Escolher a escola dos filhos

O Governo que (não) nos governa pode ser dividido em dois grupos:laranja-podre

– o dos boys incompetentes e sem qualquer tipo de valor ou pensamento político. Limitam-se a viver à nossa custa – passaram todos pelas jotinhas;

– o dos boys de extrema-direita que sabem muito bem o que têm para fazer e que têm tentado cumprir com eficácia a missão que têm em mãos.

Este último é claramente mais perigoso e Nuno Crato é a prova disso mesmo. Nos últimos dois anos arrumou para canto mais de vinte mil professores e até conseguiu passar a ideia que havia, na Escola Pública, professores a mais. O que ele fez foi simples: acabou com o Estudo Acompanhado, reduziu as horas de algumas disciplinas, etc… Ou seja, diminuiu a resposta da Escola Pública e o apoio aos alunos. E, como sempre, são os mais fracos que vão perder mais.

Mas, a marca ideológica de Nuno Crato, já vincada com o exame da 4ª classe, atinge agora um novo patamar. Numa proposta entregue à FENPROF abre as portas ao cheque-ensino e à liberdade de escolha da escola. Não é uma ideia nova e é mais um passo no caminho que tem vindo a ser trilhado – entregar a Educação ao deus Mercado.

Tenho a certeza que a esmagadora maioria dos eleitores do PSD estarão contra a entrega do serviço público de educação aos colégios, mas neste momento, quem tem o poder laranja está longe de ser do PSD.

Claro que um leitor menos atento (que não passam pelo Aventar, claro) poderia pensar que é excelente a possibilidade de escolher a escola do filho, ainda por cima se lhe for possível optar pelo colégio xpto lá da terra. Mas, seria mesmo uma boa ideia? [Read more…]

Calendário Escolar 2013/2014

já é conhecido.

A Acta dos Professores (iv): quem perde

O tempo vai passando e os olhares que se cruzam são de satisfação, são de dever cumprido. Claro que também se juntavilareal6 uma sensação de alívio porque não era fácil continuar a GREVE às avaliações que se manteve muito perto dos 100% até terça-feira.

Do que tenho lido e ouvido há algumas questões colocadas em cima da mesa que nunca estiveram em discussão, pelo menos no âmbito da luta do mês que agora termina.

Da parte dos docentes contratados até se conseguem queixar do facto da palavra contratados não aparecer na acta. Pergunto:

– quando se consegue que a DT  continue na componente lectiva, estamos a garantir o quê?

– quando se consegue que as cinco horas entrem apenas na componente individual, estamos a defender o emprego de quem?

No caso dos docentes que pertencem aos Quadros de Zona Pedagógica existe uma outra questão, bem complicada. [Read more…]

A Acta dos Professores (ii): balanço

A ata negocial entre a FENPROF e o MEC não pode ser vista como uma vitória ou como uma derrota dos Professores, sendo que, pelo que escrevi antes, poderemos dizer que ela responde, em larga medida, às nossas exigências: mobilidade, componente não lectiva e direcção de turma.

Mas, esta leitura simplista exige um comentário mais detalhado, talvez um pouco chinês para quem não é prof, mas às vezes até o Aventar tem que dar um pouquinho de atenção aos stores: [Read more…]

Calendário Escolar 2013/2014

Está publicado em Diário da República.

Ouvi dizer

Que a coisa continua amanhã porque não havia dinheiro para pizzas.

O MEC quer manter a Mobilidade Especial ou requalificação, mais conhecida por despedimento – parece que será só para entrar em 2015, mas é a maior das divergências neste momento.

O horário de trabalho aumenta para 40h, mas as cinco a mais entrariam totalmente na componente não lectiva individual. Por outro lado o MEC mostrou abertura para regular o que é ou não componente lectiva.

Dito isto, será de realçar a ENORME GREVE que temos vindo a fazer – mais de duas semanas depois dos fim das aulas e as reuniões continuam a zero – e ter bem presente uma certeza: foi a GREVE que trouxe o MEC à negociação.

