(iniciativa explicada aqui)

Avelino Ferreira Torres, candidato independente, Marco de Canaveses
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Excertos de uma entrevista concedida por José Afonso à revista «Questões e Alternativas», nº2, de Abril de 1984. Tendo sido gravada, foi conduzida por Rui de Oliveira. A questão posta pela publicação a diversas personalidades de esquerda era – «O 25 de Abril dez anos depois – que mudança?»).
«O facto de eu poder ir a uma colectividade e poder dizer abertamente que é urgente uma subversão em relação ao momento actual que vivemos, que essa atitude subversiva não deve ficar apenas na consciência das pessoas, deve ter consequências colectivas e dirigir-se ao poder, constituir um desafio ao poder, tem alguma coisa de novo.»(…) «Existe uma democracia dita representativa, existe um parlamento que discute as leis, partidos políticos que representam correntes de opinião segundo o modelo europeu. A esse nível há um conjunto de aquisições.» (…)
«Continuamos com a sociedade de classes, sabemos por exemplo, que quem tem acesso ao ensino superior é uma pequena elite, que o ensino superior visa preparar indivíduos que, uma vez no poder, perpetuam a desigualdade de classes e, também, o sistema político que a conserva. A este nível, as coisas mantêm-se, portanto, na mesma. À sombra da legalidade democrática mantêm-se e até se acentuam, as injustiças sociais que existiam antes do 25 de Abril.» (…)
»As perspectivas abertas por essa liberdade dependem da classe social a que se pertence. Digamos que, para a classe operária que vive na cintura industrial de Lisboa, não abre perspectiva alguma em relação ao desafogo a que aspira.» (…)«Agora, por exemplo, para um intelectual, cujo fim possa ser uma coluna num jornal onde possa colaborar» (…)«existe de facto liberdade para essas coisas. Mas a liberdade de uma classe pode não ser a liberdade de outra.» (…) «No que respeita à liberdade, as instituições existem. Mas funcionam num conjunto de alternativas que não favorecem o exercício da liberdade.»
«Penso que, após o 25 de Abril, devia ter havido uma prática pedagógica do exercício da democracia. As populações deveriam experimentar, directamente, quais são as possibilidades de inserção na realidade, de a transformar. Essa, para mim, é a forma mais sã de exercer a democracia. O voto de quando em quando, após 50 anos de obscurantismo, é uma coisa para especialistas em demagogia. Até porque os deputados não estão na Assembleia para resolver os problemas mais imediatos do povo, mas para cumprir desideratos políticos.» (…) «Por outro lado, todo o discurso parlamentar, com os meios de que dispõe, é de molde a configurar as consciências. É exactamente o que não acontecia imediatamente a seguir ao 25 de Abril, quando se organizaram as comissões de trabalhadores, de moradores, todos esses organismos que saíram quase espontaneamente do processo popular. Está-se hoje num círculo vicioso. A democracia só serve para confirmar, sancionar, o tipo de desigualdades a que me referi.» (…)
«Há, sem dúvida, uma diferença entre o fascismo e a democracia burguesa, embora, por vezes, em certos aspectos, esta possa resultar naquele.»
Conhecia o Tiago Cravidão, não sabia desta sua competência a filmar. Boa Tiago.
Sucessivas leis têm vindo a privatizar o espaço público. Tenta-se proibir a pesca nos parques naturais, depois nas zonas costeiras, agora também em rios. Estas e outras leis são formas de privatização da propriedade, formas de expulsar as populações aí residentes, tirando-lhes os meios de subsistência para vender aquilo que era de todos – primeiro é um parque natural, uma reserva, depois passa para a gestão privada.
Projectos turísticos e de agricultura intensiva estão previstos em toda a costa de Portugal, uns vendidos para resorts à filha do José Eduardo dos Santos ou ao Sousa Sintra, outros para marinas privadas. Já vedaram as Pedras d’el Rei para campos de golfe; deram entrada projectos para fazer o mesmo em Odeceixe, na foz do Alcoa na Nazaré, na Polvoeira… Do Minho a Sagres, como mostra o cartaz divulgado pelos movimentos.
Um movimento de pescadores e outros cidadãos de todo o País está a lutar contra estas leis. A eles juntaram-se milhares de pessoas em todo o País que defendem o mar livre, são contra praias privadas e querem ter na costa um meio de lazer público.
(…)
Fomos à Costa Vicentina e à Nazaré ouvir dezenas de testemunhos locais e fizemos um filme que mostra quem aí vive, como vive e todos os negócios escuros por trás de uma proibição de ir à pesca.
Realização Tiago Cravidão, produção Rubra
Prémio Melhor Grande Reportagem na primeira edição do Grande Angular – Festival de Jornalismo Televisivo.
(continuação daqui)
D. Os Vampiros e Menino do Bairro Negro
Em 1962, nos Estados Unidos, é editado o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, que inclui duas baladas de Zeca: Minha Mãe e Balada Aleixo, «Homenagem a António Aleixo, poeta cauteleiro, natural de Loulé.» Nestas duas composições é acompanhado à viola por José Niza e por Durval Moreirinhas. Participa em digressões pela Suiça, Alemanha e Suécia. Em 1963 conclui o curso, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre – Implicações substancialistas na filosofia sartriana. Divorcia-se de Maria Amália, casando depois em Olhão com Zélia. Sai o LP Baladas e Canções (Ronda dos Paisanos, Altos Castelos, Elegias…). Diz Zeca sobre a Ronda, que depressa será entoada de boca em boca – em reuniões de estudantes, em fábricas, em serões pequeno-burgueses e até nos cárceres políticos: «A música ocorreu-me no WC do rápido, Faro-Lisboa, depois da estação da Funcheira» (…) «Em Lisboa inteirei-me dos postos do exército, que são muitos e soantes. Rimados às parelhas dariam uma canção popular, capaz de ser entendida por soldados e generais.» E foi.
Em 1963 surge então o disco Baladas de Coimbra que inclui Os Vampiros, Menino do Bairro Negro, Canção Vai… e Vem… e Pombas. O título da capa não reflecte a realidade, pois este disco marca uma ruptura com a elitista tradição da balada e do fado coimbrões. A voz do Zeca passa os muros da velha cidade universitária e, como um rio caudaloso e de irresistível força, salta para os lábios de milhões de portugueses – torna-se impossível não associar os seus vampiros aos ávidos barões do regime salazarista: Eles comem tudo/ eles comem tudo/eles comem tudo/e não deixam nada… O Zeca explica: «Numa viagem que fiz a Coimbra apercebi-me da inutilidade de se cantar o cor-de-rosa e o bonitinho» (…) «Se lhe déssemos uma certa dignidade e lhe atribuíssemos, pela urgência dos temas tratados, um mínimo de valor educativo, conseguiríamos talvez fabricar um novo tipo de canção cuja actualidade poderia repercutir-se no espírito narcotizado do público, molestando-lhe a consciência adormecida em vez de o distrair.»
