Carta da APRE

A todos os professores

Estamos convosco

Meus amigos:

Amanhã, de olhos postos em vós, estamos convosco – nós, aposentados; nós, funcionários públicos; nós, quantos tememos pelo que vem a seguir; e nós, todos os outros, os que bem sabemos os males que nos espreitam: os que vemos como os direitos e a Lei, feita para nos defender a todos, tem sido letra morta – e já se chegou ao ponto de nos virem publicamente ameaçar de que logo a seguir hão-de tratar de a pôr a jeito.
Este é o ponto, meus amigos – o cerne da questão. Do que se trata aqui é de se estar a semear o terror no que era terreno sagrado, pelo preço de sangue que custou.
Em Democracia, ninguém pode impor unilateralmente – e ninguém é obrigado a aceitar – condições de trabalho impróprias. Ninguém pode aumentar arbitrariamente – e ninguém é obrigado a aceitar – horários, só para poder depois despedir mais gente. Ninguém pode mandar às malvas a própria decisão do colégio arbitral que solicitou e integrou (queria-a, sim, que foi quem a requereu – mas só se fosse a seu favor…). Ninguém pode, por ter errado todo o tempo, por não ter conseguido fazer o que lhe competia, e por não ter sido capaz de controlar o défice, apesar de tudo aquilo a que sujeitou o povo – para quem só deve trabalhar e a quem só deve o mandato – violar tão declaradamente as regras que suportam a sua própria legitimidade. Ninguém pode, finalmente, mudar o nome das coisas. [Read more…]

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros

Inês Gonçalves

Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.

Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.

As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida aí a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro! [Read more…]

Agora somos nós ou eles

Passos+Coelho+e+Nuno+Crato
«Quantas artes quantas manhas que sabe fazer nosso amo» – a frase de Gil Vicente, recordada numa caixa de comentários do Umbigo, aplica-se por inteiro à última façanha do Ministério.
Não há serviços mínimos nem hipótese de requisição civil? Não há problema, passam a existir serviços máximos. Convocam-se todos os professores do agrupamento e, mesmo que a adesão à greve seja de 90%, os 10% que comparecerem hão-de ser suficientes para garantir a sua realização. Não interessa que sejam professores da disciplina em exame, ou que tenham filhos a fazer exame, ou que não tenham tido sequer a formação habitual para vigilantes, ou que sejam educadores de infância a vigiar 12.º ano. O que interessa é que, no fim, o ministro possa dizer que tudo decorreu dentro da normalidade e que parta para a fase seguinte, a da vingança contra os que ousaram afrontar o seu poder. Tem sido sempre assim com este Governo.
Tudo o que agora se pede é um dia de greve. Apenas um. Se para alguns dois dias já serão demais, então pede-se apenas um. E esse dia é na segunda-feira, dia 17. É essa a nossa luta.
É por isso que chegou a hora da decisão. Um falhanço na greve de dia 17 irá pôr em causa as restantes greves às avaliações e daí à desmobilização geral será um pequeno passo. Uma vitória do ministro no dia 17 irá significar para milhares de professores a mobilidade, ou seja, o despedimento já no próximo ano lectivo.
Ao invés, uma vitória dos professores é o princípio do fim de um ministro e de um Governo arrogante que teima em ignorar a lei e fazer tábua-rasa de todo e qualquer princípio ético.
Agora somos nós ou eles.

De regresso ao Estado Novo?

Prepotências, métodos tortuosos e embustes deste governo não se afastam dos padrões de dirigismo e das acções políticas características do Estado Novo. O mais grave e inquietante da citada postura é notório na comunicação, em certas deliberações e eventos de iniciativa da coligação governativa. O fenómeno intensifica-se a um ritmo progressivo. Sinto-me a viver o período do maior desassossego antidemocrático do regime pós-25 de Abril, PREC incluído.

Gaspar justifica a quebra do PIB com a chuva. Quem nos governa ousa desrespeitar as deliberações do Tribunal Constitucional e a lei em vigor ao tempo do acórdão, pagando fora do prazo subsídios de férias da função pública. Começou por invocar uma falsa insuficiência de meios.

