Pena de morte por enforcamento e injecção letal pode ser – por lapidação é que não!


Há neste momento 19 americanos com execução marcada para o que falta de 2010, fora todos os outros que se mantêm há anos no corredor da morte. Nos Estados Unidos, a injecção letal é o método mais comum, mas a electrocussão, a câmaras de gás, o enforcamento e o fuzilamento também são permitidos.
A morte por lapidação é abjecta… como são todas as outras formas de matar. Um Estado não tem o direito de tirar a vida, seja a quem for. A manifestação de hoje é muito, mas muito redutora.

O charco dos sáurios


Esta semana, assistimos a uma aparatosa recepção ao senhor ministro dos Negócios Estrangeiros do regime dos aiatolás, apenas semelhante a outros sistemas protagonizadas por cavalheiros como Kim jong Il, Castro ou Kaddafy. Quando em Portugal os sectores centenários têm andado obcecados na revivificação do espectro anti-clerical, as mesmíssimas pessoas recebem sem qualquer circunspecção, o lídimo representante de um sistema ultra-religioso que nega os direitos a qualquer minoria, cerceia as mais básicas liberdades individuais e reconhece por Lei, a inferioridade das mulheres. Quando ainda há pouco se legalizou o casamento gay como conquista dos direitos humanos, o Palácio das Necessidades escancara as suas douradas portas, a quem activamente açula dúzias de enforcamentos de homossexuais em plena via pública e tem em lista de espera, mulheres às portas da morte por lapidação. É que em Teerão, os guindastes da construção civil, não servem apenas para o alçar de placas betonadas pré-fabricadas que vão erguendo condomínios, onde os mulás impõem o dízimo, geralmente traduzido sob a forma de gratuitas penthouses.

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Arábia Saudita ajuda Israel a atacar Irão!

Para que os caças Israelitas possam atacar as instalações ligadas ao programa nuclear do Irão, terão que viajar cerca de 2000 Kms, limite da autonomia de vôo dos aviões. Mas a Arábia Saudita dá uma ajuda, abrindo um “corredor aéreo” limpo de radares de defesa para que os caças possam sobrevoar o território.

“Vamos olhar para o lado” dizem da secretaria de defesa, os sistemas de defesa não serão activados para os caças Israelitas poderem passar, e logo que passem, os sistemas serão reactivados ao máximo. Riad tem tanto medo do Irão como Israel e não quer que o programa nuclear siga o seu curso.

Entretanto, em Teerão, na passagem do aniversário das eleições, voltou-se a ouvir “morte ao ditador” apesar do medo que caiu sobre os que se manifestaram nas ruas o chamado “Movimento Verde” e que reinvindica ter ganho as eleições. A universidade tornou a agitar-se e houve envolvimentos de violência entre a polícia e os manifestantes. Dezenas de jornalistas foram presos e há um aparato militar e um ambiente de tensão enormes.

Num comunicado conjunto de toda a oposição, diz-se:”O regime devia avançar para termos uma imprensa livre, eleições livres e o respeito pelos direitos humanos, mas isso é o contrário do que se passa”!

Faz-me lembrar o velho aforismo : “a galinha do vizinho é melhor que a minha”!

Mulher coragem

Irão, 2010

Internet, de tudo um pouco

O Buzz, nova ferramenta do Gmail, apareceu repentinamente no nosso correio electrónico, pouco depois de anunciado. De repente, sem saber como, eu tinha cinco seguidores e estava a seguir quinze pessoas. Veremos se o instrumento será pacífico ou levantará as polémicas do Google Street View.

O Irão, ao bloquear o Gmail, não terá acesso ao Buzz. Do ponto de vista obscurantista das ditaduras, chama-se matar dois coelhos com uma só cajadada. Já a UE parece caminhar em sentido oposto ao apostar numa internet grátis e neutra.

O Ipad, como seria de esperar, já conta com os seus detractores. Para a Apple não será o fim do mundo, mas não são boas notícias.

Mas o mundo em rede é feito por pessoas e não apenas tecnologia. Nesse sentido, não sei o que pensar destas duas notícias. Será que a sua entrada na net os vai separar, ou apimentar e dar novo fôlego a uma relação tão antiga?

Banditagem de Ahmadinedjad enforca resistentes


Mohammad Reza Ali Zamani (37) and Arash Rahmanipour (19) were executed on 28th January 2010. According to his indictment, Zamani´s conviction for the capital crime of Mohareb, or “taking up arms against God,” was based on his membership in the pro-Royalist group, Anjoman-e Padeshahi-e Iran, and on allegedly meeting in Iraq with United States operatives and receiving money from a source based in the US, all for the purpose of instigating unrest in Iran. According to his lawyer, the other defendant, Arash Rahmanipour, had been forced to confess to membership in the same group.

E o Irão, como poderá evoluir?

Não são só os aguerridos movimentos de oposição democrática que representam uma ameaça para o regime, os movimentos separatistas de regiões multi-étnicas, Curdos, balúchis,Azerbaijanas e Árabes que constituem 44% da população do país, dominado pelos Persas, são uma ameaça maior.

Trabalhando em conjunto, movimento democrático e movimentos separatistas poderão constituir uma alternativa muito séria, mas que até agora têm sido dominados pelas elites religiosas, militares e comerciais Persas que  têm negado o apoio às exigências das minorias.

