O naufrágio

naufragio

O navio adornava perigosamente. Os tripulantes estavam agitados e temerosos. Os passageiros, esses, dividiam-se. Havia os que confiavam que tudo acabaria bem e as coisas se comporiam por si. Havia mesmo um ou outro que acreditavam na competência da tripulação.

Todavia, a maioria não estava satisfeita e havia mesmo quem pensasse que era melhor substituir o comando do barco antes que fosse tarde. Manhoso e espreitando com seu ar de fuinha, o imediato, ciente de que tudo, por aquele andar, iria dar para o torto, escapuliu-se pé ante pé, silenciosamente, sem bater com as portas e, sem dar cavaco – por assim dizer -, pirou-se num salva vidas que estava ali à mão.

Bem lhe parecera que não conseguiriam levar o navio a bom porto, sobretudo depois de o oficial da contabilidade e logística se ter demitido na escala anterior. Mas a sua alegria durou pouco. Por todo o lado se viam tripulantes a atirar-se pela borda fora nadando, atontadamente e sem destino.

Uma sombra, então, desenhou-se no ar e um corpo caiu sobre o seu, apertando-lhe o pescoço com as mãos. Era o comandante. E assim, engalfinhados um no outro, rodeados por desatinados marinheiros, se foram afundando.

Os que estavam mais perto ainda ouviram a voz do capitão que rosnava para o imediato: – “Sacana! Se nos afundamos, afundas-te connosco!”. E lá foram desaparecendo nas profundezas do oceano. No barco, espalhava-se o cheiro a coelho queimado.

O cozinheiro Aníbal, vendo que era o último tripulante que restava, tinha largado os tachos e aprestava-se a partir no último salva-vidas. “E os passageiros?!” – gritou-lhe alguém. “Os passageiros que se lixem!”. E lá foi.

Henrique Raposo II

Afinal há dois, este nem escrever sabe. A imbecilidade não paga imposto.

Um país? não, um bordel

Só falta dizer que a antiga vice presidente da CAP (a lista que perdeu as eleições) é esposa do secretário de estado.

a ler no blog do Arlindo

Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (1)

Abdômen (Bras.)/Abdómen (Port.)

Eurogrupo abre os braços a Maria Luís Albuquerque

Os ilustres do Eurogrupo receberam Maria de braços abertos. Tantas vezes que a mulher tinha lá ido antes de ser Ministra das Finanças! Só pode haver uma das seguintes explicações para a euforia: ou foram cínicos antes, ou agora, ou antes e agora.

Cá ou em Bruxelas, somos brandos nos costumes e nos resgates

Pais de brandos costumes

Somos o país de brandos costumes, ouço dizer desde jovem. Todavia, a proposição nunca me pareceu convincente e assertiva.

Lembremos dois templos prisionais: o Aljube e o Tarrafal (este visitei há uns anos), locais de prisão, torturas e hediondos crimes contra oposicionistas ao regime salazarista.

Dois símbolos, dos muitos, que fazem sucumbir a autenticidade da ‘tese dos brandos costumes’, com que, recorrentemente, se descreve a sociedade portuguesa.

Dispenso-me de pormenorizar os crimes da política actual. Limito-me a referir a violência da flexibilidade laboral, da ilegítima expropriação de rendimentos dos mais frágeis que o governo de PPC, a mando ou em complemento das medidas da troika, executa com fria indiferença e obscena desumanidade.

A falsidade da presunção dos “brandos costumes” é extensível a ocorrências na sociedade civil. A violência doméstica, restringida a agressões e assassínios do cônjuge perpetrados normalmente por homens; ou ainda a violência infantil, de que nos últimos anos a pedofilia, quase em exclusivo, tem sido objecto de notícias – quem trabalha em serviços hospitalares de urgência infantil sabe da frequência e gravidade dos crimes cometidos sobre crianças.

País de brandos resgates

Dos “brandos costumes” tentamos passar aos “brandos resgates”, pela mão de Bruxelas segundo o Público, reproduzindo o anunciado pelo El País. Que não, é falso!, afiançam outras notícias.

Certo, certo é que, no desmentido, o Público informa que:

A CE só avaliará as opções para apoiar Portugal no regresso aos mercados de dívida no momento devido.

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O Verão Quente de Passos e Portas

Gonçalo Dias Figueiredo

A continuidade das altas temperaturas que se têm sentido no país não acompanha o passo do termómetro político nacional. Na verdade, o comunicado conjunto de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, ao que tudo indica, virá por um ponto final no “Verão Quente” que se sentiu na coligação ao longo destes últimos dias. A questão da crise política continuará a ser debatida na comunicação social pelos que se dizem os especialistas na matéria. A especulação em torno do que virá o Presidente da República dizer sobre o assunto ainda fará correr mais tinta mas, na minha opinião, o assunto está arrumado: o Governo continua e está lá para o remanescente da legislatura.
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Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado

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Pedro Viril Arroja relembrando o saudoso deputado Morgado, via Declínio e Queda.

