A imprensa não contou o que o secretário de Estado da Cultura disse sobre o discurso de Alexandra Lucas Coelho e foi pena. Vale a pena ler o resumo que a autora publica.
Assum(p)ção

Na parte que me toca nem me dou ao trabalho de seguir esse treta a que chamam de acordo ortográfico pela simples razão de não ser apologista da mudança pela mudança. Enfim, uma perfeita inutilidade, não fosse o caso de, volta e meia, chatear os juízo. Para um lado, é aquela sensação de desconforto ao ler um texto escrito nessa moda e ter-se sempre a sensação de que está algo errado, pois lemos pelo reconhecimento de padrões, até se interiorizar “ah é outra vez a merda do acordo”.
Depois é o ridículo de se observar os alunos de inglês a escreverem mal palavras como objective, deixando cair o “c”, à la moda acordês. E não são poucos, ao que sei. Finalmente, aconteceu eu próprio ter precisado há pouco de ir à Priberam ver como se escrevia “assumpção” para me recordar que sempre tivemos o “p” e que os brasileiros o podem usar ou não.
Aconteceu-me aquilo a que chamo o efeito de exposição ao primeiro-mentiroso. Quando se está repetidamente exposto ao falso, como acontece a quem ouça inadvertidamente o primeiro-mentiroso falar do país que está melhor, apesar das pessoas estarem pior, chega-se a um ponto em que se perde a noção que é certo. Ora façam o teste. Há uma assunção no governo. Estamos perante um erro ou não?
Governês
Ontem, numa comissão parlamentar, o recém famoso secretário de estado da administração pública, ao ser interpelado sobre a sua conferência de imprensa fantasma e a nova e exótica forma de cortar pensões de reforma que ali anunciou, jurou fidelidade ao líder, baldou-se a responder e rematou com uma latinada que algum assessor lhe ensinou para a ocasião: “Roma locuta, causa finita“. O que, se em latim se pode traduzir como “Roma falou, a questão está encerrada”, em governês significa: “o chefe falou, ’tá falado”.
Reductio ad Estalinum
Não havendo argumentos, indicador esticado e grita o engenheiro Cunha: agarra qué comuna!
Antropofagia mental
Brindou-me o professor do ensino básico mas não colocado que antes foi astronauta não colocado Vítor Cunha com um artigo em resposta a um comentário meu, feito nesta casa. A “argumentação” é a do costume ou os tratamos bem ou os investidores fogem, e eles é que criam emprego, os beneméritos, há que erguer estátuas, tão bonzinhos que eles são, patatipatatá. No meio compara o gasto em putas, carros e automóveis topo de gama com o dispêndio de quem vive do salário mínimo em necessidades básicas, mas quanto a isso estamos habituados, e hoje não me apetece repetir o vai viver com o salário mínimo durante seis meses e depois falamos.
Pareceu-me uma boa ideia, isto de ir aos comentários, e mais uma vez me inspira, mas como já é tarde limito-me a republicar o que escreveu, a minha opinião ficou no título: [Read more…]
XP

Já não há paciência para aturar o tonitruante obituário do Windows XP. Não há quem não cante o que foram as suas maravilhas na altura, agora que a Microsoft decidiu deixar cair o sistema e os seus possuidores em nome do progresso. O argumento é que o sistema já tem 12 anos e é tempo de o abandonar, bem como aos incautos clientes destes aldrabões. Esquecem-se de dizer que ainda há 3/4 anos vendiam portáteis dotados com XP. Os modelos pequenos, sobretudo, não usavam outra solução, o que não era nada mau, já que era muito mais leve e sensato que o Vista que se seguiu. Por isso, façam lá a vigarice mas não nos dêem música com as maravilhas do futuro, até porque alguns aspectos do Windows 8 parecem saídos da cabeça de tecno-ideotas fumadores de coisas esquisitas. E porque, finalmente, esta operação não passa de um acto de terrorismo comercial. O resto é conversa.
FAQ: Salário Mínimo
O salário aumenta o desemprego?
Provoca e não provoca aumento de desemprego. Os empreendedores do salário miserável podem ter de fechar a loja, porque mais uns euros por ano fazem falta para as suas férias e há sempre outro negócio para montar. Mas, por pouco seja, aumento de salário é aumento de consumo interno, os beneficiários não fazem férias no estrangeiro, logo novos empregos vão ser criados.
Mas não há uns estudos sobre isso?
Há, se só estudarem o impacto do salário no encerramento de empresas chegam a uma conclusão. Se estudarem tudo, chegam a outra.
Porque é o nosso salário mínimo, e o médio, tão baixo?
