Num dia de greve de professores temos de falar disto

ranking
Façamos então uma pequena experiência, Vítor Cunha. Coloque os alunos da Escola Visconde de Juromenha a estudar no Colégio dos Plátanos e os alunos deste colégio a estudar naquela escola. E veja depois se não é a Visconde de Juromenha que fica em 2.º lugar no ranking e o Colégio dos Plátanos em 1285º.
Ou sigamos a sua teoria – dar liberdade de escolha aos alunos. Já estou a imaginar. Os putos do Bairro do Aleixo ou de Miragaia, no Porto, a entrarem pelo Colégio de Nossa Senhora do Rosário adentro, cumprimentando com educação as freiras e os padres; os miúdos do Ingote ou do Bairro da Rosa, em Coimbra, a invadirem de forma muito ordeira o Colégio Rainha Santa; a chavalada de Chelas e do Bairro da Quinta do Mocho, em Lisboa, a ocuparem os melhores lugares do Colégio de S. João de Brito.
Mas há uma condição: as escolas privadas não poderão seleccionar os alunos, terão de aceitar tudo o que lhes calhar em sorte. Para podermos comparar, não seria justo que uma escola pública tivesse de aceitar tudo e uma escola privada pudesse seleccionar, pois não?
Acredite, ia ser divertido… e o melhor que podiam fazer à Escola Pública.
Quanto aos custos, depende sempre da forma como se olha para os números. Para mim, é muito claro que o ensino público fica mais barato do que o ensino privado com contrato de associação.
Por último, sabe que é demagogia pura falar dos rankings da forma como o faz. É que se vamos falar dos rankings, apetece-me olhar para o da Universidade do Porto e ver que os seus melhores alunos vêm da Escola Secundária Garcia de Orta. [Read more…]

Perguntas a um perguntador

A quatro perguntas também posso responder perguntando, ficando implícitas informações ao alcance de um googlar?

Porque há-de o estado subsidiar negócios ou organizações religiosas? porque carga de água deve sair do orçamento geral do estado o lucro dos empreendedores, que fazem pior e mais caro que o estado?  porque será que o estado tem custos superiores com os contratos de associação do que tem com a sua rede escolar? desde quando é que uma empresa que visa o lucro e apenas o lucro faz melhor que um serviço público que tem por único objectivo a satisfação de uma necessidade social?

Porque não há-de um estado gastar mais com umas regiões do que com outras? deve um país abdicar do seu território? e se sim, vende esse território ou oferece-o gratuitamente a uma potência estrangeira interessada? [Read more…]

Poupar milhões com professores para despejá-los aos milhões nos colégios privados

Todos os anos, o Orçamento de Estado despeja 300 milhões de euros nos colégios privados por um serviço que a escola pública está perfeitamente apta a prestar, por menos dinheiro, tanto a nível de infra-estruturas como de recursos humanos.
A desculpa é sempre a mesma. Os contratos de associação começaram numa altura em que a rede pública não cobria a totalidade do território nacional. Hoje em dia, é argumento que já não colhe. Há escolas em todo o país e a sobre-lotação é um problema que não se coloca.
Esta situação, que é uma das maiores vergonhas nacionais, ganha contornos de especial gravidade agora que se fala do despedimento de milhares de professores que já estão no sistema. A explicação oficial é a de que não há dinheiro para pagar a esses professores porque não há alunos suficientes. Mas já há dinheiro para pagar 300 milhões por ano (o equivalente ao que se gasta com o RSI) para manter quase 1900 turmas, o equivalente a uns 50 mil alunos.
Isto vai muito mais além da mera discussão ideológica. Continuar a engordar meia dúzia de grupos económicos à custa do Orçamento de Estado (o mesmo que pagará depois os subsídios dos professores a despedir) é mais do que uma política errada. É um verdadeiro crime.

Ganhos de produtividade

horario professores

Parece que para os patrões do ensino um professor pode ter 30 a 33 aulas por semana.  Nunca experimentei mais de 25, mas durante um ano lectivo trabalhei com uma colega que além de 24 na escola ainda vendia 6 num colégio e acabou o ano com mais umas turmas em substituição.

– Como é que aguentas? – perguntávamos.