Da nossa parte, só podemos continuar a fazer uma coisa: GREVE TOTAL às reuniões de avaliação. A começar já esta terça-feira!

As consequências

São simples.

Não há reuniões de avaliação, não há notas e sem estas, as pautas não existem.

A primeira consequência é a inexistência de elementos que permitam tomar decisões sobre aprovações ou retenção, isto é, não vai ser possível saber quem passa ou não de ano. Sem esta informação não se poderão concretizar matrículas em novos anos ou até em novas escolas, tal como não será possível desenvolver o processo que levará à entrada na Faculdade.

Numa só expressão, se o ano lectivo 2012/2013 não termina, o que se segue não poderá começar e o arranque das aulas em Setembro começa a ficar realmente em causa.

O problema é sério, mas Nuno Crato e Passos Coelho parecem estar pouco preocupados com a situação que vai colocar em causa um sector vital da nossa economia – o turismo.

Pelo contrário, os Professores continuam muito preocupados e por isso estão disponíveis para continuar esta GREVE que já vai em 8 dias úteis. E as exigências são simples:

– a mobilidade especial (requalificação ou despedimento) não pode ser regulamentada;

– o aumento do horário de trabalho, a acontecer, deverá ser exclusivamente na componente individual (“trabalho de casa”);

– a direcção de turma tem que continuar a ser considerado serviço lectivo.

E, apesar dos números brutais da GREVE (sempre acima dos 90%), há ainda muitos professores que não fizeram qualquer dia de GREVE, ou seja, ainda temos muito caminho para andar. E, apesar da tradicional página em branco do Expresso ou dos posts de ocasião no Aventar, a gente vai continuar

Greve: é para continuar

Ou seja, nada de reuniões, nada de notas, nada de avaliações… E o CAOS no país cada vez mais perto.

Um sono tranquilo

Ser sindicalista é, nos tempos que correm, uma ocupação da moda. Isto, considerando o regresso à escrita de tantos Aventadores, antes entregues ao silêncio cúmplice dos jotinhas que nos governam. Quando o alfa e o omega da luta política lusa se destina a combater o Mário Nogueira, então poderei ir dormir tranquilo – o nosso trabalho está a ser bem feito.

Nos tempos de Sócrates fomos eleitos os inimigos públicos da Governação e agora, o PSD segue o mesmo trilho, com o mesmo tipo de linguagem, de argumentos e de provocações.

Voltaram os comunistas e as criancinhas ao pequeno-almoço… Só para complementar a informação, será que podem ajudar a clarificar tudo, apontando aqui o nome dos dirigentes sindicais (aqueles que assinam tudo!) militantes do PSD?

O poder foca a sua atenção nos sindicatos, esquecendo-se de governar – está tudo a funcionar bem do lado do contra-poder, aquele em que devem estar os sindicatos. E, ao contrário, tudo funciona mal do lado de quem dirige.

Quanto aos meninos que vivem à custa dos nossos impostos no parlamento, deixo uma sugestão simples: troco todo o dinheiro que o Governo transfere para os sindicatos pelo dinheiro que é transferido para  a JSD ou então, a décima parte do dinheiro que é transferido para as agências de comunicação que, um dia atrás do outro, nos tentam enganar com as mentiras do sistema.

 

Especialistas e ignorantes

Se por eu mexer em moedas não faz de mim um economista, se por dar uns pontapés na bola não faz de mim um Mourinho e se por jogar o Singstar não faz de mim um cantor porque é que há gente que pensa saber falar de Educação só porque um dia passou pela Escola?

Um dia de GREVE é sempre um dia SIMPLES

Porque só há dois lados e o muro é coisa que não existe. Ou se está de um lado ou se está do outro.

Hoje há Educadores que não vão para o jardim de infância, Docentes Universitários que não vão nem dar aulas, nem tão pouco vigiar exames. Haverá certamente milhares, muitos, do 1º ciclo ao ensino secundário que não vão realizar as reuniões de avaliações e serão também muitas as escolas onde os exames de 12º ano não se realizarão.

