Estados de alma na Educação

Depois da agitação Cratiana inicial, o ambiente Educativo começa a adquirir tons e cores diferentes dos que foram usados para pintar o arranque do ano.

Não quero com isto significar que ficou tudo cor-de-rosa, ou antes, laranja. Nada disso.

O que talvez tenha acontecido é uma maior separação entre uns e outros – entre os que estão na escola, os que têm emprego. E os que estão em casa, os que estão desempregados.

Não há cores garridas no ar, anda tudo um na área dos cinzentos nas salas de professores e tudo muito mais negro nos ecrãs de computadores que juntam os desesperados à procura de uma vaga.

Não se entende muito bem o que aí vem – será que a mobilidade chega? Será que terei horário para o ano? Será que ainda me vão meter mais alunos dentro da sala? E o programa, vai mudar ou será sempre este?

Para quem está em casa, o olhar triste confunde-se com a luz do ecrã: a vontade de aproveitar o sol é zero e a capacidade de pensar no futuro está limitada pela frustração da existência. Falta um pilar fundamental – ter emprego. Trabalhar.

Os que estão por casa desejam, com mais ou menos palavras, que muitos metam a reforma. Nas escolas, os mais velhos, perguntam a toda a hora – quando é que me posso ir embora?

Haverá futuro para uma Escola assim? E que futuro tem este país que trata a escola assim?

As respostas têm que ser suportadas no optimismo do 15 de setembro: claro que Há OUTRO CAMINHO!

E Vincent Peillon sabe qual é!

Más-línguas

José Cândido
Porto, 18-09-2012
– Tenho lá uns livros na estante que estão bons para ser trocados por uns bonitos, com cheiro a novo, onde assino?
– Olha, e eu estou farto de colocar letras que não servem para nada! Ainda bem que estamos de acordo…
– E sempre fazemos um sainete com os falantes próximos da nossa língua, até conheço um…mas isso agora não interessa!…
A ditadura encapotada de um governo já extinto, mas com estranhos reacendimentos no actual, ditaram que para escrevermos bem, teríamos que abdicar de um conjunto de letrinhas, acentos e demais acessórios, para que pudéssemos apresentar ao Mundo como uma grande comunidade falante e escrevente, com notáveis vantagens económicas para o país. Em vez de se editar um livro do Saramago em Português de Portugal e outros tantos nos portugueses diversos que se espalham pelo Mundo (e dos quais, por ignorância, só conheço o «brasileiro»), seria possível, com algum corte e costura, e por meio de uma manobra de reengenharia linguística (talvez mais gráfica), editar massivamente milhões de cópias do dito autor (ou de qualquer outro, entenda-se), e todos ficavam felizes.
Cega de tanta felicidade, a ditadura estabeleceu que não haveria espaços a qualquer contestação e obrigou logo logo as nossas criancinhas – o futuro do país – a tragar aquela coisa que tão bem dormia, e alguém quis acordar. Os dicionários, bafientos, que os pais das crianças tinham nas prateleiras e que serviram os seus pais, e quiçá os seus avós passavam a peça de museu. Portugal é um país moderno, cheio de autoestradas vazias, e demais infraestruturas sem manutenção ou aproveitamento, e como tal, necessitava também de renovar toda a frota de livros.

Vamos continuar

Agora pela Escola Pública!

Amanhã, 2ª feira numa cidade perto de si.

Nuno Crato, o fugitivo

Li com o Olhar do Miguel, uma pergunta da Bárbara que eu gostaria de ter feito.

Eu era menino para tentar acertar na resposta: porque tem cu!

Ou antes, na 5 de outubro, outrora a casa ministerial, seria cu a resposta.

Nas Laranjeiras teria que dizer Ânus.

Mas cu ou ânus, o medo é o mesmo e mais vale fugir! É que há os heróis mortos e os cobardes vivos.

O tamanho das turmas

Será que está por aí algum boy laranja que possa levar este post ao Sr. Ministro Nuno Crato?

É que na minha escola, em mais de 30 turmas não tenho nenhuma turma, sem alunos NEE, com o número de alunos que o sr. Ministro refere.