Vencidos no campo das relações laborais e do direito à greve dos professores, a despeito de contrariarem o Colégio Arbitral que reprovou a hipótese de requisição civil, recorrem ao Júri Nacional de Exames para requisitar administrativamente a presença de todos os professores nas escolas, na próxima 2.ª feira, dia 17, a fim de fazerem a vigilância dos exames.

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Querem guerra, vamos à guerra!

Fazendo troça do Colégio Arbitral que não decretou serviços mínimos, Governo convoca todos os professores para o serviço de exames.

Os sindicatos de professores andam a dormir?

Num momento em que a greve dos professores está no auge e o ministro da Educação acaba de esticar a corda, num caminho sem retorno, os sindicatos parecem ter adormecido na luta. Se esta já está extremada da parte do Governo, cumpre aos sindicatos fazer o mesmo.
Não é pedir mais negociações suplementares. Já se percebeu que o Governo nada tem para oferecer. Não é deixar que os prazos para novos pré-avisos se esgotem.
A partir do dia 24 de Junho, não haverá greves, pelo menos até agora – e já não há muito tempo para fazer o pré-aviso. E depois? Correrá tudo normalmente como se nada tivesse acontecido? Meia dúzia de dias de atraso, é isso que querem? E ficamo-nos por aqui?
Deixei de ser sindicalizado em 2008, no dia em que a Fenprof assinou o Memorando da Traição com a Ministra da Educação, a prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues. Estava disposto a dar uma segunda oportunidade aos sindicatos, mas infelizmente não vejo sinais assim tão positivos.
Era agora, com greves próximas dos 100% diariamente, que os sindicatos tinham de mostrar a sua força. E o que fazem? Abandonam a luta?

Capatazes à solta

O primeiro chama-se Calado. Parabéns Maria de Lurdes Rodrigues, capachos a dirigirem escolas resultou.

A propósito da greve dos professores,

Passos Coelho, naquele seu estilo altaneiro e paternalista a que jamais nos habituaremos, afirmou e reafirmou que os professores não têm o direito de lançar o caos na vida das famílias, fazendo com que deixem de saber com o que contar no futuro. Pergunto: alguma família sabe com o que contar desde que o Governo de Passos Coelho subiu ao poder?

Governo apoia a greve dos professores

Não pagar o subsídio de férias este mês foi uma ideia genial, ao nível do mau perder quanto aos serviços mínimos, mantendo os exames marcados para 2ª feira.

Com ministros assim os professores nem precisam de sindicatos (de passagem, a relação entre o grupo profissional e o sindicalismo foi muito bem explicada pelo Paulo Guinote, no decorrer da imensa carga de porrada que ontem deu na SICN a um tal de Couto dos Santos, em tempos ministro cavaquista e de cuja existência nem me recordava, é ver o vídeo, continua mentiroso e demonstrando uma inteligência ligeiramente superior à das formigas).

Hoje nas escolas os indecisos perdiam a indecisão, os que ontem não iam fazer greve passaram a indecisos, e algures num universo de 100 000 professores devem existir, muito algures, firmes apoiantes de Nuno Crato, do Passos Coelho e do meteorologista Gaspar mas em rigorosa clandestinidade, que a vergonha quando nasce por vezes é para todos.

É isto a meritocracia, a nata da direita no governo, a coisinha mais incompetente que me foi dado até hoje ver. Abençoada pátria que tais filhosdaputa tem.

Saíram-lhes os serviços mínimos pela culatra

tiro-culatra

Nuno Crato parece um zombie de si mesmo: contava com os serviços mínimos para anular uma luta dos professores que segue em crescendo, passando à agora completamente ilegal requisição civil. Azar, o óbvio foi decidido pela comissão arbitral.  A margem de manobra que lhe resta é menor que a possibilidade de Vítor Gaspar acertar numa previsão económica: embora certamente em menor número na 2ª feira, a greve às avaliações tem sido um sucesso e assim será, apenas perturbada aqui e ali por um director mais capataz e envolvendo muitos professores que até são apoiantes deste desgoverno que conseguiu o imprevisível: voltar a unir uma profissão, depois das malfeitorias de Maria de Lurdes Rodrigues e sua cuidadosa preparação de uma escola pública pronta a privatizar. Ao não adiar os exames optou por esticar a corda, nem percebendo que com isso o ónus das consequências lhe bate à porta.

