“Up – Altamente” e a ‘alma mater’ da Pixar

Estreou hoje em Portugal “Up – Altamente”, o novo filme da Pixar / Disney. Foi o primeiro filme de animação a abrir o Festival de Cinema de Cannes e só isso é um tremendo cartão de visita.

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Ainda não vi o filme, logo qualquer comentário ficará para mais tarde. Por agora registo apenas que a película custou 175 milhões de dólares e, até ver, já rendeu 367 milhões, faltando estrear em diversos países, fazer o mercado de vídeo e das exibições na televisão.

É claro que os números não significam qualidade mas, no caso da Pixar, há um grande equilibrio. Por tudo isto e muito mais, a Newsweek apontou John Lassiter como uma das 50 personalidade mais influentes do mundo, numa lista de Março. É a única figura do mundo do entretenimento nesta lista. Lassiter é a ‘alma mater’ da Pixar. Em “Up” foi apenas o produtor executivo mas as suas marcas estão em todos os filmes da insígnia.

A revista elogia-o como "o guru da animação da Pixar" e destaca que Lasseter continua a dominar as bilheteiras mesmo em tempo de crise. Atribui-lhe o feito de ter elevado os desenhos animados dos fins-de-semana de manhã, à categoria sem idade da animação.

O ano de 2008 foi muito bom para a Pixar, que tem tido muitos mais anos bons que maus. Com "WALL-E" e "Bolt" nomeados para a categoria de melhor filme nos Globos de Ouro e com a Associação de Críticos de Los Angeles a votar pela primeira vez um filme de animação ("WALL-E") como o melhor filme do ano, Lasseter tem fortes razões para sorrir.

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Nasceu na Califórnia e adorava desenhos animados. Adorava, não. Adora! Ao ponto de fazer deles a sua vida num emprego perfeito. E gosta de brinquedos, que colecciona, e de forma séria. Hoje é o director criativo tanto da Pixar quanto da Disney (que comprou a Pixar em 2006). "WALL-E" foi produzido pela Disney/Pixar e "Bolt" pela Disney.

A Pixar nasceu a sério com o seu "Toy Story" em 1995, embora tivesse sido formada alguns anos antes, em 1986, por Steve Jobs, o patrão da Apple, que comprou a divisão de animação digital da Lucas Film. Nove anos depois dessa aquisição, "Toy Story" era a primeira longa metragem e tornou-se o filme mais lucrativo do ano.

A "Newsweek" destaca que os filmes da Pixar fizeram, no total e em todo o mundo, 3,1 mil milhões de euros e é um dos gigantes de Hollywood, além de serem responsáveis por um conjunto de novas técnicas, usando sobretudo a animação 3D e CGI.

Em 2006, quando a empresa festejava 20 anos de vida, a Disney comprou-a por 5,2 mil milhões de euros. Todo o mundo do entretenimento, e sobretudo os fãs da animação, ficaram preocupados. Afinal, a Disney estava a anos luz da Pixar. Era um gigante, claro, mas não deixava de ser uma sombra do que tinha sido no século XX. Surgia como uma entidade demasiado antiquada, conservadora e pouco ou nada arrojada nas técnicas e nos argumentos.

John Lasseter não participava desses receios e, quando da estreia de "Ratatui", o primeiro filme a sair dos dois estúdios, lembrou que quando a fusão foi negociada, tudo foi pensado para proteger a Pixar, "porque tem uma cultura criativa única e não queríamos ver isso mudar. E não mudou, a Pixar está exactamente da mesma forma. O que mudou, e para melhor, foram os estúdios Disney". Desta forma, a Disney alterou o seu estilo de funcionamento, devolvendo a pasta das grandes opções aos artistas e retirando margem de manobra aos executivos. A gestão criativa regressava a quem nunca a devia ter perdido.

Hoje, o cinema da animação é poderoso e criativo. Graças à Pixar e às demais empresas que apostam no sector e criaram sucessos como "Shrek", da Dreamworks, "Ice Age", da BlueSky e da Fox. O cinema de animação é o único que de facto é para todo o público e isso ajuda ao sucesso destes produtos.

Super-Liga: uma selecção dos 3 grandes

O Aventar continua a analisar o plantel dos 3 Grandes do nosso futebol.
Desta vez a intenção é fazer duas equipas, com jogadores dos 3 clubes: uma equipa a jogar em 4-4-2 losango e uma outra a jogar em 4-3-3. A ideia é ver que equipa dará mais jogadores a estas duas selecções:

Na baliza da equipa 4-4-2 temos o Helton. Na direita o Maxi e à esquerda o Caneira. No meio teremos o Luisão e o Bruno Alves. O número seis será o Javi Garcia. Na direita entra o Ramirez, na esquerda o Rodriguez e na posição 10 o Aimar. Na frente o Cardozo e o Liedson.

Na equipa para o 4-3-3 teremos na baliza o Quim, na direita o Fucile e na esquerda o David Luiz. O Polga e o Rolando seriam os centrais. Na posição 6 colocaria o Raúl Meireles, na direita o Moutinho e na esquerda o Vukcevic. Os avançados seriam o Di Maria, o Hulk e o Saviola.

Será que teríamos um campeão com alguma destas equipas?
O BENFICA aparece com 10 jogadores.
O Porto com 7 craques e o Spoting com 5.
Também neste aspecto o Benfica parte mais forte.

Fátima: resultados da peregrinação dos emigrantes já são vísiveis

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“Isto não é o fim da crise, mas sim o princípio do fim da crise. Há ainda desafios a enfrentar, mas os dados evidenciam o sinal de inflexão, uma viragem na economia”, disse José Sócrates, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros.

A notícia é do Público, ainda não é do Osservatore Romano. Mas garantiram-me que o processo de beatificação de Sócrates está para breve.

O ex-Presidente de todos os socialistas

Com o título ” O dr. Sampaio e a Constituição” no Expresso de Sábado passado, o ex-presidente da comissão parlamentar da revisão constitucional, assina um artigo de enorme interesse.A ler urgentemente.