Será que ele me pode dizer onde é que isso acontece?

Escola Pública e País – cumplicidade de MobiÜs

No último dia do mês de Agosto, o Ministério da Educação e Ciência publicitou as listas de colocações de professores, nokafkiano que vem de há anos. E se quando não havia computadores até se entendia este funcionamento burocrático, é menos óbvia a percepção dos motivos que levam a esta demonstração pública de desrespeito por uma classe que aguarda em frente a um ecrã uma informação: colocado ou não colocado é a dúvida.

E esta atitude, que faz lembrar o olhar do Imperador sobre a arena do circo romano, leva-me para a Fita de Mobius e as suas propriedades onde a fronteira e o interior se confundem, mas onde cada ponto permite um ponto de vista diferente sobre a mesma realidade. Para Nuno Crato, o Ministério da Educação e Ciência não contratou tantos professores como o ano passado porque não precisava deles. Para os docentes que ficam de fora, depois de anos e anos a trabalhar, a sensação é a do despedimento. Para quem está de fora fica a confusão sobre os pontos de vista, havendo, no entanto, uma certeza, que deixo sob a forma de questão – o que pensaria Portugal se uma empresa despedisse quase seis mil trabalhadores de uma só vez?

Um passeio na Fita de MobiÜs seria uma aventura interminável, de cumplicidades permanentes entre o estar fora e o estar dentro, entre o interior e o exterior. É a imagem perfeita para expressar a urgência da Escola Pública em Portugal – uma cumplicidade sem fim com o país, com as pessoas, com o futuro de um povo. Uma união de objetivos e de ideias, mas também de práticas onde a comunidade educativa, com os seus diferentes agentes possa ser exigente com a Escola Pública, assumindo-a como parte de si, como parte de um património que o País não se pode dar ao luxo de dispensar.

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Professores:Uma nova forma de lutar

Bons dias. Bom ano.

Estas palavras são vazias de conteúdo para tantos e tantos professores, muitos com anos e anos de entrega à Escola Pública, que hoje ficam em casa.

Mas há rituais que nada nem ninguém conseguem apagar e esta é a semana em que arranca mais um ano lectivo.

E perante o que está a acontecer, sugeria que cada um de nós, na sua escola fizesse uma coisa muito simples: vou deslocar-me aos meus serviços administrativos e farei a requisição do material que considero necessário para exercer a minha profissão. Simbolicamente, porque é disso que se trata, não admito usar um cêntimo que seja do meu orçamento familiar para financiar um Governo que me rouba em permanência: canetas, lápis, um caderno, marcadores para o quadro e folhas de papel. Vou também fazer o pedido de um portátil, hoje fundamental para preparar o trabalho.

Pode parecer estranho a quem trabalha em algumas empresas, mas nas escolas é normal os professores imprimirem fichas em casa para os alunos, levarem canetas e lápis para quem não tem. É frequente ver que cada professor leva o seu portátil para a sala de aula, na ausência de equipamento para trabalhar nas escolas. Mas este não é um momento qualquer.

Nuno Crato está a colocar em causa a própria Escola Pública, inclusive, negando a própria Constituição da República: [Read more…]

Vou emigrar :(

Chorei. Tenho chorado muito.

A situação de desemprego é a mais delicada em termos pessoais, porque é uma espécie de buraco negro da esperança que transporta para o campo da impotência a mais fortes das personalidades.

Se há quem pense que escrevo muito, sou ainda pior a botar faladura.

Quase nunca sinto a ausência de palavras, mas a presença junto da fila do Centro de Emprego de Gaia tirou-me algo que tinha como certo – é mesmo possível ficar sem palavras.

O que se diz quando alguém te diz que vai emigrar porque não aguenta mais isto?

Apetece-me GRITAR a todos os desempregados, estou aqui, quero ajudar, digam-me como!

Sigo para a Escola, olha à minha volta e vejo menos gente. Vejo os amigos de sempre, mas falta aquela gente nova, que trazia os corpos de verão, os sorrisos mais felizes do mundo, aqueles que transportavam a alegria de ter TRABALHO. Era só isso: tinham trabalho! A sua dignidade existia porque teriam dinheiro para dar de comer aos filhos.

