Árbitro, isto vai mudar!

Este é o primeiro árbitro profissional a trabalhar no nosso país! Foi proposto pelo Benfica e aceite por todos os clubes ! Vozes invejosas criticam, apontando que a tendência dos nossos jogadores se atirarem para o chão vai acentuar-se! Vão passar o jogo a gritar pelo árbitro! O obrigado provocatório do CAA no Blasfémias de hoje vai ter resposta!

OFERECER UM COPO DE VINHO, É DAR DE COMER A UM MILHÃO DE PORTUGUESES

POLÉMICA EM PONTE DA BARCA

Lá andam eles de novo a exigir desculpas a uns e a outros.
A comitiva do PS, em campanha para as Europeias em Ponte da Barca, foi brindada com um copo de vinho, atirado para o meio da multidão. Não sei se branco se tinto, de qualquer modo, foi reeditada a célebre frase do anterior regime, “dar de beber um copo de vinho, é dar de comer a um milhão de portugueses”.
Foi pelo menos um “upgrade” à água com que o sr Vital foi brindado anteriormente nas manifestações do 1º de Maio. As gentes do Norte sempre foram mais beneméritas.
Com a economia tão em baixo, e com a agricultura em sérias dificuldades, não se percebe muito bem toda a polémica instaurada.

Dia Um, Ano Primeiro

Aqui posto de comando
Do movimento das Forças Armadas

De súbito, a manhã ficou mais clara:
uma ave luminosa invadira o tempo,
rasgando com as asas a cortina brumosa,
a toalha de pus, a cirrose do medo.
De repente, tudo assumiu outro sentido
na poalha dourada da luz amanhecente
com os soldados, os tanques, os comunicados,
com as espingardas floridas e com a gente.
O silêncio derramou das suas feridas
um rio de fogo que destruiu as mordaças
e um grito colectivo de raiva e esperança
inundou as ruas, as praças e as avenidas.
Um hálito de futuro as percorreu;
uma inscrição floresceu vitoriosa
sobre a pedra musgosa de um velho muro
como um murro nos dentes da opressão.
A criminosa apatia que por tantos anos
nos enevoara o gesto e sufocara a voz
esfumava-se na rosa evanescente da alvorada
e surgia agora transformada em canção.

Um mundo de intermináveis corredores,
de cárceres, de tortura, exílio e morte
diluía-se no ácido subtil desta alegria,
que ocupara a cidade, o país e todos nós.
Pela noite, enquanto quase todos dormiam
eclodira a soleira, o limiar de um novo tempo:
o assassínio, a fome e a ignorância
pareciam já só uma recordação pungente.
Os milhões de cérebros violentados
por décadas de estupidez e crueldade
pareciam ser produto da nossa imaginação
ou ter existido apenas num pesadelo atroz.
Adormecêramos velhos, ciciantes e derrotados,
acordávamos jovens, iluminados e vitoriosos
e isso deixava-nos atónitos e boquiabertos,
cegados pela luz feroz da liberdade.
Falo do instante, do momento feito de horas
em que o tempo se suspendeu solene
enquanto se esvaía a noite da repressão
e a manhã clara nascia, incandescente.

Não falo do tempo em que, hesitantes,
procurávamos a bússola, o sextante, a vela
para navegar Abril, para sulcar o oceano
que o coração do povo abria generoso à Revolução.
Falo, sim, do momento em que o chacal
se escondeu, amedrontado, no fundo do covil,
espiando-nos a esperança, sonhando anoitecê-la
em setembros e marços de ódio e de vingança.
(Nas nossas mãos espreitavam já talvez
as garras de dilacerar revoluções e matar sonhos,
dentro de muitos de nós despontavam sementes
de outras novas e cinzentas servidões).
A luz atravessou o prisma de cristal da vida
e explodiu em mil cintilações de cor
perfumando o pulmão dos velhos medos
com um seta de amor, um estilhaço de sol…
Desse momento falo, do instante breve e puro
em que o Paraíso pareceu estar à mão dos nossos dedos;
não, não é do passado que vos falo – juro,
pois foi no futuro que Abril aconteceu.

(Do livro O Cárcere e o Prado Luminoso)

A estranha amnésia de Ferreira Leite e a aproximação a Santana Lopes

Manuela Ferreira Leite continua com uma estranha amnésia em redor da sua participação, como ministra das Finanças, no Governo liderado por Durão Barroso e agora na qualidade de presidente do PSD.

Como se não bastasse o anterior “sim” ao TGV, quando no Governo, e agora o “não” quando na oposição, traz-nos mais uma bela divergência pessoal de opiniões. A ministra das Finanças de outrora (como nos recorda Pedro Sales, no Arrastão) subscreveu uma lei de bases de política educativa onde apoiava a “lei da escolaridade obrigatória de 12 anos a começar a partir do ano lectivo 2005-2006 para os alunos que se inscrevam no primeiro ano do segundo ciclo do ensino básico”.

Passaram mais de cinco anos e Manuela Ferreira Leite parece ter esquecido essa assinatura. Na entrevista (ou terá sido uma conversa de velhos amigos da mercearia?) a Mário Crespo, a líder do PSD já dizia ser uma asneira implementar o aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. No Expresso, no seu habitual artigo, manifesta a ideia de que “o aumento de escolaridade para 12 anos ou até aos 18 anos é, infelizmente, mais fonte de preocupação do que regozijo”.

Por sinal, até concordo com a senhora, que até já foi ministra da Educação. Embora defenda que um dos poucos caminhos de Portugal para ser um país decente se faça através da educação e qualificação, esse percurso não se faz por decreto, por imposição ou dentro de uma fórmula de facilitismo e de uma espécie de “não vamos chumbar (agora diz-se “reter” mas eu sou da velha guarda) para não traumatizar estas jovens criaturas”.

O certo é que Manuela Ferreira Leite parece divagar num mar de contradições demasiado agitado para quem advoga uma “política de verdade” nos seus já famosos cartazes. É o TGV, é o 12º ano, é o dizer e desdizer em relação à política de alianças pós-eleitoral, é o sapo engolido por via da candidatura de Santana Lopes a Lisboa.

Começo a perceber que MFL começa a aproximar-se depressa do estilo PSL.