O Dr. Sampaio tomou duas decisões nos seus mandatos que sempre levantaram muitas dúvidas quanto à sua legitimidade.

Uma, enquanto Chefe Superior das Forças Armadas,impediu o envio de militares para o Iraque e outra, “por querer demitir o governo” dissolveu o parlamento.

Os poderes e funções do Presidente da República são os que vêm descritos na própria Constituição. Esta ,ao defini-los, limita-os.

Não há nada na Constituição que permita uma leitura que confira ao Presidente funções concretas de comando militar. Da mesma maneira, nada há na Constituição que legitime o Presidente da República dissolver a Assembleia da República por não gostar do governo!

Bem pelo contrário os legisladores quiseram, expressamente, evitar que tal viesse a acontecer. Isto é, o Presidente da República não pode recorrer às suas opiniões pessoais nem aos seus assessores. É ao legislador que o Presidente da República deve recorrer, em primeiro lugar, em caso de dúvida. Neste caso , a primeira fonte é sempre o que o legislador quiz dizer.

Príncipio geral é que o Dr. Sampaio não quiz aceitar! !

E, como não há mal que venha só,  levamos com este governo e com este Primeiro Ministro!

O plantel dos 3 grandes: os Avançados (3)

Depois dos defesas e dos médios chega o momento de analisar o plantel dos três grandes na perspectiva dos que jogam mais à frente – os avançados.

Tal como escrevi no post anterior, o Porto tem jogado com um sistema 4-3-3, enquanto o Benfica e o Sporting jogam num 4-4-2, com os médios em losango.

Assim, teremos 3 posições para analisar no Porto e duas nas outras duas equipas.
O BENFICA tem um conjunto de avançados muito forte – o Cardozo e o Saviola parecem ser os titulares, mas o Weldon e o Keirrison prometem ser boas alternativas.
Devo, a bem da minha condição de sócio do Benfica, incluir nesta parte o Nuno Gomes e o Mantorras. Este último é uma espécie de bobo da corte que anima o povo quando o povo está triste. Eu sei que parece um exagero, mas não vejo outra utilidade ao Mantorras – como profissional de futebol não deveria ter lugar no plantel do Benfica. O Nuno Gomes… é um avançado que nenhum Benfiquista simpatiza muito. Parece que joga, mas não marca… Parece que é médio, mas é avançado. Os portistas têm um especial carinho por ele – como eu os entendo – só tive pena que não tivesse vindo com um Sokota para o Porto: teriam sido uma dupla temível.

Se o Benfica parece bem servido, o Sporting tem, mais uma vez neste sector, um plantel muito escasso. Tem o Liedson que nos últimos anos marcou sempre muitos golos (17, 11, 15, 15, 25, 15). Com ele deverá fazer dupla o Caicedo que parece ser um avançado muito poderoso. As alternativas são muito fraquinhas: o Djaló será uma eterna promessa, na linha do Postiga que nunca foi o que prometia. O Sporting neste sector, mais fraco que o Benfica.

O Porto apresenta na frente de ataque um jogador fantástico: o Hulk. Apesar das montagens do Aventar, a verdade é que ele ainda continua no Porto e promete ser o “caso” deste campeonato. É o jogador de faz a diferença e se conseguir ser mais regular poderá levar o Porto ao Penta – por outro lado ficamos também com a sensação de que são mais os falhanços que os acertos, caso contrário já teria havido milhões para o levar, ou não? Com ele fará tripla o Rodriguez e o Varela, sendo que o Mariano e o Falcão podem entrar nestas contas.
O Falcão é um adiado argentino cuja folha de serviço regista apenas o interesse do Benfica nele – nos tempos que correm, isso faz dele um jogador bom para o Porto.
Se o Rodriguez e o Hulk fizerem o que está ao seu alcance penso que o Porto terá boas condições de voltar a ser campeão.

Em síntese, na linha avançada iria atribuir um 4 ao Porto e ao Benfica, dando um 3 ao Sporting.
Na defesa tinhamos esta pontuação: o Porto com 13,5 pontos, o Benfica com 12,5 e o Sporting com 10,5.
No meio-campo o Benfica com 10 pontos, o Porto com 6 e Sporting com 7.

Feitas as contas:
– Porto: 23,5
– Benfica: 26,5
– Sporting: 20,5

Voltarei com um outro ângulo de análise – que jogadores queria de cada uma das três equipas… Para um plantel campeão.

Os Sabichões das dúzias

Vejam como estes senhores merecem os milionários salários que auferem.

Em 12/6/2006

O Lehman Brothers tem fôlego e equilibrio para ajudar os clientes num mercado de mudança.Ex-presidentedo banco.

Em  Março de 2008

Estamos confiantes no modelo de negócio e mantemos objectivos de crescimento ambiciosos para os anos próximos. ex-presidente do BPP

Em 28 de janeiro de 2008

No BPN não há nenhuma situação escondida. ex-presidente do banco

Em 17 de Março de 2008

Esperamos que o Lehmans Brothers continue a obter níveis aceitáveis de lucros trimestrais. Moody`s agência de notação financeira

Em 12 de Out de 2007

A situação tem vindo a normalizar-se em vários mercados.Governador do BdP

Em 17 de Out de 2007

A tempestada já passou… a lição não deve ser ignorada.Ministro das Finanças

Após a borrasca

Demasiadas mentiras,demasiada especulação e demasiado dinheiro a circular, que nunca teve tradução em riqueza dinheiro. José Reis Prof.economia Univ. Coimbra

Cometeram-se exageros, erros de palmatória, alguns grosseiros.Houve uma fé cega nos modelos económicos e pessoas que se aproveitaram.João Duque,Prof.Finanças ISEG

A febre especulativa em activos sub-prime foi um elefante numa sala: e ninguem viu.Nassim Taleb Ex-corrector

Esta crise veio provocar uma deterioração massiva nos déficites orçamentais e ainda mais na divida pública.Alguns desses déficites são francamnte insutentáveis.Julian Callow ex-economista chefe no Barclays

Como dizem os Ingleses “isto de prever antes é muito dificil” !

