A soberania e os seus descontentamentos

VOO ÀS CEGAS

O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 24 de Setembro e a denominada eleição legislativa, é no Domingo a seguir, 27. Mas, o meu texto deve estar entregue ao jornal esta Quinta 25. Não sou bruxo, tenho palpites. Esse palpite diz-me que deve ganhar quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal.
Como no Chile. Em breve começa a corrida para a Presidência da República. Quando havia ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a desaparecer, após ter eleito quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta arrogância precipitada vai abrir as portas a quem sempre ficou em segundo nas presidenciais e que une a todo o fascismo que governou o país durante 20 anos? Precipitações pouco esclarecidas.
E a diferença entre facções é imensa. A concertação, une; o fascismo desune e mata.
Em Portugal, em carta enviada por mim ao actual Primeiro Ministro, admoesto denuncio e na parte final do texto digo que o PSD e o PSP não me parecem andar de mãos dadas, mas sim muito juntas, que até o calor de uma passa para a outra. Custa-me acreditar a mim, socialista científico e social-democrata, que os sorrisos prévios e essas humildades rapidamente aparecidas e o medo da dama de ferro por parte de um PM que, em público reconhece faltas que nunca cometera ou assim parece. Tenho acesso directo à democracia portuguesa, tenho a honra do Governo me ter feito português após 31 anos de prestação de serviços ao país, trocando a minha Universidade de Cambridge por Um ISCTE que, hoje em dia, todos vemos como cresceu e se unificou, excepto no espírito comunitário que faleceu lentamente por casa devido à de morte não anunciada: o neo liberalismo.
Voo cego que tem apenas uma saída: a soberania e os seus descontentamentos. Palavra que faz tremer aos que nos pretendem governar. Um Governar é saber gerir as contas do Estado, velar pela serenidade da nação e estar sempre atento a que ninguém, mas mesmo ninguém, esteja falho de trabalho. Infelizmente, quem nos governa é um grupo da, por mim denominada, cultura doutoral: advogados, médicos, sociólogos, e outras ervas, como a mais pesada, a tecnologia. Comunicam com o povo quando é conveniente, sem tempo nem hora. Nunca esqueço esse singular mandatário que inaugurou no país o sistema de presidência aberta e comunicava com o povo todas as semanas, sempre em sítios diferentes. Legou aos seus sucessores uma carga pesada, excepto ao mandatário anterior a este. Ele ia de camisa, à Perón de Argentina e sua populista mulher Eva, à Allende e Bachellet do Chile de hoje.
Há apenas um caminho. A soberania e o seu descontentamento. A soberania nasceu pela mão de Thomas Jefferson e do Abade Sieyés, no Século XVIII da nossa era, época em que as nações revolucionadas se governavam por comunas, como a de Paris de 1875 e antes, a dos iguais de Babeuf, em 1775. Nada disto permitiu à burguesia que derrubou a aristocracia e aos ricos do mundo, para se apropriarem dos seus bens. A época das revoluções, essa mudança de poder de uma classe por outra, após a Revolução Francesa e a liberal de Mouzinho da Silveira, que Miriam Halpern Pereira explica tão bem mas não é ouvida: o seu saber passa a ser homenagens, louvores, mas nada do que diz entra na Constituição da República Portuguesa, como ela pretende.
O que diz essa Constituição, a actual digo, porque as primeiras eram social-democratas e as de hoje, cada vez menos: Nº Artigo 1 um da Reformada em 2005: Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária. E no 3, nºs 1 e 2: Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Ou esse famoso Nº 2, que hoje diz: A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa, tendo sido retirada a este artigo a frase: democrática, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadores
Com a soberania ganha para o povo, é estritamente gerida pelos doutores da Assembleia ou da Presidência.
Não sou adivinho, ganhe um ou outro, como português, advirto do perigo do descontamento que os planos neo-liberais, causam. E ao Chile, esse meu outro país já quase inventado: atenção o lobo existe, como os capuchinhos vermelhos.
Lembro-me ainda de constituição pré-ditadura no Chile, que, logo, no começo, definia que a soberania residia na nação e era delegada nas autoridades que a constituição estabelecia. Não havia mudança possível sem plebiscito prévio, ontem como hoje. Em Portugal, a consulta ao povo é feita aos partidos que os representam e que são….doutores, excepto os poucos que não me corresponde definir e que serão os meus candidatos.

