Rir ou punir, eis a questão!

erdogan

É sabido que os ditadores ou candidatos a tal têm pouco sentido de humor e adoram triturar quem arranja maneira de fazer humor sobre a sua falta de humor. Estamos a assistir a um caso apimentado que se enquadra nessa problemática humorística e tem honras de destaque nos média alemães de hoje. Um humorista alemão apresentou, num programa satírico, um poema com uma forte sátira ao presidente turco Erdogan. Segundo consta, chamou-lhe de tudo (não pude ver o vídeo porque já foi retirado da net; existe um outro vídeo, de outro programa de sátira política alemão, com legendas em inglês, que (ainda) não foi retirado). [Read more…]

Praguejar não chega:

Petição pública para extinguir paraísos fiscais está online! 

Levem a garotada ao teatro!

cinderela

Olhos de pequeninos a brilhar de atenção alegre tão forte quanto o coração lhes está a pulsar é do mais lindo que se pode observar, não é verdade? Pois foi esse encanto que mais uma vez esteve estampado nas caritas expectantes de uma centena de crianças, de bibe laranja aos quadradinhos e sentadinhas com as pernitas a abanar nas cadeiras do Teatro Armando Cortez. No palco, foi aquela magia sempre renovada, produzida desde há 40 anos com um profissionalismo admirável pelo TIL, Teatro Infantil de Lisboa. Desta feita, a peça é a Cinderela, uma Cinderela alegre e com referências à actualidade, como aquela da lista dos convidados ao baile no ipad. [Read more…]

Entrecampos a feia e desorganizada

entecampos placa

Paralelamente aos múltiplos encantos com que se deleita o visitante em Portugal, ele não deixará, também, de constatar certas especificidades que dificultam a vida, acima de tudo a dos habitantes locais, sem que isso a estes provoque a menor agitação. Será por indiferença? Resignação estoica? Propensão natural?

Uma dessas especificidades é a falta de capacidade de organização portuguesa; eu chamar-lhe-ia uma incapacidade endémica e iria até mais longe, aventando que poderá tratar-se de uma rejeição alérgica da população portuguesa à organização.

É ela visível por todo lado, mas há alturas em que uma pessoa colide em força, como é o caso daquela abominável estação de Entrecampos. Primeiro, temos o abalo provocado pela perversidade da construção, cujo arquitecto deveria ser forçado a utilizar todos os dias, inclusive fins de semana, para se poder aperceber em toda a extensão da monstruosidade que projectou. Porque aquilo é um bofetão em forma de feiúra. [Read more…]

Passagem por Peniche

banca peniche

É a história banal de uma cidade enormemente degradada por há muito ter entrado em declínio a sua principal actividade económica – a pesca – e não haver (ainda) alternativas que possibilitem uma recuperação. Apesar de ser até hoje um dos principais portos de pesca portugueses, a actividade no porto de Peniche foi drasticamente reduzida: dos 80 barcos de pesca da sardinha que existiam há 40 anos, restam hoje 8, segundo nos diz um velhote no jardim. Quanto à indústria conserveira, que chegou a ter perto de uma vintena de fábricas de transformação e conservação de sardinha, restam hoje duas ou três. A maior delas, a ESIP, é detida por capitais tailandeses do maior grupo mundial  de conservas. “A sardinha vem de Marrocos já preparada e prontinha para ser enlatada em Peniche”, acrescenta o velhote. A queda dos stocks de sardinha desde 2006, que atingiu agora mínimos históricos, levou nos últimos anos à imposição de quotas para a pesca deste produto. [Read more…]

Só mesmo a propósito da calçada

calcadaA calçada à portuguesa, tal como o nome indica, é originária de Portugal, tendo surgido tal como a conhecemos em meados do século XIX. Apesar de os pavimentos calcetados terem surgido no reino por volta de 1500, a calçada à portuguesa, tal como a entendemos hoje, foi iniciada em meados do séc. XIX. A chamada “calçada à portuguesa”, em calcário branco e negro, caracteriza-se pela forma irregular de aplicação das pedras. Todavia, o tipo de aplicação mais utilizado hoje, desde meados do séc. XX, designado por “calçada portuguesa”, é aplicado com cubos, e tem um enquadramento diagonal.”

