Pedro Passos Coelho chamou hoje à indignação de um país inteiro “ansiedade e impaciência de alguma gente que vai em modas passageiras”. Diz-se nada preocupado com “o que vai na alma dos portugueses” (ao contrário de muitos outros, “que estão em casa” (a fazer nenhum) “preocupados em sintonizar com as espumas dos dias” – Boris Vian odiaria esta imagem e este plural desqualificador. Mais disse, sempre muito aprumado e aparentemente convicto: que quem está em casa vai ser informado sobre o futuro que o Governo está a preparar para os portugueses. Ouvido assim lembra um conciliábulo de malfeitores, reunidos numa cimeira de mágicos-maus empenhados em lixar a vida às pessoas – e a malta a vê-los naquilo pela televisão, os truques à vista de todos. Reformar o Estado sem levá-lo a escrutínio popular é isso. [Read more…]
Passos Coelho
foi violentamente vaiado pelos estudantes na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Diz que dorme bem, e que pode bem com um país em protesto. Sábado começa a insónia.
A morte dos mercados
Sou suspeito, o amigo é meu, mas se esta não é uma grande cantiga do Luís de Sousa, autor de muitas que os mercados nos têm, a nós os amigos, dado o privilégio de escutar em quase exclusivo, pois se não é retiro já uns anitos de rádio que levo no currículo.
A canção que resolve os problemas
Alexandre Soares dos Santos, após uma investigação decerto aturada, descobriu que não é a cantar a Grândola que se resolvem os problemas. Apesar da minha paixão pela música de Zeca Afonso, devo dizer que, em parte, concordo com o chairman da Jerónimo Martins.
Miguel Relvas tentou cantar a Grândola em Gaia e não conseguiu resolver o problema, criando mais um, o da desafinação. Para além disso, depois de, em 1974, ter ouvido e cantado várias vezes a Grândola, não consegui resolver dois problemas que me surgiram no exame de quarta classe.
Pelas palavras de Alexandre Soares dos Santos fico, no entanto, com a impressão de que ele conhece a canção que resolve os problemas. Ter-lhe-ia ficado bem partilhar, patrioticamente, uma descoberta tão benfazeja. Julgo, contudo, ter descoberto um grupo de três temas musicais entre os quais será possível descobrir o segredo da canção que resolve os problemas. [Read more…]
O kota (*) Ribeiro tá uatema (**), meu irmão

O editorial a que o ‘Público’ se refere, de autoria de José Ribeiro, foi publicado no passado dia 24 de Fevereiro no ‘Jornal de Angola’. Poderá ser lido aqui.
Conheço bem Angola, sem nunca ter lá vivido. Durante duas décadas as minhas doze a catorze deslocações e estadias por ano no terreno contribuíram, decisivamente, para tecer uma rede de amigos que ainda conservo – pretos, brancos e mestiços, sem distinções de cor de pele, quase todos afectos ao MPLA. Mesmo no Huambo (Nova Lisboa anterior) conversei, bebi e até dancei músicas tropicais, ao som do merengue e de bombardeamentos da UNITA posicionados ao redor da cidade – em 1992 estive lá dez dias em negociações de produtos alimentares com o comissário de então, entretanto falecido, e o director local do Banco Nacional de Angola.
Tive ainda a oportunidade de conhecer o Dr. Bernardino, branco e jovem médico. Homem de ímpar generosidade e humanismo que cuidava daquela desgraçada gente. Infelizmente viria a ser assassinado por homens da UNITA. [Read more…]
Por que vou ao 2 de Março
Tenho lido alguns testemunhos de pessoas importantes, umas que admiro, outras nem por isso. Todas dizem das suas razões para estarem presentes na próxima grande manifestação.
Eu sou importante apenas na minha casa e no meu ambiente familiar e social (e às vezes nem aí), mas sinto necessidade de «botar» por escrito as minhas motivações. Esta postada será também publicada no blogue das minhas filhas, para que um dia elas possam perceber o que motiva a sua mãe.
Não sei se elas serão como eu, tão críticas do que se passa em seu redor, tão revoltadas com o que está errado ou se, pelo contrário, serão seres amorfos, conformados com o que sucede. Não sei se elas serão de esquerda ou de direita. Não sei se elas se envolverão na sociedade lutando para que o mundo seja melhor. Mas sei que tudo farei/ que tudo faço para que elas sejam pessoas esclarecidas. Para que tenham na base da sua educação princípios de amor ao próximo, de solidariedade, de dignidade própria e de todos os seres vivos, de liberdade. [Read more…]
Qual é o problema de interromper o Relvas? (7)
Alexandre Soares dos Santos
em pose de salvador da Pátria diz não compreender as “mensagens de ódio e insulto”. E no entanto, o povo indignado continua a consumir nas lojas da Jerónimo Martins, que em 2012 apresentou mais de 360 milhões de euros de lucros.
