Aventar, o blogue totalmente público


Viemos para inovar. Para fazer igual aos outros, não valia a pena.
Durante a próxima semana, entre segunda-feira (15 de Junho) e Domingo (21 de Junho), o Aventar será um blogue totalmente público. Todos os nossos leitores poderão ser, por uma semana, autores do blogue. Todos os «posts» serão publicados desde que não enveredem pelo insulto ou pela difamação. Não temos tabús, por isso publicaremos tudo o que nos chegar. De comentadores do Aventar, de comentadores de outros blogues, de autores da concorrência, de amigos, inimigos e adversários ou de gente anónima. Até do Chico da Tasca!
Basta que nos enviem os vossos «posts» para o e-mail blogueaventar@gmail.com, acompanhados do nome com que pretendem ser identificados e, se for esse o caso, do nome do vosso blogue. Podem começar a enviar desde já.
Esperamos surpresas. Queremos ser surpreendidos. A frase que se segue é azeiteira mas verdadeira: «Liberta o Blogger que há em ti!»
Quem sabe se não chegamos ao fim da semana com novos autores para o Aventar…
O que acham?

Telemedicina (I)

O SUCESSO NO ALENTEJO

Com base em orientação da OMS, a telemedicina define-se como “a incorporação das tecnologias de telecomunicação na prestação remota de cuidados de saúde, assim como na comunicação à distância de apoio de especialistas a outros médicos, incluindo acções de formação estruturadas”.

A telemedicina é, portanto, um mundo. Infelizmente o Plano Tecnológico do actual governo tem marginalizado essa actividade, não obstante referências em documentos oficiais. Recordo, por exemplo, o documento do Alto Comissariado da Saúde que a invoca explicitamente como recurso para combater e controlar as patologias cardiovasculares, AVC e Enfarte. Constituem a primeira causa de morte nas sociedades ocidentais, em que Portugal se integra (no ano de 2003, salvo erro, a taxa de mortalidade devida a este tipo de doenças atingiu +/- 34% dos óbitos totais no País).

À escassa acção governativa, respondeu o voluntarismo louvável de um grupo de médicos no Alentejo, dos quais destaco: Dr. Luís Gonçalves do Hospital do Espírito Santo de Évora, Dr. Álvaro Pacheco ex-Director Clínico do Hospital de Santa Luzia de Elvas, Dr. José Ricardo da Unidade de Saúde Local do Norte Alentejano EPE, Dr. Horácio Feiteiro do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo EPE.

Sem querer alongar-me, por agora, no tema, refiro que, entre 2001 e 2008, se efectuaram no Alentejo mais de 71.000 tele-consultas, ou caso se prefira, consultas por videoconferência. Foram dadas por especialistas localizados em hospitais a doentes, acompanhados de médicos de família, presentes em centros de saúde ou em outros hospitais que não dispunham da respectiva valência médica.

De certo modo, este meu ‘post’ é um contributo para esclarecer ínfima parte das interrogações do texto de Vítor Silva, a propósito da instalação de infra-estruturas de fibra óptica no Porto. A medicina é uma actividade que recorre com frequência à comunicação multimédia – áudio, vídeo e imagem. E uma das queixas dos praticantes de telemedicina no Alentejo é justamente a falta de infra-estruturas, que garantam a realização de acções de telemedicina ou, noutros casos, a qualidade exigível em actos médicos das transmissões por telecomunicação electrónica.

Prometo voltar em breve a este tema, porque é interessante e tenho algo mais a dizer.

SNS – A liberdade dos médicos

Perante a decisão de se avançar para um esquema de carreira dos médicos no SNS que impõe a exclusividade, o Bastonário da Ordem questiona a pretensa redução da liberdade daqueles profissionais.
As nossas corporações lançam mão de todos os argumentos para manter privilégios, incluindo os que não aguentam a mais pequena análise crítica.
No caso, liberdade, é os médicos poderem escolher entre o público e o privado. Com exclusividade ou sem ela assim seja desejo das partes.
Liberdade, é o SNS poder exigir exclusividade se isso corresponder às suas necessidades. Tem que pagar melhor, obviamente, nas isso não é um custo como o Sr. Bastonário nos quer fazer crer. Custo é ter muitos milhões de contos em instalações e equipamentos subaproveitados, exactamente porque tem médicos em part time !
Há medidas tão óbvias que custa a perceber porque não se implementam apesar de se falar nelas há décadas. O Sr Bastonário argumenta sempre da mesma forma, agitando o espantalho financeiro, a de que o SNS não aguenta pagar ao nível dos privados. Não é verdade, bem pelo contrário, é a única forma de segurar os mais rentáveis, os que maior e melhor rentabilidade oferecem.
E rentabilizar o parque instalado é um passo de gigante para que o SNS deixe de pagar serviços aos privados, quando tem dentro de si os melhores e mais caros equipamentos!
E estes, quer se queira quer não, não trabalham sem pessoal e estão em exclusividade!

Nos 25 anos da morte de António Variações

Não entregar auto-avaliação

Uma tomada de posição… para pensar:

Artigo do Público

Artigo do Público

A imagem do artigo foi retirada do http://olhardomiguel.wordpress.com/

Porque a publicidade pode ser uma arte…

Não sei se já vos disse… Gosto de publicidade. Em televisão, em jornais e em rádio. Gosto da capacidade criativa de quem tem de transmitir uma ideia em poucos segundos, seja na rádio ou na televisão, ou num piscar de olhos, nos jornais. Numa imagem, numa frase ou num som.

Os autores de anúncios e spots publicitários têm uma missão complicada. Também para eles a vida é difícil e exigente. Há que ‘vender’ um objecto, um serviço, uma ideia em muito pouco tempo – ou espaço. É essencial atrair a atenção de quem vê ou ouve. É uma arte. Como em todas as artes, há os bons artistas, os ‘mais ou menos’, os fraquinhos e os outros. Mas é uma arte diferente daquela que encontramos nos museus. Para essa, se quisermos, há algum tempo para apreciar, para digerir. Na publicidade, por norma, não. É tudo muito rápido. Tem de ser rápido.

Há que contar uma história ‘num instante’. Não é coisa banal, acreditem.

Admito que, até ver, não sou grande apreciado da publicidade feita para o meio internet. Ainda não houve muitos anúncios capazes de me chamar a atenção. É um meio mais complexo para a riqueza criativa da publicidade, reconheço. Além de que as grandes empresas do sector não foram ainda suficientemente cativadas a trabalhar a componente publicitária para o online, com as suas potencialidades mas também limitações. Quando o fizerem, haverá, estou certo, melhores anúncios.

Serviu tudo isto para introduzir a campanha que a Sociedade Ponto Verde está a promover. Há diversos spots mas aquele que é apresentado nos cinemas acaba por ser o centro de todas as atenções, por reunir um pouco de todos os outros e, acima de tudo, por um final brilhante, que vale a pena apreciar.

