Por que vou ao 2 de Março

Tenho lido alguns testemunhos de pessoas importantes, umas que admiro, outras nem por isso. Todas dizem das suas razões para estarem presentes na próxima grande manifestação.

Eu sou importante apenas na minha casa e no meu ambiente familiar e social (e às vezes nem aí), mas sinto necessidade de «botar» por escrito as minhas motivações. Esta postada será também publicada no blogue das minhas filhas, para que um dia elas possam perceber o que motiva a sua mãe.

Não sei se elas serão como eu, tão críticas do que se passa em seu redor, tão revoltadas com o que está errado ou se, pelo contrário, serão seres amorfos, conformados com o que sucede. Não sei se elas serão de esquerda ou de direita. Não sei se elas se envolverão na sociedade lutando para que o mundo seja melhor. Mas sei que tudo farei/ que tudo faço para que elas sejam pessoas esclarecidas. Para que tenham na base da sua educação princípios de amor ao próximo, de solidariedade, de dignidade própria e de todos os seres vivos, de liberdade. [Read more…]

Almada contra megaterminal portuário na margem sul

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Qual é o problema de interromper o Relvas? (7)

Crianças faltam à escola para pedir esmola

Alexandre Soares dos Santos

em pose de salvador da Pátria diz não compreender as “mensagens de ódio e insulto”. E no entanto, o povo indignado continua a consumir nas lojas da Jerónimo Martins, que em 2012 apresentou mais de 360 milhões de euros de lucros.

D. Laurinda vai ao 2 de Março

Esse caixote que aí está, de pé, ao lado da caixa, é para a D. Laurinda se sentar. E por aí já vêem que não é uma cliente qualquer. A qualquer hora do dia, depois de adiantado o serviço de casa, D. Laurinda vai até à mercearia, diz bom dia a quem está, e ocupa o seu trono de oráculo do bairro. Sabe quais são os negócios que estão para abrir ou para fechar, que casas estão para alugar, a como está o quilo de tudo, quais são as melhores laranjas para fazer sumo. De política, nunca quis saber nada.

– Ó D. Laurinda, então não vai à manifestação?

Nunca ia. Já não tinha saúde para isso, má circulação, varizes nas pernas, os brônquios muito atacados, uma chiadeira nos pulmões, a cabeça ourada. E é muita gente, muita gente, ela não gosta de confusões.

Mas os tempos mudam, as lojas fecham, o filho não tem trabalho. Vai a entrar para a mercearia, o marido fica à porta, à conversa com os vizinhos, reformados como ele.

– Ó menina, olhe que eu desta vez vou à manifestação – grita ela, como quem dá a boa-nova. [Read more…]

Uma crónica do manicómio

Luís Manuel Cunha in Jornal de Barcelos de 13 de Fevereiro de 2013.

“Independentemente do maior ou menor requinte habitacional da capoeira, a nossa galinha é um animal feliz

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Era uma vez um cão chamado Zico. De raça perigosa, um pitbull. O cão matou uma criança. O que era sensatamente evidente era que o cão deveria ser exterminado para evitar que viesse a molestar mais alguém. Qual quê? Levantaram-se contra o abate do cão assassino toda uma legião farisaica de fundamentalistas defensores da bicharada: os das baratas, os das moscas varejeiras, os dos ratos, os das galinhas poedeiras e a mais recente associação de defesa da pulga indígena. E a Associação Animal avançou mesmo com uma providência cautelar contra o abate do bicho, coitadinho! Se bem que nenhum dos defensores do dito se tenha disponibilizado para o levar para casa. Diziam estes “ditadores dos animais” que o bicho “merece uma segunda oportunidade” até porque “se atacou, algum motivo teve para o fazer”! Devem ser os mesmos acérrimos defensores da bicharada que empunhavam um cartaz onde um touro, de lágrima escorrendo do canto do olho, garantia que “também tinha sentimentos”! Recordo uma vez mais um poema de Sophia de Mello Breyner: “As pessoas sensíveis não são capazes / de matar galinhas / porém são capazes / de comer galinhas”. Estes fundamentalistas animais não matam galinhas. Mas comem-nas porque têm quem as mate por eles. Não são sensíveis. São apenas ridículos.

