O silêncio dos professores

Sou um defensor da escola pública. Gosto da ideia de ensino público. Os meus filhos frequentam a escola pública.

Mas, perante evidências como esta, gostaria de melhores explicações.

O silêncio dos professores, o encolher de ombros dos professores do ensino público, intranquiliza-me.

Privatizem, filhos, privatizem

Num artigo agora disponível no Público narram-se os planos de Nuno Crato para privatizar o ensino básico e secundário em Portugal. O argumento é o da clássica liberdade de os empresários obterem lucros à conta dos subsídios do estado, seja-lhes dado o nome que entenderem. As experiências de referência resultaram num enorme fracasso em termos de qualidade, mas obviamente engrossaram as contas bancárias de alguns.

Como candidamente explica um dos comerciante da educação em Portugal

“Ao nível dos instrumentos de liberdade de escolha, Portugal não fica atrás dos EUA, Suécia ou Reino Unido. A questão é que estes instrumentos jurídicos não têm sido utilizados em todo o seu potencial”

Já conhecemos o potencial. Também conhecemos o memorando de entendimento com a troika, onde se pedia uma “racionalização das transferências para escolas particulares com acordos de associação“. Racionalizar será então dar-lhes ainda mais. Ou de como a troika enquanto desculpa se esquece num instantinho, tratando-se de subsidiar a iniciativa privada. E viva o empreendedorismo.

No público não vale tudo mas no privado é um negócio

O Público conta-nos hoje que alguns alunos do ensino recorrente (por módulos capitalizáveis) entraram em Medicina, e faz disso quase um escândalo. Antes de as Novas Oportunidades terem chegado trabalhei no recorrente durante três anos. É um modelo que facilita a vida a adultos trabalhadores-estudantes (e assim deve ser) mas sem comparação com os EFA’s que o substituíram: os programas são os mesmos do ensino diurno, e na prática apenas se permite que cada módulo (correspondente a cada período) seja feito por exame. Ao contrário do que ali se escreve é impossível fazer o secundário num ano, e os exames são tão válidos como os nacionais.

A bem dizer pensava que esta modalidade estava extinta, assassinada pelas Novas Oportunidades, embora na altura tenha estranhado o aparecimento de aúnuncios de abertura destes cursos no ensino privado.

E esse é o escândalo que agora se revela. Parece que médias de 20 por aqueles lados vão nascendo, já que tal como no ensino regular um tolinho qualquer deu a estas escolas autonomia para a realização de exames. Não sei se estão a ver o filme: sou cliente de uma empresa que me examina. Em última análise se a coisa não correr bem posso pedir o livro de reclamações (estou a exagerar, mas a lógica é essa).
Quando agora lemos isto: [Read more…]

A escola e a escola da vida

porta fechada

O governo proletariza os cidadãos

Sendo a escola um espaço obrigatório de passagem, que importância terá para aqueles que não foram obrigados a incluí-la no seu percurso de vida?

Sendo a escola local privilegiado de aprendizagem, como aprendem aqueles que não a frequentaram, que apenas o fizeram de uma forma rudimentar ou que a deixaram há muito?

Sendo a escola um espaço essencialmente frequentado por crianças e jovens, como relembrar os idosos o seu tempo de escola?

Sendo a escola um lugar público e obrigatório de aprendizagem, porquê colégios privados e caros? [Read more…]

Quem dá aos colégios empresta a Deus?

O governo decidiu aumentar em de 80000€ para 85000€ o financiamento do ensino privado por turma, aumentando igualmente o número de turmas subsidiadas sem ter em conta a concorrência desleal (porque muitas escolas privadas seleccionam os seus alunos) com o ensino público.

Como ficou a seu tempo demonstrado o custo de uma turma no ensino privado pode ficar por 73.920 euros, ou menos, dependendo das ilegalidades que se vão cometendo sobre os professores que ali trabalham.

Não tenho grandes dúvidas de que os 5000 euros/turma irão direitinhos para o lucro dos empresários  e fiquemos assim com mais uma certeza no que toca ao apregoado liberalismo coelhista: o governo gasta mais, sustenta o empreendedorismo e ataca o próprio estado.

É fartar vilanagem.