Voto da OEA sobre Cuba revela fragilidade dos EUA na América Latina

A votação unânime realizada nesta quarta-feira na Organização dos Estados Americanos (OEA), revogando a suspensão de 1947 de Cuba da entidade, é uma clara indicação da fragilidade económica e política dos EUA por toda a região.
A decisão da Assembleia Geral da OEA, realizada em San Pedro Sula, Honduras, resultado de 36 horas de controversas discussões, revelou o isolamento diplomático de Washington – agora o único país no hemisfério que não mantém relações diplomáticas com Havana – em face do apoio unânime da América Latina ao fim da suspensão, que dura quase há meio século.
A suspensão de Cuba da OEA e o veto do seu reingresso à organização foram impostas segundo a exigência de Washington. Após a mal-sucedida invasão da CIA à Baía dos Porcos nove meses antes, a administração Kennedy optou por uma política de isolamento a Cuba, incluindo um embargo económico dos EUA que permanece até hoje. Em Janeiro de 1962, a OEA reuniu-se em Punta Del Este, Uruguai, e adotou a medida de suspensão de Cuba da organização, declarando que “a adesão… ao Marxismo-Leninismo é incompatível com o sistema interamericano”.
Washington resistiu em fazer de Cuba o assunto predominante no encontro da OEA, mas de nada adiantou. Na véspera da secção, a administração Obama anunciou que chegou a um acordo com Havana para iniciar o diálogo em alguns assuntos, incluindo terrorismo, tráfico de drogas e serviço de correio. Anteriormente, Obama anunciou uma flexibilização muito limitada das sanções económicas, tornando mais fácil a visita de cubano-americanos a Cuba e o envio de remessas à ilha.
Nas Honduras, a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, tentou evitar que a OEA aprovasse a resolução que oferecia a Cuba a reentrada na organização, sem impor condições definidas. Em particular, a delegação dos EUA tentou introduzir uma linguagem que amarrasse a proposta ao comprometimento de Cuba com a Carta Democrática Interamericana de 2001, que definiu “democracia” como um “sistema pluralista de partidos políticos”. Invocou documentos prévios da OEA defendendo a inviolabilidade da propriedade privada.
Os membros da OEA com vínculos mais próximos com Havana – Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador – categoricamente rejeitaram tais condições e, na terça-feira à noite, parecia que a organização se encontrava num impassse. Alguns ministros das relações exteriores latino-americanos advertiram que o fracasso em alcançar um acordo poderia implicar o fim da organização.
Um grupo menor de ministros das relações exteriores – incluindo Clinton – reuniu-se à porta fechada para trabalhar numa linguagem mutuamente aceitável. N final, um acordo foi alcançado, mas somente após a saída de Clinton. Os EUA concordaram com a linguagem um pouco mais ambígua, enquanto os governos de Hugo Chavez, Evo Morales, Daniel Ortega e Rafael Correa concordaram com a inclusão de uma cláusula que acalmaria Washington.
A decisão das duas partes anunciou a revogação da medida anterior que excluía Cuba da OEA, e acrescentou que a readmissão da ilha surgiria de um “processo de diálogo iniciado com a solicitação do governo de Cuba e em conformidade com as práticas, propósitos e princípios da OEA”.
A medida passou, sem oposição.
Os países que defenderam a oferta incondicional para readmitir Cuba interpretaram esta segunda cláusula como meramente processual, indicando que a readmissão de Cuba seria realizada sob as regras existentes da OEA.
A delegação dos EUA, contudo, tentou apresentá-la como uma justificativa a sua solicitação, para que Cuba primeiramente provasse seu compromisso com a democracia, conforme definido nos documentos anteriores da OEA. Clinton, que voou para o Cairo para juntar-se ao presidente Barack Obama, afirmou a vitória com a declaração: “Estou contente que todos tenham concordado que Cuba não pode simplesmente retomar o seu lugar na OEA.»
O Secretário de Estado para a América Latina, Thomas Shannon, um sobrevivente da Administração Bush, também tentou colocar a melhor face na resolução, dizendo à Assembleia que Washington “não estava interessada em travar velhas batalhas ou viver no passado”. Apelidou a medida de “um acto de estadistas”, enquanto insistia que ela defendia “o nosso profundo compromisso com a democracia e os direitos humanos fundamentais de nossos povos”.
Este discurso inflamado, de qualquer modo, não conseguiu esconder o significado essencial do voto da OEA. Ele representou uma contundente derrota para Washington, que vem tentando administrar cuidadosamente um descongelamento parcial de relações com Cuba, ao mesmo tempo em que continua sua campanha pela mudança no regime em Havana.

MNN – Movimento da Negação da Negação
http://www.transicao.org/

Falando de democracia: Um eléctrico chamado socialismo (II)

(primeira parte aqui)

Esta cadeia de acasos da vida apontada por José Ricardo Costa que, por certo, não é exaustiva e se queda pela superfície, pela nata dos nomes conhecidos, este sistema endogâmico, como muito bem diz, a política de casamentos como a nobreza feudal praticava, faz que a elite governante, seja quais forem os resultados eleitorais, nunca mude no que é essencial – mudam e trocam-se alguns nomes, mas a nova aristocracia vai cimentando o seu poder. O «bloco central» não é uma figura de estilo, ou uma «invenção de esquerdalhos ressabiados», como já ouvi dizer. Existe, funciona, faz complicadas operações de engenharia financeira (trafulhices, simplifica o nosso bom povo); por exemplo quando um membro da tribo administra um banco vende acções a baixos preços, sabendo que o seu valor vai subir no dia seguinte, fazendo-o ganhar legalmente centenas de milhares de euros de um dia para o outro (favor que o beneficiado não deixará de pagar na primeira ocasião que se apresente, pois uma das regras do jogo é a não haver almoços grátis); os membros da tribo arranjam cargos e bons empregos uns aos outros, na vida académica amparam-se mutuamente, e quando algum deles ou um familiar tem problemas com a Justiça, logo aparecem os amigos a dar uma mão. É gentinha medíocre, de ideais rasteiros e patrimónios elevados, mas está aí para ficar. Governa, sobe aos mais altos lugares do Estado e desce às mais baixas alfurjas das negociatas obscuras. Não se chamam Bourbons, Habsburgos ou Braganças, têm nomes vulgares, iguais aos de toda a gente, são filhos, não de condes ou de duques, mas de gente comum, com profissões ou negócios comuns, mas usam as mesmas artimanhas dos condes e dos duques, incluindo a política de casamentos. Tráfico de influências? Nepotismo? Não, que ideia, apenas boas relações entre familiares e amigos, mesmo que pertençam a partidos rivais. O fair play prevalece.
A endogamia, termo que na acepção mais próxima da tese de José Ricardo Costa, significa casamento dentro da própria família, tribo, classe ou entre habitantes dum povoado ou região, foi amplamente praticada entre as famílias nobres não só na Idade Média, como na Idade Moderna, chegando mesmo até aos nossos dias nas relativamente numerosas monarquias que subsistem em nações europeias. Sem cair no pormenor, pode dizer-se que em várias épocas e situações, famílias, irmãos, primos, filhos e pais, ocuparam tronos, guerrearam-se entre si, provocaram milhares de mortos, terríveis devastações entre os súbditos. Muitas vezes, depois destas hecatombes horrorosas, passando por cima dos cadáveres e das ruínas, selavam a paz com beijos e abraços, tratando-se por «querido irmão», «amado primo», «meu bondoso pai». Bem sei que aqui em Portugal não estamos a falar de Bourbons ou de Habsburgos, mas sim de gente com linhagens menos ilustres. O que importa salientar é a técnica e a táctica, tão semelhantes. Perguntarão? E só em Portugal é assim? Claro que não. Veja-se o caso de Itália, país com uma democracia com mais de seis décadas, com um nível cultural e económico mais elevado do que o nosso, onde um mafioso truão é, em 2008, democraticamente eleito primeiro-ministro pela quarta vez. De origens humildes, imagem típica do self-made man, é dono de uma das quinze maiores fortunas do mundo. Só há uma diferença – ele não diz que é socialista nem que quer transformar a sociedade…
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«Sistema daqueles que querem transformar a sociedade pela incorporação dos meios de produção na comunidade» (…) «pela repartição, entre todos, do trabalho comum e dos objectos de consumo». O meu querido e saudoso amigo José Pedro Machado enganou-se rotundamente na sua definição ou então estava a falar de outro socialismo. O filólogo brasileiro, sendo menos ambicioso, aproximou-se mais da realidade «conjunto de doutrinas de fundo humanitário que visam reformar a sociedade capitalista para diminuir um pouco das suas desigualdades». Está mais próximo, embora a redução das desigualdades diminua muito pouco, tão pouco que às vezes nem se nota que haja alguma redução. As doutrinas de fundo humanitário são, de facto, um péssimo motor para o socialismo.
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Continuando a usar a metáfora inspirada na bela peça de Tennessee Williams, aonde nos levará este eléctrico chamado socialismo? Não há muitas dúvidas – o eléctrico cor-de-rosa do socialismo transportar-nos-á ao mesmo lugar onde nos levaria o machimbombo cor-de-laranja do PSD (levaria, não, levará, porque a viagem será feita por troços – eléctrico, machimbombo, eléctrico…) até à estação terminus – a entrega total da soberania, do direito de gerirmos os nossos recursos, a centros de poder e decisão «comunitários», localizados, por mero acaso, em Berlim e Francoforte, em Paris, Bruxelas ou Estrasburgo… A aristocracia indígena embolsará o produto da venda e os felás e felaínas (nós) mal nos aperceberemos do que se passou. Perda da independência? Não, que ideia. Eles abrirão e fecharão fábricas quando e como quiserem, dirão como devemos organizar a nossa economia, as nossas vidas, o que devemos comprar, quanto devemos pescar, o que poderemos semear… Mas a selecção nacional de futebol, a bandeira e o hino, símbolos maiores da independência nacional, talvez não nos estejam vedados.
Nem sei porque me preocupo.