Drogas e Paralelos

A propósito da MGM. Não, não é a Metro Goldwin Mayer, é a Marcha Global da Marijuana.
Aqui há uns tempos estive a ver um documentário sobre o Maio de 68 e apercebi-me de algumas relações estranhas. Reparei que após o Maio de 68, em França, a primeira medida tomada pelos governantes da cidade foi a repavimentação de todas as ruas com asfalto. Reparei também que não havia uma única imagem em que não estivesse alguém sobre o efeito de drogas. Não percebi à primeira o porquê das referências aparentemente desconexa.
Mas depois fez-se luz.
As drogas são subversivas. E são-no porque põe um homem a questionar. Quem usa drogas estimulantes sabe que as drogas são subversivas. Até a gravidade é questionada. Um estudo recente – que entretanto perdi o link, mas fica mais um estudo do género – revela que 3 em cada 5 investigadores científicos usam drogas como ajuda no seu trabalho. Foi assim, com ajuda de LSD, que o modelo de dupla hélice de ADN ganhou vida na cabeça de Francis Crick e dos seus companheiros. Se bem que as drogas sejam legais, porque são vendidas por um laboratório qualquer, não deixam de ser drogas. E os seus princípios activos não são nada meigos. Os mais usados são duas substâncias, uma estimulante e outra para controlar e retardar o sono. Tem toda a lógica. Eles são cientistas e percebem de certeza toda a lógica dos danos cerebrais.
O que não tem lógica é a uma sociedade que por um lado permite, e bem, a livre escolha para abortar uma vida em crescimento, por outro proibir o uso de drogas. Correcção: algumas drogas. Tudo o que são drogas retardantes, que põe os cidadãos idiotizados a olhar para a parede sem pensamentos, ou a dormir indefinidamente, são permitidas e até comparticipadas pelo próprio Estado. Prozacs, Lordesals, Valliums, Cipralexs, Alprazolams, Tegretols, Diazepams, é só escolher. E isto é só o conteúdo da minha caixinha dos medicamentos. Nem sequer imagino o mundo maravilhoso das prateleiras das farmácias. Em Portugal, os medicamentos que mais se vendem são anti-depressivos, soporíferos e derivados. Significativo.
Por outro lado, tudo o que são drogas estimulantes são proibidas. Quer dizer, quando se tem 60 anos já se pode usar drogas legais estimulantes, para uma vida melhor.
A única justificação para a proibição, é que estas drogas e as suas substâncias activas, além de levarem os utilizadores para um estado de êxtase, também fazem com se questionem. Questionar sobre o universo, questionar sobre os planetas, questionar Deus, questionar o Homem, questionar a sexualidade, questionar o regular funcionamento de todas as coisas. E o problema é que quando se questiona o funcionamento de qualquer coisa, existe sempre a tendência natural de tentar arranjar alternativas melhores. Ou pelo menos, diferentes. Quando se questiona se se pode melhorar um walkman, e desenvolve-se um ipod, ninguém se chateia e está tudo bem. O problema começa a ser grave quando se questiona por exemplo o funcionamento dum regime democrático. E se tenta arranjar também uma alternativa. Os governos, sejam eles democráticos ou mais fechados e restritivos, proibem as drogas estimulantes, mas incentivam o uso de drogas retardantes.
O ano passado comemoram-se os 110 anos da invenção e comercialização livre da heroína. Ou tecnicamente da diamorfina – um opiáceo alcalóide, ou ainda mais tecnicamente de C21H23NO5. Só a própria existência destas fórmulas e destes nomes já comprova o uso de outras drogas por parte dos cientistas.
Heinrich Dreser – um nome a reter, porque também esteve envolvido na sintetização da Aspirina – desenvolveu a nova droga para uso hospitalar como analgésico, anti-tússico e pasme-se como substituto não-aditivo da morfina, e a Bayer – sim, A BAYER dos medicamentos “normais” – registou o nome: heroína. Num mundo que condena drogas é muito estranho que a heroína seja uma marca registada! De 1898 a 1910, a Bayer fez publicidade e vendeu heroína livremente como um medicamento não aditivo. Só quinze anos mais tarde começou a ser proibida… mas a Bayer continuou e continua a ter a marca registada. Isto parece-me uma lógica de junkie, mas tudo bem! Já a metadona, que é basicamente heroína sintetizada de outra forma é permitido o seu fabrico para tratamento da dependência da… heroína. Mais uma vez, lógica de junkie. E para ser totalmente uma lógica de junkie, é ser a Bayer proprietária dos direitos de produção da metadona.
Isto tudo parece apenas ser um problema de produção industrial,  direitos de produção e marcas registadas. Acho difícil imaginar dois “queimados” numa viela a discutirem patentes e coisas do género… mas se calhar até já foi uma realidade, visto que muitos dos originais drogados eram médicos que por acaso – só por acaso – se viciam em morfina e seus derivados…
E nem vale a pena falar que os principais países produtores destas drogas são o Afeganistão, Paquistão, Indonésia ou o Vietname, porque senão o comentário passa da esfera do drogado e da viela escura, para os colarinhos brancos e aos holofotes das relações mais complexas dos países e das suas intervenções militares…
E aqui está o problema principal: quando a Bayer produz metadona, e a comercializa paga impostos. Gera e movimenta capital que pode ser alvo de controlos e impostos por parte dos Estados. E torna-se um negócio tão normal quanto vender frutas, plutónio ou armas. Todas as trocas comerciais em que os Estados não possam intervir, retirando algum dinheiro para si através de taxas e impostos, são consideradas ilegais. A ilegalidade das drogas apenas representa a inoperacionalidade dos Estados em conseguir controlar e aplicar impostos no seu fabrico e comercialização. Apenas isso. No momento em que os Estados possam aplicar impostos nas drogas estas tornam-se legais. Mesmo que os governos pudessem arranjar – e de certeza absoluta que a arranjariam – uma forma de lucrar nestas trocas comerciais, nunca apoiariam o uso de drogas estimulantes, porque já perceberam o efeito secundário mais perigoso: a subversão.
O efeito subversivo das drogas estimulantes: destruir o que está assente, derrubar, confundir, perturbar, desorganizar, perverter, afundar, arruinar, submergir, sofrer, revolucionar. Este é o efeito secundário indesejável por parte dos governos e governantes.
Enquanto uma pessoa individualmente, se droga, se subverte e escreve o “Trainspotting” como o fez Irvine Welsh, não há problema. Quando William S. Burroughs escreve o Naked Lunch, não há problema. Quando toda uma Beat Generation aparece, não há problema. Aliás, acho que existiria um grande problema se se retirasse o álcool à Amália Rodrigues e à Nina Simone. Alguém imaginaria os Rolling Stones sem drogas? Alguém imaginaria gajos tão perfeitamente normais como os Beach Boys se não fossem as drogas? Ou anormalmente geniais como os Led Zeppelin? Ou os Pink Floyd? Se os Incas e os Maias não mastigassem folhas de coca todo o dia, teriámos Machu Pichu e outras obras grandiosas? Claro! Existiriam pirâmides, mas como essas foram feitas à base de chicotadas e escravatura são perfeitamente aceitáveis e “limpas”.
Se se fizesse uma lista com todos os eventos em que estivessem envolvidas drogas, essa lista seria tão grande e complexa quanto é a história da Humanidade. Até porque num espectro mais largo, todos nós somos drogados e dependentes de alguma coisa.
Todos estes fenómenos são compreensíveis.
O que não é de todo compreensível é que um Estado actual proíba o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal do aborto,
qu
e não é mais do que permitir que se retire uma parte viva do interior do corpo, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de fumar tabaco e o uso da nicotina – cobrando impostos!! – que tem um efeito tão dependente quanto qual droga dura, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de beber álcool, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de consumir combustíveis fósseis que transformarão o Planeta em qualquer coisa que as gerações futuras dificilmente viverão nele, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permitir – e garantidamente vai permitir – a livre escolha pessoal de praticar eutanásia, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite todas estas actividades, aplica taxas e impostos sobre a sua produção e comercialização livre, não pode pura e simplesmente proibir o uso de nenhum tipo de drogas. Não tem estatuto moral ou ético. Nem sequer tem uma justificação. Apenas pode subverter os argumentos.
E o Estado tem o exclusivo da subversão. E nunca o perderá. Esta é a única justificação séria e imparcial porque os Estados e governantes não permitem o uso de drogas. As drogas são subversivas. E os Estados também aprendem. Aprenderam que determinadas drogas são estimulantemente subversivas e levam a questões adormecidas que quando são respondidas, geram descontentamentos que podem acabar em greves, motins ou revoluções.
Logicamente, quem governa ou gere pessoas, não quer gerir descontentamento. Quer aceitação e quer “ovelhice”.
Quem gere pessoas, quer uma fila rígida de tímidos, não-questionadores, obedientes e apáticos palermas que sigam as normas e directivas impostas. Quem governa, quer uma máquina que funcione sem falhas, sem sobressaltos, sem sentimentos, sem dúvidas, sem questões, sem emoções. No futuro, naturalmente as drogas irão ser legalizadas, nem que seja porque todos os estudantes de Direito e os futuros políticos as consomem e não quererão perder este bem adquirido.
E os paralelos? Bem, os paralelos são apenas um pormenor interessante. Porque é que todas as ruas das cidades são asfaltadas? Mesmo as ruas só para pedestres?
Simples! As revoluções rurais são facilmente debeladas nem que seja porque ninguém saberá, já que praticamente ninguém vive em ambiente rural. As revoluções e motins nas cidades não são tão facilmente resolvidas. Correcção. Não eram. E não eram porque os amotinados e revoltosos tinham uma arma gratuita: os paralelos que pavimentam as ruas. Os paralelos dos pavimentos eram uma arma gratuita de grande utilidade quando não se tem armas nenhumas. Qualquer miúdo arranca um paralelo na rua e desfaz um carro, uma loja, uma repartição de finanças, qualquer coisa. Na verdade, continuam-se a travar guerras urbanas só arremessando pedras, fazendo frente a exércitos com metralhadoras automáticas, sem que o poderio militar ganhe grande vantagem.
A máquina subversiva do Estado contrapõem esta substituição dos paralelos por asfalto com “segurança rodoviária”. Em 1974 também a redução dos limites de velocidade era por causa da “segurança rodoviária”. Bem subvertido. Que drogas terá o Estado e os seus representantes à sua disposição, para estas subversões tão gostosas?
Já agora, a piada da questão: muitas das drogas apreendidas não são destruídas. São reconvertidas num produto que serve… para asfaltar estradas.
No final e pensando melhor: se as drogas fossem liberalizadas a ordem económica mundial dava um grande trambolhão. Basta imaginar que toda a América do Sul se tornaria numa potência exportadora da noite para o dia. Se calhar é por causa disso que as drogas continuam proibidas. Imagino o que seria ver o Afeganistão como maior exportador mundial de ópio, cheio de alegres talibans na lista da Forbes.

CRISE, CRISE, CRISE!

FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Estou sensibilizado, direi mesmo comovido, para além de me sentir orgulhoso, com a notícia de hoje sobre a nova lei de financiamento dos partidos políticos.
Portugal, o país do nosso Primeiro e dos seus amigos políticos (sejam eles de que partido forem), vive desafogadamente, sem os problemas que afectam os outros países por esse mundo fora. Não temos problemas graves no que respeita à educação, à saúde, ao emprego, ou a qualquer outro sector, diga ele respeito à economia ou ao bem estar e nível de vida dos cidadãos.
A crise de que se ouve falar, não é de todos nem para todos. Portugal, o meu País, não é o país de que falei no parágrafo anterior. No meu, os problemas adensam-se dia-a-dia, o descontentamento popular cresce, as falências das empresas acontecem diariamente, o desemprego é cada vez maior, a fome começa a aparecer, a economia não mexe porque já quase não existe.
Os partidos políticos existentes em Portugal, deveriam servir, em primeira e última análises, o povo Português. Se o povo vive com dificuldades, se o povo não tem dinheiro, se as pessoas começam a ver os seus empregos a desaparecerem, não têm, a classe política e os partidos, o direito de verem os seus rendimentos a subir exponencialmente, ainda para mais se o dinheiro que passam a receber, for pago pelos cidadãos, todos, eu e qualquer um de nós, que vivem com dificuldades.
A nova lei do financiamento dos partidos, das campanhas eleitorais e dos grupos parlamentares, aprovada em tempo recorde por quem vai dela beneficiar, faz aumentar em mais de 55 (cinquenta e cinco) vezes o limite das entradas em dinheiro vivo, permitidas por lei.
Desta forma, faz-se tornar legal uma vergonha que era praticada por toda a gente.
Esta lei, é realmente original, e a sua célere aprovação mostra a transparência em que os nossos parlamentares vivem.
E nunca mais é Outubro!

