© Pedro Cancela 2013
Lisboa, Amoreiras
Expira hoje
Uma Geração Equivocada

Ainda há poucos meses alguns “estudantes” se manifestavam e indignavam porque a Reitoria da UM proibira certas praxes dentro do campus de Gualtar. E nos fora da especialidade, os adolescentes mostravam-se muito descontentes. E insultavam quem deles discordava.
Perguntei se se manifestariam quando, lá para fevereiro, houvesse colegas a desistir das aulas pelo não pagamento atempado das bolsas de estudo.
Não me responderam. E ainda não me convidaram para uma manif solidária…
Geração na merda!
A morte dos portugueses
«Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspectivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida.(…) O poder destrói o presente individual e colectivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho (…) O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças – em vias de me transformar num ser espectral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si. (…)
Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de acção. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país.» José Gil na revista Visão
Não te esqueças de ficar em casa
Fica em casa, pá. Eu sei, isto não vai lá com manifestações, pá. Só à bomba pá, com a malta toda a cercar S. Bento. Fica em casa, é onde a tua garganta fica bem.
E tu, fica em casa. Continua com medo. Esconde-te debaixo da cama. O medo não te dá asas, dá-te pior ainda, vais ter tudo aquilo de que tens medo, uma boa razão para que fiques em casa, à espera que venha.
Fica em casa. Não queiras saber da política. Ela continua a entrar-te por baixo da porta, mas em casa é que estás bem. Em casa podes não ter pão, mas queres lá saber, os outros que decidam da tua miséria.
Fica em casa. E não te esqueças de repetir amanhã que estás farto desta merda toda, isto não pode continuar assim, cambada de gatunos, mas repete apenas em casa, para que ninguém te ouça, o governo é para ti uma coisa de estranhos. Não aprendas a democracia que não vale a pena.
Cantar a Grândola em Alvalade
A ideia é uma boa ideia. Espero que as claques não sigam para S. Bento.
Das aldrabices da contra-propaganda
Diz-nos o Rui Carmo que os promotores da manifestação de 2 de Março são aldrabões. E porquê? porque alguém numa imagem de propaganda usou uma foto de Istambul, e porque os organizadores são do BE.
Esqueceu-se da propaganda com uma fotografia de black panthers, outra de Carmen Miranda, de um clássico cartaz norte-americanos e de uma fotografia de uma manifestante soviética, como não reparou num conhecido restauro de Cecilia Gímene e numa gravura do Titanic, nem numa avózinha ciclista suponho que londrina, já não falando das capa de discos dos Clash ou dos Beatles.
Quanto ao organizadores, remete-nos para um texto publicado no Facebook por Filipe Castro, administrador da Informação de Mercados Financeiros, SA, o qual se limitou a “transcrever um texto privado” assinado por HE. [Read more…]
2 de Março. É hoje.
Às vezes perguntam-me. Querem saber o que me move, como se lutar pelo meu país e deixar um futuro aos meus filhos não fosse motivo bastante para gastar dias e noites a insistir em acordar quem ainda dorme. Como se não percebessem como é que se arranjam forças, todos os dias, para acreditar que um dia pode ser. Às vezes respondo, e conto como foi por causa disso que me vi obrigada a fazer escolhas, de como percebi que a crise é uma senhora de costas muito largas que escorre pelo canto da boca dos vampiros, enquanto atiram migalhas à base da pirâmide. Eu vi. Senti. Ninguém me contou. E que é minha obrigação alimentar os meus filhos tanto quanto é minha obrigação deixar-lhes algum legado, ensinar-lhes que não vale tudo, mesmo quando à volta todos nos querem fazer crer que estamos loucos.
E é por isso que saio à rua no dia 2 de Março. [Read more…]
O *acessor e a Cristine
Segundo a SIC, o acessor… *Acessor? Acessor? Ah! Assessor. Segundo a SIC, Rudolfo (sim, é com ‘u’) Rebelo, acessor, perdão, assessor do PM, assinou uma carta como se fosse a directora… Não, não é *diretora que se escreve em português europeu: é directora. D-I-R-E-C-T-O-R-A. Com cê. Perdão? Está directora? Muito bem. Mas a SIC não adopta o Acordo Ortográfico de 1990? Não? Sim? Não sabem? Adiante. Rebelo assinou uma carta como se fosse Christine Lagarde? Mentira! Rebelo assinou como se fosse Cristine Lagarde. Se tivesse assinado uma carta como se fosse Christine Lagarde, o Cristine teria H. Uma Cristine, como sabemos, não é uma Christine. Pronto. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
Porta dos Fundos foi à Maitê Proença
Lembrando um episódio recente, digamos que vários portugueses, cof cof, de uma certa forma devem ter tido esta ideia.
1+1 = 2 de Março
Para Passos Coelho – e certa imprensa – meia-dúzia de ‘jotinhas’ do PSD é uma multidão. Dezenas, centenas ou milhares de manifestantes, são também uma meia-dúzia, mas nunca mais do que essa escassa quantidade de 1 a 6 manifestantes, a contestar a política, dele e da ‘troika’, que, de indicador em indicador, em espaço de dias reflecte um país em pobreza dinâmica, fruto natural das políticas antissociais.
Agora foi o Eurostat a anunciar que o desemprego em Portugal, em Janeiro de 2013, atingiu 17,6%. Lembre-se que as previsões da CE, calculadas pela equipa do infalível Oli Rhen, e por este anunciadas entre uns copitos e uma sauna, apontavam 17,3% para taxa média anual – nesta altura, contas feitas à economista, já se regista um desvio de + 1,73% se compararmos os resultados de 1/12 com o estimado para a unidade, 12/12. Se trabalhássemos à Gaspar e à Maria Luís Albuquerque, diríamos que o desemprego atingiria uma taxa próxima dos 21% (=17,3% * 1,2089). [Read more…]
Gaspar: “Portugal é um povo de marinheiros capaz de superar as piores tormentas”
E de lançar borda fora timoneiros incapazes. (fonte)
A austeridade rechaçada. Mas em vez de Syriza está Grillo.
Há fracções algébricas e jurídicas!
Todos os dias somos colocados perante realidades no mínimo estranhas.
E, se em todas as áreas profissionais, há bons e maus agentes, não podemos calar a estupefacção perante certas aberrações e absurdos.
Com formação em filologia, sou dum tempo em que a matemática fazia parte do currículo em igualdade com todas as outras disciplinas, fossem de “letras” ou “ciências”, no curso geral dos liceus, e apenas era abandonada quando se atingia o estádio específico, aquele que, à altura, se chamava “curso complementar”. Um aluno, como eu, que optasse por letras, ficava, então, liberto dessa disciplina.
O senhor juiz do caso em apreço, se tivesse tido essa formação, não teria proferido este absurdo.
Porque uma imagem vale mais do que mil palavras, aqui fica o doutíssimo despacho em que é evidente a décalage entre fracções algébricas e jurídicas. Pelo menos em Portugal!
3 milhões de desempregados e precários
54% da população activa do País não tem trabalho. 19.000 postos de trabalho destruídos por mês em 2012.
Mas o Coelhone da Mota-Engil veio gabar o modelo
Estudo prova batota de milhões nos contratos das PPP [DN]
Jesus é Goês