Sento-me para a reunião. Temos mais 51 alunos na escola!

Temos menos 31 professores!

Ora nem mais! É o milagre da multiplicação dos pães: temos mais alunos e menos professores!

Para si, caro leitor, é mesmo assim: na minha escola há menos professores para mais alunos, isto é, e trocando por miúdos, há menos professores para os seus filhos: o seu filho, este ano, vai ter menos apoio na escola.

Vamos ter uma PIOR escola pública!

A Escola Pública vai fechar?

Uma reflexão para ler sobre a Escola Pública, por José Carlos Cidade:

“Ironicamente é num momento de recessão, de grandes dificuldades para as famílias que o governo diminui a capacidade de resposta da Escola Pública, tornando ainda mais complicada a saída da crise. A Escola Pública é uma conquista da República e, em especial, da Democracia que não pode ser maltratada e reduzida a nada por um qualquer preconceito ideológico ou por um qualquer pretexto económico. Fechar a Escola Pública seria fechar o futuro do país.”

Professores – o dia mais longo

Nunca o dia 30 de agosto foi tão amargo. E se calhar até foi, mas a memória de professor é mesmo assim – esquece facilmente, tal a quantidade de incompetentes que nos têm transformado a vida num inferno, um ano atrás do outro.

Falta um dia para que meia dúzia de milhares de professores dos quadros saibam uma de duas coisas: em que escola vão trabalhar ou, caso continuem sem horário, que na próxima segunda-feira terão que se apresentar na escola onde estiveram este ano para fazer não se sabe muito bem o quê.

Para os candidatos a um contrato o problema é bem maior e muito pior. Incomparavelmente pior. Uma parte muito significativa vai ficar sem colocação – e quanto a isso, não me parece que escrever por antecipação seja um problema. Como gostaria de amanhã ser desmentido pela realidade.

Os outros, os poucos que conseguirem um lugar, vão vacilar entre o que têm em mãos e outras ofertas a que se candidataram. Ao contrário do que se diz por aí, é possível rescindir e optar por algo melhor.

Tudo isto em cima do acontecimento – o arranque do ano letivo.

De 6ª para 2ª, milhares de portugueses vão ter que fazer as malas, deixar a família e partir. Ainda não sabem se para o Norte ou para o Sul, para mais perto do mar ou de Espanha. Não sabem se vão conseguir alugar casa ou um simples quarto, nem tão pouco o que vão fazer, que turmas ou anos vão leccionar. Nada.

Falta um fim-de-semana para começar o ano lectivo e há mais de 100 mil almas que neste país não sabem o que vão, profissionalmente, fazer na 2ª feira. A Escola Pública merece mais e o país precisa de mais e melhor Escola Pública.

Faz todo o sentido não aceitar este tratamento em silêncio e por isso, na 6ªfeira, às 18h vou estar no Porto, na Praça da Liberdade.

Chile e a escola pública

Desta vez são os estudantes chilenos que parecem apontar o caminho e dia 28 há mais gente para se juntar ao protesto.

E ninguém está a falar ou exigir vantagens pessoais ou profissionais, ninguém exige nada de individual. Apenas a Escola Pública.

de Não há assim tantas diferenças entre o que eles exigem e aquilo que deveriam ser as nossas lutas. Vamos seguir com mais atenção a inspiração chilena.

Nuno Crato quer aumentar o ensino profissional

E para começar, acaba com ele.

As escola públicas tiveram este ano uma redução brutal (em muitos casos superior a 50%) nas autorizações para abrir cursos CEF e cursos Profissionais, algo já escrito no aventar há uns dias.

Os cursos CEF, são na sua maioria, cursos para os alunos que terminam o 2ºciclo do ensino básico (6ºano) e com uma história de algum insucesso. Muitos com problemas de comportamento e que encontram nesta solução dos Cursos de Educação e Formação uma boa possibilidade de fazer o 9ºano, ainda por cima num curso que dura dois.