A GREVE de hoje assume muitas formas e terá muitos rostos. Terá a forma e a dimensão que os Professores lhe quiserem dar.

Aos outros, aos que quiserem dar a mão a Pedro Passos Coelho, a Nuno Crato, a Vítor Gaspar e a Paulo Portas, espero que o arrependimento não chegue em Setembro – será muito tarde. E, claro, podem juntar o carimbo da traição ao vosso passaporte!

A quem, de fora das Escolas, olha para esta luta sugiro a leitura do texto de Pacheco Pereira  e uma ideia que um amigo partilhava há dias: se vocês conseguirem vencer e continuar com 35h, nós, no privado ainda temos alguma esperança de lá voltar. Se perderem, não faltará muito para nos colocarem nas 45.

A lindíssima voz de um professor

Crónica de uma greve lavrada em português suave – Manuel Fontão

GREVE GERAL de Todos os Professores

Maria de Lurdes foi um marco! Como ela nunca haverá…

Ups! Calma! Correcção, afinal há e para pior.

Então agora o tribunal diz que não há serviço mínimos e suas excelências mandam um mero serviço técnico assumir uma ordem política que o Ministro teve receio em assumir?

A ordem é simples: todos os professores de todos os sectores de ensino estão convocados para ir vigiar o exame do 12º de Português, isto é, os educadores de infância de um Agrupamento vão ser chamados para estar na escola Grande, ficando, por isso, os mais pequenos em casa.

Não se trata de qualquer tipo de limitação: não são serviços mínimos e não se trata de uma requisição. É apenas uma oportunidade, agora alargada a todos, de participar na GREVE

A convocatória do MEC é Geral, mas a que convocou a GREVE também é. Segunda-feira, sem medos e sem qualquer tipo de limitações formais, é a nossa vez de ir a EXAME!

Ou fazemos ou não fazemos. Mas, pelo que vou vendo, vamos mesmo fazer!

Quanto a Nuno Crato, percebo a vontade de ganhar na secretaria, mas a sua história está escrita e agora é de tombo em tombo até à queda final! E aposto que é antes das férias!

Greve: as respostas para as tuas dúvidas

O movimento que os Docentes portugueses iniciaram é muito mais do que uma GREVE. lutarSe no reinado maioritário de Sócrates conseguimos, sozinhos, sair à rua contra tudo e contra todos, não será uma Tecnocracia Ditatorial que nos vai impedir de voltar a liderar a oposição às políticas deste bando que nos assalta.

A GREVE às avaliações está aí, na semana que antecede a MANIFESTAÇÃO em Lisboa – a propósito, já estás inscrit@?

Esta GREVE tem motivado uma enorme confusão nas escolas apesar do esforço que, desta vez, os sindicatos têm feito para esclarecer cada um dos professores. Destas dúvidas, destacaria duas: a que se relaciona com o desconto no salário pela não presença na reunião e o quórum para a realização ou não da reunião

– Qual é o desconto pela ausência numa reunião de avaliação?

A primeira ideia de alguns ignorantes é ir ao Estatuto pescar uma explicação que ajude a intimidar os menos atentos. Diz o Estatuto da Carreira Docente (pdf), no ponto 6 do artigo 94º

6 — É ainda considerada falta a um dia:
a) A ausência do docente a serviço de exames;
b) A ausência do docente a reuniões que visem a avaliação sumativa de alunos. [Read more…]

Se fazes GREVE

Aqui está o texto.

Azia

Ou indigestão ou…
É só um palpite!

Crato: tens um dia!

A GREVE dos Professores começa amanhã!

greves

Nuno Crato tem uma oportunidade, quem sabe a última de se aguentar com a cabeça de fora.