D. Laurinda vai ao 2 de Março
Esse caixote que aí está, de pé, ao lado da caixa, é para a D. Laurinda se sentar. E por aí já vêem que não é uma cliente qualquer. A qualquer hora do dia, depois de adiantado o serviço de casa, D. Laurinda vai até à mercearia, diz bom dia a quem está, e ocupa o seu trono de oráculo do bairro. Sabe quais são os negócios que estão para abrir ou para fechar, que casas estão para alugar, a como está o quilo de tudo, quais são as melhores laranjas para fazer sumo. De política, nunca quis saber nada.
– Ó D. Laurinda, então não vai à manifestação?
Nunca ia. Já não tinha saúde para isso, má circulação, varizes nas pernas, os brônquios muito atacados, uma chiadeira nos pulmões, a cabeça ourada. E é muita gente, muita gente, ela não gosta de confusões.
Mas os tempos mudam, as lojas fecham, o filho não tem trabalho. Vai a entrar para a mercearia, o marido fica à porta, à conversa com os vizinhos, reformados como ele.
– Ó menina, olhe que eu desta vez vou à manifestação – grita ela, como quem dá a boa-nova. [Read more…]
O caso DOPA
Francisco Sousa Tavares, o boi de piranha, Vanzeller, Pinto Basto, D´Orey, Avillez, Roquette, Lumbrales, Breyner, Mendia, Balsemão, Mário Raposo e Isaltino de Morais. Tudo boa gente.
Stéphane Hessel (1917-2013)
Faleceu esta noite aos 95 anos o autor do manifesto Indignez-vous! (2010). Deixa uma vida de resistência e de combate pela democracia. “É preciso que a indignação dê lugar a um comprometimento conjunto.”
Qual é problema de interromper o Relvas? (6)
Grândola e a democracia formal
Por Santana Castilho
Coelho e Gaspar são seres ocos de alma. Actuam como robots, insensíveis às pessoas que abalroam. Quando se espetam na realidade, ficam ali, obcecados, empurrando o que não se move, moendo carretos, como os bonecos de corda da minha infância. Só mudam quando os senhores do dinheiro os reprogramam. Trocados os chips moídos, voltam à sugagem solipsista para que foram preparados. A obra-prima de Relvas foi levá-los ao Governo. Imagino-o produzindo-a, ora de avental, no secretismo da organização, ora de iPhone à boca, injectando no tutano da fibra óptica a baba com que foi tecendo a conveniente teia partidária. Visto, cola-se-lhe à figura a falsidade e a falta de ética. “Ouvisto”, sobram as banalidades. Mas confrontá-lo com a “Grândola, Vila Morena” inquietou os defensores da democracia. Que democracia? A formal. A do “da” e do “de”, agora destrinçados pela fina porfia presidencial, em tempo certo, oito anos passados. Ao apreciarem os factos, esqueceram que há outra democracia: a que a alma imensa de Zeca Afonso cantou.
No Clube dos Pensadores, primeiro, no ISCTE, depois, Relvas foi interpelado pela canção de Abril. No primeiro caso reagiu, cantando-a alarvemente. No segundo, foi, por uma vez, autêntico: fugiu, cobardemente. [Read more…]
O Beijo Autárquico
Miguel Relvas deu um a Fernando Seabra em Lisboa; Edite Estrela dá outro a Vitor Sousa em Braga.
E a festa ‘inda agora começou.
Ao cuidado da SPA, do To Zé Brito e de mais uns quantos lobbystas
As receitas geradas pela indústria discográfica aumentaram 0,3 por cento, em 2012, pela primeira vez desde 1999, anunciou hoje a Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI).
Aliás, as receitas de venda de música, apenas em formato digital, situaram-se, em 2012, nos 4.250 milhões de euros, representando uma subida de nove por cento em relação a 2011.
De acordo com o relatório anual da federação, o consumo de música digital, nas várias vertentes na Internet – em descargas legais, subscrições, escuta de canções e visionamento de vídeos – representou 34 por cento da facturação das editoras discográficas.
Em 2012, descarregaram-se legalmente 4.300 milhões de canções, um aumento de 12 por cento em relação a 2012, e, para tal, terá contribuído também a proliferação de telemóveis e “tablets” com capacidade para tal.
Há países em que o consumo de música em formato digital superou a compra em formato físico, como Noruega, Estados Unidos, Índia e Suécia. [DN]
A questão é simples. Contrariamente ao que a Sociedade Portuguesa de Autores pretende, a Internet está a fazer aumentar os seus lucros. Querem comer a galinha dos ovos de ouro e ainda ficar com a galinha. E como? Simples, querem passar a receber dinheiro de quem compra discos duros, telemóveis, máquinas fotográficas, etc., etc. E desta vez andam a ver se conseguem aprovar uma lei às escondidas. Vergonhoso? Não, encostados ao consumidor, como muitos outros. Ainda para mais, procuram fazê-lo sob o pretexto de uma falsa vantagem para o consumidor, a da cópia privada. Pois eu prescindo da cópia privada. Aliás, nem a posso usar legalmente em DVD e Blue-Ray. Portanto, vão-se catar e vivam dentro do que o vosso orçamento permite.