Como nota de humor, refira-se que uma então famosa marca de pudins quis comprar os direitos do refrão de Os Vampiros para servir de música de fundo a um spot publicitário. Obviamente, Zeca recusa. Em Menino do Bairro Negro, inspirada na vida dos meninos de um bairro degradado – o Barredo, no Porto – essa intenção de «molestar consciências» torna-se ainda mais evidente. A emigração forçada pela miséria e pela guerra colonial, bem como o aparecimento, nas periferias das grandes cidades, de bairros de lata (fruto do começo da desertificação do interior), eram, no começo dos anos 60, realidades inseridas a fogo no quotidiano dos Portugueses.
AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (3)
Hoje em dia, a informação científica cai sobre nós em catadupa, dando mais trabalho seleccionar o que se há-de ler do que ler o que foi seleccionado. Informação unidireccional e unidimensional, acrítica, dirigida e digerida, mastigada, intencional, programada, impura, irreflexiva, tantas vezes estéril nos amontoados de endeusadas “guidelines”, de que a maior parte dos doentes, ao fim e ao cabo, pouco beneficia, e que só ficcionalmente contribuem para a evolução da verdadeira saúde social. E isto porque o doente não é, rigorosamente não é, o fim em si mesmo, a meta das autênticas preocupações da Saúde, a célula que é necessário preservar para que o tecido social não sofra, mas apenas o número, o caso, o pretexto para atingir outros fins que nada têm a ver com éticas ou com critérios de humanidade.
Ninguém pretende negar o valor da informação e de toda a reunião científica idónea, mas há reuniões, demasiadas reuniões com pouco interesse, sem finalidade científica real, orientadas e palestradas por pessoas medíocres, autêntico fluxo mental fragmentário e desconexo, sobreposição de monólogos e silêncios, sem repercussão prática na evolução dos cuidados de saúde, obedecendo muitas vezes a interesses difíceis de definir.
É indispensável que o doente faça parte integrante da motivação profissional, da preocupação que leva o médico a deslocar-se aqui e além, tantas vezes à sua própria custa, como é o meu caso pessoal. Para lá dos vencimentos e dos honorários, que se exigem justos para não serem indignificantes, o médico tem de sentir-se parcialmente pago pela consciência de que está a fazer o melhor que pode com os melhores conhecimentos que até à altura pôde obter. Aprender a fazer-se pagar, também, com a moeda da sua consciência é o melhor ensinamento que podemos deixar aos vindouros.
Um outro fenómeno que se encontra em ligação directa com a consciência e dignidade médicas é a relação do médico com a indústria farmacêutica. Ninguém pretende negar o valor da investigação por ela conduzida. Antes pelo contrário, todos os médicos têm obrigação de a enaltecer, perante a inoperância, a negligência e a incapacidade do Estado, realçando o seu papel, absolutamente fundamental, nas mais importantes descobertas da actualidade de que tantos doentes têm beneficiado. Mas a indústria farmacêutica não é santa nem constitui, propriamente, uma instituição humanitária. Deixemo-nos de rodeios e de ilusões. Se a indústria farmacêutica não obtiver super-lucros, a sua preocupação com os doentes esvai-se como nevoeiro, o maior dos seus males. E o menor dos males não é, ao contrário do julgamento de muitos, o arrastamento dos médicos pelos campos magnéticos desta indústria, de molde a situá-los nas órbitas seguras de todas as suas esferas de influência e acção. Fácil é a este sector industrial, possuidor da anuência e conivência interesseira ou acrítica de muitos médicos responsáveis ou irresponsáveis e de muitas instituições colonizadas ou dependenciadas, justificar, pelo universal destaque e pelo intocável poder económico-financeiro que possuem, todos os seus actos, ainda que reprováveis. (continua).

(adao cruz)
Ó meu rico S. João
Santinho do manjerico
Manda todos os loureiros
Lá pró fundo do penico.
Há cerca de um mês, o Paulo Guinote lançou o desafio: que os professores dessem a conhecer a sua auto-avaliação. Na altura, não tive tempo de responder, mas aqui fica a forma como me avalio neste ano lectivo que agora termina. Não participei em nenhum momento de avaliação, não entreguei os Objectivos Individuais e não solicitei a avaliação na componente científico-pedagógica. Apenas entreguei esta auto-avaliação, como faço todos os anos desde que dou aulas. Neste sentido, vou ser tão avaliado neste ano como fui nos anos anteriores. Mas depois deste texto, já só espero o Muito bom!
———-
RELATÓRIO CRÍTICO DA MINHA ACTIVIDADE DOCENTE
ANO LECTIVO 2008/2009
Como faço todos os anos desde que sou professor, 1994, farei neste relatório uma súmula dos principais momentos da minha actividade docente durante o ano lectivo que agora termina.
Ao longo do ano lectivo 2008/2009, procurei cumprir com zelo e dedicação as minhas responsabilidades enquanto docente da Escola.
Na prática, só cumpri 2/3 do ano lectivo em serviço efectivo na escola. O facto de ter tido uma filha em Julho e de a minha esposa ter sido obrigada a ir trabalhar logo em Setembro obrigou-me a ficar em casa com o bebé, exercendo a licença de paternidade a que tinha direito. Assim sendo, só regressei em Dezembro, mas fiquei-me pela Sala de Estudo até ao fim do período, visto que as minhas turmas estavam atribuídas à professora que me substituíra e com ela ficaram até às avaliações. Estive presente nos Conselhos de Turma do 1.º Período e tomei contacto, pela primeira vez, com os restantes elementos da turma.
Inicialmente, tinham-me sido distribuídas cinco turmas – três de 8.º ano, uma de 10.º ano e uma de ensino profissional – e uma Direcção de Turma. No entanto, dada a minha ausência no 1.º Período, a Direcção de Turma acabou por ser entregue definitivamente a outra professora.
Cumpri o meu serviço lectivo com toda a dedicação. Cada turma é uma turma e cada aluno é um aluno, e foi com esse espírito que conduzi toda a relação professor – aluno ao longo do ano lectivo. A relação pedagógica que implementei foi a mesma de sempre, baseada no respeito mútuo e, quando tal respeito não tivesse correspondência por parte do aluno, na imposição de regras claras: a autoridade do professor na sala de aula é um valor que não pode ser posto em causa, nem ontem, nem hoje, nem amanhã, seja por que legislação for e sejam quais forem os agentes políticos responsáveis.
