Os Da Weasel anunciam que a banda acabou. Quem nunca viu a doninha, já não vê. É pena, a menos que venham projetos melhores – sozinhos ou acompanhados. Aqui, Da Weasel com Manel Cruz, a seguir – carregue em Continuar a ler– bora lá fazer a puta da revolução e, outra ironia, nunca me deixes.
O Dia da Libertação
Tony Carreira, o Plagiador
A história já é de 2008 e nunca pensei vir a escrever sobre ela. Mas os comentários de algumas senhorecas mal-educadas, num post que escrevi sobre o concerto de Tony Carreira no Pavilhão Atlântico, obrigam-me a regressar a tão momentoso assunto.
Pois bem. Se o máximo que têm a dizer sobre Sérgio Godinho é que ele é um «garrafão sem pescoço» e que «parece o cu de um cão a cagar, sem expressão e sem alma», minhas senhoras, isto diz tudo vós e sobre a forma como entendem a música.
Quanto a Tony Carreira, lamento, porque até gosto da personagem de homem humilde e trabalhador que ele criou, mas foi acusado de plágio ainda há dois anos. É, pois, um plagiador. Não são necessários grandes argumentos.
Basta ouvir a música que aqui vos deixo, do mexicano Crstian Castro, publicada em 1997 sob o título de «Después de ti más nada». E comparar com a que Tony Carreira publicou em 1999, «Depois de ti mais nada» (que original). Poderão também dar uma olhadela à letra de cada uma das músicas.
Tirem as vossas conclusões e, como já dizia no post anterior, instruam os vossos ouvidos.
Não é igualzinho? Até as malucas aos gritos! Agora vejam a versão Tony: [Read more…]
O Baú das Músicas Portuguesas – VII
Um baú como este, cheio de discos mais ou menos antigos, diversificados e de géneros distintos, tinha que lá ter umas canções de um rapaz de Braga, cabeleireiro, que sonhava fazer uma música onde coubessem o Minho e Nova Yorque ao mesmo tempo. António, era o nome do rapaz.
Tony Carreira no Pavilhão Atlântico: O Mesmo de Sempre
Não é uma crítica ou uma piada. É mesmo o novo nome do álbum de Tony Carreira. Chama-se «O Mesmo de Sempre».
Ou como estamos em presença de um acto de grande honestidade. Ao fim de tantos anos a enganar o pessoal, finalmente o rapaz assume que anda sempre a cantar o mesmo. O Mesmo de Sempre.
Rpaziada que gosta do Tony Carreira, querem um conselho? Ouçam Sérgio Godinho, o cantor que se reinventa constantemente. E instruam esses ouvidos.
Ver também Tony Carreira, o Plagiador
Poema grande da noite mais triste

(adão cruz)
(Parido no recente aniversário de Herberto Helder)
Foi a noite mais triste
a mais negra noite mais triste do que todas as sombras
mais triste do que a noite de Orfeu
mais triste do que a sombra dos coqueiros sem lua
mais negra do que o mergulho do tarrafe nas águas fundas do Cacheu.
O homem honesto vítima de esconso agravo sozinho na noite
sem força sem amor sem atitudes
enrolou-se na torrente de lágrimas e não dormiu as longas horas dessa noite
tudo se tinha rasgado o sol a lua a paisagem os rios os braços e o sonho
em tiras de trapos que à toa foi enfiando nos sacos de lixo
sozinho na noite sem que uma espada refulgisse em suas mãos
impondo a fronte e a palavra no renascer do horizonte. [Read more…]
Como Se Fora Um Conto – As Francesinhas na Revolução Francesa
I
Vivia-se no ano da graça de 1809 e o mês de Junho.
Soult, General e mais tarde Marechal, regressava a casa triste, acabrunhado e abalado com a derrota. A bem da verdade não tinham sido os Portugueses a vencê-lo, tinham sido os Ingleses, mas isso era ainda uma desonra maior. Perdera fama, prestígio e muita gente nesta campanha. E só fora ‘dono’ da cidade pouco mais de dois meses.
Era de noite e o General tinha fome. Apesar de a Galiza estar ocupada pelas suas tropas e no trono espanhol estar o irmão de Napoleão, José Bonaparte, há dois dias que só comia fruta dos pomares por onde passava e um caldo horroroso que Pascal, seu novo escudeiro, lhe preparava com o que ia encontrando pelo caminho. Estava a ser difícil o regresso por terras espanholas, os Galegos também lutavam contra o invasor, e os seus mais dedicados criados tinham desaparecido. E que falta lhe faziam, já que um era o seu cozinheiro particular que sabia segredos culinários que mais ninguém sabia e o outro o padeiro cujas mãos para amassar pão de diversas qualidades o levara ao seu serviço. Há já alguns anos, a bem dizer muitos, que esses dois homens o acompanhavam. Teriam morrido? Teriam sido capturados pelas gentes do Porto? Não sabia e não tinha hipóteses de os ir procurar. Que maçada! [Read more…]
"Cambroens" de Lisboa…