Sonhará certamente hoje Nuno Crato com uma escola em que um director tivesse o poder discricionário de seleccionar os seus professores. Esses certamente que não arriscariam uma greve aos exames, tal como vai suceder nos colégios. A ideia é precisamente essa: reduzir a função pública aos abusos empresariais do costume, e na impossibilidade de proibir greves assegurar que só sejam feitas ao Domingo, mais uma peça do golpe de estado que tenta dissolver a Constituição sem os 2/3 de votos necessários. Vai-lhes rebentar na cara, e que doa muito.

A greve dos professores

Diz-se amiúde que os professores são uma classe muito organizada e com grande poder de bloqueio da acção governativa. No entanto, como noutras acções de spin, esta é uma ideia plantada, sem fundamento na realidade. Atente-se nas mudanças decorridas com o passar dos anos, que continuam um inexorável caminho independentemente dos ministros que momentaneamente dão a cara pelo Monstro Educativo, para se perceber que os professores fazem muito barulho, até conseguem fazer cair ministros, mas o rumo mantém-se. Muito poder têm, essas sim, ordens profissionais como as dos farmacêuticos, dos médicos e dos juízes, as quais conseguem impedir que eventuais mudanças cheguem sequer à ordem do dia. Os professores, esses reagem perante os factos (quase) consumados.  [Read more…]

A culpa deve ser do vento

Sem serviços mínimos, com uma adesão estrondosa, a greve dos professores promete.

Greve dos professores

Como registo inicial de interesses, devo afirmar, desde já, que não compreendo que, nos dias de hoje, se continue a considerar a greve como um direito. Não entendo e, dificilmente, entenderei que se tenha por legítima uma acção cujo único propósito é causar prejuízo em grau tão elevado que leve o interlocutor a ceder e a acatar as reivindicações dos grevistas. Para mais, normalmente, os danos sobram, não para a contraparte negocial, mas para o público em geral.

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Baba de Camilo

Lourenco

Camilo Lourenço, que se excita com qualquer tirada marialva, não consegue conter um grito de prazer, diante das palavras de Silva Lopes, esse defensor dos pobres e dos desempregados.

Curiosamente, trata-se do mesmo Camilo que, nos últimos dois anos, tem andado a perorar sobre a inevitabilidade dos sacrifícios e que isto custa a todos e que andámos a viver acima das possibilidades e que agora há que aguentar. Desta vez, estranhamente, acede a preservar os pobres e os desempregados, o que parece um indício de rara humanidade.

Na qualidade de parolo do excel, característica que partilha com Silva Lopes e outros simplórios da comunicação, é natural que deixe escapar o habitual reflexo de que ninguém pode protestar enquanto houver quem esteja pior, asserção que não corresponde a um raciocínio mas a uma reacção semelhante à do cão de Pavlov: Camilo Lourenço ouve falar em professores ou em sindicatos e baba-se.

Em Alfena não se realizaram Conselhos de Turma sem todos os professores presentes

alfena
Perguntei em post anterior se seria verdade que na Escola E B 2 3 de Alfena se realizaram Conselhos de Turma sem todos os professores estarem presentes por motivo de greve. Pelos vistos, os Conselhos de Turma não se realizaram mesmo e, por isso mesmo, cumpre-me pedir desculpas a toda a comunidade educativa de Alfena pela minha suposição.
Uma suposição que, de resto, partiu de um inacreditável erro do agrupamento. Durante todo o fim-de-semana, os alunos e seus encarregados de educação puderam consultar as suas notas do 3.º período através da plataforma do GIAE. E pelo menos num dos casos, estavam lançados todos os níveis à excepção dos da disciplina de Inglês. Suposição óbvia dos encarregados de educação: a professora de Inglês fez greve e a reunião foi realizada na mesma. Da forma como este Governo pressiona os seus directores, não seria algo de tão extraordinário assim.
Felizmente que não aconteceu, que a lei se cumpriu e que o agrupamento de Alfena deu mostras da sua honestidade. Mas em vez de insultos na caixa dos comentários do Aventar, por parte de 2 ou 3 professores, talvez fosse de bom tom o agrupamento reconhecer erros próprios. É que não fui eu que disponibilizei as notas aos alunos antes ainda da realização dos Conselhos de Turma.