Neste sentido, posso dizer que todos os meus objectivos foram cumpridos. Não os Objectivos Individuais previstos na legislação, porque esse não os entreguei, pelo facto de me opor ao actual modelo de avaliação do desempenho docente, mas os meus objectivos individuais, aqueles que norteiam desde sempre a minha actividade enquanto docente. E que são, numa só frase, conseguir, através de uma relação ensino/aprendizagem completa, que os meus alunos atinjam os objectivos a que se propõem, que melhorem as suas aprendizagens e que se tornem melhores pessoas.
Não significa, como infelizmente acontece nesta escola, que todos os alunos tenham de transitar de ano só porque sim e que, em nome dessa pacóvia bondade para com os alunos, se alterem níveis e classificações conscientemente atribuídas pelos professores das disciplinas. Ao invés, a melhoria das aprendizagens, a obtenção de competências e a melhoria geral, como ser humano, só se conseguem, muitas vezes, com uma retenção. Fazendo ver ao aluno, dessa forma, que há uma diferença entre querer e não querer, entre estudar e não estudar. Sei que todo o sistema educativo português, desde há alguns anos, está organizado de forma a que os alunos quase sejam obrigados a transitar – dantes, os do básico; agora, também os do Secundário. Sei que remo contra a maré mas, consciente da minha razão, não irei mudar.
Preparei e organizei as actividades lectivas da mesma forma de sempre. Para além da utilização do manual, criei recursos audiovisuais, como fotografias e vídeos, e promovi trabalhos de grupo para uma melhor interacção entre os elementos de cada turma. Infelizmente, a escola não se mostrou preparada para corresponder às minhas necessidades. O facto de existirem apenas dois projectores no único pavilhão onde leccionava e de não existir uma única televisão em toda a escola levou a que, muitas vezes, mesmo com a maior antecedência possível, não fosse possível executar a aula conforme planeado. Quero destacar o papel incansável dos Auxiliares de Acção Educativa da escola, sempre prontos a tentar resolver os problemas dos professores e a procurar soluções alternativas.
Em relação à turma do 10.º ano de escolaridade, socorri-me de um recurso extra, essencialmente utilizado fora do contexto de sala de aula e que teve como objectivo aproximar-me de uma turma com as quais estava a ter algumas dificuldades de relacionamento: a criação de um blogue na internet. Fi-lo a título experimental, porque nunca antes o tentara, com o objectivo de promover um maior contacto entre professor e alunos e entre os alunos da turma. Os resultados foram excelentes e a relação que fomos estabelecendo no blogue, sobretudo nas caixas de comentários dos «posts», teve reflexos claramente positivos na relação dentro da sala de aula. No final do ano, como não devo continuar na escola, «passei a pasta» e forneci aos alunos interessados palavras-chave, para poderem eles próprios dar continuidade ao blogue. Quero apenas registar que «abri» esta experiência a todos os professores do Conselho de Turma, mas nenhum se mostrou interessado em utilizar este recurso.
Daqui resulta que a minha relação pedagógica com os alunos foi muito boa, tanto com os do 8.º ano de escolaridade como com os do 10.º ano e com os alunos do curso profissional. Pude conhecer muito bem os alunos da turma do 10.º ano, já que tinha três aulas por semana. O mesmo não poderei dizer das turmas do 8.º ano, com as quais tinha apenas uma aula semanal. Ora, em 90 minutos semanais, é impossível conhecer os alunos. E quando há uma queda de neve que impossibilita as actividades lectivas, uma greve, uma visita de estudo, a situação agrava-se.
Mesmo assim, não resisto a descrever um episódio ocorrido na última aula de uma das turmas do 8.º ano, episódio esse que demonstra a excelente relação pedagógica que mantive com os meus alunos. Descrevo-o da forma que o descrevi num blogue do qual sou autor:
«ADEUS MENINOS, A GENTE VÊ-SE POR AÍ
Chega, como sempre em Junho, o fim do ano lectivo. E aqueles que foram os amores de um ano vão-se embora. Para sempre. Fazem-se rapazes e raparigas e lá vão eles.
Falo dos meus alunos. A verdade é que eu é que vou. Eles ficam. A Ministra bem prometeu, em 2006, que ia ser por três anos e eu, feito burro, acreditei. Deixara de ser contratado nesse ano e pensei que ia finalmente estabilizar. Que ia poder acompanhar os meus meninos durante três anos. Vê-los crescer. «Ei, estás tão grande, puto. Há 3 anos eras tão pequenino», poderia dizer-lhes no final de um ciclo.
Pois bem, mesmo com os tais concursos de três anos, e mesmo como QZP, foram quatro escolas desde 2006. E no final, sempre a mesma angústia de me despedir sem tê-los conhecido a sério.
Nada de novo, pois, neste final de ano lectivo. Só que, como sempre, a gente afeiçoa-se mais a umas turmas do que a outras. Quem é professor sabe disso e compreende.
Com esta turma, a relação foi-se desenvolvendo ao longo do ano, dentro da sala de aula e através do blogue que criei para eles e onde partilhámos interesses, momentos e solidões. E na última aula do ano, após o
s
umário do costume («Auto-avaliação. Despedidas») e a sua concretização, deu-se algo de muito especial. Disse-lhes adeus, desejei-lhes boa sorte para a vida e deixei-os sair mais cedo. Acto contínuo, de forma completamente espontânea, TODOS os alunos, em vez de irem embora, vieram ter comigo. Cumprimentaram-me, abraçaram-me, beijaram-me. E agradeceram-me. Não sei o quê, mas agradeceram-me.
Foi um momento único, mesmo que se vá repetindo ano após ano. É sempre um momento único. E esse ninguém mo tira. Foi apenas um minuto, mas parece que, naquele bocadinho, foram apagados quatro anos de humilhações, insultos e tentativas de esmagamento de uma classe. Por parte de uma Ministra e de dois Secretários de Estado que, depois de terem destruído a Escola Pública, sairão como entraram. Sem saberem o que são momentos como o que eu descrevi. Sem saberem o que é o amor de uma turma. Sem saberem o que pode ser a relação entre um professor e um aluno – algo que nunca nenhuma avaliação poderá aferir.»
