Presidenciais (2): os resultados em Gaia

O Aventar é um espaço com história na blogosfera e creio que parte do seu sucesso resulta da nossa (in)capacidade de trazer à antena, visões que, quase sempre, ficam à margem das redacções. Tenho procurado promover essa característica trazendo Vila Nova de Gaia para o Aventar. Tenho um novo camarada geográfico e mesmo correndo o risco de tornar Gaia mais famosa que a Trofa, parece-me que é importante mostrar uma outra realidade.

Há de facto um lugar comum por estes lados que, confesso, tem pouca adesão com a realidade, até porque o Paulo numa dupla postagem, comete uma contradição – retira aos dirigentes nacionais do PSD o sucesso da vitória de Marcelo, mas depois atira para o PS Gaiense a responsabilidade pela derrota. E, nestas coisas, ou há…

Vejamos a história:gaiapresidenciais

  • Cavaco foi eleito com 50.64%, para voltar a ganhar, há 5 anos, com 52.95%. Em Gaia, começou por ter 46, 63%, para depois ganhar com 50.63%. Passou de 71568 votos para 62194 votos. Em ambos os casos, nada de muito diferente entre os resultados do país e do Concelho.
  • Sampaio, por sua  vez, nas primeiras Presidenciais deste século, teve 71236 votos em Gaia, 4 pontos percentuais acima do resultado nacional.

Não creio, ao analisar estas três eleições, que se possa concluir uma diferença significativa no comportamento eleitoral de Gaia. Mas, vejamos alguns dados relativamente às legislativas no presente século: [Read more…]

Se não erra, o Correio da Manhã mente

Ontem, na sequência das suspeições lançadas pelo candidato presidencial Cândido Ferreira, num trabalho de investigação carregado de labor jornalístico, o CM noticiou que “Suiça valida falsa licenciatura de Nóvoa“.

Hoje, sob o inefável título “Nóvoa diz que tem curso na Suiça“, afirma que “Sampaio da Nóvoa confirmou ontem, em resposta enviada ao CM, que a única licenciatura que possui é o diploma em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, em 1982“.

O leitor assíduo do jornal terá, perante isto, que gerir quatro caóticas dúvidas: então a falsa licenciatura foi tirada na Suiça? Ou é mesmo verdadeira mas a única que possui? Se sim, será que é preciso mais do que uma licenciatura para que um cidadão se candidate à Presidência da República? O Tino de Rans terá quantas licenciaturas?

A confusão desvanece-se um pouco com o período seguinte: “Tal como o CM avançou, em Portugal, o candidato frequentou um curso superior no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1976, mas que não confere o grau de licenciatura.

Dirá o leitor do CM, se Sampaio da Nóvoa tem uma licenciatura em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e não tem nenhuma licenciatura em Portugal, provavelmente a lei exige que os candidatos à Presidência da República tenham concluído os seus estudos superiores em território nacional.

Não, afinal não é isso.”Sampaio da Nóvoa explica ainda que conseguiu fazer a licenciatura, na Universidade de Genebra, em apenas dois anos porque era um aluno exemplar” Diz ele ao CM que “o curso não tinha uma duração fixa. No meu caso, devido à dedicação total e exclusiva ao curso, consegui concluí-lo em dois anos. É esta, como referi, a minha única licenciatura“.

E é assim que, não havendo na realidade qualquer notícia, fica o caldinho feito para que o leitor crie a sua, fazendo a síntese: Dois anos? Ah, então a licenciatura foi uma borla. Se assim foi, não admira que o homem tenha dois doutoramentos! E que, para os conseguir, os tenha ido buscar, à sorrelfa, lá fora! O primeiro, claro, na Universidade da licenciatura, fica tudo em casa, não é?, e com classificação máxima, como convém para espantar a caça. E o segundo na Sorbonne, pois, e já sabemos como os franceses aceitam teses que nem são escritas pelos próprios. Assim também eu sou reitor, etc.