E se na bola a bolha rebenta?

Tal como a bolha do imobiliário? Os negócios que se concretizam no futebol não são sustentáveis, a prazo isto tudo vai dar “bolha” e, como todas as bolhas, mais tarde ou mais cedo rebenta.
Os bancos retraiem o crédito, os adeptos vivem uma crise que não dá para aventuras, há milhões de desempregados em Espanha e em todo o mundo que são adeptos. De onde vem o dinheiro? (de onde vem e para onde vai é uma das minhas obsessões)
Barcelona rebola-se e diz que por 300 milhões (tanto quanto o presidente do Real diz que tem para gastar) vende-lhe a equipa que ganhou tudo! Com o “merchandise” não recupera a massa, é preciso vender 30 milhões de camisolas.
O Presidente do Real é o dono da maior empresa de construção civil de Espanha, há muita especulação, dinheiro que corre por fora, que precisa de entrar no circuito.
Este dinheiro, em montantes formidáveis com origem na especulação de terrenos e em esquemas de fuga ao Fisco, mesmo que obtenha uma margem mais baixa de rentabilidade, já vale a pena.
O porta voz do Barcelona é desta opinião. Pode estar a falar o despeito, mas não se vem para os jornais dizer isto se não houver alguma segurança.
E se na bola a “bolha” rebenta?

Aumentem lá o preço dos cigarritos…

nao fumar

Uns viciam-se em drogas, outros viciam-se na bebida ou no jogo. Uns estão viciados em não fazerem nada, outros viciam-se no trabalho. Muitos estão viciados em dinheiro e coisas. Todos somos viciados em alguma coisa. Nem que seja em blogs ou notícias. Eu viciei-me no tabaco.

Admito que ando com alguns problemas em deixar o tabaco. Desde há três meses que não compro tabaco. Ainda tenho o meu stock de tabaco de enrolar que me permite não trepar paredes, insultar toda a gente e partir tudo à minha volta, principalmente quando estou a trabalhar e me dá aquela vontade maluca de me esfumaçar todo. Tornei-me o crava número 1 do País. E sempre que fumo um cigarro, estou em silêncio a gritar para comigo: estúpido! estúpido! Tenho a noção de que fumar, muito além de ser uma escolha pessoal, é uma estupidez! Nao me traz nenhuma vantagem e só tem prejuízos.

Numa altura de crise económica, e eu sei bem do que estou a falar, porque apenas os ricos (aqueles que Sócrates disse que ia cobrar mais impostos, mas que entretanto não ficou provado que existissem)  me vão deixando cravar um cigarrito ou outro, proponho que este governo, ou qualquer outro que venha por aí a aparecer, aumente o preço do tabaco.
Portanto, numa perspectiva estritamente economicista, aumentem lá o imposto dos cigarritos. Não tenham medo. Ponham lá o preço nos 10 ou 20 euros por maço, que eu garanto, forreta como sou, que dentro de um mês deixo definitivamente de fumar. De uma vez por todas. Eu, e de certeza muita gente comigo…

A não ser que não se possa ou isso não interesse a ninguém…

PENINHA É MUITA, FALTINHA É QUE É NENHUMA

FERRARI FORA DA F1?


Será realmente uma pena que a Ferrari saia do circo, mas se sair, sai pelo próprio pé e depois de ter mostrado que não está à altura das novas regras, pelo que pena, lamento mas não tenho. Não se pode viver dos fantasmas, bons ou maus, do passado.
Parece não querer aceitar as modificações impostas para 2010, mas todos os outros aceitam e está irremediavelmente só. Há até três novos inscritos, pelo que as novas regras se calhar, para os dias de hoje, não são más.
De qualquer forma, a Ferrari, e também as outras equipas que protestaram as regras, inscreveram-se a tempo para a próxima temporada, embora afirme agora que o fez “à condição”.
Não acredito no entanto que a Ferrari, apesar das ameaças, se atreva a abandonar. É cá uma ideia minha, digo eu!

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O Governo e a legitimidade para gastar milhões

A questão coloca-se agora, por causa do resultado das eleições, mas para mim, o argumento não é o mais feliz.
Não, não acho que o Governo tenha legitimidade para gastar milhões e milhões de euros e empenhar gerações de portugueses em obras públicas de duvidosa utilidade. Mas não é por causa do resultado das eleições. Foram Europeias, não foram Legislativas. É, sim, porque faltam três meses para terminar o seu mandato.
É estranho que, depois de quatro anos de maioria absoluta e sempre a falar no assunto, só agora se queira avançar a toda a força. Eticamente, fica-lhes muito mal quando falta tão pouco tempo para irem embora (ou não irem, logo se verá). Economicamente, é igual ao litro lançar os concursos agora ou depois das férias, lá para Outubro ou Novembro. Se é para favorecer os grupos construtores amigos (a propósito, já encontraram o jogo de xadrez?), deviam ter pensado nisso antes. Se é para ficar na história, não adianta – não é por isso que o rodapé será maior.
Ética é mesmo a palavra central. Mas, do ponto de vista ético, o que se pode esperar de gente que foi capaz de alterar a Reserva Natural do Estuário de um rio e de aprovar um negócio de 250 milhões a três dias de umas eleições legislativas?

Salgueiro Maia não teria gostado

Como todos os grandes homens portugueses, O Capitão de Abril, só depois de morrer é que lhe foi reconhecido o serviço excepcional que prestou à Pátria. Infelizmente, a vida não foi suficientemente longa para ver a profunda injustiça com que o trataram.
Há vinte anos o então Primeiro Ministro, achou por bem conceder duas pensões a dois PIDES, um dos quais disparou sobre o povo, na António Maria Cardoso, do que resultaram quatro mortes.
A explicação foi que o fundamento da proposta não era em teatro de guerra !
Se o 25 de Abril não teve teatro de guerra (se isto quer dizer tiros e mortes) foi porque o inimigo não compareceu , e porque os Capitães não deixaram que tudo se transformasse num mar de sangue. São tudo razões para ainda reconhecer mais mérito a Salgueiro Maia!
Agora, em Santarém, foi-lhe prestada a devida homenagem, simples e popular, como há muito o povo lha guardou no coração, Naquele Largo que tem o seu nome e onde se iniciou a arrancada operacional para o Portugal democrático.
Este caso, que nos devia envergonhar a todos, passou praticamente despercebido, e como quase sempre acontece, falamos muito mas fazemos pouco.
Mas Deus não dorme, e o mesmo homem, então Primeiro Ministro que lha negou, é agora o Presidente da República que as circunstâncias obrigaram a limpar a injustiça então cometida1
Mas o que dói mais é que tudo isto não passa de baixa política, de falta de grandeza, de visão de Estado.
Tudo o que Salgueiro Maia abominava e que o levou a regressar, serviço cumprido, à sua vida de militar impoluto!

Quanto vale a vida humana?