Para além de ser um pavimento, a calçada tem um valor cultural e simbólico profundo. E não é preciso dizer isto aos lisboetas, porque é um sentimento, e não admira que as reacções ao seu retiro sejam emocionais. Mas, depois, é como se a catarse da indignação fosse suficiente, pronto, como já disse que sou contra, já fiz o que estava ao meu alcance. Ora como isso nada adianta, é bom saber o que o Plano de Acessibilidade Pedonal da Câmara Municipal de Lisboa (CML) entende por “orientar o uso da calçada portuguesa na cidade nos próximos anos e não removê-la”. [Read more…]

Facada

lula

A corrupção surge em todo o lado. Porém, há sistemas que lhe são mais favoráveis e outros que o são menos, há sociedades em que é mais tolerada e outras em que o é menos. Acredito que a única possibilidade de lidar com esse bicho virulento é controle, controle, controle, transparência, transparência, transparência. A corrupção por parte de políticos a quem demos o nosso voto de confiança é sempre uma agressão contra a sociedade e põe em causa os pilares do sistema em que (julgamos) viver. Quando, além de serem políticos em quem confiámos, são políticos que hastearam a bandeira da justiça social e mobilizaram a esperança popular para se içarem ao poder, a agressão é dupla, porque é uma facada na frágil esperança de um mundo melhor; é a indiscutível redução ao não vale a pena, ao vai dar tudo ao mesmo. Vem isto a propósito do caso Lula, sobre o qual, por agora, deve manter-se o pressuposto da inocência, já que não foi condenado e afirma estar inocente. Mas não deixa de ser doloroso que um presidente que indubitavelmente trouxe benefícios às camadas mais pobres possa estar a ser ligado a estas acusações de benefícios ilegais e, mais ainda, de ter propiciado a disseminação da corrupção no sistema.

Às vezes, parece que a humanidade não tem, nem nunca poderá ter pernas para andar para a frente. E no entanto, se acreditarmos e “lutarmos, podemos perder. Se não o fizermos, já perdemos” (Brecht?).

Respirar fundo… por um momento

 

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Comissão Europeia adiou a decisão sobre autorização do uso do glifosato

Era de temer o pior, com a Comissão Europeia a querer à viva força fazer aprovar por mais 15 (!) anos o uso do glifosato, essa controversa substância que a Monsanto, entre outras, utilizam nos seus herbicidas e que a Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC) da OMS classificou como substância “possível ou provavelmente” cancerígena. A votação estava prevista para ontem, num comité de peritos representantes dos 28 Estados membros da União Europeia, mas acabou por ser adiada porque a maioria qualificada (55% dos Estados membros representando 65% da população da UE) necessária à sua aprovação, não pôde ser atingida.

No entanto, trata-se apenas de um intervalinho, em que os movimentos europeus de protesto, que recolheram mais de um milhão e meio de assinaturas pela proibição, podem ganhar fôlego e continuar a pressionar. Acontece que a Comissão está decidida a defender os interesses da gigante americana, baseando-se num resultado favorável da EFSA, a agência da UE para a segurança alimentar, segundo uma avaliação do Instituto Federal Alemão de Avaliação dos Riscos, saído em Novembro passado. Para a Monsanto estão em jogo milhares de milhões de dólares, pelo que é (quase) de prever, o que vai acontecer na próxima reunião do comité de peritos, a 18 e 19 de Maio, se não for antes. E a pressa é muita, já que a actual autorização na UE terminará no final de Junho deste ano.

Embora seja importante, não é só o glifosato que está em causa – é o próprio modelo de agricultura convencional que se revela um beco sem saída.

 

É melhor ser presidenta do que princesa

mariana e catarina

Quando, no ano passado, Ada Colau e Manuela Carmena assumiram, respectivamente, a presidência das câmaras de Barcelona e Madrid, corria a piada

– Sabes que as meninas agora já não querem ser princesas.

– Ai não?

– Não, querem ser presidentas da Câmara.

Similar é o caso de Mariana Mortágua e Catarina Martins, verdadeiros role models eficazes e certeiros. A esse respeito, as perspectivas da próxima geração são mais risonhas.