No Externato Carvalho de Araújo, em Braga, é assim que os alunos tratam os professores

Há uns meses, foi notícia uma cena de tiroteio no Externato Carvalho de Araújo em Braga. Chamei a atenção para o facto e comparei com o forrobodó que teria sido na nossa Comunicação Social se a cena se tivesse passado numa escola pública.
Os alunos do Externato Carvalho de Araújo não gostaram e, tantos meses depois, continuam a mostrar a sua insatisfação. Ainda hoje, recebi mais dois comentários, típicos de alunos bem-formados que receberam uma educação que só pode ser considerada de excelência:

«ui tadinho, ta muito chatiadinho o professor de merda .!.
tu ca fora nao és stor nenhum, se tu fosses meu stor eu podia chegar ca fora e rebentarte a boca toda e nao era por seres professor que eu nao podia fazer isso»

«e tu deves ser daquelas chupa pissas que andam pra i .|.»

Já há algum tempo, recebera um outro comentário que reflecte bem a revolta que vai no seio da comunidade educativa do Externato Carvalho de Araújo em Braga:

«ya mete mesmo piada estes comentários fogo. ve-se mesmo que nao conhecem o externato… e qto aos meninos ricos , e aos bmw’s audis e mercedes ha algum problema ? dor de cotovelo talvez nao ? e crescer ? dava jeito (;»

Alunos do Externato Carvalho de Araújo em Braga, força, estou convosco! Defendam a vossa instituição até ao fim e rebentem a boca toda aos professores que se meterem convosco. Afinal, é para isso que os vossos pais pagam tanto dinheiro ao fim do mês.
Já agora, que mal pergunte, quem é o vosso professor de Português?

O Externato de Penafirme, firme nos seus privilégios

O Externato de Penafirme “é uma Escola Católica, inserida institucionalmente no Patriarcado de Lisboa, de ensino oficial gratuito, público mas não estatal.” Ou seja, uma instituição religiosa sustentado pelo estado, contrariando a sua laicidade, e o mínimo de bom senso. Andava o Externato de Penafirme, ou seja uma instituição do Patriarcado de Lisboa, a distribuir este folheto, e hoje decidiram incomodar José Sócrates, demonstrando como um bom cristão também morde a mão que durante tantos anos lhe deu de comer.

Não se percebe porquê. O estudo encomendado pelo Ministério da Educação conclui:

Tendo em consideração que a área de influência deste estabelecimento de EPC é assumida, em termos territoriais, pelas freguesias mais ocidentais do Município de Torres Vedras (…), território onde a maioria dos alunos são residentes, e que os diferentes estabelecimentos de 2º e 3º CEB da rede pública estatal do Município se encontram com taxas de ocupação elevadas, a proposta passa pela manutenção do “contrato de associação”.

Sendo sugerida apenas a redução em 2 turmas do ensino secundário. Ou percebe-se: quem mama do estado (e a Igreja sempre o fez) não perde o vício. Perdem sim as famílias das proximidades o direito à educação os seus filhos fora da sotaina de uma instituição comprovadamente perigosa para as crianças.

Já agora, gostava de perceber a ideia de meter no papelucho a CDU como defensora do ensino privado. Nunca foi essa a atitude dos professores e sindicalistas ligados ao PCP. Deve ser um fenómeno de Torres Vedras.

imagem via Câmara Corporativa

O amor do PS pelo ensino privado

Não olhes para o que eu digo, olha para o que eu fiz:

Ler uma interessante e desapaixonada opinião sobre a polémica ensino público vs privado de Ivo Gonçalves.

gráfico via Câmara Corporativa

A santa cruzada passou-se

PROCURA-SE CRUZADO DO SÉCULO 21 Desde que em Novembro comecei a aventar sobre o ensino privado que se instalou nos comentários uma espécie de santa cruzada, formada por professores dos colégios, mães e pais que usufruem de serviços religiosos pagos pelo estado, e que não se confundem com quem muito simplesmente não concorda comigo.

Escrever sobre os colégios da minha aldeia levou a que depressa surgissem insinuações sobre a minha vida privada e profissional, ameaças veladas aqui e ali, na demonstração dessa velha estratégia das hordas católicas: quando se esgotam os argumentos passa-se para o ataque ad hominem, quem não é por eles só pode ser uma má pessoa, o velho ódio ao herege tão típico dos fundamentalistas.

