A CAÇA AO DESGRAÇADO

A DGI anda muito activa. Em pouco mais de um mês enviou milhares (mais de seis mil) de notificações a gestores, para pagar o que as firmas que geriram, e que falindo não têm bens para o fazer, devem ao fisco.

Este é um caso extraordinário, para usar um termo caro ao nosso Primeiro. As firmas que têm uma responsabilidade limitada à empresa, por isso são “…, lda.”, l.i.m.i.t.a.d.a, deixaram de o ser e agora os zelosos fiscais, vão buscar a casa dos gestores ou gerentes dessas empresas, micro e médias, o dinheiro das dívidas da empresa (coimas fiscais), o que nunca deveriam poder fazer.

O gerente ou gestor, já não tem direito a subsídio de desemprego, aquando do terminus da actividade da empresa, apesar de descontar para isso. Dizem que desconta menos um por cento e por isso já não tem direito a nada. Mas descontam praticamente como qualquer outro trabalhador.

Estas coisas só acontecem porque esses gestores e gerentes não são muito ricos e não têm influência, nem capacidade de subornar, influenciar, contornar, contestar ou negociar. Muitos não passavam de meros empregados sem muito poder de decisão (às vezes em nenhum) e muitas vezes com ordenados em atraso, porque senão, se tivessem essas capacidades ou esse dinheiro e poder, acontecia-lhes o mesmo que está a acontecer às instituições bancárias que viram o IVA perdoado em cerca de quatro milhões de euros, por “falta de meios” do fisco.

Que fazem as associações de comerciantes pelos seus associados? Como os defendem neste caso? Não os vejo a fazer seja o que for que tenha cabeça, tronco e membros.

Depois admiram-se que os ditos gestores, aflitos, tentem vender o pouco que têm para que esse bem não seja penhorado.

Este é o saque a que temos direito com o governo que nos (des)governa. O que o estado quer é cobrar multas, taxas e impostos, seja de que forma for.

Desta forma, da forma que o governo impôe, isto está a ir longe de mais.

Temos de os fazer parar, à boa maneira do nosso Primeiro: seja de que maneira for!< –>

FREEPORTGATE

Como se nada fosse, o povo Português assiste impávido e sereno à novela do caso Freeport.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se julga que se sabe, estamos a falar de suborno, de dinheiro que alguém pagou e outro(s) alguém recebeu para que se licenciasse uma obra que não o deveria ter sido.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se fala, estamos a falar de leis e de direitos que alguém, porque possivelmente recebeu dinheiro que não poderia nem deveria ter recebido (fala-se em quatro milhões de euros, pagos aos bocadinhos para não dar nas vistas), esqueceu e das quais fez tábua raza, para que outro alguém pudesse ganhar milhões de euros de mais valias e de lucros indevidos.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se diz à boca cheia, estamos a falar do envolvimento de um membro do governo, ministro à altura dos acontecimentos e Primeiro ministro na actualidade.

Ninguém sabe ao certo, porque ninguém nos diz, e também porque ninguém se acusa, se é verdadeiro esse envolvimento. Mas aos poucos vai-se adensando a nuvem que cobre este nosso governante, que cada vez mais se mostra revoltado com a situação. Mas o homem é perito em mudar o nome e as cores das coisas e das situações. E a história do menino pastor e do lobo, todos a conhecemos.

O que mais me confunde, é a passividade do povo do meu País. Noutra altura qualquer, ou com outro qualquer personagem, já os meus concidadãos tinham saído para a rua, exigindo saber a verdade, ou a demissão do governante enquanto não se apurasse tudo direitinho. Com este, nada se ouve. Com este tudo se cala. Com este tudo e todos se dobram. Que terá ele dado ao povo? Noutras circunstâncias e noutros contextos dir-se-ia que lhe tinha dado água de c. lavado.

Agora até já se fala na possibilidade de arquivamento do caso Freeport. Fala-se de pressões sobre os magistrados que estão com o caso. O presidente do sindicato dos magistrados do ministério público pede uma audiencia de urgência com o Presidente da República. Que poderá sair daí?

Todo este caso cheira mal, e a campanha dita negra, só o é se se revelar que tudo é uma mentira. Até lá não há campanha de cor alguma, seja ela branca, cinzenta ou negra.

Tudo isto é um espelho do nosso País.

Tudo isto me dá vomição.

(In O Primeiro de Janeiro, 09-04-2009)

És uma besta, não és amor?

Muito se tem debatido sobre as incompatibidades de interesses que a Fernanda Câncio esquece (esquecerá) ao escrever sobre assuntos que envolvem o namorado.

Eu creio que a única solução séria seria não escrever nada.Não ter opinião pública. Pois não é verdade que há outros jornalistas que podem fazer o mesmo trabalho sem levantar suspeitas, com outra liberdade? Claro que há. E é tambem claro que isso seria positivo para todos, incluindo o jornalismo.

Mas os que falam sobre o assunto juram a pés juntos que, não senhora ,a Fernanda não é nada influenciada pelos sentimentos que nutre pelo namorado! Pois se ela é tão séria e tão boa profissional! Pessoa de convicções, de antes quebrar que torcer.

Pois, são justamente essas qualidades que me levam a dizer que a cidadã Fernanda Cãncio nunca poderia, na presente situação, ter outra opinião. Se a tivesse acabava com o namoro! E a jornalista(enquanto jornalista) namora? E escrevia se a verdade, na opinião da Fernanda, fosse outra?

Mas cá no país tudo é possível, tudo é uma questão das pessoas envolvidas e das circunstâncias. Não há convicções nem regras nem verdades.

Vale tudo, até esperar que alguem escreva num dos principais jornais “és uma besta , não és, amor?”

PS.A Ana Matos Pires da Jugular, sendo médica, levou-me à velha máxima em medicina “os médicos não tratam os filhos porque lhes pode tremer a mão!” Ou tambem já não se aplica?

só disponível para Mac

Li recentemente um artigo acerca de uma aplicação informática que parece ter tudo para vir a tornar-se um êxito. O propósito desta aplicação é bloquear a capacidade de um computador se conectar à internet. O bloqueio poderá demorar um minuto ou até oito horas, dependendo da vontade do utilizador.

Incapazes de se coibirem de deitar uma olhadela furtiva ao mail, de espreitar a ver que amigo actualizou o seu estado no facebook, de dizerem ao mundo o que estão a fazer nesse instante via twitter, alguns utilizadores viram-se obrigados a instalar um programa que os impede de ligar-se à rede, permitindo-lhes os minutos ou horas de descanso (ou trabalho) que eles não teriam a coragem de obter por si.

Este programa é aquilo a que nos filmes americanos se costuma chamar o “mean motherfucker”, o tipo cool, que sabe sempre o que fazer a seguir e impõe a sua vontade aos demais. “Precisas de acabar um relatório mas tornaste a meter-te no Messenger? Eu trato já de ti…”. Mas o que mais me agrada neste história, confesso, é o nome do programa: Freedom.

Nada mais condizente com os tempos que correm do que esta liberdade que vem fardada de agente da autoridade e nos manda fechar a porta da cela.

Sócrates e Ministra vão a escolas: clima de festa. Mas,…

Os alunos estavam de férias.
Este detalhe no fim da notícia do Correio da Manhã é uma pérola da escrita.

Não resisto a sublinhar o detalhe – a visita dos governantes em tempo de pausa lectiva para celebrar na ausência dos ausentes (car@ leitor@, a redundância é intencional) as boas novas da governação.
Admito, por ser no Porto que a Srª Directora Regional também lá esteve.

Todos felizes e contentes para o boneco… sem alunos, claro!
Esses poderiam estragar a festa.

Memórias da Revolução: 13 de Abril de 1974

Marcello Caetano e Lopes Rodõ, diz o «Jornal de Notícias» de 13 de Abril de 1974, estiveram em Coimbra. Passaram a noite no Buçaco. Previam ir à serra da Estrela, mas o mau tempo não o permitiu.
Neste momento, há mais de trinta candidatos ao Eliseu. Miterrand expôs linhas moderadas, Delas reuniu-se em segredo com Giscard d’Estaign.
Na sequência do massacre de Kiryat Shemone, Israel tenciona vingar-se no Líbano.
Faltam 12 dias para a Revolução.

CÂMARA DE LISBOA: CONVERGÊNCIA DE ESQUERDA?

Hoje, o jornal ‘Público’ noticia o lançamento via Internet de uma petição, já subscrita por cerca de 170 nomes – os nomes é que subscrevem? – intitulada “Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições de Lisboa”.

A referida petição, ainda segundo o ‘Público’, “será entregue aos partidos políticos e movimentos de cidadãos que concorrem às eleições autárquicas”. Há mil e uma questões a submeter aos protagonistas da iniciativa. Todavia, uma primeira que me ocorre é sobre a frase “será entregue aos movimentos de cidadãos”- para quê? Ou é erro do ‘Público’ ou há a tentativa de manipulação da opinião pública, por Paulo Fidalgo e/ou outros protagonistas da petição. Com efeito, enjeito a possibilidade dessa gente ignorar o estabelecido no n.º 1 do art. 17.º da Lei Eleitoral das Autarquias Locais, Capítulo II – Apresentação de Candidaturas.

A hipótese de manipulação é, para mim, a mais plausível; por mera coincidência, Helena Roseta, em nome dos Cidadãos por Lisboa, acaba de declarar em entrevista a Luís Novaes Tito do ‘Público’, sim do ‘Público’, o seguinte: “há um impedimento legal à participação de movimentos como o nosso em coligações eleitorais” – Cidadãos por Lisboa: Notícias.