A propósito da data

De uma conhecida recebi hoje isto, por ocasião do dia da mulher:

mulher

É bonito. Mas no momento seguinte faz lembrar a verdadeira selvajaria, a bruta.

No contexto da violência doméstica, de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2015, registaram-se 29 homicídios de mulheres. E nos últimos 12 anos houve uma média anual de 36 mulheres mortas, recordou a procuradora-geral distrital do Porto, Raquel Desterro.

E:   Em Portugal, 24% das mulheres já sofreram de violência física ou sexual por um parceiro ou não parceiro.

É preciso mais do que resistir mantendo a ternura, é preciso reagir. Abdicando, se necessário, de ser flor.

A 12a

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A décima segunda ronda das negociações secretas do TTIP, que ontem terminou em Bruxelas, teve dois animados pontos altos: No início do encontro, trinta activistas do Greenpeace acorrentaram-se à porta do centro de conferências onde o encontro se realizou, bloqueando a entrada e obrigando uma parte dos negociadores a entrar pela porta das traseiras…

E na quinta-feira registou-se um momento de verdadeira emoção quando, perante a estupefacção dos lobbyistas e participantes presentes, o discurso de Dan Mullaney – chefe das negociações pelo lado norte-americano – foi repentinamente interrompido por um grupo do público que começou a cantar “The Song of Angry Men”, erguendo panfletos contra o TTIP e CETA e acabando por invadir o palco. Gloriosa consternação em volta.

Quanto aos resultados…. bom, tanto quanto se sabe (é tudo secreto, não é verdade?), falou-se, entre outros temas, sobre a cooperação regulatória (yes, a UE quer comprometer-se a, de futuro, informar previamente os EUA, quando estiver a planear nova legislação, para poder ter em conta as propostas de “melhoria” do outro lado do oceano); sobre a protecção aos investimentos (com a supersónica versão maquilhada do ISDS proposta pela UE); e sobre a abertura dos mercados de concursos públicos.

Na conferência de imprensa no final da semana de negociação, os negociadores-chefes, Dan Mullaney pelos Estados Unidos e Ignacio Garcia Bercero pela UE, anunciaram que foram alcançados progressos nas equipes de negociação, entre outras, na questão da cooperação regulamentar. E com a maior das ênfases foi anunciado que há muita, mas mesmo muita, muita pressa de ambas as partes, em terminar o conteúdo substancial do primeiro esboço até o final de 2016 – antes de Barack Obama terminar o seu mandato como presidente dos EUA e o próximo presidente assumir o cargo.

Democracia para quê? São burocratas europeus e estão obstinados em servir o “big business”!

ÀS ARMAS!

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A Ásia e o Médio Oriente lideram o crescimento das importações de armas, enquanto os Estados Unidos e a Rússia se mantêm como os maiores exportadores – revela o Relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI).

Se usarmos o aumento das exportações de armamento como indicador, o mundo está a tornar-se um lugar cada vez mais perigoso. Nos últimos 4 anos, o volume global de exportação de armas aumentou em 14%, por comparação com o correspondente período anterior. Com 33%, os EUA continuam a ser os campeões das exportações de armamento – tendo vendido ou distribuído (!) armas a 96 países -, seguidos da Rússia com 25%; ou seja, estes dois países são responsáveis por mais de metade das exportações mundiais de armamento. A China com 5,9%, a França e a Alemanha ocupam os lugares seguintes.

Já no lado da importação, os campeões mundiais são a Índia e a Arábia Saudita.

Face a esta evolução, diria que é necessária uma grande capacidade de abstracção, para colocarmos crianças no mundo….

Espias tu ou espio eu?