Os profissionais (ensino secundário) eram uma sequência natural dos CEF, sendo que recebiam outro tipo de alunos também. A rede pública que oferece estes cursos é constituída pelas escolas secundárias, pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e pela rede privada de escolas profissionais. O site da ANQEP explica tudo.

Ora, neste contexto as afirmações de Nuno Crato são absolutamente vazias de conteúdo real e completamente cheias de complexos ideológicos e de lugares comuns: o povo diz que é preciso gente que consiga apertar um parafuso ou colocar um cano e logo a direita mais atrasada corre para os braços das soluções anteriores ao 25 de abril. Esquecem-se de duas coisas:

– quem está na escola hoje  e quem estava na escola nessa altura.

– a natureza do mercado laboral de hoje, comparado com o mercado laboral de então.

E levando a discussão para o plano educativo, reitero um argumento já apresentado e que se relaciona com a possibilidade dos alunos passarem de uma via para outra, algo a que chamei, o problema dos alunos.

 

 

O desemprego dos professores é uma opção*

O debate em torno do emprego, ou da sua ausência deverá estar no centro das preocupações do nosso país, até porque o trabalho é um elemento estruturante da condição humana. Não surpreende, por isso o debate nas páginas do PÚBLICO sobre o emprego docente e dos milhares de professores que poderão ficar sem colocação no início de Setembro.

José Carvalho (Professor e Investigador de História), na linha de argumentação de José Manuel Fernandes refere que há um elemento essencial esquecido por quase todos: “há menos alunos nas nossas escolas.” Aliás, linha de argumentação é um eufemismo tal a coincidência das palavras escolhidas por Carvalho, depois do texto original de Manuel Fernandes.
Sobre o ponto apontado como fundamental – escassez de alunos, tal referência deveria ser mais verdadeira, mas os números são isso mesmo, números. Poderiamos por exemplo escrever, citando dados do MEC, que em 2005/2006 estavam no sistema educativo 1 347 456 alunos e em 2008/2009 esse número tinha crescido para 1 525 420. E no que ao pessoal docente diz respeito, os dados igualmente disponíveis no site do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, mostram números diferentes dos referidos por José Carvalho.
Mas vamos assumir que o Investigador José Carvalho tem razão até porque a taxa de natalidade é o que é, ainda que o Público tenha noticiado (26-12-2011) que nem sempre o que parece é. [Read more…]

A Escola em marcha atrás

“As medidas adotadas pelo Governo têm três objetivos: primeiro, a redução cega de custos, obtida a partir do despedimento obsessivo de professores e de outros profissionais do sistema, da concentração de alunos em agrupamentos de dimensão cada vez maior, da transferência de encargos da responsabilidade do Estado para as famílias; segundo, obter dados estatísticos favoráveis às políticas do Governo, através da desvalorização e menorização de aprendizagens – desde as atividades físicas e desportivas às artes, à cultura e à formação para a cidadania – invocando a necessidade de priorizar “saberes essenciais” e “disciplinas fundamentais”, de adaptar a Escola às “condições da sociedade”, às “exigências do trabalho” ou do “mercado”; terceiro, colocar a Escola totalmente integrada e ao serviço das ideologias neoliberais e retrógradas que sempre se hão de opor à equidade e a direitos universais e solidários garantidos a todos os seres humanos.”

Manuel Carvalho da Silva, em artigo de opinião no JN do dia 11 de agosto de 2012

Ele diz, obviamente com outra qualidade, algo parecido com o que tentei escrever aqui no aventar uma e outra vez.

O problema dos alunos

Ser hoje aluno numa escola pública não é o mesmo que ter sido aluno numa escola pública ontem.

A Escola do Cerco (Porto) foi a minha casa durante uns anos e de lá saí, como muitos outros, para a Universidade. A maioria dos meus colegas, ali pelo 3º ciclo abandonou a escola, mas houve para muitos uma verdadeira oportunidade. Localizada numa das freguesias mais complicadas do Porto, a Escola do Cerco não era um problema. Foi para muitos a solução e é sempre um prazer ir ao Hospital de S. João e ver um amigo médico, entrar numa escola e ver um colega professor, etc…

Hoje, mais de vinte anos depois está tudo um bocadinho mais complicado.