– Aguenta-se bem, só tenho o 7º e o 8º.

Uma vez os alunos de uma turma comum pediram-me para dar mais apontamentos, mas avisando que também não era para exagerar.

– Exagerar como?

– Não faça como a professora de Geografia que abre o livro e começa a ditar.

– Ditar o livro? – estranhei.

– É assim que dá as aulas, temos o livro todo copiado.

Estava explicada a capacidade de resistência da minha colega. É esta a qualidade de ensino que se quer contratar em Portugal.

 

A Arte de Furtar

e a habilidade do Grupo GPS.

A realidade é uma chatice

Como é que reage um defensor acérrimo da privatização do ensino quando a avaliação das escolas públicas é francamente positiva? ironizando.

Ora a ironia está noutro lado: 231 estabelecimentos de ensino público foram avaliados pela Inspecção Geral do Ensino, juntamente com peritos externos, mas tal não envolveu nenhuma das escolas privadas sustentadas com os nossos impostos. Safa, inspectores por aqueles lados podem encontrar problemas, bastaria uma análise cuidada dos horários (a qualidade do ensino ministrado por um professor que lecciona 28 tempos lectivos e recebe como se o seu horário fosse metade deve ser fantástica).

Veja-se que na última bacorada ministerial, realizar os exames do 4º ano nas escolas sede dos agrupamento, com todas as impossibilidades praticas (vão a pé?) e encerramento das actividades lectivas que isso acarreta, teve logo um, e apenas um, recuo: [Read more…]

Fecha uma escola pública em Coimbra

rede escolar margem esquerda
Os professores do Agrupamento de Escolas Coimbra Centro foram ontem informados do encerramento da EB 2,3 Silva Gaio.  Ao que parece a câmara, proprietária do terreno onde se encontra a escola, vê o assunto com bons olhos (a entrega do edifício à Universidade para ali instalar a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física é há muito falada).

Não tenho grandes dúvidas de que este Agrupamento (completamente absurdo e sem qualquer ligação geográfica entre as escolas que o compõem) é uma espécie de comissão liquidatária de escolas, o encerramento da Secundária Jaime Cortesão, colocando no mercado um apetecível espaço no centro da cidade.

Como também me parece óbvio que a rede escolar da margem esquerda de Mondego, que vos deixo na imagem, sofre as consequências de conter o Colégio de S. Martinho, que tem contrato de associação com o Ministério da Educação. Enfim, mais umas dezenas de professores para o desemprego.

Ensino

ensinovia Elfi Kürten Fenske

Ainda o Grupo GPS

Mais 200 denúncias… e o esclarecedor silêncio de Nuno Crato. Dizem que há uma auditoria. Uma aposta em como vai parir um rato?

O número um e o número dois são zeros

Santana Castilho*

1. A história da política é também a história de muitas ideias falsas. Com dolo ou sem ele, é sempre condenável que se apresente o que não é factual e não pode ser demonstrado como algo sem apelo nem alternativa. Este é o pecado de ambos: do número um, ignorante convencido, e do número dois, taliban assumido. Ambos são responsáveis por sofrimento que derrota e por desesperança que deprime. Dizem as estatísticas que dois milhões e 600 mil portugueses vivem abaixo do limiar da pobreza, que três milhões vivem com 16 euros por dia e dois milhões com 14, que 21 por cento dos velhos são pobres, que um milhão e 400 mil não têm trabalho e, destes, um milhão e 30 mil não recebem subsídio de desemprego. E dizem eles, o número um e o número dois, que temos que empobrecer, porque vivemos acima das nossas possibilidades? Que desígnios guardam para o povo? Desemprego eterno? Estrangeiro para os novos e caridade para os velhos? Retorno aos bairros de lata e à miséria honrada de Salazar? Ambos rejeitaram a obrigação nobre de gerar e redistribuir riqueza e abraçaram a missão abjecta de generalizar a pobreza. Saibam lá no inferno que, quem assim governa e refunda são zeros! [Read more…]

A reportagem da TVI sobre o ensino privado, versão grupo GPS

Dizem que é uma espécie de gordura de estado: milhões a voar para ilegalidades várias, inspecções feitas com pré-aviso, ligações com actuais deputados e muitos reformados da política, o Grupo GPS é um caso de sucesso no enriquecimento em Portugal.