Há uma norma no Código Deontológico do Jornalista português que diz o seguinte: “5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas.”

Ao não corrigir a notícia da véspera (ela sim, falsa, não a licenciatura) e ao tentar endrominar os leitores apresentando os novos dados como uma confirmação daquela (“tal como o CM avançou, em Portugal, o candidato frequentou um curso superior no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1976, mas que não confere o grau de licenciatura”, como se essa fosse a verdade do dia anterior), o CM demonstra que não faz jornalismo, antes descarada mente quando lhe dá na real gana.

 

 

Carta do Canadá: Fujões, passarões e confusões

Quarenta anos na vida dum país, são para levar a sério porque esse tempo passou, inteirinho, por cima de cada um dos seus cidadãos.  Quarenta anos em cima duma pessoa, pesam, às vezes de forma dramática.  Por isso não é de aceitar que fujões e passarões, que os há sempre numa grande geração, apareçam como se não fosse nada com eles, todos airados, a gozar com o povo. Principalmente quando é público e notório que governaram a vidinha comendo regaladamente do que é de todos e nunca tendo levantado um dedo para denunciarem quem corrompe, antes frequentando muito a alta roda dos corruptos.

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A campanha de Marcelo: Pedro Duarte, um táxi, dois carros e oito pessoas

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A campanha do Professor Marcelo Rebelo de Sousa será com toda a certeza a mais espartana da história da nossa democracia.

A escolha para director da sua campanha vai de encontro àquela que foi, desde o início, a linha orientadora da sua candidatura.

O Director de Campanha é o meu estimado amigo Pedro Duarte, ex-deputado e secretário de estado, desempenhando actualmente as funções de director na Microsoft.

Talvez a escolha do Prof. Marcelo não tenha sido por acaso.

Pedro Duarte é muito discreto, mas extremamente eficiente. É uma pessoa honesta, acima de qualquer suspeita, inteligente, com pensamento próprio e visão estratégica.

É um jovem quadro do Partido, que esteve afastado do consulado liderado por Pedro Passos Coelho, em quem muitos sociais-democratas depositam muita esperança em relação ao futuro do PSD.

Portugal, the way forward? Dois países?

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Estive a ler com cuidado um documento produzido pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da dívida Pública) – denominado “Portugal: the way forward”, a instituição responsável pela gestão da dívida pública, com a data de 8 de Janeiro de 2016. É um documento verdadeiramente surpreendente. Recordo que esta agência é tutelada politicamente pelo Ministério das Finanças, pelo que a Presidente do IGCP (Isabel Casalinho) deve ter validado este documento com o ministro Mário Centeno: qualquer outro cenário não faz o menor sentido. Não é só a questão da tutela política. É que o IGCP tem como missão garantir o financiamento do Estado nos mercados internacionais e garantir que ele se faz nas melhores condições, o que é particularmente crítico neste momento em que existem “conflitos” com investidores devido às recentes decisões no Banif e no BES, mas também porque a dívida do Estado é muito alta (superior a 130% do PIB) o que gera desconfiança sobre Portugal. [Read more…]

J’Accuse, agora e sempre

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Foi a 13 de Janeiro de 1898 que Émile Zola publicou o seu “J’accuse” no jornal Parisiense Aurore. Uma carta aberta ao Presidente da República Félix Faure onde era denunciada a injustiça do julgamento e prisão de Alfred Dreyfus, oficial francês e judeu, acusado de traição (e efectivamente condenado por isso). Excepcionalmente, numa época em que o anti-semitismo estava absolutamente disseminado pelas sociedades europeias,  Zola teve a humanidade suficiente para perceber a imoralidade – e o perigo – do preconceito, denunciando o anti-semitismo do governo e dos oficiais que trataram do caso.