Mas a maioria estava pura e simplesmente a mentir e a sacar, e lá na minha aldeia há um provérbio que se aplica muito melhor que o dos ingleses. “a burro que está a comer não se lhe deve mexer na barriga”

First Aid Kit:

Nos últimos meses, para não dizer anos, raramento fico a conhecer uma banda interessante através da imprensa. Não nego que o novo i me costuma surpreender pelas suas escolhas na crítica de música. Não tanto pela novidade mas antes pela qualidade. Nos últimos meses dou por mim a sorrir ao ver algumas escolhas que, certamente por coincidência, coincidem com aquelas que tenho apresentado no Aventar semanas ou mesmo dias antes.

Porém, desta vez, foi através do i que cheguei a este duo sueco, Klara e Johanna Söderberg e o projecto “Firs Aid Kit”. Muito, muito bom. Agora partilho convosco e agradeço ao i – o primeiro semanário diário e que se está a tornar a minha leitura de imprensa diária obrigatória.

O plantel dos 3 Grandes (2): os médios

Depois da análise aos que defendem, avanço para os do meio, os que não são nem carne, nem peixe. Aqui a análise complica porque as equipas jogam com esquemas diferentes e as posições são diferentes… mas aqui fica uma análise possível.
O Sporting e o Benfica jogam com 4 médios, em losango. O Porto joga com 3. Nos de Lisboa, 3 dos médios deverão também ser fortemente ofensivos. Um dos 3 do Porto também.
O antigo trinco, hoje o 6, do tipo box-to-box, pode ir do trauliteiro Petit ou Paulinho Santos ou Oceano… até ao Makekeke, por exemplo. O Porto apresenta o Fernando e a alternativa é desconhecida, sendo que o Meireles pode dar aí uma perninha. No Benfica há um internacional espanhol que quer mostrar serviço, mas ainda não convenceu – faltoso e perde muitas bolas. No Sporting teremos o Roca e em alternativa o Veloso. Não me parece que esteja aqui grande diferença entre as 3 equipas e ambas (as 3 eeheh) mal servidas. Nota 2 para todos. Se o Raúl Meireles se tornar um realmente box-to-box então, aí sim, teremos um grande jogador.
Os médios alas no esquema 4-3-3 terão que ser mais defensivos, enquanto no 4-4-2 poderão ser mais de cobertura ou não… Com o Paulo Bento os médias ala (posição 7 e 8 ) terão que ser posicionais – ele vai jogar com o Moutinho e o Veloso.

Com Jesus, o Di Maria e o Ramirez são muito extremos e pouco posicionais. Ou seja, o que parece ser uma táctica igual tem estratégias completamente diferentes.
Numa equipa que quer ganhar penso que faz mais sentido a opção de Jesus do que a do Paulo Bento. De igual modo penso que o Mountinho joga melhor no meio, a 10, do que nas linhas.
Nas alas as alternativas no Benfica serão escassas, mas não me parece que nos clubes rivais também possa haver mais opções.
Voltando ao Porto, depois do Fernando temos o Raúl Meireles e o Belluci. O Raúl transforma-se a cada dia que passa num enorme jogador e não tem igual no plantel dos 3 grandes.

O Belluci ou cresce…ou desaparece. É dos que encanta as bancadas e irrita o mister.
A posição 10, no Porto o Belluci, no Sporting o Matias e no Benfica o Aimar: creio que o Benfica leva vantagem porque tem o jogador mais experiente, mais adaptado e de maior qualidade.

As segundas linhas: no Sporting não existem. No Benfica temos o Carlos Martins. No Porto?
Assim, diria que na posição 6 temos nota 2 para todos. O Benfica é mais forte nas alas – nota 4 para as opções Di-Maria e Ramirez e nota 2 para o Sporting. Nota 4 para o Aimar e o Raúl Meireles e 3 para o Matias. No meio-campo o Benfica está mais forte do que a concorrência – 10 pontos. Porto com 6 e Sporting com 7.

MEUS CATOS AMIGOS DO AVENTAR

Foi um prazer ter estado convosco. Ler-vos e fazer-vos ler aquilo que, porventura, não gostariam de ler.Vou uns dias de férias. Até breve e obrigado por tudo o que me ensinaram.

Honduras: situação agrava-se

Do poeta hondurenho Fabricio Estrada, acabo de receber esta informação:

Fuertes enfrentamientos en los alrededores del Congreso Nacional en TGU. Se reporta el casi linchamiento del Vice-Presidente del Congreso y ataque generalizado de la policía. Esto en el marco de indignación por el intento de implementar el servicio militar obligatorio y las jornadas de protestas del día.

1:43 pm

Recibo una llamada de un amigo. Él está viendo canal 36 que transmite desde el Congreso Nacional. Mientras me va diciendo lo que ocurre pienso en los Alpes suizos, en los fiordos noruegos y en la neblina de Cartago, Costa Rica ¿y ese alejamiento de dónde proviene? -me preguntarán. Yo me interrogo sobre lo que el amigo me cuenta: EL CONGRESO NACIONAL ESTÁ EN ESTOS MOMENTOS SUBIENDO A DICTÁMEN LA POSIBILIDAD DE IMPLANTAR DE NUEVO EL SERVICIO MILITAR OBLIGATORIO, ES DECIR, EL RECLUTAMIENTO FORZOSO.

Si tomamos en cuenta que la Resistencia se nutre con un elevado número de jóvenes en edad militar (universitarios, estudiantes de media) lo que aquí se está fraguando es una cacería peor a la ocurrida en los ochentas.

Los disturbios de ayer han debido accionarles el resorte más vil. Los infiltrados que aparecieron dando rienda suelta al incendio de comidas rápidas lograron entonces su objetivo. Sin embargo, de concretarse esta amenaza, lo que veo por delante es una abierta guerra civil ya que ni uno solo de estos jóvenes amenazados querrá hacer un entrenançmiento contra su voluntad y, al contrario de lo que los militares buscan, estarían obligándolos a tomar las armas populares.