Em relação à relação que mantive com os alunos do 10.º ano de escolaridade, volto a remeter para o blogue acima referido e para as caixas de comentários dos «posts». Aliás, como se poderá ver consultando o blogue, este instrumento servia também como complemento às aulas, sobretudo através da postagem de resumos da matéria, revisões para o teste ou correcção do mesmo. Não foram raros os casos em que alunos tiraram dúvidas para o teste via blogue, sendo que a minha resposta era imediata. Para além disso, tinha no meu horário nove horas por semana na Sala de Estudo, e sempre me mostrei disponível para atender os alunos que sentissem dificuldades em determinadas matérias. Nunca o fizeram, talvez porque a Sala de Estudo é um espaço onde os alunos (e mesmo os professores) são constantemente maltratados.
Ainda com o objectivo de auxiliar os alunos com dificuldades, inscrevi-me voluntariamente no programa de Tutorias. Assim, acompanhei ao longo do 3.º Período dois alunos do 7.º ano de escolaridade que, na maior parte das vezes, não compareceram.
Todos os indicadores do processo ensino/aprendizagem pesaram na avaliação dos meus alunos. Como se sabe, estamos num processo de avaliação contínua e tudo é importante para formar um juízo valorativo relativamente a um aluno. E mais do que os testes de avaliação, as aulas são fundamentais para se obter um juízo rigoroso, objectivo e, acima de tudo, justo.
Nas turmas do 8.º ano de escolaridade, o facto de ter tido apenas uma aula por semana tornou-se um obstáculo impossível de superar. Como avaliar um aluno através das aulas se as mesmas ocorrem de forma tão espaçada? Restaram, pois, os testes de avaliação, já que, no ensino básico, sobretudo no 8.º ano, recuso-me a marcar Trabalhos para Casa – os célebres TPC’s, sobretudo por causa do ridículo «curriculum» dos alunos, com 16 disciplinas ou áreas disciplinares e quase sem tempo para estudarem e, no final, serem aquilo que devem ser – adolescentes.
A este propósito, de resto, e tendo no pensamento os meus alunos do 8.º ano, deixei num outro blogue do qual fiz parte o seguinte Manifesto contra os TPC’s:
«Regressei na segunda-feira ao trabalho, após uma saborosa licença de paternidade de quase três meses.
E como no ano passado estive nas «Novas Oportunidades» e, aí, o trabalho é totalmente diferente (sobretudo de acompanhamento dos aprendentes – pois, é assim que os alunos são chamados), já não me lembrava do verdadeiro disparate em que está transformado hoje o ensino básico.
Tenho, entre várias turmas do Secundário e de Cursos Profissionais, três turmas do 8.º Ano. Quando olhei para o horário deles, fiquei espantado. Têm mais de 35 horas de aulas por semana. 35!!! Trabalham mais do que a maior parte das pessoas, porque depois, fora da escola, ainda têm de fazer os trabalhos para casa e de estudar no dia-a-dia e, sobretudo, na véspera dos testes.
A panóplia de disciplinas, por sua vez, é quase interminável: Português, Inglês, Francês ou Espanhol, História, Geografia, Matemática, Ciências Naturais, Físico-Química, Educação Tecnológica, Artes Plásticas, Educação Visual, Educação Física, Estudo Acompanhado, Área de Projecto, Educação para a Cidadania e Educação Moral e Religiosa Católica (ufa!). 16 disciplinas, 16 professores.
São miúdos com 13 anos, porra! Estão na idade de viver um pouco que seja, não de estarem enfiados dentro de uma sala de aula quase oito horas por dia. Para socializar, têm os intervalos e a hora de almoço, já que nem com as faltas dos professores podem contar (curvo-me respeitosamente perante essa excelente invenção, no fundo com mais de 10 anos, que foi a das aulas de substituição). Não lhes chega tanta socialização?
Nas escolas de província, como é a minha neste ano, o mais normal é esses alunos terem de se levantar antes das sete da manhã e chegarem a casa quase às oito da noite. É jantar e dormir – pouco mais.
E o que é que eu faço quando apanho uma turma de 28 alunos às 17 horas, uma única vez por semana, sabendo eu que eles já estão dentro de uma sala desde as 8.30 da manhã e que, pelos seus olhos, já passaram inúmeros professores, cada um com as suas matérias, as suas exigências e as suas manias?
Tudo isto para dizer que me recuso a marcar trabalhos para casa, os célebres TPC’s. Aproveito as aulas ao máximo, da maneira que sei, tentando sempre abrir-lhes os olhos para o mundo que os rodeia (para mim, é o mais importante). Que cheguem a casa e que descansem, que brinquem, que vejam televisão. Estão na idade disso! Já bastam os testes para terem de se preocupar.
Os meus alunos, a primeira coisa que me perguntaram foi de onde eu era. A segunda foi se, sendo do Porto, era portista. A terceira foi quando é que iam ser os testes.
Não marco TPC’s e pronto. Assim como assim, no fim do ano o Ministério quase que nos obriga a passar todos os alunos, por isso, se era para ser um indicador do aproveitamento e do esforço do aluno, vai dar ao mesmo.
Tenho pensado muitas vezes no projecto educativo da Escola da Ponte, na Vila das Aves. É único no país. Ali, respeita-se o ritmo de cada aluno. Não há propriamente disciplinas nem aulas, não há testes, o Conselho de Pais/Encarregados de Educação é o órgão de legitimação do Projecto e é ele que tem de resolver os problemas que não são passíveis de ser resolvidos dentro da escola. Voltarei ao assunto.»
Em relação à turma do 10.º ano de escolaridade e à turma do ensino profissional, os instrumentos de avaliação puderam ser muito mais diversificados. Aulas, trabalhos de pesquisa individuais, trabalhos de grupo, testes de avaliação, visitas de estudo. Neste sentido, organizei para a turma do 10.º ano uma visita ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, ao Mosteiro da Batalha e à Vila de Aljubarrota. Fiz uma aula de preparação para a visita, enquadrada na matéria que estávamos a dar nesse exacto momento, elaborei um guião para acompanhamento da visita e fiz a sua avaliação. Em relação à turma do ensino profissional, participei na Qualifica/09, visita de estudo à Exponor, e numa palestra sobre a água que decorreu na Casa da Cultura de Cinfães.
A minha participação nos Conselhos de Turma pautou-se sempre por critérios de rigor e objectividade. Defendi com toda a convicção os níveis que tinha para atribuir, por considerá-los os mais justos e adequado às competências reveladas pelos alunos. Da mesma forma, insurgi-me contra todas as alterações de classificações, minhas ou não, que tivessem como justificação única permitir que no ano seguinte o aluno acompanhasse a sua turma. Não concordei com a maneira como determinados alunos transitaram com um número inaudito de níveis negativos, e disse-o em Conselho de Turma. Para mim, fazer transitar esses alunos era pactuar com quem
faz da bandalheira o seu percurso escolar, era pactuar com a permissividade que tem sido apanágio da política do Ministério da Educação, sobretudo nos últimos quatro anos. Deixei-o registado em acta.