Cartazes para as Autárquicas (Almada)

 
Paulo Pedroso, PS.

ETICA E EDUCAÇÃO (13)

ETICA E EDUCAÇÃO (13)
Considerações sobre Ética e Educação pata além da Escola

Uma boa reforma educativa é sinónimo de reinvenção da escola pública, da escola nova, democrática e laica. A escola tem de ser repensada fora das limitações que a tolhem. Tem de ser dotada de todos os meios e capacidades que permitam a integração dos mais fracos e oprimidos. Uma escola-projecto com corpo docente estável e motivado, uma escola autónoma com competência própria, uma escola-motor de uma comunidade educativa, uma escola descentralizada. O verdadeiro catalisador da mudança começa na descentralização das tomadas de decisão, onde intervenham assembleias de professores, alunos, pais, associações locais, museus, centros de saúde, bibliotecas, autarcas, empresários que ouçam e discutam, decidam e actuem. É óbvio que Interesses antagónicos acabarão por emergir, mas aumenta a participação, fundamental para a maturidade do sistema democrático. Educar para a mudança exige um grande e colectivo esforço de transformação, porque para mudar é preciso conhecer, compreender, reflectir, avaliar, tomar decisões, mudar as mentalidades, assumir compromissos, arriscar, recomeçar sempre e não desistir. Por isso o professor, sendo vítima da desistência, é também o grande herói da revolução. Este é o caminho da Educação para o Desenvolvimento, ou seja a educação para a compreensão, para a defesa dos direitos e liberdades fundamentais, para a paz e cooperação. Educar para o desenvolvimento exige a compreensão profunda da situação nacional e internacional e da complexidade de um mundo tecido de inter-relações, interdependências, contradições, desigualdades, desequilíbrios, desordens gritantes e violências inimagináveis. Educar para o desenvolvimento obriga a não desprezar o saber acumulado pela humanidade, nos campos da literatura, da filosofia, da ciência e das artes. A formação intelectual através destas vertentes constitui um alicerce fundamental. O papel pedagógico da literatura e das artes, tantas vezes lançado para segundo e terceiro planos, enriquece o processo de humanização, desenvolvendo o exercício da reflexão, o afinamento das emoções e dos sentimentos, o sentido da estética e da beleza e a percepção da maravilhosa complexidade dos seres e do mundo. Perscrutar a verdade que a obra de arte transporta é um privilégio de pedagogia. A necessidade da arte apela fortemente a uma conjura contra a violência, contra a barbárie, contra a indiferença. A arte tem uma poderosa afinidade com a consciência, criando naquele que a vive a exigência de pertença a um processo de identificação com a verdade. A literatura e as artes são um poderoso instrumento de educação e um riquíssimo equipamento intelectual e afectivo. (Continua)

 

                         (manel cruz)

(manel cruz)

BI-QUADRA DO DIA

Ai S. João S. João
Que sorte havias de ter
A justiça a assobiar
E Portugal a morrer.

Com vales e oliveiras
isaltinhos e machados
Tantas torres e loureiros
Estás feito em bocados.

A balbúrdia vai ser tal…

Depois dos resultados que se prevêem para Domingo, a balbúrdia vai ser tal que ainda terá de ser o Presidente da República a encarregar-se da constituição de um Governo de consenso. Se ganhar o PSD, terá de se haver sozinho – nem com o CDS lá vai, mesmo que Portas tenha um excelente resultado. Se ganhar o PS, o Bloco ou o Partido Comunista, sozinhos, não serão suficientes. Sócrates irá precisar dos dois, o que não parece lá muito viável.
Por enquanto, todos querem capitalizar aquilo que Cavaco tem para dizer. O PSD quer que ele diga que desconfia que houve escutas, embora essas desconfianças não devessem ter chegado à imprensa (daí a demissão de Fernando Lima). O PS quer que ele diga que nunca houve qualquer desconfiança e que, por não ter havido, viu-se na obrigação de demitir aquele que inventou tudo.
Valha a verdade que, neste momento, Cavaco não deve saber muito bem se há-de falar e o que há-de dizer. Como dizia ontem Ricardo Araújo Pereira do «Gato Fedorento», interrompeu as férias para falar do Estatuto dos Açores e agora nada é capaz de dizer.

