Tudo à borla!

Poi é, amigos, o TGV vai para a frente porque não custa nada ao país.Já ouviram isto antes? Ponte Vasco da Gama, autoestradas…

O administrador da RAVE Carlos Fernandes em recente discussão na SIC, disse que os muitos milhões de euros vem tudo do BEI e da UE.Conseguimos (segundo o pândego) obter muito mais dinheiro que todos os outros países.Porquê? Santa ignorância, os nossos projectos são extraordinários.Tudo à borla !Ou quase!Não se pode perder esse dinheiro, nem que seja para fazer obras que não são precisas.

Percebem agora porque o TGV se faz num país à beira da falência, pobre e no meio de uma imensa crise?

O TGV e o aeroporto não encaixam, diz quem anda a estudar o assunto desde 1986.Devia estar tudo integrado.Mas não integra? Não! O ministro devia ser do planeamento mas o que temos é um “empreiteiro”(Luis Queiró,na mesma entrevista) Faz obras a eito.Até vai fazer o aeroporto na planície “jamais”. O que mostra bem como estava bem estudado o assunto!

E o dinheiro vem de onde?Junta-se à dívida externa que já hoje é colossal?

Entretanto os centros das cidades caem de velhos e os monumentos nacionais degradam-se aceleradamente.Uma boa forma de atacar a crise e o desemprego seria fazer estas obras de proximidade.Mas pelos vistos estas não seriam “`borla”! São obras para as PMEs e estas não interessam nada.

As razões do coração

O Expresso abordou na edição de ontem uma questão que era já alvo de diversos comentários mais ou menos em surdina no seio da comunicação social, embora profusamente comentado nos blogues. Em causa está a defesa que Fernanda Câncio faz de José Sócrates no caso Freeport.

Fernanda Câncio é jornalista, no Diário de Notícias, onde assina uma coluna de opinião, é redactora de um blogue colectivo, o Jugular, e utilizou o seu Twitter para prolongar as manifestações de apoio à causa do primeiro-ministro. Acontece que é namorada de José Sócrates.

As causas do coração, reconheça-se, são das mais problemáticas. Podemos andar uma vida a censurar e condenar, por exemplo, quem atropela uma pessoa e foge, provocando o crime de omissão de auxílio, mas se o condutor da viatura for alguém muito próximo de nós, é inevitável a tendência para assumirmos a sua defesa, encontrando um sem número de atenuantes para o acontecido. É a nossa natureza. Na minha vida profissional conheci mulheres que eram agredidas de forma violenta pelos maridos, mas que perdoavam sempre o gesto e não os queriam abandonar. Num deles, pelo menos, por amor. Apesar de insultada e agredida física e psicologicamente, continua a amá-lo.

Não fico surpreendido por ver Fernanda Câncio defender Sócrates. Compreendo. Apenas não gosto que, em nome dessa defesa, vá um pouco longe demais naquilo que escreve. Não subscrevo as opiniões daqueles que a acusam de ser uma correia transmissora do namorado. Também não me incomoda que, enquanto cidadã, manifeste a sua opinião no blogue no qual participa, ou que envie umas ‘postas’ mais curtinhas sobre o caso no Twitter.

Incomoda-me é que utilize a sua coluna de opinião no Diário de Notícias para o mesmo efeito. Neste jornal, Fernanda Câncio é uma profissional a tempo inteiro, são-lhe distribuídos serviços a cumprir aos quais tem de responder da forma mais isenta e objectiva que possa – porque não há isso da objectividade total. Não cabe, por certo, na cabeça do director do jornal ou do editor da secção, entregar à jornalista serviços relacionados com o Freeport, o PS ou uma entrevista ao chefe do Governo.

A coluna de opinião é outra coisa. Percebemos que o DN, e bem, não limita a opinião a quem a encomenda. Mas manda o bom senso que a posição de Fernanda Câncio fosse diferente da que é e evitasse escrever sobre o processo Freeport e outras matérias que envolvessem de forma mais pessoal o namorado. Ficava-lhe bem cumprir o código deontológico dos jornalistas que, no ponto dez, diz que “o jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses”. O mesmo deveria acontecer no programa televisivo da TVI24 onde é comentadora residente. Não só pelo seu estatuto mas até para recato pessoal.

É claro que ao escrever no Jugular, no Twitter, ou em qualquer outro fórum do género, não deixa de ser jornalista e, penso, a ver-se obrigada a um cuidado especial. Em todo o caso, penso que haverá maior abertura para poder comentar o caso, como cidadã ou mesmo como namorada. Todos entendemos as razões do coração.

A Teia Socialista

Depois da maioria absoluta o PS tem vindo a apertar o cerco.Na economia nunca um governo, depois das privatizações, teve tanto poder como o actual.Como se viu na OPA da PT, na captura da administração do BCP ( conseguida com os negócios finos da CGD), na nacionalização do BPN.Para além das empresas que consideramos estarem, naturalmente ,na órbita do governo (Galp.EDP.CGD,PT,….)são à volta de 70 empresas.Se lhe juntarmos as participações que todas estas empresas têm no resto da economia,estamos perante um gigante sem freio!

Na Comunicação Social uma RTP e RDP bem comportadas, uma ERCS controleira, um concurso para o quinto canal que não anda nem desanda,temos uma intervenção preocupante, a que se juntam agora, ”
as acções judiciais por difamação” do Primeiro Ministro para intimidar jornalistas.E para retocar o ramalhete foi para director da LUSA um amigo de Sócrates e militante do PS!

Na Justiça, para além de sabermos que este estado em que se encontram os tribunais e o Ministério Público interessa aos poderosos (há sempre a hipótese de prescrever este processo e não aquele, sem explicação nenhuma),sabemos agora que um magistrado ,militante do PS e suspeito de “ajudar” companheiros de partido( Fàtinha) está num lugar europeu que o liga à investigação do Freeport,e faz a conexão entre a Polícia Portuguesa e a Inglesa!

Nas obras públicas, os concursos públicos são muito apropriadamente,
afastados e substituídos pelo ajuste directo, que se adequa maravilhosamente aos gestores que se transferiram da política e do PS! E os concursos das grandes obras, criticadas por todos os que não são do PS,são lançadas a toda a pressa para não haver partilha na decisão.

Para se fechar o círculo vicioso e ranhoso temos agora o PS a querer não perder o controlo da rua e levantar a bandeira de uma política de esquerda que o Governo de Sócrates todos os dias renega!

Ter lata?Sofrer de Alzheimer? Nem pensar ! É melhor não sermos ingénuos!

Memórias da Revolução: 10 de Abril de 1974

O «Jornal de Notícias» de 10 de Abril de 1974 refere que as Farmácias pretendem maior lucro, embora não queiram que o preço dos medicamentos suba. 35 anos depois, a mesma luta!
Rebentou uma bomba a bordo do Niassa, no momento em que o navio ia partir de Lisboa. Quatro militares ficaram feridos.
O Governo coloca a hipótese de requisitar matérias-primas ou mercadorias, de forma a proteger os consumidores.
O Secretário de Estado da Informação e Turismo, Pedro Pinto, foi recebido com folclore no Aeroprto Pedras Rubras.
No desporto, Yazalde deve jogar logo à noite contra o Magdeburgo, em jogo a contar para a Taça das Taças.
Na política internacional, Messner quer ser o único candidato gaulista às eleições francesas, mas Chaban-Delmas «furou» a unidade.
Faltam 15 dias para a Revolução.