Costuma dizer-se que a vida humana não tem preço. Mas conforme a pessoa nos é próxima, esse valor vai aumentando, seja ele qual for. A vida da minha filha, por exemplo, não tem preço. Nem 20 milhões, nem 100, nem 1000, nem infinitos, como dizíamos quando éramos miúdos. A vida de uma qualquer criança no Sri Lanka ou nos Estados Unidos também não terá preço, mas sobretudo para os seus pais e para os que a amam.
Até que ponto trocaríamos a vida de uma pessoa que não conhecemos por um milhão de contos?
Lembro-me de ter ficado escandalizado, era ainda uma criança, quando o meu irmão mais velho disse que não trocaria o Totoloto pelo fim da fome em África. Que tinha muita pena, mas…
E agora, ficaria escandalizado da mesma forma?
Vem tudo isto a propósito de Cristiano Ronaldo e o Real Madrid. Quanto vale a sua vida? Para mim, como pessoa, não vale um chavo. Mas estou certo de que, para os seus, a sua vida não tem preço.
E como jogador? Bem, como jogador, Ronaldo (não é Rónaldo, senhores jornalistas, não é Rónaldo), vale aquilo que lhe quiserem pagar aqueles que o vêem jogar. Aqueles que compram as suas camisolas. Aqueles que querem saber da sua vida privada. Como dizia antes o Carlos Fonseca, a culpa até nem é sua. Por mim, não receberia ele um tostão, que eu só tenho olhos para o meu Portinho.

Benfica: Ramires em trânsito para «outros grandes centros da Europa»

Excerto da entrevista ao «site» «Samba Foot»:

«Você foi contratado pelo Benfica do Portugal. Porque você escolheu este time? Não representa um risco para sua participação na próxima Copa do Mundo?
Não, eu acho que foi a proposta que tive aí oficial. Sentamos, conversamos, eu não tive nenhuma outra proposta oficial. Achei o Benfica um bom clube também até pela o fato de se adaptar também. E só chegar lá é fazer um bom trabalho.

O que você conhece do campeonato português? Qual é sua visão da Europa e do seu futebol?
Bom, eu conheço pouco do campeonato português. Até porque não tem como acompanhar muito aqui, as vezes passa os gols tudo mas conheço pouco. A gente vai para lá com a intenção de fazer uma boa competição, fazer uma boa temporada para que eu possa dai de Portugal para ir para outros grandes centros da Europa.»

Imigrante de luxo e imigrante no lixo

Hoje, lêem-se no ‘Público’ notícias de vidas antagónicas de dois imigrantes em Espanha: numa, Cristiano Ronaldo, futebolista, é destacado em metade da 1.ª página, com o anúncio de vir a ganhar, no Real Madrid, 30.000 euros por dia; noutra, com destaque na última página e desenvolvimento na vigésima, é noticiado que o patrão atirou para o lixo o braço decepado por máquina, do desventurado imigrante indocumentado, boliviano, Franns Vargas, de 33 anos – era padeiro na zona de Valência, trabalhava 12 horas por dia e auferia 700 euros por mês.  

Estes dois casos de imigração, um de luxo e outro de lixo, têm por cenário Espanha. Porém, em minha opinião, poderiam ter lugar em qualquer outra sociedade actual, sob o manto do capitalismo sem ética, que semeou a crise mundial e varreu das cartilhas políticas valores e referências essenciais do mais elementar humanismo.

Os traços de boçalidade com que CR(7?) se costuma exibir constituíam, para mim, tiques suficientemente abjectos para nutrir por ele, como homem e futebolista, a admiração parecida à  que dediquei a Luís Figo, Rui Costa, ou Vítor Baía. Mas, valha a verdade, não é a Cristiano Ronaldo que tenho de imputar culpas de tremenda injúria social, mais condenável ainda na conjuntura de profunda crise em que o mundo inteiro está submerso. Ele, Kaká, e tantos outros não são responsáveis por, ao final de um dia, auferirem até 43 vezes mais do que um humilde imigrante, com 12 horas de trabalho diário, ganha durante um mês. Isto, não estabelecendo comparações com cerca de 5.000.000 de cidadãos que, em Espanha, estão no desemprego e “desfrutam” de rendimento nulo ou pouco acima do zero.

Do obsceno futebol actual, de que gradual e aceleradamente me tenho afastado, chegam exemplos similares de todas as latitudes, com a Europa no topo. Tornou-se tão frequente como repelente a associação espúria entre o futebol e o mundo de negócios obscuros. Florentino Perez, à semelhança de dirigentes de clubes portugueses, é um empresário do sector imobiliário. Inclusivamente, segundo o ‘Público’, já tentou a política. E falhou. Felizmente, acrescento eu, e assim deveria acontecer com Sílvio Berlusconi e gente do género, a quem a sociedade actual concede o privilégio de cometer crimes sociais graves, em conjunto com padeiros e outros artesãos pelo meio.

Deste futebol não quero, obrigado. Os autores da imensa ofensa à justiça social, padeiros incluídos, deveriam ir direitinhos à lixeira. De resíduos não recicláveis, acentue-se. Não fosse o Diabo tecê-las.

A crise também diverte

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A edição onze do PortoCartoon-World Festival abre oficialmente esta sexta-feira (19h00), na Galeria Internacional do Cartoon, do Museu Nacional da Imprensa, no Porto. O tema deste ano é “CRISES”.

A exposição reúne cerca de 400 cartoons vindos de todo o mundo, que estão distribuídos por 800 m2, entre a Galeria Internacional do Cartoon e a Galeria de Exposições Temporárias.

O cartunista romeno Mihai Ignat foi o vencedor do Grande Prémio (imagem). O segundo prémio foi atribuído a Augusto Cid, e o terceiro a Zygmunt Zaradkiewicz, da Polónia.

A qualidade dos trabalhos levou o júri internacional do concurso a atribuir ainda 11 Menções Honrosas a artistas de dez países: Austrália, Bulgária, Coreia do Sul, França, Inglaterra, Itália (2) Irão, Polónia, Rússia, Turquia e Ucrânia. 

Meio milhar de humoristas, de 70 países, enviaram cerca de 2000 desenhos ao XI  PortoCartoon, subordinado ao tema “Crises”.

O XI PortoCartoon tem como mecenas exclusivo a Caixa Geral de Depósitos e pode ser visto até 31 de Dezembro.

Entretanto, a Festa da Caricatura do Museu Nacional da Imprensa volta este ano à Praça da Liberdade, no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho, véspera do S. João do Porto, em parceria com a Porto Lazer e a Câmara Municipal do Porto.

Falando de democracia: Um eléctrico chamado socialismo (I)