Em Alfena, realizaram-se Conselhos de Turma sem todos os professores presentes?

Pelos vistos, o Governo e os seus Directores de Agrupamento estão dispostos a fazer tudo para que os resultados das avaliações sejam publicados, mesmo com greve dos professores.
Na Escola E B 2 3 de Alfena, os alunos já começaram a receber, com uma celeridade impressionante e invulgar, as notas relativas ao 3.º Período. Num acto de ilegalidade, as notas das turmas foram publicadas com um espaço em branco na disciplina de Inglês. Ou seja, o professor da disciplina terá feito greve mas as restantes notas foram dadas. E o Conselho de Turma realizou-se na mesma.
A verdade é que, se o professor faltou por estar em greve, tudo isto é absolutamente ilegal por uma razão simples – a reunião não existiu porque faltava uma pessoa, logo, tudo o que de lá resultou foi ilegal, ou antes, nem sequer tem existência formal.
Se foi isto que aconteceu, repito, tem de ser levado até às últimas consequências.

Adenda: Na caixa de comentários deste post, a directora do Agrupamento de Escolas de Alfena, Felisbina Neves, garante que os Conselhos de Turma não se realizaram por motivo de greve. Uma docente do mesmo Agrupamento garante o mesmo. E se garantem só posso acreditar que realmente esses Conselhos de Turma não se realizaram e pedir desculpa por ter partido de um princípio errado.
Mas a verdade é que, desde pelo menos hoje à tarde, os alunos do Agrupamento têm acesso às suas notas do 3.º Período, como o comprova o print que fiz (e que omito para não revelar o aluno em causa) e que conservo na minha posse. Não é meu costume inventar notícias e mentiras – aliás, no próprio post tive o cuidado de escrever «se foi isto que aconteceu».
Ora, se não foi isto que aconteceu – realizar-se um Conselho de Turma sem o professor de Inglês presente – o que é que aconteceu? Por que é que os alunos estão a receber as suas notas do 3.º Período? Quem deu aquelas notas? Aquelas notas correspondem às notas que vão ser dadas? Quem se responsabiliza por dar aos alunos informações erradas? Quem responde perante os alunos se as notas afinal forem inferiores?

Razões para não fazer greve

greve-professores (1)Num país ainda democrático, é natural que haja diferentes opiniões. Sobre a greve dos professores têm surgido algumas críticas à classe docente. Tentarei indicar algumas delas, num tom suficientemente ligeiro para que se possa perceber que hoje é feriado e para que fique claro que as desprezo a todas:

Crítica 1: “Direito à greve, pois com certeza que sim, é claro, mas…” Independentemente do que se segue ao “mas”, a primeira parte torna-se soberana. Vivemos, ainda, num Estado de Direito. Há legislação sobre a greve. Cumpra-se.

Admita-se, no entanto, que uma greve, sendo legal, possa ser injusta ou imoral. Prossigamos. [Read more…]

