Marco António Costa fala em “ambiente excepcional” e na inexistência de problemas no seio da coligação mas não há meio da malta do CDS aparecer na apresentação da biografia encomendada do Passos. Será que mandaram SMS a agradecer o convite?
É o ajustamento estúpido!
Imaginem que tinha sido bem sucedida
“Pires de Lima. Greve dos pilotos da TAP, apesar de “fracassada”, causou €35 milhões de prejuízo.” (Expresso)
Prós e Circos
É difícil reestruturar toda esta experiência circense que acabei de ver (parcialmente vá lá, que hoje era dia de Game of Thrones e um homem tem que distrair o pensamento com alguma coisa) e recuso-me terminantemente a puxar atrás e assistir de novo ao triste espectáculo que passou na RTP. Aquilo que vi foi suficientemente esclarecedor.
O tema era a TAP. A TAP, a TAP, a TAP. Às vezes parece que a estratégia para convencer os portugueses a apoiar a privatização da empresa passa pelo massacre via bombardeamento de informação. Toda a gente discute a privatização da TAP. Eu faço parte das 42 pessoas no país que não tem opinião formada. Quer dizer, por um lado até prefiro ver a TAP privatizada do que outras empresas como os CTT. E digo que prefiro porque não tenho grandes alternativas na medida em que a maioria dos portugueses que votaram em 2011 legitimam este governo para o fazer. E este governo quer muito vender a TAP. Parece é não haver muita gente que a queira comprar. Tirando o senhor Efromovich claro. Outros estarão à espera da última fase dos saldos, altura em que as promoções atingem o seu preço mais baixo, eventualmente uma liquidação total. Tudo incluído, aviões e aqueles carrinhos que transportam as bebidas e o snack, a coisa há-de ficar ali nuns 100 milhõezitos. O BPN custou um Hulk, a TAP vai ficar pelo preço do Cristiano Ronaldo.
Uma religião chamada Inglaterra
Experimentem pisar a vaca a um hindu, desenhar Maomé em frente de um crente, ou dissecar o sistema eleitoral britânico estando ao alcance das direitas: a reacção será a mesma.
Compreende-se, porque a suposta superioridade da democracia inglesa quando tropeça lhes estraga todo um enredo, o da superioridade de um país que continua a colonizar outros, onde o princípio elementar de que todos os homens nascem livres e iguais ainda esbarra na persistência da nobreza, a pátria dos tablóides e de Alan Turing,
Vamos a factos: o sistema pode ser antigo, e foi muito avançado em seu tempo. Não o é hoje, porque invoca a criação de maiorias em detrimento da representatividade, fazendo do parlamento uma anedota (e vá lá, a Câmara dos Lordes, esse supremo exemplo da autoridade aristocrática, já não é o que foi). E porque há sondagens, que condicionam a votação.
Vamos a evidências: a contagem de votos na Venezuela é supervisionada por observadores internacionais: [Read more…]
Pilotos, Responsabilidade e Cerveja
Meditações na Cervejaria
(com a devida vénia à Ana Cristina Pereira Leonardo e ao seu blogue “Meditação na Pastelaria”)
Tenho andado a ponderar bastante sobre o tema da Responsabilidade, no sentido ontológico-ético-político-geográfico e cheguei à seguinte conclusão sustentada (pelo menos tão sustentável como as conclusões do Passos Coelho, do Pires de Lima – ministro da Cerveja – e restantes apêndices do Governo; da Helena Matos, do João Vieira Pereira, do José Manuel Fernandes e do Camilo Lourenço):
– A responsabilidade pela presente situação que o país atravessa é integralmente imputável aos Pilotos!
– Aos Pilotos da TAP? perguntarão alguns de forma enfática. [Read more…]
Eduardo Catroga e o elogio do bloco central
Foto@Puxa Palavra
Eduardo Catroga, um dos maiores beneficiários da ascensão de Passos Coelho, apesar da aparente falta de tempo para exercer as funções inerentes ao tacho cargo para a qual foi nomeado, deu uma entrevista ao jornal Público na qual afirmou que o PSD devia pedir desculpa aos portugueses por não ter reduzido a despesa pública e pelo “colossal aumento de impostos“. Acrescentaria que o primeiro-ministro nos deve vários outros pedidos de desculpa (que não irei agora enumerar na medida em que tal me obrigaria a alongar em demasia), nomeadamente pela transformação de antigos conselheiros e profissionais do spin em boys com privilégios a mais para um país onde, como referiu e bem Catroga, a despesa publica continua descontrolada e a carga fiscal é colossal.