Em sede de Departamento, deparei-me com uma espécie de órgão intermediário entre o Ministério da Educação e os professores. Ou seja, nas reuniões de Departamento, pareceu-me sempre estar a ouvir a senhora Ministra da Educação. Era necessário que os alunos transitassem e que o número de níveis negativos fosse o mais baixo possível. «Repensar estratégias», neste caso, interpretei-as como subir os níveis aos alunos. Reuniões privadas com os professores do Departamento, se fosse necessário, para ultrapassar o «problema». Valha a verdade que, perante este tipo de discurso, o melhor era nem sequer dizer nada.
Ao invés, encontrei no Conselho Executivo um órgão sempre colaborante e pronto a resolver tudo o que estivesse ao seu alcance. Várias foram as vezes em que me dirigi a esse órgão com questões concretas cuja resolução urgia. A internet foi uma questão recorrente, pelo facto de ser desligada pouco tempo depois do fim das actividades lectivas. Estando eu deslocado na vila, e sem computador pessoal que se pudesse substituir aos da escola, via-me assim impedido de preparar com todos os recursos necessários as aulas do dia-a-dia. Devo esclarecer que me foi explicada a razão de tal procedimento. Naturalmente, aceito que assim tivesse de ser feito.
Em relação aos meus conhecimentos científicos e pedagógicos, devo dizer que desenvolvo ao longo dos anos um trabalho de pesquisa e investigação constantes, como o atestam as várias dezenas de livros publicados nos últimos anos. Ao nível das capacidades de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação, devo dizer que estão claramente acima da média da classe docente. Não senti a necessidade, até hoje, de desenvolver acções de formação contínua enquanto tal, pelas razões atrás aduzidas.
No final de um ano lectivo mais desgastante do que o habitual, em especial devido à guerra promovida contra os professores pelo Ministério da Educação, e que neste ano lectivo terá atingido o seu auge (o que motivou a minha candidatura a Delegado Sindical da escola, visto que não havia), considero que a minha missão foi cumprida e que o meu desempenho profissional pode ser considerado MUITO BOM. A minha relação com a comunidade foi mesmo EXCELENTE – tanto com a comunidade educativa como com a comunidade da vila. Em relação aos alunos, fiquei com um amigo em cada um deles. Em relação aos professores, foi um entre os muitos que, com honestidade e sem incoerências, procuraram dignificar a sua profissão.
Ricardo Santos Pinto
Falar da ilha da Madeira é sempre um prazer.
Só lá fui uma vez, mas gostava de lá voltar.
Até aqui, poderia dizer que, adaptando uma conhecida canção sobre Alcobaça, quem vai à Madeira, não passa sem lá voltar.
Gostaria eu de voltar mas de preferência sem o Sr. Doutor Alberto João Jardim no poder.
Diz o povo que “cada tiro cada melro”…
Diz mal de tudo e de todos e ainda quer implantar um regime anti-comunista na sua ilha.
Diz mal dos “cubanos do Continente”, principalmente o Sr. Sousa (José Sócrates) ou do Sr. Silva (Cavaco Silva).
Mas depois queixa-se que não mandamos dinheiro para lá.
Senhores políticos portugueses, para quando a independência da Madeira?
Queria ver como é que aquele senhor se governava.
No SIMplex, ponto de encontro dos que vão votar PS, a Sofia Loureiro dos Santos faz a apologia da política educativa do actual governo, a propósito da intenção declarada da FENPROF em continuar a lutar.
E se me permite, Sofia, gostaria de reflectir um bocadinho em torno do que escreve até porque estou preocupado com o súbito interesse do seu secretário pela blogosfera.
Eu explico. No vosso manifesto escrevem que “Interessa debater o que foi feito, de bom e de mau, neste últimos quatro anos; mas também projectar o que de melhor se pode fazer para a próxima legislatura. Queremos que o ritmo das reformas se mantenha ou acelere. Queremos transformações concretas na justiça, na segurança social, na saúde e na educação. A dignificação dos profissionais, em todas as áreas, é fundamental. O fosso entre ricos e pobres não pode continuar a alargar.”
Obviamente, sabemos os dois, que nunca como nos últimos quatro anos avançou o fosso entre ricos e pobres em Portugal, mas disso dirá que a culpa é do estrangeiro. Claro, se até o BENFICA entra em campo com 11 forasteiros…
Mas, a minha chamada ao Manifesto vai também no sentido de perguntar onde está a sua capacidade de debater o que de mau foi feito, por exemplo, em termos de educação?
No que diz respeito ao conteúdo, uma contradição, se me permite:
Valida a divisão na carreira dos professores porque “dando aos mais experientes a possibilidade de terem funções mais específicas e diferenciadas, entre as quais a avaliação de desempenho dos colegas mais inexperientes” se está a dignificar a carreira.
Depois, mais à frente escreve que a FENPROF combate a avaliação do PS porque ” o reconhecimento do mérito não lhe interessa.”
Ora vamos lá ver se a gente se entende: o que interessa é dividir a carreira para os mais velhos avaliarem os mais novos? Ou é o reconhecimento do mérito?
Sabe, por acaso, como foram escolhidos os titulares?
Se calhar poderia ir procurar saber.
Por exemplo, pense nesta contradição: para ser Coordenador de Departamento tem que se ser titular. Algo enquadrado na lógica dos mais velhos a orientar os mais novos.
Mas, e para ser Director, o órgão máximo da escola?
Pois… É algo do tipo o Secretário de Estado tem que ser titular, mas alguém para ser Primeiro-Ministro não necessita de tantas “habilitações”… É coerente.
Depois, termina com uma frase “roubada” à FENPROF: “Haverá que corrigir e melhorar muitas coisas, mas sempre com o sentido numa escola pública de qualidade, que é um dever do estado e o único meio de garantir igualdade de oportunidades a todos os cidadãos.”
Integralmente de acordo. Por isso é que sou Socialista e por isso é que colaborei na elaboração do Programa do PS nas eleições anteriores. E, também por isso, é que me sinto enganado.
Obviamente reconheço o trabalho na área das TIC, o alargamento da oferta no 1ºciclo, as obras nas secundárias…
Mas, e a Sofia? Consegue reconhecer o que não correu bem?
Só para concluir: as manifestações de professores, significaram o quê, para si?
No MUP a não perder!