Socialismo? Façamos no nosso tranvia de palavras construído, uma breve viagem pelo termo. É um vocábulo sobre o qual se podem escrever (e têm escrito) milhares de páginas, teses e tratados com numerosos volumes. Vamos tentar brevíssimas definições de dicionário – Peguei em dois, no de José Pedro Machado e no de Antônio Houaiss. O primeiro é muito sucinto: «substantivo masculino. Sistema daqueles que querem transformar a sociedade pela incorporação dos meios de produção na comunidade» (…) «pela repartição, entre todos, do trabalho comum e dos objectos de consumo». A definição de Houaiss é muito mais extensa, por isso vou ficar-me pela primeira acepção – «conjunto de doutrinas de fundo humanitário que visam reformar a sociedade capitalista para diminuir um pouco das suas desigualdades». A definição de José Pedro Machado reflecte mais a matriz marxista do termo e o seu longevo lugar na genealogia do socialismo utópico, enquanto a de Houaiss (aquela que eu perversamente escolhi), se aproxima mais da realidade, da praxis dos partidos socialistas actuais – gosto sobretudo da expressão «doutrinas de fundo humanitário», porque me faz lembrar as senhoras da Caritas a distribuir latas de leite condensado pelos pobrezinhos.
Nestas crónicas, a «memória das palavras», como diria o José Gomes Ferreira, assume papel relevante. Revisitando mais uma vez o passado, volto às «Questões e Alternativas», revista de que já vos falei. Publiquei no seu primeiro número, de Março de 1984, um artigo com o mesmo título que escolhi para a presente crónica. Naquela primeira metade da década de 80, a avançada socialista na Europa era impressionante: em 1981, François Miterrand vencia as eleições em França; Em 1983, Andreas Papandreu, Felipe González e Mário Soares ganhavam também as eleições nos seus países. Em Itália, o Partido Socialista Italiano ganhava posições. No que se refere a França, enquanto a União Soviética manifestava preocupação pela derrota de Giscard d’Estaing, Reagan endereçava calorosas felicitações a Miterrand… Nestes 25 anos decorridos, o eléctrico chamado socialismo, qual metro de superfície, percorreu rapidamente alguma da distância que ainda lhe faltava para se assumir como força do centro-direita e como campeão do neo-liberalismo económico. Os socialistas ficam sempre muito irritados quando os acusamos de, com o PSD, terem tecido uma sólida teia de interesses. Há pessoas que, quer o seu partido esteja no Governo ou na Oposição, têm os interesses, os cargos garantidos (os «tachos», como diz, simplificando, o nosso bom povo). Mas será isto uma calúnia?
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Há dias recebi por e-mail uma mensagem muito interessante escrita pelo professor José Ricardo Costa. «A Idade das Trevas», foi o título dado. Com a devida vénia, transcrevo alguns excertos, resumindo o restante. Diz ele que ao ajudar o filho a preparar um teste de História e ao estudar a Idade Média, em que «a nobreza vivia fechada sobre si própria», usufruindo dos privilégios que criava, recordou que os nobres «relacionavam-se entre si, casavam-se entre si, frequentavam os mesmos castelos, participavam nas mesmas festas e banquetes». E José Ricardo Costa chega à conclusão, curiosa no mínimo, de que em Portugal, há décadas dominado pelo PS e pelo PSD, se verifica uma feudalização da sociedade, bem como uma organização cada vez mais endogâmica. E passa a explicar que um bom exemplo dessa endogamia «é o casamento entre a filha de Dias Loureiro, amigo íntimo de Jorge Coelho, e o filho de Ferro Rodrigues, amigo íntimo de Paulo Pedroso, irmão do advogado que realizou a estúpida investigação para o Ministério da Educação e amigo de Edite Estrela que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates, líder do partido a que está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a investigar o caso Freeport, caso onde se tem evidenciado um presidente da Eurojust de seu nome Lopes Mota que, por um acaso da vida, auxiliou essa indefectível democrata e defensora do poder local chamada Fátima Felgueiras. Felizmente que este país tem como ministro da Justiça um Alberto Costa que, a não se aquela questão das pressões sobre um juiz em Macau, há cerca de 20 anos, pouco ou nada tem feito.» (…) «Talvez isto ajude a explicar o que se passa com a Justiça, a Economia, a Educação» …(e eu acrescento e com a Saúde, e com a Cultura, etc.). José Ricardo Costa termina perguntando «se haverá gente em Portugal a beneficiar com a degradação da escola pública?» Uma pergunta retórica, claro. Perante esta densa teia de «coincidências», só me lembro do «lugar-comum» inventado pelo excelente poeta e jornalista que era Eduardo Guerra Carneiro – «isto anda tudo ligado».
(continua)

A nova campanha negra

À boleia de um resultado eleitoral positivo, o presidente do CDS/PP decidiu prolongar o seu efeito e optou pela via da vitimização, lançando um novo desígnio nacional. Paulo Portas anunciou ontem que solicitou uma audiência ao Presidente da República para “colocar o problema das sondagens” e considerou que estas foram “uma viciação da vontade eleitoral”.

A verdade é que o CDS surge, desde há anos, nas sondagens com valores muito inferiores aqueles que garante nas urnas. Este não é apenas um problema do partido de Portas. Que o diga o PS, que pensava ganhar as eleições de domingo, à luz de inúmeras sondagens, e acabou por perder na verdadeira e única real sondagem.

Este não é um problema novo e tem origem na forma como são preparadas e realizadas as sondagens em Portugal. A maior parte ainda se faz através do telefone fixo, um sistema que era falível já há uma década atrás. Hoje ainda mais. Trata-se de um problema que urge ser resolvido pelas empresas do sector e pelas entidades que encomendam os estudos.

Portas sustenta a sua indignação, e a do partido, em algumas questões: “Quantas pessoas que gostam do CDS não ficaram em casa porque julgaram que o partido estava fraco? Quantas pessoas não votaram noutro partido porque julgaram que nós não elegíamos deputados? Quantas opiniões, quantos artigos, não foram publicados a dizer que o CDS ia morrer?”.

Já agora, uma pergunta que o presidente do CDS se esqueceu de acrescentar: Quantas pessoas foram às urnas votar no CDS para dar mais força ao partido, ajudando-o a eleger deputados e evitando a sua ‘morte’?

A sala vazia do PS

Aquela sala vazia, aquele silêncio, aquela debandada mostra que Sócrates, quando não tiver poder para distribuir lugares bem remunerados, será rapidamente esquecido.
Se fosse necessário perceber o incómodo que grande parte dos socialistas sentem por terem um secretário-geral com o curriculum de Sócrates…
A verdade é que o barulho que a propaganda faz leva muita gente a tirar conclusões erradas, julgando que o governo tem iniciativas.
Não tem, há muito que não sabe o que fazer, e que políticas deve desenvolver.
Há já países (França, Alemanha, Inglaterra, Itália) que dão sinais, embora ténues, de a economia estar a entrar num processo de recuperação. Nós vamos continuar a afundar, embora mais devagar, até meio de 2010, isto é, até que aquelas economias comecem a puxar pela nossa.
Quando se olha com atenção, tambem se percebe que são os países mais ágeis, que estão a dar sinais positivos, os países onde a economia não depende tanto do Estado, como por exemplo em Portugal e Espanha.
Esta situação de cerco pode levar Sócrates a fazer disparates, como os megaprojectos e tentar acelerar, com o objectivo de tornar mais dificil voltar atrás.
Esta obsessão, num homem que enterrou dinheiro no Europeu de Futebol em Estádios desnecessários, é muito preocupante!

Homenagem aos peões portugueses


via João Branco do «5 Dias»

O caso Beltrónica: Ex-Secretário de Estado do PS condecorado por Cavaco

Há uns dias, publiquei um «post» com o título «O Banco Efisa, a Beltrónica e o ex-Secretário de Estado do PS». No dia seguinte, no Blasfémias, Carlos Abreu Amorim perguntava-se se seria verdade.
Soube deste caso quando navegava pela net em busca das «ligações perigosas» de «figuras gradas» do PS com a Banca, nomeadamente o BPN e o BPP. A certa altura, deparei-me com o blogue «Mistura Grossa», escrito por Fernando António da Costa Rocha, alguém que dá a cara e o nome e que é funcionário da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos.
Tudo começou em 1999, quando o 8.º Bairro Fiscal de Lisboa, através do inspector Mário Fragoso Marques, notificou a empresa A. L. Rocha, do grupo Beltrónica, para o pagamento dos impostos relativos à Matéria Tributável do ano de 1995, dado que novos valores de lucro tributável (relativos ao IVA e ao IRC) tinham sido entretanto apurados através de uma Inspecção Tributária feita por aquele inspector. A empresa não contestou os factos e deixou passar o prazo para o fazer.
No entanto, uma semana depois, acabou por entrar noutra secção da 2.ª Direcção Distrital de Finanças de Lisboa um requerimento da empresa a apresentar a contestação da apurada matéria tributável. Esse requerimento entrou com uma data anterior à verdadeira, de forma a poder ser considerada como estando dentro do prazo legal de contestação.
No total, são quase 20 milhões de euros que estão em causa, relativos aos exercícios de 1995 e 1996. O então responsável pela 2.ª Direcção distrital de Finanças, Raul Castro, declarou só ter tido conhecimento do caso um ano depois, depois de o mesmo ter sido divulgado pelo «Borda d’Água», apesar do funcionário Fernando Rocha ter comunicado de imediato a falcatrua.
Nos anos seguintes, o 8.º Bairro Fiscal de Lisboa notificou várias vezes a Beltrónica para efectuar o pagamento. No entanto, por estranha coincidência, as notificações nunca respeitaram as normas legais em vigor, facto que permitiu à empresa recorrer e nunca efectuar o pagamento devido. Ao ponto de ter conseguido que caducassem as dívidas relativas a 1995 e 1996.
Ainda durante a Inspecção Tributária, a Beltrónica lançou uma campanha difamatória contra o inspector Mário Marques, que desde aí, e até hoje, está a braços com a Justiça. Por conta própria e sem qualquer ajuda do Ministério das Finanças.
Em Janeiro de 2007, num apelo aos colegas, Mário Marques refere taxativamente: «A verdadeira questão deste caso Beltrónica é que se trata de uma empresa de fachada, com emissão de muitas facturas falsas, que tem vindo a ser assessorada por uma das mais importantes sociedades de advogados, Sérvulo Correia & Associados e que conta com o apoio de um poderoso grupo financeiro, o Banco Efisa, que, como sabem, se encontra actualmente inserido no grupo Banco Português de Negócios (BPN), que está neste momento sob investigação dentro da Operação Furacão.»
Nos anos em que a Beltrónica não pagou ao Fisco os valores correctos de IVA e de IRC, o advogado da empresa foi Rogério Fernandes Ferreira. Este causídico saiu da empresa em 1999, ano em que se iniciou a referida Inspecção Tributária, para ocupar o lugar de Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais no segundo Governo de António Guterres. Era ele o responsável político pela 2.ª Direcção-Distrital de Finanças quando se deram todos os acontecimentos relacionados com a Beltrónica.
Ontem, 10 de Junho, foi concecorado em Santarém pelo Presidente da República Cavaco Silva.