Não perdendo nem um minuto a imaginar os “ses” do 25 de Novembro de 1975, deveremos antes salientar algo de infinitamente mais útil, como a exposição a partir de hoje patente no Museu da Cidade de Lisboa. Consiste numa recriação virtual de alguns dos principais pontos de interesse da capital destruída pelo terramoto de 1755. Note-se que esta iniciativa tem o “alto patrocínio” da Câmara Municipal de Lisboa, uma entidade que nas últimas décadas se afadiga em ser protagonista do novo cataclismo destruidor que tem arrasado esta cidade, vítima da edilidade sempre obcecada com cambroens que façam os amigos arredondar as suas contas bancárias in e off-shore. Mais uma ironia da nossa “estória”, bem ao nível dos seus principais protagonistas.
A propósito de “cambroens”, aqui deixamos o seguinte comunicado, recebido via Octanas:
5 de Outubro: além do mau nome, um desastre urbano!
escritores do Chile (texto final)

o dia do encontro com Volodia, por casualidade, na rua de Talca, Chile
17 de Março de 1916 – 31 de Janeiro de 2008
Há um escritor chileno que teve a coragem de dizer: Tengo poca opinión – o casi ninguna – sobre la actual literatura chilena, porque al pasar tanto tiempo fuera de Chile, en estos últimos años, he reducido mis lecturas nacionales. De cualquier forma, y aunque parezca una majadería, sigo creyendo que lo mejor de nuestras letras en el siglo XX ha sido José Donoso. Ningún otro escritor chileno supo captar la chilenidad desde tantos puntos de vista y convertir aquello en una profunda y dolorosa materia humana.
O escritor que emite esta opinião é [Read more…]
Herberto Helder, 80 anos
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Escritores Latino Americanos, poucos Europeus-4ª Parte. E Barrios

Eduardo Barrios na sua juventude de trinta anos, 1914
Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Apenas se mencionam Pablo Neruda, Gabriela Mistral, e acabou. Infelizmente, diria eu Dentro de la terra mal podem – se sustentar com os seus livros, publicações e direitos de autor. É evidente que me refiro à época em que encontrar trabalho no Chile, era um duelo de Titãs. O se tinha fortuna pessoal ou famílias com terras que produziam bem e os bens vendidos como mercadoria não apenas sustentavam uma família, bem como para uma família alargada. Tem sido a minha experiência pessoal, usufruída enquanto no Chile morava. Mas com quarenta e cinco anos fora do país e sem mais herança que o meu ordenado, a vida tem mudado redondamente.
Escritores latinoamericanos e poucos europeus-3ª parte. Pablo Neruda

Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, ele deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida. [1] Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La Chascona, feita para o agrado da mulher que amava, Matilde Urrutia e os seus encontros clandestinos. La Chascona, por causa do telhado de totora[2]. Nem pensar que, por poeta, falasse em verso, falava como todo ser humano nascido no centro Sul do Chile, engolindo as consonantes e um cantar típico que compassava as suas frases. [Read more…]
Uma Tragédia Portuguesa:
Não, o título não é sobre os famosos cinco a zero nem eu vou falar de futebol – caso contrário ainda sou expulso do blogue 🙂 – mas sobre um livro que foi hoje apresentado em Lisboa.
Uma Tragédia Portuguesa é um livro obrigatório para quem quer perceber as razões que levaram o país a esta embrulhada: a dívida (externa, das famílias e do Estado), a criação e desenvolvimento do monstro, entre outras. Igualmente fundamental para quem desejar ter umas luzes sobre que caminho seguir para a mudança.
A obra do Prof. António Nogueira Leite com o jornalista Paulo Ferreira foi apresentada ao final da tarde e foi no regresso ao Porto que tive a oportunidade de ler, muito por alto, algumas partes. Por isso, em breve volto ao tema.
Um livro de leitura obrigatória.
(igualmente publicado no Albergue)
Banksy ocupa um museu
escritores latino-americanos e pouco europeus-2ª Parte

Isabel Allende visita Portugal no ano 2000, o nosso próximo Nobel...
Isabel Allende Llona (Lima, 2 de Agosto de 1942) é uma jornalista e escritora chilena (apesar de ter nascido em Lima, sua família logo voltou para o Chile, sua terra natal) actualmente radicada nos Estados Unidos da América.
Filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona. Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973). [Read more…]
Escritores latino-americanos e poucos europeus – 1ª parte
o recriador da escrita latinoamericana, Gabriel García Márquez, Prémio Nobel
Recebi um repto de um meu amigo sobre a literatura Universal. Perguntava quais eram os autores que eu gostava mais de entre todos os que alagam o campo das letras no nosso planeta. Respondi sem hesitar que os ingleses e os alemães. Como não vou comentar sobre nenhum deles, não é um ensaio, é apenas um depoimento. Se me apertam muito, eu diria que Victor Hugo – Victor-Marie Hugo (Besançon, 26 de Fevereiro de 1802 — Paris, 22 de Maio de 1885) foi um escritor e poeta francês de grande actuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras. Livros que causaram o seu exílio às Ilhas de Jersey na Grã-Bretanha, por ser adepto à Comuna de París, o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante à invasão alemã.
Exílio (o repto a um repto a um repto a um repto de um amigo)
O Carlos Fonseca, às vezes, lança-me reptos simpáticos e amigos que eu nem sei se mereço. Desta vez brindou-me com Chico, também Julinho da Adelaide, e desenterrou do baú a saga da MPB dos anos de chumbo e de exílio dos seus criadores.
O Carlos merece que eu encha o meu cálice em sua honra e renove o brinde: esta canção, ou melhor, esta atuação e declarações juntamente com a canção, em 1968, remeteram Caetano Veloso e Gilberto Gil para o exílio londrino em 69.
Um conhecimento razoável da história da música popular bastará para que se perceba uma coisa: não fosse a censura e a contenção de danos (vulgo repressão) e esta música -de que se apresenta um extrato e a ligação para a versão integral – faria os possíveis por incendiar o Brasil de 68. À tua, Carlos.
Chega de Saudade por Chico Buarque e Edu Lobo
A música, a boa música, não tem pátria. É universal, tal como os seus autores (compositores e poetas) e intérpretes.
‘Chega de Saudade’, de 1958, de Jobim e Vinícius, é a música fundadora da Bossa Nova na MPB. Trago-a aqui pela voz de Chico Buarque e Edu Lobo. O Chico é também um cidadão universal, lutador pela liberdade e a justiça social. No tempo da ditadura militar, viveu exilado em Itália. Mas antes de partir ludibriou a censura com o heterónimo Julinho da Adelaide sem ser reconhecido.
A publicação deste vídeo é réplica aos reptos musicais do meu companheiro Pedro (A.Pedro Correia).
O Baú das Músicas Portuguesas – VI
Abram a boca e espantem-se, até com o autor. Portugal 1978, um disco considerado pela Bilboard um dos 100 melhores do rock progressivo de sempre.
A Ler
Vai ser lançado amanhã um novo livro sobre Álvaro Cunhal (Retrato Pessoal e Íntimo) de Adelino Cunha. A não perder.
O Baú das Músicas Portuguesas – V
Desta vez dou mesmo um doce a quem conseguir cantar isto (e já nem peço que seja afinado e sem engasganços).
Simples informação
Mera informação aos amigos do Aventar
Tenho vários livros contendo poemas, mas livros propriamente de poesia tenho dois, ou melhor, quatro, dado que o segundo é um conjunto de três pequenos volumes, com os subtítulos “Poemas do lusco-fusco”, “Poemas de ser e não ser” e “Poemas estoricônticos”. O primeiro livro intitula-se “Esta água que aqui vem dar” e foi editado em 1993, com a prestimosa ajuda do meu amigo Eugénio de Andrade. O segundo tem o título “Nova ponte sobre um velho rio” e é de 2006.
Estou a preparar um novo livro a que darei o título “Vai o rio no estuário”, com subtítulo “versos de braços abertos”. Neste livro, procurarei dar a poemas novos e a antigos que eu resolver reformular, uma nova forma, em que os versos se abrem e se espraiam como os braços de um estuário, tal como em criança eu abria os braços de par em par, quando chegava ao fim da corrida. Porei de lado o velho conceito de estrofes e a sua classificação quanto ao agrupamento de versos, versos que não submeterei a metrificações, encadeamentos e rimas previamente concebidos em esquemas. Uma espécie de versos livres, versos ao calhas, ao sabor do vento suave que afaga as águas de um estuário.
Procurarei fazer com que os poemas que doravante o Aventar fará o favor de publicar (deixo aqui lugar a uma ou outra excepção) obedeçam a este princípio. Tudo isto porque há muito me sinto um tanto enjoado com a poesia que por aí se faz e se consome. Talvez porque, embora tarde, comece a ter consciência das margens apertadas do meu rio e a sentir a atracção da liberdade de abrir os braços no fim da corrida.
Darei aqui um exemplo do que pretendo tentar fazer: [Read more…]
Uma obra heróica: Luísa Correia