Músicas para o Equinócio de Outono: Ute Lemper

Ute Lemper – September Song

(Obrigado Carlos Ruão, e acrescento: neste blogue só os Carlos são solidários com as festividades do equinócio de Outono. Registo e aguardem…)

A máquina do tempo: viagens ao futuro (feitas no passado)

Não sei se recordam como começa a novela de Dostoievski «As Noites Brancas». É com esta frase: «Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor». E esta ideia de que o tempo, o clima subjectivos se sobrepõem ao tempo e à meteorologia objectivos é reforçada mais para o fim da novela, ou do «romance sentimental» como lhe chamou o autor, quando uma velhinha, a avó de Nastenka diz que «noutros tempos, tudo era diferente, no seu tempo, quando era jovem, «o sol era mais quente, as natas não azedavam…»

Nos anos 60, os famosos anos 60, eu era muito jovem no princípio da década e, obviamente, menos jovem no seu final, mas ainda bastante novo. Em Portugal, e não só, mas em Portugal foi, de facto, uma década terrível, vínhamos do «terramoto Delgado» de 1958 e, logo em 1961, aconteceram tantas coisas que, para um país onde nos queixávamos que não acontecia nada, foi demasiado: o assalto ao Santa Maria, o início da Guerra Colonial, a invasão do Estado da Índia pela União Indiana, o assalto ao quartel de Beja no último dia do ano… E, depois nunca mais parou – sucessivas crises nas universidades, emigração clandestina, greves, o recrudescimento da guerra, que alastrou por três frentes, sucessivas vagas de prisões, porque com os reveses o regime tornava-se cada vez mais susceptível, temeroso e rancoroso.

Dito assim, isto ganha um ritmo épico, mas para quem estava mergulhado naquela realidade era sentido como um tormento, pois éramos obrigados a fazer a guerra e era uma guerra que muitos de nós sabiam ser suja, contra povos que queriam legitimamente ser livres, e éramos presos e torturados e vivíamos todas as vicissitudes duma situação mesquinha, cinzenta, que nada tinha de épica ou de elevada. Éramos vítimas de uma besta estúpida, de uma ditadura liderada por um velho tacanho e sem coração que actuava em nome de valores cediços, apodrecidos, com o cheiro enjoativo das sacristias velhas.

Apesar de tudo isto, os jovens daquela época encontravam espaço para a felicidade, para o amor, para a amizade, para a partilha fraterna do pouco que havia para partilhar. E sempre que podíamos viajávamos até ao Futuro, assim mesmo, com F maiúsculo. E como fazíamos isso? Reunindo-nos, com os cuidados que a situação exigia (e às vezes sem os tomar). Ouvíamos discos do Zeca, do Yves Montand, do Jacques Brel, do George Brassens, do Luís Cília, do Fanhais, o Jean Ferrat… Ouvíamos as gravações das Declarações de Havana, e havia um arrepio colectivo quando Fidel chegava ao fim da Segunda e dizia: «Porque esta gran humanidad ha dicho “basta” y há echado a andar. Y su marcha de gigantes, ya no se detendrá hasta conquistar la verdadera independencia, por la que ya han muerto más de una vez inútilmente. Ahora, en todo caso, los que mueran, morirán como los de Cuba, los de Playa Girón» – nesta altura Fidel era interrompido pela tempestade de aplausos de uma enorme multidão – «morirán por su única, irrenunciable independencia. Patria o Muerte! Venceremos!»

Uma vez, em 1967, estávamos a ouvir a gravação em fita magnética de um apelo ao povo grego dito por Mikis Theodorakis, o cantor, compositor (autor da música de «Zorba») e político marxista grego que passara à clandestinidade quando do golpe militar de direita de 21 de Abril desse ano – um apelo ao seu povo. Alguns de nós tinham estudado grego no Complementar dos liceus ou na Faculdade. Mas mesmo os que haviam estudado o grego clássico, mal compreendiam uma ou outra palavra e depressa os que não compreendiam exigiram que cessasse a tentativa de tradução. A emoção que, de forma crescente, ia transparecendo da voz de Theodorakis, era tão forte que no fim da audição ficámos em silêncio e todos com lágrimas nos olhos. Porque no nosso coração havia certamente tradução para cada uma das palavras. Vivíamos sob uma ditadura e isso fazia-nos compreender a oratória de qualquer cidadão fugido à polícia política, á tortura e à morte, falasse ele que língua falasse. Theodorakis só podia estar a apelar a que os Gregos e as Gregas lutassem pela liberdade e pela democracia.

