Onde se fala de Socialismo, Nazismo, Fascismo. Excelente artigo que recomendo a algumas pessoas que escrevem ou comentam por aqui. A ver se aprendem ao menos a evitar colar rótulos a terceiros, apenas porque sim…
É que não aprendem

Depois das peripécias com os chumbos, que todos percebemos ser um caso da jogada táctica no lugar da análise e resolução dos problemas, foi preciso o TC vir fazer um comunicado a aclarar o aclaramento. Talvez com um parágrafo, em vez de 4 páginas, consigam perceber.
Em face de afirmações públicas [de Maduro, por exemplo] quanto às implicações da decisão do Tribunal Constitucional sobre o pedido de aclaração do Acórdão n.º 413/2014, o Tribunal lembra que tal pedido foi indeferido, pelo que desta decisão não pode ser retirada qualquer outra ilação. [link]
Saiam da vossa zona de conforto e passem a legislar dentro da legalidade. Experimentem e até vão gostar.
Resumo da coroação
O novo rei fez um discurso sobre a Espanha moderna e a seguir saiu para as ruas (desertas) no Rolls-Royce comprado por Franco.
Parabéns, Chico
Sou um gajo cheio de sorte. Tinha uns 12 anos e os meus pais deixaram-me ir, sozinho, a um concerto do Chico Buarque da Holanda em Coimbra. Foi o meu primeiro concerto, e este o primeiro LP que comprei.
Mais tarde assisti ao que deve ter sido o concerto com maior assistência de sempre em Portugal, o Chico na Festa do Avante.
Crescer a ouvir o Chico é um privilégio que não teve outra geração. Sou um privilegiado, portanto.
Isto vai assim
Maduro acha que se os efeitos da decisão do Tribunal Constitucional só valem a partir de 31 de maio, as parcelas dos subsídios de férias já pagas com os cortes inconstitucionais não devem ser reconstituídas de acordo com a decisão.
Tribunal Constitucional chumba Maduro, pedindo implicitamente a aclaração do seu doutoramento. Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, diz cinicamente que a decisão do TC gera desigualdades mas deve ser respeitada, insinuando que é a decisão que é inconstitucional.
Cavaco pensa dizer que só fala depois do Mundial mas mantém o silêncio para não se antecipar. São as instituições a funcionar regularmente como um intestino inflamado.
Tarantino’s Mind
A curta metragem onde se demonstra que Quentin Tarantino não passa de um filme, com Seu Jorge e Selton Mello. Ficha IMDB.
A Wikipédia, os professores e Aristides Sousa Mendes
Escreve hoje no Público a professora Maria do Carmo Vieira:
Se um professor pedir aos seus alunos que pesquisem na Wikipédia informação sobre Aristides de Sousa Mendes (ASM), sem antes ele próprio ter contado a história do cônsul de Bordéus e ter levado os alunos a ler e a analisar as cartas que escreveu, apropósito do inqualificável castigo de que foi alvo, os alunos deparar-se-ão com o exemplo flagrante da desinformação e do aproveitamento político da extrema-direita racista, em ascensão. O que foi um exemplo e um acto de grande nobreza é considerado um “crime”, por desobediência.
Dois comentários. O primeiro quanto à Wikipédia. Os professores portugueses têm com a Wikipédia o relacionamento tradicional que se tem perante o desconhecido. O facto de ser uma bojarda de todo o tamanho criticar um artigo quando o que temos a fazer é editá-lo, escapa-se-lhes: é malta que ainda não saiu da idade do papel, pensa que aquilo é escrito por alguém pago para o efeito como nas defuntas enciclopédias que se alimentavam de florestas de árvores assassinadas, e assim permaneciam, sem actualização, praticamente sem escrutínio, dignas do tempo em que o saber era unívoco e monopólio das cátedras. [Read more…]
Sim, sim…
“Scolari lembra que Portugal no Euro 2004 começou a perder e chegou à final”
Sim, sim, eu lembro-me .
Aliás, começou a perder e acabou a perder, e com os mesmos.
Lá nisso, honra lhe seja feita…
Não há pachorra para tanto ópio do povo.
Trabalho de equipa

