“Sitting ducks”

Entristece-me e revolta-me o patético espectáculo, que a televisão diariamente nos oferece, de Paris polvilhada de soldados na sua pose de alvos passivos, peões de uma estratégia absurda de políticos com necessidade de mostrar testosterona e afirmar a sua virilidade.
Na verdade, não é preciso ser especialista para se perceber que quadricular uma cidade desta envergadura e ocupá-la com forças militares cria mais riscos que os que evita, não dissuade terrorista nenhum – antes o avisa – e, sobretudo, é usar desadequadamente tropas que estão longe de ser apropriadas para tarefas de segurança e ordem pública, objectivos muito mais adequados às várias modalidades de policias, elas sim, preparadas para o efeito. Só no caso de uma operação especificamente militar deveriam ser as forças armadas activadas. [Read more…]

Thriller policial

– Confessa! – gritava o polícia para o suspeito. – Confessa ou obrigo-te a ver 24 horas de mesas redondas da RTP3!
Aterrorizado, o suspeito confessou.

Exclusivo

Ai ele é tão simpático, o senhor professor Marcelo – exclamava, embevecida, a dona Vicência. Há dias estava lá nas ilhas a falar às pessoas e falava tão bem que era um consolo; vi na televisão. Até andava com uns velhinhos, tratava-os muito bem, e deu um beijinho numa velha. Vi tudo na televisão. Ontem estava a jogar ao dominó e a falar com pessoas do povo, tão simpático, tão bonzinho. Aquele taberneiro é que foi um bruto e cobrou-lhe as cervejas! Não se faz ao senhor professor, que até pagou de boa mente, que eu bem vi na televisão. Já quando ele falava aos domingos na televisão era um regalo ouvir um homem daqueles. Eu não percebia muito, mas ele falava bem, lá isso falava. Vai ser um presidente muito bom.
– Ora essa – atalhou o Tonho – então e os outros?
– Os outros quê ? – espantou-se a tia Vicência.

Gastão era perfeito

Gastão era perfeito, como o da canção. Ainda hoje lembra, com prazer, o jubiloso dia em que descobriu as redes sociais e a possibilidade de nelas exercer e espalhar por toda a parte a sua perfeição. Adrede criou três perfis no facebook e um blog, tratando de se munir de heterónimos vários para intervir nos blogs e perfis alheios. Eles iam ver!
Abastecido destes recursos, Gastão não perdeu tempo a dar-lhes uso. E quanto mais os usava, mais omnisciente se sentia. E bom. Muito bom. Gastão sentia-se a pedra de fecho da abóbada universal da bondade e da correcção política. É verdade que, por vezes, perdia um pouco a cabeça ao comentar, usando pseudónimos indecifráveis, alguns blogs que visitava, mas temos de compreender, Gastão não era Deus. E, lembremos, até os deuses, por vezes, perdem a paciência. [Read more…]

Zombies

Assisti ao cortejo sinistro que passou esta manhã pelos corredores de Belém e pergunto-me, já que estão a surgir debaixo das pedras “associações” que parecem criadas para este efeito, se ainda há por aí uns restos da Legião Portuguesa que possam acudir, também, ao presidente. Ou até, talvez, uma associação de amigos da PIDE na reforma. O palácio de Belém parece, por estas horas, uma feira de horrores, uma espécie de comboio fantasma, alimentado, talvez, pelo discurso psicótico de Passos Coelho que as televisões repetem sem cessar.
À tarde serão recebidas as Centrais Sindicais. No seu lugar tomaria alguma medicação preventiva. O espaço está infectado.

Contribuição para a revisão constitucional

Sempre ao serviço da Pátria e ouvindo, atento, o lancinante apelo do Senhor Presidente do Conselho demissionário para que se faça uma imediata revisão constitucional cuja natureza permita – se me é lícito concluir – a sua permanência – a bem da Nação! – no governo pelos próximos 44 anos – para fazer os 48 do costume -, apresso-me a sugerir, na minha condição de especialista – já que agora todos o são – um artigo para a nova Constituição da República que, penso eu, será a contento do requerente:

Artigo N
Só terá acesso à condição de primeiro-ministro o cidadão que cumpra os seguintes requisitos:
1- Tenha o nome de um dos santos apóstolos.
2- De entre todos os supracitados, será imperativo que o apóstolo homónimo tenha negado o Messias pelo menos três vezes.
3- O apelido deve corresponder à designação de um mamífero da ordem dos Lagomorfos, família dos Leporídeos.
4- De entre os supracitados, será imperativo que corresponda à espécie “Oryctolagus cuniculus”.
5- Entre um e outro dos referidos nomes, deverá existir um terceiro que equivalha ao substantivo masculino plural que designa o “acto de mover um pé a seguir ao outro para andar”.