A Escola Pública está a braços com uma dificuldade, que não sendo nova está na matriz conceptual que o conservador Nuno Crato tráz para a Escola. Para ele e para os seus, a escola pública deve, em primeira análise, criar trabalhadores produtivos e eficazes. Daí a “conversa” em torno das vias profissionalizantes que querem introduzir logo aos 10 anos. Se me permitem a demagogia, quantos de nós, com 10 anos, seríamos competentes para definir o nosso destino? [Read more…]

Há um momento em que temos de ir para a rua

O Público de hoje traz um texto com declarações de vários professores, procurando equacionar a resposta da classe às propostas do MEC sob o ponto de vista das redes sociais. Há declarações minhas, onde me assumo, como sempre, como Dirigente do SPN (FENPROF) e como elemento do Aventar. Além das minhas há declarações do Dirigente da FNE, Arlindo Ferreira, do Nuno Domingues, do André Pestana e do Paulo Guinote.

No caminho anti-sindical que tem marcado a prática do Paulo, tudo que aparecer com o rótulo FENPROF é para deitar abaixo – agora é o Purismo Divisionista. É curioso que me acuse de dividir quando ele se atira à FENPROF, que bem ou mal é a única organização que tem estado na rua. Será que as outras, as que têm lugar à mesa, são mais confiáveis?

E já agora Paulo, creio que já não faz sentido que me continues a atirar para um lado da FENPROF que tenho vindo a combater há anos. E tu sabes isso! É atirar areia para os olhos dos mais atentos. Sugeria uma leitura, no texto, destas linhas:

“Apesar de ser dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, afecto à Fenprof, João Paulo Silva, um dos autores do blogue Aventar, partilha algumas das críticas feitas à actuação dos sindicatos,”

Quanto aos argumentos por mim utilizados, penso que não há nada de outro mundo na  afirmação que a maioria dos professores votou neste governo e que uma parte significativa da classe recebeu bem o Ministro. É uma ideia que  tem tanta validade como o seu contrário, mas ainda podemos ter liberdade de expressão ou não?

Mas que diabo, porque é que esta afirmação, meramente pessoal, é divisionista? Porque é que esta afirmação é assim tão dramática? Será que te tocou em algum ponto sensível? Sinal de falta de democracia da minha parte? Limito-me a tentar perceber o mundo à minha volta, nada mais. [Read more…]

Sou um trabalhador de cultura

Diogo Curto no suplemento Ipsílon do Público coloca a questão dos professores no tom e no ponto certo: cultura!

Num artigo muito claro o Historiador faz notar a importância da Escola, nomeadamente ao nível da escolaridade obrigatória, para a dimensão cultural de um povo.

Quando Nuno Crato coloca exames no 4º ano está a provocar uma divisão artificial e precoce que vai destinar alunos a uma segunda via onde a Cultura será um anexo da profissão. Para uns, os de menos sucesso, estará à sua frente um percurso centrado na aprendizagem (???) de uma profissão. Para outros, os que têm mais sucesso nos exames estará em cima da mesa um cardápio mais cultural.

Olho lá para trás e penso que fui pela primeira vez a um Museu numa visita de estudo. Foram os Professores que me levaram pela primeira vez ao Teatro e a música, nas suas múltiplas dimensões menos populares, só me chegou na Escola. Isto, para não falar dos livros e das revistas…

E quando me perguntam qual é o meu problema com o Nuno Crato respondo isto mesmo: [Read more…]

A propósito de teatro: um país desequilibrado

Sou um privilegiado. Desde pequeno, graças aos meus pais, pude ler livros, ouvir e aprender música e ver teatro e cinema. A escola ainda ligeiramente elitista que frequentei desempenhou um papel muito reduzido na aquisição desses privilégios. [Read more…]

Plataforma pela Educação

Afinal foi hoje que a Escola Pública mudou…

Horários Zero: desregular e enfraquecer

No post anterior o JF já se referiu ao problema que por estes dias vivem milhares de professores do quadros, com anos e anos de experiência.