Depois do cão, o porco[Read more…]

O caso DOPA

Francisco Sousa Tavares, o boi de piranha, Vanzeller, Pinto Basto, D´Orey, Avillez, Roquette, Lumbrales, Breyner, Mendia, Balsemão, Mário Raposo e Isaltino de Morais. Tudo boa gente.

Stéphane Hessel (1917-2013)

stephane_hessel(Johannes Eisel/AFP )

Faleceu esta noite aos 95 anos o autor do manifesto Indignez-vous! (2010). Deixa uma vida de resistência e de combate pela democracia. “É preciso que a indignação dê lugar a um comprometimento conjunto.”

Qual é problema de interromper o Relvas? (6)

Desempregados e precários atingem já os três milhões

Grândola e a democracia formal

Por Santana Castilho

Coelho e Gaspar são seres ocos de alma. Actuam como robots, insensíveis às pessoas que abalroam. Quando se espetam na realidade, ficam ali, obcecados, empurrando o que não se move, moendo carretos, como os bonecos de corda da minha infância. Só mudam quando os senhores do dinheiro os reprogramam. Trocados os chips moídos, voltam à sugagem solipsista para que foram preparados. A obra-prima de Relvas foi levá-los ao Governo. Imagino-o produzindo-a, ora de avental, no secretismo da organização, ora de iPhone à boca, injectando no tutano da fibra óptica a baba com que foi tecendo a conveniente teia partidária. Visto, cola-se-lhe à figura a falsidade e a falta de ética. “Ouvisto”, sobram as banalidades. Mas confrontá-lo com a “Grândola, Vila Morena” inquietou os defensores da democracia. Que democracia? A formal. A do “da” e do “de”, agora destrinçados pela fina porfia presidencial, em tempo certo, oito anos passados. Ao apreciarem os factos, esqueceram que há outra democracia: a que a alma imensa de Zeca Afonso cantou.
No Clube dos Pensadores, primeiro, no ISCTE, depois, Relvas foi interpelado pela canção de Abril. No primeiro caso reagiu, cantando-a alarvemente. No segundo, foi, por uma vez, autêntico: fugiu, cobardemente. [Read more…]

O Beijo Autárquico

Miguel Relvas deu um a Fernando Seabra em Lisboa; Edite Estrela dá outro a Vitor Sousa em Braga.
E a festa ‘inda agora começou.

Ao cuidado da SPA, do To Zé Brito e de mais uns quantos lobbystas

As receitas geradas pela indústria discográfica aumentaram 0,3 por cento, em 2012, pela primeira vez desde 1999, anunciou hoje a Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI). 

Aliás, as receitas de venda de música, apenas em formato digital, situaram-se, em 2012, nos 4.250 milhões de euros, representando uma subida de nove por cento em relação a 2011.

De acordo com o relatório anual da federação, o consumo de música digital, nas várias vertentes na Internet – em descargas legais, subscrições, escuta de canções e visionamento de vídeos – representou 34 por cento da facturação das editoras discográficas.

Em 2012, descarregaram-se legalmente 4.300 milhões de canções, um aumento de 12 por cento em relação a 2012, e, para tal, terá contribuído também a proliferação de telemóveis e “tablets” com capacidade para tal.

Há países em que o consumo de música em formato digital superou a compra em formato físico, como Noruega, Estados Unidos, Índia e Suécia. [DN]

A questão é simples. Contrariamente ao que a Sociedade Portuguesa de Autores pretende, a Internet está a fazer aumentar os seus lucros.  Querem comer a galinha dos ovos de ouro e ainda ficar com a galinha. E como? Simples, querem passar a receber dinheiro de quem compra discos duros, telemóveis, máquinas fotográficas, etc., etc. E desta vez andam a ver se conseguem aprovar uma lei às escondidas. Vergonhoso? Não, encostados ao consumidor, como muitos outros. Ainda para mais, procuram fazê-lo sob o pretexto de  uma falsa vantagem para o consumidor, a da cópia privada. Pois eu prescindo da cópia privada. Aliás, nem a posso usar legalmente em DVD e Blue-Ray. Portanto, vão-se catar e vivam dentro do que o vosso orçamento permite.