A seguir à publicação da carta, Zola foi condenado a pena de prisão. Fugiu para Inglaterra onde continuou a lutar por Dreyfus que tinha sido enviado para o exílio numa ilha na Guiana Francesa. Mais tarde, em 1899, Dreyfus regressou a França e ofereceram-lhe um perdão – por um crime que não tinha cometido. Em 1906, foi oficialmente exonerado tendo-lhe sido atribuído a Legião de Honra.

Zola morreu em 1908 e Dreyfus estava presente aquando a transferência das suas cinzas para o Panteão nacional.

Versão Portuguesa da carta.

 

O Governo não concorda e o BCE não aprovou nem exigiu?

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Depois da reclassificação de dívida sénior do Novo Banco para o BES, de que falei aqui e aqui, e depois da conflitualidade que era previsível por parte dos investidores internacionais, surgem hoje duas notícias absolutamente surpreendentes:

  1. A Bloomberg reporta que o novo Secretário de Estado das Finanças disse na 2ª feira, numa reunião com investidores, que não concordava com essa medida, mas que não fez nada para não colocar em causa a independência do Banco de Portugal;
  2. O Banco Central Europeu vem esclarecer que “não exigiu nem aprovou” essa medida, atirando a responsabilidade para o Banco de Portugal e para Carlos Costa.

Não sei qual é a ideia, muito provavelmente é tirar de vez o tapete a Carlos Costa. Mas atenção, com as coisas feitas assim fica a ideia/imagem de balbúrdia e de que em Portugal ninguém manda. Nada é pior para a confiança.

 

Link adicionado às 19:12:

http://expresso.sapo.pt/economia/2016-01-13-Mercado-fecha-a-porta-aos-bancos-portugueses-4

No ERSEhole dos outros é refresco!

 

ARSEHOLE

A redução de 6%, ou de 13% para os consumidores “economicamente vulneráveis”, que representaria o expurgo da Contribuição para o Audiovisual (CAV) da factura da electricidade e a sua “passagem para o universo das comunicações”, almejada pela ERSE corresponderia nem mais nem menos do que ao exorbitante “desconto” de € 2,81 por mês por alojamento com consumo acima dos 400 kw anuais (os consumos inferiores estão isentos).

A medida, que surge no programa do governo após negociação do PS com o BE, PCP e Verdes, inspirada pelos spinners do sector energético como solução para diminuir o montante da factura da electricidade, teria no entanto como efeito, para manter a receita da RTP (condição de concretização inscrita naquele programa), um aumento muito maior na factura das telecomunicações, cuja universo “taxável” é muito menor e muito mais flutuante. Ou seja, os cidadãos com televisão por subscrição veriam agravado o montante actual da CAV e, juntando a factura eléctrica e a das comunicações, pagariam no total muito mais do que pagam hoje! A esperteza saloia em todo o seu esplendor…

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A demagogia da letra D em Gaia

psdgaiaVila Nova de Gaia é uma terra fantástica para se viver e só as condicionantes financeiras estão a impedir uma afirmação da sua vitalidade de forma ainda mais visível, apesar do que tem sido feito nos últimos tempos. Não fico, por isso, surpreendido com a posição do PSD nos últimos dias. Até há uns dias, o líder do PSD Gaia era Firmino Pereira, um homem sempre presente na gestão de Menezes e de Marco António. Não se conhece uma única tomada de posição pública sobre o desastre financeiro que essa dupla nos deixou. Antes pelo contrário.

No entanto, o agora senhor deputado, não se inibe de aparecer publicamente com posições, no mínimo demagógicas criticando uma gestão que tem procurado colocar ordem nas contas da autarquia.