"Ser Mãe é…" por Cláudia Jacques

Dia da Mãe

Cláudia Jacques a propósito do dia da Mãe:

«SER MÃE É..»

Ser mãe é mais, muito mais que dar à luz!

Luz verdadeira e incandescente é a que nasce de nós mulheres, quando vemos pela primeira vez o ser que nos «rasgou» o ventre com vida e determinação, a saltar para o mundo, chorando daquela maneira maravilhosa e natural.

Luz brilhante é o acompanhar dos seus primeiros momentos, aquele toque divino de inocência e fragilidade, aquele momento único de o ver crescer e gatinhar pela primeira vez… Sangue do meu sangue, carne da minha carne, ‘ser’ mãe é partilhar e desfrutar os momentos dessa parte da minha própria vida: os nossos bebés, os nossos filhos. É uma acta séria e aclamadora registada no meu corpo e alma, é a beleza infinita da Natureza operada em nós. Ser pai é algo especial, mas ser mãe é muito mais. Mãe é a origem de tudo, é ‘Ser Humano’ e ser-se humano! É o estado da Bela Natureza em bruto, muitíssimo mais belo que o brilho do mais belo diamante Van Cleef & Arpels.

Sentir o seu primeiro som, a sua primeira palavra bem soletrada, o seu primeiro namorico ou a sua primeira vez que diz «mãe ou mamã»! É único e inesquecível como uma bela melodia de amor que nos ficará sempre na mente. Vocês mães sabeis do que falo! Adoro ser mulher, amo ser mãe e ASSUMO que «Ser» no feminino é sublime! Mãe, mulher, corpo, alma são 4 elementos que estão presentes e dos quais sempre apreciei saborear, como o ar que respiro.

Gostaria que neste Dia da Mãe de 2009, todas as mães se orgulhassem e demonstrassem ao mundo em serem assim especiais: Mães e mulheres como dicotomia indissociável. Eu, como qualquer outra mulher, amo as minhas filhas e quero tudo de bom e do melhor para o seu futuro. Todo o meu esforço e trabalho tem sido também em prole delas, para que cresçam sadias, fortes, determinadas, com opiniões sobre a vida e sobre as coisas, com espírito crítico sobre a sociedade. Gostaria que fossem generosas com os seres humanos que as rodeiam, que compreendessem que não há só um mundo, mas muitos mundos, que saibam qual é o seu lugar mas que jamais esqueçam que devem respeitar o mundo dos outros. Que lutem contra o preconceito, contra o ódio e a inveja e que se liguem sempre à beleza e à inteligência pelo caminho fora, esse caminho da eternidade e da sensibilidade que é o da vida humana.

Vivam as mães portuguesas, viva a alegria, viva o amor, VIVA A MULHER como mãe de todas as coisas!

Cláudia Jacques, Porto

Pedido de desculpas a António José Seguro

No dia 30 de Abril, aqui no Aventar, José Magalhães publicou um post – Um seguro Seguro, a propósito do debate no Clube dos pensadores onde participou José Seguro, deputado do PS.
Em comentário ao post, no dia 1 de Maio, pelas 9.08, escrevi:

“Ele sempre e só andou na Jotinha, tem agora que fazer um papel diferente do de Sócrates para aparecer como líder natural quando o outro cair – será Seguro ou Costa?
Acontece que Seguro anda demasiado calado e isso confirma a minha ideia sobre gente das Jotinhas – nunca trabalharam: http://aventadores.wpcomstaging.com/2009/04/07/ide-trabalhar/

Logo depois e em resposta a um outro comentário do José Freitas, no dia 2, às 0h25m escrevi:

“Se assim é e Seguro faz o seu trabalho e vive honestamente disso mesmo, retiro o que disse, e publicamente via Aventar, seguem as desculpas devidas.
Mas, o essencial da meu pensamento é o de que não confio nos Políticos que nascem das Jotas, até porque andei por lá nos anos 90. Quanto ao tom de voz do António José Seguro, continuo a achar que se não concorda assim tanto com o Sócrates, devia dizer. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, em tempos, José Seguro, seria o homem que me faria regressar ao PS. Hoje, não.
JP”

Bom, hoje, dia 2 de Maio, pelas 16h54 recebi um mail do Dr. José Seguro dizendo que o difamei e que coloquei em causa a sua honestidade.
Assim, venho de forma pública (não sobre a forma de comentário) pedir desculpa ao Dr. José Seguro pelo meu comentário, tal como o fiz sob a forma de comentário, ainda antes do Dr. José Seguro me ter dito qualquer coisa.

Marcha Global da Marijuana


Foi hoje. No Porto, foram cerca de 500.
Pela despenalização das drogas leves.

Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro

Cadeia com eles!!!!!!!!!
Meus amigos,
O que vos vou contar é verdade.
Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino que conhece bem Portugal, o Eddie Habbaz que alguns de vós conheceram no iate clube do Porto, chegou a fazer umas regatas em Leixões no Red Falcon do João Andrade.
Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos” : – Sabes Eddie, nós os portugueses somos pobres …
Esta foi a sua resposta:
Manuel, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que pago eu?
Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone móvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?
Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 dólares o equivalente 20.000? Podem dar 8.000 dólares de presente ao vosso governo e nós não.
Não te entendo.
Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes com estes 20% pagais ainda impostos municipais.
Além disso, são vocês que têm ” impostos de luxo” como são os impostos na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até 300 % do valor original., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.
Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam, outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.
Sois pobres onde Manuel?
Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas ligadas ao Estado.
Deixa-te de merdas Manuel, sois pobres onde?
Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoas, isto é mais ou menos os vossos 2000 € . Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.
Vocês não são pobres, gastam muito mal o vosso dinheiro.

O que vou responder ao Eddie?

PS: assina Manel seja ele quem for, foi assim que me chegou!

Artes Lusas: João Castro

castro3_red  atalho_para_quadros_meus_025  atalho_para_quadros_meus_024 *

* Auto-retrato.

Quem tem medo do porco mau?

porco-mau

Alberto João: 500 mil secretas

Na madeira há 30% de pobres! O sr. Jardim gasta em viagens 500 mil euros. Reuniões de um dia, viagens de 8 dias. Acompanhado pela esposa e pelo assessor. Ajuste directo com uma determinada agência! E eu estou a escrever isto e não acredito. Passem bem, não é só ele o culpado!

Tetris Humano: Estes japoneses são loucos!

Se eu quiser levar uma coça, o que devo fazer?

Concordo com tudo o que dizem o Tiago e o Carlos.
Ora bem.
O Aventar tem apenas um mês e ainda não se impôs como eu gostaria na blogosfera. O que é que eu tenho de fazer para subir nas audiências?
Se calhar, dava-me jeito levar uma coça. Ia a um Congresso ou a um Comício do PS e punha, bem visível, no peito, na credencial de imprensa, o nome «Ricardo Santos Pinto».
Da mesma forma, se Pinto da Costa quiser levar uma coça, sei lá, para se vitimizar e granjear simpatias, nada melhor do que se meter no meio da claque dos «No Name Boys».
Ou Paulo Pedroso. Para limpar a imagem, levando na cara, que tal uma ida ao Encontro anual dos ex-alunos da Casa Pia?
Lembrei-me disto a propósito da ida de Vital Moreira, ontem, à manifestação da CGTP. Logo quando ia sair uma sondagem que dá empate técnico entre PS e PSD para as Europeias, umas palmadas vinham mesmo a calhar.
Aprender com o Mestre, é o que é. Também Mário Soares, em 1985, quando se viu aflito na corrida às Presidenciais, decidiu ir à Marinha Grande…

Crónica de um país cinzento


Era uma vez um país cinzento onde nada acontecia… Ou melhor, as coisas e as pessoas aconteciam e nasciam, mas logo que acabavam de acontecer e de nascer, a cor era-lhes retirada, tudo passava a ser cinzento como nos noticiários da televisão da época. Até que…
 