Num dia de greve de professores temos de falar disto

ranking
Façamos então uma pequena experiência, Vítor Cunha. Coloque os alunos da Escola Visconde de Juromenha a estudar no Colégio dos Plátanos e os alunos deste colégio a estudar naquela escola. E veja depois se não é a Visconde de Juromenha que fica em 2.º lugar no ranking e o Colégio dos Plátanos em 1285º.
Ou sigamos a sua teoria – dar liberdade de escolha aos alunos. Já estou a imaginar. Os putos do Bairro do Aleixo ou de Miragaia, no Porto, a entrarem pelo Colégio de Nossa Senhora do Rosário adentro, cumprimentando com educação as freiras e os padres; os miúdos do Ingote ou do Bairro da Rosa, em Coimbra, a invadirem de forma muito ordeira o Colégio Rainha Santa; a chavalada de Chelas e do Bairro da Quinta do Mocho, em Lisboa, a ocuparem os melhores lugares do Colégio de S. João de Brito.
Mas há uma condição: as escolas privadas não poderão seleccionar os alunos, terão de aceitar tudo o que lhes calhar em sorte. Para podermos comparar, não seria justo que uma escola pública tivesse de aceitar tudo e uma escola privada pudesse seleccionar, pois não?
Acredite, ia ser divertido… e o melhor que podiam fazer à Escola Pública.
Quanto aos custos, depende sempre da forma como se olha para os números. Para mim, é muito claro que o ensino público fica mais barato do que o ensino privado com contrato de associação.
Por último, sabe que é demagogia pura falar dos rankings da forma como o faz. É que se vamos falar dos rankings, apetece-me olhar para o da Universidade do Porto e ver que os seus melhores alunos vêm da Escola Secundária Garcia de Orta. [Read more…]

Balanço do primeiro dia de greve: Números esmagadores

Não se realizaram 405 dos 419 Conselhos de Turma previstos para ontem, primeiro dia de greve dos professores, o que corresponde a uma percentagem de 96,6%. São números esmagadores.
E aqui não há lugar à habitual luta de números entre sindicatos e Ministério. Porque neste caso não interessa quantos fizeram greve. Até pode ter sido só um professor em cada Conselho de Turma. O que interessa é saber quantos é que não se realizaram. E sem receio de me repetir, volto a dizer que os números são esmagadores.
A lista completa está aqui. Terça-feira, dia em que começam os Conselhos de Turma do 6.º, 9.º e 12.º anos na maior parte dos agrupamentos, há mais.

Desabafo de uma mãe sobre a greve dos professores

Júlia Amorim

A minha Teresa está no 12º ano e como milhares de alunos no país terá exames nacionais, cujos resultados terão reflexo no prosseguimento de estudos.

Ontem, em família discutíamos as consequências da greve dos docentes e as conversas tidas na escola por parte dos colegas e professores. Que confusão de ideias, que demagogia, que ausência de pensamento crítico! A greve dos professores é mais do que justa e quer os pais quer os alunos deveriam estar unidos nesta luta. A greve dos professores não prejudicará os alunos… os alunos é que estão a ser prejudicados pela incompetência dos nossos governantes.

Claro que o efeito da greve será sentido e terá consequências. Será que os pais dos alunos não sabem que os professores também são pais? Que pais gostarão de prejudicar os filhos? A greve é usada como último recurso: quem se dá ao luxo nos tempos que correm de perder um ou mais dias de salário… [Read more…]

Cavaco Silva critica Nuno Crato

Cavaco Silva afirmou, hoje, que “estudantes não podem ser meios para atingir fins”. Embora pertença a outro quadrante político, não posso concordar mais com o Presidente da República.

Nuno Crato quer baixar os salários dos professores, despedir professores e entregar a Educação a privados que poderão contar com uma classe docente tão precária que estará disposta a fazer tudo o que lhe mandarem, com medo de perder o emprego.

Para isso, Nuno Crato tem usado os alunos, pondo de parte qualquer preocupação com a qualidade das suas aprendizagens: continuou a criação de mega-agrupamentos que desumanizam as escolas, impedindo que os profissionais de Educação possam estar o mais próximos possível dos alunos; aumentou o número de alunos por turma, o que impede os professores de dar o melhor acompanhamento possível aos que têm mais dificuldades; impôs alterações curriculares que empobrecem as aprendizagens dos alunos; prepara-se para aumentar a carga horária dos professores, retirando-lhes o tempo necessário para a preparação de aulas e para a formação individual.

Em resumo, Nuno Crato amontoa alunos para dispensar professores. A crítica de Cavaco a quem usa os estudantes como meios para atingir fins revela-se, portanto, justíssima.