Presidenciáveis e o momento

Todos os candidatos que estão no terreno foram questionados sobre o que fariam, na situação presente, se fossem presidentes. De Henrique Neto, Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa ficamos a saber que “ah e tal, é preciso decidir, patati-patatá, o país e os portugueses e as portuguesas, a bem dizer, isto é muito importante e tal e coisa”. Mais palavra menos palavra. Edgar Silva e Sampaio da Nóvoa responderam que, nesta situação não teriam dúvidas e indigitariam António Costa como 1º ministro. Bom, já temos dois candidatos que sabem e que querem, o que devem e não têm problemas em tornar pública a sua posição sem calculismo nem conversa de inconseguimento.

Decisão

Cavaco Silva olhou para os problemas que tem pela frente. O país precisava de uma rápida decisão. Era a hora do Presidente! Endireitou-se, pigarreou e, com ar decidido, passou à acção: fugiu para a Madeira.

Ferozes anti-europeístas

Então, ó rapaziada da direita, o vosso camarada Cameron a desancar na Europa e na UE – ameaçando abandoná-la -, mostrando-se um feroz “anti-europeísta” – como vocês e os jornalistas pouco dotados dizem – e vocês calam-se? Deixam-no continuar a governar o Reino Unido? Nem mandam lá o Abreu Amorim ou o Nuno Melo pôr aquela malta toda na ordem? Delenda Albion, I say! Long live Steps Rabbit, I say! Ou assim..

O debate na AR está extraordinário

Só a Oposição é que faz uma discussão interna do programa do governo! As bancadas da direita não fazem mais que gritar impropérios e debitar ódios antigos. Muito educativo.

Um amigo de

Não há recurso argumentativo mais rasca que usar o suposto testemunho de “um amigo do… (segue-se o nome do partido ou organização)” que nunca se identifica. O campeão deste truque para patetas é o Marques Mendes. Ontem, utilizou, em sua defesa, as palavras de um alegado amigo do PS. Por este modo, nada impede o orador de pôr o ausente “amigo” a dizer seja o que for. Ética? O que é isso?

Também há ventos na Alemanha

Só para lembrar os distraídos: na própria Alemanha, a Turíngia é governada, desde o ano passado, por uma coligação de esquerda. E, caso curioso, foi a direita lá do sítio (CDU) que ficou em primeiro. Em segundo ficaram os comunistas do Die Linke e em terceiro os sociais democratas do SPD. E, vejam só e espantem-se, foi nomeado ministro-presidente Bodo Ramelow, comunista, com o apoio do SPD, que preferiu apoiar e coligar-se com os comunistas – mesmo sendo deles o ministro-governador – a ligar-se à CDU. E a vida prosseguiu. Suponho que sem a histeria que se vê por cá. Na Alemanha, gente. Por isso, acalmem-se e apreciem o Verão de S. Martinho.

“Num regime parlamentar, governa quem ganha”

Diz o comentadeiro Luís Delgado. É verdade, ó Luís, mas quem ganha é quem forma maioria. Não te explicaram na Escola Primária?

Telemissão

Nestes dias, os vários canais de televisão fazem uma espécie de sprint de contra-informação que, prevê-se, se irá ainda acentuando até à próxima semana. Todos os caminhos argumentativos servem, mesmo aqueles que ofendem a inteligência de qualquer pessoa de bom senso. É que eles não procuram o bom senso nem a reflexão séria. Procuram a confusão, o melodrama reles. Atiram como pedras todas as calúnias e fantasmas que mobilizem imbecis. Qual discussão democrática, qual ponderação de ideias, qual quê. São jogadores que apostam a cave e esperam ganhar com batota. Custe o que custar, custe a quem custar. A direita mais golpista acantona-se nas televisões e prepara-se para fazer delas a sua trincheira de vigarice política. Sente-se em missão.
Hoje, quem ainda tinha alguma consideração – em muitos casos residual, eu sei – por gente como Luís Amado, Luís Delgado, Gomes Ferreira, Nicolau Santos – para citar só os que vi nesta hora e sem referir protagonistas partidários, porque não é sobretudo por estes que passa a jogada – espero que tenha ficado esclarecido.  [Read more…]