Para quem não é professor a equação parece simples: se existem Professores a mais, o país não tem dinheiro para os pagar, logo, têm que sair.

Mas, talvez se explique isto com o recurso a uma metáfora. Imagine, caro leitor, que o Presidente de uma equipa de futebol decide cortar na despesa. Exige então ao treinador que invente uma nova arrumação da equipa no terreno de modo a dispensar o guarda-redes. Será assim, com dez jogadores e sem o goleiro que o time entrará em campo.

É mais ou menos isto que se está a passar nas escolas – aumenta-se o número de alunos por turma (sim, essas mesmo, as turmas dos seus filhos!), reduz-se o alcance do Ensino Especial e dos apoios, fecham-se os cursos CEF e os profissionais e assim até parece que a equipa pode jogar sem guarda-redes. Poder, pode…

Esta medida do Governo coloca em causa o serviço público de educação – não é só uma coisa de “prof“.

É algo que vai MESMO mexer com a qualidade do serviço prestado nas escolas.

E chegamos ao fim do mês de julho, com a preparação do ano letivo 2012-13 toda esburacada apenas e só porque o sr. Comentador Nuno Crato resolveu dar uma de Ministro e está à vista o resultado: no parlamento, apertado pela rua, diz que até pensa em vincular Professores aos quadros, para logo a seguir corrigir o tiro e dizer que afinal não será bem assim.

Alguém, além dos contratados crentes, acredita que o sr. Comentador Nuno Crato, agora Ministro, vai meter professores nos quadros quando tem milhares dos quadros sem horário? Quer dizer, obriga a equipa a jogar sem guarda-redes e depois vai comprar guarda-redes que não vão poder jogar?

Será que ainda estamos no plano inclinado?

Vamos continuar a apertar porque está a resultar

Que ninguém tenha dúvidas, porque a realidade está aí para o mostrar: o Governo em geral e o Nuno Crato em particular já perceberam que o Monstro está a acordar.

Os Professores estão a começar a levantar-se – foi a Manif da semana passada, as vigílias desta semana, serão as concentrações regionais da próxima semana e tudo o que for preciso, porque está a resultar.

Durante meses, o homem desapareceu. Ninguém o via!

Numa semana apareceu mais do que o animal atrás do Pinto da Costa. Após a Manifestação de Lisboa, ainda tentou continuar escondido, mas em cima da marcação das Vigílias fez uma conferência de imprensa e divulgou um comunicado.

É também por isto que não entendo o Paulo, que continua a ter um Umbigo do tamanho do mundo: se é dos sindicatos é porque é do PCP, se é dos professores é porque é do bloco. Posso deixar um desafio – será que queres sugerir alguma forma de luta? O que fazer a seguir? [Read more…]

FNE e Crato: e agora?

A onda está em movimento e como se viu em 2008 já não dá para parar.

Há blogues que continuam a pensar na presença ou na ausência, porque é sempre mais fácil dizer do que fazer, bater depois de acontecer, em vez de avançar antes de ocorrer. Os chamados treinadores da blogosfera que acertam sempre no resultado depois do jogo acabar. Também há os que parecem estar do lado dos professores, mas que depois acabam por subscrever as maldades que nos fazem.

Mas, como aqui no Aventar, não temos esse tipo de limitações, podemos avançar para a rua sem medos, verdadeiramente livres – vamos a jogo antes dele acabar!

E há gente por aí a colocar-se em bicos de pés para aparecer.

A FNE, federação sindical de professores próxima do PSD, tem assinado tudo quanto é acordo com o sr. Ministro e depois, quando percebe que a onda está lançada, aparece para a tentar apanhar. Os professores lançam os foguetes e eles aparecem para apanhar as canas.