3.25: ALEA JACTA EST:
MÓNACO, MÉXICO E TÓQUIO SÃO OCUPADOS
 
Na Rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa, na esquina com a Sampaio Pina, perto do Liceu Maria Amália, há um café-restaurante chamado «Pisca-Pisca». É quase meia-noite do dia 24 de Abril de 1974. Uma noite fria e ventosa, apesar da Primavera. Um grupo de cinco clientes entra no estabelecimento onde as cadeiras estão já arrumadas sobre as mesas. Pedem cafés. Um deles pergunta a um empregado se vão fechar.
– Claro, diz o homem – amanhã é dia de trabalho!
– Se calhar não vai ser – responde o freguês. – E, olhe, no futuro até vai ser feriado!
O empregado olha surpreendido aqueles clientes tardios e com um sentido de humor tão estranho. Se reparasse que apesar dos casacos diferentes, todos vestem calças, meias e sapatos iguais, ainda ficaria mais surpreendido.
São jovens, pouco mais de trinta anos os mais velhos, e estão excitadamente alegres. Com alguns outros, estiveram até agora fechados nos seus automóveis desde as nove da noite, suportando o vento fresco do alto do Parque Eduardo VII. São o 10º Grupo de Comandos. Às 22.55, nos rádios dos carros, sintonizados para os Emissores Associados de Lisboa, a voz do locutor João Paulo Diniz anunciou o Paulo de Carvalho na canção do Eurofestival «E Depois do Adeus» e provocou-lhes esta excitação de felicidade. Preparam-se para assaltar o Rádio Clube Português, na Rua Sampaio Pina, e para o transformar no emissor do posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
À meia-noite e vinte, na Rádio Renascença, a voz de Zeca Afonso irrompe com a «Grândola, Vila Morena». É o segundo sinal. O MFA está em marcha, já nada o pode travar.
Na EPA, Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas, o coronel que comanda a unidade é preso no seu gabinete por um grupo de capitães e tenentes. A central telefónica e a central rádio são ocupadas, as entradas do quartel colocadas sob controlo.
Na EPAM, Escola Prática de Administração Militar, no Lumiar, em Lisboa, os capitães e subalternos preparam-se, com as forças sob o seu comando, para se dirigirem para ali perto, para a Alameda das Linhas de Torres, e ocupar os estúdios da Radiotelevisão Portuguesa.
Do Batalhão de Caçadores 5, em Campolide, sai uma coluna apeada para reforçar o comando de assalto ao Rádio Clube Português, que os tardios clientes do «Pisca-Pisca» e os seus companheiros ocuparam já.
Do Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC), pouco depois das 2.00 sai uma coluna motorizada para ocupar a Emissora Nacional, na Rua do Quelhas, em Lisboa.
Entre as 3.15 e as 3.25 da madrugada de 25, ao posto de comando, instalado no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, onde o major Otelo Saraiva de Carvalho coordena as operações, chegam sucessivamente as mensagens de que Mónaco, México e Tóquio foram tomados. São os nomes de código para a Radiotelevisão Portuguesa, para o Rádio Clube Português e para a Emissora Nacional. Os capitães sabem que a guerra da informação é fundamental ser ganha. Por isso, deram prioridade aos objectivos que lhes irão permitir dominar as comunicações e ter o controlo da informação.
 
CAI NOVA IORQUE
 
Tudo está a correr de acordo com a ordem de operações. Todas as forças vão atingindo os seus objectivos. A coluna do Regimento de Infantaria 10, de Aveiro, chega junto dos portões do Regimento de Artilharia Pesada, da Figueira da Foz, às 3.40. O comandante é preso. Aguarda-se a chegada das forças do CICA 2, também da Figueira, e do Regimento de Infantaria 14, de Viseu. É o agrupamento Norte que, depois de concentrado, se dirigirá aos seus alvos, controlando um segmento da fronteira com Espanha, ocupando o Forte de Peniche, a Pide/DGS do Porto… Outras forças correm para outros objectivos: quartéis da Legião Portuguesa, unidades da GNR e da PSP, as fronteiras mais próximas, as antenas de rádio… Tudo corre bem. No posto de comando, na Pontinha, apenas uma preocupação: o aeroporto da Portela ainda não foi tomado. A Escola Prática de Infantaria (EPI), de Mafra, deveria ali ter chegado à hora H (às 3.00) para tomar a torre de controlo, ocupar as pistas, interditando a descolagem e aterragem de aviões. Terá corrido mal alguma coisa? Finalmente, às 4,20 recebe-se uma comunicação:
– Nova Iorque, conquistada e controlada!
O aeroporto de Lisboa está em poder da Revolução!
 
AQUI POSTO DE COMANDO…
 
Às 4,26 o Rádio Clube Português emite o primeiro comunicado. Joaquim Furtado lê pausada e solenemente:
«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária».
Segue-se A Portuguesa e, depois, marchas militares.
 
SINAL VERMELHO É PARA AVANÇAR

Entretanto, às 3.30, a porta de armas da Escola Prática de Cavalaria (EPC), de Santarém, fora atravessada por dez viaturas blindadas, doze de transporte, duas ambulâncias, um jipe e uma viatura civil de exploração à frente da coluna comandada pelo capitão Salgueiro Maia. Objectivo principal: Toledo ou, descodificando, o Terreiro do Paço e os seus ministérios.
As viaturas atravessam a lezíria sem impedimento. Chegam à auto-estrada e, procurando recuperar o atraso com que tinham saído da unidade, vêm a grande velocidade. Chegam à portagem da auto-estrada do Norte às 5.30, saem da 2ª Circular para o Campo Grande. Em duas horas, a coluna percorreu 90 quilómetros, o que é uma grande velocidade para as autometralhadoras. Salgueiro Maia ouve num dos rádios um carro-patrulha da PSP a informar o seu Comando da passagem da coluna, impressionado com o número de autometralhadoras. Mas passemos a palavra ao comandante Maia: «Enquanto ouvia estas informações, o jipe trava de repente e dou comigo parado no sinal vermelho do cruzamento da Cidade Universitária. Olho para o lado e vejo um autocarro da Carris também parado. Achei que era de mais parar a Revolução ao sinal vermelho, quando o que distinguia os carros do MFA era um triângulo vermelho no lado esquerdo das viaturas ou tapando a matrícula. Mando avançar tocando as sirenes das autometralhadoras EBR até chegar ao Terreiro do Paço».
Às 6.00 a coluna atinge finalmente Toledo, o coração do regime! Os carros de combate cercam os ministérios, a divisão da PSP aquartelada no Governo Civil, a Câmara Municipal, a Marconi e o Banco de Portugal. No centro da praça uma Chaimite e uma autometralhadora EBR, com o jipe do comandante, constituem o posto de comando e a força de intervenção de Salgueiro Maia. A primeira parte da sua missão é cumprida com êxito – chega ao seu
o
bjectivo antes de ser dado o alarme geral. Charlie Oito, ou seja, Salgueiro Maia, comunica a Tigre, ou seja, a Otelo:
– Ocupámos Toledo e controlamos Bruxelas e Viena (Banco de Portugal e Rádio Marconi)!
Entretanto, os comunicados vão-se sucedendo na rádio. Às 4.45, aconselha-se às forças militarizadas e policiais que recolham aos seus quartéis e aí aguardem as ordens que o MFA lhes transmita. Às 5.15 sobe o tom e adverte-se as forças repressivas do regime que serão severamente responsabilizadas caso enveredem pela luta armada. Às 5.45, num comunicado mais extenso reforça-se o que foi dito nos anteriores, e apela-se para o civismo de todos os portugueses no sentido de ser evitado qualquer confronto armado. Nos intervalos, cantam José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Francisco Fanhais, Luís Cília, José Mário Branco. Os Portugueses adormeceram cinzentos e escravos num país cinzento onde nada acontecia. A madrugada vai-se enchendo de sons e de cores. Os Portugueses acordam noutro país. Um país onde tudo acontece.
 
UMA ESTRELA DO MFA VITORIOSO
 
A partir da chegada da coluna de Salgueiro Maia ao centro físico do poder político, a acção deste capitão confunde-se com a história do próprio 25 de Abril. É óbvio que ao mesmo tempo, em Lisboa e no País, ocorrem factos, o MFA cumpre objectivos, a Revolução assume o controlo. Porém ali, entre o nascer do dia e o meio da tarde, verificam-se os acontecimentos centrais do 25 de Abril. Se Otelo é o estratega, o cérebro da operação, Salgueiro Maia é o seu braço mais importante. Diz Otelo («Alvorada em Abril»): Salgueiro Maia iria ser o comandante das forças do Movimento mais sujeito a situações de perigo e de tensão ao longo do dia 25. O número de homens que tem sob o seu comando e o potencial bélico de que dispõe permitem-lhe, todavia, encarar com certo optimismo as situações de responsabilidade que se lhe vão deparando e sendo resolvidas e que farão concentrar sobre ele e as forças da EPC as preocupações do posto de comando e as atenções e o carinho das massas populares que, a partir do Terreiro do Paço, não mais deixarão de o acompanhar e aos seus homens, guindando desde logo o jovem capitão às culminâncias de primeira estrela do MFA vitorioso».
 