Alcançado como de costume: com o dinheiro dos seus impostos.

TVI – Reportagem completa sobre os colégios GPS

Já está disponível – rigorosamente a não perder.

Passa hoje

São colégios privados, totalmente financiados pelo estado, ou seja, pagos por todos nós. Só este ano receberam de financiamento, qualquer coisa como 25 milhões de euros. Foram construídos de Norte a Sul do país, onde supostamente, as escolas públicas já não podiam receber mais alunos. Mas, na realidade o que uma equipa da TVI encontrou no terreno é completamente diferente. Fomos encontrar escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados. O «Repórter TVI» mostra-lhe também um retrato do que se passa nesses colégios, com professores a serem ameaçados de despedimento, denúncias de manipulação de notas, professores que se sujeitam a humilhações. Ao todo são 26 colégios, todos do Grupo GPS, que tem como consultores, deputados e Ex-Secretários de Estado que depois de deixarem o cargo, passaram a trabalhar para o grupo. «Dinheiros Públicos, Vícios Privados» é uma reportagem da jornalista Ana Leal, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas

A Educação, em Portugal, é gratuita?

As manobras e as contramanobras do governo à volta do tema da gratuitidade da Educação em Portugal servem para lançar uma cortina de fumo, com o objectivo declarado de vir a sobrecarregar os contribuintes com mais impostos disfarçados. A comunicação social, por desconhecimento ou colaboracionismo, vai ajudando o governo.

Numa reportagem de hoje, no Jornal de Notícias, várias pessoas chamaram a atenção para o facto de que, na verdade, a Educação já não é gratuita, em Portugal, há vários anos: para além dos impostos, a maioria dos encarregados de educação paga manuais, material escolar, transportes e refeições.

Limito-me a juntar algumas reflexões avulsas, só para lembrar que, entre outros problemas, e tendo em conta que as escolas têm ficado com cada vez menos tempo e com cada vez menos recursos, há crescentes dificuldades em proporcionar apoios mais individualizados aos alunos. Para além disso, verifica-se uma progressiva destruição das escolas como instituições que poderiam permitir a alunos mais desfavorecidos o contacto com determinados bens culturais, como a música, o teatro e outras artes e actividades fundamentais para o desenvolvimento harmonioso de qualquer jovem (o próprio desporto escolar sofreu cortes enormes).

Conclui-se, assim, que quem quer proporcionar aos filhos uma educação mais completa terá de pagar por isso. Tendo em conta o empobrecimento geral da população portuguesa e a ruína da Escola Pública, é fácil perceber que os jovens estão, na sua maioria, a ser afastados de uma educação com um mínimo de qualidade.

É claro que, entretanto, há entidades privadas a salivar por poderem deitar a mão à gestão das escolas, desde que o Estado as sustente: tendo em conta que, por exemplo, no sector privado, qualquer trabalhador está cada vez mais desprotegido, será fácil adivinhar que os professores poderão ser obrigados a dar ainda mais, continuando a receber cada vez menos, tal como acontece em muitos colégios, embora haja, sobre esse assunto, um muro de silêncio criado pela necessidade de sobreviver.

O ensino, em Portugal, num futuro próximo poderá ser gratuito para todos aqueles privados que passarem a receber do Estado e dos encarregados de educação.

Não martelem os dados

Santana Castilho *

Escrevo este artigo na manhã de terça-feira, 20 de Novembro. À tarde haverá uma conferência de imprensa para divulgar os resultados a que chegou o grupo de trabalho, constituído no fim de 2011, ao qual foi pedido que apurasse o custo do ensino público por aluno e por ano de escolaridade. Tenho o documento à minha frente e, embora o artigo que ora escrevo só saia amanhã, respeito o compromisso que assumi de nada referir antes da respectiva apresentação pública. Posso, todavia, relembrar factos para a tinta que vai correr. [Read more…]

O pormaior

Ainda não li o segundo relatório que em poucos dias desmonta a utopia de uma escola privada, cuja razão de ser é o lucro, ficar mais barata que uma escola pública, que se destina a ensinar, o que já não é pouco. Porque “foi demasiado tempo para a coisa em si“, e pelo passado de alguns dos seus membros, suspeitava-se que ia sair logro: felizmente que não foi assim, e honra aos seus autores por isso mesmo.