Lamento, mas desta vez, não vão apanhar a boleia – parte do que está a acontecer aos professores é culpa da FNE, que irresponsavelmente assinou o que não podia ter assinado, aliás, o mesmo acontece com a “UGT que tem andado de braço dado com a TROIKA”. Respeito a sua estratégia e a condução que é feita pelos seus dirigentes, mas não podem dizer uma coisa para a classe e depois fazerem outra na mesa negocial.

E, como Professor, é isto que vou dizer a quem me ouvir ou a quem tiver chegado a este ponto do post.

Vamos para a rua com quem temos que ir e com quem podemos contar! Não quero ter que escrever que fomos novamente enganados. Não seremos!

 

Vigília pela Educação já mexe

A Vigília já está a mexer e até o sr. Ministro começa a dizer coisas – sabemos que ninguém vai ser despedido agora, mas sabemos que a esmagadora maioria dos docentes contratados não vai ser contratado, isto é, vai ser despedido. Mas e amanhã, o que vai acontecer aos Docentes dos Quadros? Poderá o Ministro garantir isso? Claro que não!

As notícias sucedem-se e a República vai mesmo sair à rua: no Diário de Notícias, na RTP, no Público.

Mais do que uma questão de Professores, trata-se de defender a Educação, o serviço público de educação e em particular a Escola Pública.

Um movimento de pessoas que não desistiu, que não desiste e por isso amanhã vou estar na Praça da República.

A Educação nas ruas da República – vigília dia 18 de madrugada

A Escola Pública pegou fogo!

Já não dá para aguentar mais!

Está na hora de sair à rua. Depois da fantástica manif de Lisboa, está na hora de continuar a lutar pela Educação.
Das redes sociais surgiu uma ideia simples, mas que pode ser eficaz:

Vigília toda a noite de 18 para 19 de julho, em todas as capitais de distrito.

Lema: “Que nenhum português fique em casa!”

Em Lisboa seria junto ao parlamento, onde, nestes dois dias se vai discutir Educação.

Nas outras capitais, nas respetivas Praças da República como símbolo da importância da Educação para a República. Umas violas, umas telas para umas pinturas, uns poemas e teremos uma noite…

Começamos às 19h de 4ª feira. Uns poderiam ir dormir ou ficar…

Mas todos regressavam com o sol para terminar ao meio dia. Fica a dica….

Vamos a isso?

A ideia é mostrar à população que está em causa a Escola Pública com o aumento dos alunos nas turmas, com a redução das horas de apoio, com menos tempo para trabalhar matemática e língua portuguesa, com o fim dos CEF e dos Profissionais, com a estupidez dos Mega-agrupamentos.

Não se trata de coisa de professor!

Estamos a falar da Escola como um direito e da Escola como um pilar da Democracia e da República!

Vamos fazer da noite de dia 18 uma noite histórica – a noite em que Portugal saiu à rua para lutar pela Escola!

Concursos de professores: a angústia em forma electrónica

Concursos. Concorrer. Plataforma. Mobilidade. DACL. DCA.DEGRE.DGAE…

A loucura total em forma de aplicação electrónica. Está a concurso (sem colocação) gente que não concorre desde os tempos em que só o Bill Gates sabia o que era um computador. Com todas as condicionantes emocionais que estão em cima da mesa são mais que muitas as dúvidas e nem sempre a legislação disponível ou o aviso de abertura ajudam a esclarecer. Há gente a tentar ajudar, mas na véspera do concurso começar há ainda algumas coisas pouco claras, que se esperam ver resolvidas ainda antes do concurso terminar (decorre de 2ª a 6ª).

E muita gente pergunta: no meu lugar o que é que fazias?

Mas, infelizmente, a pergunta fica sem resposta – o momento, profissionalmente falando, é tão delicado que nem me atrevo a fazer sugestões. A ajuda é técnica, mas nunca opinativa… Infelizmente, estamos assim!

E ainda me custa mais saber que a 6 de junho, aqui no Aventar, fiz as contas que só agora todos entenderam!

Quem disse que ter razão antes do tempo era bom, enganou-me!

Sexta-feira 13 dos Professores, mas ainda mais das Escolas e dos alunos

Estou há horas para começar este post, mas os dedos teimaram em não responder.