Isto é que vai uma cheia…

Eu ia para escrever aqui algumas considerações sobre as brutais cheias do Algarve e lembrar o que, nas últimas quatro décadas, foi estudado, dito e escrito sobre as barbaridades a que estava sujeito o pobre Algarve no seu processo de “desenvolvimento” urbanístico – confundido, geralmente, com desenvolvimento turístico – bem como a total ausência de estratégias de controlo e aproveitamento das linhas de água da região. Afinal, perante a grandeza das explicações do nosso novo ministro da administração interna, o Senhor Professor Calvão da Silva, calo-me e reduzo-me à minha humilde ignorância. É que sobre origens demoníacas dos fenómenos meteorológicos e da relação dos níveis de pluviosidade com os humores de Deus, nada sei. Mas, depois de ouvir as ministeriais explicações – de uma profundidade comparável às das águas que inundaram Albufeira – fiquei a saber que, com o novo governo, estamos nas mãos da divina providência. Porém eu, modestamente, que nessas transcendências não sou versado, limito-me a esperar que os augúrios que se adivinham venham a ser confirmados no dia 10. Depois disso, não posso garantir, como o santo governante, que Deus arranjará para os ex-ministros “um lugar adequado”. Mas alguém, seguramente, tratará disso, como é costume…

Olha a pegada

Circula pelos telejornais a notícia de que Portugal – pobre dele – é culpado de funestos prejuízos ao planeta por comer muito …peixe. Chiça, que nada nos é poupado. E nada excita tanto os noticiários e os seus aparolados jornalistas como uma qualquer agência da treta (não, não é a respeitada WWF), com um pomposo nome em inglês, proclamar qualquer suposta descoberta que, servilmente, possam transformar em verdade absoluta. Assim, piscívoros impenitentes que somos, com as nossas simples e pouco invasivas artes de pesca, promovidos ao desonroso 4º lugar entre os países europeus que maior pegada ecológica deixam sobre o nosso martirizado planeta, só nos resta, dizem eles, limitarmo-nos a “comer carapaus e cavalas”. E ceder os restantes mimos marítimos aos países ricos que, coitados, mal deixam uma pegadinha e não largam na atmosfera nem o ar rarefeito de um modesto traque.

O truque

A caricata tentativa de armadilhar os partidos da esquerda parlamentar, protagonizada pela direita reinante, falhou. Queriam os Coelheiros e os Porteiros abrir as hostilidades na Assembleia da República debatendo temas tão angustiosamente urgentes como “os compromissos internacionais de Portugal”. A manobra é tão infantil e canhestra que surpreende. A resposta foi, obviamente, de rejeição do truque e de exigência de que os futuros ex-governantes apresentem o seu programa e se deixem de fitas e tentativas de discutir programas alheios procurando brechas na aliança nascente. Porque não deixa de ser surpreendente que um governo que não é mais que uma desfalcada versão do anterior, não seja capaz, em tempo útil, de apresentar os trabalhos de casa. É mais uma prova do que valem os nossos ex e futuros ex-governantes.

D. Banca

A banca portuguesa não aprende. Depois de todos os desvarios e crimes cuja conta fica a ser paga pelos contribuintes, os bancos restantes mostram as mesmas arrogância e pesporrência com que sempre nos fustigaram o juízo, a paciência e os parcos recursos. E eis que Faria de Oliveira ousa anunciar, num alarde de humor chunga, que um governo de esquerda pode transformar Portugal em Cuba, enquanto o presidente daquele bando de parasitas do erário público que se chama BCP ousa ameaçar-nos com as mais funestas consequências se ousarmos tal solução política. Quer dizer: esta corte de carraças dos recursos públicos – sem os quais já há muito teriam falido – em vez de se recolher em discreto e silencioso recato, como seria razoável, levantam a crista e cacarejam ameaças. Estão a pedi-las. Oxalá um dia lhas dêem.