Tudo isto significa o quê? Que podemos estar em presença de mais uma manobra, desta vez realizada, sem mestria, por Paulo Fidalgo e companhia, sob a produção do PS – Mário Lino, outro renovador; este último, lembremos, com o topete da renovação do Cais de Contentores de Alcântara sem concurso público, e com adjudicação à TERTIR / MOTA-ENGIL.

O Bloco Central, a 18 de Janeiro deste ano, urdiu e aprovou a Lei Eleitoral das Autarquias Locais. PS e PSD, partidos de governo, sempre que necessário, entendem-se. Propositadamente, ignoram as outras formações partidárias e os movimentos de cidadãos, na maior parte do tempo. Nestas acções, o PS assume-se como um exímio autista. Escolhe o caminho de constantes derivas. Apenas confrontado com o risco da perda de poder recorre ao expediente ardiloso de se querer aliar ao PCP, ao BE e a tudo o que lhe cheire a esquerda.

A história política é demasiado fértil em alianças do género, na maioria das democracias ocidentais. Maurizio Cotta em ‘Democracia, Partidos e Elites Políticos’, editado por Livros Horizonte (Circap – Centro Interdipartimentale di Ricerca sul Cambiamento Politico: Maurizio Cotta), é bastante eloquente quanto ao fenómeno das relações intra e interpartidárias, abordando a tese dos partidos descartáveis. Invoca o exemplo da coligação, em finais dos anos 1970, dos Partidos da Democracia Cristão e Comunista de Itália (Compromisso Histórico). Quando ficou seguro da grande erosão do eleitorado do PCI, o PDC extinguiu o compromisso.

A “convergência de esquerda”, agora engenhosamente oferecida pelo PS, poderá fazer incidir sobre a esquerda autêntica um segundo golpe eleitoral, complementar daquele que o mesmo PS aplicou na aprovação da Lei Eleitoral das Autarquias Locais; lei que, recorde-se, concede ao partido vencedor o direito a uma Presidência privilegiada pelo benefício da escolha, entre os eleitos de confiança, de 2/3 dos vereadores. Note-se que à falta de proporcionalidade estabelecida adiciona-se o facto de, em Lisboa, o número de vereadores ficar reduzido de 17 para 12, a partir das próximas eleições. Ou seja, a concelhia de Lisboa do PS quer António Costa e mais 8 amigos vereadores. Toda esta gente é de esquerda a sério? Duvido e com as derivas do PS estão os portugueses desiludidos. Coliguem-se com o BPN ou o BPP.

MFL está a abrir o caminho a quem?

Rangel é uma estrela em ascensão e está a fazer um bom trabalho num lugar difícil e de grande visibilidade política. Mandá-lo para Bruxelas à conta de quê?

Marques Mendes já foi tudo cá dentro excepto Primeiro Ministro que não vai ser. É o melhor cabeça de lista às europeias do PSD. Todo o país o conhece e tem boa reputação.

Rui Rio sabe bem que ir para Bruxelas é o fim do caminho. O mesmo se diga de Passos Coelho. Têm demasiadas ambições para se enterrarem em Bruxelas.

Então Manuela Ferreira Leite ao mandar Rangel para Bruxelas está a abrir o caminho a quem? Não podemos esquecer que tem uma vida política muito cheia e quase 70 anos. Esta é a última batalha.

RAIOS PARTAM OS MEDICAMENTOS

Isto das farmácias se quererem sobrepor aos médicos não pode acontecer. Os senhores doutores médicos é que sabem se o medicamento que receitam pode ou não pode ser substiuído por outro. Esta coisa de se querer beneficiar os doentes arranjando medicamentos mais baratos não beneficia ninguém, nem médicos, nem farmácias nem doentes.
A maior parte das vezes os chamados genéricos não prestam para nada, e assim os doentes não melhoram. Se não melhoram têm de comprar outros que lhes tragam saúde.
Desta forma os doentes são prejudicados na sua saúde e na sua bolsa.
A maior parte das vezes os medicamentos chamados genéricos são mais baratos, logo o lucro das farmácias é menor. As boticas são assim prejudicadas nas suas receitas.
A maior parte das vezes os chamados genéricos, se não forem receitados pelo médico e não surtirem o efeito desejado, a culpa é sempre do clínico que os não receitou mas aceitou a troca, e assim fica perante o doente numa posição fragilizada. Os médicos são desta forma prejudicados pelos efeitos menos bons do remédio.
Em todo este contexto, as farmácias surgem como más da fita ao quererem que os doentes paguem menos por um medicamento que o governo se farta de nos dizer que é igualzinho aos de marca. As farmácias não têm esse direito. Como não o têm de prejudicar as farmacêuticas. E aqui é que a “porca torce o rabo”.
Há interesses instalados! Das farmacêuticas e dos médicos que em muitos dos casos poderiam facilmente receitar um medicamento genérico, mas não podem “à cause des congrés”, e de outras coisas de que se fala.
Por causa de todos os interesses instalados, logo saltaram abespinhados os médicos e agora o governo, que, para salvaguardar, não os interesses dos cidadãos, mas outros, porventura escusos, já fez saber que se o doente aceitar trocar o medicamento receitado pelo médico, por outro genérico, sem o consentimento prévio do clínico, esses medicamentos não serão comparticipados pelo estado. Só podemos ter medicamentos de marca, apesar do governo dizer que quer aumentar o número de genéricos receitados e vendidos. A mania das grandezas, misturada com mentiras surdas.
Abençoado País que tal governo, amigo dos governados (alguns deles), tem!
Carago (como se diz aqui na minha terra), e não há forma de os pormos daqui para fora?

O 'test drive' da adopção e a incompatibilidade com o canídeo

Podias-me emprestar 500 euros? / Não. Não tenho aqui. / E lá em casa? / Lá em casa estão todos bem, muito obrigado.

Foi desta pequena história sobre a arte de desconversar que me lembrei hoje quando acompanhava a caixa de comentários online de uma notícia breve do jornal Correio da Manhã inserida numa reportagem sobre 80 crianças adoptadas que foram devolvidas às instituições sociais.

Numa caixa que acompanha a notícia principal, o jornal conta que “em 2006, ao fim de uma semana, um casal da Região Centro devolveu a criança que lhes foi confiada, porque não se dava bem com o cão. “O cão já estava com a família há muito tempo”, terá sido a explicação”, relata o CM. Esta criança foi uma das 80 que foram devolvidas às instituições nos últimos quatro anos, durante a fase de pré-adopção, o período experimental de seis meses em que vivem com os pais adoptivos. Assim, uma espécie de ‘test drive’ para ver se as pessoas gostam ou preferem um novo modelo. Uma fase que acontece depois de um longo processo de avaliação da família adoptante.

E o que diziam os comentários?

Os comentários que foram surgindo ao longo do dia abordavam a questão do abandono da criança versus o abandono do cão e de as crianças serem mais ou menos importantes que os cães no seio de um família. Uma senhora jurava, sob o peso de uma sentença de morte, que não trocava o seu cão por um ser humano.

Posso até estar errado mas parece-me que há qualquer coisa de estranho nestas reacções. Não creio que a questão a ter em conta nesta história seja a incompatibilidade entre o cão e a criança. O mais certo é que no final da semana – convém realçar, uma semana -, em convivência com o petiz adoptado, as pessoas deste caso tenham percebido que tinham cometido uma asneira. As possibilidades são várias e vão do facto de não terem gostado da uma criança que lhes foi entregue até terem percebido que, afinal, já não queriam mais ninguém na vida deles. Depois terá sido apenas encontrar uma desculpa para devolver o miúdo à procedência. Como se de um produto se tratasse, alega-se a existência de um defeito e, pronto, não tem de se fazer mais. Como não conheço os detalhes deste processo, fico-me por aqui quanto a especulações.

Esta notícia vem complementar uma outra, da Lusa, de Novembro passado, segundo a qual, nos últimos três anos, mais de 70 crianças que foram acolhidas por uma família para adopção foram devolvidas às instituições, no âmbito das pré-adopções.

Nessa altura já se falava da questão do cão, daqueles que perceberam que um fedelho lá em casa custava muito dinheiro e de uns para quem bastou um fim-de-semana para tirar a pinta ao pirralho. Foram umas dezenas de casos, todavia importantes, no meio de 1431 crianças que acabaram integradas nas famílias que iniciaram a pré-adopção.

Naquela altura, Edmundo Martinho, presidente do Instituto da Segurança Social, dizia à Lusa que alguns candidatos chegavam a ser indignos e revelaram falta de preparação. Uma possibilidade, de facto. Mas não deixa de ser estranho que estas pessoas tenham queimado etapas num processo longo, de cerca de cinco anos, em média, e que envolve diversas avaliações, incluindo entrevistas pessoais de várias horas.

Em Novembro, as Listas Nacionais de Adopção indicavam a existência de 1.856 crianças em condições de serem adoptadas e 2.363 candidatos inscritos.

Métodos revolucionários 2

Nota introdutória:
Estes métodos revolucionários são antes de mais, processos de reflexão e de sugestão à reflexão. Eu bem sei que esta sociedade tem muito pouca prática no que toca à compreensão de metáforas ou mensagens subentendidas, e exactamente por essa razão os métodos revolucionários que proponho (ainda que entendidos à letra) estão precavidos de prejuízos maiores. Não se assustem, porque não vou incentivar ao suicídio colectivo, nem tão pouco pedir que se atirem ponte abaixo! Ainda que acredite… certamente haveria quem o fizesse.
Para todos os efeitos adoraria que me cuspissem à porta de casa, mas com a certeza de saberem o porquê de o fazer.