A sombra de Caxias (II – Tortura do sono e quejandos)

Em Caxias, os presos entravam às centenas. Só no dia 7 de Maio de 1962, entraram 113 pessoas, acusadas de participarem nas manifestações do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador. Nos três dias subsequentes, foram presos mais oitenta e cinco homens.
«Vocês poderão imaginar isto tudo, amigos? O que era, em prisões destas, ser torturado, espancado, apodrecer nos curros, adoecer, tuberculizar, ter cancro, ter dores, vomitar, ter período menstrual, não tomar banho, tremer de frio, passar fome? Ninguém pode imaginar. Só vendo. Vocês poderão imaginar, amigos, o que eram os interrogatórios, os insultos, a vida inteira devassada, avacalhada, o silêncio das noites, o isolamento, os anos passados, as cartas abertas, os parlatórios com microfones minúsculos, debaixo dos mosaicos das paredes, as visitas com guardas ao lado? Ninguém pode imaginar. Só tendo passado por isto.» (Maria Fernanda Leitão, in «Notícia», 25 de Maio de 1974).
O objectivo da PIDE era, acima de tudo, obter a confissão do preso, visto que na maior parte das vezes não havia uma única prova material do suposto crime. Daí que a confissão tivesse de ser autenticamente arrancada durante o interrogatório. O espancamento, a tortura do sono ou da gota de água, o isolamento continuado ou as ameaças de morte a familiares e ao próprio eram algumas das muitas técnicas utilizadas.
Quanto às salas de interrogatório, eram pequenas e constituídas por uma mesa, uma cadeira e um banco, um quarto de dormir e uma casa de banho. Por vezes, candeeiros escondiam microfones para gravar os interrogatórios.
A tortura do sono era uma das mais aplicadas em Caxias. Para impedir que o preso dormisse, às vezes durante semanas, a PIDE recorria a estímulos que iam aumentando de intensidade à medida que se tornava mais difícil mantê-lo acordado. Numa primeira fase, brincar com uma moeda, abrir e fechar gavetas ou obrigar o preso a passear pela sala; numa segunda fase, berrava-se, espancava-se, gravavam-se gritos, mudava-se repentinamente a temperatura, queimava-se o preso e obrigava-se o mesmo a ficar em posição de estátua.
«Exemplo suficientemente elucidativo dos processos então utilizados por aquela polícia política é o caso de José Pedro Correia Soares, preso no dia 1 de Junho de 1971. (…)
Foi primeiramente interrogado pelo director da prisão de Caxias e, perante a sua atitude firme, o interrogador começou a ameaçar: «Se não quer esclarecer a verdade, não esclareça, mas vamos tê-lo 6 meses ao nosso dispor e, se for preciso, mais 3 ou 6 meses.» (…)
Depois de uma noite de sono numa cela de isolamento em Caxias, regressou ao interrogatório no dia seguinte.
Esta primitiva «sessão» teve a duração ininterrupta de seis dias e seis noites, em que o preso esteve permanentemente acompanhado, pelo menos, por um agente que era rendido de seis em seis horas, e que se encarregava de não o deixar adormecer nos intervalos dos interrogatórios propriamente ditos e de proceder a uma pressão psicológica permanente no sentido de o preso fazer confissões. (…)
Quando o preso insistiu na negativa e declarou não aceitar a Direcção-Geral de Segurança como instituição legal porque só praticava injustiças, sofreu o primeiro espancamento: violentamente socado na barriga tombou no chão, sendo depois pontapeado várias vezes , do que lhe resultaram ferimentos no nariz e no olho direito.
Em seguida, obrigaram-no a permanecer de pé três dias e três noites consecutivas, e como o prisioneiro se tivesse recusado a comer enquanto fosse torturado, quiseram-lhe introduzir um tubo no estômago para alimentação.
O preso acedeu e voltou a comer. No quinto dia, foi o director da cadeia quem tomou a iniciativa da «persuasão» com socos na cara. Como o preso o insultasse, novo grupo de agentes entrou na sala para o agredirem a pontapé. (…) Estava terminada a sessão preliminar de «interrogatórios».
Interessante, até para dar uma visão diferente da prisão, é perceber de que forma Caxias era observada do estrangeiro, neste caso através de um texto do então correspondente do jornal inglês «London Guardian».
Um investigador americano, que visitou a prisão em Agosto de 1974 e que comparou Caxias, mais recentemente, ao sistema prisional americano, mais concretamente a Guantanamo, em Cuba, local onde os Estados Unidos mantêm ilegalmente, sem culpa formada nem acusação, centenas de prisioneiros.
Um dos motivos que leva ó autor a fazer essa comparação está relacionado com a tortura do sono, uma das principais especialidades da PIDE em Caxias. Um método que era aplicado com a ajuda da CIA, que em 1963 produzira o «Kubark», manual secreto que descrevia a forma de exercer tal tortura.
«Durante vários dias, no princípio do verão de 1974, tive acesso livre a uma estranha e terrível prisão próxima a Lisboa, então vazia devido ao golpe que no mês de Abril findou 48 anos de ditadura fascista em Portugal. (…)
A prisão de Caxias era dirigida pela polícia secreta, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), temida pelos portugueses. Os peões atravessavam a rua para evitar passar em frente à sua sede em Lisboa. Caxias era uma velha fortaleza próxima ao mar, mas no seu interior havia uma moderna câmara de tortura que utilizava as mais recentes técnicas de coerção — concebidas pela US Central Intelligence Agency.
Durante décadas, milhares de prisioneiros políticos, principalmente comunistas e socialistas, deram entrada em Caxias para tortura sistemática e a seguir foram soltos. Por que estes subversivos conhecidos, que haviam dedicado as suas vidas à destruição da ditadura, puderam retornar à liberdade? Porque o êxito das técnicas modernas de tortura importadas pela Pide significava que as suas vidas anteriores haviam-se tornado irrelevantes? Nas palavras da Pide, eles haviam sido “jogados fora do tabuleiro de xadrez”. As suas vidas, velhas ou novas, foram destruídas.» (Cristopher Reed)

A inversão do ónus da prova, ou «Diz-me com quem andaste, dir-te-ei quem és»

O João Pedro Henriques partilhou em tempos um blogue com a Fernanda Câncio, o «Glória Fácil».
O João Pedro Henriques, agora, escreve no «5 Dias». A Fernanda Câncio escreve no Jugular.
O João Pedro Henriques é contra a inversão do ónus da prova e contra a penalização do enriquecimento ilícito. Talvez porque, se fosse assim, o primeiro-ministro teria de explicar os seus sinais exteriores de riqueza. Talvez pelas mesmas razões, a Fernanda Câncio também é contra a inversão do ónus da prova e contra a penalização do enriquecimento ilícito.
Quando se juntam as peças, as coisas começam a fazer sentido. Certas contratações é que não.

É só Alzheimer?

A Graça Franco ainda tem a esperança que, estando o país doente, seja só Alzheimer. No texto a seguir há a perplexidade de quem não acredita que o sentido de impunidade chegue tão longe. E que o pagamento de favores políticos e pessoais tambem não. Mas ela própria explica:

«Há episódios na política que nos mostram quanto a memória é curta. O caso das eventuais “pressões” sobre magistrados no caso Freeport é um deles.
Quem se lembrava que o actual ministro da Justiça fora demitido de director dos assuntos de justiça do Governo de Macau acusado de pressionar um juiz de instrução criminal num caso de peculato que, ao tempo, envolvia dois companheiros socialistas?
Aconselhava o bom senso que, com um passado assim, não voltasse o político a ocupar pastas na Justiça? E menos ainda a ser ministro? Talvez, mas a memória não resistiu a 21 anos de branqueamento. Eis a espantosa explicação do próprio sem ponta de remorso. A alegada pressão não passara de uma mera explicação técnica fornecida ao juiz para evitar que ele persistisse “no erro” de manter em prisão preventiva os dois acusados.
E Lopes da Mota? Alguém sabia o nome do magistrado acusado de fornecer a Fátima Felgueiras documentos do processo em que estava envolvida? Alguém suspeitava sequer que poderia ser ele o elemento de ligação entre a investigação britânica e portuguesa no caso Freeport? Um ex-secretário de Estado socialista? Aconselhava o bom senso que o político não tivesse regressado à sua actividade de magistrado? Talvez, mas a ninguém ocorreu manter viva a memória.
O país está doente e o diagnóstico aponta para um estado avançado da doença de Alzheimer. Só isto explica que, depois de condenado por corrupção, Domingos Névoa possa ter sido nomeado presidente de uma empresa municipal com aval unânime dos maiores partidos. Até aqui, foi precisa a pressão dos média para o próprio se lembrar do facto e… renunciar ao cargo.»

Contratem um estilista para fazer uniformes, já!