Curiosamente, e por mero acaso, cerca de dez anos passados, fui encarregado de traduzir o «Diário de um Resistente», de Mikis Theodorakis (da edição francesa, que o meu grego apenas deu para ler as placas toponímicas de Atenas quando ali estive uns dias). E pude saber o que o famoso cantautor e político dissera e que naquela noite nos pusera a chorar. É um texto muito longo que começava por dizer que «O rei, oficiais traidores e magistrados perjuros, de colaboração com os imperialistas americanos, aboliram a democracia na Grécia.» E terminava. «No país onde a democracia nasceu, os tiranos estão votados à morte. Abaixo a ditadura monarco-fascista! Fora com o opressor estrangeiro! Abaixo o carrasco Collias! Viva o povo Grego! Viva a Grécia!». Tinham sido estes brados finais que nos tinham emocionado. E a nossa emocional tradução estava certa.

Essas reuniões que iam fazendo pelas casas de diversos companheiros e companheiras, eram viagens ao futuro. Sonhávamos com a Liberdade e nunca ouvi alguém sonhar que ia ser ministro, ou deputado (embora alguns o tenham vindo a ser). Todos queríamos viver como cidadãos livres, num país livre. Era o único privilégio com que sonhávamos e era esse lugar que visitávamos quase todos os dias no Futuro – um país livre.

*

E cá estamos nós no futuro. Podendo, na realidade, dizer o que quisermos, associarmo-nos como entendermos, sindicalizarmo-nos ou não… Nesse plano o nosso sonho cumpriu-se. E a democracia? Não, aí o sonho superava a realidade. Temos um simulacro de democracia em que a nossa única participação consiste em votar. E, pelas razões que todos sobejamente conhecemos, temos o pesadelo da corrupção, da subordinação a centros de poder situados fora de Portugal, do desemprego, das arbitrariedades… O que sabemos. Não, não tenho saudades dos anos 60. Tenho saudades do Futuro com que sonhava nos anos 60, um Futuro que nada tem a ver com este presente. Naturalmente, como a avó da heroína de «As Noites Brancas», acho que nesses anos cinzentos, o céu era mais azul, o mar mais oloroso a sal, mas isso é outra história. O problema que para mim se coloca é: se os jovens de hoje quiserem ir até ao Futuro, como o deverão imaginar? As perspectivas não são muito animadoras.

SÓCRATES E A TEMPESTADE PERFEITA

FOI DE FACTO UMA  PERFEITA TEMPESTADE.

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Por não ter conseguido colocar, como deveria, o “post” completo com vídeo, aqui, por favor vão vê-lo aqui.

Jornalismo, rigor, mentira, eu vi

Francisco Louçã não consegue suster a felicidade. No dia em que foi conhecido o afastamento de Fernando Lima da assessoria de Belém, o líder bloquista não resistiu a abrir um comício (em Coimbra) com a frase: “Cada vez gosto mais desta campanha.”

Eu estava lá. A frase foi dita referindo-se obviamente a uma sala completamente cheia. Foi o que perceberam todos os presentes excepto um: a jornalista do Público. Tanto mais que a frase que cita a seguir:

“Foi nessa mesma noite que decretou a morte da campanha do PSD – “esvaziou-se como um balão furado”, disse – e, consequentemente, expurgou de vez os sociais-democratas do seu discurso.”

foi proferida bastante tempo depois. Maria José Oliveira, tenha vergonha. Diga  lá que o Público errou, que os jantares em Coimbra são sempre bem regados, qualquer coisinha. Não é que isto tenha grande importância, mas em menos de  uma semana apanho duas jornalistas em descarada mentira. E isso tem muita importância, porque fico a imaginar o que será a cobertura desta campanha quando não assisto, agravada por o Público ser o jornal que leio e a TSF a rádio que ouço (neste último caso, aproxima-se o pretérito).