Então o método revolucionário número dois, explica-se assim:
Com seis anos de idade uma criança é introduzida num sistema de ensino, denominado instrução primária. Durante quatro anos receberá formação elementar na área e domínio da língua portuguesa, das ciências, história e matemática, e muito possivelmente existirão alguns exercícios que estimulem a sua capacidade de expressão artística, através da educação visual. Nos seguintes anos de escolaridade, respectivos ao ensino básico, o cenário é relativamente idêntico: alguma especificação na área das ciências, no domínio da linguística (com a introdução ao ensino de uma língua estrangeira), o aprofundamento de áreas como a história, a geografia e matemática…e a educação visual.
Eis que uma criança chega aos 15, 16 anos de idade, com um conhecimento básico em diferentes áreas disciplinares, razão pela qual se presume que esta criança terá já uma vaga ideia acerca da(s) disciplina(s) que estará mais capacitada para seleccionar e desempenhar numa fase seguinte. (“capacitada”, pode também significar uma escolha com base nas disciplinas que se gosta mais, ou numa selecção que exclua as disciplinas em que se tem mais dificuldades)
Na fase seguinte respectiva ao ensino secundário, as áreas disciplinares são mais específicas tendo em vista a progressão académica do aluno, e o futuro ingresso num determinado curso universitário. Neste processo, o aluno tomará decisões e fará escolhas determinantes no pacote de conhecimentos e técnicas, que quando terminada a sua carreira académica (curso universitário incluído), classificarão a sua utilidade e importância no funcionamento da sociedade. À classificação da utilidade corresponderá um salário, que varia de forma relativamente homogénea dentro da respectiva profissão.
A carreira académica poderá ainda prolongar-se com mestrados e doutoramentos, que podem acrescentar maior especificidade ao papel do indivíduo, clarificando ainda mais a sua utilidade nesta super-estrutura.
Agora repare-se, todo este processo é condicionado pela máxima capitalista que relaciona a oferta com a procura.
Por exemplo, se existirem demasiados médicos, relativiza-se a sua contribuição para a sociedade, e a sua remuneração será mais baixa, por força do aumento da oferta. Está tudo ligado.
Neste sentido, e para fazer frente à concorrência, o médico especifica-se numa área especial da medicina, aproximando-se de um nível de exclusividade que reequilibra as relações de oferta e procura, permitindo-o voltar a receber uma remuneração digna da sua contribuição para a sociedade.
É assim para todas as profissões, até para o futebol… Houve alturas que os jogadores mais valiosos eram os pontas-de-lança, porque marcavam golos. Agora, já se percebeu a importância que um bom lateral esquerdo pode ter, e o quão valioso pode ser um jogador deste género… principalmente, numa altura em que cada vez há menos esquerdinos.
Agora quando uma criança de 6 anos diz ao pai que quando crescer quer ser jogador de futebol, a obrigação paternal é imediatamente aconselhar o filho a saber jogar com os dois pés… Nesta vida de competição, não podemos todos ser pontas de lança, portanto, mais vale preparar o puto para ser um bom defesa esquerdo. Qualquer pai mais preocupado não se descansa em ver o filho decidido a ser um médico… No mínimo um médico cardiologista, para não dizer um cardiologista especializado no ventrículo direito, que o esquerdo (segundo estatísticas) dá menos problemas, logo menos dinheiro.
Obviamente que determinadas profissões carecem de especificação, o que implica que serão menos remuneradas. Infelizmente ainda não se procuram encarregados de armazém especializados a arrumar pacotes de arroz… nem sequer encarregados de armazém especialistas a rotular comida de gato. Nestes casos, a progressão faz-se num sentido hierárquico, de empregado para encarregado, de encarregado para chefe, de chefe para gerente, de gerente para director, de director para presidente…e por aí… Percebe-se que nestes casos, o investimento na educação e formação poderá não ser preponderante na progressão de carreira, daí que exista tão poucas crianças que desejem um dia serem encarregados de armazém… e tão poucos pais que aconselhem os filhos nesse sentido. Mais, mesmo que a remuneração correspondente a um director de armazém seja desejável, é preferível contornar todo aquele processo de progressão demorada (e sempre tão dependente de variados factores, nos quais se inclui a capacidade de trabalho) e atalhar de imediato por uma carreira na área de gestão e marketing.
São três anos numa universidade, que poderão poupar penosos anos de trabalho não qualificado só alimentados pela esperança de ascensão. Se por acaso não se conseguir um digno cargo nos headquarters da Vodafone, ao menos que exista um lugar na direcção dos armazéns do Minipreço…o que conta mesmo é o vencimento no final do mês.
E atenção, quando se fala em cargos de chefia, a questão da especificação volta a ser importante, e extremamente condicionante no papel e lugar social que o indivíduo vai ocupar. Um licenciado em gestão de marketing, com uma tese de mestrado em telecomunicações está uns lugares à frente na corrida aos headquarters da Vodafone. E claramente melhor posicionado quando concorrer contra o encarregado de armazém, na disputa pelo lugar de director do Minipreço. (Salvo condições especiais, das quais se destaque a famosa cunha, ou a disponibilidade do concorrente,em “abrir as pernas” a um salário consideravelmente mais baixo… as habilitações académicas vencerão, em condições normais, os anos de experiência num trabalho não qualificado.)
Resumindo, todas estas voltas para conseguir demonstrar o quão importante é uma formação específica, e o quanto a nossa sociedade valoriza o esforço individual da especificação.
E porquê?

Porque sim.
É um dado adquirido, e a sociedade não tem dúvidas em reconhecer na especificidade uma mais valia para o seu funcionamento. Mais, a sociedade entende que a especificidade surge claramente no seguimento do binómio económico que regula todo o capitalismo: a oferta e a procura. E são múltiplas as vantagens que daí derivam: criação de mais empregos; disponibilização de mais serviços e bens; estimulo do desenvolvimento científico e tecnológico, enfim… crescimento económico.
Sendo do senso comum, que gente de estudos é gente qualificada…será que é verdade que gente de muitos estudos, é gente ainda mais qualificada?
Não necessariamente… principalmente se esses estudos não significarem uma especificação.
E porquê?

Porque sim, é um dado adquirido e já diz o povo: cada macaco no seu galho! Então agora era o que faltava, eu estar no consultório do dentista, e por traz da cadeira ele ter lado a lado, o diploma de medicina dentária e de engenharia mecânica. Quem é que confiava os dentes, a quem trabalhou 5 anos que seja, a desaparafusar válvulas de turbinas? Ainda por cima, sendo o dentista um gajo novo? Foge!
Qual é a cara de um pai, quando um filho termina a magistratura e decide que afinal quer é ser bombeiro? Arde
c
om a casa!
E será que é possível, nesta sociedade, alguém ser professor de História da Arte e simultaneamente animador cultural num Hotel em Vilamoura? Quem vai votar num político, que depois da licenciatura na universidade moderna, cursou o ensino qualificado do Chapitô?
E não me venham com as tretas das virtudes inigualáveis da especificação, porque eu aposto que se por ventura existir um professor de História de Arte, com experiência em animação cultural ele terá capacidades únicas e exclusivas, em conduzir uma aula…e deveria obviamente ser reconhecido por isso. E não me digam que não urge alguma criatividade e disposição às políticas dos últimos 500 anos, e que de tudo que se experimentou, muita falta faz as ideias de um palhaço devidamente qualificado para o efeito.

O método revolucionário número dois, é precisamente este: substituir a ultra especificação, pela pluralidade disciplinar. Assim, poderemos finalmente emergir desta lógica pós-moderna que nos faz crer que o desenvolvimento humano depende duma constante melhoria e aperfeiçoamento das técnicas e conhecimento já adquirido. Sinceramente, e observando os resultados do desenvolvimento humano nos últimos 500 anos, penso que será mais importante procurar novos processos de formação que visem, um verdadeiro conhecimento novo (ao invés de um velho constantemente reinventado).
Neste sentido, vamos estimular a imaginação que se perde com a maturidade, e que tanto é necessária na procura de novos caminhos, novas soluções…e definitivamente… novas sociedades.
O poder da criatividade, e a capacidade que um individuo tem em relacionar conhecimentos e técnicas, são a arma mais poderosa contra sistemas opressores, contra sistemas que condicionam a nossa vida, em prol da estabilidade social que tanto convém à promulgação de sociedades desiguais, estratificadas e claramente segregadoras.

Nota: Não é por acaso, que um dos maiores motes das revoluções socialistas era precisamente o combate ás monoculturas infligidas. Este era um processo económico, através do qual os países centrais retiravam toda a soberania de países periféricos, deixando-os à mercê dos seus interesses, da sua subjugação, da sua exploração.
Hoje, o imperialismo capitalista generalizou-se de tal forma, que os indivíduos desta sociedade global, mimetizam não só entre países, mas também nas relações entre indivíduos, os princípios basilares das sociedades capitalistas de que fazem parte…
Não o farão comigo.