Hoje estou um pouco mais contente com a nossa administração pública. Sinto-me revigorado. Quando estamos tristes e desanimados com os órgãos do Estado, uma notícia como a que o Correio da Manhã hoje apresenta deixa-nos um travo de esperança. Sabemos que há, na nossa administração, quem pense primeiro nos humildes clientes das lojas desta entidade detentora de monopólio.

Um os mais zelosos serviçais do Estado, mas com poder decisório, proibiu o uso, em serviço, “de blusas decotadas, saias muito curtas, gangas, perfumes com cheiro agressivo, roupa interior escura, saltos altos e sapatilhas” às funcionárias da Loja do Cidadão de 2ª geração de Faro. Finalmente alguém no seu perfeito juízo.

Não venham, por favor, falar em atentado à liberdade individual ou coisa do género. As senhoras funcionárias fazem atendimento ao público e devem, pois, apresentar-se de forma digna, cuidada e cumpridora dos bons costumes. Além do mais, em Faro há muitos estrangeiros e temos de transmitir uma imagem positiva a quem nos visita ou queira tratar da papelada para ser mais um neste nosso belo rectângulo.

Se se apresentassem de forma atrevida num balcão de uma loja de 2ª geração, e isto faz toda a diferença em relação a outras, dariam uma imagem negativa e prejudicariam o ritmo dos trabalhos. Se fossem em preparado menos decentes, das duas uma. Se a senhora for feia e mal jeitosa arrisca-se a repelir ou deixar mal impressionado o cliente, e todos sabemos como a primeira impressão é importante. Se for bonita e jeitosa, vai atrair a clientela e perder mais tempo que o desejável.

Deve ser por isto que o balcão da segurança social nas lojas do cidadão está sempre com filas enormes. Mesmo quem já tratou os seus assuntos, arranja sempre forma de ficar mais uns minutos a apreciar. Quem não tratou, não se importa de esperar porque o cenário é agradável. E assim, a fila vai crescendo.

As funcionárias destes balcões devem ser agradáveis, bonitas, com um decote generoso e os seios apenas meio escondidos por um soutien preto e debruado com renda. O perfume, esse, é forte mas cativante e insinuante. A saia, curta, uns dedos acima dos joelhos, mostrando mais que o permitido pela moral e bons costumes mas, essencial, tapando as áreas mais significativas, deixando espaço para a imaginação.

É bom, pois, que haja dirigentes na administração pública capazes de investir muito do seu tempo a criar regulamentos e normas deste género. É preciso ainda alguém tomar medidas impopulares mas correctas para o bom funcionamento das estruturas de atendimento. Melhor, ainda seria contratar, por um valor adequado e justo, um estilista de renome para desenhar e fabricar um uniforme bonito e de qualidade. Sempre dentro do chamado bom gosto. E toda a gente sabe o que isso é.

É preciso ter lata!

Do «Público» on-line:

«Socialistas assinam texto crítico sobre situação do país

O “sistema capitalista” parece “ter entrado em ruptura”. Há “direitos conquistados durante gerações, pelos trabalhadores” que foram “gradualmente postos em causa”. O retrato, do mundo e de Portugal, é tudo menos risonho e é assinado pelo PS, o partido do Governo, e por alguns dirigentes da chamada “ala esquerda”, a começar por Manuel Alegre, e pelo fundador do partido Mário Soares.
Outros subscritores são o PCP, Bloco de Esquerda, Verdes, as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, JS e JCP, entre outros.
Segundo os subscritores, a crise económica mundial está a ter consequências em Portugal, onde os seus efeitos se somam às “vicissitudes de antigos desequilíbrios estruturais que vêm de muito longe e persistem” e não pode justificar “violências contra os trabalhadores”. “O desemprego e a precariedade alastraram.”
Alegre e Soares são duas das mais de 600 personalidades de esquerda que assinam o “apelo à participação” na manifestação do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, organizada anualmente pela Associação 25 de Abril.»

Quando se sabe que gente como Alberto Martins e Vitalino Canas também assinou, só mesmo uma frase: É preciso ter lata!

Empresas do Regime

Cito de cor. Empresas que não têm qualquer rasto naquela actividade empresarial, de um momento para o outro arranjam um grande contrato com o Estado. Sem concurso público, sem nenhuma das habilitações que as outras empresas só acumulam ao fim de muitos anos de trabalho. Basta ter lá alguem que foi ministro ou algo assim! É o caso do Terminal de Contentores em Alcântara.
Henrique Neto é um socialista conhecido. Já exerceu elevadas funções no âmbito partidário. Mas é tambem, e fundamentalmente, um empresário. Um homem habituado a operar em mercados muito exigentes e altamente competitivos. Não precisa do PS para nada e muito menos do governo. É dos poucos homens livres deste país.
E contínua. É dificil perceber como é possível que Sócrates, há 5/6 anos ministro e secretário de Estado do Ambiente, se mostre agora enquanto Primeiro Ministro, tão permissivo em matérias ambientais. Entre a linha férrea e o rio, para os lados de Vila Franca de Xira, vai ser construída uma Plataforma Logística em área protegida. Tal como o Freeport é uma decisão incompreensível.
Este empresário que dirige os seus produtos para a exportação, que tem como clientes grandes empresas internacionais, há muito que clama no deserto contra esta cumplicidade entre o Estado e os grandes Grupos económicos nacionais. O tráfego de pessoas entre os governos e estas empresas dão nos exemplos que são conhecidos. A Lusoponte, PT
BPN, BCP, construtoras e suas empresas satélites, assessores, gabinetes de advogados…
Henrique Neto merece que as suas palavras sejam repetidas. Disse isto tudo em entrevista colectiva na SICN, perante o silêncio dos seus colegas de entrevista.
É uma forma de corrupção como outra qualquer, terminou corajosamente!

A longa espera

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A fotografia é uma arte fascinante. Para quem a faz e para quem gosta de ver. Como noutras artes, as interpretações são pessoais e sujeitas a grandes doses de subjectividade. Dentro da fotografia há diversos géneros e sub-géneros. Há as imagens puras, as retocadas digitalmente e aquelas que são apenas base de uma criação artística moldada no monitor do computador.

Hoje apeteceu-me partilhar (os blogues servem para partilhar) uma série de imagens reais, umas, alteradas, outras, mas com uma característica comum: um certo toque de humor.

A foto aqui apresentada mereceu o nome de “A longa espera”.

Para ver aqui 21 excelentes imagens.

Memórias da Revolução: 9 de Abril de 1974

Diz o «Jornal de Notícias» de 9 de Abril de 1974 que já são 17 os candidatos ao Palácio do Eliseu. A Esquerda unida apoia François Miterrand. Ao que parece, Giscard d’Estaign também vai concorrer.
Entretanto, em Inglaterra, Harold Wilson deu explicações na Câmara dos Comuns. «Negada qualquer ligação com negócios obscros». Heat & Cª. ouviram e calaram.
Iniciou-se finalmente a construção da nova ponte de Vila do Conde.
No Porto, foi realizada uma sessão de Satsang (uma palavra Hindu que significa associação com o Sábio ou mais popularmente, encontro com a Verdade).
Faltam 16 dias para a Revolução.

A sombra de Caxias (I-A Fuga de 1961)

«Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.»
(Manuel Alegre)

Pelo meio da evolução económica e social que se ia registando em Oeiras, deram-se importantes acontecimentos de ordem política em Portugal e no concelho.
Estávamos em plena Ditadura salazarista, e ao mesmo tempo que as pessoas começavam a ter acesso a outro tipo de informação, passavam também a receber de braços abertos todos aqueles que de alguma forma traziam uma solução para os problemas nacionais e mais ainda para aqueles que prometiam acabar com o regime.
Em 1958, a candidatura de Humberto Delgado à presidência da República, que abalou os alicerces do regime ditatorial, representou um momento alto na contestação a Salazar. Apesar das batotas e das fraudes eleitorais, passadas a escrito pela PIDE, o «General sem Medo» conseguiu vitórias em alguns concelhos.
Em 1974, o 25 de Abril culmina um processo marcado por longos anos de esperanças sem efeito. Tudo aquilo que se esboçara em 1958, mas sem sucesso, tinha agora efectiva concretização. De Santarém partiu a revolução, no dia em que o capitão Salgueiro Maia liderou os seus homens em direcção a Lisboa.
Quanto ao concelho de Oeiras, sobressaiu durante toda a Ditadura devido à existência de uma prisão política, a de Caxias, que por muitos anos significou o terror dos opositores ao regime e a destruição de muitas vidas. Uma sombra em Caxias, freguesia tão recente, marcada por uma luminosidade muito especial. Na prisão de Caxias, no entanto, foi sempre tudo muito escuro, apesar daquilo que o Estado Novo queria fazer crer.