Apple

É, no mínimo, interessante, vir a saber em que é que isto vai dar. Para variar, desta vez não é uma multi a processar um Estado, mas foi o Departamento de Justiça dos EU que apresentou, na sexta-feira passada, uma moção que pretende obrigar a Apple a colaborar no desbloqueamento da funcionalidade do iPhone que provoca a extinção de todos os dados do mesmo, ao fim de 10 tentativas incorrectas de inserção do código de desbloqueio do ecrã.O FBI pretende assim aceder aos dados do iPhone de Syed Rizwan Farook, que, juntamente com a mulher, provocou a 2 de Dezembro passado a morte de 14 pessoas em San Bernardino, Califórnia. O Governo primeiro pediu, mas a Apple recusou. Agora é uma ordem. A Apple argumenta que isso iria pôr em risco a segurança dos seus clientes; Tim Cook, chefe da Apple, afirmou numa carta aberta: “O Governo requer à Apple que „hackeie“ os seus próprios clientes” e argumenta que essas possibilidades poderiam depois ser aproveitadas não só pelo governo, mas também por criminosos. Com certeza que a Apple receia, sobretudo, uma perda de competitividade se ceder a esta pressão. Tal como a Google, a Apple introduziu, em fins de 2014, sistemas de encriptação mais sofisticados, como reacção à denuncia de Edward Snowden sobre os programas de vigilância e espionagem utilizados pela NSA (Agência de Segurança Nacional).

Humor britânico: Brexit, quem ri melhor?

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«Não vamos participar no vosso clube, mas queremos estabelecer as regras». Provavelmente é preciso ser-se britânico para compreender esta atitude.

Eldorado

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Foto:theguardian.com

Se subitamente, por mero acaso, começarem a ouvir falar por aí, a torto e a direito ou então subtilmente entremeado, num Eldorado que não requer descoberta nem conquista porque virá ele radioso e por seu próprio pé, após secretíssima congeminação e por via de instâncias todo-poderosas, ao nosso encontro, aqui na velha Europa, para trazer bem-estar e ocupação a toda a gente, não se surpreendam, é que:

Perante a persistência dos protestos contra o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP), a Comissão Europeia apelou aos estados membros através dos representantes dos governo nacionais no Conselho, que elaborassem uma estratégia concertada para promover o TTIP junto da opinião pública (e adivinhem às expensas de quem). Aos estados membros foi pois solicitada a elaboração de campanhas de relações públicas à medida das necessidades do seu país e que se ajustem à estratégia de comunicação da Comissão. A Comissão está convicta de que não conseguirá, sozinha, vencer esta batalha e considera especialmente importante a acção de especialistas de relações públicas e spin doctors nos média.

Quem diria que a ânsia de exploração hegemónica iria ricochetear (o chatear dos ricos), à lonjura de mais de cinco séculos!

TTIP: a partir de 1 de Fevereiro os deputados vão, pelo menos, poder saber o conteúdo daquilo que irão votar – porém, atenção: a licença só se mantém se todos se portarem direitinho!

cest la mort

Após anos de pressão sobre os EUA e como consequência dos protestos massivos dos cidadãos europeus contra o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP), o governo dos EUA acabou por, num gesto magnânimo, dar autorização a que os deputados dos parlamentos nacionais dêem uma olhadela nos textos consolidados do TTIP.

Sigmar Gabriel, ministro alemão da Economia, comunicou agora que, a partir da próxima segunda-feira, existirá no seu Ministério uma sala de leitura na qual os deputados do Bundestag e Bundesrat vão poder ler os textos que, desta vez – ao contrário das supostas iniciativas de transparência da UE, que apenas apresentava os textos das suas próprias posições – serão mesmo os consolidados, permitindo-lhes ficar a saber os detalhes do que está a ser pomo de discórdia entre as duas partes.

Na crítica ao secretismo, parece assim ter sido dado um passinho em frente; para isso, foram precisos, entre outros, protestos de rua, mais de três milhões de assinaturas e a inusitada deslocação do presidente do parlamento alemão a Bruxelas para reclamar contra a situação: não só apenas um círculo restritíssimo, ao nível dos governos, podia espreitar o texto, mas esses eleitos tinham ainda de se deslocar a uma embaixada americana e ser submetidos a procedimentos dignos de uma ala de alta segurança. Não admira que, quando questionado pelo parlamento, as respostas dadas pelo próprio governo fossem vagas e confinadas a quatro dos treze dossiers. [Read more…]

