante

Na sequência do julgamento de Rafael Marques em Luanda, a editora Tinta da China está a disponibilizar gratuitamente no seu sítio internet o livro “Diamantes de Sangue“.

Terra plana & astrologia

Geografia

Hoje, a abertura solene do 1° Simpósio Luso-Brasileiro de Astrologia terá as honras, mas bem mais grave, uma certa forma de legitimação de se realizar nas instalações da Sociedade de Geografia em Lisboa.

No meu entender a Sociedade da Terra Plana está para a geografia, como um simpósio de astrologia está para a astronomia.  Como congénere da Sociedade Portuguesa de Astronomia apetece-me aconselhar a actual direcção da Sociedade de Geografia a dirigir-se até ao extremo do nosso planisfério (seguindo o mapa da referida sociedade) e saltarem para o vazio. Boa aterragem em Sirius

PS- Percebo que possa haver uma transacção financeira muito favorável à Sociedade de Geografia, tão apetecível em tempos de crise, mas apesar de tudo são uma sociedade científica e há limites para uma sociedade científica, não são uma associação de bairro ou uma filarmónica.

A miúfa de Rajoy e Passos

Sejamos honestos, não é o perdão ou a reestruturação da dívida grega que incomodam Rajoy e Passos. A miúfa de Rajoy e Passos é que o Syriza representa uma esquerda que irá desmantelar todas as grandes negociatas agarradas ao poder da responsabilidade do PASOK e da Nova Democracia.

Passos sabe melhor que ninguém que, tal como na Grécia, as grandes negociatas em Portugal têm cores políticas bem vincadas e associadas ao arco da governação.  Ao BPN chamavam-lhe o banco do PSD. Foi no BPN que Cavaco Silva obteve lucros de 140% pela compra e venda de acções em apenas dois anos, o mesmo Cavaco que em 1987 utilizou a expressão “gato por lebre” para criticar os lucros estratosféricos (mas inferiores a 140%) da bolsa de Lisboa. O triângulo entre a CCDR da Região Centro, a Tecnoforma e os colégios privados da GPS em que esteve envolvida a quadrilha composta por Passos, Relvas, Paulo Pereira Coelho e António Calvete colocaram de mão dada quadros do PSD e do PS em negociatas que prejudicaram fortemente o erário público, actualmente a ser investigadas pela UE. O BES foi outro dos bancos do PSD por onde passaram muitas negociatas entre as quais a dos submarinos que envolve dois distintos militantes do CDS: Paulo Portas e Jacinto Leite Capelo Rego. Já “de róseos dedos” são as negociatas realizadas à custa da Parque Escolar e os esquemas de Sócrates com o Grupo Lena.

Também em Espanha, o que não falta é matéria de investigação criminal envolvendo Rajoy no caso do financiamento do PP e sobre suspeitas de criminalidade financeira envolvendo a Opus Dei, altamente comprometida com a direita espanhola.  Aliás, a Opus Dei e toda a constelação de interesses instalada nos partidos do arco do poder em Espanha e Portugal irão continuar a boicotar o trabalho de Tsipras, tudo farão para impedir o Podemos de governar em Espanha e que o “mal” alastre a Portugal, arruinando os negócios destes distintos cavalheiros na Península Ibérica.

Perante este cancro, Tsipras terá sempre um forte e amplo apoio em Portugal e em Espanha entre as classes mais desfavorecidas. A miúfa está do lado de Rajoy e Passos Coelho.

A Troika deveria ser investigada

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Depois da transmissão pública da reportagem “Puissante et incontrôlée: la troïka” pelo canal ARTE (ainda disponível no site da televisão franco-alemã) espero bem que a Procuradoria Geral da República se digne a investigar todos os elementos da Troika que estiveram em Portugal, em particular os responsáveis pela iniciativa da venda do BPN ao BIC. O que se passou foi um crime e esta reportagem dá-lhe o enquadramento que faltava para percebermos que foi de facto um crime.

Realizada pelo alemão Harald Schumann esta excelente reportagem  debruça-se sobre o falhanço e as consequências sociais das políticas de austeridade implementadas pela Troïka. A reportagem demonstra também que é falso que se trata apenas de semântica quando Tsipras recusa negociar com a Troika, mais do que isso demonstra que o governo de Tsipras está bem consciente dos estragos e das negociatas ilegítimas da exclusiva responsabilidade dos burocratas da Troika. A autonomia sem escrutínio, a falta de legitimidade democrática, as decisões criminosas impostas ao sistema de saúde grego, bem como as suspeitíssimas ordens de venda urgente de bancos falidos em Portugal (BPN ao BIC), na Grécia e em Chipre provam que a Troika não passa de uma negociata, que só não é uma negociata como qualquer outra porque é responsável por mortes no sistema de saúde grego e muito provavelmente por crimes de corrupção e tráfico de influências. Entre os entrevistados nesta reportagem, estão Krugman, Varoufakis, Louçã, Elisa Ferreira e João Semedo. A não perder.

Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC

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Ouvimos José Rodrigues dos Santos a fazer eco das vozes que apontam como principal problema da crise grega exemplos como o dos falsos paralíticos. O argumento cola bem quando se quer atiçar pobres contra pobres, mas a verdade é que o subsídio atribuído aos falsos paralíticos que enganavam fisco grego não se compara nem de perto nem de longe com o roubo gigantesco das “donas de casa” da HSBC. Dona de casa era uma das profissões virtuais declaradas por clientes do HSBC que na verdade eram industriais, artistas, jornalistas, princesas, traficantes de armas ou de droga. É esta diferença de campeonatos entre os paralíticos e as donas de casa que ajuda a compreender melhor a crise grega. As contas “especiais” (contas artilhadas para fugir ao fisco) do HSBC relacionadas com a Grécia ascendem a mais de 2,3 mil milhões de euros (~2,6 mil milhões de dólares). Por exemplo, um dos apanhados, o grego Lavrentis Lavrentiadis tinha sete contas no HSBC com ligações a outras contas bancárias (paraísos fiscais) onde detinha 4,6 milhões de dólares. O senhor Lavrentiadis não era paralítico, mas em 2012 foi acusado de fraude, lavagem de dinheiro, participação em associação criminosa e de emprestar a si próprio, cerca de 600 milhões de euros, através de um banco do seu próprio grupo. Esteve 18 meses em prisão preventiva e vai ser julgado em março deste ano.

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Os portugueses da lista Falciani estão a ser investigados?

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Desde ontem o CIJI (Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação) tem divulgado relevantes informações sobre uma gigantesca fraude fiscal ocorrida entre 2006 e 2008, relativa ao caso Falciani. Hervé Falciani ex-informático da filial suiça do banco HSBC, depois de uma evasão rocambolesca às autoridades suiças que procuravam proteger os interesses (mafiosos) do banco, conseguiu asilo em Espanha onde tem ajudado o fisco local a atuar contra variadíssimos casos de evasão fiscal – vale a pena ver o documentário (abaixo) que descreve a fuga de Falciani à fúria dos banqueiros suiços. As personalidades envolvidas na fuga fisco via HSBC vão desde artistas como David Bowie, John Malkovich até ao Rei da Jordânia ou o piloto Fernando Alonso. Em Portugal, estranhamente não se está a dar grande atenção ao caso, sobretudo quando é revelado que cerca de 850 milhões de euros estavam guardados em contas suspeitas da HSBC ligadas a negócios e clientes portugueses. Que negócios são esses? Que clientes são esses? Estão a ser investigados? Isto está ligado ao caso Monte Branco? Mais importante que divulgar nomes, é saber de que tipo de atividades e de que tipo de falhas na legislação estes esquemas beneficiaram.

É com pena que constato que não existe nenhuma entidade ou jornal português associado ao CIJI. Será miúfa de represálias dos grupos económicos que controlam os nosso principais órgãos de comunicação?.

O ABC da dívida

A armadilha da dívida esmiuçada como deve ser. Uma análise muito completa que aborda inclusivamente a exploração do daquele sentimento de culpa muito católico com reminiscências no pecado original. Mais um excelente exercício de serviço público do canal ARTE.

Com Bernard Maris, um dos economistas aterrados, assassinado na sede do Charlie Hebdo.

Radical é o capitalismo

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Publicada a 29/01 no diário As Beiras.

Embora o Syriza inclua na composição da sua designação a palavra radical, está longe de poder ser considerado um partido radical. Trata-se de um autêntico partido de esquerda, de espectro largo, com algumas semelhanças com o nosso BE. Ocupa um espaço político deixado livre pela deriva dos socialistas para o centro e pelo isolamento do partido comunista, mais preocupado em assegurar a sua sobrevivência.

O que é radical na verdadeira aceção da palavra, é o capitalismo dos dias de hoje. A política do FMI é radical quando aplica uma taxa de 5% aos empréstimos à Grécia e a Portugal. Quantos negócios sérios dão lucros de 5% durante 5 ou 10 anos? Pior, como se pagam anos a fio 5% de juro quando o crescimento na melhor das hipóteses não descola de 1 ou 2%? O capitalismo financeiro é radical quando permitiu uma fraude de cerca de 130 mil milhões de euros, só em 2013, graças apenas a esquemas resultantes do segredo bancário (ver G. Zucman, “A riqueza oculta das nações”, Temas e Debates, 2014). Esta quantia seria suficiente para resolver a crise das dívidas de vários países europeus. O capitalismo financeiro é radical quando permite esquemas de otimização fiscal através de compra e venda a preços fictícios entre sucursais de multinacionais, como muito provavelmente fará a Jerónimo Martins e outras empresas com sede na Holanda.

Auschwitz, agosto de 2014

Conhecia a estatística dos campos de morte. Mas não conhecia o lugar, nem o efeito que provoca nos homens.

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Li bastante sobre as experiências atrozes do Dr. Mengele, foram leituras duras mas sem sequelas. Em Auschwitz I essa paz abandonou-me.