A fuga de 1961

Decorria a manhã do dia 4 de Dezembro de 1961 quando oito militantes comunistas, que se encontravam detidos, protagonizaram uma fuga que se tornou mítica pela forma como decorreu. Eram eles José Magro, Francisco Miguel Duarte, Domingos Abrantes, António Gervásio, Guilherme de Carvalho, Ilídio Esteves, Rolando Verdial (todos funcionários do Partido Comunista) e António Tereso.
Ao longo de um ano, aqueles haviam preparado meticulosamente todo o plano que iria conduzir à sua libertação. O impacto nacional desta fuga foi muito grande, já que Caxias era vista como praticamente inexpugnável. Em plena luz do dia, num pátio interior do forte, rodeado de taludes, GNR’s, carcereiros armados e sempre atentos e vigilantes, como fora possível que oito presos escapassem sem que os guardas tivessem tempo sequer de reagir?
Nos meses anteriores, a PIDE distribuíra aqueles presos por várias salas, para impedir a comunicação entre eles, mas, ao contrário, o que se assistiu foi ao reforço das ligações entre salas e pisos. Assim, a PIDE decidiu voltar a juntá-los todos outra vez numa sala do rés-do-chão. Dessa forma, se estivessem todos juntos, seriam melhor vigiados. No entanto, acabou por acontecer novamente o contrário do desejado, pois ficou facilitada a preparação da fuga.
Quando se soube que na garagem da cadeia se encontrava um Mercedes à prova de bala, logo ficou escolhido o meio de transporte a utilizar. Um antigo motorista da Carris, com conhecimentos de mecânica, António Teresa, foi encarregado de ganhar a confiança dos guardas, fingindo-se colaboracionista («rachado», como lhes chamavam) e oferecendo-se para arranjar os carros do director da prisão e dos guardas.

O objectivo era chegar perto do Mercedes, averiguar o seu estado e compreender até que ponto o portão da prisão aguentaria depois de um embate do carro. Depois de se chegar à conclusão que o portão seria facilmente derrubado, foi escolhido o dia e a hora – antes das dez da manhã, que era quando chegavam os familiares dos presos para as visitas. Ao mesmo tempo, todos os outros carros do interior do forte tinham de estar avariados, para não impedirem a fuga.
Quando os deixaram sair para o recreio, pouco depois das nove da manhã, os oito presos que se preparavam para fugir foram jogar voleibol como habitualmente. Pouco depois, aproxima-se deles o Mercedes, conduzido por António Tereso e com as portas apenas encostadas.
«Começámos a «protestar», os guardas muito atentos, aproximámo-nos do carro cujas portas só estavam encostadas – tudo aparentemente sereno mas muito rápido. Ouve-se o grito da senha: GOLO! E num gesto super rápido os oito fugitivos estavam no interior do «Mercedes» que, em grande velocidade, avança pelo túnel em direcção à liberdade. A sentinela não teve sequer tempo de fechar o gradão. O «Mercedes» vai direito ao portão exterior, arranca em primeira, dá uma pancada no portão que salta em pedaços! Ouvem-se tiros de metralhadora. O «Mercedes» arranca encostado ao talude do forte. Chovem tiros e ouvem-se as balas a fazerem ricochete no carro.» (António Gervásio, O Militante)
Os guardas correm então para os carros do forte, com o objectivo de perseguir os fugitivos, mas conforme fora planeado, António Tereso encarregara-se de os avariar a todos. Dez minutos depois, o Mercedes já chegara a Lisboa. Estacionaram-no no Arco do Carvalhão e desapareceram isoladamente, passando à clandestinidade, muitos deles até 1974.

Visita papal ao Rodrigues de Freitas

Estive hoje na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, por motivos relacionados com os concursos de colocação de professores que hoje terminam.
Ao que parece, a ministra da Educação vai estar na segunda-feira na escola, a inaugurar não sei o quê. Realmente, a azáfama era grande. Os funcionários não sabiam para onde se virar, porque havia muito para fazer e ao fm do dia tudo tinha de estar pronto. A grande preocuapação era a localização das plantas e das flores recém-chegadas.
– Quero isso tudo daqui para fora! – gritava uma superior, apontando para os vasos antigos. – Deitem fora, levem para casa, façam o que quiserem, mas isso não pode ficar nada à vista. Nenhum vaso pode ficar no parapeito das janelas. Nenhum! Já nos avisaram!
E outros funcionários chegavam para tratar do chão, dar os últimos retoques às paredes, «deixar tudo um brinco» na expressão da tal superiora.
– Parece uma visita papal! – aventei.
– Quase, quase! – respondeu-me outra funcionária. – Só em plantas e flores, gastaram-se aqui centenas de contos.
Sorri de forma desengraçada enquanto esperava que o problema que me levara ali estivesse resolvido.
– Mas na segunda-feira as escolas não estão fechadas? – lembrei-me de repente.
– A maior parte vai estar fechada, mas aqui vamos abrir para a ministra. Sabe o que é que ela mandou dizer? Que nas aldeias está tudo fechado mas que em Lisboa trabalha-se. Por isso tínhamos de abrir.
Educação esmerada, a da senhora ministra! Falta de chá em pequenina, é o que é! O que também não admira.
– Aldeias? Olha que p…! – confesso que foi o meu primeiro pensamento.
Voltei a exibir o meu sorriso amarelo. Aliás, todo este episódio só me deu mesmo para rir. Por ver que a Ministra da Educação vai a uma das principais escolas do Porto, convenientemente, num dia em que não há aulas – nem alunos, nem professores, nem ovos. E por ver tanto desvelo na recepção a um cadáver político. Noutra casa, já tive oportunidade de escrever que Maria de Jesus Rodrigues não passa hoje em dia de uma simbólica «carcaça». Inexistente, fantasmagórica, envergonhada, escondida. Uma ministra de nada, apenas à espera da estocada final.
Parece que não me enganei.