Nota de redacção complementar ao post do MUP:
Os candidatos são:
1. Benilde de Sá Fardilha (Ex-Executivo de Espinho)
2. Maria de Lurdes da Silva Rodrigues
3. Maria Rosa Gomes da Silva Sousa.
4. Olinto António Santos Silva (Ex-Executivo de Canelas)
O responsável pelo Processo é o sr. Presidente do Conselho de Escolas.
Mais info no site do Centro.
Pelas razões óbvias, este é o filme ideal para a silly season, o que quer que isso seja. E também porque não tarda nada, as “questões fracturantes” voltarão a estar na agenda política. Tenho a certeza que este filme elucida mais e melhor o mundo homofóbico que qualquer palestra séria e entediante. Além de tudo isto, o filme é mesmo bom e raramente encontro alguém que o tenha visto. Este é verdadeiramente um filme de homens; Terrence Stamp, Guy Pearce e Hugo Weaving, grande guarda-roupa, uma recordação inesquecível dos Abba e truques com bolas de ping-pong. A não perder, apesar de já ter sido editado há uns anos atrás. Fica a sugestão.
“Pessoalmente não lhe levei a mal, toda a gente tem direito a subir na vida“, by Miguel Dias no Aventar (AQUI).
É com subido prazer que vejo um “benfas” como o nosso Miguel Dias reconhecer algo absolutamente óbvio: ir para o F.C. Porto é subir na vida. É, é mesmo assim. É subir na vida, é ter bom gosto, é gostar de vencer. Ser Portista, aderir a esta grandiosa Instituição, permite a qualquer mortal atingir a cobiçada imortalidade juntando-se aos Deuses guiados pelo mitológico Dragão.
Ser Portista não é um mero estado de alma nem tão pouco simples adepto de futebol. É muito mais. É um grito de liberdade, uma escolha pelo melhor entre os melhores.
Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal.
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal.
Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto.
Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós.
Cantemos com voz sonora a toda a hora
Pois somos Portistas e sempre bairristas
Pelo nosso Porto
Gritamos com todo o ardor o nosso amor
Levamos o estandarte e em qualquer parte
Do nosso Porto.
Porto, Porto, Porto
És a nossa glória
Dá-nos neste dia
Mais uma alegria
Mais uma vitória
Porto, Porto, Porto
És a nossa glória
Dá-nos neste dia
Mais uma alegria
Mais uma vitória.
É tão nobre a tua história a tua memória
Gritemos sem cessar p’ra te ajudar
Ai nosso Porto
O teu passado brilhante nunca distante
Em nós está presente e eternamente
Ao nosso Porto.


Teresa Almeida, PS, Setúbal (enviado por leitor que não quer ser identificado com o seguinte comentário: «Aqui tem a “grandeza” que o PS promete para Setúbal. Quem conhece a realidade (Setúbal, Sado e tudo) sabe que o isco é completamente manhoso. A “Paixão por Setúbal” é tão vazia quanto as imagens»).
Durante o fim-de-semana li um artigo de opinião sobre o quanto nos custa a RTP. Por azar, ando desde ontem a tentar lembrar-me onde raio o li. No Blasfémias, o Gabriel escreveu sobre o tema (AQUI). Quanto mais tempo passa mais me convenço da necessidade de privatizar a RTP1, a Antena1 e a Antena3. Nada justifica a sua continuação e, pelo caminho, autorizar os privados a criar canais regionais (tal como nos países civilizados do mundo ocidental). O meu dinheiro, os meus impostos, a serem gastos desta maneira? Estão a brincar com coisas sérias!
A quem interessa semelhante desbaratar de dinheiros públicos???
ILHAS DE BRUMA
Malas no cais
bom tempo no canal
o Pico envolto
num xaile de nuvens brancas.
O baleeiro espreita o boi do mar
a saudar a terra negra.
Vinhedos de currais
e o mar a beijar
as rugas da lava.
O sol esgueira-se
por chaminés e crateras de vulcões
a descansar em lagoas
de verde e azul.
Hortênsias abraçadas
às rocas de velha
e o mar
enlaçando os montes
em namoro eterno.
Impérios de crenças
erguidos ao mistério
Espírito Santo do medo
que passou
ou há-de vir.
Festas do bravo e da chamarrita.
Sabores a queijo
de vacas mansas
sopa de alcatra
massa sovada
e o arroz doce apetecido.
Vinho verdelho ou de cheiro
angélica e licor de amora
de terras do dragoeiro.
Furnas e fumarolas
borbulham para o ar
raiva da terra
por não ser mar.
Malas no cais
embarque e desembarque
num vaivém de espuma
nostalgia das ilhas de bruma.
EVA CRUZ
Viagem aos Açores – Agosto 2005
(explicação da iniciativa aqui)
Candidato PS, Joaquim Couto, à C.M. de Vila Nova de Gaia
Candidato PS, Vitor Canastro, à Junta de Freguesia de Canelas (Vila Nova de Gaia). É o actual Presidente
Candidata PSD / CDS-PP, Maria Adelaide, à Junta de Canelas (Vila Nova de Gaia)
Os meus sinceros parabéns a todos os participantes!
A suposta BlogConf onde a esta hora Sócrates discute com gente de alguns blogues (o Fliscorno explica a manha da coisa aqui), está muito gira. Bués. 
Acho que o Sócrates é a tira quase rosa. Ou será a amarela?
Leiam o texto do Nicolau Santos no Expresso: “Nós e a revolução automóvel”
À volta dos carros eléctricos e das baterias de iões necessárias, das fábricas que é preciso primeiro conquistar e depois construir, do mercado que só daqui a uns anos muito largos será criado, fica-se com uma ideia do negócio que está aí a nascer.
Mas a luz vem de uma ideia extraordinária do Pedro Sena da Silva, presidente da Autosil. A criação de uma indústria de conversão dos actuais veículos automóveis em veículos eléctricos! O parque automóvel, aqui em Portugal é de cerca de sete milhões de carros, os seus proprietários não têm capacidade financeira para mudar de carro, não se vê que a troca se faça nos próximos anos. De qualquer maneira estes carros só chegarão ao mercado lá para 2011.
Ora a ideia é que a reconversão seja efectuada pela indústria nacional. E isto porque já foram desenvolvidas com sucesso no país várias experiências de transformação de veículos comuns em veículos eléctricos.
Juntando o saber português, as indústrias de componentes e o mercado de sete milhões de carros existentes, temos aí uma janela de oportunidade a todos os títulos excepcional, que poderá ter dimensão internacional.
Existem cerca de 800 milhões de automóveis em todo o Mundo ( talvez mil milhões) o que dá ideia da gigantesca tarefa que a humanidade tem à sua frente, para reconverter todos estes carros. Os actuais produtores de carros estão já a reconverter as sua fábricas para produzirem carros eléctricos, mas haverá milhões de pessoas que não terão capacidade de comprar novos carros.
