Tudo correu conforme Marcelo previu

Marcelo ameaçou BE e PCP para aprovarem o orçamento de Estado com a dissolução da Assembleia da República e dissolveu-a.
Marcelo disse que queria eleições o mais rapidamente possível porque o país não poderia continuar sem orçamento, e assim marcou para dia 30, não de Dezembro, embora pudesse ser, mas de Janeiro de 2022.
Marcelo prometeu eleições em Janeiro, embora depois dos desenvolvimentos mui dignos dentro do PSD e do CDS, preferisse marcar as eleições para o dia 43, mas tal não foi possível porque 2002 não será ano bissexto. Ficou a 30 por ser Domingo.
Enfim, tudo previu e tudo aconteceu.

Que mais irá acontecer nas previsões do Presidente da República? Não perca os próximos episódios desta 2º série.

Delírios neofascistas e a direita dita moderada que a normaliza

Assunção Cristas tinha dúvidas entre ele e Haddad. Preferia não votar. Paulo Portas não via nele nada de reprovável. Maria Luís Albuquerque foi apresentar um livro dedicado ao fascista brasileiro, com Passos Coelho na audiência. O livro era de Gabriel Mithá Ribeiro, vice-presidente da sociedade partidária unipessoal de André Ventura, que há dias classificou os jornalistas portugueses de “tumor maligno da democracia”. É isto que a direita dita moderada tem andado a fazer de há uns anos a esta parte: branquear fascistas, apoiar a sua ascensão (como se viu também nos Açores) e defender-se com falsas equivalências, como se a agenda de ódio da extrema-direita fosse comparável às lutas da comunidade LGBT, à fantasia do marxismo cultural ou à não-ameaça da ideologia de género. E esta gente não está só no CH. Alguns estão no PSD, um ou outro no IL e no CDS têm até uma corrente de neosalazaristas que praticamente não se distingue da nova extrema-direita parida por Bannon.

Mas vá, se calhar sou eu que estou a ser mauzinho. E daí se um presidente da República de uma democracia (ou do que resta dela), que é também um fundamentalista cristão, logo negacionista absoluto de todo o conhecimento científico, assina um decreto presidencial para atribuir a si próprio uma medalha de mérito científico, após dois anos a negar a covid-19 e a ver os seus concidadãos morrer, enquanto combatia activamente todas as medidas de controlo da pandemia? Se achas que não tem mal nenhum, vota Chega e, da próxima vez que tiveres um problema de saúde grave, não vás ao hospital. Reza muito e pode ser que vás mais cedo ter com o teu criador, com uma medalha de mérito de cepo na lapela.

A Virgem já não é virgem

Dança das Virgens na Lousã em risco por falta de jovens, diz a RTP.

Por falta de jovens ou por falta de virgens?

Marcelo a fazer o jogo do PS

A máquina socialista montou o spin, a comunicação social amplificou e o Presidente da República oficializou: não houve orçamento por causa do PCP e do Bloco.

Porém, não houve orçamento porque António Costa colocou à frente o seu interesse pessoal, e por ventura do PS, em vez do interesse do País.

Em orçamentos anteriores, a negociação nunca foi um problema. Até porque muitas medidas foram orçamentadas e depois congeladas devido às cativações.

Porque é que Costa não fez agora o mesmo? O que é que mudou? PSD e CDS em cacos, Chega a crescer e PCP e Bloco em queda.

O que mudou foi a leitura calculista de Costa. Que Marcelo acabou de subscrever. Miséria política!

O mijo e o leite

No frio beirão de uma aldeia já quase espanhola, em tempos que ainda cá estão, o rapaz, o mais novo de nove irmãos, estava sentado na cozinha, olhando para a mãe, que lavava a louça do jantar. A casa alimentava marido, filhos, trabalhadores, uma pequena multidão no tempo em que os animais falavam e as máquinas de lavar louça nem sequer eram ficção científica, porque ali ainda não tinham inventado a ficção científica.

O cheiro dos animais, do suor e do fumo misturava-se com o próprio odor do frio. O rapaz, irrequieto, irreverente, vivia revoltado com os óbices do mundo, com a falta de lógica de um universo que parecia inventar obstáculos à simplicidade que deveria ser a vida. Um dia, talvez incomodado com a necessidade de ordenhar vacas, perguntou em voz alta por que raio não haveríamos de beber o mijo em vez do leite.