Tourada em Salzburg

Eu e o Luis Rocha tínhamos chegado à cidade bastante tarde, numa noite de neve que caía aos farrapos, silenciosa e fria com as luzes a tremilicarem por entre o nevoeiro .Chegados ao hotel nada quente para beber ou enganar a fome tudo fechado salvo, diz-nos o recepcionista, uma taberna no fundo da rua, talvez aí.

Lá fomos encolhidos rua abaixo sem alma de gente a travessar-se no caminho, uma ténue luz a sair de uma porta no rés-do-chão, grossa, batente de ferro que deixava escapar um vozeirão contido. Que sim, havia que comer e beber, mas a casa era de bancos e mesas corridas, tratassemos nós de arranjar lugar e companhia.

À minha frente Franceses, ao lado esquerdo Suiços, mais uns quantos Austríacos e à minha direita um casal americano, ele alto e grosso, ela naquela meia idade como o Outono, coberta de cores, a beleza evidente de uma delicadeza que condizia com a pela bem tratada, uns olhos avelã e um cabelo louro/castanho. Portugueses? ela olhava-nos com curiosidade, conhecem o cavalo de raça “Lusitano”? pergunta com os olhos a rirem de curiosidade, lá nos esforçamos a falar da Coudelaria de Alter, como tem vindo a ser mantida uma pureza de raça, catalogada, de que se conhece a genealogia há mais de dois séculos.

Ela tinha um Lusitano na sua quinta em Utha, adorava o cavalo, que caracteristicas tinha desenvolvido? onde e em que era utilizado? tudo queria saber com uma graciosidade que em tudo se opunha à rudeza do marido, que não se conteve quando ouviu falar de tourada, pegas do touro à mão, que era mentira, ninguem se colocava à frente de um touro de 600 kgs, eles lá nos USA tambem o apanhavam mas era saltando para cima do cachaço , e às tantas a minha gritaria cruzada com a dele, movida a copos, ouvia-se por cima das mil conversas .

Que sim, diziam os Franceses que já tinham visto uma vez no sul de França e os Suiços nunca tinham visto mas sabiam que era verdade e os Austríacos, como era isso expliquem lá. Eu e o Rocha no meio da algazarra, com interlucotores a falarem diversas línguas não nos entendíamos, eh, pá, o melhor é fazer uma demonstração, o Francês que já viu é o touro, eu sou o cabeça dos forcados, o Rocha explicava e orientava as posições, mais dois austríacos atrás de mim a fazerem de forcados do grupo, e o Francês não vai de modas atira os forcados para cima do público já em pé a cantar e a rir, espaço, é preciso espaço e o pessoal em cima das mesas e o francês a levar o seu papel de touro demasiado a preceito e o cabeça do grupo já metido em orgulhos com os espalhanços, uma e outra vez…

O Americano bêbado que nem um cacho ainda o vi a descer a rua ás curvas e fixei bem o porte altivo e gracioso da mulher. Por momentos as nódoas negras não me doeram nada!

Músicas para o Equinócio de Outono: Gilbert Bécaud

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Gilbert Bécaud  e Mireille Mathieu- C’est en Septembre

(sugestão do Carlos Loures, obrigado pá)

Fotojornalismo em campanha:

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O CDS em campanha

A grande surpresa de Domingo

Viseu era conhecido pelo Cavaquistão na altura das maiorias absolutas do actual Presidente. Ao contrário de todas as expectativas, acabou por ser Cavaco Silva o protagonista da recta final da campanha. queia ou não referir-se ao assunto directamento, o certo é que José Sócrates não precisa. como hoje em Viseu, tem os seus homens de mão para dizer o que ele não quer dizer. «Nós tivemos agora ocasião de ver como é que esses casos são construídos, como é que se monta uma combinata de forma permanente e até doentia contra o PS». Mais do que para o PSD, esta referência do cabeça de lista por Viseu é para o Presidente da República. Obviamente.
Já o apelo ao voto útil não parece que vá surtir grande efeito. Pela mesma razão, não me parece que este caso vá fazer grande mossa ao PSD ou que vá beneficiar o PS. Não haverá assim tanta gente indecisa em votar PS ou PSD. Quem está indeciso, é entre PS e Bloco de Esquerda / Partido Comunista, ou entre PSD e CDS.
Disse em «post» anterior que o português típico não vai nestas cantigas. Alguns entenderam-no de forma depreciativa. Não era. E é exactamente esse português típico que no Domingo vai dar uma grande surpresa ao país político. Lembrem-se que nas anteriores eleições, as Europeias, todas as sondagens davam a vitória ao PS, estávamos em plena crise BPN / Dias Loureiro / Conselho de Estado / Cavaco Silva… e o PSD ganhou.