Postal de Pamplona (Iruña) #3
«Si nos roban el futuro, asaltaremos el presente»
Pamplona está muito mais bonita do que me lembrava. E mais ‘roja’. E mais feminista. Nisto as cidades não são como as pessoas, quero dizer, algumas cidades e algumas pessoas. Em qualquer caso parece-me que as cidades envelhecem melhor que as pessoas. Pamplona está mais bonita agora que há 19 anos. Ou se calhar sou eu que a vejo com olhos diferentes. Olhos de alguém que já não tem 29 anos e tem muito mais paciência. E calma. E menos certezas. E tudo isso que é necessário para apreciar melhor as coisas. Algumas delas, pelo menos. [Read more…]
Pau para toda a obra
“Estamos dispostos a estabelecer acordos com o PP, o PSOE e até com o Podemos.” – Albert Rivera, líder do Ciudadanos (El País)
Eileen Kramer, um exemplo de longevidade
Novo Jornalismo
Onde Política e Gastronomia se cruzam
Com um Cavaco na Presidência e um Coelho a primeiro-ministro muitos OCS se aperceberam
das grandes poupanças a fazer na Editoria de Política.
Na conjuntura que atravessamos, em que a “fusão” está presente em todas as áreas do saber e da cultura, nada mais lógico que “encolher” a Política e “expandir” a Gastronomia, mantendo os ingredientes, perdão, os intervenientes na ribalta. Assim é mais infotainment!
Afinal, quantos leitores/ouvintes/espectadores/utilizadores é que se irão aperceber da diferença?
Ver também, sobre o mesmo tema, aqui
Sobre as eleições no U.K.
Existem várias razões para os britânicos manterem o sistema eleitoral e comparações com Portugal são absurdas, porque a realidade é diferente. Seria mais fácil a comparação com Espanha. Porque também é uma federação de nações. Fala-se agora nos escoceses, mas poucos referem os 8 deputados unionistas a que se somam os 4 que o Sinn Fein elegeu na Irlanda do Norte, bem mais que o UKIP. Para lá dos 5 partidos amplamente referidos nos noticiários em Portugal, foram eleitos mais 22 deputados. Ora imaginem o que seria um círculo nacional único no U.K., retirando a representação parlamentar às várias nações que o integram. Imaginem também um círculo único em Espanha, que reduziria imenso o peso dos nacionalistas catalães ou bascos…
Queima das Fitas, 2015
Postal de Pamplona (Iruña) #2
o dia em que beijei Hemingway
Há quase 20 anos que não vinha a Pamplona, acho que já vos tinha dito por aí. Viemos em 1996, de carro, dpercorrendo toda a costa norte de Espanha, da Galiza à costa Basca, provavelmente a costa mais bonita do mundo (pelo que recordo, mas posso estar enganada, afinal já passaram muitos anos). Muitas cidades nessa viagem, de Renault 4, até Estrasburgo, atravessando toda a França duas vezes e parando muitas vezes pelo caminho, um mês inteirinho na estrada. Tenho saudades desse tipo de viagens mas, principalmente, terei sempre saudades da pessoa com quem as fiz.
Uma dessas cidades, mesmo antes de entrarmos em França, foi Pamplona. Perdão, Iruña. Lembrava-me de pouca coisa da cidade. Tinha melhor memória de termos, depois, atravessado os pirinéus. Ainda as estradas não eram tão boas como agora, mas assim mesmo, sempre, incomparavelmente melhor que as que tínhamos em Portugal. A diferença agora – nas estradas – não é tão grande. [Read more…]
O individualismo pseudo-libertário explicado a ingénuos
Ó António Almeida, isto é muito simples, ouçamos a besta com aquele seu olhar alucinado de psicopata, tão ridiculamente próximo do bigodinho do Adolfo:
Não, não é neo-nazismo: é pior, porque além de conspurcar a memória dos libertários que contra isto viveram (embora se aproxime de um Max Stirner, outra flor de mau cheiro) disfarça com loas à liberdade a defesa do pior que a humanidade pode ter: o individualismo, a negação da solidariedade, a aberração do direito de um humano pisar outro humano em busca da sua felicidadezinha. É o recuo do homo sapiens sapiens a uma qualquer espécie dinossaúrica, porque foi precisamente a aprendizagem da vida em sociedade que nos construiu enquanto animal racional. É o velho paganismo, agora adorando o mercado e suas patas invisíveis, desta vez disfarçado de ateu, que pisa de uma assentada o humanismo e o iluminismo.
Claro que isto é extrema-direita, a defesa do capitalismo no seu pior não está acima de coisa alguma: está abaixo de todos os valores humanos.
A guerra não foi um filme americano
É natural que os vencedores escrevam a sua versão de uma guerra, as suas histórias. Não lhe chamem é História.