O tema recorrente da abstenção

A abstenção é, de facto, um tema recorrente e, ainda na edição de hoje do Público, Miguel Gaspar aborda a questão, a propósito das europeias. A Europa, acentua ele, registou, no último fim-de-semana, um novo recorde de abstenção.

Estou basicamente de acordo com as razões que ele aponta para o elevado grau de abstencionismo em toda a Europa, não sendo, pois, induzido pelo seu artigo este meu ‘post’. A causa verdadeira reside no texto que há dias João Pinto e Castro (JPC) publicou no ‘Jugular’ sob o título ‘Abster-se é tão mau como estacionar em segunda fila’.

Do primeiro ao último parágrafo, JPC desanca forte e feito nos abstencionistas e com um palavreado tão severo, de impossível aplicação em análise séria e objectiva do fenómeno.

Diga-se, para já, que eu não sou defensor da abstenção. Partilho da opinião de usar a alternativa do voto em branco ou nulo. Mas, considerando os milhões de cidadãos que a praticaram uma vez mais, parece-me, por outro lado, grosseiro enveredar por uma distribuição avulsa de invectivas contra os abstencionistas, pensando que, ao agir desse modo, está a fazer-se o juízo e a pedagogia mais rigorosos do mundo.

O JPC está, efectivamente, equivocado. A abstenção crescente e massificada é um fenómeno sociopolítico, transversal nas democracias ocidentais. Tem sido objecto de inúmeras análises e interpretações por parte de diversos estudiosos. Posso indicar alguns, apenas portugueses: André Freire, António Barreto, Manuel Braga da Cruz, Manuel Villaverde Cabral e Pedro C. Magalhães.

Sumariamente, pode dizer-se que, na procura de justificações, é usual estudar factores sócio-demográficos (rendimento, instrução, idade, rural/urbano) que condicionam uma variedade de atitudes políticas dos cidadãos, associando-se estas últimas ao conhecimento e confiança do eleitorado, relativamente a sistemas políticos e instituições.

Determinados políticos, e os seus apoiantes mais activos, não podem despejar rios de ira sobre os eleitores abstinentes. Uns e outros necessitam de levar mais fundo o trabalho, não se dando conta de que, ao reagir de forma tão superficial, demonstram desprezo pelo saber; preferem ignorar os verdadeiros fundamentos de tão elevada, e geograficamente propagada, recusa de participação eleitoral. É pouco, ou mesmo nada.

A Selecção e o Beto

Qual o problema da selecção ? Não marcar golos! E a solução? Andar com quatro guarda redes no bornal!
Este Queiroz é um tipo esquisito. Lembra-se de coisas que não lembra a mais ninguem!
E defesas centrais? Um ver se te avias. Ricardo, Bruno, Rolando, Zé Castro, Brandão, Pepe…
Para marcar golos é preciso que os médios e os avançados se conheçam bem.E, no caso específico da selecção, é preciso que os laterais que sobem muito e bem ,tenham os “times” combinados com os avançados. Mas o seleccionador só convoca guarda redes e defesas centrais!
Primeiro colocou o Pepe a médio, o que até poderia ser uma ideia, libertar os laterais, mas depois dentro da área está lá um pobre sózinho e é quando está.
Quanto aos guarda redes o Beto fez uma época fantástica e demonstrou que é o nosso melhor guarda redes.Mas uns visionários dizem que ele só tem 1,80 m e que por isso não pode ser um grande guardião. Qual é o guarda redes português que tem mais altura? Mais uns centímetros deve fazer uma grande diferença!
Diferença fez ele ontem, evitando uma barraca maior!
E, já agora, a que lugar joga o Ronaldo no Manchester? Até o Roonie foi desviado para extremo esquerdo para o Ronaldo jogar a ponta de lança .
Sem avançados é que não se marcam golos!

Carlos Medina Ribeiro – No Reino do Absurdo*

publicado originalmente aqui

Os carros já não se limitam a colocar umas roditas em cima do passeio. E “só por um minutinho”! Entram por ele adentro, como se fosse uma faixa de rodagem, procuram um lugar a seu gosto… e por ali ficam, se necessário até ao dia seguinte!
E é só para não atafulhar mais este blogue que omito as fotos que mostram, a poucas dezenas de metros dali (e em todas as direcções), inúmeros lugares vagos – e gratuitos!

* Carlos Medina Ribeiro é engenheiro e autor dos blogues colectivos Sorumbático e O Carmo e a Trindade.

Dixieland a partir de hoje em Cantanhede


mais informações aqui

Naturalmente, passarei a torcer pelo Barcelona…

http://blogaodofutebol.wordpress.com/2009/05/04/kaka-e-cristiano-ronaldo-sao-do-real-garante-jornal/

Um gigante com pés assentes nas nuvens

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esperava a notícia mas admito alguma dificuldade em entender como pode o Real Madrid pagar 93 milhões de euros pela transferência de Cristiano Ronaldo, para além de um salário astronómico e prémios galácticos. Poucos dias depois de assegurar Kaká por mais de 60 milhões, o Real faz outra contratação sonante e garante uma presença no livro dos recordes com as quatro mais caras transferências de sempre. E sempre pela mão de Florentino Perez. Por este andar, ainda vai ter uma estátua.

Quando chegou a presidente de um dos mais importantes clubes do mundo, em 2000, o empresário contratou Zidane, Luís Figo e, mais tarde, Beckam, construindo a primeira equipa de galácticos. Com eles, o Real obteve duas ligas de Espanha, uma Liga dos Campeões, duas Supertaças de Espanha, uma Supertaça europeia e uma intercontinental. Bom, pois claro. Mas, para um clube da estaleca do Real, com uma história gloriosa, parece pouco, não?

Ainda há dias, Florentino garantiu que a contratação de Zidane tinha sido proveitosa, em termos desportivos e financeiros, porque deu lucro. A venda de produtos de merchandising, os direitos de imagem, os benefícios decorrentes do pagamento de presenças em eventos e torneios, pelo facto de ter estrelas na equipa, foram algumas das formas de ganhar dinheiro com os galácticos. Esqueceu-se foi de salientar que teve também de vender património imobiliário do clube para equilibrar as contas.

Alguns anos depois de ter saído da presidência, Florentino regressa e aposta na mesma receita. Uma nova equipa de galácticos, juntando Ronaldo e Kaká a outras estrelas, para regressar aos títulos.

O problema é que o Real tem hoje cerca de 500 milhões de euros de dívidas e as possibilidades de obter apoios institucionais, da Câmara de Madrid, por exemplo, como aconteceu no passado, são diminutas. A crise está em todo o lado, Espanha já a sente na pele há muito e ajudas a clubes de futebol não são medidas populares, apesar do Real ser mais que um clube.

