O TGV é incerto para Bruxelas

O governo ficou surpreendido ? Foi o único, porque basta ler a opinião da maioria de quem estuda a situação portuguesa para não ficar surpreendido.

Prioridade não é nenhuma, seja sob o ponto de vista de criação de riqueza, de criação de postos de trabalho e da monstruosa dívida externa. Do ponto de vista da viabilidade económica ninguem se atreve a considerar que alguma vez venha a ser lucrativa . Depois, este governo vem matando as linhas férreas que nos restam, nunca investindo nas sua reabilitação e não considerando sequer a construção da linha férrea que serviria Sines.

Mas quer o TGV ! Coerência ? Nenhuma, mas é modernaço, ficamos ligados ao centro da Europa ( Madrid querem eles dizer).O português médio não tem dinheiro para andar de TGV, mas os espanhóis têm. É um saltinho a Lisboa ou a Paris. Nós vamos continuar a voar para o centro da Europa e depois andamos lá de TGV, como eu sempre fiz. Os que podem, claro!

Mesmo de TGV chegar a Paris ( a Europa) são dez horas de comboio quando podemos fazer uma viagem de duas horas (avião), depois dali podemos ir para qualquer lado de TGV que são viagens de uma, duas horas. De e para Lisboa é que é uma trapalhada, são muitas horas, não dá, o TGV na verdade não nos aproxima do centro da Europa.

Noite eleitoral em directo no Aventar

O Aventar vai acompanhar a noite eleitoral com o seu chat do costume (já está aí na barra lateral). É só entrar e começar a opinar sobre os resultados, o futuro, os cenários pós-eleitorais e tudo o que mais quiserem.
Quando as emissões da televisão acabarem, continuaremos por aqui. Estão todos convidados!

Ai Lello, bingo!

jose-lello-chapeus-ha-muito

Aníbal Araújo, que foi cabeça de lista do PS no círculo de Fora da Europa em 2007, botou a boca no trombone e acusa José Lello, deputado da extrema-direita do mesmo partido desde 1983, e o secretário de estado das Comunidades, António Braga, de negociarem cargos em troca de financiamento partidário com Lícínio Santos, empresário envolvido no caso da  Máfia dos Bingos.

Segundo a  TSF  O ex-cabeça-de-lista acusou José Lello de oferecer o consulado honorário em Cabo Frio, um lugar da administração da empresa de telecomunicações Vivo e o controlo da Águas de Portugal também em Cabo Frio e que foi alienada em finais de 2007.”

Eu gosto muito do Lello, confesso. É talvez o melhor exemplar vivo do PS no seu pior. E já tenho um livro para lhe oferecer este Natal, como ele tanto gosta de fazer, convencido do seu ar de graça: Memórias do Cárcere, do inevitável Camilo.

Portugal tem dois problemas: a crise económica e o matrimónio homossexual

Não há dia em que não se deva poupar. Não há dia em que não devamos pensar duas vezes antes de levar a mão à carteira. Olhamos os preços, comparamos, e as compras passam a ser um cumprido passeio. Aliás, já nem compramos o que costumamos adquirir. Temos posto de parte o tabaco, não por causa de saúde, mas por ser muitos euros a serem queimados em apenas um instante. Os ordenados não conseguem pagar ao que temos direito. Usar o carro hoje, apenas para passear. Passear, apenas aos Domingos e a pé. Os presentes que costumávamos oferecer, nem pensamos neles.
Porquê? É a crise económica que afecta a todo o mundo. Pelo que parece-me que é preciso responder essa questão nunca colocada: o quê é a crise?
A resposta é simples: o nosso País não investe em actividades que dão lucro. Lucro? É dinheiro que traz dinheiro. Portugal sempre pensou ser um País de férias, sem se importar com o futuro que podíamos obter, sem essa mais valia que as indústrias dão: uma velhice sem recursos.
Se o Estado Alemão, que tem riqueza em indústrias, se o Estado da Suécia, que tem aço aos milhares, estão em crise, como não íamos estar nós, sem indústrias a trabalhar e com muitas a fechar? Das áreas rurais apareceram imensas pessoas para trabalhar na cidade. Essas mesmas estão a retornar à abandonada terra para comer do que semeiam. Lembro-me bem de um livro que escrevi nos anos 90: Fugirás a escola, para trabalhar a terra. Parece uma premonição! Há Arquitectos a trabalhar de motoristas, há Advogados sem clientes que despedem as suas secretárias e fazem da casa o seu escritório para poupar renda. Há médicos que faltam, há académicos que nem livros podem comprar para estudar e ensinar.
Pergunto-me às vezes: esse duro de trabalho de investigar, ensinar o provado e os livros escritos a partir das hipóteses, são para quê? Qual o objectivo da vida? A emigração começou, mais uma vez, como nos anos 40 do Século passado, mas não para a França ou a Europa do Norte em geral: hoje em dia é para o Oriente, que soube guardar as suas riquezas….
No meio da hecatombe, dois problemas mais aparecem: o do aborto, já resolvido; e o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Toda a Europa respeita a opção de sentimentos. Toda a Europa permite a opção de amor. No nosso país, apenas sou capaz de ver homens que casam com mulher por conveniência, por amar ao vizinho ou ao amigo mais próximo. A conveniência é o facto de não ser desprezado, de ter trabalho, do bom-nome no andar em todas as bocas, como se fosse um holocausto.
Esquecem que Karol Wotila, em 1991, ao manda redigir o Catecismo, diz, ao falar do adultério, esse sexto mandamento dos católicos romanos, que brevemente diz: não cometer adultério, acrescenta no artigo 2358. Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.
Contudo, Wojtila retira-o da lista dos pecados ao não esquecer dois factos: que o Rei David dos Hebreus, amava Urias, o marido de Basheva. Por conveniência do cargo, casa com Basheva, tendo, assim, sempre ao pé de si, Urias. Uma traição dele com outro enfurece David, e manda-o à guerra em primeira fila para ser morto. O outro, que Freud em 1905 tinha denominado aberração sexual se era com crianças, explicitado mais tarde no seu texto de 1920, quando ele próprio, como diz na sua auto psicanálise, tinha-se enamorado do irmão da sua mulher Marta, que nascemos bissexuais e há a opção da escolha em diversas idades. A prova é que ser homossexual foi retirado dos delitos do Código de Direito Criminal.
Portugal vive do crédito. Homem casado de certeza não ama outro homem. Mas, esses, não têm andado pelo Parque Eduardo VII de Lisboa, nem pela baixa do Porto, aimda menos em Estoril, perto da vila de Cascais. Quem por ai andar, tirava o crédito. Como acontece com o cartão de crédito, que hoje em dia há tantos. Falta dinheiro, há crise? Alegria, qualqeur Caixa Azul salva-nos. É, como diría Garcia Márquez, amor nos tempor do cólera. Da cólera doença, não amor com cólera ou raiva. A liberdade é para todos, cada um vive a crise como melhor entende e defende-se como o genaral no seu labirinto, diria García Márquez, dentro de um país inventado, à moda de Isabel Allende.
São as minhas palavras para o meu semanário [Semanário Interior]. Até onde entenda, vivemos dentro de uma República Soberana, depositada em todos os seus cidadãos.