Ontem chegaram ao ataque tu quoque, acusando-me de ter estado destacado pelo Ministério da Educação na Companhia de Teatro Viv’arte.

A Companhia de Teatro Viv’arte pertence a uma associação cultural sem fins lucrativos, isenta de impostos por despacho assinado pela sra. Manuela Ferreira Leite, foi fundada pelo professor Mário da Costa, meu mui caro amigo e um dos melhores professores que Portugal tem, a partir duns miúdos complicados do 2º ciclo Oliveira do Bairro e depois de outros encontrados nas valetas do mundo por onde passa, insistindo em nelas recolher pessoal da pesada que algumas vezes conseguiu transformar em gente com profissão e vida estável, tendo de resto o estatuto de empresa de inserção. Ser acusado disto por um professor de um colégio onde menino com necessidades educativas especiais não entra tem a sua graça, como ironia, mas encheu o copo. Quem continuar a comentar os meus textos com acusações ao autor, ou ameaças e insinuações, verá todos  os comentários aos meus postes apagados, como agora fiz.

Discutam e divirjam de mim à vontade; mas quando, à falta de argumentos, o argumento passa a ser o outro argumentador, temos o caldo entornado.

Ensino privado e de como o barato sai caro

O João Miranda veio aqui ler umas coisas (é sempre um prazer receber um liberal nesta casa) e tirou as suas conclusões. Por exemplo a de que o privado é mais barato que o público, constatação acertada tendo em conta os números que aqui publiquei.

É verdade, pelos vistos conseguem ser mais baratos e também, por isso têm lucro. Verdade se diga são números que acima de tudo denunciam como o estado tem sido assaltado através dos contratos de associação e dos favores de algumas direcções regionais, que pagam muito acima do custo do serviço prestado, em concorrência directa com o estado.

Como é possível fazer tão barato? Pagando menos (embora as carreiras docentes sejam vagamente equiparadas, há truques para isso), mas sobretudo fazendo trabalhar mais. Ora se a carga lectiva (não confundir com horário de trabalho) dos professores portugueses em geral já é superior às médias europeias, 27 ou 28 tempos lectivos não abona nada à qualidade de ensino. Como tenho dito não é uma questão de direitos do trabalhador (embora também seja), é um direito dos alunos terem professores com um máximo de 22 horas lectivas por semana. Quem experimentou (já me calharam 25h em tempos muito idos), sabe bem que é humanamente impossível trabalhar com qualidade nessas condições, a que acrescem turmas no limite máximo legal da sua lotação. [Read more…]

Contas do ensino privado

O Paulo Guinote publicou este interessante raciocínio de um seu leitor:

Tenho a minha filha num colégio particular, linha de Sintra, sem contrato de associação.
Pago 240,00 euros por mês, durante 11 meses.
A turma tem 28 alunos, logo……. por mês serão 6.720 euros. Logo por ano, serão… 73.920 euros.
O proprietário tem lucro e paga 14 meses aos funcionários e professores. Todos os anos, no final do ano lectivo ainda dá mais algum…
E estes senhores com contrato de associação dizem que 90.000 euros não dá…

E aqui fica também o preçário” de uma Escola Privada sem contratado de associação, que segundo os rankings se encontra entre as melhores do país, e em que o preço por turma não ultrapassa os 60 mil euros! Garanto-vos também que graças à boa gestão praticada neste estabelecimento de Ensino Particular o que sobra (lucro)  dos 60 mil euros dar para fazer bastante pela instituição!”, como assegura o Nuno Domingues:

preçario

Escolas com contrato de associação – uma espécie de ponto da situação

Separar o trigo do joio é do interesse do País e das escolas

Os textos acerca do Colégio Rainha Santa, em Coimbra, do Colégio Paulo VI, em Gondomar, ou do Grande Colégio Universal, no Porto, não tiveram como objectivo criticar a existência de escolas privadas com contrato de associação (e, se assim o pretendessem os seus autores, estariam no seu pleno direito). Limitaram-se a analisar casos específicos, tendo demonstrado que, nas três situações, as referidas escolas estão na proximidade de escolas públicas, para além de, ao que tudo indica, seleccionarem os alunos, quebrando, de uma penada, duas regras impostas pelo contrato de associação, tal como, aliás, está anunciado no site “Escolas com contrato de associação”. Situações como estas já deveriam ter sido analisadas, há vários anos, e deveriam estar mais que resolvidas.