Rui Rio candidato ao Parlamento Europeu

Ao contrário do José Magalhães, palpito que Rui Rio vai ser o candidato do PSD às próximas eleições europeias. Se repararem, não há cartazes do PSD para as Europeias,nem de Rui Rio para as Autárquicas.
Seria uma jogada de mestre: por um lado, o Partido apresentava um candidato muito forte e com muitas hipóteses de vencer; por outro lado, Manuel Ferreira Leite revelava-se capaz de surpreender e de um genial «golpe de asa»; por fim, o PSD jogava no terreno do PS no que respeita às Autárquicas, sendo que Elisa Ferreira nunca poderia criticar o adversário pela decisão tomada.
Apenas um senão: o eleitorado do Porto nunca perdoaria a Rui Rio essa opção e antes a encararia como querendo o autarca assegurar um cargo com medo de perder a Câmara meses depois. E, como fez com Fernando Gomes, dar-lhe-ia a derrota.

Cão Allgarvio

O único cão que gostou de mim foi um cão d`água do Algarve como são todos. Usados para ajudar à pesca, nadavam à volta do cardume cercando-os com a rede. Estiveram muito próximo da extinção.Conta-se que foi um americano de visita ao Algarve que convenceu uns pescadores a oferecerem-lhe um exemplar. Conhecedor, salvou-os da extinção. É um animal muito dócil e amigo, vivo e brincalhão. Merece a Casa Branca.

Mas no meio desta alegria tenho algo a atormentar-me. É que nunca vi um cão d`água genuíno com manchas brancas! Haverá por ali americanices, cruzamentos com um rafeiro qualquer lá do Rancho Busch? E a Michele não vai estragar o “rapaz” com umas vestimentas ridículas?

O melhor mesmo e para que comecemos a pensar num movimento à escala mundial em defesa do “nosso algarvio”, é mostrar um exemplo da vergonha a que podemos estar sujeitos!

O CÃO DE ÁGUA

Falar sobre o cão de água português, vem a propósito do novo cão da família Obama. Num repente, já se diz à boca cheia, que na Administração Americana se fala Português. Se bem que já escolhido (dizem que será “Bo”), o cachorrinho ainda não terá nome oficial, e já se movimentam por aí, grupos a tentar arranjar o nome ideal para o bicho. Por mim, o nome de sonho, já que é uso moderno dar nomes de pessoas aos animais de estimação (e já agora o sr Obama deveria juntar à raça um nome bem Português), bem poderia ser Sócrates, já que tejo, bobi, piloto ou fiel, estão decididamente fora de moda. Para além disso, consta que ladrará como qualquer outro e não morderá se bem ensinado.

Cansa imenso estar constantemente a ouvir falar do que o sr Obama faz, do que o sr Obama não faz, dos elementos da Administração do sr Obama que afinal já o não são, ver cartazes do sr Obama, ouvir piadas racistas do sr Obama, telemóveis, pensos, capas, cuecas, camisas, suspensórios e outros artigos quaisquer que eles sejam, do sr Obama, e agora também o cão do sr Obama.

As notícias dos jornais, dos telejornais e outros meios, traduzem esse fascínio para os nossos concidadãos, que é o facto de um cão de uma raça chamada Portuguesa, ir passar a viver como emigrante de sucesso nos Estados Unidos da América, terra das oportunidades. Teremos emissões em directo de Washington, com especialistas caninos a botar faladura e a adoçar a boca do porteguesinho, com o nosso sentido patriótico, o prestígio da nossa Pátria e o nosso ego cada vez mais exaltados.

Portugal exultou com a notícia. Já exultara antes com a hipótese, agora andamos todos satisfeitinhos e de sorriso de orelha a orelha com a confirmação da escolha, e da ida do animal para os EUA.

Com isso, esquecemos as constantes falências, o número crescente de desempregados, o congresso “folow the líder” (bem, este talvez não), o FreepotGate, a guerra dos professores, a anunciada guerra dos médicos que afinal talvez não o seja, as greves, a compra de acções da Cimpor, o novo aeroporto de Lisboa, o TGV, a nova ponte de Lisboa, as obras na frente ribeirinha de Lisboa, os cinco mil euros de condenação por corrupção, a apreensão de livros com pinturas de um pintor célebre, o Magalhães atrasado, o BPN, o BPP, Dias Loureiro, o casamento dos homossexuais, a eutanásia, a linha do Tua, a recessão, os 150 000 milhões de euros da nossa dívida, a regionalização, e mais um arrazoado de coisas que nem vale a pena lembrar. Tudo esquecido por via das notícias importantes sobre o novo cão mais importante do mundo.

E depois, depois de pensar em tudo isto, depois de ver com o que é que Portugal exulta, fico triste, ao verificar que os nossos principais orgulhos, as coisas que mais nos enobrecem e nos notabilizam, a par das vitórias externas no futebol, e outras de igual importância, não passam de coisas insignificantes, de pouco ou nenhum valor, reles e mesquinhas.< –>

ONDE ESTÁ A NOTÍCIA ?

ASAE, ESSA ETERNA MÁ DA FITA
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Há alguns anos, o comércio tradicional conseguiu uma vitória sobre as grandes superfícies. Estas, abriam com horário alargado, incluindo ao Domingo e feriados todo o dia, o que não era permitido ao comércio tradicional, prejudicando as vendas deste, e assim, o legislador legislou no sentido de as grandes superfícies não abrirem aos domingos e feriados após as 13h excepto na altura do Natal. Ficou muito aquém do que se pretendia, mas foi um grande avanço na protecção aos pequenos.
Há, assim, uma lei que impede essa abertura durante grande parte do ano.
A ASAE, que entre outras coisas, tem que verificar a observância dessa lei, puniu doze dessas grandes superfícies porque estavam abertas após o horário que lhes foi imposto.
Que tem isso de anormal? Onde está a notícia? Quando a ASAE ou outra qualquer entidade que regule qualquer coisa, seja lá o que for, fiscaliza e pune um infractor, isso é notícia? Ou a falta de notícias provoca que este caso o seja? Ou ainda é preciso distrair o povo com notícias que o não são, para esconder as graves dificuldades por que passamos e que os nossos governantes não parecem ser capazes de resolver?
Vendo as reacções de muitas das pessoas que resolveram opinar sobre este assunto, parece-me que na sua maioria se estarão a esquecer do que em primeira mão, levou a que fosse proibído abrir ao domingo e feriados de tarde. Lá voltamos nós, os que porventura estiverem contra esta acção da ASAE e que não parecem saber do que estão a falar, a querer proteger os “grandes” em desfavor dos “pequenos”.
Fez a ASAE muito bem, é o seu papel entre outros, em multar essas doze grandes superfícies que não respeitaram a lei vigente.
O comércio tradicional precisa do apoio de todos nós, e não é com a abertura dos grandes centros, de novo, aos domingos e feriados de tarde, que isso se vai verificar. Também é verdade que só por si, esta proibição não resolve os problemas dos pequenos comerciantes, mas pelo menos não os agrava.
Deixemo-nos de falsos moralismos e permitamos que as leis se cumpram e se façam cumprir.

O umbigo dos professores

Recordam-se de “O Meu Pipi”? Pois, imaginei que sim mas não, não foi este o primeiro livro nascido de um blogue. O primeiro já não interessa, muito menos o último, que não se prevê para breve. Serviu esta introdução para comentar o lançamento em papel de alguns dos excertos mais significativos de um dos blogues mais visitado do país, “A educação do meu umbigo”.

Criado, feito, dinamizado e tudo mais por Paulo Guinote, este blogue tornou-se, em cerca de quatro anos, um sucesso, com milhares de visita, links, comentários, referências, um veículo de pressão e ajudante de campanhas negras. São resultados que não deixam de surpreender para um país como Portugal e para um blogue sobre um tema específico. Está bem feito, sim senhor. Dinâmico, bonito, tem de tudo, desde bons textos, fotografias, cartoons, ligações para outros blogues, mas continuo sem perceber o êxito tamanho, capaz de fazer corar os mais populares blogues colectivos.

Os dramas e conflitos no sector da educação nos últimos anos ajudaram, claro. O facto de todos os funcionários do Ministério da Educação o visitarem todos os dias, também. Eu próprio também ajudei e ajudo, mas não é ainda explicação.

Queres ver que é por ser um blogue sobre educação e a vida dos professores, com muito conteúdo específico para mestres-escola e este terem muito tempo disponível?

AS ESCOLHAS DA DRª MANUELA

A Drª Manuela, prefere que o sr Rangel seja candidato ao Parlamento Europeu, em vez do sr Mendes. Será para se livrar do emplastro que é o líder parlamentar do PSD?E que o homem é mesmo muito fraquinho, e então se o compararmos com o seu antecessor, é de uma falta de categoria enorme.

Memórias da Revolução: 12 de Abril de 1974

Em 1974, o dia 12 de Abril calhou numa Sexta-Feira Santa. Os espanhóis invadem Portugal em busca de um fim-de-semana mais alargado.
Alguns padres combonianos foram ontem expulsos de Moçambique. Não se sabe para onde vão.
A União dos Sindicatos Ferroviários, lê-se em todos os matutinos de Lisboa e Porto, deslocou-se ontem ao gabinete do ministro do Ultramar, Baltazar Rebelo de Sousa, para lhe manifestar o seu reconhecimento pelos benefícios resultantes de alterações ao acordo colectivo de trabalho (ACT) introduzidas por este ministro quando era titular das Corporações e Segurança Social. O líder da União, Olímpio da Conceição Pereira, não se queda, porém, pelos agradecimentos sindicais. Aproveita para deixar dito que o Governo “pode contar sempre com os dirigentes corporativos dos verdadeiros ferroviários” na sua política ultramarina.
O sindicalismo, realmente, não era o que é hoje. Quer dizer, a UGT é a reencarnação exacta do velho sindicalismo do Estado Novo.