Raúl Iturra
Cambridge, Grã-bretanha, 17 de Fevereiro de 2009, em casa da nossa filha Camila que acaba de casar com Felix. Já não é Iturra, é Ilsley!

Transfiguração (colagem)

A Transfiguração, Giovanni Bellini, 1480
Giovanni_Bellini1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,

2 E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.

3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.

4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias.

5 E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o.

6 E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo.

7 E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo.

8 E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus.

9 E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos.

Evangelho segundo Mateus, 17, 1-9


FRD_2009

E de insulto em insulto, insinuação de fraca prova, diz-que-disse com o maior desrespeito pelo rigor e valor de números e palavras; com fuck them, asfixias, ironias sobre democracia a prazo, programas políticos logo-se-vê ou dos 1000-milhões-de-euros, de acusação em acusação em acusação sobre acusação, ignorância e insinuações sobre este homem, disto tudo para isto que aqui temos, quem é que andou ocupado a desenhar-lhe os contornos dessa espécie única que só se explica em alemão: Übermensch? Este outro super-homem que não se confunde com o dos bonecos, é outro o desenho, é outro o espelho: o de uma democracia à espera de novos actores políticos sem o peso das frustrações e complexos de inferioridade, à espera de pessoas como são as pessoas, capazes de perceber a realidade onde vivem as pessoas reais. Como se chegou a este ponto? Não sei, mas sei que todos os sound bite sobre asfixias, medos, perseguições, pressões não fazem mais que diminuir a política, a democracia, o discurso político e a percepção e inteligência de quem assiste a este espectáculo sem nele participar e sei que esta alucinada retórica do inferno que é sempre o outro acaba por reforçar a existência e credibilidade de quem pretendia ser apenas como um leão e se vê, afinal, a braços com a sua condição de Übermensch.

FRD, 2009

Encontro de irmãos

Algures por aqui, na tarde de hoje:

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Como nos devemos cumprimentar por causa da Gripe A

grippe  a h1n1

Ver mapa maior

https://aventar.eu/2009/09/24/311920/

Simples

Está cada vez mais claro o cenário pós-20h Continente, 19h nos Açores do próximo Domingo.
José Sócrates será Primeiro-ministro de um governo em minoria, que vai necessitar dos votos do BE e / ou da CDU para governar. o PP não terá os votos suficientes para servir de parceiro.
Não me parece que o BE ou o PC possam entrar no governo e por isso vamos assistir a uma maioria de carácter parlamentar com a abstenção a acontecer no momento da votação dos documentos mais importantes.
(agora que acabei o post reparei que não me referi ao PSD. Porque será?)

Soares trata mal as políticas ou as mulheres em geral?

Mário Soares perde a cabeça quando o seu adversário político são mulheres. Desde dona de casa à mulher que lhe ganhou a presidência da Assembleia em Bruxelas até aos mimos com que tentou arrasar e humilhar Manuela Ferreira Leite.

Consevadora, patética, ignorante tudo serve para deitar abaixo quem pode ter muitos defeitos mas que é uma pessoa que todos conhecemos e sabemos quem é. Agora passou a salazarenta num exercício humilhante que só pode ter acontecido porque Soares deu o mote, isto ao mesmo tempo que o PS se apresenta como o campeão da paridade.

É conhecida esta tendência de Mário Soares para ser muito mais duro para com as mulheres políticas do que com os homens políticos, muitas vezes roçando a má criação.

Esperemos que se fique só pelas adversárias mulheres e não pelas mulheres no geral. O que em nada o desculpa, mas que seja assim!