Porque os patrões portugueses são dos mais calaceiros da Europa, investir tá quieto, conhecimentos de gestão, não faltava mais nada, a 4ª classe chegou-me perfeitamente para chegar onde cheguei, pá. [Read more…]
Normas e anormalidades
Imagine uma civilização onde cada marca de lâmpadas tinha seu casquilho. Ou cada fabricante de electrodomésticos escolhia o seu formato de tomada. Era complicado.
Mais do que isso, enquanto consumidores ficaríamos obrigados a optar por um único fornecedor de lâmpadas, e teríamos de comprar uma tomada adequada a cada utensílio eléctrico, ou seja: limitávamos a inovação e pior ainda estaríamos condenados a escolher uma empresa fornecedora para a vida, criando inevitavelmente monopólios. E como toda a gente sabe desde que o capitalismo liberal despontou, onde há monopólio não há inovação, ou pelo menos ela ficará seriamente comprometida. [Read more…]
O Estado Novo II, o Atlas e um truque com chancela de Cambridge
Santana Castilho *
1. A associação Empresários Pela Inclusão Social (EPIS) encomendou ao Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova (CESNOVA) um Atlas da Educação. Fiz leitura suficiente para encontrar informação importante e útil. Mas há três aspectos (custo dos “chumbos”, denominada “cultura de retenção” e responsabilização do centralismo pelo falhanço de sucessivas políticas reformistas) que são abordados com uma narrativa pouco cuidada, indutora de leituras menos rigorosas e, uma vez mais, responsabilizando implicitamente, por falta de uma clarificação que era exigível, os mesmos de sempre: os professores.
De todo o documento, o que foi “puxado” para título por dois jornais de referência (Público e Jornal de Notícias) foi o alegado valor anual do custo da “cultura de retenção” vigente. A leitura apressada das notícias poderá levar a inferir que professores pouco diligentes preferem chumbar os alunos a maçarem-se demasiado. Mas não é isso que se retira da produção académica das ciências sociais (universo a que pertencem os autores do estudo) e da própria OCDE, que consideram as variáveis de natureza cultural e socioeconómica como influenciadoras decisivas no desempenho dos alunos, contrariamente ao discurso oficial, que desvaloriza o peso dessas variáveis e privilegia indicadores de eficiência e eficácia. Os titereiros do Estado Novo II, em véspera de mais cortes na Educação (já anunciados pelo arauto das novidades, Marques Mendes), devem ter ficado agradados com os “sound bites” que o Atlas proporcionou: 250 milhões anuais de “gorduras”, que podem ser poupados se as relapsas escolas forem reeducadas e libertadas da “cultura de retenção”. [Read more…]
Empresa Outdoor7 Lda Procura Serviçal
Para juntar ao rol das empresas de escravatura neste país, hoje fiquei a saber que a Outdoor7 procura, e passo a citar, “fotógrafo amador para acompanhar os jogos” e que, mesmo sendo “amador“, o candidato a serviçal deve possuir “material próprio” e, como bom amador que se preze, deve “enviar currículo” a fim de o mesmo, presumo, ver a sua validade, competência e profissionalismo devidamente avaliado. O anúncio não fala da remuneração deste trabalhador “amador”; espero que seja pelo menos uma caixa de 24 iogurtes mas de pedaços, que os simples não matam a fome…
A mesma empresa também recruta um “amador” para o Algarve!
O amargo sabor de um chocolate quente
E se lhe oferecessem um chocolate quente quando faz compras num Centro Comercial, aceitaria? E se esse chocolate fosse tão amargo, que fosse impossível de beber, como o é a vida das crianças que trabalham nos campos de cacau na Costa do Marfim, conseguiria ficar indiferente?
Numa iniciativa da Getinspirit, uma organização de sensibilização para o flagelo do trabalho infantil na Costa do Marfim, foi feita, há uns dias, no Oeiras Parque, uma prova, sem que os visados soubessem o que iam provar. As reacções estão espelhadas no vídeo.
Da importância dos filhos
Acabo hoje de descobrir a verdadeira e incrível importância dos filhos. Eu, cega, limitada nos meus conhecimentos e experiências, pensava que os filhos existiam para sentirmos um amor único, absorvente, vibrante, totalmente infindável. Para nos darem ternuras imensas e prazeres inimagináveis com as suas brincadeiras e travessuras ou só pelo facto de existirem.
Eu, que tão levianamente assim pensava, acabo de descobrir que os filhos podem também ter uma importância extrema na nossa felicidade tecnológica.