O já famoso caso da VL9 para além do absurdo da multa ao Presidente da Autarquia, obriga a Câmara a pagar 13,9 milhões de euros. Ora, qualquer pessoa percebe o peso deste número no orçamento municipal  – são 10%. Publicamente, o PSD veio questionar a decisão de Eduardo Vítor Rodrigues de recorrer a medidas de saneamento financeiro, mas sem fazer, mais uma vez, qualquer referência ao desastre que deixou a todos os que vivem em Gaia. [Read more…]

Televisão: Ao fim e ao Cabo

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(suplemento Ver da revista Evasões/JN/DN, 8/1/2016)

Num dos últimos encontros do Aventar falou-se de audiências e dos canais da cabo. Uma vez mais, estranhei a surpresa dos presentes (pelo menos de boa parte) perante os números. Curiosamente, é algo que sempre acontece quando falo sobre isso com terceiros. Ora vamos aos números.

Segundo a publicação “Ver” da revista Evasões (JN e DN) desta semana (página 24, 8/1/2016) a média de espectadores dos 10 canais mais vistos nesse período foi a seguinte:

Em 1º o Canal Hollywood com 48.900; em 2º temos a SIC Notícias com 44.800 e em terceiro o AXN com 37.200. Já agora, nos 10 primeiros temos quatro canais para crianças (Disney Channel, Disney Junior, Panda e Cartoon Network) e em 10º lugar a CMTV (Correio da Manhã TV) com 20.200 espectadores (os mesmos da RTP3). Permitam-me que destaque um pormenor importante:

A CMTV da Cofina (Correio da Manhã, Sábado, Record) estar em 10º lugar é muito bom pois ainda só está na MEO. A partir de meados deste mês (penso que dia 16) chega à NOS e assim passa a estar disponível em 85% dos clientes de televisão por cabo em Portugal. Ou seja, a CMTV consegue estando apenas na MEO ter a mesma audiência da RTP3 que está em todas e cerca de metade da audiência da SIC Notícias (que também está em todas). Daí não estranhar que os seus responsáveis apontem à liderança da cabo em Portugal até ao final do ano. Surpreendente, tendo em conta os actuais números, era não o conseguir.

Ou seja, as audiências dos principais canais da cabo não são idênticas ao que sobre elas se pensa. Para quase todos os meus amigos e conhecidos, estes são valores muito abaixo daquilo que julgavam. Se é verdade que a cabo lidera as audiências em Portugal, os hábitos de consumo de televisão continuam a ser os mesmos de um passado recente (TVI, SIC, RTP1). A grande diferença está na forma como uma parte dos espectadores se dispersa pelos vários canais. Uma parte. Não todos nem tão pouco a maioria.

Debate Costa vs. Passos fez cair consumo de pornografia

Em 6%. Há que saber qual é o sucedâneo, se o debate, se a pornografia. Mas o mais intrigante é perceber porque raio 94% dos utilizadores portugueses de internet ainda preferem o softcore.

FCP: O Complexo Basco

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(Este post foi originalmente escrito numa página de grupo privada de adeptos do FCP nas redes sociais depois da derrota com o SCP. Não era para ser publicado no Aventar mas a pedido de muitos decidi colocar aqui a minha opinião. Actualizada fruto dos últimos acontecimentos)

Para muitos este é um post sobre futebol. Para alguns é um pouco mais do que apenas um post sobre futebol.

Mesmo fazendo um enorme esforço não me lembro do momento exacto em que me tornei portista. A influência do meu pai foi fundamental. Recordo-me do velho rádio onde ouvia os relatos (o Quadrante Norte), das disputas na primária com outros miúdos que eram adeptos do Benfica. E depois, a promessa do meu pai de que aos 10 anos me faria sócio do Porto. E assim foi. Mais tarde vieram os primeiros jogos em que fui autorizado a ir sozinho para o Estádio das Antas, depois com os amigos. As alegrias, as tristezas. E 1987. O ano de Viena, do calcanhar do Madjer, as fintas intermináveis do Futre, do eterno capitão João Pinto agarrado à Taça dos Campeões, da cidade do Porto virado do avesso sem esquecer a loucura vivida em pleno cruzamento da Areosa. Os anos oitenta foram intensos. Não estávamos habituados a tantas vitórias. Já os anos noventa foram de vitórias atrás de vitórias. O início deste século foi um verdadeiro regalo: Taça UEFA, Liga dos Campeões, Liga Europa, domínio absoluto a nível nacional, Mourinho, Deco, André Villas-Boas, etc, etc, etc.