O MOLHE NORTE DA FOZ DO RIO DOURO

Junto à praia das Pastoras, esteve uma escultura de José Rodrigues, evocativa de Ferreira de Castro. Durante as obras do molhe norte da foz do rio Douro, foi retirada do seu lugar. Ao que parece, esteve a ser restaurada e vai, dentro de algum tempo, espera-se que muito curto, ser reposta no local.

Vem isto a propósito da minha ida há alguns dias, de manhã, ao novo farol da barra do Douro.
Logo na entrada uma tristeza, um jardim bonito, inaugurado há poucos dias e já com plantas a morrer de sede, e algumas mesmo mortas. Não deveria ser assim.
Percorri-o (ao molhe) depois, de uma ponta a outra e gostei da obra e da vista da minha cidade, olhada lá da ponta. Lamentavelmente ainda não se pode percorrer o túnel até ao farol. O mar chão e a maré baixa, acompanhados pelo sol e temperatura muito agradável, ajudaram ao encanto. Muitas pessoas, como eu, passeavam, outras pescavam, outras, poucas, também como eu, fotografavam. Algumas crianças corriam e brincavam. Alguns, comiam e outros fumavam. O chão estava inundado de beatas e papeis, e toda a espécie de pequenos detritos. Nem um único local para os deitar, que impedisse aquele espectáculo. Os fumadores deitavam as periscas para o chão, o mesmo faziam os miúdos aos papéis que embalavam os gelados e a sandes. Os pescadores ainda eram os mais asseados, guardando as suas coisas em sacos plásticos.

Algum tempo depois, o mar foi subindo, as ondas começaram a galgar levemente o molhe, e foram lavando a porcaria lá deixada.

Se calhar é assim que deve ser, o mar tudo lavará e tudo levará consigo, mais cedo ou mais tarde. Porquê incomodarmo-nos com estes pormenores?, pensarão os responsáveis do IPTM ou os da APDL.

Mas para mim, não custava nada tratar das plantas, e colocar umas papeleiras próprias para o local, de onde a onde.

À atenção de quem de direito!

QUIQUE, EL MEJOR

Está de vento em popa, a qualidade de jogo do Benfica. Mais uma vez perdeu, mas não por culpa própria. Desta vez, foi a arbitragem habilidosa que levou ao infortúnio. Claro que o jogar mal, não ajuda nada, e o jogar pior que o adversário também não. Mas, como é evidente, a culpa toda é do quarteto de arbitragem. Desta forma, o acesso à Liga dos Campeões do próximo ano, está seriamente comprometido. É uma vergonha, tanto alarde para tão pouco resultado.

E agora Quique, como vai ser. Ainda és o maior da tua terra?

Mais uma vez, temos quatro campeonatos, o do FCP, eterno primeiro, o dos três ou quatro seguintes, o dos que lutam para não descer e o do Benfica, campeão moral de todas as ligas mas que nada ganha.

O Benfica vai queixar-se à Comissão de Arbitragem da Liga. Acho bem!

Acho muito bem que o Benfica se queixe à Liga por causa da arbitragem de Marco Ferreira no jogo de ontem contra a Académica.
De caminho, que se queixe também do árbitro do Benfica – Braga (Paulo Baptista), do árbitro do Estrela da Amadora – Benfica (Hugo Miguel) e do árbitro da final da Taça da Liga (Lucílio Baptista).

Oh as casas as casas as casas*

Percorro essas estradas municipais já quase abandonadas, que a cada ano perdem alguns centímetros para a floresta de eucalipto, e descubro as espantosas casas do interior do país.

Em lugarejos esquecidos, rodeadas de árvores que crescem à revelia dos homens, erguem-se essas construções impossíveis: casarões com telhados de duas águas, jardins perfeitos aos quais nem sequer falta uma descomunal fonte de pedra, chalets improváveis num cenário desolado.

Estas casas estão feitas de cimento e pedra e frustrações longamente sublimadas, de humilhações, sacrifícios, do orgulho apertado nos dentes por muito, muito tempo. Por isso são únicas e incongruentes, não pertencem ao sítio onde estão mas tampouco poderiam estar noutro lugar, nascem e vivem ao lado do cão que fica longo tempo a olhar os forasteiros, do monte de sucata enferrujada, do poço seco, do ribeiro que já arrastou homens mas agora perdeu a força e esvai-se num fio de água enlameada.

É raro ver-se gente nessas casas, ou um baloiço, ou um par de botas no jardim. Como fantasmas, erguem-se solitárias, miragens urbanas no deserto da estrada, a tal ponto que não sabemos se as sonhámos, se desejámos vê-las para nos tranquilizarmos com a presença do humano numa estrada por demasiado tempo deserta.

Casas estranhamente belas, casas sólidas, para resistir aos temporais das serranias, casas que não morrerão tão cedo mas que já parecem quebradas por dentro, sem o sopro vital que também anima as casas. Casas que, na sua solidão altiva e absurda, me parecem, por instantes, um retrato do país, e, também por isso, ainda mais tocantes e insuportáveis.

* “As Casas”, Ruy Belo, Todos os Poemas, Assírio & Alvim, 2000

Sons de Abril: José Barata Moura


A música é de José Barata Moura e chama-se «Vamos Brincar à Caridadezinha». Editada pela Orfeu, em 1973, faz parte do primeiro disco do artista e é essenciamente uma música de protesto e de crítica ao regime e à sociedade do tempo da Ditadura.
Sobres esta música, escreveu ernando Madail no «Diário de Notícias» de 22 de Dezembro de 2007: «”Vamos brincar à caridadezinha, festa, canasta e boa comidinha”, cantava José Barata Moura em tom de crítica àquele tipo de senhora que “passa a tarde descansada, mastigando a torrada, com muita pena do pobre, coitada!” O músico, que seria reitor da Universidade de Lisboa entre 1998 e 2006, devia estar cansado de ler notícias como a que o DN publicava no dia 18 de Dezembro de 1965 sobre uma “obra de amor e de bem-fazer”.
A explicação vinha logo no título daquela notícia a meio da sétima página : “A sede dos ‘Fernandinhos Pobres’ começou a encher-se de crianças dos bairros humildes de Lisboa que ali vão buscar alegria e agasalhos”. E a legenda acrescentava: “dirigentes e benfeitoras dos ‘Fernandinhos Pobres’, durante a festa de ontem”.
Para os espíritos mais progressivos, parecia impossível escrever algo deste género: “Uma centena de crianças humildes de Lisboa foi já, ontem à tarde, ao grupo ‘Fernandinhos Pobres’ receber alguns dos donativos que ali costumam distribuir na quadra do Natal”. Mas, enfim, nessa longa noite do fascismo lusitano, havia – já se sabe! – exploração.
“Presidiu à cerimónia a sr.ª D. Maria Natália Rodrigues Thomaz, filha do Chefe do Estado [acerca da qual corriam quase tantas anedotas como sobre o pai]. Presentes, também, muitas senhoras da alta sociedade que patrocinam aquela obra de caridade.” Ah! Essa amaldiçoada palavra “caridade”!
“A partir das 14 horas, começaram a afluir os gaiatos, juntamente com as mães e outros familiares à sede daquele organismo de beneficência. Eram crianças das mais pobres que há na cidade [como se isso fosse um motivo de orgulho para elas] , filhas dos casais que vivem nos bairros mais humildes, tais como Sete Moinhos, Casal Ventoso e Curraleira [provavelmente uma garantia de que, afinal, não eram os falsos pobres de que sempre se suspeita, seja na distribuição de prendas aos pobrezinhos ou no rendimento mínimo]. A pouco e pouco as cem alcofas foram sendo distribuídas. A primeira foi entregue pela sr.ª D. Maria Natália Rodrigues Thomaz [apontada, então, quase como sendo um sinónimo da fealdade], a segunda pela sr.ª D. Maria Madalena Morais, presidente da Cruz Vermelha, e a terceira pela sr.ª D. Maria Emília Castro, esposa do sr. dr. Augusto de Castro [director do Diário de Notícias e, obviamente, uma figura do regime]. E, durante mais de duas horas estas e outras senhoras espalharam, com estes donativos, alegria e conforto a tantas famílias.”
Lá cantava José Barata Moura, no seu timbre claro, em que todas as sílabas se entendem perfeitamente, que “o pobre, no seu penar, habitua-se a rastejar e, no campo ou na cidade, faz da sua infelicidade algo para os desportistas da caridade”. Adiante.
“Na sede dos ‘Fernandinhos Pobres’ reinava uma atmosfera de ternura e de felicidade contagiantes. As crianças riam ou abriam os olhitos com aquela expressão de encanto que é apanágio das suas horas de emoção mais alta.” Seja lá este aspecto o que for…
“As beneméritas protectoras do grupo, a que preside a sr.ª D. Virgínia Lopes da Silva, comungavam, também, na satisfação geral dos seus protegidos, que se sentiam com o Natal deste ano mais iluminado e mais aberto à esperança.” Estávamos, pois – nunca se deve esquecer! -, em pleno fascismo, um tempo de ignorância e de miséria. Aliás, a notícia do lado parecia uma metáfora velada, pois “Lisboa sem sol foi ontem uma cidade triste” e “o nevoeiro deu-lhe uma poesia estranha e fantasmagórica fora dos hábitos alegres dos alfacinhas” – em contrapartida, registavam-se 40 graus em Lourenço Marques, como se designava, nesse tempo de guerra contra os turras (os guerrilheiros da Frelimo), a agora Maputo.
“Hoje, à tarde”, concluía o jornalista, “o mesmo grupo e as mesmas senhoras vão ainda distribuir por mais quatrocentas crianças outras valiosas prendas. São peças de vestuário e de calçado, um lanche e umas guloseimas, para que os miúdos participem, com algo de concreto, no sortilégio mágico do Natal.”
Moral da História: 42 anos depois, derrubado o regime fascista e finda a guerra colonial, com 33 anos de democracia e 22 de adesão europeia, ainda continuamos a necessitar de instituições como a dos “Fernandinhos Pobres”. E a canção parece não ter perdido actualidade: “Não vamos brincar à caridadezinha, festa, canasta e falsa intençãozinha.»