As sondagens e as letras pequeninas…

Basta mudar o critério quanto aos indecisos para que se passe de 26% para 40%. Se a distribuição de indecisos for feita na proporção o PS cresce sempre mais do que os outros partidos, por ter “um núcleo” inicial maior .Isto explica que o BE agora tenha 9% e amanhã tenha 14%.

Mas a verdade é que sempre que há uma grande percentagem de indecisos a sondagem passa a ser muito problemática, seria necessário saber de onde vieram estes indecisos e, pelos vistos, vieram do PS e do PSD. O que nos tentam vender é que passando a indecisos, no momento de votar, vão voltar aos braços que deixaram.

Melhor seria que se partisse do bloco estável de cada partido e se tentasse perceber para onde e como se irão distibruir os indecisos o que, naturalmente, não é feito. Se é indeciso não se pode saber antes de votar, em quem vai votar.

Outra letra pequenina com que nos brindam é a margem de dúvida da sondagem, se for igual ou superior à diferença entre os partidos isso quer dizer que não há diferença nenhuma.

O que parece é que a maioria absoluta está afastada e essa é a grande vitória.

Com 3 letrinhas apenas se escreve a palavra…

Não,
que é das palavrinhas mais pequenas
a que sai do BEu Coração!”

Provérbio popular dedicado por Louça a Sócrates

A máquina do tempo: a lição do Chile

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A nossa máquina do tempo vai hoje regressar ao Portugal dos anos 70 do século XX. No dia do golpe de Pinochet, ainda sob a ditadura do Estado Novo, íamos recebendo as notícias terríveis que chegavam. Lembro-me de estar na estação do Cais do Sodré, pouco depois das seis da tarde (passava do meio-dia em Santiago e tudo estava perdido), com o jornal da tarde – o Diário de Lisboa – tremendo-me nas mãos e fazendo um grande esforço para que as lágrimas não se soltassem. Porque com o violento esmagamento da Revolução chilena, para nós, os marxistas que não acreditavam que da Rússia, da China, da Coreia ou da Albânia algo de positivo nos chegasse, vendo a Revolução cubana ir sendo cada vez mais enredada nas malhas do imperialismo soviético, o Chile era para nós um farol de esperança. Mais um farol cuja luz era, naquele dia, brutalmente extinta.

Quando, a partir de 25 de Abril de 1974, pudemos livremente comentar o trágico acontecimento, cada tendência política fez a leitura que mais lhe convinha – os católicos conservadores viram nele a consequência lógica da tomada do poder por forças ao serviço do marxismo internacional, uma espécie de castigo de Deus. Os neo-liberais, não fugiram muito a esta explicação, pondo a tónica nas dificuldades que o governo de Salvador Allende colocou às leis do mercado. Isto é, puseram o mercado no lugar de Deus. Curiosamente, as diferentes linhas marxistas – os pró-soviéticos, os pró-chineses e os pró-albaneses – viram o golpe como uma resposta do imperialismo à política «aventureirista» do governo popular do Chile. Condenaram o golpe, mas a lição que tiraram foi a de que não se deve provocar o capitalismo.
Porém, no fundo, quando se falava do Chile, era de Portugal que se estava verdadeiramente a falar. Naqueles dezoito meses que a nossa Revolução durou, o povo celebrando a liberdade nas ruas, promovendo assembleias à revelia dos partidos, preocupava tanto os que defendiam uma solução «democrática» como os que pugnavam pela disciplinização do caudal revolucionário por parte das cúpulas dos partidos marxistas, estalinistas, marxistas-leninistas, maoístas, etc. PCP, UDP, MRPP e as dezenas de grupúsculos em que essa esquerda se cindiu.
A cada um sua verdade, como diria Pirandello, neste caso, a cada um o seu Chile. Pelas ruas, quando no «Verão quente» de 1975 se sentia já o bafo fétido da reacção, gritávamos «Portugal não será o Chile da Europa!», procurando esconjurar o perigo de um banho de sangue e de um regresso ao fascismo. Franco, apesar de moribundo, não hesitaria em nos enviar a sua divisão Brunete. Para tal, os generais espanhóis, apenas esperavam autorização do Pentágono. Que não veio, pois Frank Carlucci, o embaixador norte-americano e homem da CIA, viu maneira de o assunto se resolver com a prata da casa – os Comandos e as suas «chaimites» foram suficientes para dominar uma esquerda militar dividida e hesitante. Otelo, que comandava o COPCON e dispunha de força suficiente para fazer os Comandos engolirem as «Chaimites», deixou-se aprisionar em Belém.
Havemos de um dia falar neste dia 25 de Novembro de 1975, mas quero deixar já a minha opinião de que Otelo fez bem em não ter mergulhado o País numa guerra civil, pois seria isso que aconteceria, mais cedo ou mais tarde, se ele tivesse posto o COPCON em marcha. A posição do PCP também foi decisiva, embora considere que os pecepistas não podem orgulhar-se dela – Por exemplo: os trabalhadores da J. Pimenta, na Amadora, tinham bloqueado com betoneiras os portões do Regimento de Comandos. O Partido Comunista, creio que o próprio Álvaro Cunhal, foi falar com a Comissão de Trabalhadores, as betoneiras foram retiradas e Jaime Neves pôde fazer o seu trabalho de «limpeza».
No primeiro comício realizado após o 25 de Novembro, Álvaro Cunhal, no Campo Pequeno, disse que «por paradoxal que pareça, a derrota da esquerda militar, pelos trágicos ensinamentos» veio «criar novas condições para a unidade das forças interessadas na salvaguarda das liberdades, da democracia, da revolução.» Isto é, há males que vêm por bem. Acusou também como responsável pelo golpe militar a esquerda de «orientação fechada, sectária, divisionista e aventureirista», a qual redundou numa hipoteca que toda a esquerda veio a pagar. No fundo, acusou a esquerda, a militar e a civil, dos mesmos males de que acusara o governo popular do Chile. Pinheiro de Azevedo, no seu «O 25 de Novembro sem Máscara» (1979) denuncia a aliança PCP – Militares golpistas. Bem sei que Pinheiro de Azevedo não goza de muita credibilidade, mas que este pacto existiu, ainda que informalmente, parece-me inegável.
Onde quero chegar é que, apesar de toda a simpatia do actual secretário -geral, não podemos esquecer o papel que o PCP teve na destruição do movimento popular gerado após o 25 de Abril. O Partido convivia mal com todas aquelas multidões que escapavam ao seu controlo, que decidiam a coisas, mandando às urtigas as directivas do comité central. Quantas vezes comissões de trabalhadores, de moradores, assembleias de fábrica ou de faculdade, dominadas pelo PC, não tiveram de ir a reboque de decisões «esquerdistas» tomadas pelos militantes de base? E entre «esquerdismo» e o advento da «democracia» neo-liberal, o PCP escolheu a última. Bem sei que a lição do Chile continuava presente nas cabeças. Allende e o povo chileno, escolhendo a Revolução, escolheram a repressão e a morte. Por isso, aos que queriam levar a Revolução por diante, chamavam esquerdistas.
Citando Lenine, diziam que o «esquerdismo é a doença infantil do comunismo». Talvez seja. Sem querer contrariar Lenine, diria que, em contrapartida, o reformismo é a doença senil do comunismo. Doença por doença, quem não preferiria o sarampo da infância, ou mesmo o acne da adolescência às mil e uma maleitas que a velhice acarreta? Que os seus 6 a 8% de votos, o seu mini grupo parlamentar, as suas caixas de ressonância – CGTP e outras, façam bom proveito ao Partido Comunista. Mas, não se queixem! Eles também quiseram «isto» que agora temos. A Revolução bateu-lhes à porta e eles fecharam-lhe a porta na cara. O povo, mesmo estando unido, pode ser vencido quer pelos seus inimigos quer pelos seus falsos amigos. Foi assim no Chile. Foi assim em Portugal, embora de forma muito menos dramática. Os chilenos, pelos caminhos da repressão brutal, os portugueses conduzidos por cavilações subtis, estão todos onde os donos de Pinochet e os patrões dos governantes portugueses queriam. Nos braços da economia de mercado.

