Manifestações, críticas construtivas e propostas concretas
Um dos tiques habituais do político que está no poder ou de quem o defende reside em criticar os críticos, afirmando que só criticam por criticar, que não fazem “críticas construtivas” ou que não têm “propostas concretas”. A cor do partido que esteja, circunstancialmente, no governo é irrelevante: a crítica só serve para ser desvalorizada.
Sobre a manifestação de ontem já ouvi e li opiniões deste género, mesmo quando, a contragosto, reconhecem que algo está mal. [Read more…]
Assim se perde o respeito por um jornal
Há notícias e opinião. Há notícias sobre opiniões e opiniões sobre notícias. Cada qual tem o seu lugar e não se misturam, sob pena de se perder o respeito por quem o faz.
Este artigo do Público, um misto de notícia com o spin do número de pessoas por metro quadrado, é a machadada na credibilidade de qualquer jornal.
1984
Adaptação da obra de George Orwell por Michael Radford. Ficha IMDB. Legendado em português.
E assim se saiu à rua para dizer “não”
Chegar à Praça D. João I, vindo da Rua do Bonjardim, vendo quem já lá chegou e quem passa:
Olhando quem desce a Rua Passos Manuel:
Tomando a Rua Passos Manuel, em direcção à Avenida dos Aliados: [Read more…]
Em Coimbra acabou assim
Moção popular de censura ao governo, e a Grândola cantada por quem mais ordena.
Texto da Moção: [Read more…]
Os aldrabões em processo de negação
E contudo ela move-se, a terra e a multidão. Calcular o número de manifestantes com base no metro quadrado, que é imóvel, ou é ignorância de quem nunca esteve numa manifestação (e boa parte dos que criticam o 2 de Março estiveram no 12 de Março de 2011) ou pura aldrabice.
Vou mais para a segunda hipótese, digna de quem continua a debitar mentiras sobre a economia portuguesa, desde o célebre “chamámos a troika porque não havia dinheiro para pagar os salários e as reformas” (quando o que não havia, nem há, é dinheiro para pagar os juros da dívida que dispararam por via de um ataque concertado das agências de ranking) ao”temos professores a mais“. [Read more…]
Perceber os sinais
Ontem Portugal gritou.
Desta vez não foi um silêncio ensurdecedor.
Ontem, no Porto, em Braga, em Vila Real, em Coimbra, em Faro, Portimão, Castelo Branco, Évora, Lisboa e outras mais, os portugueses e as portuguesas desceram ruas e juntaram-se nas suas praças.
Para muitos comentadores e outros tantos desconhecedores da realidade em que Portugal e os portugueses mergulharam, foi uma manifestação contra a troika, o Governo e o Presidente da República. Não foi tão redutor.
Os portugueses foram para a rua pelo desespero em que estão mergulhados. Vidas interrompidas. Os mais velhos por se verem espoliados de parte substancial da sua reforma a que tinham e continuam a ter direito. Os mais jovens por se terem apercebido de que não passou de uma miragem a oportunidade que lhes foi vendida pelo canudo obtido. A geração da minha irmã pela angústia de não saberem que futuro dar aos filhos e como sustentar o dia a dia. As crianças pelo desespero que sentem nos olhares dos seus progenitores. Os pequenos e médios empresários por estarem em pânico perante o esbulho fiscal que lhes retira qualquer esperança de recuperação. A minha geração por não saber, na realidade, se fica ou parte.
Um milhão onde não cabem 300 mil
Não fui, nem nunca iria a uma manifestação como esta que se verificou ontem, apesar de saber que poucas coisas, nos dias de hoje, andam razoavelmente bem no nosso País. Não encontro nos organizadores e apoiantes, no slogan simplista “que se lixe a troika”, e no entoar da “Grândola” em tudo quanto é canto e esquina ou acontecimento político em que intervenham ministros, qualquer vislumbre de pensamento positivo ou de propostas alternativas que sejam viáveis.
No entanto, este 2 de Março foi um marco, um aviso sério, um grito lancinante, feitos do desespero de alguns (muitos) e do oportunismo de muitos (demasiados).
Neste 2 de Março as gentes vieram para a rua não só para gritar contra a troica, não só para gritar contra Gaspar ou Álvaro, mas especialmente para avisar seriamente Passos Coelho do desespero que as consome.
Neste 2 de Março, o governo, melhor dito, o nosso Primeiro Ministro, tem de perceber que o povo está descontente, que não foi neste Gaspar duro e aparentemente insensível que o povo votou e que o desespero pode provocar um ainda maior descalabro social. [Read more…]
Vaselina
Aos queridos comentadores que andaram por aqui esta tarde: doeu? Olha que chatice …
Grândola Vila Morena
Aqui numa arrepiante versão do Vítor Rua. Também pode cantar em casa.
Hoje…
…muitos amigos meus vão “para a rua contra a troika”. Que tudo corra bem, sem violência. Com Liberdade. Sempre.
Ainda não é desta que vou convosco. Um abraço!
Salgueiro nas matas
Se uma instituição precisa de alguém para limpar uma mata é porque há um trabalho para fazer. Se há um trabalho para fazer, num país civilizado, há um emprego para oferecer, incluindo salário, descontos, direitos, deveres, enfim, respeitando-se o empregador e o empregado, como é próprio de um mercado laboral de um país civilizado. [Read more…]
Uma Geração Equivocada

Ainda há poucos meses alguns “estudantes” se manifestavam e indignavam porque a Reitoria da UM proibira certas praxes dentro do campus de Gualtar. E nos fora da especialidade, os adolescentes mostravam-se muito descontentes. E insultavam quem deles discordava.
Perguntei se se manifestariam quando, lá para fevereiro, houvesse colegas a desistir das aulas pelo não pagamento atempado das bolsas de estudo.
Não me responderam. E ainda não me convidaram para uma manif solidária…
Geração na merda!
A morte dos portugueses
«Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspectivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida.(…) O poder destrói o presente individual e colectivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho (…) O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças – em vias de me transformar num ser espectral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si. (…)
Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de acção. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país.» José Gil na revista Visão
Não te esqueças de ficar em casa
Fica em casa, pá. Eu sei, isto não vai lá com manifestações, pá. Só à bomba pá, com a malta toda a cercar S. Bento. Fica em casa, é onde a tua garganta fica bem.
E tu, fica em casa. Continua com medo. Esconde-te debaixo da cama. O medo não te dá asas, dá-te pior ainda, vais ter tudo aquilo de que tens medo, uma boa razão para que fiques em casa, à espera que venha.
Fica em casa. Não queiras saber da política. Ela continua a entrar-te por baixo da porta, mas em casa é que estás bem. Em casa podes não ter pão, mas queres lá saber, os outros que decidam da tua miséria.
Fica em casa. E não te esqueças de repetir amanhã que estás farto desta merda toda, isto não pode continuar assim, cambada de gatunos, mas repete apenas em casa, para que ninguém te ouça, o governo é para ti uma coisa de estranhos. Não aprendas a democracia que não vale a pena.
















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