O monstro debaixo da cama

Há uns meses, Tim, vocalista de Xutos & Pontapés, dizia que por cada disco vendido a banda recebia muito pouco. Era tão pouco que acabavam por receber, em proporção, mais dinheiro cada vez que um fã comprava um toque de telemóvel com uma pequena parte de uma canção.

Este é um daqueles segredos de polichinelo. Há muito, para não dizer desde sempre, que os maiores rendimentos em redor da indústria da música vão para os editores e outros agentes, deixando os verdadeiros protagonistas, os músicos, com uma fatia mais pequena.

Não espanta que, em todo o mundo, a guerra contra a distribuição digital ilegal de ficheiros de música tenha sido liderada pelos administradores das editoras e pela associação que representa estes tubarões da indústia. Ficaram famosos os processos da RIAA (Associação da Indústria Discográfica Americana) a algumas pessoas que fizeram downloads ilegais de música. Alguns deles terminaram com condenações ao pagamento da multas ridículas de milhões de dólares. A RIAA, como outras entidades, incluindo algumas portuguesas, seguiu o caminho da repressão. Já que não consegues vence-los, processa-os. A estratégia foi a pior de todas. Foi uma reacção de quem não vê um boi à frente mesmo que os seus cornos estejam quase a entrar pelos olhos. Enquanto se processam uns desgraçados, que tiveram azar, milhões de outros continuam a descarregar música de forma ilegal. Por certo, a industria musical lamenta não poder sentar todos no banco dos arguidos. Os amantes da música lamentam que a indústria da música continue a seguir um caminho autista. Os músicos continuam a ser os principais derrotados.

Em França, os deputados aprovaram, no início deste mês, uma emenda à lei que obrigava os internautas condenados por transferência ilegal de ficheiros a pagar o serviço da internet, mesmo não o podendo utilizar, devido a limitação judicial. Isto é, depois de apanhado a copiar produtos defendidos por direitos de autor e após dois avisos, o cliente de um provedor de internet seria julgado, multado, impedido de utilizar o serviço de net mas teria de o pagar até cumprir a penalização. A justiça teria mesmo de ser cega para aceitar uma coisa deste género.

A lei, que foi sabiamente emendada, pretendia fazer dos provedores de acesso à net os bufos perfeitos: acusavam alegados infractores e continuavam a receber dinheiro do cliente denunciado, além deste não poder usar o serviço. Os “ratos” perfeitos. Em Portugal, alguns protagonistas da indústria queriam o mesmo.

Acontece que a pirataria só vai ter menos praticantes – mas nunca será eliminada -, quando os preços da música ficarem mais acessíveis. A compra de música é demasiado cara e a maior parte dos rendimentos não segue para os criadores. Segue para uma série de parasitas que gravitam em volta de quem cria para eles e pouco mais fazem que um agente de jogadores de futebol.

Há cerca de um mês, num outro espaço, disse que nos dias de hoje, as editoras e etiquetas musicais, os agentes de artistas e bandas, além dos promotores de espectáculos insistem em anunciar os espectáculos de grande parte dos intérpretes como fazendo parte da “digressão de promoção do novo álbum”. Uma estratégia de marketing como qualquer outra e baseado nas fórmulas de outros tempos.

Disse ainda que no passado, os músicos lançavam discos e iam para a estrada promove-los. Era, claro, uma forma de ganhar dinheiro, mas sobretudo de contacto com os fãs e fazer com que comprassem discos, antes ou depois dos espectáculos. Os tempos agora são outros e o dinheiro para os artistas está do outro lado do arco-íris chamado “concertos”. É na estrada, em espectáculos em estádios, pavilhões, salas de concertos ou pequenos clubes e bares, que os músicos ganham dinheiro. A fórmula está alterada. Do tempo em que faziam uma “digressão de promoção do novo álbum” passamos, passaram os artistas, ao tempo em que lançam um novo disco para promover a digressão.

Os discos, sejam CDs ou DVDs musicais ou ainda ficheiros em MP3 ou outros formatos de distribuição, representam a fatia fina do rendimentos dos artistas.

O dinheiro investido na compra de música por parte dos fãs começa por pagar à editora os custos de produção – desde pagamento do estúdio, técnicos, promoção, gravação, produção de imagens, entre outros -, depois paga à editora a percentagem da editora, depois há outras pequenas despesas a suportar e só no final da linha os artistas.

É claro que auferem ainda os direitos de autor ao longo dos tempos. Se não fosse isso, e os concertos, mais valeria tocar e cantar as canções no metropolitano ou nas ruas das cidades. Há uns anos, na comunidade dos músicos, falava-se de que os concertos estavam em queda. Há um ano e meio alguns agentes anunciavam que a crise dos artistas estava a chegar, não só porque a música era “sacada” da internet sem que os intérpretes recebessem algo por ela, mas também porque a crise ia inibir os fãs de pagar bilhete para assistir aos espectáculos. Não foi isso que aconteceu. Antes pelo contrário. Daí que sejam os concertos a fornecer real rendimento, do dinheiro a sério, aos músicos.

Os dados divulgados no início de Fevereiro pela norte-americana Billboard mostram isso mesmo. É na estrada, nas “tours”, que está o “show me the money” das bandas e cantores. Basta olhar para o top dos fazedores de dinheiro em 2008 no mundo da música. Os primeiros 20 fizeram diversos concertos ou digressões inteiras. Com Madonna no topo.

Duvidam? Perguntem a um músico. Em Portugal perguntem, por exemplo, a Xutos e Pontapés ou a Tony Carreira. O mais popular dos cantores nacionais não deve ter muitos fãs a “sacar” canções ou discos inteiros da Internet sem pagar. Vende milhares de exemplares de cada disco, o último é platina por cinco vezes, mas por cada ano faz dezenas de espectáculos e os primeiros de cada digressão são de produção própria, através da sua empresa.

Há menos de um mês, o Diário de Notícias contava que a venda de discos continua a cair. Em 2008 o mercado discográfico português, conta o jornal, só facturou 44.332.628,09 euros. É muito, é pouco? É menos 12,47 por cento que em 2007. No entanto, apesar desta queda, o segmento digital cresceu. Em 2007, os downloads de músicas e toques de telemóvel tinham rendido 2.631.520,89 euros. No ano passado, aumentou quase 17 por cento, para 3.077.128,18 euros. A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) fez as contas e apurou que foram aquiridos 46.043 álbuns, 423.077 singles, principalmente de artistas internacionais, e 829.347 toques de telemóvel.

“Desde o ano 2000 até hoje, as vendas desceram de 105,8 milhões de euros para os actuais 44,3 milhões, e o sector perdeu aproximadamente 138,8 por cento da sua facturação”, diz-nos ainda o jornal.

Claro que a AFP aponta a “pirataria digital” como é a responsável pela quebra das vendas de música. Dizem que está tudo ainda por fazer para a combater. É verdade. Sugiro que dêem um primeiro passo e comecem este processo através da redução do preço da música. Será um primeiro passo. A sensibilização do público, sobretudo dos mais jovens, é outra opção obrigatória, mas por si só, não
chega.

Continuar a bater na tecla de que a culpa é só da pirataria é tentar tapar o sol com a peneira. Até porque muitos desses ‘bandidos’ são aqueles que compram bilhetes para os espectáculos dos artistas e bandas. São estes os consumidores de música que convém captar para o lado dos não infractores. São estes os potenciais clientes da indústria musical que esta não soube captar porque os seus administradores estiveram mais interessados em contar dinheiro do que em compreender o mundo que circulava à volta deles.

Persistir no caminho trilhado até aqui será como procurar monstros debaixo da cama. Tenho quase a certeza que não estarão lá.

A melhor maneira de roubar um banco é geri-lo

Este é o melhor título do ano. É de Sandro Mendonça do Departamento de Economia, ISCTE.

Vamos segui-lo. Com esta crise já se aprendeu uma coisa: a maior falência do sistema financeiro português é a do Banco de Portugal (BdP). O governador encolhe os ombros e diz que é impossível descobrir todas as fraudes. O BdP está organizado num centro de de investigação académica e não para cumprir as tarefas que lhe estão atribuídas. Não só não controla as instituições financeiras (incluindo as predadoras entidades de empréstimos a pronto deixadas à solta durante anos a fio) como não tem estado ao lado dos consumidores. O BdP anda há anos a pregar a contenção salarial mas nunca estendeu o convite aos administradores bancários.

“Quando alguem tem o poder de fixar a própria remuneração variável surgem patologias sérias”, continua. Quando grandes instituições como a Merril Lynch. o Royal Bank of Scotland ou a seguradora AIG se revelam vulneráveis à pilhagem e à fraude,então quer dizer que o problema está no centro do sistema.