Associação de pais – dinheiro, poder e partidarite

Eu quando “era pai” no sentido de ter o filhote na escola, ía às reuniões de pais com mais uns quantos, ouvíamos o que tinhamos a ouvir ,fazíamos as perguntas que tínhamos a fazer e até à próxima reunião se tudo corresse como esperado.

Depois comecei a ver um senhor a ser convidado como representante da Confederação de pais, para falar na TV, nos jornais, nas rádios, enfim, uma parceiro social .Mesmo assim sempre pensei que se tratava de uma organização expontânea de pais preocupados com os filhos, com as escolas, com o encontrar de soluções, independente de ideologias, de outras organizações partidárias, eram os filhos ponto!

Pois sim, escorrega por ali dinheiro que vem como sempre, cá no burgo, do orçamento de estado que nós pagamos e não é tão pouco assim, revela-me quem sabe da coisa. Por isso se percebia a defesa das políticas do governo, a colagem mais ou menos evidente a certas medidas que a bem dizer pouco teriam a ver com o interesse dos pais e dos respectivos rebentos.

Agora, dirigentes da Confederação das Associações de pais demitem-se conta a colagem às políticas do governo, entre os quais o seu vice-presidente e mais quatro dirigentes desta estrutura que tem cerca de 1 700 associações federadas. Albino Almeida, o presidente, participou na Convenção do PS o que tambem não caiu bem .

Há um subsídio de 137 mil euros que parece que está a ser utilizado com uns cartões de crédito à mistura e que reforça a hipótese de umas quantas associações se juntarem a outra Confederação entretanto criada, esta mesmo independente, pelo menos no nome, e o que aqui temos é mais uma guerra entre partidos à cata de dinheiro e de poder.

E eu nunca mais deixo de ser anjinho!

Os coisos estão em greve e não têm vergonha

Juro que não tenho nada contra quem faz greves. Desde que sejam marcadas e realizadas com bom senso. Garanto que nada me move contra os coisos da TAP, que me merecem o máximo respeito. Desde que façam greves com bom senso. O problema é que a presente greve é desprovida de bom senso. O que me chateia. A sério, até posso admitir que me irrita.

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A TAP, como todos recordamos, esteve à beira da falência e de fechar as portas há uns anos atrás. Os coisos estiveram quase a ir para à fila do centro de emprego. Sobreviveu graças aos donativos de todos os portugueses pagos segundo a fórmula dos impostos. E sem nos perguntarem nada. “Ah e tal, é importante ter uma companhia aérea de bandeira nacional”.