ALGUMAS NUVENS

Porém, sobre esta estrela rutilante algumas nuvens se vão acastelando.
Os guardiães do regime começam a acordar no meio daquilo que, para eles, é um verdadeiro pesadelo. Desde as 3.30 que, no Porto, o comandante da PSP local telefona para o Comando da GNR a informar sobre a tomada do Quartel General da Região Militar pelos revoltosos. A partir deste primeiro alarme, as comunicações sucedem-se por todo o País. Até que, pelas 5.00, Silva Pais, director-geral da PIDE, telefona a Marcelo Caetano:
– Senhor Presidente, a Revolução está na rua!
É então que se decide que o chefe do Governo se deve acolher ao quartel do Carmo.
É surpreendente que um regime ditatorial, com uma experiência de repressão de quase cinco décadas e em cujas estruturas os militares tinham um peso tão significativo, estivesse afinal tão mal preparado para resistir a um golpe militar. Em todo o caso, algumas medidas foram sendo tomadas. Assim, pouco depois das 6.00 chega ao Terreiro do Paço um pelotão de AML/Chaimites pertencente ao Regimento de Cavalaria 7, comandado por um alferes miliciano que às primeiras palavras de Salgueiro Maia adere ao Movimento. O mesmo acontece a dois pelotões de Lanceiros 2. No Ministério do Exército, o ministro e outros elementos do Governo estão reunidos de emergência para fazer face à rebelião. Ao verem que as forças que vão sendo enviadas para os proteger vão aderindo à Revolução, os valorosos cabos de guerra encontram uma única saída para a situação: abrem à picareta um buraco na parede e, passando para a biblioteca do Ministério da Marinha, dão às de vila-diogo!
No Atlântico, a fragata Almirante Gago Coutinho, integrada numa esquadra da NATO, participa no exercício «Dawn Patrol». Recebe ordens para abandonar as manobras, entrar no Tejo e abrir fogo sobre as forças insurrectas que ocupam o Terreiro do Paço. Cerca das 9.00 a silhueta esguia da fragata surge diante do centro de Lisboa. Uma bateria da Escola Prática de Artilharia, de Torres Novas, segue em Londres , ou seja no morro do Cristo-Rei de Almada, os movimentos do navio. Porém sabe-se que o elevado poder de fogo do vaso de guerra pode causar grandes estragos. Tigre ordena a Charlie Oito que proteja o pessoal e os blindados, metendo o que for possível sob as arcadas da praça. O comandante Vítor Crespo consegue que seja anulada a ordem e que a fragata acabe por ir fundear, cerca do meio-dia, em frente ao Alfeite.
Quando Salgueiro Maia e o posto de comando ainda estão a suspirar de alívio por ter passado a ameaça da Gago Coutinho, surgem cinco carros de combate M/47 de Cavalaria 7 seguidos de atiradores do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, e alguns soldados da PM de Lanceiros 2. Um brigadeiro comanda a coluna. Salgueiro Maia, de braços erguidos, agitando um lenço branco, tenta o diálogo, mas o brigadeiro não aceita encontrar-se com ele a meio caminho. Dá ordem a um alferes que abra fogo. O jovem não obedece. Irado, o brigadeiro, repete a ordem directamente aos apontadores dos carros e aos atiradores de infantaria. Salgueiro Maia está a descoberto debaixo da mira das torres dos blindados e das espingardas dos atiradores. Nem as tripulações dos carros nem os outros soldados obedecem. Dando vozes de prisão a torto e a direito, disparando para o ar, o brigadeiro salta do carro e desaparece. Toda a coluna fica sob as ordens do capitão Maia.
 
RUMO AO CARMO

Antes do meio-dia, pelo posto de comando, Salgueiro Maia é informado de que Marcelo Caetano está no Carmo. Deixando forças a guardar os ministérios, avança para lá. Quando entra no Rossio, aparece-lhe pela frente uma coluna militar com uma companhia de atiradores que o Governo enviara para fazer frente aos revoltosos. O Capitão salta do seu jipe e vai perguntar ao comandante da coluna o que está ali a fazer. É-lhe respondido que tem ordens para o prender, mas que está com a Revolução. E também esta coluna é integrada nas forças que avançam para o Carmo.
As edições especiais dos jornais começam a circular. O Rossio, a Rua do Carmo, todo o percurso, está cheio de populares que vitoriam os soldados. Os cravos vermelhos começam a ser enfiados nos canos das G-3. É cerca de 12,30. Diz o capitão: «No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa».
Após a intimação para que a guarnição se renda e entregue Marcelo Caetano, não sendo obedecido, Maia recebe ordem do posto de comando para abrir fogo sobre o edifício. Porém, ele sabe que as granadas explosivas das autometralhadoras num largo apinhado de gente irão provocar centenas de mortes. Manda disparar armas automáticas para a parte superior do Quartel .
Entra uma primeira vez dentro do edifício, mas não consegue a rendição. Entra uma segunda vez e exige falar com o Presidente do Conselho. Numa antecâmara, Rui Patrício chora como uma criança e Moreira Baptista olha, ausente, o infinito. Deixemos que ele nos descreva o seu diálogo com Marcelo Caetano:
«Marcelo estava pálido, barba por fazer, gravata desapertada, mas digno.
Fiz-lhe a continência da praxe e disse-lhe que queria a rendição formal e imediata. Declarou-me já se ter rendido ao Sr. General Spínola, pelo telefone, e só aguardava a chegada deste para lhe transferir o Poder, para que o mesmo não caísse na rua! Estive para lhe dizer que estava lá fora o Poder no povo e que este estava na rua. Declarou es

perar que o tratassem com a dignidade com que sempre tinha vivido e perguntou o que ia ser feito dele. Declarei que certamente seria tratado com dignidade, mas não sabia para onde iria, pois isso não me competia a mim decidir. Perguntou a quem competia. Declarei que a «Óscar». Perguntou quem era «Óscar». Declarei ser a Comissão Coordenadora. Perguntou-me quem eram os chefes. Declarei serem vários oficiais, incluindo alguns generais, isto para que ele não ficasse mal impressionado por a Revolução ser feita essencialmente por capitães.
Perguntou-me ainda o que ia ser feito do Ultramar. Declarei-lhe que a solução para a guerra seria obtida por conversações. Toda esta conversa, tida a sós, teve por fundo o barulho do povo a cantar o Hino Nacional e o Está na hora».
Depois, pouco antes das 18.00, chega Spínola, que embora tenha dito a Marcelo nada ter a ver com o Movimento, rapidamente assume ares de «dono da guerra», no dizer de Salgueiro Maia. Às 19,30, Marcelo, Moreira Baptista e Rui Patrício entram numa viatura blindada que encostou a traseira à porta de armas do Quartel. Na confusão que se estabelece, com a multidão a gritar «assassinos!», e com os militares a proteger os homens do regime da ira popular, Henrique Tenreiro que deveria também seguir preso no transporte blindado, mistura-se com os populares e escapa-se, gozando mais umas horas de liberdade.
Após a rendição de Marcelo Caetano e a sua saída do Quartel, pode dizer-se que a Revolução estava ganha, embora, ali perto, na Rua António Maria Cardoso, os agentes da PIDE, encurralados como feras dentro da sua sede, disparassem das janelas, matando cinco pessoas. As únicas mortes verificadas durante o 25 de Abril.
A noite iria ser longa. Muita coisa iria passar-se até que nos ecrãs da televisão os Portugueses tivessem ocasião de ver a Junta de Salvação Nacional, com uns senhores empertigados, com um vago ar de golpistas sul-americanos, viessem, armados em «donos da guerra», ditar as leis de uma Revolução para a qual nada tinham contribuído, deixando na sombra os jovens oficiais que, como Salgueiro Maia, tudo tinham feito, que tudo tinham arriscado.
 
E DEPOIS, O ADEUS

Naquele dia do princípio de Abril de 1992, no cemitério de Castelo de Vide, quatro presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares), vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação. No dia 4, Fernando Salgueiro Maia fora vencido pela doença. «O gajo ganhou», dissera ele a um oficial da EPC, referindo-se ao cancro quando se convenceu do carácter terminal da sua doença.
Quem é este homem, vencedor de batalhas, de revoluções, que agora desce à terra, em campa rasa, ao som do «Grândola, Vila Morena»?
Nasce ali, em Castelo de Vide, em 1 de Julho de 1944. Muito novo, fica órfão de mãe. Faz os estudos primários em São Torcato, Coruche, e os secundários no Colégio Nun’Álvares de Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Em 1964, ingressa na Academia Militar.
«Filho de uma família de ferroviários, é a situação de guerra nas colónias que me permite o acesso à Academia Militar, pois o conflito fez perder as vocações habituais, e assim a instituição foi obrigada a abrir as suas portas», diz-nos ele em «Capitão de Abril». Dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria. Depois, a guerra.
Porém, tudo se pode resumir a uma breve legenda: Salgueiro Maia, soldado português que à frente de 240 homens e com dez carros de combate da EPC avançou em 25 de Abril de 1974 sobre Lisboa, ocupou o Terreiro do Paço levando os ministros de um regime ditatorial de quase 50 anos a fugir como coelhos assustados, cercou o Quartel do Carmo obrigando Marcelo Caetano a render-se e a demitir-se. Atingiu o posto de tenente-coronel, recusou cargos de poder. É o mais puro símbolo da coragem e da generosidade dos capitães de Abril.
E quase tudo terá ficado dito.
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Nota: Este texto foi elaborado com base em diversos depoimentos de intervenientes no 25 de Abril. Entre estes destacamos o livro de Salgueiro Maia «Capitão de Abril», editado pela Editorial de Notícias e a 4ª edição de «Alvorada em Abril», de Otelo Saraiva de Carvalho, também da mesma editora.