O João Branco já fez ontem uma boa análise do jogo Portugal – Alemanha. Acrescento que, seja no futebol, na política ou nos negócios, não triunfaremos enquanto acreditarmos colectivamente que um herói chega. É o trabalho coordenado em equipa, planeado e executado conforme, que faz a diferença. Na política, o eleitorado tem premiado as apostas messiânicas (vejam-se os exemplos anteriores e a expectativa que agora se vai construindo à volta de António Costa) mas no final sobra sempre o mesmo: um craque, mesmo quando o é, não consegue realizar o desígnio que dele se esperou. Ontem, na bola, não se defrontaram duas equipas. Os jogadores portugueses perderam contra a equipa alemã.
Goldfinger à moda da casa
Lembram-se daquela cena de Golfinger em que o arqui-vilão, depois de promover uma luta de morte entre dois peixitos combatentes, dá o vencido a comer ao seu gato que aguardou sabida e pacientemente ao colo do dono? Ocorreu-me isto ao constatar que os donos da direita têm uma nova tarefa para os seus servidores: aproveitar a luta pela direcção do PS e, promovendo combates televisivos vários, alimentar-se dos despojos.
Ainda ontem, duas figuras de segunda linha – Brilhante e Perestrelo – se degladiaram ferozmente perante um Paulo Magalhães que, normalmente provocador e reacionarote, se deleitou deixando falar livremente os intervenientes, na certeza de que quanto menos interrompesse mais eles se enterravam. Como aconteceu. E não se espere ouvir nestas discussões uma ideia, um projecto, uma proposta concreta. Tudo o que se obtém é má língua, indiscrição, deslealdade. Só uma proposta concreta se ouviu: a redução do número de deputados, alteração das leis eleitorais e bipolarização forçada. E foi isto que me motivou esta nota. Esgatanhem-se, devorem-se, mas deixem-nos em paz.
Senhor Presidente, o povo manifesta-se nas ruas!
Excentricidades de uma profissional do tanque
Depois do sucesso da dispendiosa festa de comemoração de 10 anos de casamento, Isabel dos Santos, cliente da lavandaria cá do sítio, fez novamente uso dos kwanzas extorquidos aos seus conterrâneos e levou 600 “amigos” para o Brasil, de maneira que estes “pobres” homens de negócios e outros tantos fúteis do social pudessem assistir, sem custos (pelo menos para eles), ao espectáculo do futebol, curiosamente contestado pelos milhões de Reais que custou a um país que, apesar do petróleo, continua a ter “excedente” de pobres que exigem nas ruas mais e melhor saúde e educação. Uns marxistas radicais, gente perigosa, daquele tipo que gasta demais e provoca crises financeiras.
Mundial 2014 – Portugal vs Alemanha
Desta vez não me apetece postar o video das imagens dos golos. Todos os vimos. Todos sabemos decor o que é que falhou. Todos nós vimos aquilo que sabíamos ser previsível: a nossa selecção não jogou nada, com Paulo Bento não joga nada, não tem fio-de-jogo, não tem um colectivo, vive excessivamente daquilo que Ronaldo e mais 2 ou 3 conseguem fazer e continuando assim, arrisca-se a voltar a Portugal no próximo dia 26.
1. Nos primeiros 10 minutos de jogo ainda criámos um calafrio quando Ronaldo atirou com o pé esquerdo para defesa de Neuer. Desde cedo entendi que Paulo Bento ia apostar numa atitude defensiva, de forma a não deixar os alemães colocarem em prática a circulação de bola semi-apropriada ao Bayern de Munique de Guardiola: muitos passes entre os homens de meio-campo, muitas combinações entre o médio interior, o lateral e os alas e respectivo cruzamento para área à procura da referência de ataque da equipa, neste caso Thomas Muller, o herói da partida de Salvador da Baía. [Read more…]
Outra vez, Herberto?