No entanto, com a sensibilidade de um mamute numa loja das mais finas porcelanas, a Direcção-Geral das Finanças para os Assuntos Educativos, vulgo Ministério da Educação, recebeu ordens para reduzir as despesas relativamente a todas as escolas com contrato de associação, indiscriminadamente. Esta tendência taurina do governo para baixar a cabeça e ir em frente tem como inevitável consequência fazer pagar o mesmo a justos e pecadores. Não deixa, também, de ser verdade que as escolas com contrato de associação parecem estar a agir em bloco, certamente acreditando que a união faz a força, mas correndo o risco de se misturarem justos e pecadores.

É urgente separar o trigo do joio e descobrir quais são as escolas que merecem manter o contrato de associação e as que não merecem. Se isso não for feito, as que não merecem continuarão a receber dinheiro a que não têm direito, mesmo que com cortes, e as cumpridoras verão diminuído o orçamento. José Canavarro tem aqui uma proposta que me parece sensata. [Read more…]

Quando um gráfico vale mais que mil mentiras

Esta malta andava a subir na vida. E fica-me a dúvida: não fosse a crise, e não teria este gráfico seguido o seu percurso natural, aumentando o assalto às finanças públicas e sustentando os empresários chulos do estado?

gráfico via Câmara Corporativa

Actualização – Não quero que falte nada aos meus comentadores:

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O ensino privado não é melhor que o público: selecciona os alunos, e claro que tem melhores resultados

Na discussão sobre os ensino privado alimentado pelos nossos impostos volta sempre o velho mito da suposta qualidade dos colégios. Aparentemente os pais escolheriam os colégios porque estes teriam melhores resultados.

Para começar esquece-se uma evidência: se fosse concedido aos pais escolherem a escola para os seus filhos e todos optassem pelo privado, além de o público ficar às moscas, gostava de ver a proclamada qualidade do privado que não pudesse seleccionar os alunos. Porque essa é a questão: quem escolhe alunos (como aqui provei que se escolhe, tendo em conta “o percurso escolar do aluno”) fica com os melhores e estes obtêm melhores resultados. É óbvio. Tão óbvio como este velho texto do Pedro Sales, que mantem a sua actualidade ranking após ranking:

O colégio São João de Brito é da Companhia de Jesus, a qual tem mais duas escolas com ensino secundário. O Instituto Nun´Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache – Coimbra. Como acontece com quase todas as escolas privadas no interior, têm um contrato de associação com o Estado. [Read more…]

Verdades privadas, mentiras públicas

A cidadão Barbara Wong tem o legítimo direito de ter um filho num colégio privado sustentado pelo estado, e de estar contra as medidas do governo que a colocam perante a questão de o colocar numa escola pública. Afirmá-lo e defender os colégios privados no seu blogue também não me parece incorrecto, antes pelo contrário.

Já a jornalista Barbara Wong quando escreve no Público de hoje isto

A tutela não vai ceder às pressões  – hoje duas dezenas de escolas serão fechadas pelos pais na região de Coimbra –, e mantém que os colégios que não assinarem as adendas aos contratos não serão financiados.
Até ontem, 57 já tinham firmado. Faltam 36. Todos são financiados para oferecer educação gratuita aos alunos de determinada região, onde não existe oferta pública.

(o sublinhado é meu) sabe que está a mentir. O mapa  da rede escolar pública e privada que publiquei ontem demonstra como isso não é verdade em Coimbra cidade, e na esmagadora maioria dos colégios de Coimbra distrito, acrescento. Estas escolas concorrem com a rede pública a quem roubam descaradamente alunos, numa das piores “parcerias público-privadas” que temos. Na maior parte dos casos nunca fizeram falta: muito simplesmente responsáveis locais pela educação, onde sobressai a viúva de Mota Pinto foram privatizando o ensino, dando chorudos lucros a empresários tipicamente portugueses: à sombra do estado é que estão bem.

É indigno, e digo-o na qualidade de leitor do Público. Na qualidade de professor já nem digo nada, mas artigos como este aqui criticado vão-se entendendo melhor.