DESIGUALDADE AO MÁXIMO

davosFoto: AFP

A partir de hoje e nos próximos dois dias há 6.000 polícias e soldados posicionados para proteger as cerca de 3.000 eminências da esfera da economia, política e ciências que participam no Fórum Económico Mundial em Davos, com o fim de discutirem e supostamente encontrarem respostas para as grandes questões da actualidade mundial. Na verdade, as respostas que às eminências interessa encontrar é como produzirem melhor mais capital para os membros do clube dos ricos. Se assim não fosse, debruçar-se-iam sobre o resultado do estudo que a ONG britânica Oxfam divulgou há dois dias: 1% da população mundial possui mais do que os restantes 99% e apenas 62 pessoas possuem tanto capital quanto a metade mais pobre da população mundial. O estudo visa alertar os participantes do FEM para a necessidade de pôr fim “à era dos paraísos fiscais que alimentam as desigualdades mundiais e impedem centenas de milhões de pessoas de sair da pobreza”. [Read more…]

Carro-chefe à deriva

merkelFoi consensual que, no período em que a crise das dívidas soberanas estava no centro das atenções da UE e do público, foi Merkel, através do seu Ministro das Finanças, Schäuble, quem impôs o rumo da austeridade; a Alemanha, com a força do seu peso económico, obrigou os países cuja dívida era insustentável às eufemísticas “reformas” – algumas até necessárias (p. ex. medidas contra a fuga ao fisco), mas outras absolutamente inaceitáveis (p. ex. privatizações, cortes na saúde pública, etc.). Bem clara foi a tomada de partido em favor do capital e contra os cidadãos, aquando dos resgates bancários. O que se mostra agora também claramente, é que a posição da Alemanha só prevaleceu porque era isso mesmo que os outros membros do clube queriam, os governos europeus de maioria conservadora, que mais não fizeram do que aproveitar para se encarrilarem atrás da locomotiva que não temia assumir o papel de mazona. A Grécia, que ousou entrar no ringue para mudar esse estado de coisas, viu-se pura e simplesmente isolada e foi reduzida à sua insignificância. [Read more…]

Concessões obscuras para esburacar e contaminar o Algarve

algarve petróleoAs negociatas para maximizar a entrada de receitas resultantes da venda de bens públicos nos cofres não se têm detido, já há vários anos, em detalhes como a transparência perante cidadãos e até mesmo perante autarcas municipais. Foi isso o que aconteceu no caso das concessões para prospecção de petróleo e gás natural. Segundo Elvira Martins do movimento Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) “estão assinados quinze contratos em todo o país e as áreas que estão ainda para concessionar são enormes, quatro ou cinco vezes a área de Portugal Continental“. [Read more…]

Cosmética bruxuleante ao serviço das multinacionais

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O facto de o mecanismo de Resolução de Litígios entre Investidor e Estado (ISDS) outorgar às multinacionais direitos superiores aos dos Estados e dos cidadãos é de tal modo estridente que levou à articulação de fortes protestos por parte de uma larguíssima franja da sociedade civil europeia, acabando por obrigar Bruxelas a rever a sua proposta a esse respeito no texto do Acordo Transatlântico sobre  Comércio e Investimento (TTIP). [Read more…]

Ao menos saber o que está na conta a pagar!

Horta Osório Banif

António Horta Osório, presidente do gigante britânico Lloyds Banking Group, sobre o Banif (22.12.2015):

“Acho que é um assunto chocante e que tem que ser devidamente explicado (…). Eu acho que tendo o Banco recorrido a cerca de (…) menos de mil milhões de euros há dois anos atrás e agora ser injectado mais do dobro do valor, este valor é demasiado grande para não ter um apuramento (…) claríssimo das responsabilidades. E das duas uma, ou o valor que foi injectado há dois anos era um valor que não estava correcto – e não há nenhuma razão para pressupor que não estava –, ou então tem que se perceber o que é que nestes poucos anos aconteceu e eu acho que deve ser feita uma auditoria independente que mostre aos contribuintes portugueses exactamente que negócios é que foram feitos que originaram esta injecção de capital no Banco, que créditos é que foram concedidos que não foram pagos, porque dado que o mal está feito, acho que os contribuintes portugueses pelo menos merecem saber com transparência e com rectidão exactamente o que é que aconteceu, que dinheiro é que foi utilizado e acho que isso deve ser feito o mais rapidamente possível.”