Na imagem que acompanha o post e que pedi emprestada ao Público podemos verificar a sequência do protesto docente:

– de 7 a 14 GREVE ao serviço de avaliações;

– dia 15: manifestação em Lisboa;

– dia 17: Greve de TODOS os professores (a todo o tipo de serviço).

Para além da habitual falta de chá dos Governantes – é uma imbecilidade que os Sindicatos conheçam um documento tão importante como o da Organização do ano lectivo através da Comunicação Social – fica patente uma completa incapacidade de gerir uma negociação. Focar o problema nos exames e dizer que a classe está a fazer mal aos alunos só ajuda à mobilização. [Read more…]

22 tempos e 50 minutos

Caro leitor, se me permite uma pausa, desta vez escrevia directamente para os Profs. Aqui vai:

Meu caro, Concordo contigo! Já está a valer a pena a GREVE!

O Despacho  não impede as aulas de 45 minutos, sendo que continua a referência genérica aos 50 minutos. Mas, mais importante: os 1100 minutos do horário lectivo são para continuar, isto é, 22 tempos de 50 ou 24 de 45.

O corte maior vem por via da Direcção de Turma: 1,5 tempos por cada turma que passam para a componente não lectiva. Em cada 17 turmas, mais coisa menos coisa, vai um horário ao ar.

E por agora, o que me ocorre dizer é que valeu mesmo a pena marcar estas GREVES! Mais um bocadinho e a Mobilidade desaparece!

A GREVE dos Professores é pelos alunos

Há momentos em que se colocam alguns valores em causa. Confesso que fico confuso com algum tipo de argumentos e o dicionário é sempre uma boa solução para situar o significado de alguns vocábulos:

greve2 (2)


greve

(francês grève)

s. f.
1. Interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.
Parece-me então consensual que uma greve é uma iniciativa que e voluntária, organizada por quem trabalha e que implica a interrupção das suas funções laborais, certo? E para quê?
Para protestar ou reivindicar.
Pois bem!
O que estão a fazer os Professores?
A fazer uma interrupção nas suas actividades laborais, curiosamente até naquela parte do ano em que boa parte dos ignorantes que comentam o país costumam dizer que estamos de férias. Aliás, se temos 3 meses de férias (Junho, Julho e Agosto), creio que o contador já começou a andar e por isso, realmente, as aulas que tenho para dar hoje  e os testes para corrigir devem ser parte das minhas férias. Não se preocupe sr. Marcelo, que nós não vamos deixar de dar aulas para lutar. Vamos levar as aulas até ao fim, respeitando, assim, integralmente o direito dos alunos à Educação.
E que motivos levam os Professores a iniciar a luta mais dura desde o 25 de Abril?
A permanente vontade de Nuno Crato em despedir Docentes ( pode chamar-se mobilidade, requalificação ou outra coisa qualquer, mas verdadeiramente, o que está em causa é o despedimento de milhares de professores) e o aumento do horário de trabalho para 40 horas.
Ora, não me parece que seja crime defender o posto de trabalho – se os trabalhadores não lutam pela essência da sua condição, vão lutar para???
Diria que, antes pelo contrário,  temos a obrigação de o fazer – até podemos perder e ver o despedimento acontecer, mas que isso aconteça depois de lutar tudo o que for possível.
E, o que vão fazer os Professores? [Read more…]

Greve às reuniões de avaliação

Diz Paulo Portas que a Greve dos Professores em dia de exame não deve acontecer porque:cartaz1

“prejudicam o esforço dos alunos, inquieta as famílias e também não é bom para os professores, que durante todo o ano escolar deram o melhor, para que aqueles alunos pudessem ultrapassar os exames”

Podemos, como mero exercício de retórica, considerar como válida a opinião do senhor Ministro, lembrando no entanto que a Greve que está marcada para dia 17 não é uma Greve aos exames – é uma paragem a TODAS as actividades docentes, estando convocados TODOS os professores e educadores, quer do privado, quer do Público.

Voltemos então à opinião Portista (esta saiu bem! só não sei se coloque o acento.):

– “Prejudica o esforço dos alunos”.