Herberto Helder é um poeta e escritor enorme – só não digo que é o maior poeta português vivo porque sou pouco dado a fazer estas proclamações, pelo menos sem passar todos os vates a fita métrica – e sempre esperei os seus livros com o afecto que se dedica àquilo que se ama. Mas desta vez, após ter vivido repetidamente esta cena – há livros que só possuo porque mão amiga, estando eu impossibilitado, me valeu – declaro que estou farto. Não me sujeito mais a ir para a fila dos ansiosos clientes ou a maçar os livreiros meus amigos para obter a raríssima e irrepetível edição de A Morte Sem Mestre.
A recorrente cena do “ou compras hoje ou nunca mais o vês” não terá mais em mim um expectante basbaque. Não sei se esta situação é uma técnica de marketing saloio um uma manifestação de egomania por parte do poeta. Herberto é magnífico. Herberto tem, entre outras virtudes, as de não nos massacrar com entrevistas, não espernear nos media para chamar a atenção, não fazer conferências a explicar o que queria dizer nos seus poemas. Ele é simplesmente grande no seu silêncio. Ele compreende como ninguém a importância do silêncio do artista e a autonomia do leitor. É no uso dessa autonomia aqui digo que não tenciono mexer uma palha para ter este último livro – esgotado em poucos minutos e já com oferta no mercado negro – nem tenciono alinhar, mais uma vez, no golpe de comprar a próxima Poesia Toda para preencher o vazio. Chega.
E a Coreia aqui tão perto…
O que é a Cultura para o projecto governativo de António Costa?
Li com atenção o discurso que António Costa proferiu no Porto em 6 de Junho passado. Detenho-me aqui brevemente no (pouco) que disse sobre a Cultura. Costa afirmou estar empenhado «em voltar a investir na Cultura, que considera, de par com a Ciência, uma das «bases da sociedade do Conhecimento, condição de uma sociedade de iniciativa, criativa, inovadora, capaz de vencer, tanto na sofisticação do software de última geração, como na revalorização dos produtos tradicionais, produzidos nos territórios de baixa densidade, ou em novas industrias internacionalmente competitivas.» Fico preocupada com isto, pois para além de ser muito pouco, revela aquele que é um dos actuais males da (parca, reduzida à gestão de fundos cada vez mais ridículos) política portuguesa para a área da Cultura.
A Cultura não precisa que o Estado se preocupe por ela com o software de última geração (nem a Ciência, certamente). Software de última geração há muito, e incessante – os mercados das industrias tecnológicas tratam muito bem de tudo isso, e Portugal está cheio de óptimos engenheiros e programadores, e tem-se até notabilizado por boas práticas e pequenos grandes sucessos nessa área. O que define uma política para a Cultura não é a tecnologia. O que a torna central numa sociedade civilizada é a possibilidade, mediante um conjunto de vontades políticas e financeiras, de preservar uma memória (identitária, artística, histórica, política), a possibilidade de permitir o desenvolvimento pleno e contínuo da criação artística (em todas as suas vertentes e ofícios), e a possibilidade de proporcionar às populações (independentemente da sua densidade demográfica) o acesso à fruição da arte – que na sua génese e essência é e será sempre o contrário do entretenimento, pois serve para pensar, e é o contrário do esquecimento. [Read more…]
Portugal zero
Há que dizê-lo com frontalidade: esta selecção é o espelho da posição de Portugal, seu governo e povo, perante a Alemanha: exactamente a mesma que eles tiveram quando perderam a guerra, mas nós baixamos primeiro as calças.
Valha-nos o Raul Meireles.
Adenda – Pior é sempre possível:p
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Outra agenda
António Costa propõe-se mobilizar o País para outra coisa que não seja a austeridade e a subserviência aos interesses sem interesse para Portugal. O discurso do Porto aqui. Quarta, 18 de Junho, Costa estará no Teatro Tivoli, em Lisboa.
Só se for igual à tua
“Last Week Tonight” com John Oliver: FIFA e o mundial 2014
Blatter: A FIFA é uma organização sem fins lucrativos.
Reporter: E os mais de mil milhões no banco?
Blatter: São uma reserva.
A guerra do trono rosa

A elegância de quem fez uma vida de jota a querer chegar a primeiro-ministro com estratégias de jota e a coragem de quem esperou até ao último minuto para pegar nas rédeas de um cavalo sem energia mas que chegará à meta.
Seguro acusa Costa de só avançar por a vitória do PS em 2015 ser uma certeza
Costa diz que o PS “não precisa de questões pessoais”
O país vai assistindo ao espectáculo demonstrativo de um segredo de polichinelo: primeiro, o partido. O governo agradece.
Na Terra de Miguel Sousa Tavares
Marinho Pinto não conseguiu fazer com os Verdes a aliança que desejava no quadro do seu mandato parlamentar na assembleia da Europa, e lá terá de se juntar aos liberais, coitado (*). Ele e aquele senhor monárquico do Partido da Terra: boa surpresa eleitoral para uns (Miguel Sousa Tavares, por exemplo, chama-lhe «o nosso PT»), má surpresa para outros – depende da perspectiva com que se olha para as coisas da política, da Terra em que se está.
Preocupado com a desfeita dos Verdes (como se atreveram?), Miguel Sousa Tavares (MST) usou a última parte da sua crónica no Expresso de hoje para atacar os ambientalistas portugueses e, sobretudo, fazer a defesa de uma pelos vistos mais aceitável «convicção pessoal sobre costumes»: [Read more…]



















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