Tout court: Auditoria independente vai para a frente!!!

Será necessária uma petição??

Justiça à medida: o mecanismo de Resolução de Litígios entre Investidor e Estado (ISDS)

ISDS

O mecanismo ISDS é um dos elementos mais controversos do previsto Acordo Transatlântico sobre  Comércio e Investimento (TTIP) e está incluído no texto já finalizado – mas ainda não ratificado – do Tratado de Livre Comércio e Investimento entre a UE e o Canadá (CETA). Mas afinal, porque tem sido este um dos cavalos de batalha dos veementes e abrangentes protestos europeus contra o TTIP?

O Investor-State Dispute Settlement (ISDS) foi incluído pela primeira vez no acordo assinado entre a Indonésia e a Holanda, em 1968; trata-se de um instrumento de direito internacional privado, inicialmente criado para proteger investidores, em países politicamente instáveis e corruptos, de imposições aleatórias desses governos aos investidores, nomeadamente de expropriação. Para tal, o ISDS outorga a investidores estrangeiros, sediados num estado aderente ao acordo, a possibilidade de recurso privilegiado a um tribunal de arbitragem privado. [Read more…]

Ilhas do Futuro: Madeira

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imagem: Arte

Devo penitenciar-me pela minha ignorância quanto à Ilha da Madeira, à qual pouco mais associo do que o patusco Alberto João Jardim, o bailinho, o vinho e o sotaque peculiar da sua gente. Qual não foi o meu espanto ao ver, enquadrado na série documental “Ilhas do Futuro” do programa franco-alemão Arte, o documentário “Madeira – A luta pela água e pela electricidade”, que apresenta a ilha como pioneira em matéria de energia renovável.
Segundo diz, aquilo com que sonham gestores de energia do mundo inteiro tornou-se realidade na ilha da Madeira: foi construído “um enorme reservatório para armazenar energia eólica, possibilitando assim a produção de energia eléctrica de origem renovável, mesmo quando não há vento. Nos próximos anos, a ilha pretende aumentar a produção de energia hídrica, eólica e solar para, já em 2020, cobrir metade do seu consumo de electricidade através de fontes de energia renováveis. Em comparação, a UE planeia, até a 2030, um aumento da produção de energia eléctrica renovável de apenas 27%.” [Read more…]

Valores mais altos, ou no dia de São Nunca à tarde

imposto contra a pobrezaimagem: oxfam

Não é preciso ser-se nenhum Robin dos Bosques para se considerar que é da mais elementar justiça que, se os cidadãos – por mais desabonados que sejam – pagam um imposto de “valor acrescentado” em qualquer comprazinha que façam, por maioria de razões deveriam as transacções financeiras nas bolsas de valores estar sujeitas a uma tributação. O benefício da criação de um imposto sobre transacções financeiras seria bombasticamente salutar para o bem comum: enquanto as transacções normais seriam pouco afectadas, os negócios de alta rotatividade deixariam de ser (tão) proveitosos, travando assim a especulação. As receitas permitiriam ajudar a equilibrar os orçamentos, reduzindo os défices públicos. O ITF seria ainda uma compensação pelos milhares de milhões que os estados – os contribuintes – injectaram durante a crise financeira nos resgates bancários e contribuiria para a regulação do sector. [Read more…]

Lições de História

Não há dúvida que as lições de História são extremamente elucidativas. Estando eu a ajudar a minha filha a estudar para o ponto de História, que inclui o tema “colonialismo e imperialismo”, deparo-me com a seguinte citação proveniente do discurso do senador norte-americano Albert Beveridge, pronunciado em Boston, em Abril de 1898:

“As fábricas norte-americanas produzem mais do que o povo americano pode utilizar; o solo norte-americano produz mais do que podemos consumir. O destino traçou a nossa política: o comércio mundial deve ser e será nosso. E nós vamos consegui-lo, como a nossa mãe (Inglaterra) nos ensinou. Em todo o mundo, estabeleceremos sucursais comerciais como centros de distribuição dos produtos americanos. A nossa frota comercial cruzará todos os oceanos. Edificaremos uma marinha à medida da nossa grandeza. As nossas sucursais comerciais tornar-se-ão colónias, que se governarão a si próprias, içarão a nossa bandeira e farão comércio connosco. Pela via do comércio, as nossas instituições seguir-se-ão à nossa bandeira. E a lei americana, a ordem americana, a civilização americana e a bandeira americana serão içadas em territórios até então sangrentos e selvagens que, através destes instrumentos de Deus se tornarão belos e civilizados.”