Sigo viendo los fiordos y las neblinas. Veo a los reclutas noruegos y suizos, a los ticos irredentamente antimilitares…

Em Portugal conhecemos bem este serviço militar obrigatório. Foi a arma usada contra os estudantes, principalmente em Coimbra, vai para 40 anos, chamava-se mobilização compulsiva. Os métodos desta gente são universais e intemporais. Não mudam.

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (10)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (10)

A ciência, a eufemística boa fada da humanidade, criada para apoio dos fracos, passou a suporte dos poderosos com todo o seu potencial tremendo, fazendo depender do seu “comprovado bom-senso” o uso construtivo ou derrubante da vida humana. Mas o perigo não está na ciência. Está no Homem e na mão que a faz progredir ou perverter. A prostituição da ciência perante os apetites do poder e dos poderes, e dentro da ciência, a prostituição da sua filha mais dilecta, mais séria e mais virgem, a ciência médica, são os mais fortes agonistas da degradação do nosso estatuto.
Enquanto os médicos, sobretudo os médicos preocupados, como aqueles que tiveram a gentileza de me enviar o tal texto para reflexão, médicos creditados e com poderosa opinião dentro da classe médica, não reconhecerem a necessidade destas denúncias e as não considerarem como o “primum movens” no desmantelamento do ”status quo”, volto a dizer, não se vai a lado nenhum. De nada servem palavras formais e enformadas, inertes, paralíticas, nascidas da adaptação e conformismo, despidas da inquietação e do revolver da inteligência, do pensamento, do questionamento e da consciência. Ninguém como o médico tem tanta obrigação de dimensionar a existência à escala da vida, a vida à escala da saúde, a saúde à escala da Justiça, a Justiça à escala do mundo.
Em tudo o que disse, eu não pretendo o consenso. Seria doloroso se tal acontecesse. Apelo somente ao remexer do que em nós existe de sério, ao soprar do pó que cobre as nossas consciências e ao desenraizar das nossas hipocrisias. Sem esta utopia – “A utopia é a injúria ordinária que os medíocres atiram a todos os ideais”- o médico começa a tornar-se permeável ao irracional.
A visão universal da finalidade do Homem, visão muito especial por parte do Médico, aponta para o núcleo activo das interacções multifactoriais da existência, o qual exige a presença de uma política humana que torne possível uma ciência humana, base indispensável do verdadeiro progresso e de uma vida sã. (Conclusão).

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DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (13)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (13)

Quem pode chamar Pai, Pai poderoso, a um Deus que permite a entrada de milhões de pessoas, seus filhos, nas câmaras de gás, e não desliga a máquina? Deus estava lá…porque Deus está em toda a parte! Deus dissera: deixem vir a mim os pequeninos. Que graça! Só se forem os meninos ricos, porque os pobres, os perseguidos, os marginais, os das barracas, os famintos, os esfarrapados não têm lugar no amplexo divino. Morreram e morrem milhões de crianças às mãos da fome e da violência, e Deus atafulha as mesas dos que não têm fome e carrega as armas dos que vivem atrás das muralhas e nada têm a recear, a não ser a força da justiça! Não poderia o tal Deus ter dado uma mãozinha aos milhões dos sem-terra do Brasil e aos famintos índios de Chiapas, em vez da opressão, ameaças, sequestros e assassínios perpetrados pela burguesia inatingível? Que pensará esse Deus, gostava eu de saber, ao ver milhões de africanos, afegãos, iraquianos e outros escorraçados da vida nas terras crucificadas, morrer ao peso das bombas e nos braços da fome, ouvindo arrotar de indigestão os abutres que os sugam até ao tutano? Sem forças para erguer os olhos, querem lá eles saber do prolongamento da vida para além da morte, querem lá eles saber do céu e do prémio que os espera?! As guerras multiplicam-se como moscas e fazem correr rios de sangue…sempre…sempre ao sabor dos que mais rezam a Deus! Milhares de mortos, despedaçados, estropiados, violentados, enquanto o mandante bate no peito e reza a Deus, e a Igreja o borrifa de água benta. Terá sido Deus a dar a inteligência, a força e a cultura às grandes potências para terem o desplante de classificar o mundo em primeiro, segundo e terceiro, a fim de melhor escalonarem e planificarem a sua voracidade e rapina? Provavelmente foi, porque as grandes potências abarrotam de igrejas. (Continua).

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Coisas do Diabo – O Sócrates é um esquerdalho…

Diz o Presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas:

“Desde que Sócrates tomou posse, 60 mil empresários em nome individual encerraram a actividade, 40 mil micro-empresários e sociedades unipessoais saíram do mercado, 10 mil pequenos empresários declararam cessaçao de actividade e, destes,7 mil dissolveram notarialmente as sociedades comerciais. Ao todo perdemos nos últimos anos mais de 200 mil empresas.”

Este é o mesmo Sócrates que mete milhões em bancos falidos criminosamente, que se envolve no controle accionista de empresas (OPA da SONAE à PT, no BCP ou na tentativa de controle da TVI pela PT), que tem como objectivo nacional o TGV, o aeroporto e as autoestradas em triplicado, os contratos sem concurso público com a LISCONT da MOTTA/ENGIL do seu anigo Jorge Coelho.

Que fez deste país o mais injusto da UE com o leque mais alargado de vencimentos ( de 1 para 8 enquanto na UE anda à volta de 1 para 6) , em que as pensões são as mais baixas, o vencimento mínimo é um dos mais baixos e o desemprego um dos mais altos (9.3%). Em que pessoas no desemprego sem qualquer apoio são cada vez mais, como se diz em texto aqui em baixo, e muito bem.

Anda este homem a explicar o que é ser de esquerda. Se olhasse para o que fez nos últimos quatro anos ficaria a saber “o que não é ser de esquerda”

O que dói é que com as mesmas políticas um político de direita teria feito muito melhor!