Setenta anos depois da derrota do nazi-fascismo Clara Barata escreve no Público, e sem se rir, sobre “o mito estalinista de que a salvação do fascismo assentou no sacrifício do povo russo“, para depois tropeçar em sim mesma e criticar: “os 27 milhões de mortos só contam como pequena história, a história familiar, dos indivíduos, e não como análise, reflexão. Aliás, desde 2014, existe uma lei que pune com penas até cinco anos de prisão a “distorção” do papel da União Soviética na II Guerra Mundial.”
Como se o revisionismo não estivesse sujeito a idênticas condenações em França ou na Alemanha, como se a II Guerra Mundial tivesse sido um filme americano desembarcado na Normandia.
O primeiro problema historiográfico das guerras, seus vencedores e vencidos, é o da sobrevivência do positivismo oitocentista, que reduz a a História aos líderes, fazendo de Hilter o único mau da fita, elevando Churchill a homem espectáculo (e esquecendo que em Inglaterra, no poder, estava um governo de coligação) e metendo Estaline onde não é chamado. [Read more…]
Entender o libertarianismo – III
Decidi colocar estes 3 posts sobre economia e sociedade, pela confusão que verifiquei existir sobre o ideal libertário. Não pretendo defender um partido que ainda nem sequer existe, veremos até se conseguirá a legalização, nem tão pouco convencer quem quer que seja a tornar-se libertário. Mas quero deixar bem claro que ser libertário não é ser de extrema direita, basta ver este 3º vídeo para deixar cair por terra qualquer retórica que envolva o PNR ou Oliveira Salazar, como vi na caixa de comentários do post original. O seu a seu dono…
PSD/CDS-PP insistem na instrumentalização da imprensa
“Os directores editoriais de rádios, jornais, revistas, televisões e da agência Lusa consideram que a nova proposta de lei do PSD e CDS sobre a cobertura eleitoral confunde jornalismo e propaganda política, “mantém a tentação de impor um freio às redacções” e ameaça a liberdade de informação.” (Público)
Postal de Pamplona (Iruña)
(Muito pequeno)
Depois de mais de 8 horas de viagem, ver as caras dos amigos à nossa espera lembra-nos o que é mais importante na vida. Que não vale a pena, por exemplo, lamentar o facto de se viver no cu da Europa e ser tão difícil chegar a qualquer lado.
O quarto é grande. Branco. Confortável. Amanhã vamos às montanhas. Afinal somos sociólogos rurais. Há um colega que me diz (como sempre que me vê), entre cervejas, ‘Elisabete cada día estás más guapa’. Não é verdade. Estou velha a cada dia e a cada dia mais feia. Mas maneira como ele o diz de cada vez – com se fosse verdade – reconcilia-me com a idade, com o cansaço, com o resto. Lembra-me outra vez o que é mais importante. Ter amigos. Em toda a parte.
Buenas noches.
Não bate a bota com a perdigota… ou o sistema eleitoral britânico em todo o seu esplendor
Jorge Martins
Se dúvidas houvesse sobre as injustiças do sistema eleitoral utilizado no Reino Unido, elas dissipar-se-iam com a análise dos resultados das eleições da passada quinta-feira.
Desde sempre que os deputados ao parlamento de Westminster são eleitos em círculos uninominais numa única volta. Este sistema maioritário é vulgarmente conhecido por “first past the post”, em alusão às corridas dos cavalos, onde só interessa o vencedor, ou seja, o primeiro a passar o poste da meta. O segundo é o primeiro dos últimos, qualquer que seja a distância a que ficou do primeiro. Logo, apesar de a hipótese ser absurda, é teoricamente possível um partido ser o mais votado a nível nacional e não eleger ninguém, bastando, para isso, ser segundo em todos os círculos. Em contrapartida, outra força política pode eleger um representante ganhando um círculo e tendo zero votos em todos os outros.
Na prática, este sistema favorece os maiores partidos, em especial se tiverem grande implantação numa parte do território. Os partidos de média dimensão, com o eleitorado disperso pelo país ou região, são os mais prejudicados. Por isso, tende a favorecer o bipartidarismo. Porém, pode haver exceções: pequenos partidos com o eleitorado concentrado numa parte do território (como os partidos regionalistas/independentistas ou étnicos) podem eleger um número significativo de representantes. É o que sucede no Canadá, com os independentistas quebequenses do PQ ou, na Índia, onde uma enorme série de pequenos partidos regionais obtém representação parlamentar.