O fim de um agente secreto

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Nos EUA, um “descuido” da administração Bush denunciou, como agente da CIA, Valerie Plame, no meio de um processo político infame dessa bela gestão governamental da mais importante nação do mundo. Hoje, é a vez dos jornalistas de caserna, e por certo cubanos, do Público apostarem em acabar com a carreira de agente secreto do presidente do Governo Regional da Madeira.

Uma vergonha este relatório do tribunal de contas sobre as viagens de Alberto João Jardim.

Vital Moreira à caça ao voto!

Eu estava na Alameda à espera da manifestação e o que ouvi das pessoas que viram o incidente é bem mais prosaico.
O VM e a Ana Gomes, depois de cumprimentarem quem muito bem entenderam, quiseram ficar na cabeça da manifestação, no que foram impedidos! Eles queriam ficar e actuaram para ficarem e outros houve, que actuaram em sentido contrário,correram com eles.
Daí resultou um desaguisado com uns encontrões e uma “regas” que os iniciadores da discussão estão agora a explorar com o mesmo descaramento com que quiseram provocar uma “notícia”. É preciso dizer que Vital Moreira e Ana Gomes foram provocar a situação! O que provocou a situação foi a tentativa de encabeçar a manifestação.
Os promotores da manifestação não podem escolher as pessoas que seguem na frente? Para tirar alguém, fisicamente, de um qualquer lugar contra sua vontade tem que se lhe sacudir o”pó”!Foi só isso e não houve agressão nenhuma!

Explicações socráticas


O que pensar da recente notícia que dá como desaparecidos documentos do processo da compra da casa da mãe de Sócrates? Exactamente os documentos que identificam a entidade que através de uma off shore procedeu ao pagamento do apartamento.
Isto dá que pensar, por muito que se queira esconder a cabeça na areia. Desaparecem documentos de um processo de um cartório notarial, exactamente os que se procuram, e não outros? Dir-me-ão que é por se procurarem que se deu pela sua ausência, outros haverá que tambem desapareceram e não se fala nisso.
Extraordinário, atingimos, como acontece na física com a “anti-matéria”, um “buraco negro” onde tudo acontece ao sabor de acasos que não dominamos e que estão à partida explicados. Temos familiares e amigos no caso Freeport? E então?
O professor das cadeiras vencidas ao domingo é um dos protagonistas no caso “Central de tratamento do lixo da Cova da Beira” que está em tribunal? Sim e depois?
O apartamento é comprado por um valor muito abaixo do preço de mercado e através de uma off shore? So what?
E os documentos que sabemos foram solicitados por jornalistas que investigam o caso, desaparecem? Pois! E é tudo normal?
É! E legal? Sim! E nós podemos pensar que são casos a mais para alguem que exerce a função de primeiro ministro? Não! Porquê? Porque é tudo normal! É normal desaparecerem documentos de um cartório notarial? É! E aqueles e não outros? Sim! E… se não te calas levas com um processo, já percebeste?

Sondagem para as Europeias: PSD pode ganhar

Buenos dias,
espero que dia primeiro do mês quinto vos tenha corrido de feição.
Como há muito, muito tempo tenho vindo a dizer o PS há meses que perdeu a maioria absoluta. Ou antes, além da que a ditadura do parlamento lhe dá, não tem qualquer base sociológica que suporte o poder da sua arrogância.
E as sondagens começam a mostrar isso mesmo.
A de ontem, da Católica, sugere um empate no número de mandatos para o Parlamento Europeu, entre o PS e o PSD: “Se as eleições europeias se realizassem neste momento os socialistas ganhavam as eleições com 39% dos votos. O PS ficaria a uma curta distância do PSD, que arrecada 36% das intenções de voto, segundo o barómetro de Abril do Centro de Sondagens da Universidade Católica elaborado para o DN, JN, Antena 1 e RTP. O estudo de opinião coloca ainda o BE como a terceira força política com 12%, seguida da CDU com 7% e do CDS com 2%.”, pode ler-se no DN. No JN temos a seguinte infografia:
Sondagem UNiversidade Católica de Abril 2009

Em jeito de comentário pdoeria dizer que BE e PSD ganham.

O BE, porque mesmo havendo só 22 deputados para eleger (antes eram 24) corre o risco de passar de um para três.
O PSD porque claramente começa a fazer passar a sua mensagem e a transmitir a ideia de que pode ganhar o que é crucial nestas eleições. Em número de deputados até empatam com o PS.
O PS claramente perde. Perde o que há muito tempo perdeu na rua – o apoio de quem votou PS.
O PCP parece descer, mas as sondagens no PC são sempre piores que os resultados – no entanto, o Rato de Espinho deverá ter apenas uma companhia na Europa.
O CDS repete os fantásticos resultados que havia tido em Lisboa há 2 anos: desaparece.

Assim, projectando um resultado semelhante para as legislativas, o cenário aventado há dias é assim tão estúpido?

O primeiro Dia do trabalhador em liberdade: 1 de Maio de 1974

Porque, parafraseando Saramago, onde dez mil páginas não bastariam, uma só já é demais, este «post» só tem fotografias. O primeiro 1.º de Maio depois do 25 de Abril levou milhões de portugueses às ruas. Celebravam a liberdade e uma mudança económica e social que, afinal, nunca se concretizou. Esses milhões de portugueses foram os verdadeiros protagonistas do 1.º de Maio.
   

 

 

Na última foto do lado direito, Cristina Torres, que sofreu durante a Ditadura, ao lado de Mário Santos, no 1.º de Maio da Figueira da Foz.  in anibaljosedematos.blogspot.com

As maravilhas das «Novas Oportunidades»


A propósito de um «post» de António Figueira, do «5 Dias», relativo às «Novas Oportunidades» de Vanessa Fernandes, lembrei-me de um «post» com alguns meses sobre o atleta olímpico Pedro Póvoa.
Todos nós conhecemos, com efeito, algumas das maravilhas do programa «Novas Oportunidades». Gente que, mesmo sem saber escrever, ficou com o 6.º Ano; gente que tinha a 4.ª Classe incompleta e que, em três meses, ficou com o 9.º Ano; gente que tinha o 6.º Ano e que, em seis meses remunerados, ficou com o 12.º.
Agora vem a público o caso de Pedro Póvoa, atleta olímpico de taekwondo que tinha o 9.º Ano e que, num semestre, concluiu o Secundário. Ao abrigo do Estatuto de Atleta de Alta Competição, vai agora entrar no curso de Medicina da Uiversidade do Minho. Hesitou entre Psicologia e Gestão, mas acabou por preferir a Medicina.
Apetece-me parafrasear Manuel António Pina numa das suas últimas crónicas no «Jornal de Notícias»: «Um dia destes, juntamente com um anestesista também “simplex”, estará a operar o leitor num hospital público, os dois cheios de curiosidade sobre o que haverá dentro de uma barriga.»

UM PS DESESPERADO

VITAL OFENDIDO COM AS OFENSAS AO PS
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É uma vergonha democrática o que fizeram ao sr Vital. Tinha ele acabado de cumprimentar o sr Carvalho da Silva e os insultos, e as tentativas de agressão e outras coisas ainda menos abonatórias de quem as proferiu, lhe foram atiradas. Agarrado pelo braço, que isto de andar no meio do povinho implica segurança, lá o foram levando por entre a populaça, enquanto ele, o sr Vital, ia respondendo a um ou outro repórter que tentavam obter reacções aos desacatos, e lá foi dizendo que tudo aquilo não era para ele mas contra o PS, acusando  implicitamente o PCP.
O sr Canas sentiu-se também ofendido em nome do partido que representa, e lá foi debitando umas coisitas iguais às de sempre.
Aos poucos, uns e outros, lá se vão vitimizando, copiando os tiques do grande irmão, o nosso inestimável Primeiro.

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"Magalhães" na Feira da Ladra

Os resultados estão aí ! A primeira geração do “Magalhães”, obsoleto devido ao elevado aproveitamento dos nossos alunos que trabalham já com a segunda geração, estão a atingir a população mais desprotegida (atingir no sentido de chegar, não de acertar na tola de um qualquer gajo). Vendem-se por 150,00 euros na Feira da Ladra. Como sabem, é feira da ladra por ali se ter recebido, no passado, os artigos roubados, o que não é o caso no presente.
Assim, numa prova de grande dinamismo, pode comprar a maravilha da tecnologia de ponta construída em Portugal, ao mesmo tempo que o ferro de engomar a carvão, tecnologia em desuso, mas que com a eficácia deste governo pode estar aí a salvar-nos da crise! As famílias que estão a vender a primeira geração do “Magalhães”, não querendo dar a cara, dizem-nos que não têm espaço em casa para terem dois computadores porque o filho mais velho está desempregado e voltou para casa dos pais.
Mas todos dominam o “Magalhães” e lá em casa é uma alegria contínua. Com os 150,00 euros, conseguiram pagar o spread que o banco lhes exigiu face à baixa da taxa de juro! Andem depressa que o artigo está a esgotar-se!