Um dos objecticos é a autonomia regional sob a Constituição existente, outro é uma confederação de estados e, por último, a independência. São estes movimentos separatistas que os US estão a alimentar com armas e dinheiro “os americanos estão ocupados a construir uma conspiração.”

O pano de fundo desta situação é um regime totalitário, dominado pelos extremistas religiosos e com um plano militar nuclear de que todos têm medo. Se os movimentos de oposição interna mantiverem a pressão, organizando-se e juntando-se, é muito possível que se abra uma janela de oportunidade que leve Israel e os US a atacarem e destruírem as zonas de  desenvolvimento nuclear. Isto seria o fim do regime!

A repressão parece ser o único caminho que resta ao regime para sobreviver, já que a negociação é praticamente impossível e a revolução vai intensificar-se o que poderá levar a um estado de “rebelião generalizada.”

PS: Selig S.Harrison no i

O preço dos erros

O caso iraniano, é mais um exemplo do preço dos erros que se cometem. Um preço com elevados custos humanos.

Se em tempos idos os EUA tivessem dado melhor atenção ao Xá Reza Pahlavi, muito do que se passa agora no Irão, e do que já se passou, ter-se-ia evitado.

 Apesar da sua concepção autocrática, Reza Pahlavi promoveu a modernização do Irão com a laicização do Estado, a igualação de direitos entre homens e mulheres, dinamizou as artes e as mentalidades imprimindo um forte cunho ocidental. O Xá estabeleceu os fundamentos para a estanquicidade do avanço do clero xiita e a delimitação das influências muçulmanas, ao mesmo tempo que travava as influências soviéticas junto da Jordânia e da Síria, de modo a permitir um melhor equilíbrio geopolítico naquela região.

Acontece que Reza Pahlavi quis libertar-se do jugo norte-americano, começando a estabelecer as suas próprias cotações de crude. Porque percebeu que só verdadeiramente autónomo é que poderia construir o Irão moderno e de matriz ocidental que tanto ambicionava. Mas com isso feriu os interesses das companhias petrolíferas norte-americanas, e os EUA fizeram aquilo a que já nos habituaram: deixaram cair quem já não lhes era útil no imediato, sem medir as consequências no médio e longo prazo.

O próprio Kissinger apercebeu-se da importância vital que seria sustentar o Xá, dando-lhe mais e melhor apoio político e militar. Disso deu a devida conta em Washington DC, mas de nada adiantou: como sempre os interesses corporativos do petróleo falaram mais alto. Foi um dos maiores erros de política externa do Presidente Jimmy Carter.

A França, com fortes interesses no mercado do crude soube aproveitar, e após dar exílio político a Khomeini, manteve uma postura no mínimo dúbia que permitiu o regresso em força do xiita.

O resultado está à vista: desde que o khomeinismo se instalou no Irão, o retrocesso civilizacional foi enorme. Sendo que os actos de violência hoje relatados em toda a comunicação social mundial, com especial enfoque na perseguição do governo iraniano aos líderes da oposição, serão mais um capítulo da herança sangrenta e castradora que a vitória xiita representou no rumo do Irão.

Infelizmente, uma das vantagens de se ser super-potência é que os erros são quase sempre pagos pelos outros.

Irão: Um Prenúncio de Morte – 2

Uma obrigação clara: ajudar e reforçar, com todas as nossas forças, a sociedade civil iraniana em revolta” – Bernard Henri-Levy no i de hoje.

Sou um leitor atento da prosa de Bernard Henri-Levy e é com enorme prazer que o leio no i todas as quartas. Ainda agora nas férias voltei a reler o seu “Vertigem Americana”, um livro fundamental para compreender a actual sociedade americana. “Mais do que nunca com o povo iraniano” é o título do seu artigo merecedor de leitura atenta. Colocando o dedo na ferida, explicando que Mousavi foi o mal menor para o eleitorado do Irão. Continuo a bater na mesma tecla. As mulheres e os jovens do Irão estão, paulatinamente a construir a mudança, a sangue, suor e lágrimas. Por isso mesmo, estas eleições fraudulentas são o prenúncio de morte do actual regime iraniano.

Irão / Iran

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(lista em actualização).

Um Prenúncio de Morte

Estas eleições (?) no Irão marcam o princípio do fim do actual regime iraniano. Não tendo tido hipótese de perguntar à Maya a data, ao certo, para a queda do dito, terei de me socorrer de casos históricos similares. Porém, como estamos no século da velocidade da luz, quero crer que mais dia menos dia, mais ano menos ano, assim será.

Uma sociedade onde a maioria da população é jovem e, entre estes, grande parte estuda na universidade, tendo acesso à cultura e ao saber, só pode levar a um outro tipo de regime. Mais livre, respeitador dos Direitos do Homem, onde a mulher é vista como igual e a Liberdade de Expressão um dos seus principais pilares. Alguns dirão: “do tipo Ocidental”. Não, não cometam o erro de colar rótulos arcaicos. Quando o actual mundo ocidental mergulhava nas trevas, na chamada Idade Média, os bisavôs destes jovens que hoje se manifestam em Teerão antecipavam o Renascimento.

Por isso, o problema não está em saber se Ahmadinejad ganhou ou não as eleições, se estas foram livres ou uma valente fraude ou não estivesse o Diabo nos detalhes. A única dúvida é saber se é já amanhã ou apenas depois de amanhã que a onda verde iraniana, encabeçada pelos jovens universitários e pelas mulheres iranianas, se transforma em tsunami e varre de vez a actual república islâmica.

Terminaram as férias…