As escolas privadas de Coimbra também foram chorar a Lisboa

Como era de esperar a luta dos empresários privados, e confissões religiosas, continua. Vejam o caso de Coimbra. A verde os que, só da zona urbana, foram hoje manifestar-se. A amarelo a rede de ensino pública (2º e 3º ciclo e secundário), com quase todas as escolas subaproveitadas, algumas muito longe do número de alunos que já tiveram.

Escolas-de-Coimbra

Transcrevo também o comunicado do meu Sindicato, o SPRC, que desde sempre denunciou esta situação pregando aos peixes, enquanto o Ministério da Educação continuava a esbanjar o seu orçamento para satisfazer a ganância de alguns empresários e de uma confissão religiosa:

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O colégio “Rainha Santa”, um caso de assalto às finanças públicas em nome de deus

O Colégio Rainha Santa Isabel, em funcionamento no coração de Coimbra e rodeado de escolas públicas por todo o lado, é um dos colégios privados que agora gemem porque apareceu alguma vontade política em acabar com o financiamento público do ensino privado. É dado como exemplo pelos bons resultados que apresenta nos rankings. Pudera. No seu regulamento interno estipula-se quanto à admissão de alunos:

1-  Para  a  admissão  de  alunos,  o  Colégio, desenvolverá  anualmente  com  os  candidatos pré-inscritos um processo de selecção no qual, para além da adesão dos Pais e Encarregados de  Educação  e  do  próprio  aluno  ao  Ideário  e Projecto Educativo do Colégio, serão  tidos em conta os seguintes critérios:
(…)

f) Percurso educativo do candidato;
(…)

3- Em caso algum serão  factores de exclusão neste  processo  aspectos  relacionados  com  a raça, religião, posição social e opções políticas dos candidatos ou das suas famílias.

O ponto 3 é de uma hipocrisia espantosa. É que no seu ideário o CRS afirma ter como “Visão Educativa” isto: [Read more…]

O presidente de todos os patrões

Em Portugal um bom negócio é aquele que o estado financia. Um investimento rentável é aquele que todos pagamos.

Querem acabar com os chorudos lucros dos empresários dos colégios privados? O presidente veta. Poupar na despesa pública é só para alguns. No subsídio aos patrões, nunca.

Tudo em nome das famílias, é claro. Vetou as novas regras do abono de família? Bem, pois, nesse dia estava distraído.

À atenção dos responsáveis pelos exames nacionais

Agora que querem meter os professores a fazer trabalho extraordinário à borla, não seria altura de pouparem os professores do ensino privado a esse sacrifício?

Eu explico porquê. Em primeiro lugar não passa pela cabeça de ninguém que funcionários de uma empresa privada façam um trabalho que compete única exclusivamente ao estado. É o mesmo que pôr empresas de segurança a fazer trabalho da polícia. Já os alunos do privado não terem de ir fazer o seu exame a uma pública é perigoso, e por alguma razão nem sempre foi assim.

Depois tenho uma pequena experiência. Quando fui corrector pela primeira vez de acordo com as modernices actuais das grelhas supostamente mais objectivas e das aferições dos critérios trabalhadas em grupo, dois colegas dentro do assunto explicaram-me os novos procedimentos e no final avisaram-me:

– E nas reuniões de aferição vais ver como está sempre alguém de um colégio e como avalia sempre por baixo. [Read more…]

O ensino privado que todos pagamos vai ficar na mesma

Interpelado por Paulo Portas (quem melhor que ele para defender a privatização do ensino) Sócrates tremelicou e lá lhe saiu um “sem prejuízo do ano lectivo e do ciclo de ensino”. Forçar a transferência de alunos a meio do ano seria um disparate, quanto a isso todos de acordo.

Agora “ciclo de ensino” traduzido do socratês é muito claro: tudo vai ficar como estava, escolas privadas sustentadas pelo estado a concorrerem com as públicas, lucros chorudos para empresários e mais uma fonte de financiamento da ICAR.

Valha-nos que caiu o mito do custo por aluno nos colégios ser inferior ao do público mas na hora da verdade este governo é incapaz de resistir à pressão de uma Igreja, e de gente como o seu ex-deputado António Calvete. Tudo como dantes, quartel-general no largo do Rato.

Deve o Estado financiar o ensino privado?