É bem mais fácil para os governantes anunciarem grandes acordos de investimento, mas é bem mais dificil mas tambem muito mais importante para o país, rentabilizar as suas capacidades já instaladas!
A inovação nasce sempre de quem está próximo dos mercados, das dificuldades, que tem o conhecimentos das variáveis e que tem a determinação de juntar tudo e desenvolver valor.
Nunca veremos juntas essas capacidades em homens que passaram a vida nas Jotas, em gabinetes ministeriais e na AR!
O mundo dessa gente não é o mundo real !
AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (2)
Partindo do princípio, no qual acredito, de que uma boa parte de nós, médicos, está minada de vícios, enclausurada em erros, inegavelmente desviada do verdadeiro sentido da ética da relação, carente de uma autêntica competência profissional, entendendo-se por competência não só o real valor do conhecimento mas sobretudo a inteligência, a capacidade e a sabedoria da sua correcta aplicação, penso que não vamos a lado nenhum se estamos à espera da sua conversão e da renovação das mentalidades que nunca fizeram nem querem fazer qualquer esforço.
Assim sendo, e sem desprimor, confesso que este e outros textos, esta e outras iniciativas idênticas, estão fracassados à nascença. Como médicos, sabemos muito bem a escassa influência que tem na evolução da doença a medicação sintomática. A verdadeira cura da doença não está na detecção e eliminação das causas próximas mas no conhecimento e, sobretudo, no reconhecimento das causas primeiras, na sua veemente denúncia e no seu decidido combate. Os médicos estão doentes, o exercício da medicina está doente, a sociedade perde saúde.
É nos médicos que hão-de vir que reside a esperança. Pura ilusão pensarmos que a solução está nos médicos de hoje. Quando muito, e com grande esforço, poderemos deixar o fermento da mudança. Não percamos tempo se quisermos ter algum papel na memória do futuro. O primeiro passo estará, obviamente, na realização empenhada dos médicos e das instituições que se preocupam, como a Ordem dos Médicos, de reuniões, congressos, simpósios, onde sejam transparentemente analisados e denunciados os erros, as insuficiências, os desvios e os mais ou menos obscuros interesses que têm abalado a nossa reputação e ensombrado a beleza do digno exercício da nossa profissão.
Há demasiados congressos científicos, exclusivamente científicos ou pseudo-científicos, com informação redundante, puramente serial e repetitiva dentro da banalidade discursiva dominante, supérflua, desdobramento da comunicação de massas que nos arrasta para a vertigem da instantaneidade, e pouco ou nada há sobre o nosso comportamento, sobre a ética e a verdade do nosso comportamento, sobre a memória da nossa experiência, acção e dependência ou interdependência dos poderes e contrapoderes, sobre os grandes obstáculos ao exercício da medicina e da prioritária, correcta e eficaz aplicabilidade dos conhecimentos, sobre as polémicas e controvérsias que afectam a nossa relação com o doente e a sociedade, sobre a inquestionável necessidade de equacionar a defesa permanente e a garantia futura da nossa mais valiosa riqueza, a dignidade. (Continua).

(adao cruz)
(explicação da iniciativa aqui)
Paulo Piteira, CDU, Loures (enviado pela leitora Maria Monteiro)
“(…) de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido.”
Excerto de entrevista a José Afonso 1984
Temos menos de quatro meses de vida. Não temos grandes estrelas (candidatos a Deputados e quejandos) e, se nos vimos afirmando, é apenas pela qualidade do nosso trabalho.
É por isso com grande prazer que anuncio hoje que o Aventar chegou ao 1.º lugar, no conjunto dos principais blogues de referência, no que diz respeito ao número de «posts» publicados nas últimas semanas. Os números, compilados pelo José Freitas, não enganam:
Aventar – 423 «posts».
Insurgente – 318 «posts».
31 da Armada – 309 «posts».
Portugal Contemporâneo – 258 «posts».
Cachimbo de Magritte – 265 «posts».
Blasfemias – 220 «posts».
5 Dias – 182 «posts».
Jugular – 154 «posts».
Se em relação à quantidade estamos conversados, no que diz respeito à qualidade também estamos numa das primeiras posições. Posso ser suspeito, mas quem conta com o rigor jornalístico do José Freitas e do Carlos Narciso, com a experiência de vida e a qualidade do Luís Moreira e do Carlos Loures, com a poesia que emana das palavras da Carla Romualdo, com a irreverência do João Paulo, o nosso menino de ouro do sindicalismo, e do Adão Cruz, com a acutilância do José Magalhães, do Miguel Dias e do Nuno Castelo Branco, com o entusiasmo e bom gosto musical / cinematográfico do Isac Caetano, do Fernando Moreira de Sá e do João Cardoso, com o humor do Antero e do Arrebenta, com as «obsessões» da De Puta Madre, com a originalidade do Vítor Silva, com a credibilidade emprestada pelo João Teixeira Lopes, pelo Ricardo Fonseca de Almeida e pelo Henrique Oliveira Sá, com a panca do Adalberto e até mesmo com os silêncios do Pedro Namora e da Ana Anes, para além de todos os outros, não pode pensar de outra maneira.
A nível da qualidade, estamos, pois, ao nível do Insurgente , do a href=”31daarmada.blogs.sapo.pt”>31 da Armada, do Portugal Contemporâneo, do Cachimbo de Magritte, do Blasfemias e do 5 Dias , todos eles excelentes blogues. Em relação aos outros, não me posso pronunciar, porque não costumo lê-los.
Estou contente com a minha gente!
Ainda há dois dias o Cordeiro das Farmácias (personagem sinistra )chamava traidor e mentiroso ao Primeiro Ministro. Aqui o que verdadeiramente interessa é o facto de alguem se dirigir desta forma ao Chefe do Governo. O que saberá Cordeiro para não ter medo de ser demandado criminalmente ou poder ser prejudicado na posição de favor que a vários títulos, a ANF detem?
Ontem foi Louçã que disse com todas as letras que Sócrates está a mentir no caso do convite a Joana Amaral Dias. Sabendo-se que passa pelo PS e pelo BE a possibilidade de uma maioria parlamentar para formar governo, o que leva Louçã a não deixar cair o assunto?
Oa professores elegeram esse epíteto como bandeira nas suas manifestações.