Março

marçoNova contagem: 34 35 manifestações

Señoritas (2006)

A Naifa, do álbum 3 minutos antes de a maré encher (2006)
Música de João Aguardela e Luís Varatojo, letra de Tiago Gomes

Franquelim Alves, o mal pago

8-empregos-8 e apenas 2709 euros por mês. Assim se escapa ao fisco em Portugal.

O camilourenço, a História e a Economia

Camilo Lourenço camilourenço, dicionarizado a preceito pelo João José Cardoso, desde há muito demonstrou ser um provocador mentecapto. Saiu a terreiro com nova imbecilidade, hostilizando a História como área do conhecimento científico humano – área sublime, entendo eu.

Sou economista, membro da respectiva ordem. Em defesa da verdade, mais do que da ‘minha dama’, entendo que, reagir com fragilidade a Camilo Lourenço camilourenço, para desvalorizar a Economia, como ciência social, é igualmente censurável. A polémica desce a baixo nível e naturalmente ao mundo da subjectividade. Mais a mais, invocando Margaret Tatcher, engenheira química, que, em sintonia com Reagan, foi grande obreira da desregulação dos mercados originária da crise sistémica. Registe-se-lhe também o feito de fundadora do modelo das PPP que o advogado e trabalhista Blair aproveitou e outros disseminaram pela Europa – de Cavaco a Sócrates tivemos, entre nós, excelentes intérpretes dessa ruid(n)osa melodia, pela qual estamos e vamos pagar milhares de milhões.

No curso que frequentei, além de Sociologia, Psicologia Social e Psicossociologia e outras áreas sociais, integrava-se a disciplina de História Económica e Social, ministrada pela Prof.ª Miriam Halpern Pereira, doutorada pela Sorbonne, universidade onde foi assistente do Prof. Pierre de Vilar. A ideia de que os economistas estudam só números é imprecisa, embora os mais responsáveis pela imagem sejam eles próprios.

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Pedro, O Coelho

Chico do Vale.  Via Música Portuguesa a gostar dela própria.

2M: Luís Varatojo

spaLuis Varatojo, da Naifa, na Gala da Sociedade Portuguesa de Autores, escreveu o discurso no cartaz do Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena.

Concluiu dizendo que “o povo é quem mais ordena”. Foram embora sem levar o prémio. Que se Lixem os Corações Obedientes!

(via Facebook)

Nova funcionalidade no Blogometro

A partir de agora o Blogometro  mostra as estatísticas mensais da blogoesfera.

 

Agenda

Agradeço-vos, Marquesa
O convite p’ra almoçar
E a promessa, à vossa mesa
De champanhe e caviar

Peço perdão, nas não posso
Tem de ficar p’ra depois
Pois a hora do almoço
Está cativa, dia dois

Faço vénia respeitosa
E osculo a vossa mão
Nessa hora jubilosa
Vou à MANIFESTAÇÃO!

Casados com comunhão de teses

Professora e vereador apresentam teses semelhantes.

É o chamado plágio conjugal.

Crise zona euro

Os países excedentários são tão responsáveis pelos desequilíbrios como os países deficitários. A única resposta à divergência crescente entre as economias dos Estados-membros da UE será a solidariedade, mediante um programa político de convergência de interesses. Fonte: Le Monde

Vamos dicionarizar Camilo Lourenço

basta+de+camilo+lourenco
Não é muito frequente nome próprio virar substantivo ou adjectivo, mas acontece; Miguel de Vasconcelos que o diga. Camilo Lourenço merece.