Neste sentido, saudações da Monsanto!
O que no fim do século passado podia ser dito às abertas é agora enroladinho por exemplo num Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento… Vá-se lá perceber porque é que os governos europeus estão tão entusiasmados com a ideia…
TTIP- assinaturas

Lógica secreta?

operação marquês RTP1

Pelos vistos, o telejornal faz tanta questão de se pôr a milhas dos que eventualmente não guardam o segredo de justiça, que até utiliza uma lógica secreta na visualização da notícia… Ou este diagrama – talvez até com uma mensagem subliminar de organograma – faz algum sentido???

Uma vitória da sensatez: o NÃO à candidatura para acolher os Jogos Olímpicos

ARCHIV - HANDOUT - Die undatierte Visualisierung zeigt das geplante Olympiastadion auf dem Kleinen Grasbrook für die Olympischen Spiele 2024 in Hamburg. Am 29.11.2015 entscheiden die Bürger in Hamburg und Kiel in einem Referendum, ob sich die Hansestadt Hamburg um Olympische Spiele 2024 bewerben soll. Visualisierung: KCAP | Arup | Vogt | Kunst+Herbert | gmp | Drees&Sommer | WES | ARGUS | bloomimages | on3studio | Luftbilder Matthias Friedel/dpa (ACHTUNG: Nur zur redaktionellen Verwendung im Zusammenhang mit der aktuellen Berichterstattung und nur mit Nennung "Visualisierung: KCAP | Arup | Vogt | Kunst+Herbert | gmp | Drees&Sommer | WES | ARGUS | bloomimages | on3studio | Luftbilder Matthias Friedel/dpa) +++(c) dpa - Bildfunk+++

O imaginado Parque olímpico de Hamburgo   Foto: DPA

Juntamente com Budapeste, Los Angeles, Paris e Roma, Hamburgo candidatou-se à organização dos Jogos Olímpicos de 2024, conforme anunciado pelo Comité Olímpico Internacional (COI), que irá eleger o anfitrião em Setembro de 2017, em Lima.

Curiosamente, o dossier de candidatura de Hamburgo foi, porém, condicionado a um referendo popular, agendado para 29 de Novembro, cabendo assim aos habitantes da Cidade Livre e Hanseática de Hamburgo a decisão definitiva sobre a candidatura – ou não – aos Jogos de 2024. As sondagens apontavam para “uma vitória clara do sim”.

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Arrebentamento

anamundo21novo

“Quem acredita num crescimento infinito num planeta fisicamente finito, ou é louco, ou economista” – David Attenborough

Marcha Mundial do Clima em Lisboa, 29.11.2015, 15 horas, Martim Moniz

Sobre a Desigualdade num Mundo Globalizado

Stiglitz foto

Foto: Jen Osborne

Joseph E. Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001 e ex- economista-chefe do Banco Mundial é um dos mais reconhecidos autores em matéria de desigualdade e uma das vozes mais críticas em relação à globalização comercial e financeira.
Excerto de uma entrevista a Joseph E. Stiglitz publicada na edição de 22.09.15 no jornal alemão der Freitag:
(…)
Stiglitz: Em todo o caso, é mais do que claro que o programa de reformas acordado com a Troika vai agudizar ainda mais a recessão no país (Grécia).
Jornalista: O ministro das Finanças Wolfgang Schäuble responder-lhe-ia: Veja a Espanha, Portugal ou a Irlanda: nestes países voltou a haver crescimento e o mercado de trabalho está a recuperar.

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Inspiração

“Desenganem-se também os que pensam que a democracia se pode suspender em nome dos humores dos mercados ou da estabilidade entendida como negação de alternativas.”

Bom, pelo menos continuemos a bradar que assim seja, pode ser que nos ouçam, especialmente aquele senhor que anda em busca de inspiração…

Expresso