O problema é que nestes tempos é muito mais difícil obter apoios de muitos milhões em publicidade e patrocínios, como aqueles que o Real necessita. Se os resultados desportivos não suportarem a aposta, então um dos gigantes pode entrar em colapso.

Falando de democracia: O iberismo

A ideia de uma Península Ibérica unida politicamente não é nova. Não falando nos episódios históricos remotos em que ora Portugal, ora Castela, se tentavam mutuamente devorar, através de artimanhas, como a política de casamentos entre descendentes das linhas dinásticas ou de acções militares, episódios que tiveram o seu auge quando, entre 1580 e 1640, três reis de Castela e Aragão juntaram à sua coroa dual a de Portugal, reportando-nos a tempos mais recentes, o ideal do Iberismo tem feito correr tinta e dado que falar. Vejamos.
Personalidades como Antero de Quental, Ana de Castro Osório, Latino Coelho, Sampaio Bruno, Teófilo Braga, entre os portugueses, manifestaram, de uma maneira ou de outra, a sua simpatia por essa união. Do lado castelhano, refere-se quase sempre o mesmo nome – Miguel de Unamuno, o grande escritor e pensador nascido no País Basco, mas indubitavelmente um homem da cultura castelhana, reitor da Universidade de Salamanca no conturbado ano de 1936 em que a Espanha iria mergulhar na maior tragédia da sua história. Na Catalunha, a ideia colheu mais adeptos, destacando-se o grande poeta e filósofo Joan Maragall, o lusófilo Ignasi Ribera i Rovira, Francesc Pi i Margall, presidente da Primeira República Espanhola, em 1873. Mais recentemente ainda, portugueses como Miguel Torga, Fernando Lopes-Graça, António Lobo Antunes, Eduardo Lourenço, José Saramago, entre outros, têm manifestado a sua simpatia por essa união que, olhando para o mapa da Europa, faz sentido. Falamos de uma união política, para concretização da qual seria necessário articular instrumentos constitucionais, limar arestas culturais, varrer preconceitos e desconfianças mútuos. Teófilo Braga chegou a planificar as bases de uma Federação Ibérica, dentro da qual a Espanha teria de aceitar condições sine qua non: passar a ser uma República, dividir-se em estados autónomos aos quais Portugal se juntaria. Lisboa seria a capital dessa Federação Ibérica. Ana de Castro Osório via a união a três – «Catalunha, Castela, Portugal…Quem pudesse dar-lhes a autonomia que ambicionam os catalães e sem a qual hão-de estar sempre vexados e com razão!» Esta ideia das três entidades – Portugal, Castela e Catalunha, esquecendo a Galiza e o País Basco, enformava quase todas as teses iberistas do princípio do século XX, incluindo as de Unamuno, Ribera i Rovira, Maragall, Antero e Teófilo Braga. A ideia prevalecente era a de uma Federação de estados autónomos em quase todos os aspectos, com centros de decisão comuns – a política externa, por exemplo. E a tinta começou a correr.
Em 1906, Joan Maragall, em artigo publicado no Diario de Barcelona, defendia o ideal do federalismo ibérico. Mais perto de nós, em 1963, o escritor catalão Agustì Calvet i Pasqual, que assinava os trabalhos jornalísticos como Gaziel, escrevia no La Vanguardia, também de Barcelona, que «Poucas vezes a insensatez humana terá estabelecido uma divisão mais falsa» (do que a das fronteiras peninsulares) «Nem a geografia, nem a etnografia nem a economia justificam esta brutal mutilação de um território único». Nestes mesmos anos 60 do século passado em que Gaziel publicava o seu texto, um grupo de jovens ibéricos criou um Círculo de Cultura Íbero-Americano, com objectivos confessadamente culturais e inconfessadamente políticos. Fiz parte desse grupo. Éramos meia dúzia de portugueses, gente de Lisboa, do Porto e de Vila Real, alguns catalães e maiorquinos, um escritor castelhano de Ciudad Real, um ou outro sul-americano. Elemento comum: todos vivíamos sob ditaduras e o ansiarmos pela Democracia fazia-nos aceitar uma solução em que o ideal democrático estivesse envolvido. Fizemos reuniões, publicámos livros, estávamos a preparar um boletim multilingue, quando a PIDE acabou com a festa, prendendo um de nós, o que centralizava os contactos. Em Barcelona, houve também pelo menos uma prisão, a de um escritor catalão que a nós estava ligado. Não digo nomes, pois não sei se os outros elementos do grupo querem, ou quereriam (alguns já não são vivos), que se saiba que foram iberistas. Eu assumo que o fui. Na época, as federações pareciam funcionar bem – Jugoslávia, Checoslováquia, União Soviética… – e se era bom para eles, com culturas, línguas e até com religiões diferentes, também não podia ser mau para nós . Depois desta sumária descrição do que tem sido o Iberismo e da confissão de que já fui um iberista convicto, vem a parte dramática deste texto e que se refere a um iberismo mais recente. Nestes casos, talvez seja melhor falarmos de iberismo integracionista.
Em entrevista concedida à agência Lusa , em Novembro do ano passado, Arturo Pérez-Reverte , escritor espanhol que muito admiro, defendeu a existência de uma Ibéria, um país único, sem fronteiras que separem Espanha e Portugal, porque, na sua opinião, é «um absurdo» que os dois países vivam «tão desconhecidos um do outro». Segundo ele, «há uma Ibéria indiscutível que está entre os Pirenéus e o estreito de Gibraltar, com comida, raça, costumes, história em comum e as fronteiras são completamente artificiais”, Para Pérez-Reverte, o maior erro histórico de Filipe II, no século XVI, foi não ter escolhido Lisboa como capital do império: “Teria sido mais justo haver uma Ibéria, e a história do mundo teria sido diferente”. O escritor disse ainda que essa Ibéria não existe hoje administrativamente, mas “qualquer espanhol que venha a Portugal sente-se em casa e qualquer português que vá a Espanha sente o mesmo”. “Houve dificuldades históricas que nos separaram, mas a Ibéria existe. Não é um mito de Saramago, nem dos historiadores romanos. É uma realidade incontestável” que precisa de um empurrão social e não político para concretizar o projecto, disse. O mundo de hoje “é um lugar de grandes mudanças sociais”. “Esse Ocidente pacífico, sereno, poderoso, com uma certa coerência cultural e social do século XX não poderá continuar. O Ocidente como o entendemos está na sua etapa final”, disse. Transcrevi aqui grande parte da entrevista cuja leitura, há uns meses atrás, me preocupou, pois julgava que o interesse dos nossos vizinhos em nos anexar fosse coisa do passado, morta e enterrada. Mas há pior.
Em entrevista concedida ao Diário de Notícias em Julho de 2007, o grande escritor José Saramago defendia, por outras palavras, a mesma coisa – a integração de Portugal em Espanha: «Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos», dizendo depois que não seria uma integração cultural e dando o exemplo da Catalunha: «A Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto de Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis.» Porém, mais adiante, o jornalista pergunta se Portugal seria mais uma província de Espanha e Saramago responde: «Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla-La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria.» E os portugueses aceitariam a integração? – quis saber o jornalista: «Acho que sim, desde que isso fosse explicado». Porque sou um profundo admirador da obra de Saramago, não transcrevo toda a entrevista que, na minha modestíssima opinião, contem afirmações que, espelhando o sentimento do autor de A Jangada de Pedra, não reflectem o que sobre o assunto pensa a maioria dos portugueses.
Temos aqui duas opiniões coincidentes. Mais coerente a de Pérez-Reverte que gostaria de ver o estado espanhol aumentado do que a de Saramago, que tendo nascido em Portugal, quer ver o seu país desaparecer na panela em que há mais de cinco séculos Isabel e Fernando começaram a cozinhar as anexações das nações vizinhas. Misturados com a Andaluzia e com Castilla-La Mancha, territórios que obviamente têm a sua cultura própria, formas dialectais de se exprimir em castelhano, mas que nunca tiveram autonomia política e,
qu
e se saiba, nunca a quiseram ter – salvo bizarras reivindicações que já vi pintadas em graffiti pela Andaluzia e até em Madrid, exigindo estes a autonomia de Castela! – Naturalmente que estas reivindicações, aparentemente sem sentido, desacreditam aos olhos da opinião pública as que o têm. Os exemplos da Galiza, da Catalunha e do País Basco são obviamente diferentes, pois são nações submetidas e aculturadas. Tudo aquilo que nós, os Portugueses que amam o seu país, não queremos que nos aconteça. E este amor não é flor de retórica, requebro de sentimento fadista ou saudosismo de descobrimentos, de esplendores passados – é o genuíno orgulho de pertencer a um povo que desde há séculos está desfasado das vanguardas culturais da Europa, mas que, com todas as imperfeições que acompanham a sua história de nove séculos, tem logrado manter o seu território, a sua língua, os seus valores culturais e a sua independência. Somos um dos estados mais antigos do mundo – o estatuto autonómico de Castilla-La Mancha? Não, obrigado.
Ficou-nos, aos europeus do século XIX, talvez relacionada com a matriz do Romantismo, a ânsia dos grandes impérios, das grandes óperas, dos grandes amores, dos magnicídios e dos suicídios espectaculares. A unificação da Itália, a da Alemanha, sob a hegemonia prussiana, a cavalgada do Império Russo na conquista das nações circundantes, são exemplos dessa ânsia de grandeza que as elites contrapunham ao populismo das ideias igualitárias do socialismo nascente, para essas elites, redutoras da grandeza histórica a que julgavam ter direito. Il gattopardo, a grande obra de Lampedusa, dá-nos um magistral fresco desse contraste de mentalidades – o ruralismo áspero da Sicília sendo afogado pela refinada cultura aristocrática ou a ela se sobrepondo, enquanto em pano de fundo a gesta unificadora de Garibaldi corria ao som das óperas de Verdi. Os intelectuais portugueses e catalães não ficaram imunes a essa tentação de grandeza, vendo os últimos na unificação peninsular uma forma de serem autónomos sem grande esforço ou sacrifício – como diria Lampedusa, de mudar alguma coisa para que tudo ficasse na mesma.
Elucidativamente, a ideia federalista nunca colheu muitos adeptos em Castela e a única voz que, mais recentemente, na língua de Cervantes a apoiou, foi a de Unamuno, sendo que o autor de O Sentimento Trágico da Vida era um basco. Porém, como vimos, nunca se falou em integração, mas sim em federação. Pérez-Reverte e José Saramago, falam em integração, nem mais nem menos e Saramago, sublinha que Portugal teria o privilégio de obter um estatuto igual a Castilla-La Mancha e à Andaluzia. Durante estes seis ou sete meses que passaram sobre a entrevista a Pérez-Reverte, tenho andado a remoer esta mágoa – a de que dois escritores que admiro – um deles português e detentor do único Nobel que um país de língua portuguesa alguma vez ganhou – defendam a integração de Portugal num Estado estrangeiro, isto é, que desapareça enquanto entidade nacional. Nem Pérez-Reverte, nem Saramago explicam como é que essa tal Espanha aumentada ou Ibéria, seria governada – por uma monarquia? Por uma República? Adoro todos os países aglutinados no estado espanhol, estudei castelhano e um pouco de catalão, sobretudo com o objectivo de ler obras que na época não eram traduzidas em português. O galego não foi necessário estudar e para o basco não tive coragem. Pode dizer-se que tudo me encanta na chamada Espanha – as gentes, as paisagens, as cidades, os monumentos, as comidas, as literaturas, as artes, tudo. Tudo, menos a monarquia. Sou republicano convicto, penso que a maioria dos portugueses o é também, e teríamos aí já um problema de monta – esses Bourbons, que não quero qualificar (pode alguma criança vir a ler este texto) nem pensar em tê-los como chefes de Estado. Lembro apenas que Don Juan Carlos, enquanto o caudilho viveu, foi submissamente manipulado pela galaica criatura. Parece-me ridículo, no século XXI, haver quem se considere e seja considerado «ungido por Deus» e com o direito de estar à frente de uma Nação. E que seus filhos e netos, mesmo que sejam atrasados mentais, tenham o mesmo direito. Quando os vejo nas revistas «do coração» ao lado de play-boys, de jogadores de futebol e suas namoradas, de actrizes de telenovela, numa palavra, do chamado jet set, dá-me vontade de rir e espanto-me por Saramago e Pérez-Reverte aceitarem coisa tão risível como normal.
Estamos na União Europeia, com decisões importantes para as nossas vidas a serem tomadas, não nos nossos pseudo-centros de poder, mas nas instâncias comunitárias, em Bruxelas, em Estrasburgo. Perdemos a moeda nacional, somos obrigados a falar inglês, a língua franca dos nossos dias. Não nos faltava mais nada do que, a pouca independência que nos resta fosse alienada. Isto porque a Espanha continua a querer ser Una y grande, como pretendia o caudilho. Quer bater o pé à França, à Alemanha, à Itália e ao Reino Unido. Que faça tudo isso, mas sem os nossos onze milhões de pessoas e os cerca de noventa mil quilómetros quadrados do território (amputado da nossa Olivença, roubo que a cobardia da diplomacia portuguesa mantém fora da agenda política). Oxalá o murciano Pérez-Reverte e o português Saramago sejam tão maus profetas quanto são excelentes, extraordinários escritores. Só temos um prémio Nobel da Literatura e mesmo assim querem que fiquemos sem ele.

