No debate com Catarina Martins, Rio esteve a explicar a posição do Chega sobre prisão perpétua.
Está aberta a época de caça ao voto docente!
O governo de António Costa, durante os últimos seis anos, não reverteu as várias malfeitorias perpetradas por Maria de Lurdes Rodrigues e por Nuno Crato e conseguiu acrescentar algumas da sua responsabilidade, incluindo o roubo de tempo de serviço.
Como há eleições, cá está a prometer fazer o que não quis fazer e deveria ter feito enquanto foi primeiro-ministro.
Note-se que não é possível discordar do ainda chefe do governo quando afirma que é preciso acabar “de uma vez por todas com este absurdo que é [a carreira docente] ser a única carreira no conjunto do Estado em que durante décadas as pessoas têm de obrigatoriamente se apresentar a concursos e andar com a casa às costas e andar de escola em escola de quatro em quatro anos”.
O problema é que “este absurdo” é antigo, não apareceu a semana passada – no mínimo, António Costa teria de explicar por que razão não resolveu este problema, mas o que interessa agora é o soundbite da promessa, sequioso de votinhos. Do lado dos professores, se houver sensatez, só pode haver desconfiança e votos contra. Basta lembrarmo-nos das maiorias absolutas de sócrates e de passos para sabermos do que as casas gastam.
Costa ainda faz uma ligação vazia, fazendo depender a vinculação de mais professores aos quadros de uma alteração do modelo de concurso. Não se percebe (ou talvez se perceba, mas já lá vamos), uma vez que é perfeitamente possível vincular mais professores mantendo o modelo.
O modelo é centralista, é verdade, e cego, é certo, fazendo depender a colocação de uma nota. As injustiças que advêm deste modelo, no entanto, são também a garantia de que não há possibilidade de cunhas. Costa, tal como o resto do arco da governação, sonha entregar as escolas às câmaras municipais, incluindo no embrulho a escolha dos professores.
A municipalização da Educação, tal como a regionalização, é uma ideia maravilhosa no papel e terrível em Portugal. Diante do caciquismo endémico que transforma tantos presidentes da câmara em pequenos ditadores que distribuem favores e dinheiros, as escolas ficariam entregues a caprichos e cunhas.
Costa, amigo, não contes comigo!
Gouveia e Melo, Ricardo Araújo Pereira, Salvador Sobral e Éder entram num bar

Imagem: @rtp
Álcacer Quibir, 1578. D. Sebastião desaparece em combate, depois de, alegadamente, ter proferido as suas últimas palavras, perante um cenário de possível rendição: a liberdade real só há de perder-se com a vida.
Com isto, criou-se um mito que perdurou vários séculos, até aos dias de hoje, e que está enraizado na identidade do povo português, se é que é possível deslindar características concretas de um povo, enquanto massa social mais ou menos homogénea.
Esta característica em particular é, no meu entender, um dos bloqueios funcionais que impedem que Portugal possa dar um passo seguinte, numa evolução de identidade e identificação, numa subida de nível cultural, na forma como nos vemos e como nos apresentamos aos outros.
A paixão assolapada do governo português pelos ricos

No que toca à paixão pelos ricos – como aliás a muito mais – PS e PSD são areia do mesmo saco. A prová-lo, mais uma vez, o estudo do Observatório Fiscal Europeu “New Forms of Tax Competition in the European Union: an Empirical Investigation“, publicado em Novembro passado.
Esse estudo sobre o dumping fiscal na UE mostra claramente como os estados europeus promovem uma concorrência fiscal ruinosa entre si, com reduções e isenções de impostos sobre os rendimentos de capital (empresas), bem como do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS): o número de esquemas de evasão fiscal para os super-ricos mais do que quintuplicou nos últimos anos (de 5 para 28). De acordo com o estudo, os regimes especiais mais prejudiciais foram criados pela Itália, Grécia, Chipre e Portugal. Segundo estimativas conservadoras, este tratamento preferencial fiscal proporcionado aos mais ricos causa na UE uma perda fiscal de 4,5 mil milhões de euros por ano aos cidadãos de rendimento médio e baixo. [Read more…]
Na lama, com André Ventura
Depois dos debates com Catarina Martins e Rui Rio, ficou claro que a estratégia de André Ventura passará – sem grandes surpresas – por uma narrativa estruturalmente desonesta, pela manipulação grosseira dos factos e por provocações constantes, com vista a irritar os adversários, interromper as suas intervenções e raciocínios, e arrastar a discussão para o seu habitat natural, a lama, para de seguida tomar conta do debate, como aconteceu hoje com Rui Rio, perante uma Clara de Sousa que não soube moderar nem esconder o seu desprezo por André Ventura, acabando por prejudicar o líder do PSD.
Quando diz, a propósito do RSI, que nos Açores anda metade do arquipélago a viver à conta de quem trabalha, Ventura sabe que mente, como sabe que ele mente qualquer pessoa minimamente informada. Existe, contudo, uma indústria de propaganda por trás da desonestidade política e ideológica de André Ventura, que passa, essencialmente, pela criação de memes e conteúdos para as redes sociais, onde, sem necessidade de contextualizar, são despejadas todo o tipo de manipulações para consumo imediato daqueles que se revêm na agenda extremista do CH. É isso que acontece quando Ventura interpela os seus oponentes com prints que o tempo limitado do debate não permite desconstruir, ou quando lança uma bojarda que parece espontânea e genuína, mas que foi devidamente calculada e ajustada pelo gabinete de marketing e comunicação do CH, posteriormente transformada em “André Ventura esmaga” ou “André Ventura destrói”.
[Read more…]Põe o carro, tira o carro
“Esverdeamento”

O ano acabou mal, com a Comissão Europeia a classificar os investimentos em energia nuclear e gás como sustentáveis no processo de transição ecológica. A taxonomia é um sistema de classificação de produtos financeiros à escala da UE, destinado a orientar capital directo para a transformação verde da produção de energia e da economia.
E como os lobbies falam mais alto, a CE, na sua habitual incoerência entre o palavreado e a prática, apresentou aos 27 Estados-membros, na sexta-feira, uma proposta de rotulagem verde para centrais nucleares e a gás, abrindo assim as portas a que milhares de milhões continuem a fluir rumo a tecnologias nocivas e ultrapassadas – ao invés de serem aplicados em energias renováveis.
Além das consequências ambientais devastadoras destas formas de energia, hoje os sistemas energéticos baseados em energias renováveis são já mais baratos do que o nuclear e os combustíveis fósseis, criam mais empregos e possibilitam a criação descentralizada de valor, em vez de concentrar o poder económico em algumas grandes empresas.
Mas não há maneira de a responsabilidade e a sensatez falarem mais alto do que o dinheiro.
Medos
Porque a passagem de ano “já lá vai” e esta vida tem pouco de “festa”, aqui vai o primeiro deste ano.
Algumas vezes penso que por coerência ética nem deveria escrever sobre Portugal. Pela primeira vez tenho a sensação de ser uma espécie de “traidor à Pátria”. Alguém que se pudesse, saía daqui porque quase todos os outros Países são muito melhores que o nosso.









Recent Comments