Deixo os versos de Natália Correia: [Read more…]

Portas é irrefutavelmente estável

imagesCAF3DRUQJosé Luís Arnaut afirmou que Paulo Portas é uma garantia de estabilidade. Ao princípio, podemos estranhar que se possa fazer uma afirmação destas acerca de um homem que considerou que o seu pedido de demissão era irrevogável, para, poucos dias depois, revogar o mesmo pedido. No fundo, Portas, discípulo de Vinícius, acredita que um pedido de demissão é eterno enquanto dura.

Não devemos ser injustos com Arnaut. A verdade é que o moço de recados do PSD tomou Portas como seu mestre: assim, o líder do CDS é estável no mesmo sentido em que irrevogável era o seu pedido de demissão. A fontes mais próximas, Arnaut terá mesmo declarado que Portas é “tão estável como qualquer bipolar.”

Morreu o café mais feio do Porto

Nunca entenderei como pôde estar aberto tantos anos, sendo, como era, o café mais feio da cidade, mas certo é que durou muito e sempre preservando as características que o tornavam distintamente horrendo e seguramente o mais feio da cidade. Não sei se mais alguém o tratava por esse título e adivinho que estão por esta altura a pensar que semelhante afirmação é muito subjectiva. Claro que é. Mas se o vissem concordariam comigo. E espero que sim, que tenham chegado a vê-lo, porque agora já não terão essa sorte.

Não vou dizer, claro está, que café era, porque até os cafés têm pai e mãe. Quero dizer, gente que gosta deles e os mantém, gente que se calhar fez daquele lugar a sua vida toda, e teve orgulho na luz pardacenta, nas paredes manchadas, nos pires esbotenados e até no zumbido atordoador da máquina para electrocutar mosquitos. Onde passamos as nossas horas faz-se casa antes do diabo chegar a esfregar o olho. E já sabemos que se pode amar o feio e encontrar-lhe uma nova graça a cada dia. [Read more…]

Democracia participativa

«(…) A crise dos sistemas de democracia representativa é algo que atravessa todos os continentes e países (…). [O]s Orçamentos Participativos têm vindo a provocar mudanças na forma de exercer o poder democrático, na transformação das administrações públicas, na construção de sociedades civis mais fortes e organizadas, no combate às assimetrias sociais e territoriais. (…)» Esperança Democrática – 25 anos de Orçamentos Participativos no Mundo

Da série «Os comunistas têm bigode»

Fernando Ruas

Fernando Ruas


Com um agradecimento ao blogger mais ridículo da blogosfera portuguesa

Os beatos gostam de dar a outra face

Cavaco e Passos aplaudidos na missa do novo Patriarca de Lisboa

O segundo resgate será brando

Dizem eles. E se fossem bardamerda?

Composição do governo

“A ASAE detectou vestígios de PSD no governo.” – RT @kamponez

Diz sempre nunca

O descaramento faz o resto.

Habemus Cerejeira

130707-PR-0735

Sem comentários

comun cds
via O Tempo das Cerejas

Diz que é preciso despedir funcionários públicos (4)

Jogo financeiro na Metro custa 628 mil euros por dia

Laranja do Algarve é que não

O problema do nosso país não teve a sua origem apenas no lapso de Paulo Portas ou na carta de Vítor Gaspar. O erro tem concentradopelo menos dois anos e foi assinado, de cruz, por todos os portugueses que votaram neste conjunto de incompetentes.

Digamos que esta semana foi apenas a apresentação pública do sumo concentrado que tem estado na base da bebida servida pela TROIKA aos Portugueses. Palpita-me que o sumo tinha acabado e Cavaco, talvez a pedido da Maria, mandou vir mais um frasco de concentrado. Para que tudo fique na mesma, claro.

E dentro do frasco original, vinha um bando de gente mal preparada que chegou ao governo achando que tudo se resolvia cortando. Dois anos depois está mais que provada a falência da receita – temos mais desempregados, maior dívida e o défice com um valor historicamente elevado. O problema, repito, não está em saber se Paulo fica ou sai, se o Gaspar tinha razão ou, até, se foram os  Professores que provocaram esta confusão no governo. A receita do sumo está errada e, além do sabor, temos que deixar os sumos concentrados e passar a servir um sumo natural de frutas nacionais, pêra rocha, por exemplo. Laranja do Algarve, por causa das confusões, será de evitar.