Aventar à bruta

“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” – Peter Druker

Inicio com uma citação, porque acho que no futuro uma empresa chinesa irá registar os direitos de autor de todas as citações. Isso fará com que eu tenha de pagar uma pequena contribuição sempre que as escrever. Vou aproveitar agora, que ainda decorrem as negociações. Já recebi duas contas da Warner para pagar, por ter cantado o “Parabéns a você” este ano. Falei com um advogado para ver se não pagava nada, porque eu não sabia que a canção tinha direitos de autor, mas ele disse-me logo: 250 euros! Depois disse-me então que era uma questão complexa e ainda estava a ler todos os apêndices num site que encontrou.
Passando à frente. Como os Monty Python vão juntar-se, de novo, aproveitei e revi o “Brazil” do Terry Gilliam. É curioso perceber que uma utopia imaginada em 1985 seja uma realidade hoje em dia! Eu sempre achei que os Monty Python tinham “ligações superiores”. Até para prever o futuro.
Portanto, aventando à bruta para a frente. Para o Futuro, que é onde todos nós iremos viver.
Sem especificar datas certas, mas certamente acontecimentos para “breve”.
Cientistas neo-zelandeses inventam a primeira batata totalmente sintética. É feita do ADN decomposto do feijão. Técnicos da Sony desenvolvem a “nova” cassete “Beta”. Cientistas americanos, chineses, russos e alemães mostram, com recurso a estudos em Powerpoint, que afinal o Planeta está bem de saúde e não há razões para preocupações alarmistas. A indústria automóvel revoluciona os meios de transportes ao lançar um veículo com 2 entradas USB e suporte para 2 (dois!) I-Phones. Está em preparação o carro que não consome energia. O Estado pretende criar o ISM, Imposto sobre o Movimento.
A Inglaterra invoca o recentemente aprovado “Tratado de Lisboa” e abandona a UE, com o pretexto de não estar “ligada” fisicamente à Europa. Os Estados Unidos aprovam. Portugal também. O EU invadem o Tadjiquistão involuntariamente. Portugal envia involuntariamente 2 GNRs para o Uzbequistão. A China compra a Coreia do Norte. África torna-se o continente mais rico do mundo. O FMI e o Banco Mundial decidem intervir para não desestabilizar o plano financeiro internacional.
Depois da “crise” ter sido dada como terminada numa reunião do G2, os créditos para compra de habitação estarão com as melhores condições de sempre e será possível comprar uma casa T0-1 em “apenas” 120 anos (casa-de-banho não incluída). No plano dos créditos, uma subsidiária da “Corporación Dermoestética” lança um crédito especificamente para operações estéticas que consistem em ficar cirurgicamente igual ao Cristiano Ronaldo. As Farmácias Portuguesas oferecem uma operação “Cristiano Ronaldo” ao primeiro utente a acumular 1.000.000 de pontos em medicamentos genéricos. O sexo já não é um tabu e é legalmente permitido na Assembleia da República. O Bloco de Esquerda aplaude. O CDS insurge-se e abandona o Parlamento.
A Quimonda é reconvertida num pólo de robótica e patrocina a abertura na Maia, do primeiro Zoo totalmente robotizado. Funcionários, plantas e animais, tudo é robotizado, sinal do grande poder de inovação e avanço tecnológico do Estado e da Câmara da Maia. Ecologistas protestam em cartaz: “Pandas robóticos não se reproduzem”. Vanessa Fernandes tiro o curso de Genética Quântica Avançada pelas Novas Oportunidades. Pela terceira vez.
É criado o ISTOI, Imposto Sobre Todos os Impostos. O governo aplaude, a oposição critica e o povo protesta. É criada a lei 37.852/2019 de 3 de Fevereiro que institui e determina, definitiva e legalmente, o termo “ponto percentual”. O FC Porto festejará finalmente o Hepta, numa altura em que se pondera a criação do “Sporting, Lisboa e Benfica”, para “moralizar o futebol português”.
Um jornalista independente descobre que o caso Casa Pia ainda não terminou. Mantêm-se recursos em tribunal. É lançado o 17.º livro sobre o caso. O caso Freeport ainda se encontra em Segredo de Justiça, e para já o único interveniente julgado e levado a tribunal, é o de um empregado de pastelaria que trabalha em frente ao Ministério Público que sentiu uma “pressão” e não disse nada a ninguém! Foi condenado a 2 meses de pena suspensa. Apresentou recurso.
O actual PM, Francisco Louçã demite-se porque, e cito: “Eu nem a brincar pensei que pudesse ser eleito. O que é que faço agora?”. Manuela Ferreira Leite, presidente da recém nacionalizada Sonae, SGPS responde: “O imobilismo é uma arma poderosa”. É movida mais uma acção em tribunal contra José Sócrates (ex-Ministro do Ambiente, ex-Primeiro Ministro, ex-Engenheiro) que se encontra em paradeiro desconhecido, apesar de ter sido recentemente nomeado para administrador geral da EAEP – Empresa de Água e Energias de Portugal (ex-Galp, EDP e Águas de Portugal), cargo deixado vago pela saída de Dias Loureiro para a presidência da UE.
O processo (conhecido como a disputa sobre a etimologia do “decesso do esparadrapo“) foi movido pela apresentadora do Jornal de Sexta da TVI, Fernanda Câncio.
E eu? Provavelmente, ainda andarei a tentar safar-me disto tudo…

Medicamentos. O cordeiro e o lobo

Vou dar um exemplo que se passa comigo. Por ser hipertenso tomo um comprimido diário. Quando exerci funções no Ministério da Saúde estas questões já se colocavam o que me levou a fazer um pequeno estudo. Que medicamentos existiam no mercado com o mesmo principio activo e qual o seu preço? O que eu tomava custava-me cerca de 70 euros(14 contos na moeda de então) e eu sabia que era o mais caro. O médico tinha-me avisado que os outros não tinham o mesmo efeito e que por isso eram mais baratos. O preço do mais barato era cerca de metade (7 contos)!  A questão óbvia que se colocava era: um deles estava a enganar-me. Ou o mais caro não devia ser tão caro ou o mais barato não teria o efeito desejado. Mas se não tinha o mesmo efeito que o mais caro como poderia ser comercializado?
Claro que os genéricos vieram tornar os medicamentos mais baratos.N ão é só a patente que caíu no domínio público mas é também o processo de produção que é mais barato.
Tudo isto que já era óbvio naquela altura, até porque nos países com capacidade de negociação já haviam imposto os genéricos há muito, em Portugal demorou este tempo todo. O que mudou? Antes de mais a impossibilidade do país suportar estes aumentos anuais com medicamentos. Depois porque os médicos andavam em roda livre e prescreviam conforme o interesse das farmacêuticas. E, ainda (e não menos importante) porque a comercialização nas farmácias era e ainda é, altamente protegida não permitindo a sã concorrência.
Acresce que a ANF (do sr Cordeiro cuja família por concurso tem quatro farmácias,segundo o próprio) consolidou o seu monopólio, enquanto único interlocutor com o Estado, e investiu na distribuição dos genéricos!
Foi quanto bastou para que o interesse do preço do medicamento se tornasse uma preocupação social!
E num mercado onde só havia lobos querem agora convercer-nos que só há cordeiros!
A bem do doente como não se cansam todos de dizer!

Bem-vindos ao “Berlusconi Camping”

O Parque de Campismo de Berlusconi, o famoso animador das reuniões da União Europeia e do G-20 (que monótonas seriam os debates e os bastidores sem a sua presença) pode ser apreciado em todo o seu esplendor no “The Big Picure”, do jornal Boston Globe .

Por lá podem ser ainda apreciadas imagens das causas da abertura do ‘camping’.

A memória do Forte de Peniche

Sabemos todos que a maioria dos grandes monumentos nacionais estão em perigo de se degradarem definitivamente por falta de manutenção (o Estado não tem dinheiro para estes “bizantices”). Isto não impede que o Tuga sempre que tem uma ideia não coloque o Estado a pagar.

A associação Não Apaguem a Memória, que já tinha lutado contra os edifícios que nasceram ali no Chiado, no local da antiga sede da PIDE, luta agora para que o Forte de Peniche não se transforme numa pousada. Quer um museu, um centro que agrupe num mesmo local a documentação referente ao Estado Novo, preservando assim os locais onde tantos anti-fascistas estiveram presos.

O problema é que se este centro não for viável economicamente, vai ser o Estado e possívelmente a Câmara local a ter que pagar o seu funcionamento. O que é meio caminho para a sua morte lenta e para que poucas visitas tenha.

Se for possível (e basta bom senso) juntar no local uma Pousada, explorada por empresário do sector e um centro de documentação, junta-se o útil ao agradável. Não se apaga a memória e desenvolve-se uma actividade económica que sustenta a manutenção e a dinâmica do interesse do público.

O Forte e o belo local merecem e a memória antifascista também!

A importância higiénica do papel

A técnica

Ter papel higiénico em casa, e usa-lo, é mais que um simples gesto de limpeza e cidadania. Nestas coisas sou cauteloso e não gosto de arriscar. O papel, independentemente da marca, cor, espessura, com ou sem desenhos, com textos ou jogos de sudoku, é imprescindível. Nunca sabemos quando vamos precisar dele, portanto o melhor é estarmos acompanhados de um rolito, não vá o diabo tece-las e ficarmos desprevenidos.

É, já perceberam, uma exigência do homem, e mulher, moderno.

Aliás, estes tempos recomendam o uso permanente de papel higiénico, em diversas situações da vida do dia-a-dia.

Dantes havia quem utilizasse jornal, o que tinha as suas vantagens. Era duplamente útil, para entretenimento e limpeza. E ficava mais em conta. Hoje já não é coisa comum. O papel de jornal é grosso, pouco confortável. O papel dito higiénico é maneirinho para a função que lhe está destinada.