Ao longo destes anos o Porto conquistou títulos, lançou jogadores e fez milhões com receitas de todo o género e feitio. Em todo este percurso iniciado no final dos anos setenta passaram por aqui inúmeros jogadores e vários treinadores. Mas existe algo que fez a diferença: Jorge Nuno Pinto da Costa. Liderou o FCPorto e fez uma autêntica revolução. O clube e todos os seus adeptos devem-lhe muito. Ele personifica o FCP vencedor.

Foram poucos, muito poucos, os pontos onde falhou.

Em todos estes anos (mais de três décadas) de liderança ser um tremendo desafio encontrar falhas é algo verdadeiramente impressionante. Claro que existem. Todos as temos e ninguém é perfeito. Nem ninguém vive eternamente. Embora Jorge Nuno Pinto da Costa tenha conseguido com todo o mérito ficar eternamente na história do Futebol Clube do Porto. Só que o tempo é implacável. Para todos nós, sem excepção.

Nem tudo são rosas nos últimos 10 anos do FCPorto no que toca à situação financeira do clube. Em 2004 o passivo do clube rondava os 82,8 milhões de euros. Em 2013 atingia os 220 milhões. Contudo, nesse período, as vendas de jogadores e treinadores foram superiores a 320 milhões de euros. Em 2014/15 o passivo do FC Porto subia de 220 para 276 milhões.

Ao mesmo tempo, no mesmo período, o Porto batia todos os recordes de vendas de jogadores somando mais de 100 milhões em apenas uma época.

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O homem da vermelhinha

Eu como professor de direito teria muita dificuldade em dizer duas coisas diferentes sobre a mesma questão jurídica“. Ok. Mas um Presidente da República pode dizer o que quiser. Por isso é que Marcelo já era Presidente da República antes de ser professor de direito. E de nascer.

Sobre a Dívida Direta do Estado

A 30 de Setembro de 2015, a Dívida Direta do ESTADO PORTUGUÊS em VALOR ABSOLUTO era de: 225 722 862 435,04 €
Recordo que em Portugal vivem 10 487 289 pessoas e o PIB era, no final de 2014, igual a 173,4 mil milhões de euros.

Tendo por base a informação disponível elaborei este slide, nos quais procurei colocar a informação sobre a dívida direta do Estado, em valor absoluto, bem como informação sobre quem era PM e quem era PR. A análise é algo simplista, mas permite ter uma ideia geral. Simplista, porque ao longo dos anos, nomeadamente desde 2011, muita dívida escondida passou a estar no perímetro orçamental, e existiu ainda o resgate feito pela Troika cujos efeitos na dívida se fizeram sentir nos anos a seguir a 2011.
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Os professores também mentem

Marcelo desiludiu e mostrou a face que os mais inteligentes lhe conhecem. De caretas. Homem da televisão, homem da rádio, homem da imprensa escrita, esqueceu-se que na era da internet, todos podem facilmente com um clique fazê-lo lembrar das incongruências ditas no passado em relação à opinião manifestada no presente. A cair a pique na consideração daqueles que “tanto gostam de o ouvir”…

Serei o único

a crer que Paulo Morais já mete nojo? Todos já sabemos que Portugal é um país cheio de corrupção. Que a corrupção começa nas altas esferas do Estado. Que as sociedades de advogados metem gente no parlamento a anuir publicamente todos os contratos por elas\eles celebrados com os privados para lesar o estado. Que os governos estão minados de gente inserida pelos grupos de pressão maçónicos da alta finança, da elite empresarial deste país. Paulo Morais engoliu uma cassete e anda há anos a bater na mesma tecla. Nunca acreditei muito nos movimentos sociais deste país porque todos tem um objectivo subliminar que é o de rapidamente se constituirem como força política. Raramente vemos um movimento social em Portugal cujo objectivo seja apenas pugnar pela execução política (de fora para dentro) das suas ideias. Não acredito também nos papagaios que são constantemente chamados a papagear nas televisões. Sede de protagonismo é quase sempre a tónica que os move.