Señoritas (2006)
A Naifa, do álbum 3 minutos antes de a maré encher (2006)
Música de João Aguardela e Luís Varatojo, letra de Tiago Gomes
Franquelim Alves, o mal pago
8-empregos-8 e apenas 2709 euros por mês. Assim se escapa ao fisco em Portugal.
O camilourenço, a História e a Economia
Camilo Lourenço camilourenço, dicionarizado a preceito pelo João José Cardoso, desde há muito demonstrou ser um provocador mentecapto. Saiu a terreiro com nova imbecilidade, hostilizando a História como área do conhecimento científico humano – área sublime, entendo eu.
Sou economista, membro da respectiva ordem. Em defesa da verdade, mais do que da ‘minha dama’, entendo que, reagir com fragilidade a Camilo Lourenço camilourenço, para desvalorizar a Economia, como ciência social, é igualmente censurável. A polémica desce a baixo nível e naturalmente ao mundo da subjectividade. Mais a mais, invocando Margaret Tatcher, engenheira química, que, em sintonia com Reagan, foi grande obreira da desregulação dos mercados originária da crise sistémica. Registe-se-lhe também o feito de fundadora do modelo das PPP que o advogado e trabalhista Blair aproveitou e outros disseminaram pela Europa – de Cavaco a Sócrates tivemos, entre nós, excelentes intérpretes dessa ruid(n)osa melodia, pela qual estamos e vamos pagar milhares de milhões.
No curso que frequentei, além de Sociologia, Psicologia Social e Psicossociologia e outras áreas sociais, integrava-se a disciplina de História Económica e Social, ministrada pela Prof.ª Miriam Halpern Pereira, doutorada pela Sorbonne, universidade onde foi assistente do Prof. Pierre de Vilar. A ideia de que os economistas estudam só números é imprecisa, embora os mais responsáveis pela imagem sejam eles próprios.
2M: Luís Varatojo
Luis Varatojo, da Naifa, na Gala da Sociedade Portuguesa de Autores, escreveu o discurso no cartaz do Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena.
Concluiu dizendo que “o povo é quem mais ordena”. Foram embora sem levar o prémio. Que se Lixem os Corações Obedientes!
(via Facebook)
Nova funcionalidade no Blogometro
A partir de agora o Blogometro mostra as estatísticas mensais da blogoesfera.
Agenda
Agradeço-vos, Marquesa
O convite p’ra almoçar
E a promessa, à vossa mesa
De champanhe e caviar
Peço perdão, nas não posso
Tem de ficar p’ra depois
Pois a hora do almoço
Está cativa, dia dois
Faço vénia respeitosa
E osculo a vossa mão
Nessa hora jubilosa
Vou à MANIFESTAÇÃO!
Casados com comunhão de teses
Professora e vereador apresentam teses semelhantes.
É o chamado plágio conjugal.
Crise zona euro
Os países excedentários são tão responsáveis pelos desequilíbrios como os países deficitários. A única resposta à divergência crescente entre as economias dos Estados-membros da UE será a solidariedade, mediante um programa político de convergência de interesses. Fonte: Le Monde
Vamos dicionarizar Camilo Lourenço

Não é muito frequente nome próprio virar substantivo ou adjectivo, mas acontece; Miguel de Vasconcelos que o diga. Camilo Lourenço merece.
O Luís M. Jorge já nos legou uma primeira tentativa de sistematização do conceito de Camilo:
O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião. Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.
A mais recente aparição camilolourençiana (muito cuidado com o isolar do Camilo, não se ofenda o Castelo Branco) acrescenta a noção de ignorante e pregador da indigência cultural, essa salazarenta reaparição do culto das habilitações mínimas para que se obtenha a exploração salarial máxima.
Miguel Relvas, por exemplo, é um autêntico Camilo Lourenço camilourenço da política, e fico-me por aqui antes que resvale para o pleonasmo. No território educativo és um camilolourenço camilourenço substitui com vantagem o gasto e usado cábula, tal como de um curandeiro armado em médico alternativo se dirá com vantagem: eis um camilolourenço camilourenço da medicina. Os exemplos, a utilidade e enriquecimento da língua portuguesa tendem para o infinito. Vamos a isto, a língua por enquanto ainda é nossa, e se alguém reclamar do neologismo, grandola-se para ficar sossegado.
Adenda: corrigido camilolourenço por camilourenço.
França: 3,2 milhões de desempregados
O Le Monde abriu um véu sobre o que os franceses saberão de fonte oficial logo mais à tarde: o desemprego está em imparável, malgrado as palavras doces e mentirosas de Hollande. Fonte: Público











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