A partir deste momento é uma arma de peso para que os professores da minha cidade exijam a justiça a que têm direito, mesmo sabendo que isso afronta o pior dos poderes locais. Também é para isso que pago quotas a um sindicato que em tempos bem o tentou fazer, sofrendo as consequências.

Agora ele há pormenores muito pormaiores em que alguém já reparou:

por que razão um relatório com data de 31 de agosto só é divulgado a 21 de novembro?

Fica para já a dúvida se entretanto não tentaram fazer outro.

Desengordurar o estado no ensino em Coimbra

Constatando-se mais uma vez que o estado gasta mais quando subsidia o lucro dos privados, agora é cumprir o memorando da troika e limpar estas banhas.

A verde: colégios subsidiados em Coimbra que de um modo geral não fazem falta nenhuma considerando o número de alunos existentes. A amarelo, a rede pública que está na maior parte dos casos subutilizada (e que precisamente por causa disso inclui uma das escolas públicas mais caras do país).

Vamos lá deixar de viver acima das nossas possibilidades na capital do ensino privado em Portugal. Não sendo assim, e já no próximo ano lectivo, constata-se que a austeridade quando nasce não é para todos.

Hoje há mentiras novas sobre o ensino privado

Segundo o Paulo Guinote sai hoje, finalmente, o estudo da comissão de raposas que vai avaliar o custo das galinhas, antes de lhes ir ao pescoço, ou seja: uma comissão presidida por um ex-presidente Conselho Coordenador do Ensino Particular e  Cooperativo, que conta com o saber de Claudia Sarrico e, vai uma apostinha, com alguém que em breve ir parar às consultadorias do Grupo GPS.

Ao ler por estes dias um texto do director de um afamado colégio que se baralhava numas contas do tribunal das mesmas,  lembrei-me de lhe perguntar, a ele e a todos os vendedores de ensino, como raio conseguem ser tão baratos e porque não explicam. Quero eu dizer: se as carreiras docentes do privado e público são mais ou menos paralelas e esse é o principal custo do funcionamento de uma escola, onde é que está o segredo?

Professores com dezenas de anos de casa estarem a leccionar quase 30 horas por semana e a receberem como se apenas tivessem metade das horas lectivas, como me contam que sucede na cidade de Coimbra, claro que não tem nada que ver com o assunto.

Poupar na educação gastando mais

É preciso deixar a realidade estragar uma boa história

Fala um funcionário da Católica

Mentir já não é pecado, Roberto Carneiro?

As tabelas de preços do ensino privado

O  Nuno Domingues  viu o preço das escolas privadas com contrato de associação, quando paga o estado, e foi ver quanto pagam os pais que pagam (é suposto que as turmas subsidiadas sejam à borla) em algumas destas beneméritas instituições.

Nós pagamos 4522 euros, em média, por aluno e por ano, preço de tabela, os pais têm desconto e pagam nalguns colégios 2500 euros, preços de outra tabela.

Ou seja: estava completamente enganado quando, perante o Relatório do Tribunal de Contas, constatei nas suas próprias conclusões como o privado é mais caro que o público, tendo em conta uma maior oferta de soluções e recursos educativos e os cortes recentes na educação perante uma diferença mínima calculada (e note-se que foi impossível isolar todos os custos contabilizáveis do público, inflacionando o resultado médio obtido).

Afinal o ensino privado com contrato de associação fica-nos mais caro mas é mais barato. [Read more…]

A quanto está o aluno?

É inegável a importância de se saber quanto é que o Estado gasta, seja em que área for. Não é menos importante, no entanto, lembrarmo-nos de que existe vida para além dos ficheiros de excel. Os contabilistóides que gerem a pasta da Educação vivem obcecados com custos, embora vivam pouco preocupados com valores: entre o excel e a vida, prescindem da segunda.