 

Não tenho nada contra quem faz greves. Desde que sejam marcadas e realizadas com bom senso. Garanto que nada me move contra os coisos da TAP. Desde que façam greves com bom senso. A presente greve é desprovida de bom senso. O que me chateia.

 

Continuam a ser os impostos dos portugueses que seguram a empresa, que continua a dar prejuízo. O sindicato dos coisos já veio dizer que não é aquele segmento, aquele em que laboram, que é o causador do défice. Não, são outros. Outro segmento. Uma análise que demonstra bem o grau de solidariedade profissional do sindicato dos coisos em relação a colegas da empresa. Se calhar, o melhor seria despedi-los, não?.

Os coisos têm vencimentos, em média, de 8600 euros. Mais que o Presidente da República, por exemplo. Quando um coiso começa a trabalhar aufere um vencimento médio superior a 5000 euros. Quantos portugueses são assim tão privilegiados?

Dizem que há outros iguais, de outras companhias, que ganham mais. Pois, lá calha. No meu sector profissional há outros, noutras empresas, que ganham mais que eu. Pelo que ouvi dizer, acontece isto em mais sítios. Alguém diz isso aos coisos, se faz favor?

Os coisos querem aumentos de mais de 9 por cento. Sim, 9 por cento. A administração da Tap diz que pode chegar aos mil euros de aumento. O sindicato diz que não. Na maior parte será de 600 euros. Mais que o salário mínimo nacional.

A greve acontece num momento específico da vida política nacional, o que ajuda a compreender o carácter dos coisinhos sindicalistas. “Bora fazer greve que os gajos ficam assustados, dão o graveto e ainda mais uma regalias”.

Os coisos não têm vergonha na cara?

Dificuldade de Governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira

São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht
Tradução de Arnaldo Saraiva

Belmiro : Não me calam

A prioridade deve ser dada aos investimentos que criam emprego rapidamente e não ao TGV, que só cria emprego daqui a uns anos e cujo custo por emprego criado é muitíssimo alto. Acresce que o investimento no TGV implica a importação de tecnologia o que vai fazer disparar a dívida externa, que é já elevadíssima e cujos juros são um cutelo sobre o desenvolvimento do país.

Devíamos apostar em actividades como a agricultura e as pescas, o turismo, as energias renováveis, o mar, que criam muito emprego e, acima de tudo, apostar na formação de técnicos com elevadas competências, que tenham passado por vários países antes de regressarem ao país.

Quem nos governa não tem competência e não tem currículo e apesar das dificuldades deliberadas levantadas não me metem medo.

Cada vez mais há gente que não suporta a mediocridade que nos governa e só se calam os que comem à mesa do orçamento. Aqui está a voz de quem tem obra feita!

Dirce Migliaccio (1933 – 2009) e o Sítio do Picapau Amarelo


Dirce Migliaccio foi a boneca Emília do Sítio do Picapau Amarelo. Morreu ontem. Preencheu uma grande parte das minhas memórias de infância. Soube hoje o seu nome.

Quarta-Feira: O dia da campanha

Queimam-se os últimos cartuchos. É a recta final de uma campanha que, valha a verdade, nada esclareceu e nenhuma dúvida tirou. Quem estava indeciso, indeciso continuou. Felizmente, já só faltam dois dias para tudo acabar. Que os nossos políticos reflictam, no Sábado, sobre tudo o que andaram a (não) fazer nos últimos quinze dias.
José Sócrates esteve em Trás-os-Montes a desfiar tudo o que de bom fez pela região. Esqueceu-se do futuro desmantelamento da Linha do Tua, única ligação ferroviária do Nordeste Transmontano. Esquecimento inocente, que raio!, o homem não se pode lembrar de tudo! Pedro Silva Pereira ainda teve tempo para dizer que acedita em nova maioria absoluta, mas estava a brincar.
Por terras do Minho, Manuela Ferreira Leite esforça-se por afastar as acusações de salazarista, que ainda ontem lhe foram dirigidas por José Junqueiro (não é irmão daquele que ficou com uma prisão do Estado quse de borla?). Paulo Rangel, que ganhou as Eleições Europeias e os debates do «Gato Fedorento», começa a ser «pau para toda a obra». Ou muito me engano muito ou, daqui a dois anos, depois do descalabro do Governo minoritário de Sócrates acabado a meio, será o primeiro-ministro de Portugal.
Quem rejubila com o fracasso do Bloco Central é Francisco Louçã, que vai amealhando votos. Será que chega aos 15%? Hoje, na margem sul, voltou a referir-se ao tema que domina a campanha, mas acabou a «meter tudo no mesmo saco», Cavaco e Sócrates.
Jerónimo de Sousa mostrou mais uma vez o seu «fair-play» ao recusar dizer que a vitória de Manuela Ferreira Leite seria o regresso ao 24 de Abril. A hombridade deste homem não é comparável à de mais ninguém nesta campanha. Curiosamente, disse-o em Santarém, a cidade de onde partiram as tropas comandadas por Salgueiro Maia rumo ao Terreiro do Paço.
O CDS, por fim, com Pauo Portas a usar, como é costume, os velhinhos e os deficientes. Também esteve em Santarém e quase se encontrava com Jerónimo de Sousa. Sempre podia pedir-lhe um autógrafo.