Portanto a actual crise não se pode atribuir a meros erros de investimento ou ao mau carácter de alguns. Os alicerces psicológicos foram removidos e num sistema de motivações complexas a falta do lastro estabilizador do Estado teve resultados devastadores.

“Por trás desta crise está um colapso geral de ética e responsabilidade.Esta desintegração não surgiu por meio de uma mão invisível.” Como hoje já se sabe há instituições que promoveram activamente a instabilidade. Os “off-shores” são disso exemplo. Paraísos fiscais associados à lavagem de dinheiro e à especulação gratuita”. E é,na velha Europa, que dois terços destas “lavandarias” se encontram, incluindo o da Madeira.
Falhas graves de supervisão têm custos sistémicos, sobretudo em pequenas economias abertas, como a nossa, conclui.

Público,27 de Março de 2009

A sombra de Caxias (III – Caxias e o Estado Novo)

Em Janeiro de 1972, a revista «Continuidade», o órgão oficial da PIDE, descrevia assim as condições da prisão: «Somente a presença de grades nas janelas lembra que se trata de uma prisão. Os detidos dispõem de quartos individuais, com casa de banho privativa e água corrente quente e fria, permitindo-lhes as melhores condições de alojamento…
A cozinha de Caxias, dotada de moderna aparelhagem, permite a confecção de alimentos nas melhores condições, completando as demais condições de alojamento, que podem ser consideradas das melhores em todo o mundo. Um posto médico, apetrechado com o material corrente em qualquer bom consultório, assegura uma completa assistência a quantos dela possam carecer.»
Como é óbvio, a realidade eram bem diferente. Os presos que o digam. Foram os seus relatos, verdadeiramente impressionantes, que revelaram a dimensão do horror, o alcance da tragédia.
«Falo-vos de Caxias. Falo-vos de uma máquina de bestialização articulada em nome de uma ideologia como pretexto adeuqado. Aqui, o carácter recíproco do respeito entre os homens foi ferozmente destruído. Aqui, recusando aos presos a higiene mais elementar, infligindo-lhes os mais brutais tratamentos, os pides negavam-se a ver neles homens. Aqui, os cárceres, os curros, os catres com sangue seco, as paredes, os corredores, os silêncios, os gritos, o desespero – depõem sobre a irresistível evolução do espírito nazi-fascista para o desprezo total do homem no homem. Aqui, com o sacrifício das próprias vidas, os mais puros e abnegados dos resistentes ao insulto fascista encarnam a liberdade (com L maiúsculo, camarada tipógrafo, com L maiúsculo!) na sombra, no opróbio, na morte – sempre honrando-se, sempre honrando-nos!» (Baptista Bastos, in «Diário Popular», 25 de Maio de 1974)
Caxias era, pois, uma pequena parte de um vasto complexo de tortura e morte, que englobava o Aljube, Peniche, Ilha Terceira e Ultramar, como Timor, o Tarrafal, em Cabo Verde, ou Machava, em Moçambique.
E se o Estado Novo insistia em encontrar apenas virtudes no estabelecimento prisi0onal, os deputados da Oposição não iam, definitivamente, na mesma «onda». Em 15 de Janeiro de 1972, o então deputado Francisco Sá Carneiro propôs na Assembleia Nacional a designação de uma comissão eventual que procedesse a um inquérito ao regime prisional de Caxias. Numa fase que começava a ser conturbada, numa fase em que a Ditadura já não conseguia, como conseguira nas décadas anteriores, sufocar todo o tipo de contestação ao regime, os deputados da Oposição já se sentiam à vontade para falar e para enfrentar os fiéis da União Nacional.
A acta número 149 do Diário das Sessões da Assembleia Nacional do dia 17 de Janeiro de 1972, páginas 3003 a 3022, reflecte bem a forma como o regime e a Oposição se preocupavam com Caxias. Por motivos diferentes, como é óbvio. A Oposição preocupava-se com as condições dos presos, que já ninguém conseguia esconder, enquanto que o regime se preocupava com as repercussões que essas condições podiam ter na contestação nacional e internacional.
O excerto que em seguida apresentamos, do referido Diário das Sessões, e que traduz o discurso de Farnacisco Sá Carneiro e o diálogo com outros deputados, alguns deles afectos ao regime, é apenas uma pequena parte das actas referentes àquela tarde em que, durante duas horas e meia (das 15.40 às 18.10 horas), o tema principal foi a prisão de Caxias.
«Tenho recebido, nos últimos tempos, numerosas queixas quanto à actuação da Direcção Geral de Segurança, tomado conhecimento de várias exposições sobre essa matéria e lido acusações que lhe são feitas publicamente.
Os pontos mais graves referem-se a casos de prisões e buscas sem mandados e aos métodos de interrogatórios praticados, durante os quais se não admite a presença de advogado dos suspeitos presos. (…)
Investigação não é, não pode nunca ser, obtenção de confissões. (…) A defesa da sociedade não pode fazer-se com desrespeito pelas pessoas.
O Sr. Casal-Ribeiro: – Faz-se à bomba …
O Orador: – V. Ex.ª disse alguma coisa, Sr. Deputado?
O Sr. Casal-Ribeiro: -Disse, disse, em voz bem alta: faz-se à bomba!
O Sr. Henrique Tenreiro: – V. Ex.º dá-me licença?
O Orador: – Só um momento. Éque há duas interrupções …
O Sr. Casal-Ribeiro:- Eu, é só um comentário: só à bomba!
O Orador: – Não, é uma interrupção …
O Sr. Casal-Ribeiro: – Pois é. E um comentário: faz–se- à bomba. (…)
O Orador: – Sr. Deputado, eu não lhe estou a pedir resposta nenhuma, nem estou preocupado … Agora do que não abdico é o de estar no uso da palavra, de responder a quem eu entender e como entender. (…)
Poderá pensar-se, ante a ida a prisão da Direcção-Geral da Segurança em Caxias, dependente do Ministério do Interior, que foi a mesma a atitude deste.
Não foi.
Como a imprensa noticiou, essa visita teve lugar no dia 4 e durante ela tivemos ocasião de falar com vários presos.
Essa era a razão determinante da nossa ida; por isso imediatamente aderi à oportuna iniciativa do Sr. Deputado Correia da Cunha, fruto da sua intervenção junto do Sr. Ministro do Interior, à qual se associou também o Sr. Deputado Pinto Balsemão.
Foi-nos depois esclarecido pelo Sr. Ministro que poderíamos visitar a cadeia quando quiséssemos, mas não falar com as pessoas aí detidas, a não ser eventualmente, a título excepcional e meramente pessoal; não como Deputados.
Nessas condições entendo que se não justifica qualquer outra diligência directa. A própria visita à cadeia, que no dia 4 não prevíramos e que não houve tempo para efectuar, tendo ficado prevista para mais tarde, não tem justificação se não pudermos, como Deputados, ouvir os presos que entendermos.
É nessa qualidade que tenho recebido as numerosas queixas e reclamações a que aludi, que se referem não só ao regime prisional de Caxias, mas também, e sobretudo, á actuação da Direcção-Geral de Segurança quanto a detenções, buscas e interrogatórios.
É como Deputado que tenho a obrigação de não me calar e de exigir que, se os factos são verdadeiros, se lhes ponha termo e se punam os responsáveis; se são falsos, se responsabilize quem os publica. (…)
E assim termino por propor, Sr. Presidente, que a Assembleia Nacional designe uma comissão eventual para estudar todas as queixas, reclamações e acusações formuladas e proceder a inquérito à actuação da Direcção-Geral de Segurança e ao regime prisional da Cadeia de Caxias, devendo apresentar, no prazo de um mês, um relatório circunstanciado da sua actividade, das conclusões a que chegou e das medidas que propõe.
Disse.
Vozes: – Muito bem!
O Sr. Henrique Tenreiro: – Não apoiado!
O Sr. Casal-Ribeiro: -Isso mesmo, não apoiado.
Vozes: – Apoiado! Muito bem, muito bem!
O orador foi cumprimentado. (…)
Requerimento
Ao abrigo do disposto no artigo 11.º, alínea d), do Regimento, requeiro que me seja dado conhecimento se foi realizado algum inquérito, ordenado designadamente pela Presidência da República ou pela Presidência do Conselho, ao modo como foi interrogado na Direcção-Geral de Segurança José Pedro Correia Soares, que actualmente se encontra detido na prisão de Caxias; no caso de ser afirmativa a informação pedida, requeiro também que me seja facultada cópia integral de todas as peças desse inquérito e prestadas informações sobre as suas consequências.
Sala das Sessões da Assembleia Nacional, 15 de Janeiro de 1972. – O Deputado, Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro.»
No mesmo ano, ainda se voltaria a ouvir falar de Caxias. No dia 20 de Abril, foi lida na Sessão Parlamentar que Ana Maria Correia Antunes enviara uma carta a propósito
das condições em que vivam os presos de Caxias. No dia 7 de Dezembro, Francisco Sá Carneiro «voltava à carga» e, desta vez, exigia informações sobre uma estudante universitária do Instituto Superior de Agronomia, chamada Dália Rosa Falcato.
Queria saber, nomeadamente, se a aluna se encontrava detida em Caxias à ordem da Direcção-Geral de Segurança; se estava doente e com febre e, por isso mesmo, tinha sido vista por um médico da Faculdade de Medicina de Lisboa e por um psiquiatra da mesma cidade; se lhe fora diagnosticada uma depressão nervosa e aconselhado o fim do regime de isolamento a que fora votada desde a sua detenção; se esse isolamento já terminara e em que dia; se fora requerida a sua transferência para um hospital pisquiátrico e através de que despacho; e a quantos interrogatórios fora sujeita Dália Rosa Falcato e com que duração.
No ano seguinte, o mesmo Sá Carneiro apresentaria um projecto-lei de amnistia para crimes políticos e infracções disciplinares, mas, por ser considerado «gravemente incorrecto», nem sequer lhe foi dada a palavra.
Segundo esse projecto-lei, seriam amnistiados os crimes políticos e as infracções disciplinares que tivessem também origem em motivos políticos. O objectivo final era a consagração, na Constituição e nas leis, das liberdades públicas que não existiam em Portugal. Assim, a amnistia política surgiria como corolário da alteração de uma situação que levava a PIDE/DGS, a considerar delituosos, constantemente, comportamentos e atitudes que não passavam de actividade política e cívica.
O projecto apresentado por Sá Carneiro seria liminarmente recusado e nem sequer chegou, como se disse antes, a ser discutido em plenário. O Presidente da Comissão Parlamentar de Política e Administração da Assembleia Nacional, Gonçalves Proença, considerou que não era oportuna tal discussão naquele momento.
Foi apenas o último de vários projectos do deputado que já tinham sido recusados anteriormente, como o da liberdade de associação, da liberdade de reunião, dos funcionários civis, da alteração ao código civil, do divórcio e separação de pessoas e bens e da organização judiciária. A todos eles, não foi dada a mínima oportunidade para serem ao menos discutidos, e a justificação era sempre a mesma: gravemente inconvenientes.
Por todas estas razões – no fundo, porque não conseguia cumprir a missão para que fora eleito pelo círculo do Porto – Francisco Sá Carneiro viria a renunciar ao seu mandato no dia 25 de Janeiro de 1973.