A ARTE (2)

A ARTE (2)

Assim sendo, e valendo-nos dos nossos conceitos mais simples, sem grandes filosofias, convido-vos a pensar que a Arte ou o sentimento artístico é, pelo menos parcialmente, a descoisificação das coisas. Um escultor, perante um bloco de pedra que é uma coisa, tenta trabalhar essa coisa de modo a que ela vá perdendo a sua natureza de coisa e vá ganhando progressivamente a natureza de ideia, ideia criadora de uma estrutura pertencente à área da mente. Acabada a escultura, a pedra deixa de existir, mantendo-se apenas como matriz anónima da ideia e do pensamento. O mesmo se pode dizer da pintura. A tela, os pincéis, as tintas são coisas que vão perdendo a sua natureza de coisas, à medida que as coisas trabalhadas se vão transformando em imagens e em vivências, cada vez mais afastadas de apontamentos biográficos e registos, sempre no caminho de uma utopia de liberdade. A cor não deve ser vista como tinta relacionada com as coisas mas deve ser sentida como substância do espaço pictórico. O conceito de que a Arte é a contemplação das relações formais, há muito que perdeu o sentido. Talvez deva ser substituído pela ideia de que uma boa forma não se nota. Um bom perfume é sentido como parte da personalidade de uma mulher e não como um cheiro. A Arte de um decorador não está em chamar a atenção sobre si mesma, mas em dar ao espaço uma sensação de conforto e bem-estar. No entanto, a forma está lá, espontânea, pessoal, inseparável das emoções e dos sentimentos. A Arte é um produto de ideias mas também um veículo de ideias. Quando deixa de ser transparente como veículo de ideias, quando não é mais do que configurações, cores e sons, transforma-se numa técnica de entretenimento superficial dos sentidos. Quando se diz apenas produto de ideias, menosprezando o poder de relação, confina-se ao processo neuronal que a gerou e que pode ser relativamente pobre. A Arte é aquilo que vive atrás da aparência das coisas. Para que a obra adquira grandeza, os processos formais devem ser ofuscados pelo seu próprio efeito. Só assim se compreende, dentro de um espírito artístico não radicalista, não equacionista, não academicista, que entendamos o Impressionismo, o Expressionismo, o Cubismo, o surrealismo, o Abstraccionismo e a Arte Contemporânea em todas as suas expressões e tendências actuais, como processos de ofuscação das formas pelo seu próprio efeito. A Arte é sempre uma prática de meditação, uma tomada de consciência, a livre expansão de nós mesmos, inteligência viva, diálogo e libertação das forças vitais dentro de uma disciplina ética. Dito de outra maneira, a Arte é sempre impacto, desconcerto de espírito e agente de transcendência das formas físicas e de mudança das formas de ver e pensar. (Continua).

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(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Pode haver muitos jardins
Plantados em Portugal
Não confundas S. João
As flores com vil metal.

E quem não vê caras pode ver corações?

Por volta dos meus 14 ou 15 anos, vivi um curto período de campeã de concursos radiofónicos. Com o beneplácito e a colaboração da minha mãe, que deve ter achado que melhor isso do que meter-me nas drogas, fartava-me de ligar para tudo quanto era concurso de rádio e em poucos meses amealhei dezenas de prémios, nenhum deles de grande valor monetário, mas todos muito bem-vindos. É justo dizer que nenhuma dessas vitórias teria sido possível sem a introdução em nossa casa de um telefone de teclas, supra-sumo da evolução tecnológica nesse início da década de 1990, e sem as enciclopédias que o meu pai comprara nas Selecções do Reader’s Digest, e nas quais eu encontrava num ápice resposta a questões como “quem inventou o nónio?” ou “que rio banha Praga?”. E assim, em poucos meses, a minha mãe – que se juntava a mim aos fins-de-semana – e eu ganhámos óculos de sol, bilhetes para espectáculos, vinis, CDs, tortas de noz e bolos-rei, e muitas outras coisas de que já não me lembro. Por essa altura eu não tinha locutores favoritos (viria a ter, anos depois, o Aurélio Gomes), mas a minha mãe apreciava em particular o galã radiofónico de uma estação do Porto, que falava com voz de cama, e a quem ligavam algumas senhoras que, entre sussurros melosos, confidenciavam que estavam a ligar da banheira, num banho de imersão com pétalas de rosa, e coisas semelhantes. Um dia ganhámos um concurso promovido pelo dito senhor, e tocou-me ir levantar o prémio. O meu pai, que nessa tarde estava livre, acompanhou-me e a minha mãe, que tinha de trabalhar, roeu-se de inveja mas fez de conta que tanto lhe fazia.

Fomos recebidos por um matulão de cento e tantos quilos, vestido com uns calções de explorador, com umas unhacas a sair das sandálias, e que para meu espanto tinha a mesma voz do locutor sexy. A primeira coisa que me ocorreu é que se trataria de uma partida, um estranho ventriloquismo que faziam para troçar com os ouvintes ingénuos. Não era, claro. Era mesmo ele. Se as senhoritas da banheira o pudessem ver, meteriam a cabeça na água e deixar-se-iam afogar. Felizmente o meu pai, deliciado com a descoberta, estabeleceu a conversa diplomática que havia que estabelecer, já que eu fiquei muda, assombrada pela voz que saía daquela cabeça à qual era claro que não podia pertencer. Nesse dia desisti dos concursos de rádio. E prometi que nunca mais quereria conhecer qualquer pessoa a quem eu tivesse imaginado antes, intuindo já por essa altura que esse encontro estaria condenado ao desencanto. Claro que viria a quebrar essa promessa anos depois, mas isso é outra história. Vem isto a propósito de eu ter visto aqui há dias, no Facebook, a fotografia do nosso Adalberto Mar, enfant terrible do Aventar, perpetuamente do contra, ágil a deitar abaixo qualquer uma das nossas paixões musicais, literárias, cinematográficas, desportivas, arquitectónicas, digam vocês (isto em português não soa tão bem quanto “you name it”, verdade?) e que tem um ar tão cândido e de boa pessoa que eu até pensei que devia haver engano. Onde estão o bigode mefistofélico, os cabelos revoltos de endemoninhado, o olhar incendiado pela indignação, a turbulência que o faz GRITAR-NOS com o Caps Lock ligado? Como é possível que a foto que nos surge seja a de um simpático moço em passeio pelas ruas de Aveiro? Isto de partilhar um projecto com alguém a quem não se conhece o rosto ou sequer a voz espicaça a imaginação e faz-nos hesitar entre o desejo e o receio de chegar mais perto. Claro que os outros também são aquilo que pensámos deles, o que avaliámos de acordo com experiências passadas e às quais eles muitas vezes são alheios, o que imaginámos e interpretamos, o que intuímos e inferimos, e julgamos com ou sem justiça. Mas essa também é a graça de nos relacionarmos com aqueles cujo rosto não conhecemos, não é?