À Rua de São José, Lisboa. Jesus é Goês!*
* mensagem aprovada por Joshua, o comensal.
Cheira a jobs for the boys
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, defendeu nesta quinta-feira a regionalização como forma de “aproximar o poder das pessoas” e num contexto de “reforma do Estado. O seu homólogo do Porto, Rui Rio, diz apenas que o tema “cabe no debate”.
“A regionalização não é espalhar serviços, é aproximar o poder das pessoas, num contexto da reforma do Estado para racionalizar e diminuir um conjunto de estruturas que se multiplicam”, afirmou António Costa na conferência “Portugal – A soma das partes”, a decorrer em Lisboa, na qual participou por videoconferência a partir de Bruxelas.
Como se para descentralizar fosse preciso criar novas estruturas e como se novas estruturas, as regiões, por si só descentralizassem. E comparar Portugal com outros países regionalizados sem olhar para a dimensão geográfica de cada um deles é piada para contribuinte pagar, só pode.
Já agora, os governos civis já fecharam? Ah pois é, venham lá os jobs for the boys. Mais e mais camadas na cebola até que todos gravitem no estado.
Bento XVI: Um Papa não tão mau como se esperava
No último dia do pontificado de Bento XVI, meia dúzia de linhas à laia de balanço.
Já passou o tempo em que eu me atirava forte e feio à Igreja Católica por tudo e por nada. Não mudei a minha opinião, mas como diria o outro, agora sou calmo em relação a tudo o que a envolve a instituição. No fundo, só é católico quem quer e ninguém é obrigado a seguir os seus ditames. Cada um é livre de aderir às seitas da sua preferência.
Quanto a Bento XVI, parece-me que não foi tão mau como se previa. Da mesma forma que João Paulo II não foi tão bom como se quer fazer crer. No que diz respeito a Ratzinger, destaco três pontos importantes:
– a crítica forte do neoliberalismo que governa hoje em dia toda a sociedade ocidental. «O objetivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim último o bem comum, arrisca-se a destruir riqueza e criar pobreza.»
– a condenação clara da pedofilia, silenciada e escondida no interior da Igreja, durante décadas, por João Paulo II e as autoridades máximas de Roma. «De novo, penso no imenso sofrimento provocado pelos abusos cometidos nas crianças, especialmente no seio da Igreja e pelos seus ministros.»
– a defesa da Água como bem público e a recusa clara da sua privatizaçãoem todo o mundo. «A água não é “um bem meramente mercantil mas público».
De resto, não se pode dizer que tenha sido um papa especialmente progressista. Mas o que se esperava de alguém que foi eleito aos 80 anos?
O dia do medo
Se há bitola pela qual meço as afirmações dos políticos é a de acreditar que eles dizem exactamente o oposto do que pensam. Assim sendo, se me dizem que não aumentarão os impostos, corro a esconder a carteira. Se afirmam no jobs for the boys, já sei que o estado será duplicado. E se anunciam que a sua actuação não será condicionada pelas manifestações de rua é porque isso está a acontecer. Façam os leitores este exercício e verão que funciona. Ainda nesta linha de raciocínio, quando há dias Relvas, o patético cantador, a propósito das manifestações que o esperaram em aparições públicas, afirmou não ter medo porque, quando tal acontece, estão os políticos perdidos, é garantido que o governo está borrado de medo.
Sábado será o dia do medo para o governo. [Read more…]
Os meus respeitos, senhor Pacheco
“Passos Coelho tinha dito que anunciava as medidas para a reforma do Estado durante o mês de Fevereiro. Acaba amanhã.
E por isso quando dizem que as manifestações não contam para nada, é mentira. Contam e este é um exemplo.”
(Pacheco Pereira, na noite passada, na TVI24)
Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs
Roubado no facebook dos Indignados Lisboa, tradução original de Marcos Romão
Faz hoje 60 anos – Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs
Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda
O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida. A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento. [Read more…]
Está tudo explicado
Esta do coelho pareceu-me de mau gosto. E era: praxistas, o costume; é do hábito. (fonte)



















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