Teixeira dos Santos no «Gato Fedorento»

Não sei muito o que dizer da entrevista do Ministro das Finanças ao «Gato Fedorento». Não teve grande piada, até porque não me pareceu que Teixeira dos Santos seja uma pessoa com grande sentido de humor. Mostrou que ia preparado e esteve sempre a tentar responder com graças e graçolas, mas nunca teve piada. Ricardo Araújo Pereira, por seu lado, fez-lhe algumas perguntas, como dizer?, engraçadas. Retenho aquela sobre o seu futuro: se já tinha escolhido a empresa para a qual iria trabalhar como Director-Geral depois de sair do Governo. A Mota-Engil, por exemplo.
Seja porque as figuras mais mediáticas já desfilaram pelo programa, seja pelo seu cinzentismo, a verdade é que o desempenho de Teixeira dos Santos, meu conterrâneo, esteve ao nível do seu desempenho como Ministro das Finanças, pelo menos de acordo com os critérios seguidos pelo «Financial Times».

Casa Pia: Paulo Pedroso responde ao Aventar

Nota: Na sequência deste «post» do nosso autor Luís Moreira, o deputado Paulo Pedroso sentiu-se ofendido com o teor do «post» e mostrou ao Aventar toda a sua indignação. Não nos parece que tenha razão, porque o «post» foi escrito na óptica da actuação do juiz Rui Teixeira e nada diz sobre a culpabilidade ou não do político. Mesmo assim, não queremos deixar de dar a Paulo Pedroso a oportunidade de se defender, visto que poderá haver outros leitores a pensar como ele. Repetimos: não houve qualquer objectivo de ofender seja quem for.
—————————
«Há no Aventar quem esteja convencido de que pratiquei crimes horríveis. Não pratiquei, mas paciência, já estou habituado à ideia de que terei que viver sabendo que há e haverá pessoas intoxicadas a meu respeito.
Mas no Aventar faz-se pior. Intoxica-se com dados falsos. Hoje pretendem, de modo ignominioso, convencer os leitores de que não houve erro judicial. Basta ouvirem a notícia que referem e as escutas que citam para perceberem que estão a dizer um enorme disparate. Mas isso não vos interessa, apenas vos move denegrirem-me pessoalmente.
Não sei quem escreve esses disparates e estou farto de perder tempo com anónimos cobardes.
Só tenho pena, muita mesmo, de ver o Carlos Narciso, jornalista por quem tenho estima e consideração na ficha técnica de um sítio onde se escondem vis cobardes e difamadores.»

SONDAGENS PARTICULARES

A MINHA SONDAGEM

No meu blogue, Atributos, entendi fazer também uma sondagem com o título

“Nas legislativas vou votar em quem?”

Hoje, o resultado provisório é este

NAS LEGISLATIVAS, VOU VOTAR EM QUEM?
Selection Votes
PSD 27% 414
CDS 12% 181
PS 28% 431
CDU 12% 177
BE 13% 200
MEP 2% 25
MMS 2% 25
MRPP 1% 19
OUTROS 3% 49
1,521 votes total

Comparado com o do Aventar, quem tem razão?

Quais as grandes diferenças?

atrasa lá o museu, por favor !

thegoldendays… abrem-se as páginas 16 e 17 do Público e lê-se:

1. o novo MUSEU DO CÔA, cuja abertura está para breve mas sem data marcada, necessita de um «gestor cultural» e de um novo modelo de gestão (o que quer dizer que poderá abrir e depois lá se escolherá um gestor e um modelo). gravuras rupestres?

2. a obra do novo MUSEU DOS COCHES está parada por questões logísticas (i.e. o transporte de pessoas e equipamento). carros sem motor?

3. o alargamento do MUSEU DO CHIADO avança dez anos depois (mas na realidade ainda não avançou, vai avançar um dia destes). rabiscos?

sobre política cultural neste país…  atrasa lá o museu, por favor !

ass. anarquista duval

balthus, «the golden days»

DEBATES E COISAS QUE TAIS

Debates e coisas que tais

A nossa TV está transformada num festival de palhaçada. A todos os níveis.
Há pessoas que têm dentro de si uma constante sensação de paisagem. Outras há que limitam seus horizontes a pequenos mundos de banalíssima cosmética.
A TV cria debates em que tenta, de forma impossível, conciliar a inteligência com a indigência mental. Não basta à TV promover debates com a eufemística intenção de avaliar fenómenos de vincado carácter sócio-cultural, metendo no mesmo saco toda a espécie de pessoas, competentes e incompetentes, sérias e corruptas, mentes sãs e esclerosadas, convidados saudáveis e sero-positivos do vírus fascista. A democracia é a liberdade dos homens livres. A despeito da democracia se encontrar muito doente, não se pode injectar-lhe, de ânimo leve, micróbios a ver como reage. Isto não é profilaxia mas eutanásia escamoteada. Democracia não é estupidez. Pessoas há que não têm o direito moral de aparecer em público, quanto mais numa televisão. Ninguém tem o direito de permitir o branqueamento fascista através de tão poderoso meio de informação. Nenhum criminoso, julgado e condenado em tribunal, tem direito a lavar-se nas águas de uma TV. Nenhum condenado pela história e pela humanidade pode ter mais que o direito de viver, oferecido pela democracia, a qual, ao contrário de todas as PIDES, não mata. Os entrevistadores são todos uma nódoa. Não há entrevistadores capazes de guiar debates sérios e responsáveis na formação da nossa polivalência social. Muitos deles, medíocres, deviam ser postos a marinar, a ver se ganhavam algum sabor e algum saber. Se não são capazes de dimensionar a existência à escala da vida, a vida à escala da história, a história à escala do mundo, como podem conseguir uma entrevista à escala da verdade?
A TV cheira mal. Fede por todos os poros.