Por Santana Castilho*

Um decreto-lei do Governo, que altera as condições de financiamento das escolas privadas por parte do Estado, provocou uma onda de protestos e tomadas de posições públicas. Consideradas as responsabilidades dos protagonistas, a relevância da matéria em análise e o menor rigor de algumas afirmações apresentadas como factos, julgo pertinente acrescentar ao debate os argumentos que se seguem:
1. A Constituição da República fixa ao Estado (Artigo 75º) a obrigação de criar “uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população”. O DL 108/88 mandou que a referida rede se fosse desenvolvendo (Artigo 3º), começando por construir escolas em locais onde não existissem escolas privadas. Assim, o legislador protegeu, e bem, as escolas privadas já instaladas, numa lógica de economia de meios. Através de “contratos de associação”, o Estado tem vindo a pagar integralmente o custo do ensino que as escolas privadas ministram a alunos que habitam em zonas não cobertas pela rede pública. E continuou a pagar, desta vez mal, em zonas onde a rede pública foi chegando. É isto que está em causa. Penso que o Governo andou bem, propondo alterações que pecam por tardias. Poderemos discutir a forma. Mas o princípio é inatacável, embora desenterre polémicas velhas que importa esclarecer.
2. Joaquim Azevedo (“Público” de 26.11.10) considera as medidas em análise “fundadas numa mentira, imorais e profundamente injustas”. A mentira, sustenta o autor, reside na suposição de que o ensino privado estaria a absorver indevidamente o dinheiro escasso do Estado. E avança com a sua verdade: um aluno do ensino privado custa 4.200 euros por ano, enquanto um aluno do ensino público custa 5.200, citando a OCDE. Mas Joaquim Azevedo engana-se duas vezes. [Read more…]

Hoje nasceram galinhas com dentes

galinha com dentes – No dia em que eu concordar com um membro deste governo em geral e do seu Ministério da Educação em particular as galinhas vão ter dentes – disse isto há uns anos, não sei onde mas é fácil de entender porquê.

Ora o artigo de opinião de Trocado da Mata, Secretário de Estado da Educação, que ontem saiu no Público levanta este complexo problema eco-lógico. Tirando uns pormenores, assino por baixo o que o homem escreve, e sublinho o arrasador desmentido da treta do custo do ensino privado.

Aqui o transcrevo.

Regras mais simples e justas no financiamento das escolas

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Outra vez os custos do ensino, privado vs público

Mais umas achas para a fogueira, no blogue do Paulo Guinote. Eu sei que os dogmas de fé não se discutem, como o temos feito nesta casa, mas não custa nada tentar.

Um aroma reitoral

Brindou-me o Reitor com análise detalhada das minhas últimas flatulências sobre o ensino privado. Agradeço e retribuo. Afirmas:

Os custos com o pessoal são muito inferiores no privado.

Acredito, se o dizes, tem de ser verdade. Tu sabes tudo. Mas pela análise das tabelas salariais contratadas não percebo. Será que as escolas privadas usam e abusam dos contratados? Despedem sem justa causa mal começam a ganhar muito? Ou, como se queixam os sindicatos, não as cumprem?

Será que as turmas têm todas 28 alunos? Os professores 26 aulas por semana? Eu pergunto todos, porque tenho uns amigos num colégio afamado cá do burgo que se queixam disso mesmo. [Read more…]

Ainda o financiamento do ensino privado pelo estado

No Público de hoje relata-se uma discussão no parlamento onde um secretário de estado afirmou “um aluno do público custa 3752 euros menos do que no privado. Neste sistema, actualmente, um estudante custa 4440 euros“.  O ministério propõe-se pagar menos às escolas privadas, ficando ainda assim o custo de um aluno em “mais 36 euros do que um do público“.

PSD e CDS tentaram lançar areia para os olhos com um estudo da OCDE de 2007 que indica outros valores, e embora saibamos ser este governo hábil na manipulação de números convém não exagerar: sempre deve ter uma ideia mais aproximada das suas despesas do que a OCDE.

Fica assim claro o que já era uma evidência: no privado além dos outros custos  há ainda uma despesa a não desprezar: o lucro que é a sua razão de ser. Digam-me que as escolas religiosas não têm fins lucrativos, e além de me rir respondo que têm fins confessionais, o que é bem pior se falamos do direito ao ensino num estado laico.