Calma no barco

Espero que os partidos de esquerda, chegando, como é minha expectativa, a um acordo, não o publiquem antes do dia em que derrubem o governo PàF. A confidencialidade tem sido, até agora, exemplar, para desespero da nossa imprensa tablóide e dos telejornais predadores. É que se o eventual compromisso for assinado e conhecido antes de tempo – e a pressão para que o seja é tremenda -, passará a ser a matéria exclusiva de pasto para o parasitismo comentatório, cuja prática generalizada de batota e vigarice informativa é consabida e, sobretudo, irá transformar-se no conteúdo exclusivo do debate na AR, já que a direita, ciente da indigência do seu próprio programa, não deixará de tentar desviar dele as atenções como já fez, de resto, durante a campanha eleitoral.

A Manuela, os velhos e os novos

Manuela Ferreira Leite discorre sobre as eventuais alterações nas estratégias do PCP atribuindo-as à juventude, renovação – como se a idade fosse condição necessária e suficiente para explicar estas coisas – e ao facto destes jovens não saberem o que é o Tarrafal e coisas que tais. Olhe que sabem, dona Manuela. E aos que não sabem, permita-me que lhes chame a atenção para o facto do Campo da Morte Lenta do Tarrafal ter sido reaberto por aquele senhor que esteve, há dias, quase uma hora a verberar a “natureza” dos comunistas e a pregar-nos princípios morais e santidade cristã. O senhor chama-se Adriano Moreira, era ministro de Salazar e a ele se deve uma das fases mais ferozes deste Campo. Como a democracia portuguesa é generosa e tolerante, este facto tem sido esquecido e o dito senhor até foi – et pour cause – presidente do CDS.

Não queremos reabrir feridas, mas também não estamos dispostos ao regresso da arrogância autocrática que fez esses feridas. Os velhos sabem, porque viveram. Os novos, porque aprenderam e não querem viver o mesmo.

“Anti-europeísta”

A expressão “anti-europeísta” é de tal modo imbecil e vazia de sentido que só é usada por idiotas ou por quem quer manipular o outros e fazer deles idiotas. Cavaco Silva usou-a ontem. Mais uma vez.

Interpretações

Consta que os Professores Bambo, Karamba, Djabi e Saku, assistidos pela bruxa Maya, se propõem constituir uma task force a fim de interpretar os votos dos eleitores do PS. A Madame Mim e a Maga Patalógica, por sua vez, vão encarregar-se de perscrutar o que se passa nas profundidades dos sombrios corações dos eleitores da CDU e do BE.

Cul-de-sac

Num rasgo de generosidade, Passos Coelho já não quer só o apoio ou a passividade política do PS: convida-o, formalmente, a integrar a coligação de governo. Aí, o CDS, já em estado de stress histérico, pareceu desatinar de vez. E podemos ver a seráfica Cristas a perder a cabeça numa simples entrevista televisiva, patenteando o engraçado espectáculo de alguém com um património vocabular curto e competências discursivas limitadas a tentar exprimir a sua aflita indignação. Finalmente começa a escancarar-se aquilo que se insinuava já nas intervenções de algumas figuras da direita intelectualmente mais ágeis: o pecado original da direita – com total prejuízo do PSD – foi a disparatada coligação pré-eleitoral que retirou ao PSD toda a agilidade negocial – lá se foi a hipótese do bloco central… – e brindou o CDS com uma percentagem absurda de deputados, à qual jamais chegaria deixado a si próprio. Dá vontade de perguntar que estranha força de chantagem este partido tinha sobre o seu parceiro para obter tal vantagem. Agora, enclausurado no beco em que se meteu, o PSD limita-se a ir ensaiando umas variações ressabiadas e um tanto rascas, enquanto vê o seu partenaire CDS, num delírio de declarações proto-fascistas, cortando cerce qualquer saída do buraco em que se meteram. É que minutos depois de Passos Coelho ter convidado António Costa para integrar a coligação de direita, Assunção Cristas veio dizer do líder do PS coisas que aqui não se reproduzirão por uma questão de simples decência. Mas que nos estimula a imaginação sobre o que aconteceria se todas estas figuras se encontrassem na mesa da governação. Alguém falou aí em estabilidade?