No pasarán!

sexo e lei

Já muito se falou (e fala) sobre a homossexualidade. Fala-se de todas as perspectivas possíveis e imaginárias, de todos os pontos de vista e até já vi tratar-se a homossexualidade como um fenómeno demográfico importante, como se de uma medida anti-concepcional se tratasse.

Ora, estava eu aqui a ouvir a banda sonora do “Laranja Mecânica”, obra que conta a participação das músicas electrónicas desse pequeno e desconhecido génio Walter Carlos (agora Wendy Carlos) e lembrei-me! Então e os transexuais? A transexualidade também é um impeditivo ao casamento? Ou nem sequer é considerado? Quais os seus direitos legais? Estão contemplados na lei? Será que existem leis? Eu sou do sexo masculino, mas porquê, se nem no meu bilhete de identidade está definido? O que é legalmente o “sexo” ou o “género”? Quem o define?

A Associação ILGA Portugal ajudou-me a perceber um pouco melhor esta questão:

“A lei portuguesa não contém qualquer referência explícita à situação das pessoas transexuais, situação que se está a tornar cada vez menos frequente, a nível internacional. A tendência tem sido de se legislar sobre a matéria, de uma maneira favorável à condição da população transexual, como o demonstram as recentemente aprovadas Gender Recognition Act (2004, Reino Unido) e Ley de Identidad de Género (Espanha, recentemente aprovada pelo Parlamento, e à espera de aprovação pelo Senado). Também não contém uma definição do que é “sexo” ou “género”. Contudo, adopta as características somáticas de cada um dos sexos, masculino ou feminino para, por exemplo, permitir a celebração do casamento civil (artigo 1577º do Código Civil). Assim, o nosso ordenamento jurídico pressupõe uma noção bipolar do sexo, sem intermédio, ou meio-termo, mas não define as expressões “homem” e “mulher” em preceito algum.

A classificação de uma pessoa como sendo homem ou mulher resulta das menções constantes no assento de nascimento, lavrado em geral pelos pais, os quais se baseiam nas informações médicas resultantes da observação dos órgãos genitais da/do recém-nascida/o. Assim, um dos requisitos específicos do assento de nascimento, exigido pelo Código de Registo Civil (CRC, Decreto-Lei n.º 131/95 de 6 de Junho), é o da menção do sexo do registando (CRC, art. 102º nº1b). A esta informação deve também ser acrescido o nome da pessoa que, diz a lei, “não deve suscitar dúvidas sobre o seu sexo” (CRC, art. 103º nº2a), e que, por si só, a identifica, perante a sociedade, como pertencendo ao sexo feminino ou masculino.”


Pelos vistos não fui só eu que tive dúvidas sobre o “sexo” ou o “género”. Enfim, coisas simples tornadas complexas.