Hoje, vi as escolas como nunca tinha visto

Depois de um dia fantástico, o de ontem, nas ruas da Lisboa antiga, do Rossio ao Parlamento,eu não merecia um dia assim. Nós, os resistentes, não merecíamos um dia assim!

E nem falo por mim.

Tenho dificuldade em colocar em palavras o que aconteceu.

Há de tudo: diretores que chamam os professores, tipo centro de saúde com o povo todo na sala de espera.

Há quem mande por correio, quem ordene um telefonema. Também há quem recorra ao mail e, é verdade, por SMS:” Caro colega, ao abrigo da Legislação em vigor, venho a informar que não temos componente letiva para si”.

Eu já tinha ouvido falar em despedimentos por mail, agora por sms!!!

Queria conseguir explicar isto aos leitores do Aventar que não são Professores, mas não é fácil – acham normal que professores “efectivos” há mais de vinte anos estejam sem horário para o próximo ano? E aos milhares?!!

São Directores de Turma e Coordenadores, professores do 1ºciclo, do secundário, educadores de infância e professores do básico. São de matemática e de línguas, de expressões e de história. No litoral e no interior…

Não há post algum que possa receber a raiva que se viveu hoje nas escolas públicas portuguesas.

Foi, de facto, uma verdadeira 6ªfeira 13 para a Escola Pública.

E Nós só queremos que nos DEIXEM ser Professores!

Só isso!

Pelo DIREITO dos Portugueses à Escola Pública

Às 15h no Rossio!

Pelo teu direito à Escola e à Educação, eu vou!

Nos últimos dias tenho passado por dezenas de escolas do grande Porto e a confusão está instalada. As medidas do comentador televisivo Nuno Crato são de tal forma absurdas que são já os alunos a sofrer com toda esta trapalhada. E os professores, enquanto classe, estão a acordar!

As continuidades, os projetos, as investigações, tudo e mais alguma coisa valem zero para os burocratas que têm a missão de empurrar a Escola Pública, tal como o Sistema Nacional de Saúde, para um cantinho da nossa sociedade – não me surpreende, por isso, o acordar da classe média. É um acordar contra a degradação e contra a privatização da educação e da sáude.

A receita laranja é simples e pode explicar-se em breves linhas: [Read more…]

Youtube vai ter que aumentar

Pois é.

Em cada Mega – agrupamento, mais de 50 professores serão despedidos. Nos agrupamentos “normais” o número andará à volta dos trinta.

Os números apresentados pela FENPROF que elevam os números totais para a casa dos vinte mil parecem pequenos.

Isso – dia 1 de setembro de 2013 mais de vinte mil professores que hoje educam os nossos filhos serão despedidos em nome da TROIKA.

O youtube vai ter que crescer. E não faltarão bolachas.

Idiotice do MEC – mais uma

O MEC publicou em Diário da República as alterações à Organização Curricular do Ensino Básico e do Ensino Secundário – o Decreto – Lei 139 / 2012, de 5 de julho.

E pedia a algum advogado que visse o ponto 3 do seguinte artigo:

“Artigo 38.º
Produção de efeitos
1 — O presente diploma produz efeitos a partir do ano letivo de 2012 -2013.
2 — O disposto no n.º 4 do artigo 28.º, relativo à não contabilização da classificação obtida na disciplina de Educação Física para apuramento da média final do ensino secundário, produz efeitos de forma progressiva, aplicando -se:
a) No ano letivo de 2012 -2013, apenas aos alunos matriculados no 10.º ano de escolaridade;
b) No ano letivo de 2013 -2014, também aos alunos matriculados no 11.º ano de escolaridade;
c) No ano letivo de 2014 -2015, a todos os alunos matriculados no ensino secundário.
3 — Os mecanismos de transição para os desenhos curriculares aprovados pelo presente diploma são definidos por despacho do membro do Governo responsável pela área da educação.”

Isto quer dizer que as mudanças só vão entrar no 5º, no 7º e no 10º. Certo?

Se falam em mecanismos de transição é porque vai haver transição, logo…