No caso concreto do Reino Unido, onde são eleitos 650 deputados, uma simples apresentação dos resultados e da sua evolução face às eleições de 2010 fala por si. Vejamos: [Read more…]
A queima e as fitas
Começou a festa aqui em Coimbra. Por quase duas semanas, a cidade sofrerá, perdão, beneficiará de todos os efeitos funestos, quer dizer, festivos, desse facto. Gozará de todas as alegrias que cabem aos reféns. E não é preciso estar atento ao calendário. Os sons,os cheiros alertam-nos para a festança. Que bom! Ainda ontem tomei nota da data de início ao ouvir os urros de júbilo que ecoavam na noite (durante toda ela…). Ouvi o bonito som das garrafas de cerveja que se partem contra os obstáculos que se interpõem no seu trajecto, o excitante exercício de percussão sobre contentores do lixo, que nos faz dançar na cama e – oh excelência de imaginação! – o rodar desses mesmos contentores empurrados, em roda livre, pela rua abaixo. Lindo! E notem: mais de cem quilos de contentor rodando livremente, sobre as suas quatro rodas, pela ladeira, acrescenta um je ne sais quoi de emoção: irá acertar numa porta? Irá embater num carro que, incauta e despropositadamente vai subindo a rua? Ou num cidadão ou, maior emoção ainda, numa criança? Tudo pode acontecer e ninguém vai levar a mal aos simpáticos e irreverentes foliões. A minha vizinha, a quem, no ano passado, urinaram na caixa de correio – que engraçado! – no dia em que recebia correspondência da sua filha emigrante espera, com a natural e ansiosa emoção, o que lhe irá acontecer este ano. Hoje apanhei um autocarro que, apesar de ir vazio, cheirava vibrantemente a mijo e vómito. Quer dizer: os alegres celebrantes, não se poupando a esforços, querem, até, partilhar connosco os seus fluidos festivos. Afinal – pensam eles, ‘taditos, ninguém lhes explicou melhor – isto é tudo tradição da Academia e tal e coisa. Quem não vai gostar são os médicos, enfermeiras, auxiliares e técnicos do Hospital da Universidade que, em vez de terem a Urgência cheia de doentes, vão tê-la cheia de estudantes em coma alcoólico. Esta malta da Saúde tem cá um mau feitio…
8 de Maio de 1945
Uma coligação harmoniosa
Foto@O Jumento
Andava o irrevogável por terras de Aljustrel, e eis que surgem uns quantos repórteres que o questionam sobre os contornos polémicos da sua “demissão”, presentes na biografia autorizada do parceiro de coligação. Irónico, Portas afirmou:
A canalhice passeia-se nos Ídolos
https://www.dailymotion.com/video/x2p209d_idolos-2015-goza-com-orelhas-de-candidato_tv
Um professor do miúdo que foi torturado num canal de televisão explica tudo (ligação para o Facebook):
O jovem de quem se fala é meu aluno. Tem 16 anos. Frequenta a aula de Português Funcional numa turma de Educação Especial. Sendo menor, foi certamente autorizado a concorrer a este concurso da SIC. Mas certamente a sua encarregada de educação (que não é nem a mãe nem o pai e isto talvez não seja por acaso) não imaginava que ele ia participar num concurso onde toda a gente, desde os elementos do júri até à produção, passando pela direção de programas e pelos responsáveis pelo canal e outros trâmites que desconheço parecem divertir-se a cometer monstruosidades, como ridicularizar publicamente jovens ou crianças que já têm problemas suficientes na sua vida há muitos anos.
Rafael Tormenta acrescenta que o rapaz “está fechado no seu quarto há alguns dias“. [Read more…]
Emprenhadorismo
Sendo assim fico mais descansado
Pois agora que ficámos a saber a causa dos sismos já os poderemos prevenir…
Uma farsa eleitoral
Mais uma vez se demonstra a natureza anti-democrática da Venezuela. O herdeiro de Chavez obteve maioria absoluta nas eleições para o “parlamento” com apenas 37% dos votos. Partidos da oposição com 12,6% conseguiram eleger apenas um deputado, enquanto outro, com 4,8% ficou com 56 e um outro, agora afastado do governo, se ficou pelos 8 com 7,8%.
De referir, igualmente, a muito peculiar forma de identificar os eleitores, sem a obrigatoriedade de mostrar um documento com fotografia, ou o facto de o voto se exercer com um lápis, em plena campanha e a um dia de semana, algo que só poderia ocorrer na América Latina.
De imediato o vencedor reuniu com a monarca da Coreia do Norte, que obteve o cargo por herança depois de um familiar ter sido afastado da sucessão, num país onde continua em vigor uma lei que proíbe a propaganda republicana.
Ou isto dito de outro modo: [Read more…]

















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