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Os ciganos eram considerados seres associais pelos teóricos do nazismo. Muitos combateram com uniforme romeno na frente russa lado a lado com os soldados alemães. Quando regressaram da guerra as suas famílias tinham sido eliminadas e as suas casas destruídas pelos nazis. [Read more…]

2014: o ano mais quente

“Quem mora na margem sul [do Mondego] sabe-o melhor que ninguém.”
Publicada hoje na secção da Figueira da Foz do Diário As Beiras, mas enviada na passada terça, antes das vagas marítimas invadirem ontem as praias e a mata florestal a sul do Mondego. Fotos de Pedro Cruz e António Agostinho (blogue Outra Margem).
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Bifanas Pingo Doce na Festa do Avante

Depois do contrato manhoso com o BES para a instalação de caixas multibanco na Festa do Avante, vem aí a bifana e a mini fornecida pela Jerónimo Martins.

Morte de Fidel Castro?

Esta notícia do Diário de Cuba deixa em aberto a possibilidade do anúncio oficial da morte de Fidel Castro. Notícia a confirmar. (Via Bruxelas)

Charlie contra a xenofobia

O Charlie era e será assim. Os charlistanistas, convertidos ontem à pressa aos valores da liberdade de expressão e à defesa eterna do Charlie Hebdo, refiro-me aos que cultivam o ódio contra o próximo pela cor, crença e género, foram e serão representados desta forma no Charlie.
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Duas inverdades repetidas sobre o Syriza

ActrizMeridaO Libération relembrava esta semana que a desinformação em torno do Syriza vem acompanhada de duas grandes mentiras em que se classifica o partido de ser euro-céptico e de ser anti-euro. Se dúvidas houver, basta ler o programa do Partido de Esquerda Europeia – o qual não integra o PCP que é apenas membro do GUE – que acompanhava a candidatura de Alexis Tsipras à Presidência da Comissão Europeia redigido para o IV Congresso do Partido de Esquerda Europeu intitulado “Unamo-nos por uma alternativa de esquerda na Europa” :

“a Esquerda Europeia considera que uma transformação profunda da Zona Euro, colocando-a ao serviço de uma visão da Europa baseada na solidariedade, é absolutamente essencial” (…) “a Esquerda Europeia não incentiva a saída do euro, acto este que, por si só, não irá conduzir automaticamente a políticas mais progressistas. Poderá até aumentar a competição entre os povos e criar uma explosão das dívidas soberanas através de uma prática de desvalorização concorrencial. Temos que transformar os instrumentos existentes em ferramentas de colaboração ao serviço dos povos.

Serviço público

Disto tudo é uma excelente iniciativa e um blogue da deputada Mariana Mortágua que funciona como um diário da comissão parlamentar do BES. A seguir atentamente.

Mariana

Traposweiler

A empresa francesa Agents & Talents teve uma ideia brilhante para dar alguma utilidade a três títulos de publicações francesas: “Merci pour ce moment” da ex-companheira do presidente francês Valérie Trierweiler, “Le suicide français” uma dissertação xenófoba sobre a França que amedronta Eric Zemmour e “Et si c’était vrai” por esse colosso da literatura banal Marc Levy. Transformou-os em trapos cheios de estilo aptos a limpar o fundo de qualquer panelão, wok ou chaleira.

Pano da Loiça Trierweiler

Provavelmente o pior eurodeputado

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(fusão de duas crónicas de cariz local publicadas no diário As Beiras a 18/9 e ontem 6/11)

Durante a última legislatura, o trabalho da eurodeputada do distrito de Coimbra, Marisa Matias, recolheu elogios da direita à esquerda – eleita melhor eurodeputada na área da saúde pelos restantes eurodeputados – pelo empenho e qualidade do seu trabalho no Parlamento Europeu. Nesta legislatura outro eurodeputado do nosso distrito, Marinho Pinto (foto do site do PE), está à beira de bater a proeza de Paulo Portas que em 1999 depois de eleito permaneceu apenas três meses no Parlamento Europeu. Marinho vai deixar o seu lugar a um segundo eurodeputado impreparado do MPT, sem qualquer trabalho de casa reconhecido sobre políticas europeias. Para quem se candidatou com a missão de dignificar a política, começa bem… [Read more…]

Há Merkels a mais na Alemanha

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Comecemos por colocar os pontos nos ii:

1) O ensino técnico em Portugal é tratado como um ensino de segunda, ou pior, olhado frequentemente como uma via para delinquentes e marginais. Isso está muito errado. Deveria ser a base de uma carreira digna, responsável pela introdução de mais qualidade e de novas tecnologias na sociedade. Uma oportunidade para a criação de emprego com potencial para gerar novos empregos;

2) Gosto da Alemanha. Na Alemanha há mulheres e homens com intervenções políticas fantásticas (a minha onda é o bloco de esquerda: Verdes e Die Linke) contra a austeridade. A CDU/CSU de Angela Merkel é apenas a formação política mais votada, não é mais nem menos do que isso. Por isso não me revejo e repudio gracinhas anti-alemãs a roçar a xenofobia.

O que é grave no discurso de Merkel é que a afirmação sobre o excesso de licenciados ibéricos tem a sua dose de ignorância. A percentagem de licenciados portugueses situa-se bem abaixo da percentagem espanhola e alemã (ver gráfico acima). Estamos a falar de realidades distintas.  [Read more…]