Cavaco Silva e os seus boys têm uma intenção clara – permitir aos grupos económicos a entrada na Saúde, na Educação e na Segurança Social. E, só vão desistir, quando o conseguirem. É por isso, que não podemos continuar a beber este sumo de segunda. Portugal e os portugueses precisam de voltar a ter economia e para isso o mercado interno tem que voltar a ser uma aposta central do governo. Não podem continuar a cortar nos salários e nas aposentações – podem, por exemplo, dispensar todos os assessores e agências de comunicação que por estes dias encheram os jornais, as televisões e a blogosfera de pseudo-informações. Fica a sugestão…Mas, mais laranjas é que não.

Adeus, Altavista

15 de Dezembro de 1995  — 8 de Julho de 2013

Fé nos burros

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Há uma exposição fotográfica no Parque Monsanto de Lisboa a qual, por momentos, julguei que fosse propaganda política como as habituais “vote em mim”. Mas não, é mesmo sobre os quadrúpedes da espécie asinina e nada tem a ver com estes que nos governam. E se eles, contrariamente aos asnos, têm sido burros! Basta observar as metas com que se comprometeram e onde chegaram: [Read more…]

Portugal precisa de um novo partido

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A catástrofe estava anunciada: PSD e CDS entraram em agonia, avizinha-se o velório. Em próximas eleições ficarão reduzidos aos fanáticos, que votam ali como se de um clube de futebol se tratasse. Basta pensar na abada que vão levar nas autárquicas, e o PSD é um partido de caciques locais, gente que não sabe fazer mais nada e detesta ficar no desemprego, e passará em breve ai ajuste de contas.

Ora em democracia, mais que não seja por uma questão sociológica, a direita faz falta. Alguém terá de representar os patrões que já puxaram o tapete aos coveiros no governo.

A política tem horror ao vazio, precisamos de um novo partido de direita que faça a travessia do deserto que se avizinha. E não se esqueçam de incluir uns bons camelos.

Governo de salvação internacional

Muitos têm sido os que procuraram identificar os culpados locais dos estranhos acontecimentos que têm marcado a actualidade política nos últimos dias em Portugal. Mas o que esta dita “crise política” e o seu desfecho revelam é o domínio dos interesses extra-nacionais e a afirmação, em todo o seu esplendor, de uma realidade que a maioria tem sub-avaliado, naquela negação de quem fecha os olhos para não ver o que contudo será verdadeiramente  irrevogável, e a que apenas factores exteriores, ou uma não-expectável posição radicalíssima de um outro Governo (que não vai existir antes de 2015, creio) poderiam fazer inflectir: a perda de soberania, até agora enunciada como uma espécie de ameaça abstracta, é agora uma realidade horrorosa e corporizou-se no rigoroso momento em que, perante o pasmo da generalidade dos democratas, emerge um Governo de salvação internacional, chefiado por Cavaco Silva. E o próximo alvo que visa é… a reforma do Estado, eufemismo para machadada-final e definitiva nas responsabilidades sociais do Estado.

Receitas de gin

gin-tonico

A semana passada apresentei aqui umas receitas de caipirinha e de sangria para refrescar este Verão cheio de tonterias e acontecimentos quentes. A julgar pelo que se vê, nunca a season foi tão silly. 

Hoje tomei uma decisão irrevogável: vou preparar um gin tónico. Irrevogavelmente.

Ou talvez mude de ideias e beba um gin fizz. Posso até beber um gin com uvas, sabe-se lá, é preciso é que seja irrevogável. E pronto, enquanto não revogar as dúvidas, dou-vos algumas receitas de gin para provarem.

Tá tudo a bater no Paulo Portas?

Distraídos. O chefe daquilo a que chamam governo ainda se chama Pedro  Passos Coelho.

passos coelho jovem

Portas vai, portas vem

portas vai vem

Nem tudo o que parece é

Take a little walk to the edge of town

Isto precisava era de um Pinochet!

pinochet-thatcher

Egyptians would be lucky if their new ruling generals turn out to be in the mold of Chile’s Augusto Pinochet, who took power amid chaos but hired free-market reformers and midwifed a transition to democracy. If General Sisi merely tries to restore the old Mubarak order, he will eventually suffer Mr. Morsi’s fate.

in “After the coup in Cairo”

Este é o discurso habitual dos que governam o mundo: preocupam-se muito com os mercados e nada com as pessoas, reduzidas a cordeiros sacrificiais que servem para bulir e nem sequer para balir. Que Pinochet tenha sido responsável por torturar, matar e silenciar pessoas não tem importância nenhuma, face aos mercados, esse novo Deus castigador do Velho Testamento. [Read more…]

O Chamado Coitus Ininterruptus

O deputado João Almeida explica.