Jamais fui apresentado à Luísa Correia, mas conheço, agradecido, a sua obsessão por nos mostrar aquilo que por muito que tentemos à vista desarmada, não conseguimos lobrigar. Todos os dias pelas ruas deambulamos quase cabisbaixos e não colhemos qualquer benefício do ambiente quase miraculoso em que vivemos. Perspectivas desconhecidas, uma quase indecente beleza que une pedras, plantas e animais, a luminosidade proporcionada por uma paleta de cores que se torna indescritível a cada foto que passa. Não há lugar para qualquer manipulação técnica, ou retoque de postal destinado ao turista. Na obra da Luísa, tudo é autêntico e sem subterfúgios, pois a autora apercebe-se do real valor que os construtores da cidade, talvez na sua maioria inconscientes da sua contribuição para um legado que nos une, foram ao longo de séculos acrescentando à nossa riqueza arquitectónica.
O Nocturno é um blogue de uma categoria dificilmente igualável, amesquinhando ou reduzindo a pó, tudo aquilo que possamos escrever acerca das aterradoras notícias que vão pingando em constantes chuviscos molha-tolos, anunciando a inevitável tempestade final que se aproxima a cada dia que passa.
Dia após dia e mercê do exaustivo trabalho da Luísa, deparamos com uma visão imperial bem diferente da regra europeia de amplas e arrebicadas avenidas, destinadas ao cerimonial que impunha o auto-satisfeito respeito interno e o temor no visitante que logo ao seu país regressava. Aqui, neste centro geográfico do Ocidente, existe essa grandeza despreocupada com convenções, denotando-se a liberdade dos edificadores e um caos organizado que nos deu afinal, a dimensão humana que outras capitais de igualmente extintos impérios, definitivamente não possuem.
A Luísa é uma benemérita e artista do maior valor, em nada ofuscada pelas obras a nós deixadas por outros amantes de Lisboa, que como Botelho ou Maluda, ofereceram sempre beleza, fazendo-nos esquecer o desleixo, a ruína, o negócio torpe e a infâmia iconoclasta de quem se alça a gestor da cidade.
Esqueçam a crise por umas horas e visitem o Nocturno. É um Museu quase desconhecido.



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