Em redor do papel higiénico poderíamos passar horas a filosofar. Há tempos descobri que há de tudo em redor do papel higiénico. Desde poesias, conselhos sobre os melhores tipos de papel a usar em conformidade com o nosso género de pele, um repositório de anedotas, sugestões de leitura para antes de usar sob o título de “leituras absorventes”, entre outras trivialidades. Num dos sites disponíveis na Internet havia mesmo quem defendesse que cada pessoa deve usar o seu próprio rolo, porque desta forma nunca poderíamos acusar ninguém de ficar com a melhor parte.

Fiquei a saber que o papel higiénico é coisa de antigos. Na China (parece que eram especialistas em coisas de papel) já era utilizado desde o ano 800 antes de Cristo. Em 1867, em Filadélfia, EUA, os irmãos Thomas, Edward e Clarence Scott decidiram promover um maço de papel enrolado e perfurado, facilitando a separação. A ideia foi um sucesso e nasceu a Scott Paper Company, que ainda existe.

No meio de tudo isto, e já perceberam que nutro uma certa simpatia pelo papel higiénico, permanecia com uma dúvida: a melhor forma de o pendurar. Arquimedes teve a sua revelação quando estava numa banheira. Eu tinha a minha quando navegava na Internet. Num site encontrei a fórmula exacta e tecnicamente correcta (sim, há uma técnica) de colocar o papel higiénico.

Espero que não haja dúvidas. Se as houver, sobre a técnica, visitem o site de referência.

Se quiserem comentar o texto, façam favor. Mas não sejam preguiçosos, sejam imaginativos e evitem os clichés.

Xutos e Pontapés – sem eira nem beira

Car@s aventador@s,
os Xutos estão de volta, apesar de nunca daqui terem saído.
São 30 anos ao longo da minha vida – cresci com eles. Sou da geração Xutos. Cada pontapé deles torna-se um momento marcante. Para começar destaco uma música, bem à Xutos, com uma letra que merece ser ouvida.
Senhoras e Senhores,
os Xutos e Pontapés, “Sem eira nem beira”

Por mim, dedico esta música ao Sr. Engenheiro:

http://xml.truveo.com/eb/i/2507090900/a/58ef677afb89fc040e3dec6de7dd6c26/p/1

AOL Video

A LETRA PARA O ’SR. ENGENHEIRO’ ( do maismusicanova.com)

‘Anda tudo do avesso/nesta rua que atravesso/dão milhões a quem os tem/aos outros um passou-bem – – Não consigo perceber/quem é que nos quer tramar/enganar/despedir/e ainda se ficam a rir — Eu quero acreditar/ que esta m*** vai mudar/e espero vir a ter/uma vida melhor/

Mas se eu nada fizer/isto nunca vai mudar/conseguir/encontrar/mais força para lutar…

Senhor engenheiro/dê-me um pouco de atenção/há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/não tenho eira nem beira/mas ainda consigo ver/quem anda na roubalheira/e quem me anda a comer

É difícil ser honesto/é difícil de engolir/quem não tem nada vai preso/quem tem muito fica a rir – Ainda espero ver alguém/assumir que já andou/a roubar/a enganar/o povo que acreditou — Conseguir encontrar mais força para lutar/mais força para lutar/conseguir encontrar mais força para lutar…

– Senhor engenheiro/dê-me um pouco de atenção/há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/não tenho eira nem beira/mas ainda consigo ver quem anda na roubalheira/e quem me anda a f****

– Há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/mas eu sou um homem honesto/só errei na profissão’

Memórias da Revolução: 8 de Abril de 1974

O «Jornal de Notícias» de 8 de Abril de 1974 refere a presença no norte do Secretário de Estado da Agricultura, Mendes Ferrão. O Palácio do Leite irá estar a produzir em pleno dentro de um mês. Todos os dias se consomem no distrito do Porto 130 mil litros de leite.
No Cais do Cavaco, um carro embateu contra uma coluna. Resultado da tragédia: dois mortos.
No desporto, Famalicão e Avintes agigantam-se na Taça de Portugal.
Na Praça de Touros de Vila Franca de Xira, o toureiro espanhol Jose Fuentes foi colhido por um touro e encontra-se em estado grave. Bem feito. Não fosse torturar animais para a arena.
Faltam 17 dias para a Revolução.

Medina Carreira: A crise só nossa (II)

Depois da primeira parte, aqui fica a segunda e última parte do conjunto de entrevistas a Medina Carreira:

“A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não! Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo.
“Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não? Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe… Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria… Esses é que têm interesse, não é o Português!”

“Nós em Portugal sabemos é resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios… Receber os prisioneiros de Guantanamo? «Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara…» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros… Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!”

“A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!”

“Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?”

“Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade. Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir…”

“Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia…Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação… Poupe-me a esse espectáculo….”

“Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada”» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo… Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é descentralizar a «bandalheira».”

“Há dias circulava na Internet uma noticía sobre um atleta olímpico que andou numa “nova oportunidade” uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina… Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina… Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação… Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice…”

“É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar. Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe.”

“Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacifícos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros… Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho… Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho… Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem…”

“Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem… No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa.”

“Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sitío. Esta inter-penetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas… Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si… Porque é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política… Um político é um político. E um empresário é um empresário. E não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro…é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade.”

“Este país não vai de habilidades nem de espectáculos. Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!”

“Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista»…. Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito… Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir. O Português está farto de ser enganado!
Todos os dias tem a sensação que é enganado!”

Vivemos uma não-era

Vivemos actualmente numa contradição. Chegamos a um ponto na História, além do próprio fim da História. Dizem alguns filósofos e pensadores que o sistema actual é o fim da dualidade (ou pluralidade) de potências no Mundo. Que a hegemonia do mundo ocidental, baseado neste coisa estranha e incompreensível que é o capital, através das suas aplicações capitalistas (e imperialistas) “gere” o Mundo. Da melhor, e aparentemente, única forma possível. Com guerras, corrupção, agressão, dor, sofrimento… Assim o dizem os neo-liberais ou lá o que são que se consideram. Melhor do que isto não há. É um sistema com alguns defeitos, que vão ser corrigidos em breve, e portanto melhor que isto não há. Não é verdade. Porquê? Porque chegamos a este ponto extraordinário na História em que conseguimos ver a contradições fazerem sentido. Começamos a perceber que a direita e esquerda são iguais. Que o comunismo e o capitalismo são as duas faces da mesma coisa, o lucro. Que não existe anarquismo, neo-liberalismo e todos os outros “ismos”, apenas a aplicação abstracta do poder, na administração dos recursos naturais. Percebemos que anarquistas e neo-liberais lutam e agridem-se, porque ambos não querem a entidade “Estado”. Percebemos que homens sem escrúpulos oprimem outros por mero prazer do exercício de poder. Percebemos que os extremos se tocam. Chegamos a um ponto em que um quadro em branco é arte. Chegamos a um ponto em que tudo é arte. Chegamos a um ponto em que percebemos que um ponto insignificante de nada dá origem ao Universo. Chegamos a um ponto em que temos de ter fé na Ciência. Chegamos a um ponto em que o dinheiro não existe. Chegamos a um ponto em que Deus está morto ou nem chegou sequer a existir. Chegamos a um ponto que entendemos que que o nada é tudo. E que o tudo é nada. E chegamos ao ponto derradeiro de perceber até, que o limite máximo da ganância humana é o limite da sustentabilidade do Planeta. Deste último ponto ainda não tenho tanta certeza.
Já nem é uma questão de anti-imperialismo, de anti-capitalismo, de anti-globalização ou de outro anti-qualquer coisa. Essa guerra já foi perdida. É uma questão muito mais complexa que assenta num argumento fundamental quer nunca esteve em cima da mesa: que fazer com todo o poder acumulado? “E agora que tenho tudo, o que é que se pode ter mais?” Sugiro ao senhores donos do mundo, isto é, às grandes corporações mundiais, suas representantes e respectivos interesses pessoais envolvidos, que sigam em direcção ao espaço. O espaço é enorme, segundo dizem os cientistas, há muito por onde explorar! Abandonem este planeta! Podem deixar-nos entregues ao perigos do mundo natural. Nós percebemos o quanto o mundo natural é exigente e rude. Nós entendemos a contradição existente do prazer retirado do esforço. Nós entendemos que somos únicos, mas também fracos e perecíveis. Nós entendemos que todos os outros habitantes naturais deste Planeta são parte integrante dele e têm tanta importância quanto nós. Nós não temos medo dos mosquitos nem dos crocodilos. Se ele nos atacarem para nos comer, nós percebemos que é uma questão natural de sobrevivência. Auto-preservação da espécie. Chave da mecânica cíclica da vida no planeta, que permitiu ao Planeta e a nós próprios, chegar a este ponto da História. Pelo menos sabemos que eles não nos tentarão comer da forma mais eficiente e competitiva, baseados em expectativas de mercado!
Percebemos que vivemos uma não-era. Percebemos que andamos meios desorientados e sem um rumo muito bem definido porque “sentimos” a presença próxima dum cruzamento na História do Planeta e do próprio homem. Pela primeira vez, como espécie, percebemos que um caminho – o actual – nos guiará inevitavelmente para a destruição total e definitiva, através da insustentabilidade ambiental óbvia do Planeta, face ao modo de vida actual. Pela primeira vez, como espécie, percebemos que temos mesmo de parar, para procurar o tal novo caminho que preencha o derradeiro propósito da vida que é continuar a existir.
Estarão os tais “donos” deste Planeta a parar para pensar? Não me parece. Mas essa é apenas a opinião de um simples, anónimo, insignificante, minúsculo e estúpido habitante deste Planeta.