Nos casos que têm chegado à Comunicação Social há episódios mal explicados, como o relatório que não era da OCDE, mas apresentado como tal por Sócrates, as contas públicas que não se mostram à Assembleia da República, as promessas diárias que morrem como aparecem, as cadeiras na Universidade tiradas ao Domingo, o professor que aparece na Cova da Beira, o preço do apartamento…
Esta forma de estar na vida privada e pública mais tarde ou mais cedo fragiliza Sócrates, sendo pouco inteligentes aqueles que defendem que só em Tribunal o homem público pode ser acusado. Formalmente, sim, mas o crédito, o caracter da pessoa há muito que é um fardo na apreciação que o povo faz à sua pessoa.
O resultado, inesperado, das Europeias mostra bem que a população não acredita em promessas vindas de quem não tem crédito. E esta apreciação vai juntar-se ao desemprego e às dificuldades das famílias, nas próximas Legislativas.
A médio/longo prazo mentir não traz dividendos!
…leva a carta para Lisboa, diz o Louçã, que foi o próprio Sócrates que telefonou a Joana Amaral Dias a convidá-la, oferecendo-lhe um lugar na lista de candidatos a Coimbra, e/ou um lugar no Executivo se vier a formar governo.
O Sócrates grita que é muito feio utilizar a mentira para atacar adversários políticos, que já não vê a Joana há três anos, nem ele nem ninguem a pedido dele lhe ofereceu o quer que fosse. Esta guerra é gira, é um campo que Sócrates conhece bem, tu és mentiroso, toma…
Aí está o nível a que Manuela F. Leite não chega, anda cá há muitos anos e não se mete neste circo de mentiras, golpes baixos e sujos. Podemos assacar-lhe muitas coisas mas o baixo nível, não. Com Sócrates é uma farturinha, ainda estavamos todos a tentar perceber o mentiroso e traidor do Cordeiro das farmácias e já ele anda às voltas com outra acusação de mentir. O homem tem imensas dificuldades em ter um relacionamento estável com a verdade.
Depois como venho dizendo, com Sócrates não há lugar a pontes à esquerda, o PS fica sozinho, com o PCP nem pensar e os ódios que vai levantando entre os Bloquistas faz o resto.
Este nível rasteiro faz muito mal à Democracia, estou mesmo em crer que a falta de ética a todos os níveis e até a sua aceitação é uma das doenças que mais prejudicam a sociedade.
Vejam o que passa com os casos que estão a ser investigados, as raízes que já se conhecem, o número de arguidos, os interesses que cortam transversalmente a sociedade.
Se os tipos de cima se comportam desta maneira, esperam o quê do resto da população?
Numa das 325 farmacias do Grupo Cordeiro
O Cordeiro, entra numa das suas farmácias e repara num homem petrificado, com os olhos esbugalhados, mão na boca, encostado em uma das paredes.
Ele pergunta para ao farmaceutico estagiário:
– Que significa isto? Quem é esse sujeito encostado naquela parede?
O estagiário:
– Ah! É um doente que queria comprar remédio para tosse. Ele achou caro, então eu vendi um laxante.
O Cordeiro exclamou:
– Você ficou maluco? Desde quando laxante é bom para tosse?
O estagiário:
– É excelente. Olha só o medo que ele tem de tossir…
Juntar forças: abrir caminhos com a diferença da diversidade que, longe de nos prejudicar, aumenta-nos. Congregar activismos de índole diversa, experiências de vida e de combate pela cidade e pela cidadania. Gerar discussão, crítica e polémica. Encontrar plataformas de entendimento, compromissos de trabalho e avançar.
Juntar forças: para além do sectarismo ou de qualquer outro fechamento, pugnando pela qualidade da democracia local, a transparência, a prestação de contas, o fim das negociatas ou da política de biombos, em que a face visível dos assuntos nunca corresponde à dimensão oculta. Querer e desejar a democracia toda e só a democracia toda, sem concessões e sem mediocridade.
Juntar forças pelos mais desfavorecidos, pelas vítimas das várias crises, optar, saber de que lado se está, definir prioridades pelo social, não esquecer que é ao nível do local e da proximidade que acontecem as mais brutais opressões, as mais abusadoras violações dos Direitos Humanos, mas também a possibilidade de envolvimento e de emancipação.
Juntar forças: saber que, numa cidade, a reabilitação urbana, as políticas sociais de habitação, os usos do solo, os serviços públicos, a sustentabilidade e a mobilidade são um todo interdependente e em permanente tensão. Da tensão pode nascer a intervenção nova à escala certa e não necessariamente a entropia. Desenvolver as tensões e as contradições, desocultá-las, não ter medo da dinâmica.
Juntar forças: em vez do bonapartismo municipal e do culto da personalidade, a acção colectiva organizada, os movimentos, os espaços públicos.
Pelo Porto: cidade de cidades; ícone e existência; punho erguido no granito; lugar onde a liberdade se reencontra.
Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (4)
“A moderna versão fundamentalista e violenta do islamismo, a palavra de ordem por excelência, todos os dias insanamente proclamada”, no dizer de Saramago, não me parece comparável “ao cristianismo nos tempos do seu apogeu imperial”, nem à moderna versão fundamentalista e violenta dos inquisidores deste lado. Até porque os chinelos que matam as “imundas baratas” de um lado são completamente diferentes dos chinelos que matam as “imundas baratas” do outro lado. Hoje, de um dos lados, chamam-se aos chinelos bombas e mísseis, que esmagam sem dó nem piedade centenas de milhares de “infiéis” enquanto o diabo esfrega um olho, em nome de Deus, a quem chamam God. Do outro lado são as próprias entranhas cheias de explosivos que em nome de Deus, mas também da raiva, do ódio, da revolta e do desespero tentam fazer rebentar a sua própria impotência. E sempre Deus como problema! De um lado os “bons” em nome de Deus, do outro lado os “maus” em nome de Deus e vice-versa. No meio uma palavra que não se sabe a quem pertence ou a quem assenta melhor: “terrorismo”. Os modernos inquisidores, em estreita colaboração e comunicação com todas as hierarquias laicas e não laicas que se dizem emissárias de Deus, têm nomes laicos e vulgares, mas detêm todo o poder necessário para enfiar, de uma rajada, vinte mil mísseis sobre uma cidade de infiéis, em obediência às decisões de um moderno Santo Ofício sem rosto, não necessitando do aval de nada nem de ninguém que, legalmente e por internacional acordo, detém os poderes de decisão. O Direito Internacional e a soberania dos povos valem o que valem, podendo escalonar-se desde o sagrado ao material descartável, conforme as circunstâncias e as ocasiões. De nada vale lembrar que há um conjunto de valores que são absolutos, e portanto não podem ser relativizados, ou que há um núcleo ético que, a não ser preservado, faz descer o Homem à escala do monstro. (Continua).

(adao cruz)

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
Recent Comments