Pergunto:

– trinta alunos por turma ajuda?

– fim do estudo-acompanhado e da formação cívica ajuda os alunos?

– menos horas para apoio ajudam?

– alterações programáticas a meio do ano ajudam?

-…

E a lista poderia continuar, mas penso que será mais interessante colocar duas ideias em cima da mesa: os motivos e a Greve. [Read more…]

Greve dos Professores

Só para manter a agenda actualizada, será importante recordar, caro leitor, que a Greve na área da Educação, ao serviço de avaliações continua em cima da mesa.

Quer isto dizer que, no período de 7 a 14 de Junho, não se realizarão as reuniões de avaliações onde se decide quem são os alunos que têm notas para ir a exame – 6º, 9º, 11º e 12º.

As dúvidas são muitas, mas das escolas chega uma força já antes vista e que torna mais possível o futuro. Há gente a mexer-se, a organizar, a fazer contas, tabelas e esquemas e, pela primeira vez, em muitos anos de serviço vai ser possível ver a classe a lutar de forma séria e inteligente.

Há escolas onde no primeiro dia se pensa que poderão fazer greve os colegas de línguas, no segundo os das expressões, no terceiro… Outras há, serão os Directores de Turma a avançar. Em todas, uma situação comum: o movimento está lançado e com mais de uma semana para o dia 7, a certeza é uma: as reuniões de Avaliação não se vão realizar.

Para esta realidade concorre, e muito, a unidade sindical criada em torno da luta contra o despedimento de professores. É claro que há Dirigentes Sindicais com responsabilidades, mas militantes do PSD, no terreno – por exemplo na área de Paredes – a desmobilizar para estas lutas.

Mas, como diz um companheiro de escrita no Aventar, em tempo de Guerra, não se limpam armas e é muito bom ver que  as escolas e os professores começam a tomar posições públicas sobre o que se está a passar.

 

 

Afinal quem é que foi agredido na Fontinha?

Tribunal absolveu activistas de agressão à polícia.

O exame de matemática da 4ª classe

Está feito o segundo exame do 4º ano – depois de terem realizado o de Português hoje foi a vez dos pequenitos se sentarem perante o exame de matemática.

E, tal como a Associação de Professores de Matemática, também eu considero que os exames são um mal desnecessário – são um instrumento de regulação que não acrescenta qualidade, antes pelo contrário.

Algures ali pelo Freixo, além da ponte e da Marina, desaguam dois cursos de água – o Torto e o Tinto. Há quem lhes chame rios e um até dá nome à terra dos melhores habitantes desta casa, o Aventar.

Não é preciso fazer o cruzeiro das três pontes para perceber que ao Douro chega, também, mais do que a água vinda lá dos Picos da Serra de Urbião, nomeadamente, os esgotos do Porto e de Gaia e muitas outras realidades, deslocadas do conteúdo deste post que começou por ser de matemática.

Não me parece honesto exigir que algures na Afurada se possa exigir um Douro fantástico e limpinho (sim, limpinho, limpinho, limpinho).

Pois, Crato imagina o exame da 4ª classe como um processo que na foz do curso vem resolver todos os problemas. Infelizmente, como não sabe mais, não percebe que está completamente enganado. [Read more…]

Boa?

Não!

Excelente!

Exame de Língua Portuguesa do 4º ano

Crato e os conservadores, saudosistas de um passado que não pode voltar, pregaram hoje mais um prego no caixão em que estão a embrulhar a Escola Pública e a Educação em Portugal.

Mais de cem mil alunos realizaram hoje o exame da 4ª classe, agora mais conhecido por Prova Final do 1ºciclo do Ensino Básico (pode consultar a prova em formato pdf: Caderno 1 | Caderno 2 | Critérios.