O Luís M. Jorge já nos legou uma primeira tentativa de sistematização do conceito de Camilo:

O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião. Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.

A mais recente aparição camilolourençiana (muito cuidado com o isolar do Camilo, não se ofenda o Castelo Branco) acrescenta a noção de ignorante e pregador da indigência cultural, essa salazarenta reaparição do culto das habilitações mínimas para que se obtenha a exploração salarial máxima.

Miguel Relvas, por exemplo, é um autêntico Camilo Lourenço camilourenço da política, e fico-me por aqui antes que resvale para o pleonasmo. No território educativo és um camilolourenço camilourenço substitui com vantagem o gasto e usado cábula, tal como de um curandeiro armado em médico alternativo se dirá com vantagem: eis um camilolourenço camilourenço da medicina.  Os exemplos, a utilidade e enriquecimento da língua portuguesa tendem para o infinito. Vamos a isto, a língua por enquanto ainda é nossa, e se alguém reclamar do neologismo, grandola-se para ficar sossegado.

Adenda: corrigido camilolourenço por camilourenço.

França: 3,2 milhões de desempregados

O Le Monde abriu um véu sobre o que os franceses saberão de fonte oficial logo mais à tarde: o desemprego está em imparável, malgrado as palavras doces e mentirosas de Hollande. Fonte: Público

Diz-me, espelho meu, haverá alguém mais inútil do que eu?

Sem título

Eat Stop Eat – O jejum intermitente de 24 horas

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Um livro com uma teoria interessante de Brad Pilon acerca das vantagens do Jejum Intermitente de 24 Horas (Intermitent Fasting) na perda de peso e de gordura corporal. Uma teoria que vai buscar muitas das suas bases aos primórdios da História do Homem, cujo organismo se habituou desde os tempos do Paleolítico a longos períodos sem alimentos. E se a esperança de vida nessa altura era pequena, não se devia certamente ao tipo de doenças a que estamos habituados nas sociedades ocidentais desenvolvidas.
Elencando todos os benefícios para a saúde da prática regular (uma vez por semana) do jejum intermitente – aumento da sensibilidade à insulina, protecção cardiovascular, metabólica e neurológica, redução da pressão arterial, aumento dos níveis hormonais, desintoxicação do corpo, etc. – Brad Pilon faz uma aproximação à Dieta do Guerreiro ou à Dieta do Paleo, que se inspiram precisamente no tipo de alimentação praticado pelo Homem do Paleolítico. Um tipo de alimentação anterior à agricultura, onde não existiam alimentos processados e onde os hidratos de carbono eram praticamente inexistentes.
É provável que a esmagadora maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar do Jejum Intermitente. Por uma razão muito simples: a maioria dos estudos ligados à alimentação e à nutrição, e depois adoptados pelos nutricionistas, é patrocinado pela indústria alimentar. E como é óbvio, à indústria alimentar não interessam os estudos que dizem que não se deve comer por um dado período de tempo. À indústria alimentar, interessam os estudos que dizem que devemos comer de 3 em 3 horas…
«Eat Stop Eat», de Brad Pilon, hoje na net. Para ler mais, ver aqui.

Factura

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Baixa lisboeta, ontem. Pedir factura, mas isso já não existe. Dizem.

Mural

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Ladrões de Bicicletas

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Ojt7ZgDNmnk&w=260]

De Vittorio De Sica. Legendado. Ficha IMDB

Construção embargada

“Os portugueses sentem-se pouco europeus”, leio por aí. Olha que novidade. Os portugueses nunca se sentiram verdadeiramente europeus por todas as razões que os separam desse povo imaginado, indistinto e vago, constituído por gente culturalmente muito diversa entre si, cidadãos de um império alargado em combinações possíveis. Os portugueses são um povo demasiado (ou suficientemente, conforme a perspectiva) ancorado materialmente na sua identidade (na sua terra concreta, a que sempre regressam, propulsados pela saudade) para conseguirem projectar-se numa utopia a que a realidade tem conferido crescente distância. [Read more…]