Estou a ser pouco clara nas minhas palavras? Vou, então exemplificar com um modelo real:
Cerca das 11 da manhã de um dia muito soalheiro. Uma estação de superfície do Metro. Muito sol. Já bastante calor. Uma família de quatro pessoas: dois adultos e os filhos, pirralho com cerca de 4/5 anos e pirralha com uns 7/8. Ambos os progenitores de tablet e iphone. As crianças pedem encarecidamente, choramingam, quase começam birra. Querem jogar um bocadinho. Levam ameaços de «um estaladão», «uma chapada», um «biqueiro no cu». De repente, o menino coloca-se à frente do pai para ver o jogo. [Read more…]
A grafia Schweinstnegger e o Record
O Record decidiu atribuir importância a uma amálgama de Edson Arantes do Nascimento: Schweinsteiger & Schwarznegger → Schweinstnegger. É pena que o pioneiro Record – sim, se bem se lembram, já lá vão cinco anos (cf. Emiliano, 2009, p. 4) – ande tão preocupado com um lapso de Pelé e tão indiferente à mixórdia adoptada nos textos que publica.
Repare-se quer neste belo e recente exemplar de grafia Schwarzenegger
quer nestoutro exemplar (dos tempos do pioneirismo) de grafia Schweinsteiger
quer neste fresquíssimo e emblemático exemplar de grafia Schweinstnegger
À segunda-feira, cultivo o doloroso hábito de ler o Diário da República. Ontem, por mero acaso, reparei em [Read more…]
“O meu país não é deste Presidente nem deste Governo”
O excelente discurso de Alexandra Lucas Coelho na cerimónia de entrega do prémio APE.
Um partido, uma crise, sempre a mesma causa

Desconfio que o partido surpresa destas eleições vai ser o POT. É deles.
Os outros pagaram com o corpinho
Apenas uma pessoa apoiou com dinheiro a última campanha do PSD.
Pagam-lhe mesmo para escrever destas coisas?
“Não temos filhos porque começamos a trabalhar a meio da manhã“. Querem ver que ando a mandar dinheiro fora em posts que poderiam ser artigos no Expresso?
A Guerra dos Portos
“A Guerra dos Portos” é o resultado de uma recolha de entrevistas a vários estivadores europeus sobre o movimento internacional de solidariedade com o porto de Lisboa
Scholkine, Crimeia
Crassh
Crassh é uma combinação única de percussão, movimento e comédia visual. Nasceu no ano lectivo 2004/05 simultaneamente na Escola de Artes da Bairrada – Oliveira do Bairro e no Conservatório de Música da Branca- Alb; em Abril de 2007 corta o seu cordão umbilical e passa a ser um projecto independente residente na Escola de Artes da Bairrada. Crassh é o resultado do trabalho de 13 Jovens percussionistas (dos 11 aos 19 anos) sob a criação e orientação de Bruno Estima. (daqui)
Vi e ouvi estes moços, e tenho-vos a dizer que são do melhorio: um espectáculo divertido, com um ritmo musical fantástico, uma boa coreografia e uma excelente representação mímica. Dúvidas? vejam mais estes vídeos: [Read more…]
Lendas e narrativas
A insistência na mentira dos salários e pensões começa a ser anedótica.
Riso comovido
O Festival do Cinema Francófono deu a oportunidade aos portugueses residentes em Toronto de verem o filme GAIOLA DOURADA, com legendas em inglês. As duas sessões saldaram-se por outras tantas enchentes e no final, os aplausos foram fartos, sentidos e gratos por haver uma organização a lembrar-se de proporcionar aos emigrantes um bom filme. Porque, como ficou selado por uma secretária de estado das das Comunidades, do PSD, há anos, os emigrantes portugueses distribuem-se pela Europa, África e o Resto do Mundo. [Read more…]
Os alunos do ensino artístico especializado e o seu acesso ao ensino superior
Rui Jorge Galiza Matos Naldinho
Os alunos do estão sujeitos, desde o ano letivo 2012/2013, a um regime de acesso ao ensino superior diverso do vigente até então, introduzido pelo Decreto-Lei nº139/2012 de 5 de julho e suas portarias (243-A/2012 alterada pela 419-A/2012 e pela 59-A/2014).
Tal alteração parece ser mais motivada por razões políticas do que pedagógicas. O que está aqui em causa é que estes alunos, que concorrem ao ensino superior com os alunos de artes visuais do ensino dito regular (cursos científico-humanísticos) são discriminados, tendo-se instalado entre os dois regimes legalmente aceites para conclusão do secundário uma discrepância resultante de regras que os distinguem de forma arbitrária, sem qualquer razão ou fundamento, criando profundas injustiças na hora de concorrer ao ensino superior. [Read more…]


















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