Sobre a prova haverá certamente gente mais qualificada para comentar, mas há dois aspectos que importa salientar e que são mais um exemplo da ignorância de quem procura gerir estas coisas:

– deslocar as crianças de 9 e 10 para a escola dos grandes é um esforço que não acrescenta nada, não valoriza o processo e que cria desigualdades;

– a desconfiança em relação aos docentes do 1ºciclo – impedidos de vigiar a realização das provas – é um insulto que eu não deixo passar em branco. Talvez o intelectual que decide estas coisas considere que todos os docentes do 1ºciclo são eticamente do seu género, mas, permita-me que lhe sugira que está enganado. Muito enganado, mas do alto da sua ignorância não entende isso, pois não?

 

Listas de colocações do Concurso Extraordinário

MEC acaba de divulgar as listas de colocação do concurso extraordinário.

Confesso que estou surpreendido!

Ontem vi um grupo morto…

O texto foi escrito pela Maria João, uma guerreira como há poucas.

A Anabela já trouxe o texto para a blogosfera, mas não resisto a partilhar o que vai na alma da Professora Maria João:

“Na apresentação dos manuais da […], onde estavam cerca de 200 professores de EVT, respirava-se desespero, desânimo e pessimismo. Eu, nos meus 41 anos, deveria ser das mais novas, mas todos tínhamos o mesmo cheiro: a depressão, a stress psicológico, a Burnout (palavra tão na moda…). [Read more…]

Os professores explicados aos não professores (II)

Escrevi há dias sobre o facto de Nuno Crato estar a despedir professores à custa de menos escola – é verdade que a Escola Pública tem hoje menos, muito menos, Professores, mas isso foi conseguido, fundamentalmente, à custa de menos horas com os alunos.

Por outro lado, Nuno Crato não conseguiu mexer na pérola que Maria de Lurdes Rodrigues deixou na escola pública – a burocracia.

O comentador falou em acabar com o MEC, deixar para os professores a tarefa de “ensinar”, seja lá o que isso for, mas a verdade é que tudo continua na mesma, para não dizer pior.

E, na Escola, a Burocracia manifesta-se de muitas formas, mas tem como principal argumento a necessidade da cadeia de comando se defender do chefe, isto é, quem está abaixo justifica-se ao de cima e de papel em papel fica para trás o mais importante – educar. [Read more…]

Os professores explicados aos não professores

Ser Professor é um problema, principalmente, quando queremos explicar o que se passa com os professores aos que não são professores.

Prometo que não vou contribuir para a retórica da classe de que se trabalha muito, de que se leva trabalho para casa, que…  Vamos esquecer isso tudo e olhar para o momento com um outro olhar – o olhar de pai.

Vejamos:

– de acordo com o Sr. Ministro Nuno Crato teremos em Portugal cerca de 105 mil docentes nos quadros e, um pouco mais de 10 mil contratados. Ou seja, em menos de 600 mil funcionários públicos, temos cerca de 115 mil professores. Logo, quando o Governo tem como prioridade despedir pessoas (há quem lhe chame poupança) diria que, 1 em cada 6 terá que ser professor.

– nos dois últimos anos o MEC recorreu a duas armas: despediu docentes a contrato e empurrou mais uns milhares (20 mil) para a aposentação.

Aparentemente, nas Escolas, do ponto de vista dos pais, continua tudo a correr com relativa normalidade. Mas, então, isso significa que Nuno Crato tinha (tem!) razão quando dispensou tantos Professores? [Read more…]

Combate ao abandono escolar por Daniel Sampaio

A redução do abandono escolar é uma conquista, mas não pode fazer esquecer a realidade do insucesso, da indisciplina e das dificuldades emocionais que, infelizmente, caracterizam o quotidiano de muitas crianças e jovens das nossas escolas. Por isso, não pode estar certa a ideia de dispensar, por exemplo, cem professores, muito menos a de mandar para o desemprego dezenas de milhares. A não ser que se deseje ficar mesmo sem professores.

Na Revista do Público de hoje, um artigo de Daniel Sampaio que vale a pena ler.

danielsampaio