Saber quanto custa ao Estado cada aluno é, então, importante. Essa questão tem sido constantemente colocada ao longo dos últimos anos, sempre com a preocupação de tentar descobrir as diferenças entre o que custa um aluno de uma escola pública e um aluno de uma escola privada com contrato de associação.

A comissão parlamentar de Educação pediu ao Tribunal de Contas um estudo sobre o assunto. Em Maio deste ano, Oliveira Martins fazia referência a esse estudo que acaba de ser divulgado e que já mereceu um primeiro comentário do João José, com ligação para a notícia saída no Público e para o estudo propriamente dito. [Read more…]

O ensino privado é mais caro que a escola pública

A Assembleia da República pediu ao Tribunal de Contas que estudasse o custo, para o estado, de um aluno na escola pública e na escola privada.

O relatório foi agora publicado (pode descarregá-lo nesta página) e é taxativo na sua sugestão:

Ponderar a necessidade de manutenção dos contratos de associação no âmbito da reorganização da rede escolar.

Mantivemos no Aventar uma longa polémica sobre este assunto (a etiqueta ensino privado contêm o essencial). Conhecendo a seita, sei muito bem que vão virar o relatório do avesso e cuspir o contrário. Os do costume. Os que defendem o negociozinho à conta dos nossos impostos. Os que glorificam o lucro omitindo que nós é que o pagamos.

Pior e mais caro, no ensino como na saúde, é no privado. É o lucro, estúpidos.

Meter a raposa a contar as ovelhas

Um estudo sobre custos de ensino público vs privado presidido por um ex-Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Particular e Cooperativo. E vergonha no focinho, não há?

Sejamos então rigorosos

Quando falamos de anterior governo e ensino privado falamos também disto, certo?

A magia dos números

Isto de números, e no caso de rankings, implica que se pense um bocadinho antes de usar.

Depois de Paula Teixeira da Cruz ter tido um ataque de bom senso e afirmado “está por provar que o sector privado seja mais eficaz do que o sector público“, Carlos Guimarães Pinto foi aos números.

No ensino saca dos rankings do costume. Convinha ler algumas letras, desde um estudo que demonstra o contrário, ao velho exemplo que arrasa os ditos cujos, já para não lembrar o óbvio, quem selecciona alunos obtém melhores resultados.

Aguardo que chegue à saúde mas espero que não tenha de ir parar às urgências de um hospital privado, já para não falar na espectacular oferta que este sector tem no campo da oncologia, por exemplo…

Roubar no ensino público para dar ao privado

Este é o bom governo de Portugal:

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) vai continuar a pagar 85 mil euros por turma às escolas do ensino particular e cooperativo com as quais tem contrato de associação.

Palavras para quê? Os donos dos colégios são pobres, precisam da solidariedade do estado, e Nuno Crato é um homem de bom coração. Tão bom que ainda dá um bónus, depois de ter aumentado esta verba o ano passado. Tão caridoso que esquece o que está no memorando da troika.

Já agora sempre gostava de saber qual o número mínimo de alunos destas turmas…

Empreendedorismo à portuguesa

Estudo conclui que alunos do particular têm sido beneficiados.

A ilusão do sucesso no ensino privado

Um estudo da Universidade do Porto arrasa a verdadeira fraude que sempre foram as classificações dos alunos no ensino privado.

Fica demonstrado que os colégios dão muito jeito para entrar no curso pretendido mas depois se revelam uma má preparação, já que os alunos provenientes das escolas públicas obtêm melhores resultados na universidade. 

Passível de entendermos se tivermos em conta a inflação das notas no privado (para todos os efeitos trata-se de avaliar clientes), o ensino centrado nos exames (que não é a mesma coisa que centrá-lo na aprendizagem e na autonomia) e a realização dos exames nas escolas privadas (um completo absurdo, agravado pelo facto de estas escolas enviarem os seus professores para avaliarem exames vindos das outras escolas, suas concorrentes). Não sendo nestes factores que se colhe a explicação, digam-me lá onde está ela? bruxedo?

O silêncio dos professores

Sou um defensor da escola pública. Gosto da ideia de ensino público. Os meus filhos frequentam a escola pública.

Mas, perante evidências como esta, gostaria de melhores explicações.

O silêncio dos professores, o encolher de ombros dos professores do ensino público, intranquiliza-me.