                            (adão cruz)

(adão cruz)

Clix, velocidade nix!

Estava eu entretido a colocar a minha posta sobre a velhinha e tocou o telefone fixo que se encontra mesmo aqui, ao meu lado, junto do computador.

Era uma simpática menina da clix com sotaque lisboeta a debitar uma lengalenga automática sobre a felicidade de se ser cliente Clix. Pois, eu fui durante algum tempo um feliz cliente ADSL da Tele 2. A Net funcionava supimpa, conseguia ver os meus clips favoritos do youtube com rapidez e a blogada abria que era uma maravilha. Um certo dia tomo conhecimento pelos jornais que a Clix tinha adquirido a Tele 2. Gelei.

A partir daí, caros amigos leitores, a minha internet nunca mais foi a mesma. Uma lentidão exasperante. Protestei. Diziam que era do meu antivírus. Mudei o bicho. Nada. A partir dessa altura comecei a contar os dias para o término do período de fidelização. Estava decidido, eu queria ser, repetida e definitivamente, infiel à Clix.

A simpática menina, após essas primeiras palavras, passou a explicar que se não me importasse, devido a ter sido cliente Tele2, daqui a oito singelos dias teria o dobro da velocidade sem ter de pagar nem mais um tostão. Agradecido, pedi a palavra e expliquei à alfacinha:

-Que fique registado o seguinte: desde que passou de Tele2 para Clix, a minha internet passou a ser uma trampa e, faça o favor de deixar registado que eu, mal termine o período de fidelização, vou mudar de armas e bagagens para a concorrência. E sim, aceito a alteração desde que não me mexam na dita fidelização.

A rapariga, certamente pouco habituada a estes maus modos tripeiros, hesitou mas, corajosa, avançou com a justificação:

– É para melhorar o nosso serviço ao cliente que estamos a fazer esta promoção.

Ora está mas é caladinho que a menina e a Clix até estão a ser simpáticas contigo pois, em vez de 12 megas, vais passar a 24 megas sem custar nem mais nix. Pois, mas a merda de velocidade que tenho nos últimos tempos, essa já ninguém ma tira! Por isso, caros amigos, fujam! da Clix que nem Diabo da cruz!!!

A Velhinha…

Foi por mail que recebi este texto publicado AQUI e antecedido de um comentário jocoso sobre a política caseira (que me abstenho de publicar pois o seu autor não autoriza, ehehehe). Não me perguntem mas… as semelhanças com o actual contexto político, em especial pós-Fernando Lima, é algo que me deixa intrigado quando olho para a data da sua publicação…

A Velha da Cabacinha

Era uma vez uma velhinha que ia à boda da filha. Pelo caminho encontrou dois lobos e um disse-lhe:

Eu vou – te comer.

– Não me comas. Quando vier da boda da minha filha venho mais gordinha.

E assim os lobos deixaram – na passar. Quando chegou à casa da filha, havia muitos doces. Já era de noite e disse a filha:

Mãe tem de se ir embora.

– Ai filha agora estão uns lobos que me querem comer.

Olhe meta- se aqui dentro desta cabacinha.

Assim fez e foi rodando. Quando encontrou os lobos eles disseram:

Então não viu uma velhinha?

-Não vi velha nem velhinha, roda roda cabacinha. Não vi velha nem velhão roda roda cabação.

A cabacinha foi rodando.Chegou mais à frente, bateu numa pedra ,destapou-se e. . . os lobos comeram a velhinha.

SÓNIA CRISTINA 95-1-30

Equações eleitorais do Prof. Doutor

Meia página do Público para nos dizer o que todos já sabemos, basta ler o título. Dá voltas e reviravoltas, faz equações fanadas, parte de falsos pressupostos, tudo para chegar à conclusão que vinda do Prof. doutor só pode ser à que chegou.

Nem sequer se lembrou de colocar em equação o facto de as maiorias absolutas nos terem dado os piores governos, de a situação miserável a que chegou este país ser resultado de uma maioria absoluta do PS, que a negociação parlamentar é a essência da democracia, nada disto importa ao Prof. Doutor, cego por ter que agradecer o lugarzinho em Bruxelas.

Não lhe passa pela cabeça que ter um governo dito de esquerda e que governa à direita, é um embuste do pior e que o PS está há 11 anos a governar, não querem alternativa nem alternância tudo se consubstância em ter o PS no governo mesmo que o país empobreça nas mãos dos socialistas.

O sr. Prof. Doutor tem que melhorar na matemática.

Chantagem Magalhães

Eu já não sei mais o que escrever sobre a Srª Dona Ministra Maria de Lurdes. É inacreditável que a senhora consiga meter água em tudo o que diz… é verdadeiramente espantoso.
Na última semana da sua desastrosa governação, quando alguns já se tinham esquecido dela e o PS, através de Edite Estrela (em Bragança), tentou mostrar que a pior das piores Ministras da Educação tinha sido outra, eis que a senhora vem dizer ” O seu a seu dono”.
Eu sou mesmo a pior.
Desta vez usou o Magalhães como chantagem – não sei se seguiu a doutrina Major(enta) de Gondomar, mas aí está a verdade: vota PS tens Magalhães. Não votas PS, não tens Magalhães!
O que dizer mais?
Tenho pena!