Adalberto Mar: O meu 1.º de Maio de sangue

Ao percorrer aquelas ruas e avenidas lembrei-me de quem por mim, há 4 décadas atrás, foi esmagado pela policia política. Qual poema triste e melancólica canção ao entardecer, senti-me triste porque senti que mesmo que fossemos muitos não éramos milhões. Senti que a juventude mais recente estava embriagada em casa, vendo os seus programas favoritos, os seus jogos de computador ou sublimando o dia com coisas doces e agradáveis.
E lembrei-me de uma Era que já morrera, ainda eu era adolescente em inicio de vida… Um fascismo cínico e feroz. NÃO CONHECI QUEM CONTRA O MAL, CONTRA O HORROR, CONTRA A DITADURA E O DESAMOR lutou. Não conheci as feridas que lhe lançaram ao corpo, não conheci as mulheres a quem queimaram os seios por dizer «quero ser uma mulher livre»! Não conheci o lutador a quem destruíram os genitais com choques, Não conheci, e estão tão «longe de mim», as mulheres que foram sucessivamente violadas pelos abutres do sistema de então, para que desse nomes, locais, histórias..Não sei o que foi feito delas no caminho da vida. Não sei do que é feito dos milhares de negros e de brancos cujo sangue humedeceu as terras de África, simplesmente porque queriam viver e crescer em paz e identidade com os seus filhos.
Não sei onde pára essa gente, verdadeira vítima e última razão para que eu hoje possa ser o que sou e possa dizer o que quero, em paz e com determinação. Para que eu hoje possa viver como quero e com quem quero, sem que me entrem na porta e me digam como «devo viver e o que devo dizer»!

Eu gosto de luxo, de cor e de suavidade. Gosto do toque da seda e do veludo na minha pele e no meu rosto cansado. Mas não posso, jamais poderei esquecer, o chão húmido e rugoso, o odor de podre que os meus irmãos, camaradas ou simples amigos, perdidos no tempo e no espaço tiveram de suportar, nas noites dos cadafalsos das prisões, para que eu hoje observasse o pôr do sol em harmonia com os meus sentimentos. NÃO POSSO NEM DEVO ESQUECER QUE O SOFRIMENTO DELES E DELAS foram ‘chão e adubo’ para que eu hoje deixasse crescer a minha sensualidade, sexualidade, harmonia, poesia ou palavra fluindo como o coração e os sentidos. SEM A DOR DELES NÃO PODERIA HOJE SENTIR AMOR. Devo-lhes isso e muito mais. Por isso, sem os/as conhecer, digo que são meus irmãos, amigos, camaradas e tudo o que for soletrado com graça, harmonia e raça.
Do alto do New York Hilton vejo a magnificência da noite bela e requintada de Manhattan , mas ao longe ..mais ao longe e mais ao lado vejo o Tarrafal do passado, quente, húmido ,já sem história e sem o glamour de onde estou, mas que determinou tanto e indirectamente a visão do conforto actual. Não há luxo no sofrimento humano, mas foi um luxo pago a ferro e fogo hoje podermos ser livres. Não posso esquecer quem partiu para África e com o corpo tombado, ermo, no chão da selva por lá ficou. FICARAM, CRUELMENTE TAMBÉM, AS RAZÕES NESSE SOLO SANGRENTO: ninguém e todos tinham razão, ninguém foi inocente, e todos foram culpados e absolvidos. EU NÃO. MAIS DO QUE NUNCA QUERO AGRADECER A QUEM GRITOU POR MIM, A QUEM MORREU POR MIM, A QUEM SOFREU POR MIM. LEMBRAR-ME-EI SEMPRE E PARA A ETERNIDADE quando olhar o pôr do sol no Torrão do Lameiro, perdido entre Deus, entre a vida, entre o MAR ETERNO, entre a Profunda Natureza e o Vento-amigo que me fala tão bem ao ouvido quente..SEMPRE QUE ALI ESTIVER, como se estivesse dentro de uma pura melodia de Sade ADU, LEMBRAR-ME–EI SEMPRE desses heróis caídos e esquecidos, dessa gente que por mim e por TI disse «QUERO SER LIVRE, QUERO PENSAR, QUERO AMAR» e pagou ou morreu por isso. POR ISSO MESMO, TAMBÉM CAMINHEI ONTEM NA RUA, POR ISSO MESMO ONTEM GRITEI «SAI DO PASSEIO JUNTA-TE AO NOSSO MEIO».A crise não me cala nem o corpo nem a alma! Porque, como uma bela árvore de flores ao vento, a liberdade tem de ser regada. Como quiseres: com água ou mel, com vinho ou com esperança, mas TEMOS DE ALIMENTAR E REGAR A ESPERANÇA, A VIDA, A LIBERDADE TEM UM PREÇO. O TEU.
VIVA O 1º MAIO, SEMPRE! POR TI, PELOS TEUS FILHOS, PELO IDEAL,PELA NATUREZA, PELO AMOR À VIDA. NÃO PENSES QUE SOMENTE A MODA É COOL! O 1º DE MAIO E PENSARES O QUE QUERES SEM TE ESMAGAREM É AINDA MAIS COOL! BE COOL! BE WILD BUT BE FREE too and most of all!

1º de Maio:

No dia dos trabalhadores, fazendo uma pausa no trabalho, não posso deixar de escrever sobre o tema.
Não vou falar sobre os trabalhadores que as centrais sindicais arrebanham para a Avenida da Liberdade nem para o folclore mediático onde aproveitam um dia com toda esta simbologia para praguejar contra o governo, a direita, os capitalistas e outros perigosos fascistas.
Nem vou falar daqueles trabalhadores que, nas palavras de João Paulo Silva, “trabalhem na preparação das comemorações dos queques caviar de direita que nos levaram ao ponto em que estamos”.
Não, eu prefiro falar naqueles trabalhadores que nascidos noutras paragens escolheram Portugal como porto de abrigo, a exemplo de mais de um milhão de compatriotas nossos que foram para fora procurar uma vida melhor. É desses que me lembro neste dia, sobretudo depois de ouvir ontem, na TSF, o inenarrável “Paulinho das feiras” a defender o fecho das nossas fronteiras aos trabalhadores estrangeiros, querendo travestir-se de “Paulinho das feras”. Seguindo a linha de pensamento recentemente adoptada por certos sectores do PSD que, infelizmente, andam a navegar à vista e a ser muito mal aconselhados.
Quem defende a Liberdade não pode, por maioria de razão, alinhar neste tipo de populismo barato. Um país com mais de um milhão de trabalhadores espalhados pelo Mundo, não pode dar-se ao luxo de bramir contra os trabalhadores estrangeiros.
É deles que me lembro hoje, no dia do Trabalhador.

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo POUS

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(explicação da iniciativa aqui, outros depoimentos aqui e aqui)

«O Primeiro de Maio é comemorado este ano pelos trabalhadores de todo o mundo, no quadro de uma ofensiva avassaladora contra todas as conquistas laborais, contra as próprias convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como é o caso da desregulamentação do horário de trabalho ou da tentativa de transformar os sindicatos em organismos corporativos, comprometidos em fazer os trabalhadores aguentar a manutenção do capitalismo em decomposição. No centro de toda esta ofensiva está a própria negação, feita a milhões de trabalhadores, de poderem vender a sua força de trabalho, logo de sobreviverem na sociedade capitalista. É a destruição física da classe trabalhadora que está a ser feita, é a destruição da base de sobrevivência da sociedade democrática e da civilização.
No caso de Portugal, são direitos conquistados com a Revolução do 25 de Abril que estão a ser subvertidos, direitos que o calor da revolução impôs que fossem consignados na Constituição da República.
Deles constam: a segurança no emprego, a possibilidade de serem criadas Comissões de Trabalhadores, o reconhecimento à livre associação sindical e os respectivos direitos das associações sindicais, entre as quais exercer o direito de contratação colectiva e obter a legitimidade para a celebração das convenções colectivas de trabalho, o direito à greve e a proibição do lock-out.
O Código laboral – imposto pelo governo de Durão Barroso e ainda mais agravado pelo governo de Sócrates, um Código que, logo no primeiro artigo, afirma ser a adaptação de 17 directivas da União Europeia – materializa esta subversão, destruindo a contratação colectiva e legalizando o trabalho ultra precário, o trabalho a recibo verde.
Temos consciência de que hoje muitos trabalhadores, principalmente os mais jovens, não se associam às organizações sindicais por variados motivos: alguns não têm plena consciência dos seus direitos; outros não contam com a eficácia das organizações sindicais para os defender; outros ainda estão em tal situação de precariedade que receiam sindicalizar-se com medo de verem os seus contratos não serem renovados. Poucos estarão dispostos a fazer parte dos sindicatos para defender os direitos que já perderam. Mas uma perda muito acentuada de direitos poderá, eventualmente, inverter este processo: afinal os sindicatos são a fortaleza dos trabalhadores, como diz a Carmelinda Pereira, militante do POUS e cabeça da nossa lista às eleições para o “Parlamento” Europeu.

1886 – O primeiro 1º. de Maio

O 1º. de Maio que hoje se comemora teve a sua origem numa manifestação de trabalhadores, realizada em Chicago (EUA), em 1886. Nela se reivindicava a redução do tempo de trabalho para 8 horas diárias. Milhares de trabalhadores participaram nesta manifestação, dando-se início, na sequência, a uma greve geral nos EUA. As manifestações dos dias que se seguiram resultaram na chamada Revolta de Haymarket.
Uma bomba lançada para os polícias foi o pretexto para a carga policial e para as injustiças decorrentes. Mas a semente da consciência estava lançada: era cada vez mais necessário e urgente defender os direitos dos trabalhadores.