Nessa, como em muitas outras ocasiões, diante da constante contestação do filho, o pai, já cinquentenário e absoluto respeitador da Criação, abria a boca de assombro e de preocupação, chegando a pôr a cabeça entre as mãos e perguntando “O que há-de ser deste rapaz?”, antevendo um futuro negro a quem dizia palavras como heresias.

Ver a mãe a lavar tanta louça ferveu dentro do rapaz como uma queimadura, uma revolta proporcional à compaixão que lhe nascia de ver a mãe sobrecarregada. De repente, entre a facilidade do mijo e a dificuldade do leite, encontrou mais uma solução: “Os pratos deviam deitar-se fora todos os dias e havia outros novos. Acabava de se comer e atirava-se com o prato assim!” E imediatamente juntou a palavra ao arremesso, pondo um prato a voar pela janela, enquanto abria a porta a um novo mundo.

Uma velha tia, visita habitual da casa, vinha a subir as escadas e foi atingida pelo prato que nunca tinha chegado a sair do mundo em que se bebe o leite das vacas.

O Sonho de uma Vida

Metropolitano em greve. Autocarros lotados por falta de oferta pública. Serviços privados de transporte a mais de 15€ (ah, a mão invisível a funcionar…). Lisboa está um sonho. Se estivesse a chover, como ontem, seria um sonho molhado.

O que nos vale é que temos a Web Summit. Viva! Viva! Viva!

De vitória em vitória: até à vitória final

Haver, em África, mais pessoas com smartphones do que com água potável em casa, será, certamente, uma vitória do capitalismo.

Por isso, parabéns.

As alternativas a António Costa são estas? Então a culpa é do socialismo.

Aplicada a machadada final no que restava da Geringonça, da qual o BE já havia debandado ao chumbar o Orçamento do Estado para 2021, os partidos à direita deram início às celebrações, que, de resto, já haviam começado com a vitória de Carlos Moedas em Lisboa, que muitos consideraram ser o ponto de viragem e o acontecimento que marcava o início do fim da hegemonia do PS. E talvez o seja, a ver vamos.

Contudo, que direita se propõe governar o país? Um PSD entregue a uma guerra interna, mal cheirou a poder, com Paulo Rangel a liderar a rebelião, o mesmo Paulo Rangel que, não há muito tempo, afirmava, convictamente, que Rui Rio seria o próximo primeiro-ministro de Portugal, e expressava todo o seu apoio ao ainda líder do PSD, para no final da passada semana protagonizar uma espectáculo de facas longas em Belém, com um Marcelo que, no processo orçamental, falhou em toda a linha? Um CDS que, perante a crise à esquerda, decidiu ter o seu momento “hold my beer” e entrou em processo de autodestruição, com uma debandada geral da inteligentsia portista? Um CH cada vez mais extremista, que, só nestes últimos dias, teve o seu dono a insurgiu-se contra a expressão “Fascismo Nunca Mais”, um vice-presidente a fazer um ataque misógino e ordinário a uma deputada e outro a atacar jornalistas, acusando-os de serem “o tumor maligno da democracia”? Uma IL irrelevante, que está para o PSD como o Bloco está para o PS? O que têm estes partidos, no presente momento, para oferecer? Pouco ou nada, parece-me.

Entretanto, no Largo do Rato, António Costa sorri e debate, internamente, dois cenários: ganhar com maioria absoluta ou ganhar sem maioria. Se o primeiro se verificar, algo que me parece pouco provável, pouco haverá a dizer. Caso ganhe sem maioria, importa saber o que restará das pontes que uniam o PS aos partidos de esquerda, e se ainda será possível reconstruí-las. Seja qual for o cenário, tudo indica que o poder continuará do lado esquerdo do espectro. A direita está demasiadamente ocupada consigo própria, e com quem decidirá a formação das listas de deputados para as próximas Legislativas, para discutir o país e apresentar uma alternativa credível. Mas o responsável pelo buraco em que se enfiou, seguramente, há-de ter sido o socialismo.

16 de Janeiro

Razões apontadas: necessidade de clarificação quanto antes, urgência em novo orçamento, blá, blá, blá, tudo em nome do País e dos Portugueses.

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SMN: um elogio ao governo das esquerdas

A maioria dos meus artigos tem em comum serem extensos e críticos contra a classe política. Este será um pouco extenso, mas para destacar o que entendo ser o feito mais positivo dos governos das esquerdas.