Tretacampeão

Fugiu-lhe a tecla prá verdade:

TRETAcampeão

Em mais detalhe…

O campeão da TRETA ehehe

O campeão da TRETA ehehe

Até o JN.

Treta campeão... até o JN

SLB papado, ou melhor, hackado

SLB-HACkado

O link é este (aproveitem que estas coisas não duram a tarde toda). A “notícia” é esmagadora. A demissão de Pinto da Costa é já a seguir.

Recibos verdes… ou maduros

recibo verde

Já é novidade para ninguém que os Recibos Verdes são uma autêntica “praga” na sociedade portuguesa.

Infelizmente eu sei bem do que se trata.

Mas mais importante do que falar no passado, devemos falar da polémica que hoje estalou no nosso País.

Segundo as notícias hoje dadas a conhecer, o Estado, através dos Serviços de Finanças, está a recusar pagar o IVA do ano passado.

Tal situação deve-se ao facto das empresas a quem foram passados os referidos documentos estão em vias de encerramento.

Penso que é mais uma situação injusta que é necessário remendar.

Ainda estamos muito longe

Stu Conta-nos o Diário Iol que o presidente da autarquia de Silverton, no Oregon (EUA), Stu Rasmussen, foi repreendido por três dos quatro vereadores por usar aquilo que consideraram ser um vestido muito curto. O autarca argumentou que os 33 graus que se faziam sentir justificavam a escolha da indumentária e que seria de esperar que se desse mais importância ao trabalho da autarquia. Rasmussen foi o primeiro transexual a ser eleito como presidente de câmara nos EUA.

Não me digam que estão surpreendidos?

O número de desempregados sem qualquer subsídio de desemprego está a crescer ao dobro da subida do desemprego, adianta o Público.

A Voz do Dono…

A colocação de A. Preto nas listas do PSD de Lisboa

O povo das Honduras aos golpistas: têm-nos medo porque não temos medo

Têm-nos medo porque não temos medo

Nas Honduras não aconteceu nada, só um golpe de estado sem importância

O plantel dos 3 Grandes

Car@ leitor,
se me permite vou tomar a liberdade de dar uma de entendido na bola e procurar perceber o que pode acontecer no campeonato de futebol deste ano. Reconheço, claro, que uma das intenções do post é chatear o Dalby.
E o primeiro ângulo de análise será o dos jogadores, por posição, porque, em última análise, são eles que ganham os jogos.

Na baliza o Porto tem o Helton e o Beto. O Benfica o Quim, o Moreira e o Júlio César. O Sporting tem o Rui Patrício.
Creio que a primeira opção em cada um deles não deixa ninguém em grande vantagem, mas considero que o Rui é o menos competente dos 3 titulares (Helton e Quim). Em termos de segunda opção o Sporting está claramente mais fraco e por isso daria nota 3 ao Porto e ao Benfica. Nota 2 ao Sporting.

A defesa das três equipas tem 4 homens. Na ala direita o Porto deverá apresentar o Fucile, o Benfica o Maxi e o Sporting o Pedro ou o Abel.
Penso que o Fucile e o Maxi estão ao mesmo nível e claramente acima de qualquer uma das opções verdes – o Pedro Silva é de luas e o Abel é muito fraquinho: defende mal, não ataca e a bancada é o destino dos cruzamentos. A segunda opção do Porto – Miguel Lopes – é melhor que a do Benfica (inexistente porque falta ver quem se vai adaptar e como…). Nota 3,5 para o Porto, 3 para o Benfica e 2 para o Sporting.
Do lado esquerdo o Benfica apresenta uma novidade argentina, Shaffer, que defende mal e ataca bem – quem o conhece diz que é jogador. Não vi o Álvaro Pereira do Porto jogar. Pelo que li tem estado bem. A alternativa no Porto será o Fucile e no Benfica o David Luiz. No Sporting temos o Caneira e o Grimi. Diria que o Caneira não compromete e face ao desconhecimento que tenho das novidades da concorrência, daria um 3,5 ao Sporting e um 3 aos rivais.

No centro da defesa temos uma luta renhida:

– Porto: Bruno Alves e Rolando. Suplentes serão o Maicon e o Nuno Coelho.
– Sporting: Carriço e Polga. Tonel, Caneira e André Marques.
– Benfica: Luisão e David Luiz, Sidnei e Miguel Vitor.

O Bruno Alves, com os árbitro Portugueses tem uma capacidade acima de todos os outros. É mais rápido, mais agressivo e mais forte no jogo ofensivo. As alternativas no Porto parecem-me menos fortes do que os titulares. 8 golos foi o que conseguiram marcar o Bruno e o Rolando na época passada.
No Benfica, ficando Luisão, falta saber quem joga com ele: David Luiz ou Sidnei. O Miguel Vitor será a última escolha. Luisão marcou 2, David outros 2 e Sidnei 3. Claramente menos ofensivos quando comparados com o Bruno Alves. No Sporting, apenas o Tonel marcou um golo.
Em síntese, o Porto tem uma dupla inicial mais forte, mas menos banco que o Benfica. Uma vez mais, o Sporting fica atrás. 4 para o Porto, 3,5 para o Benfica e 3 para o Sporting.

O meio-campo e os avançados deixo para os dois posts seguintes. Até ao momento, temos o Porto com 13,5 pontos, o Benfica com 12,5 e o Sporting com 10,5.

Se for verdade que os campeonatos se ganham na defesa, o Porto parte em vantagem.