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Primeira chalaça de 2016

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2016 começou com um fantástico serviço público televisivo. Como sempre. Enquanto a RTP 1, transmitia um formato exclusivo e único na televisão portuguesa no qual dava a volta ao mundo no que a festejos diz respeito, com 3 apresentadores de quinta categoria a encher o bandulho dos telespectadores (a contar pelos tuits que eram publicados num banner de rodapé, o programa estava basicamente a ser visto por emigrantes nos Estados Unidos e Venezuela) com as passagens de ano nas maiores praças do mundo, a TVI, sem orçamento ou ideias para fazer melhor, limitou-se apenas a retratar as pitorescas passagens de ano nas capitais de distrito onde hordas de incontroláveis carrascões eram incapazes de sibilar “melhores desejos” para 2016 do que ganhar o Euromilhões, ou quiçá, não terminar a noite nas urgências por causa do mosto. A TVI conseguiu, pelo menos, divertir-me na primeira hora do novo ano. Não só pelas pielas em directo, mas também pela actualização do número de mortos na estrada e pelo fantástico rebento que saiu da terra aos primeiros minutos de 2016: uma fantástica, diria, batata de classe Laura, de 3 toneladas e 680 kg de peso. A julgar pelos números da coisa, estamos perante um novo que ser que porventura irá alimentar, no futuro, alguns milhares de bocas. Cuidado com os piropos.

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Um bom 2o16!

 

Peca por tardio, mas o que vale é a intenção.

O meu desejo para 2016 – a erradicação da precariedade

Uma das pessoas que me é mais próxima, concluiu os estudos superiores em 2016. Fez-se a festa rija. Esticou-se um bocadinho no orçamento mensal e até se abriu uma garrafa de espumante da região do Dão. Afinal de contas, foram 3 meses de sofrimento: para mim, stressado no trabalho numa empresa subsidiária de uma grande multinacional e para ela, às voltas com uma cadeira que tinha em atraso há dois anos: Introdução à Contabilidade. Nos meus intervalos de tempo, lá fui, com paciência de Jó mostrando o que era um crédito, um débito, um par de rubricas, acrescenta dali e tira daqui, uma demonstração de resultados, um EBIT, um EBITDA. Passou. Concluiu. 14! Well done.

Sem delongas, demorou meia hora a fazer-se à estrada do mercado de trabalho. Sem cair no surrealismo bacoco de procurar exclusivamente emprego na área lá se fez à estrada. Mais de 30 curriculum enviados por dia. Uma experiência mal sucedida. O desespero total, quando, a uma sexta-feira me chega a casa a dizer que no dia seguinte, ia trabalhar numa daquelas pragas associativas que andam por aí a pedir para a AMI e para a Unicef.

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Lembram-se da mensagem de Ano Novo de Cavaco?

Findo 2015, bateu a bota com a perdigota? Pedia portanto Cavaco que os partidos preparassem com 9 meses de avanço o período pós-eleitoral, o mesmo que 9 meses depois iria gerar um impasse de mais de 50 dias.

 

Refletindo sobre o Banif e BES. Mais perguntas.

A propósito do artigo “Porque não um bail-in?“, gostaria de deixar mais algumas perguntas e reflexões suplementares, nomeadamente, sobre o impacto que tudo isto pode vir a ter – com elevada probabilidade – no contribuinte, na imagem e confiança em Portugal, e no nosso futuro a médio e longo prazo. Eu gosto de fazer perguntas e procurar respostas. Isso é saudável, recomendo mesmo que todos o façam, pois isso pode ajudar a evitar calafrios futuros e faturas surpresa gigantescas para pagar pelo contribuinte.