“O exemplo é a escola da Humanidade e a única que pode instruí-la”. – Edmund Burke

Artes lusas: Manuela Justino


Sopro de Água: Uma homenagem às fontes, chafarizes e correntes de água. Há lugares que têm alma e neles perdura um sentido de imortalidade conferido pela duração das nossas vidas. É como se na poesia da sua natureza e no deslumbramento da sua arquitectura nos contassem vivências, segredos e tradições que nos antecedem, acompanham e continuam.
Manuela Justino – http://manuelajustino.blogspot.com/

Il Cavallieri é um bacano

Silvio Berlusconi é fixe. Um dos grandes líderes da Europa, está bom de ver. É um espalha brasas, claro, mas qual seria o chefe de Governo da Europa, ou do mundo, que pagaria uns dias de férias à malta desejosa de sol e praia depois de ver a casa destruída, se calhar também o negócio, e a vida hipotecada, depois de uma catástrofe natural?

A resposta é óbvia: apenas Berlusconi.

De visita à região de Abruzzo, ontem, sugeriu aos habitantes que ficaram desalojados que aproveitem o feriado da Páscoa para ir à praia, com as despesas cobertas pelo Governo de sua senhoria.

É destes homens que o Mundo precisa. Hoje senti-me mais confiante.

A propósito, o sismo já fez mais de 250 mortos e deixou milhares de desalojados. O que lhes vale é que podem passar uns dias na praia.

Exportar Gestores e Sindicatos

A produtividade nacional é baixa quando comparada com outros países Europeus. No entanto, nos últimos 50 anos tivemos alguns em que crescemos bem acima da média europeia. Mas, nos últimos anos e principalmente no sector dos serviços, tem deixado muito a desejar.

O Estado é habitualmente considerado o culpado. Mas não é o único,longe disso. Como não é possível exportá-lo temos que o reformar, o que só será possível se o Estado se concentrar nas tarefas que mais ninguem terá capacidade para realizar. E tem que estar por cima da economia. Não estar prisioneiro dos interesses económicos que gravitam à sua volta. Há gravíssimos e claros exemplos neste governo.

Depois temos gestores que só estão ao nível dos de lá de fora no vencimento. Têm maus desempenhos organizativos e de liderança. A maioria está habituada a operar num mercado não competitivo. Estes podemos exportá-los, pelo menos temporariamente, para reciclarem.

Ainda por cima, temos sindicatos igualmente medíocres, por serem tão fechados, proteccionistas e com uma grande falta de visão. Continuam a olhar para o empresário como um inimigo.Deviam ser águias e são toupeiras. O exemplo da Comissão de trabalhadores da AutoEuropa não frutifica. Também podemos exportá-los para reciclagem, temporariamente.

Por último, mas não o menos importante, temos que aumentar a qualidade dos nossos recursos humanos e colocá-los em sintonia com as necessidades das nossas empresas.

O aumento da produtividade está assim dependente de vários factores.

Começar por dar a importância devida às PMEs que representam 70% do emprego, que produzem bens e serviços transaccionáveis e dirigidos para a exportação, é (deveria ser) a prioridade das prioridades deste ou de qualquer outro governo. Para o actual não é, bem longe disso, como se vê pelo ciclo (sempre o mesmo) de mega-obras públicas que se apressa a lançar!

Quem as pagará? Que efeito terão na produtividade da economia? Que efeitos na dívida pública? Que efeitos na balança comercial?
O Prós e Prós não deu resposta a estas perguntas. Nem poderia dar. São todas negativas. Pelo menos nas condições actuais em que se encontra o país!

Nota: ver “Os mitos da economia portuguesa” de Álvaro santos Pereira

Jogar à Porto!

Após uma exibição soberba, o FCP arrancou um resultado que lhe dá direito a sonhar com a passagem à fase seguinte. Vamos ter os “olheiros” habituais que viram o que ninguem mais viu, etc e tal. Mas a verdade é que aqueles jogadores têm uma intensidade de jogo que não se encontra cá nos “relvados”. O Sporting joga 20 minutos com esta intensidade (e por isso levou 11 a 1 nas duas mãos) e o Benfica não joga com intensidade nenhuma. Quem não quer ver vai continuar a chamar “filho da puta” ao Pinto da Costa e ano após ano a não ganhar campeonato nenhum. Bem diz o sagaz Paulo Bento:”Estamos na corrida”. Pois estamos. Para a segunda posição. Um abraço ao Porto!

Ainda bem que as nossas escolas não são como as inglesas

O

Aviso: Viram a bolinha vermelha? Indica que este texto contém linguagem capaz de ferir a susceptibilidade de betinhos, tótós, santinhos, cromos e hipócritas. Portanto, se se encontram dentro de uma destas categorias passe ao post seguinte. Se quiser seguir, faça-o por sua conta e risco e não venha dizer que não avisei.

Em Inglaterra, a escola primária de Saint Laurence, em Bradford, foi alvo de um escândalo pelo estilo adoptado na disciplina de Educação Sexual. O jornal The Sun adianta que era ensinado aos alunos o significado dos palavrões mais usados na língua inglesa. Pais e a opinião pública ficaram, com naturalidade, indignados com o professor da disciplina. A direcção da escola defendeu-se e salientou que era uma forma de “desmistificar os palavrões”. Bullshit, é o que era.

Um dos pais disse que era uma desgraça, porque as crianças vão à escola para serem educadas, não para se especializarem em palavrões. Compreendo, claro. A escola serve para educar as coisas boas, porque para as más estão lá os pais. De outra forma não seriam úteis os estabelecimentos de ensino, senão para ajudar os petizes a aprender e apreender aquilo que interessa para o resto da vida. Os palavrões, está bom de ver, não interessam e provavelmente nunca os seus ouvidos inocentes terão contacto com semelhante coisa.

Argumenta, de forma correcta, um dos pais indignados: “Muitas crianças nem faziam ideia do significado daquelas palavras”. Como é óbvio. Não acredito que nenhum dos pais em questão tenha alguma vez proferido uma caralhada à frente dos miúdos. Nem mesmo quando estão a conduzir ou a discutir com o vizinho. Era o que faltava.

Sabiamente, a direcção de ensino da região deu conta que a aula não deveria ter sido focada nos palavrões e que a responsabilidade pelo teor dos cursos de educação sexual é do Governo. Faz sentido. Por cá também é assim.

Por cá ainda não há educação sexual nas escolas? E as fantásticas 12 horas anuais? Ainda não entraram em vigor… compreendo, é uma maçada ter de colocar mais um ror de horas no horários dos alunos.