A Causa Animal no programa do Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda é o único Partido com um capítulo próprio do seu programa eleitoral dedicado aos animais e aos seus problemas. Para quem acha que o ser humano não vive sozinho neste planeta e que os animais são mais do que instrumentos ao serviço das necessidades do Homem, é capaz de ser boa ideia votar no Bloco.
Vem isto a propósito de um mail que recebi, assinado por Pedro Sales, «blogger» do Arrastão e membro do gabinete de imprensa do Bloco de Esquerda.
Pela minha parte, confirmo que Francisco Louçã foi desde sempre o único líder partidário a preocupar-se com os animais. Do tempo em que era mais activo na causa animal, recordo uma manifestação contra as touradas em frente à Assembleia da República. Pois bem, o líder do Bloco de Esquerda foi o único que saiu do Parlamento e veio à escadaria trocar umas palavras com os manifestantes. Mais recentemente, o Partido bateu-se contra o fim das touradas de morte e votou contra a reintrodução da sorte de varas nos Açores.
Regressando à actualidade, o programa eleitoral do Bloco de Esquerda dedica o capítulo 14, «Promoção do respeito pelos animais». Sobre o consumo de carne e as ajudas dadas pela União Europeia aos criadores, o parágrafo que se segue é esclarecedor: «A exploração pecuária mostra uma outra face da realidade do modelo capitalista. Na União Europeia, cada cabeça de gado é subsidiada em mais de 2 euros por dia. Este valor excede o rendimento diário de dois terços da população mundial. Nada justifica tal custo: o consumo de carne em Portugal é excessivo, a produção de gado é a principal causa da desertificação e da poluição dos rios e contribui mais para as alterações climáticas que o sector dos transportes. Se a roda dos alimentos aconselha a que 5% das
calorias que se ingerem venham da carne, peixe e ovos e se em Portugal a dieta real atinge os 15% nesta categoria, não há razão para atribuir 40% dos subsídios a este sector.»
No caso dos animais domésticos, cães e gatos, o Bloco apresenta aquela que é a única solução para resolver o verdadeiro flagelo, mesmo a nível de saúde pública, que é o dos cães e gatos vadios e ou abandonados que pejam as nossas ruas. Se pensarmos que um casal de gatos pode dar origem a 8 mihões de gatos em 10 anos, percebemos a verdadeira dimensão do problema. Claro que há uma solução mais barata e mais prática, que é o extermínio puro e simples, através dos canis, de todos esses animais – que é mais ou menos o que se faz actualmente, sobretudo em alguns municípios. Pois bem, o Bloco de Esquerda defende a única solução aceitável: a esterilização de todos esses animais, nos canis e gatis ou através de protocolos com clínicas veterinárias próximas.
Em relação aos animais no entretenimento, o Bloco defende o fim da utilização dos animais no circo e a aposta no Novo Circo (sem animais), na linha de companhias como o «Cirque du Soleil». Defende ainda a reconversão das praças de touros abandonadas, o fim das touradas de morte e o fim dos rodeos. No caso das touradas de morte, não posso concordar, porque é uma hipocrisia total. Fica bem dizer que se é contra as touradas de morte e nada dizer relativamente às touradas normais. Como Daniel Oliveira dizia em Junho de 2007 no «Arrastão», e com toda a razão, «o touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena».
Em termos de experimentação animal, o Partido defende outras alternativas científicas, que de resto já abordei noutro «post». No que respeita à alimentação, pretende-se acabar com a produção de ovos por galinhas de bateria (criação intensiva) e promover a
transição para a produção de ovos “free-range” (criação extensiva); e subsidiar alimentos que promovam a saúde e as necessidades da população portuguesa e não os interesses dos produtores. A propósito, em Portugal já existem mais de 30 mil vegetarianos.
Por fim, o Bloco pretende criar um santuário selvagem, destinado a acolher todos aqueles animais que foram maltratados pelos donos (um velho sonho também da ANIMAL), incluir as associações de animais na Lei do Mecenato e proibir a criação de chinchilas, coelhos, raposas ou martas para pêlo.
A concretizarem-se, seriam excelentes notícias para os animais. Se Francisco Louçã não quer discutir pastas na noite eleitoral de 27, ao menos que aceite a pasta do Ambiente. Pelos animais!

POEMAS DO SER E NÃO SER

 

As palavras estão gastas

estão gastas as palavras.

Mesmo gastas

as palavras são olhos de distância e água

as palavras são sopros de horizonte

as palavras são bonitas

são bonitas as palavras ditas e não ditas.

São boas as palavras por dentro e por fora

mesmo as palavras más.

São precisas as palavras

para falar com a paisagem

se não somos capazes da poesia de Grieg

numa Canção de Solveig

ou da melodia de Smetana

nas ondulações do Moldava.

Mesmo gastas

as palavras gastas ainda têm dedos

olhos e lábios.

Eu ainda acredito nas palavras gastas

puídas

sem cor.

São elas que dão a tangência da música

e acendem as noites com olhos de fora.

Não matem as palavras gastas e velhas

assim sem mais nem menos

não deitem fora as palavras velhas e gastas

até que me ofereçam

no dia em que ficar mudo

uma caixa de palavras novas.

 

                       adão cruz)

adão cruz)