A verdade é que alguns meses depois da resolução do BES – feita a 3 de Agosto de 2014 -, o Banco de Portugal vem agora assumir que não foi eficaz na capitalização do Novo Banco, isto é, fez mal as contas. Na decisão de ontem e em complemento da resolução do BES, o Banco de Portugal alterou a decisão original (diz agora que faz um complemento) e reclassificou a dívida sénior passando-a do Novo Banco para o BES (Banco Mau). Com isso resolve problemas atuais de balanço, reduzindo o passivo em 1985 milhões de euros, antecipando de forma parcial a nova Diretiva Europeia de bail-in e contrariando as decisões de 3 de Agosto de 2014. Ora, parece evidente que no caso do Banif – onde se faz um intervenção com dinheiro dos contribuintes e de investidores – e agora do Novo Banco – recorrendo somente a investidores -, o Banco de Portugal não quis que ficassem sobre a alçada da nova diretiva Europeia de bail-in (entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2016). Porquê?

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O piropo e a desgarrada

Notícia destes dias, a propósito de aditamento ao artigo 170º do Código Penal. Por proposta da dupla PSD/CDS-PP, os chamados piropos passaram a ser criminalizados, ou seja, “ pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal”.

Uma deputada do PSD, disse, a propósito, que “as mulheres e as meninas estão muito mais defendidas”. “Praticamente todas as coisas que são ditas na rua para importunar as mulheres, tudo aquilo que é ordinarice, fica assim criminalizado. “

Lembrei-me logo das desgarradas  minhotas! Qualquer dia temos que as propôr a  Património Mundial Imaterial da UNESCO!

Pérola

Cavaco Silva na passagem de ano de 1995 para 1996.

À atenção de Centeno

NOS, MEO, Altice, Porto, Benfica, Sporting, cedência de direitos televisivos, publicidades nas camisolas, namings, 475,5, 500 milhões…

Gosto muito de futebol. Gosto muito de desporto. Passo horas em frente à tela a ver tudo o que posso e há 8 anos que escrevo diariamente num diário muito pessoal aquilo que vou lendo, vendo, sentindo sobre desporto. Vejo muito futebol (seguramente uns 10 jogos por semana), muito ciclismo, basquetebol, desportos de inverno, rugby e andebol. Tenho seguramente mais de 50 mil páginas nesses diários, lavra que, quiçá, dentro de algumas décadas poderei compilar em vários livros, ajudando as gerações vindouras a melhor compreenderem o fenómeno desportivo deste início de século.

Percebo e percebo muito bem que os níveis de consumo dos clubes desportivos atingiu um limiar de ruptura desde há 15 anos para cá.  [Read more…]

Mais um assassinato no SNS

O de um cidadão de 74 anos do Algarve, vítima de um AVC isquémico. 6 (inenarráveis) horas de espera nas urgências no Hospital de Faro até ser enviado o pedido para o São José que o recusou por falta de meios, acabando por ser transferido várias horas depois para os HUC onde viria a morrer. Levanto as mãos aos céus e pergunto-me como é que é possível que um doente com uma patologia que mata em minutos demore horas e cruze metade do país à espera que um hospital o aceite?

E o Ministério Público continua a dormir…

Dividir para reinar

A 5 dias de um clássico que pode dar, em caso de vitória, uma moral adicional ao vencedor e, no caso do FC Porto, a maior vantagem pontual e moral da temporada sobre o Sporting, parece tudo coincidência, mas não é se não conhecessemos o modus operandi comunicacional de um certo clube do Norte. A Jorge Jesus é perguntado se um dia gostaria de treinar o FCP no mesmo dia em que os jornalistas do mesmo jornal perguntam a Pinto da Costa o que acha sobre o técnico e no mesmo dia em outro jornal, vocacionado do ponto de vista editorial para espalhar a semente da propaganda do clube do Norte dá como certo Carrillo no Porto no final da temporada e continua a dar ênfase à dívida que o Sporting terá que pagar ao fundo Doyen Sports (principal parceiro do FCP na aquisição de jogadores) devido à decisão judicial do TAS num processo em que o FC Porto, entidade exterior à transferência de Marcos Rojo, entidade que nada tem a ver com o assunto foi testemunha directa da Doyen no processo.