Portugal tem sido muito mal gerido, não só mas também pela classe política. Ainda assim acho que todos os governos deixaram algo positivo. De forma sucinta e focando-me apenas no positivo, tentarei partilhar o que guardo na memória de cada um. [Read more…]

Um conto de fadas

Quando chega a altura da Web Summit, há políticos que, do centro à direita, se revelam exímios grossistas. É vê-los, tão contentes, a vender o País por inteiro. Há um que até já vê unicórnios.

Karl Moedas e os transportes públicos gratuitos em Lisboa

Quando, na antecâmara da campanha eleitoral pela CM de Lisboa, Beatriz Gomes Dias e João Ferreira avançaram com propostas para que a autarquia garantisse transportes públicos gratuitos na cidade, a direita arrancou as vestes, “monelhos de cavelo”, e guinchou, em uníssono, o conteúdo da cassete que é hoje a sua imagem de marca: comunismo, extrema-esquerda, marxismo cultural.

Agora, que Carlos Moedas reafirma a intenção de garantir transportes públicos gratuitos “para os mais novos e para os mais velhos”, sem contudo clarificar até que idade se é considerado “mais novo” e a partir de que idade se é considerado “mais velho”, dessa direita histérica acima descrita, que se agita ao sabor do vento e sem um plano para o país, nem um pio.

Contudo, sotor Carlos Moedas, se o objectivo é garantir a descarbonização, é fundamental que clarifique também qual será a situação dos principais utilizadores dos automóveis na cidade de Lisboa, que não são nem os mais novos, nem os mais velhos, mas a população trabalhadora que, regra geral, é mãe e pai dos primeiros, filho ou filha dos segundos. Dito isto, avante, camarada Moedas! Os transportes públicos brilharão para todos nós!

Parabéns, Forbes, acertaste em cheio

Em 2018, ainda a liderar a jota do partido, Francisco Rodrigues dos Santos integrava a lista da Forbes dos “30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa, com menos de 30 anos, na categoria Direito & Política”, podia ler-se no jornal Público. Quase quatro anos depois, parece que a conceituada publicação acertou em cheio. Se o CDS acabar por falecer nos próximos dias, ninguém terá brilhado tão intensamente como ele. E, convenhamos, só alguém muito influente consegue uma façanha destas. Não obstante, uma coisa é certa: não foi ele quem deixou o CDS ligado às máquinas. Foram os mesmos que agora abandonam o barco a afundar. Chicão poderá não ser a figura mais preparada e competente, mas pelo menos não é um rato. Podia ser pior.

O PCP e outras mortes anunciadas

Há pelo menos uns 20 anos que ouço a direita, e também alguma esquerda, anunciar a morte do PCP. Over and over again. E os comunistas lá se vão “aguentando”, com o quarto maior grupo parlamentar num hemiciclo com nove partidos, que eram 10 no início da legislatura, e uma sólida terceira posição no mapa autárquico, só ultrapassado pelos dois partidos que controlam o sistema. Caso para dizer, parafraseando Mark Twain, que mais de duas décadas de notícias sobre a morte do PCP foram manifestamente exageradas.

Do outro lado do espectro temos o CDS, também ele fundador da democracia portuguesa. Esteve na AD, esteve nos dois governos de direita deste século, onde ocupou pastas importantes, tem presença autárquica significativa, ainda que, essencialmente, numa relação com o PSD cada vez mais idêntica àquela que Os Verdes têm com o PCP, e, não há muito tempo, a sua anterior líder, Assunção Cristas, afirmava estar preparada para governar o país.

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Tumor maligno da democracia

É o partido cujo vice-presidente afirma que o jornalista é o tumor maligno da democracia.

O lado negro do futebol ou o futebol como lado negro

 

Na sua crónica de hoje, Miguel Guedes, adepto do Futebol Clube do Porto, considera que os três penáltis que ficaram por marcar a favor do seu clube e uma expulsão “perdoada” constituem exemplos do “lado negro do futebol”.

Fico à espera de saber que expressão usará o cronista para classificar as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos, o comportamento hediondo de muitos membros de muitas claques que assaltam estações de serviço ou que transformam os estádios em zonas de guerra, a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial, entre outras coisas.

Note-se, a propósito, que esta expressão é usada a propósito de um jogo de futebol em que foi homenageado Tengarrinha, um antigo jogador, morto aos 32 anos, uma idade em que devia ser proibido morrer, consequência de um lado negro da vida. [Read more…]