Bordéis – descontos para reformados

É preciso encontrar soluções criativas, diz um dos gerentes de um dos mais conhecidos bordéis da Alemanha. Os taxistas tambem têm direito a desconto mas aqui não sei se tem a ver com o preço das bandeiradas.

Outro dos bordéis mais conhecidos fixou em 70 euros o preço de todas as actividades, desde que em horas de menor movimento. Isso inclui as raparigas, bebidas e comidas (cheira-me que há menino que corre o risco de uma congestão e outros de se empanturrarem com fast food).

Dizem os gerentes que a crise fez baixar o número de visitas (ao contrário do que acontece aqui no Aventar), homens que faziam cinco visitas por semana agora só fazem duas ( estão a ver se envergonham a maioria do pessoal- cinco visitas!!!).

Os preços é que se mantêm por uma questão de marca, não permitindo que se degrade a clientela com preços de “liquidação” o que não convem nada ao negócio.

O pior disto tudo e aqui não consigo ajudar os meus frenéticos leitores, é que os descontos são feitos só ao Domingo e às segundas-feiras pelo que o pessoal tem que saber-se programar para aqueles dias.

Eu, por mim, vou utilizar os descontos na compra de Viagra !

As escutas que incriminaram Paulo Pedroso: Onde está o erro do juiz?

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/aWCBzS2SIhahWzoftzgZ/mov/1
Ainda a propósito da suspensão da progressão na carreira do juiz Rui Teixeira

Músicas para o Equinócio de Outono: Cannonball Adderley com Miles Davis

Cannonball Adderley com Miles Davis  – Autumn Leaves

Pensamento informático

Li na Wired Magazine que uma máquina chamada de Adão fez umas experiências e chegou a uma conclusão. Tudo sozinho. Como as máquinas pensam hoje em dia! Vendo bem, pensam muito melhor que eu, que faço montes de experiências e não chego a conclusão nenhuma. Um pouco à luz do “pensamento” das máquinas eu penso desta maneira:  abrir um documento do Word com um texto, por exemplo: “Este é o Aventar do Isaac a pensar sozinho.“, seleccionar este texto, fazer um cut, fechar o documento sem o gravar e apagar o ficheiro. Depois criar e abrir uma folha de Excel, fazer o paste do documento, gravar e fechar. Eu penso exactamente assim. O meu pensamento é precisamente “aquele bocado de nada” que fica na “memória”, mesmo já não havendo ficheiro nenhum, logo depois do copy e antes do paste. E aqui reside o problema principal. É que tenho um problema grave que acho que partilho com o resto das pessoas : às vezes esqueço-me de fazer paste. Às vezes, esqueço-me até de fazer copy. Às vezes, esqueço-me da célula de Excel onde fiz o paste. Muitas vezes, depois de fazer paste no documento Excel, esqueço-me de o consultar. Uma multiplicidade de falhas que se transformam em singularidade e que me tornam muito provavelmente único. Se a singularidade humana já é grave o suficiente, então a “tal” singularidade tecnológica é que me parece muito, muito preocupante. A máquina pensa sem falhas e é perfeita neste aspecto. É-lhe ordenado que pense perfeitamente e ela cumpre. Os cientistas querem ir mais longe e introduzir uma espécie de inteligência humana no pensamento das máquinas para elas serem mais como nós… e cometerem erros. Isto não me parece nada lógico. Se calhar o futuro não precisa mesmo de nós.

Músicas para o Equinócio de Outono: Léo Ferré

Léo Ferré – Chanson d’automne

a noite igual ao dia

Equinócio: instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. A palavra de origem latina significa “noite igual ao dia”, pois nestas datas dia e noite têm igual duração.