De fininho, o sistema continua a mexer-se com eficácia. Não nos poderemos esquecer que no Dragão vive-se um ano de tudo ou nada. O investimento financeiro que foi feito nos últimos dois anos tem que dar em título e tem que dar em Champions. Caso contrário, nas próximas duas temporadas, vai haver seca…

Prémio Cara de Pau 2015

Cara de pau

Passos Coelho foi um covarde. Maria Luís Albuquerque foi relapsa. Ambos foram calculistas, não quiseram pôr em risco a “saída limpa”.Enganaram a troika. Enganaram-nos a todos. Foi por isso que o BES estoirou um mês depois de a troika sair, quando seis meses antes as autoridades já sabiam, mas esconderam, que as contas do GES estavam aldrabadas? Saída limpa com mãos sujas. Em vez de ter ido à TVI com o impudor de uma suprema cara de pau, Maria Luís devia ser readmitida como ministra das Finanças só para ser demitida a seguir.

por Pedro Santos Guerreiro, esse perigoso ideólogo esquerdalho da mais extrema da extremas-esquerdas.

Imagem via blogue Portal no Ar

A elegância da cegueira

“Pedro Passos Coelho – Pelo que fez nestes quatro anos. Foram anos para muita gente de sofrimento e miséria. Mas tudo teria sido pior sem a tranquilidade e constância do primeiro-ministro. Não houve nada que a esquerda não dissesse sobre ele: não houve insulto, nem calúnia, nem mentira que não saísse da sua habitual grosseria e desonestidade. Passos Coelho aguentou tudo e transmitiu ao país, no meio da catástrofe em que o meteu o PS, alguma confiança e algum ânimo. Merece o nosso respeito.” – Vasco Pulido Valente em “Os Melhores do Ano” – publicado na edição de hoje do Jornal Público.

Vasco Pulido Valente, ele próprio, de pena em riste, a escrever enquanto molha o 1001º Sonho da noite em Vinho tinto de Chipre.
Quem ler estas palavras ficará a imaginar que Passos Coelho, aquele que tudo aguentou, que tudo desmoronou, que tudo omitiu, que tudo trapaceou, que tudo escondeu, que economicamente tudo rompeu, foi de facto um grande Estadista, estoico até à medula. [Read more…]

Banif: preste atenção, este é um caso muito sério

O caso Banif é escandaloso e intrigante. Escandaloso pelos valores envolvidos, perto de 3 mil milhões de euros para resolver um banco menor, que não tem dimensão sistémica e que representa 3% do mercado nacional (é o 8º banco do país), pela sequência de eventos e pela precipitação dos últimos dias. Intrigante, porque há demasiadas coisas que não encaixam. Estive a estudar, apesar de ainda de forma algo superficial, a sequência de eventos e a diminuta documentação que é pública. Li muitos artigos na comunicação social, ouvi debates com vários intervenientes, desde políticos a pessoas ligadas a instituições bancárias, li e ouvi com espanto e indignação a reação de António Horta Osório exigindo uma auditoria externa ao país, ouvi as várias declarações públicas e ouvi, com muita atenção, a entrevista do Presidente do Banif – Jorge Tomé – ao jornalista José Gomes Ferreira no programa “Negócios da Semana” da SIC-Notícias.

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Dualidade de critérios

Os bancos que estoiram ao final da tarde de sábado tem que esperar até segunda-feira para serem assistidos pelo Estado?