Paenitentiam te!

psl

Senti, imperiosa, esta determinação vinda do alto, à qual me apresso a corresponder humildemente. Penitencio-me, pois. Estive eu aqui, numa outra publicação, a brincar com as razões que levaram Santana Lopes a desistir da sua candidatura à presidência da República e agora, espantado – mas também elevado! – dou comigo a assistir a uma longa entrevista dada por este personagem à SIC, entrevista essa que, sob o tema “eu não me vou candidatar e vocês nem sabem o que perdem, mas eu vou explicar”, me mostrou a luz: Pedro Santana Lopes não ambiciona a presidência da República. Almeja, isso sim, a canonização.

Lopes

O intruso entrou na sala silenciosamente, servia-se Pedro de uma reconfortante bebida, descontraindo de um dia cheio de inaugurações e contactos com aquela gente simples apoiada pela Santa Casa. Enfim, uma maçada. Mas bem paga, lá isso era. Discreto, o intruso aproximou-se e, subitamente, agarrou Pedro por um braço apertando como um torniquete. Pedro sentiu-se desfalecer e duvidou ser capaz de dominar a sua bexiga. O visitante, homem ostensivamente bem vestido e perfumado, falou:
– Mi scusi, signor Santana – começou o estranho -,credersi signore del mondo? Vorrei essere presidente da Portugalo? È signore di fare quello che vuole, ma avere un grande stipendio, guadagnare per la pagnotta en la Santa Casa da Misericórdia, è finito, capisci? Fare vita da gran signore? Finito.Darsi della arie di gran signore? Finito.
– Q-q-quem manda?- perguntava Pedro, aflito.
– Il Padrone, signore Pedro – responde o intruso – il signor Tal dei Tali, il signor “direttore”.
–Então est-t-t-tá bem. Eu saio. Se me portar bem posso continuar aqui? As más linguas dizem que, pela primeira vez, a Santa Casa deu um prejuízo de milhões, mas é tudo mentira, eu posso explicar.
Calmamente, o intruso largou o braço de Pedro, que apertara como uma tenaz. Pedro soube ali que lhe estavam a fazer uma proposta irrecusável. Assim, esfregou os músculos doridos e, mal recuperou a circulação, redigiu o comunicado da sua desistência da candidatura à presidência da República.
Capisci?

Ou fazes o que eu mando ou faço queixa ao patrão

A interdição da pesca da sardinha decretada pelo governo, pela voz da arrebitada Assunção Cristas, é exemplo do estilo dos nossos mandantes. Não vou aqui discutir questões técnicas, para as quais não tenho competência – embora tenha sérias dúvidas do valor ecológico da medida nas presentes condições. Mas a forma grosseira e boçal da pronúncia, no estilo de capataz grunho, são bem a marca deste governo. Nem uma explicação, nem uma palavra de compreensão, nem outro fundamento que a ordem da sacrossanta “União” Europeia. “Ou acatam a ordem, ou no próximo ano a UE ainda reduz a mais as quotas de pesca”, declara, emproada, a Cristas. É assim. Nem a ditadura das suas vontades perversas e imaturas são capazes de assumir como próprias e autónomas. Como no pátio da escola em que o garoto caprichoso ameaça: ou fazes o que quero ou o aquele colega brutamontes dá-te porrada.

O nome da Maria

Maria de Belém vai candidatar-se à presidência da República. Compreende-se, que diabo. Com aquele nome, a tentação é irresistível. Imaginem um título na nossa imprensa: “Passa a ocupar o Palácio de Belém a Dra. Maria do mesmo”…

Do dia mundial da fotografia

cunhal por eduardo granjeiroNo Dia Mundial da Fotografia [19 Agosto], permitam-me que homenageie um dos meus fotógrafos favoritos (Eduardo Gageiro) e, de caminho, o modelo, elemento da foto tantas vezes esquecido por anónimo e desconhecido. Não é este o caso, no entanto…

Fogo amigo

“Portugal e Irlanda apoiaram muito a Alemanha nas negociações com a Grécia”, declarou Merkel. Há elogios que são verdadeiras bofetadas.

Peste grisalha

O governo que grafou e agitou o pornográfico conceito de “peste grisalha”, vem agora prometer legislação para proteger os idosos – que sobreviveram a esta política – das garras da sua alegadamente ameaçadora família. Eleição a quanto obrigas…