A CONDIÇÃO DA PRECARIEDADE GENERALIZOU-SE COM O FANTASMA DO DESEMPREGO: 90 DESEMPREGADOS POR HORA, EM PORTUGAL E UM POUCO POR TODA A PARTE

Hoje, o 1º de Maio comemora-se um pouco por toda a parte. Este ano, as três maiores centrais sindicais francesas estarão unidas contra as consequências da crise que o sistema económico gerou. Consequências que recaem sobre os próprios trabalhadores. Obama, o G20 e a União Europeia incentivam os bancos a “fugir para a frente”, com o sistema a resvalar para o abismo da crise. Despojam-se os sistemas produtivos, alimentando o capital financeiro, em vez de se apoiar os sectores produtivos e se impedir os despedimentos. A desregulamentação é total. Existem fábricas viáveis que fecham ou se deslocalizam, como a Qimonda.
Desmantelam-se os serviços públicos, privatiza-se. Colocam-se os trabalhadores uns contra os outros, na divisão hierárquica das carreiras. A condição da precariedade generalizou-se com o fantasma do desemprego: 90 desempregados por hora, em Portugal e um pouco por toda a parte.

EXIGIMOS A PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS

Por isso, a RUE se juntou ao POUS para apoiar o projecto de lançar uma candidatura ao Parlamento Europeu, para exercer o seu direito cívico de difundir um Apelo a EXIGIR ao Governo que faça uma lei que proíba os despedimentos. Este Apelo já foi levado à UGT, já foi levado à CGTP, aos sindicatos dos professores, às manifestações dos trabalhadores, ao Cordão Humano dos professores, à Marcha do 25 de Abril, e pode ser assinado pela internet. Mas é principalmente na rua, junto dos trabalhadores e de todos os cidadãos que tem tido o melhor acolhimento. Muitos foram os que se dispuseram a assinar este Apelo. Porém, nem todos assumem a necessidade da ruptura com a União Europeia. Ruptura não apenas com as políticas, mas com as próprias instituições da UE, nas quais não confiamos por não terem sido eleitas, como é o caso do nomeado Presidente da Comissão Europeia; e, também, por não defenderem os interesses económicos de cada nação, mas sim os interesses da Globalização em nome do Banco Central Europeu (BCE) – defensor dos interesses dos imperialismos dominantes, ao serviço da alta finança; assim como não acreditarmos nos poderes do Parlamento Europeu, que legisla de acordo com as decisões da Comissão Europeia e do BCE.

TEMOS O DEVER CÍVICO DE LANÇAR O APELO À PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS E DE PÔR A NU AS INSTITUIÇÕES DA UNIÃO EUROPEIA

Estamos juntos nesta lista (ver declaração eleitoral) porque acreditamos que este não é o melhor caminho para a cooperação entre as nações que almejamos. E não vemos como se pode sair da crise de uma forma positiva, com despedimentos em massa, desregulamentando e destruindo o que antes era produtivo. Entregando capitais à Banca, ela própria geradora da crise.
Hoje saudamos aqui o Dia do Trabalhador e defendemos o seu direito ao Trabalho, à sua dignidade profissional: nas fábricas, no mar, nas escolas, em todos os serviços públicos, e apelamos a todos os trabalhadores a unirem-se na exigência ao Governo de pôr fim aos despedimentos. Unidos também em defesa dos serviços públicos e dos direitos do trabalho. Unidos em defesa da Escola Pública, a escola dos filhos dos trabalhadores. Unidos na exigência da proibição dos despedimentos.

Pela Lista do POUS às Eleições para o “Parlamento” Europeu

Carmelinda Pereira
Paula Montez»

O enriquecimento ilícito e os contribuintes dos partidos

dinheiro

Excelente a analogia de João Miranda, no Blasfémias, sobre a questão do financiamento dos partidos.

Expressa aquilo que, de facto, se passou de relevante no parlamento nas últimas semanas. Por um lado, o sempre popular enriquecimento ilícito. Em ano eleitoral os partidos gostam sempre de apelar à veia moralista e soa-lhes bem ouvir uns “muito bem” provenientes da maralha, em vez de apenas da bancada ali perto deles.

Por outro, olham para os cofres da sede e vêm as notas a descer de volume. A festa da democracia exige gastos elevados com inúmeras despesas. Há brindes para distribuir, cartazes para imprimir e colar, tempos de antena para pagar, carros para alugar, uma data de beijos e apertos de mão para trocar. E tudo tem um preço, até os beijos e os apertos de mão. Por isso, o melhor é encontrar soluções coloridas.

De resto, é sempre divertido ver o madeirense Guilherme Silva abordar os contextos sócio-políticos de alguns partidos, “como é o caso do PCP”, fazendo de conta que o Chão da Lagoa já não dá uvas.

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo PND

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(explicação da iniciativa aqui, outros depoimentos aqui)

«A forma de pensar o trabalho em Portugal enferma, à partida, de duas utopias, e/ou mitos, que muito têm contribuído para viciar o mundo laboral e empresarial:
– o emprego para sempre
– o Estado e os políticos é que criam empregos
Parece óbvio que este duplo desígnio é privilégio exclusivo do sector público, em especial da chamada função pública, que luta com unhas e dentes pela sua manutenção. Não é que seja impossível manter esse status para um grupo social mais ou menos numeroso. O que importa é saber o custo e as consequências para o País e, já agora, até quando é sustentável a máquina do sector público com o seu défice.
Não vale a pena escamotear a importância da complementaridade entre o trabalho e o capital, da mesma forma que não vale a pena pôr o vício de um lado e a virtude do outro. Há de tudo nos dois lados. O vício e a virtude não pertencem a uma classe social, mas sim à natureza humana que vive nos dois lados.
É nessa complementaridade e recíproca necessidade que o mundo do trabalho, e a sociedade em geral, deve assentar os seus alicerces. O capital precisa do trabalho e o trabalho precisa do capital. É histórico. De uma forma ou de outra, sempre foi assim.
Sendo utópica a pretensão de garantir o emprego para sempre, por vezes mais até do que outros contratos de carácter mais pessoal e familiar, é desejável que seja o mais duradouro possível.
O emprego é matéria complexa, tal como a economia e o clima, e, por isso, propícia para os políticos se porem em bicos de pés e darem a sensação que têm muita influência na “criação de emprego”, como eles dizem. Mas, curiosamente, nenhum reconhece que tem influência na criação do desemprego.
A solução é simples e razoável: se houver empresas, há empregos. E para haver mais trabalho e riqueza, menos impostos. Não deixa de ser paradoxal, para aqueles que julgam que são os políticos que vão arranjar emprego para os milhares de desempregados, que uma das poucas coisas que ao longo dos anos os políticos podiam ter feito, e não fizeram, para criar empregos: baixar os impostos sobre as empresas. Os altos impostos, sobre as empresas e outras actividades, são um obstáculo fabuloso para a criação de emprego e a dinamização do mundo laboral.
Por fim, se em momentos de crise e défice, as empresas despedem empregados para tentar sobreviver, é de justiça que as empresas repartam os seus lucros, quando existem, pelos seus colaboradores, pois eles fazem parte do sucesso. Era muito interessante, e um grande passo em favor da justiça no trabalho, que as entidades empresariais chegassem a um acordo quanto à parte de lucros a distribuir anualmente pelos empregados, segundo o seu mérito, diligência e competência.»

Prof. Manuel Brás, membro da Direcção do PND

Contra a gripe – 1º de Maio ao ar livre

Vou para a Alameda com os meus amigos comemorar.
Conto que o Carvalho da Silva não demore muito com o discurso e a seguir vou para os copos e para os petiscos. Há petiscos e vinho de todas as regiões do país, produtos genuínos, do melhor, que no dia a dia normal não passam no estreito. Até há famílias de farnel de comer e chorar por mais. Em troca, compro o que os seus parcos salários não lhes permite comprar. O que trazem é da horta , do galinheiro, do quintal. Ficamos amigos para o resto da vida, embora nunca mais os veja.
Os meus amigos são comunistas, malta da minha terra e meus amigos de infância, juram a pés juntos que não há festa como aquela. Talvez a festa do “Avante” mas os comunistas são outra coisa. Está ali tudo por devoção, felizes e malta que está ali é porque é dos “nossos”.
Grandes abraços, gostos em comum e desta vez é que vamos mesmo subir. As sondagens não mentem. E, depois, estão todos contra nós, a começar pela comunicação social. Os americanos já estão a comer à mão em Cuba, isto não acaba assim, a Rússia já está novamente a crescer e agora é para sempre, já viram o que é o capitalismo. A camaradagem mede-se pelos copos e pelos petiscos que se oferecem aos camaradas que passam por ali perto, há fome e miséria. Chega para todos. Não sou comunista, mas hoje sou um deles. Aos copos, ao ar livre e à camaradagem.
Segunda-feira recomeçam as discussões ideológicas. Os camaradas todos contra mim. Mas os amigos de infância não são para toda a vida?