Ainda bem que o caso se passou em Inglaterra, terra onde estão habituados a obscenidades. Em Portugal não seria assim, com toda a certeza. Imagine-se que esta contestação acontecia numa qualquer escola do país. Já imaginaram? Façam um esforço. Ali ao fundo, vejam, um pai aproxima-se da escola. Está nitidamente furioso. Vê-se pela forma como arrasta o filho. Miguel (nome fictício, claro, se fosse televisão aparecia com a cara pixelizada e a voz de um robot), 11 anos, tinha chegado há pouco a casa e respondido “o significado de caralho”, quando o pai lhe perguntou o que tinha aprendido na escola. Atónito, o progenitor quis esclarecer o caso, antes de pregar um par de estaladas nas bochechas da criança (Se fosse em Inglaterra diríamos “antes de lhe foder a tromba”). Miguel explicou.

Sem mais, pai e filho saem porta fora. O mesmo acontece com mais pais e mais filhos. Todos juntos, pelo mesmo ideal, uma turba imensa segue para a escola, ao encontro do mestre. Estão indignados. Qual quê, furiosos é mesmo o termo. Enfim, quilhados. Estão a acompanhar? Óptimo. Nesta altura já estamos dentro da sala de aulas. O professor está encurralado, por detrás da secretária. Encolhido, quase não consegue respirar quanto mais responder ao que lhe dizem. “Ó seu filho-da-puta, isto é coisa que se ensine às crianças, caralho?”, diz um. Outro toma a dianteira: “É para estas merdas que lhe andamos a pagar, paneleiro de merda?”. “Tás a precisar é de levar dois socos no focinho, que te fodo, pá!”.

O professor permanece no seu canto. Tenta dizer alguma coisa mas não consegue, uma mão atinge-lhe o rosto. “Que é que vais a dizer, cabrão? Não tens nada de útil para ensinar vai para a puta que te pariu, pá, desaparece”. Os impropérios repetem-se. Uma cadeira é atirada contra o novo quadro interactivo e um Magalhães cai ao chão, sendo pontapeado por um dos senhores presentes. A cena repete-se por mais uns instantes. Por fim, um dos pais atira, ainda irado: “Estás com sorte de termos trazido a canalhada, senão levavas nas ventas”.

Aos poucos, abandonam a sala. É chegado o momento anti-climax. Quando, de repente, sem ninguém esperar, um dos alunos, ao sair pela porta, mostra a língua ao professor. Só este viu o gesto revelador.

Ainda bem que o caso se passou em Inglaterra, onde não há respeito nenhum. Se fosse cá, seria tratado com a devida elevação.

Memórias da Revolução: 7 de Abril de 1974

A 7 de Abril de 1974, diz o «Jornal de Notícias», decorrem em Paris as últimas homenagens a Georges Pompidou. À margem das cerimónias fúnebres, chefes de Estado de todo o mundo encontram-se para conversações informais.
A grande entrevista do dia é com Sarmento de Beires, que explica «como voei até Macau». Sarmento de Beires foi o primeiro piloto a efectuar uma missão de voo nocturno em Portugal em 22 de Janeiro de 1920. Em 1924, realiza com Brito Pais e Manuel Gouveia um voo até Macau.
No Porto, as crianças das escolas foram ao teatro e tiveram a surpresa de ver Cubillas, o jogador do F. C. do Porto. Na Taça de Portugal, o Tomba-Gigantes foi o Salgueiros, que eliminou a Académica.
No Festival da Eurovisão, o resultado do costume. Paulo de Carvalho terminou em último com 3 pontos, sendo que 2 deles foram atribuídos pela Espanha. A grande vencedora da noite foi a Suécia, com a canção «Waterloo». Os intérpretes? Um grupo que iria dar muito que falar nos anos seguites: os ABBA.
Faltam 18 dias para a Revolução.

A Agenda Perdida

Não sei se lhe chame a agenda perdida, se a agenda perdida manipulatória. Ou a agenda patética. Para mim é a prova provadíssima de que os nossos governantes, sejam eles de que cor forem, seja quem for que sirvam, usam de um alto grau de manipulação da opinião pública. E se o usam, é porque têm algum objectivo. Fazem-no como se sabe, através dos respectivos meios de comunicação. Isto não quer dizer que os meios de comunicação seja os culpados da dita manipulação. Isto só quer dizer que são os únicos com que se pode manipular a opinião pública. O Estado, por muitos instrumentos de divulgação que tenha, por muitos sites que construa, nunca vai fazer com que eu os consulte diariamente. Nem eu, nem ninguém. Já as notícias, os jornais e a informação em geral, essa entra-me pela porta dentro, aos pontapés. Hoje em dia, já se torna difícil evitar as notícias. Aliás, um dia sem notícias é impensável…
Olhando um pouco para trás, lembro-me que quando começou esta “crise”, além do Governo ter ignorado a questão – e tanto a ignorou que apresentou um Orçamento de Estado que teve de alterar mais tarde, mais adaptado à realidade de “crise” – apareceram aí uns questões metidas à bruta na discussão pública. Eu fico confuso. Afinal, pessoas do mesmo sexo já podem casar, ou não? A eutanásia já foi legalizada? As drogas leves já foram despenalizadas? Perdão! Esta “questão fracturante” – e dou desde já os meus parabéns a quem inventou esta expressão – parece que ficou para a próxima crise. Existirá alguma dúvida que isto são questões que se sabe que causarão discussão pública, permitindo aos governantes, algum à vontade para esconderem as verdadeiras questões fracturantes, como o desemprego, a pobreza, e em geral, o nível paupérrimo em que este país se encontra, e pior que tudo, que ainda vai piorar mais?
No meio de um turbilhão de informações em que se tiveram que tranquilizar as pessoas para não correrem aos bancos para levantar o dinheiro; em que se nacionalizaram bancos falidos; em que se criou um sistema qualquer que já ninguém se lembra como funciona, mas que permitia vender a casa ao estado e pagar-lhe uma renda e depois não sei o quê; em que gestores de topo se suicidavam nas suas elegantes secretárias; em que parecia que o dinheiro estava a desaparecer; em que parecia que Madoffs & Amigos tinham roubado todo o dinheiro do mundo com os seus esquemas; em que as indústrias automóveis iam falir todas; em que os bancos iriam desmorenar-se como castelos de cartas; em que todos nós iríamos praticamente morrer juntamente com o nosso sistema neoliberal, nada melhor do que meter ao barulho “o casamento de pessoas do mesmo sexo”. Não chega? Junta-se-lhe a eutanásia, que ainda é mais fracturante e abstracta. E se mesmo assim não chegar, abre-se a agenda toda!!!
Mas… afinal, não aconteceu nada. Ninguém se insurgiu com nada. Ninguém apredejou bancos. Nenhum banco fechou. Não houve corridas ao dinheiro nos bancos. Mais uns assaltozitos aqui e acolá, mais um caixote do lixo a arder… e afinal nada de grave. É só isto? Então esqueçam as questões fracturantes, dizem os governantes. Pode ser que dê mais jeito para as eleições.
É tudo uma questão de agenda política. É tudo uma questão de gestão da agenda política. É tudo uma questão de gestão de opinião pública. O governo lançou naquele momento (e já se esqueceu entretanto), o tema do casamento homossexual, porque era importante para os cidadãos ou só tentou esconder o facto que irmos mergulhar de cabeça numa crise que levará muitos de nós (se calhar irreversivelmente) para uma pobreza que não tínhamos vivido até agora? A eutanásia veio para a agenda política porque de facto se está a pensar naquelas pessoas que estão em sofrimento, ou para esconder o facto que o País está hipotecado ao “estrangeiro” e que inevitavelmente, o “estrangeiro”, um dia, virá bater à porta, pedindo o que é seu legalmente? E o que veio esconder, quando a agenda política política nos trouxe a “taxação dos mais ricos”?
É este o desenvolvimento social e humano que temos neste país, em que as “questões fracturantes” são lançadas como baldes de água fria, sempre que a fogueira do descontentamento parece que se vai descontrolar?

Só a título de curiosidade: Onde é que a lei proíbe, neste momento, o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Estou só a perguntar, para que alguém me ilucide.
Artigo 36.º da Constituição: Ponto 1: Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade. Impedimentos do casamento: nenhum.