Decotes

Nós-temos-mais-para-oferecer

Vera Lengsfeld é uma conservadora alemã, do partido de Angela Merkel, que tenta a sua eleição para o Bundestag num círculo eleitoral dominado pela esquerda. Vai daí inventou este cartaz, onde aos generosos decotes, seu e da sua líder, sobrepõe a frase “Nós temos mais para oferecer”.

Isto é que é falar verdade, acho eu, mas não, de maneira nenhuma, não vou sugerir, nem pensem nisso, ia agora propor, bolas, a sr. Ferreira Leite não precisa destas coisas para dar nas vistas, aliás quer dar nas vistas não dando nas vistas, pois, eu não disse nada disso, caraças, nem sequer insinuei. Já disse que nem tal coisa me passou pela cabeça.

Bolas, não digo mais nada.

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (10)

AS QUESTÓES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (9)

Pensamos que o exemplo da linguagem e da comunicação é um bom exemplo de análise na reflexão sobre as sementes da dignidade do médico e da relação médico-doente. Tudo é explicável ao doente. Por exemplo, complicados conceitos actuais de estabilidade ou instabilidade, inflamação e rotura de uma placa ateromatosa, angina de peito estável ou instável, a complexa estrutura de uma cardiomiopatia hipertrófica, a dimensão e a projecção sistémica de uma hipertensão, são facilmente entendíveis por qualquer pessoa, se soubermos usar uma linguagem que se adapte à sua compreensão. O que acontece é que muitos de nós não sabem falar, não sabem escrever, não querem perder tempo, ou acham que o paciente não merece tal atenção. Isto é tão real que eu próprio recebo, por vezes, cartas de colegas que me enviam doentes ou me pedem opiniões, com uma composição literária que pouco ou nada difere das cartas de pessoas com a quarta classe. Não pensemos que este fenómeno é de somenos importância. A comunicação, a arte de se fazer ouvir e entender são fundamentais em tudo e indiscutivelmente fundamentais na nossa profissão e no elevado conceito da relação médico-doente. Aquando de um congresso na Corunha, foi-me oferecido um livro intitulado “El artículo científico en Biomedicina”, da autoria do Dr. Hernandez Vaquero, professor de traumatologia e ortopedia na Faculdade de Medicina de Oviedo, grande investigador, galardoado com vários prémios. Ao iniciar a leitura do livro, deparei com um capítulo que tratava de “La escritura del artículo científico” e de “Los errores e horrores del lenguage”. Aí ele diz que a linguagem é de fundamental importância, e que o conhecimento das suas regras é dever do médico e do investigador. Reconhecendo que a clareza deve tomar o lugar da retórica e do hermetismo, ele denuncia o pouco valor dado pelos autores e editores à escrita e à comunicação. Quem fala ou escreve mal não pode ter investigado bem. A exigência de qualidade não é uma questão parcelar. Que crédito se pode dar a um artigo que li há algum tempo, da autoria de uma pessoa com elevado grau académico, cheio de “calinadas” do princípio ao fim? Que confiança pode incutir uma revista médica cujos artigos se encontram cheios de erros? Que credibilidade científica pode transmitir um médico que faz uma comunicação ou uma palestra sem saber falar nem comunicar? Como pode um médico fazer-se acreditar perante um doente que todo se arrepia ao ouvir atropelos e dislates? A corrupção da língua e do pensamento, a negação intencional da expressão e do arranjo linguístico como factor importante da nossa própria estrutura, são parte integrante da mediocridade, fermento da confusão entre inteligência e indigência, humildade e petulância, formação e deformação, rigor e confusão, seriedade e manigância. (Continua).

                  (adão cruz)

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Dead Can Dance: The carnival is over

Dead Can Dance: The carnival is over, realização de Ondrej Rudavsky.


Além de ser um excelente vídeo de uma canção que muito prezo, tem uma história youtubesca bastante interessante: depois de ali ter sido colocado a primeira vez, foi vítima de uma queixa da Warner Music Group, distribuidora da 4AD, a editora dos DCD, e retirado. Quem tinha feito o upload não se conformou: achava, e bem, que a divulgação do vídeo servia para dar a conhecer os artistas, e como tal escreveu a Brendan Perr, músico dos DCD, que autorizou a sua republicação.

A música é de quem a faz, não é de quem a distribui. E a Warner que vá distribuir para o raio que a parta.


CARTA ABERTA A BARAK OBAMA (2)

CARTA ABERTA A BARAK OBAMA (2)

Meu caro amigo Barak Obama (e uso a palavra amigo com sinceridade), eu sou um gajo sério e não tenho maldade, pode crer. Por isso lamento a dor de cabeça que esta carta lhe vai dar ao chegar-lhe às mãos, não fisicamente, como é óbvio, mas, porque você é um homem inteligente e não o bronco do seu antecessor, ela já está há muito dentro de si. Nada preciso lembrar-lhe, pois tudo conhece melhor do que eu. Mesmo assim, gostaria de lhe dizer o seguinte:
A política externa do seu país, o domínio e o endeusamento da força, a incapacidade do respeito pelos outros, a arrogância, a prepotência, a ignorância e a incultura de muitos que a conduzem, a mentalidade das figuras que a comandam, a genética sede de rapina fazem dela um mal para a humanidade. Só assim se compreendem as atrocidades divulgadas, as mais cruéis manifestações da perversão do ser humano, que muito provavelmente não são de agora, que são de todos os tempos, que não tiveram lugar apenas no Iraque e que são do crónico conhecimento dos principais mandantes. Mandantes que as definem e as impõem, como muito bem denunciaram as revistas New Yorker, a Stern e a Newsweek. Dizem ainda que Rumsfeld aprovou um plano altamente secreto que autorizava e impunha novos e específicos métodos torcionários. Dizem ainda que a Secretária da Defesa dos EU autorizou, com o aval do Pentágono, o uso da tortura. Como se eu e os que temos dois olhos na testa, não o soubéssemos de há muito! Ao virem a lume tais expressões da mais abominável baixeza humana, é fácil a pessoas sem quaisquer princípios de ética, de moral e de justiça, sacudirem a água do capote, mentirem descaradamente e atirarem as culpas para cima de meia dúzia de mentecaptos e energúmenos.
Não sou eu quem acredita que tais actos bárbaros e selvagens são fenómenos isolados e pontuais. A história está repleta de exemplos. São inúmeras as notícias e os trabalhos jornalísticos que sempre o mostraram. Pelo contrário, penso que é ignorância, má-fé ou ingenuidade não acreditar que sempre foram a prática sistemática do exército americano e da CIA, em qualquer parte do mundo onde quase sempre entraram pela força. Penso que eles são e sempre foram a prática e a norma. Por saber isso, meu caro amigo Obama, eu louvo a sua atenção para corrigir esta América, a que se diz defensora dos direitos humanos e cria o mais vergonhoso campo de concentração do nosso tempo. Por alguma razão Bush se recusou a submeter os soldados americanos á jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Era o que faltava! Ele sabia bem as linhas com que a América se cose. Quem não deve não teme, diz o ditado, mas ele sabia bem o que devia e sabia bem as consequências trágicas de uma submissão desse tipo. Se eles se deixassem julgar e se o Tribunal Penal Internacional merecesse algum crédito, não faltariam cadeias repletas de americanos, criminosos de guerra. Choca saber que uma boa parte do povo americano, a tal que apoia esta América, não ficou particularmente chocada com as imagens das atrocidades. Ficou chocada, isso sim, com a sua divulgação, por colocar a descoberto a histórica hipocrisia deste país.
Amigo Obama, não deixe que a humanidade esqueça a lágrima de alegria que se fez mar de esperança, ao sonhar que o SENHOR Barak Obama era o homem que haveria de transformar uma nação grande e nada recomendável numa Grande Nação que fosse exemplo para o mundo. (Continua).