Os três pastorinhos e a greve dos professores

Por Santana Castilho

Depois do presidente Cavaco, que não é palhaço como sugeriu Miguel Sousa Tavares, ter atribuído à Nossa Senhora de Fátima a inspiração da trindade que nos tutela para fechar a sétima avaliação, vieram três pastorinhos (Marques Mendes, Portas e Crato) pregar no altar do cinismo, a propósito da greve dos professores: “… marcar uma greve para coincidir com o tempo dos exames nacionais … não é um direito … é quase criminoso … é uma falta de respeito …” (Marques Mendes); “… se as greves forem marcadas para os dias dos exames, prejudicam o esforço dos alunos, inquietam as famílias …” (Portas); “… lamentamos que essa greve tenha sido declarada de forma a potencialmente criar problemas aos nossos jovens, na altura dos exames …” (Crato).
Marques Mendes “redunda” quando afirma que a greve é um direito constitucional. Mas depois qualifica-a de abuso e falta de respeito. Que propõe? Que se ressuscite o papel selado para que Mário Nogueira e Dias da Silva requeiram ao amanuense Passos a indicação da data que mais convém à troika? Conhecerá Portas greves com cores de arco-íris, acetinadas, que sejam cómodas para todos? Que pretenderia Crato? Que os professores marcassem a greve às aulas que estão a terminar? Ou preferia o 10 de Junho? A candura destes pastorinhos comove-me.
Sem jeito para sacristão, chega-me a decência mínima para lhes explicar o óbvio, isto é, que os professores, humilhados como nenhuma outra classe profissional nos últimos anos, decidiram, finalmente, dizer que não aceitam mais a desvalorização da dignidade do seu trabalho. [Read more…]

A propaganda do costume

Os sindicalistas não recebem em dia de greve, até porque o STA não deixa (já agora: a verba revertia para o sindicato).

Vozes de sábio não chegam ao Inferno

No sábado passado, fui ao Colégio Paulo VI, em Gondomar, assistir a uma palestra de Maria do Carmo Vieira. De todas as vezes que a ouço, reencontro o desassombro e a frontalidade necessárias na crítica a muito do que está errado na Educação, em geral, e no ensino do Português, em particular. Reencontro, ainda, nas palavras da minha colega a energia renovada para tentar ser melhor, para não me deixar acomodar.

Eis algumas das ideias que reencontrei, enquanto ouvia Maria do Carmo Vieira:

– as opiniões e os pareceres dos professores são fundamentais para a maior parte das decisões sobre Educação. Os sucessivos ministros, no entanto, limitam-se a olhar para os professores como funcionários que se devem limitar a obedecer;

– os professores não podem permitir a proletarização de que são alvo e devem exercer um exame crítico sobre todos os aspectos da sua actividade profissional;

– o empobrecimento da formação inicial e contínua dos professores é absolutamente criminoso e terá efeitos nefastos no futuro (a propósito disso, fomos brindados com uma extraordinária declamação de “Aniversário”, ao som de Prokofiev);

– a base da actividade docente reside no conhecimento científico e não nas questões pedagógicas, sendo que estas devem estar ao serviço das primeiras e não podem ocupar o papel principal na função docente; [Read more…]

A falta de senso dos defensores do consenso

Santana Castilho*

Diariamente, grandes e pequenas coisas, afinal aquilo de que é feita a vida, desfilam em alardes de falta de senso, mesmo quando os seus intérpretes, por inerência dos cargos que ocupam, dele nunca devessem prescindir. O país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de loucos.

1. Em nome do consenso, Cavaco Silva criticou Paulo Portas por falar e expor, em público, a fragilidade da coligação moribunda. Mas não se coibiu, ele próprio, de defender, em público, o que Portas disse. Que a senhora de Fátima (segundo ele provável responsável pela conclusão da sétima avaliação) lhe ilumine o senso comum, já que os “cidadões” (novo presidencial plural) recusam consensos sabujos.

2. Não é de senso comum ou sequer mínimo que se trata quando se ouve, como ouvimos, o primeiro-ministro afirmar, naquele jeito característico de estadista de Massamá, que os cortes apresentados ao eurogrupo não se aplicam à generalidade dos cidadãos mas, tão-só, aos reformados e funcionários públicos. A questão é de siso. Não o tem, de todo, quem teima em dividir os portugueses em subespécies: os espoliáveis, sem direito a pio, e a “generalidade”, salva e agradecida. [Read more…]