Woody Harrelson e os zombies

Woody Harrelson é um prato. Não sei se ainda se utiliza, mas há uns anos, quando se queria definir alguém como sendo divertido e engraçado, autor de umas piadas catitas, costumava dizer-se que fulano “é um prato”. Foi do que me lembrei quando li uma notícia, na CNN, sobre a explicação de Woody Harrelson para ter batido num fotógrafo no aeroporto de Nova Iorque.

O actor, já nomeado para um Oscar, por “Larry Flint”, e vencedor de um Emmy, por “Cheers, Aquele Bar”, é conhecido por ter um certo mau feitio.

Não chega ao mau feitio do pai, um assassino profissional contratado por grupos criminosos, mas por vezes fica irritado. Foi o que aconteceu no aeroporto de La Guardia. Perseguido por um paparazzi da agência TMZ, a ‘mostarda’ não demorou a chegar ao nariz do actor que agrediu o fotógrafo. Nas declarações à polícia, contou que participou num filme, “Zombieland”, no qual era perseguido por um zombie. Ao ser perseguido pelo fotógrafo no aeroporto, confundiu-o com um zombie e desatou à bofetada.

Daqui se podem tirar algumas ilações. Primeiro, que Woody tem tendência a confundir ficção com a realidade; Segundo, que já ninguém respeita os zombies.

Se isto chega a Portugal ainda há sarilhos. Bem, como em boa parte das vezes os paparazzi são chamados por quem, depois, se mostra indignado, talvez não.

Memórias da Revoulção: 11 de Abril de 1974

Após o susto inicial, o navio Niassa lá partiu. Desta vez, não há qualquer referência aos feridos provocados pelo rebentamento da bomba.
No próximo dia 22, a Bolsa do Porto começará a funcionar, terminando assim a «Bolsa de Sampaio Bruno», que há vários meses funcionava na cidade ao ar livre.
Em Ribeira de Pena, um homem construiu sozinho uma estrada.
Faltam 14 dias para a Revolução.

O melhor anúncio de “precisa-se ajuda” destes tempos

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Portugal Nuclear?

Como raios hei-de eu saber? Sou físico nuclear? Percebo alguma coisa disto? Isótopos? Fissão ou fusão? Reações nucleares? Urânio? Deutério? Que car*!”$ é o deutério?
Correm por aí uns zum-zuns acerca do nuclear. Muito se fala em nuclear hoje em dia. Sim ou não? Não sei. Estou apenas preocupado. Eu procuro nuclear no google e obtenho 105.000.000 de resultados. Metade diz que sim, metade diz que não, metade diz que não sabe. Em que é que ficamos? Eu espero que não estejamos a brincar aos negócios e aos dinheiros com o que algumas pessoas acham tratar-se de “lunático“. É que eu sou só um cidadão vulgar. Mas acho que tenho o direito de receber informação “correcta” e o mais “verdadeira” possível para eu poder decidir. Acho também que tenho o dever de me informar, mas a grande questão é como! Vou abdicar da minha vida durante 20 anos para tirar um curso de física nuclear e averiguar se de facto é assim ou assado? Os impostos dos cidadãos não deveriam chegar, para pelo menos “comprar” uma informação científica livre de “liberdade de mercado”, lucros e outras tretas patéticas? Já nem a ciência é uma ciência exacta? Ninguém se entende, e face às constantes contradições, aparentemente alguém está a mentir nesta questão, e eu – e acho que também ninguém – consegue formular uma opinião “livre” sobre esta questão.
Esta não pode ser uma questão do “vou ganhar ali umas massas e depois vê-se”. Esta é uma questão humana e acima de tudo global. Não tem nada a ver com países, empresas e “projectos” . Não tem nada a ver com “atrair” empresas para vendar mais umas estúpidas acções. Não tem nada a ver com o “eu acho que não, mas se tiver ser…“. Não tem nada a ver com “eu acho que sim, tu achas que não”. Não tem nada a ver com “Não, porque não está ainda na agenda“. Isto é uma questão de “estamos a ficar mesmo à rasca!“. A questão da sustentabilidade ecológica já não é uma discussão. É uma realidade e uma prioridade. Vamos precisar de levar com um tornado nas trombas para perceber? Vamos ter de chegar ao ponto de abrir a torneira em casa e não sair água?
Cientificamente, ninguém consegue chegar a uma conclusão, se os benefícios ultrapassam os prejuízos, ou não? Que desinformação é esta, que não permite que um cidadão tenha sequer ter uma opinião formada sobre um assunto tão grave, como o que é o que parece? É que se de facto estão envolvidos prejuízos que podem ser graves para o Planeta, por mim esqueçam. Daqui a uns tempos, quando “estiver em agenda”, alguém decide que temos mesmo que ter energia nuclear em Portugal e eu vou continuar na mesma situação. Daqui a uns tempos, alguém diz: “olha, e vai ser mesmo ao teu lado que a central nuclear vai ser construída”. …e eu vou continuar na mesma situação. Daqui a uns tempos alguém diz: “o que é que tu achas?“. Se eu não tenho o direito de ser bem informado, “sem tangas” nem palavreado fino, para poder decidir, então também não tenho o direito de decidir. E não decidindo, será o que alguém decidir por mim. E eu vou continuar na mesma situação.
Só que nessa altura vou ter de dizer, não! Não quero nuclear. Não quero saber de exigências energéticas. Não quero saber dos “actuais modos de vida”. Não! Mesmo que eu fique sem luz, sem internet, sem tv, sem comunicações ou outras regalias e mordomias modernas eu vou ter de dizer não! Apenas e só porque não tenho argumentos para decidir. Nem para bem, nem para mal.
Eu, sinceramente, acho que o nuclear não é solução. E por uma razão. Quando começo a ouvir falar em empresas, lobbys e termos científicos, temo sempre o pior. Lembro-me sempre da Dupont com o Teflon. Compreendo que “não foi de propósito”, que “parece que ainda não foi provado que é prejudicial”, que “esperamos por uma decisão de um tribunal”, que “assim que for decido, vê-se”. Pois. Eu compreendo.
“Olha, desculpa lá, lembras-te daquilo do nuclear? Pois, afinal não nos lembramos da reacção a longo prazo do deutério com o bório… e então agora ainda estamos piores do que estávamos.” Pois. Eu compreendo.
Em também compreendo que mais cedo ou mais tarde, este país vai ter de assumir o seu papel de país terceiro-mundista e juntamente com um daqueles países africanos ou asiáticos, que ninguém sabe apontar no mapa, se torne mais um depósito para detritos (nucleares ou não) e uma fonte de energia (nuclear ou não) para países mais desenvolvidos. Questões de tamanho e preponderância internacional. Eu quase que compreendo que todas estas obras espectaculares como os TGVs, Aeroportos e afins, nem sequer nos custem dinheiro. É o que os governantes dizem. Todo o dinheiro vem do estrangeiro, e “é tudo à borla”. Só não consigo compreender porque são tão nossos amigos. Espero que não tenha nada a ver com nada, e seja só paranóia e desinformação da minha parte. Provavelmente é só isso, e não tem nada a ver com estas recentes incursões opinativas na questão nuclear.
Mas, o que eu acho, tem pouca ou nenhuma importância no contexto actual. Eu tenho apenas de esperar que os governantes deste país e os seus compinchas das empresas, tenham a amabilidade de, por uma vez que seja, serem sérios e honestos, e decidam em consciência, numa questão tão técnica que não está sequer ao alcance dos cidadãos. Eu tenho apenas de esperar que decidam numa perspectiva essencialmente ecológica, e não económica e de mercado, pelo menos neste aspecto tão fulcral, que não afecta classes sociais, opiniões, ricos ou pobres, altos ou baixos, mas sim todos sem excepção.

A questão não é como arranjar mais energia. A questão é como não gastar tanta energia.