Os argumentos da associação patronal do sector vão caindo, alguns pelas piores razões. Dizia o seu líder: “Temos de falar de condições iguais e também é necessário ver se nas contas entra o custo dos edifícios. No privado, o Estado não gasta com esses edifícios”, o que além de aplicado a outros sectores da economia sugerir que o estado subsidie as instalações de uma fábrica (o típico capitalista português quer sempre  menos estado na hora de pagar impostos mas muito mais estado quando toca ao subsídizito que o sustenta),  se revela desactualizado: as escolas públicas vão passar a pagar renda à Parque Escolar, o que como alerta o Paulo Guinote é gravissímo porque “vai estrangular financeiramente a gestão destas escolas e agrupamentos“, e acrescento eu, é meio caminho para a privatização da Parque Escolar, que seguirá o mesmo caminho da Estradas de Portugal mal haja engenharia para se tornarem lucrativas.  [Read more…]

Ensino público e mama privada

Alexandre Homem Cristo chora o corte de 70 milhões nos subsídios ao ensino privado. Diz que é socialismo. E manda três argumentos para o ar sem ter medo que lhe caiam em cima, situação vulgar quando se fala do que não se sabe.

Primeiro acha as escolas com contratos de associação serviam para tapar buracos, e pergunta “se nessas zonas já existiam escolas a funcionar na rede pública, porque razão foi o Estado aí construir mais escolas?”. Eu explico-lhe: na maior parte dos casos não foi por falta que escolas da rede pública que se deu da mamar às privadas, foi porque as privadas e o Ministério da Educação inventaram essa necessidade. Na zona de Coimbra, e durante o reinado da viúva de Mota Pinto na DREC nasceram que nem míscaros  no Outono, concorrendo directamente com as escolas públicas. Como foram patrocinadas por PSD e PS nunca mais ninguém se lembrou que era uma absurdo a sua existência. Se for preciso faço-lhe um mapa. Acresce que há menos alunos no ensino básico por razões demográficas. Também se arranja um gráfico se for preciso.

Depois acha que saem mais baratas ao estado. “Estas escolas têm de prestar contas e correm o risco de não ver o seu contrato renovado em caso de má gestão. A isto chama-se accountability e, lamentamos informar, é algo que não existe nas escolas estatais.” Olhe que não: [Read more…]

Uma adivinha:

Onde será que estudam os filhos de alguns dos paladinos do Ensino Público e do Estado Social? Será que o nosso Primeiro deu o exemplo e os colocou na Escola Pública? E o Ministro Silva Pereira, idem???

Externato Carvalho Araujo em Braga: Borgas e vadios


Citando um aluno do externato, que preferiu ficar anonimo: “Quem entra para o externato Borgas, sai daqui… Vadio!!!”

O Externato do tiroteio , mais os seus magníficos alunos, não pára de me surpreender…

Mais sobre o Externato Carvalho Araújo aqui e aqui

A excelência do ensino no Externato Carvalho Araújo em Braga

Em relação ao meu «post» sobre o tiroteio de anteontem, uma aluna do Externato Carvalho Araújo, em Braga, brindou-nos com este comentário de fino recorte literário:

ya mete mesmo piada estes comentários fogo. ve-se mesmo que nao conhecem o externato… e qto aos meninos ricos , e aos bmw’s audis e mercedes ha algum problema ? dor de cotovelo talvez nao ? e crescer ? dava jeito (;

Muito mal vai o ensino público quando…
Ai é privado? Ah… Então não faz mal, era a brincar.

Mais sobre o EXternato Carvalho Araújo aqui e aqui

Externato de Braga: Olha se fosse na escola pública!

Ao que parece, um aluno de 16 anos do Externato Carvalho Araújo, em Braga, disparou sobre um colega à entrada do estabelecimento de ensino. Diz a PJ que o disparo foi acidental.
Olha se fosse na escola pública! A violência no ensino público, as escolas que não formam, a falta de segurança, a culpa é dos professores, no ensino privado não há destas coisas e por aí fora.
Como estamos a falar de ensino privado, ah e tal, foi acidental. Alunos a fumarem e a drogarem-se dentro dos colégios? É acidental. Alunos a fazerem sexo e a ficarem grávidos dentro dos colégios? É acidental. É sempre acidental.
Ah, e os «rankings», claro, também são sempre acidentais.

Mais sobre o Externato Carvalho Araújo aqui e aqui