No hemisfério norte começa agora o Outono. Também acaba o verão. Ambas as coisas me são agradáveis.

Termina a excitação que dilata os humanos, estendidos entre grãos de areia e metendo o corpo no mar como quem vai ao chuveiro.

Começa o espalhar das folhas pelo chão, o melhor tapete para os pés, sobretudo em dias de vento.

E a música abandona os tiques de engate veraneantes.

Os velhos deuses acordam no Outono. A celebração do fim de um ciclo é a festa do seu recomeço.

As melhores paixões vivem do Outono, e podem crer, a melancolia é o seu sublime condimento.

publicado em simultâneo

Nova sondagem: E se o Aventar tiver razão?

Há uma sondagem que está a decorrer há mais de uma semana e que já conta com mais de 900 votos. É a sondagem dos leitores do Aventar – basta olhar para a barra lateral direita do blogue, aqui mesmo ao lado.
Neste momento, o PS lidera com 31%, seguido do PSD com 26%. Se o Aventar tiver razão, nunca um Partido vencedor das Legislativas terá tido uma votação tão baixa. É a negação do voto útil, o fim da bipolarização, a vitória dos pequenos Partidos da Oposição.
Bloco de Esquerda e CDU aparecem na sondagem com 13%. Seria sensacional, os dois únicos Partidos de Esquerda conseguirem juntos 26%. Condicionariam inevitavelmente, mesmo sem irem para o Governo, a política nacional nos próximos anos. Quanto ao CDS, está com 9%, também um excelente resultado.
Se o Aventar tiver razão, o PS só consegue uma maioria absoluta no Parlamento com os votos dos dois Partidos de Esquerda. Porque só com um deles fica-se pelos 44% e o mais certo é não chegar à maioria. Tudo dependerá dos círculos pelos quais os deputados serão eleitos.
E se o Aventar tiver razão?

Joana Amaral Dias no «Gato Fedorento»

Joana Amaral Dias chegou e cumprimentou Ricardo Araújo Pereira formalmente. Mas depois, tratou-o por tu ao longo da entrevista e, no final, tudo terminou com um beijinho. Uma evolução que foi a da própria Joana Amaral Dias: nervosa de início, terminou muito mais à vontade.
Quanto ao que foi dito, há uma frase que marca toda a entrevista. Acerca do convite recusado para fazer parte das listas do PS, a jovem professora universitária disse sem rodeios que José Sócrates não está habituado a ouvir um «não» e que tem dificuldades em lidar com o contraditório. Com todas as letras, assume o voto no Bloco da mesma forma que assumiu, há dois anos, o voto em Mário Soares.
A propósito das relações entre Sócrates e Cavaco, terminou com uma curiosa comparação: estão bem um para o outro. Se um é a fechadura, o outro é a chave. Pelo que pareceu, Sócrates é a chave que quer penetrar Cavaco, a fechadura.
Engraçado! Pelo que se tem visto no caso das escutas, pensei que era Cavaco que queria penetrar Sócrates!

Músicas para o Equinócio de Outono: Yves Montand

Les feuilles mortes, Yves Montand

Basicamente

O PS foge do BE.
O BE diz que foge do PS.
O PC não quer nem falar do PS.
O PSD atira o BE para o colo do PS.
O CDS saltita “estou aqui” gritando “cuidado com o BE”.
E no meio disto tudo a malta olha e pergunta: “O desemprego?”

Cartazes para as Autárquicas (Rio Tinto)

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Marco Martins (actual Presidente), PS, Junta de Freguesia de Rio Tinto, Concelho de Gondomar

O Outono que nos bate à porta

Outono, Outono… Outubro, mês de festa.

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E para todas as idades

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Honduras: o desespero dos golpistas

Acabo de receber este email de Fabricio Estrada, poeta hondurenho, testemunho vivo e directo do que também sabemos via agências internacionais:

Me encuentro en un edificio cercano a la Embajada de Brasil junto a 30 compañeras y compañeros, la mayoría integrantes de Artistas del Frente Nacional Contra el Golpe de Estado.

Nos avocamos a este lugar para descansar, manteniendo la conciencia de que de un momento a otro el ejército y la policía entrarían al perímetro donde alrededor de 5,000 personas nos encontrábamos para darle protección al Presidente Manuel Zelaya.