                       (adão cruz)

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A ARTE (1)

A ARTE (1)

Ars, em latim, significa técnica ou habilidade, e seria o processo através do qual o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades. Mas esta definição, apesar de pretender ser abrangente, não satisfaz. Aliás, a Arte não tem definição que nos satisfaça. Por outro lado, tenho muito receio de que as definições nos imobilizem. Todos os que tentaram definir a Arte, através dos séculos, de forma mais superficial ou mais profunda, deixaram sempre, felizmente ou infelizmente, uma falha sináptica no padrão neural da nossa compreensão. O puzzle poderia ser aparentemente perfeito mas havia sempre umas peças estranhas que não encaixavam. Penso que nunca se saberá verdadeiramente o que é a Arte. Talvez a neurobiologia nos dê, mais tarde ou mais cedo, quando a biologia do espírito for uma ciência incontestada, uma aceitável definição, pelo menos de carácter neurofisiológico. Mas tudo isto não deve impedir-nos de pensar e de transmitir a nossa opinião sobre a natureza da Arte. Faço aqui um parêntesis para dizer que gostaria de usar em vez da palavra Arte, a designação de sentimento artístico. A palavra Arte é capaz de remeter para um certo elitismo, criando a ideia de que ela é propriedade do artista e de mais ninguém, enquanto a designação de sentimento artístico permite considerar que este mesmo sentimento existe no observador, e pode ser mais forte e profundo naquele que contempla do que naquele que produz. O sentimento artístico tem uma certa parecença com o místico. É um sentimento quase indefinível, é um estado de hipersensibilidade, um desejo de experimentar ser-se de outra maneira, uma necessidade de sair do não autêntico, um quase sentir a verdade total e o amor universal.
Desde as expressões artísticas anteriores ao século XX, passando por todas as correntes artísticas do século XX anteriores à Segunda Guerra Mundial, até aos movimentos artísticos contemporâneos, todas as intervenções procuram apoderar-se e assenhorear-se da Arte como sua definitiva herança ou conquista final. Dentro da Arte moderna, quer tenha sido no Realismo, no Impressionismo, no Simbolismo, no Expressionismo, no Abstraccionismo, no Surrealismo e outras, qualquer artista, abraçando uma qualquer destas formas de expressão, ter-se-á sentido, porventura, na recta final do caminho da arte. O mesmo se dá na Arte Contemporânea, em qualquer dos seus ramos, Pop Art, Minimalismo, Arte conceptual, Performances, Instalações e outras. Muito pequeno sentimento artístico revela quem assim pensa ou quem assim se comporta, desconhecendo que a Arte, como sentimento, é universal, intemporal e transversal ao longo dos séculos. É o mesmo que pensar que a ciência, a despeito da actual magnitude da ciência da evidência, não foi sempre ciência e sempre mãe do conhecimento e do desenvolvimento. A Arte Conceptual, por exemplo, pode usar meios e materiais não directamente relacionados com as artes plásticas, como o vídeo, projectores de slides, fotografia, mas não pode pôr em causa o conceito de Arte, insistindo que é na imaginação, no idealismo, na ideia geradora, no conceito, que a Arte prevalece, de forma exclusiva, sendo a execução apenas um fenómeno dela decorrente. Apesar de eu considerar, como veremos adiante, que a morada da Arte está na ideia e na mente, chegar ao exagero de aceitar a obra como um sub-produto acidental do salto imaginário, é uma forma redutora. Muito provavelmente continuará sempre a haver em qualquer ideia e em qualquer expressão concreta um elemento surpresa, uma originalidade ou um golpe de génio que revolva outras ideias e outros pensamentos. Uma simples mudança de cor ou de forma pode exprimir imediatamente estados emocionais completamente diferentes. A Arte é muito pouco analítica e programável. Por outro lado, dentro da Arte Conceptual e em nome da independência do artista e da sobrevalorização da exclusividade da ideia, proliferam excessos e banalidades, por vezes premiados e aplaudidos como processos de rebeldia e que não passam de frivolidades ao sabor da ordem estabelecida, levando à confusão entre a verdadeira criação e aquilo que se diz novo. Com a agravante de o artista, muitas vezes senhor de mentalidade banal, hiperbolizar a obra com conceitos e considerações de filosofia barata e legendas ridículas, pretensiosamente sábias. (Continua).

                      (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Tudo enfiam na goela
Comem euros aos milhões
Se maior fosse a gamela
Nem ficavam os tostões.