Atacaron a las 5:45 am con fusilería y lacrimógenas. Mataron a un número indeterminado de compañeros de la primera barricada al final del Puente Guancaste. Rodearon y atacaron la barricada del puente de La Reforma.

Haciendo cálculos aproximados, el operativo contó con alrededor de 1,000 efectivos policiales y militares.

Arrinconaron y golpearon. 18 heridos graves en el Hospital Escuela. Siguen persiguiendo en el Barrio Morazán y en le Barrio Guadalupe a los bravos estudiantes que anoche organizaron las precarias barricadas.

En este momento son las 8:00 am. Frente a la Embajada de Brasil han colocado un altoparlante con el himno nacional a todo volumen mientras catean las casas aledañas a la Embajada. Lanzaron bombas lacrimógenas dentro de la Embajada. El Presidente continúa en su interior amenazado por los golpistas que ya argumentaron a través de los medios sus razones “legales” para proceder al allanamientos.

Miles de personas que se dirigían hacia Tegucigalpa han sido retenidas en los alrededores de la ciudad. La ciudad está completamente vacía, fantasmal. El toque de queda fue extendido para todo el día.

La represión contra los manifestantes indefensos fue brutal. En varias ocasiones Radio Globo y Canal 36 han sido sacados del aire.

Cientos de presos.

Estamos aislados.

Aquí estamos el núcleo principal de los organizadores de los grandes eventos culturales en resistencia: poetas, cantautores, músicos, fotógrafos, cineastas, pintores y pintoras… humanos.

Músicas para o Equinócio de Outono: Edith Piaf

Edith Piaf – Autumn Leaves (Les Feuilles Mortes)

Louçã não é mentiroso!

O PSD fala de um acordo secreto entre José Sócrates e Francisco Louçã com vista ao pós-Legislativas.
José Sócrates diz que é mentira e eu fico na mesma, inclinado até a pensar que se calhar é verdade (a relação patológica do primeiro-ministro com a verdade até arrepia). Mas Francisco Louçã também desmente. E se Louçã diz que é mentira, então é mesmo mentira.
Por uma vez, parece-me que José Sócrates está a falar verdade… Até porque continuo a pensar que o primeiro-ministro faria mais depressa uma aliança com Paulo Portas.

Músicas para o Equinócio de Outono: Antonio Vivaldi

Antonio Vivaldi – Le quattro stagioni, L’Autunno

Cavaco no seu melhor estilo

Assistimos a mais um episódio igual a tantos outros que se passaram quando Aníbal Cavaco Silva era Primeiro-ministro: “Quem me incomoda, Rua!”.
Este afastamento não é mais do que um episódio revivalista de outras alturas. Os peões dão a cara e se correr mal a culpa é deles. Esta falta de solidariedade entre pares é do pior que existe na política.
A juntar a este facto que por si só é grave, se juntarmos o momento de campanha eleitoral que vivemos torna tudo muito mais suspeito. Não tendo da vida uma visão conspirativa, não posso deixar de referir que a demissão anunciada de Fernando Lima a 5 dias das eleições só tem uma leitura possível – Cavaco Silva não quer que o PSD ganhe as eleições.
O que justifica esta lógica?
1. Cavaco quer ser reeleito Presidente da República e para o seu final de primeiro mandato dá muito mais jeito ter como Primeiro-ministro José Sócrates;
2. O Presidente da República só existe politicamente se conseguir fazer oposição ao Governo. Foi assim com Mário Soares e Jorge Sampaio;
3. Aníbal Cavaco Silva apenas teme a frente de esquerda, ou seja, o Candidato do consenso Manuel Alegre. Se Cavaco não se demarca politicamente do governo não capitaliza votos no chamado “centrão”. Só o conseguirá se for eleito um governo frágil do PS.
Fernando Lima serviu, como outros na década de 90, os objectivos calculistas de Cavaco Silva.
Tudo isto pode não fazer sentido, mas se assim for, Cavaco terá que dar explicações públicas esta semana, ainda antes das eleições legislativas. Para já o árbitro (Cavaco Silva) assinalou uma grande penalidade a favor de José Sócrates (na minha opinião a falta foi fora da área). O Jogo estava empatado.
Fernando Lima um como tantos outros