Efectivamente. Como Portugal mantém uma política de língua para inglês ver, o ‘José’ continuará a ser internacionalmente pronunciado à castelhana.
Sean Penn Blues
Dantzig ≠ Danzig
Tal como selecção ≠ seleção. Danzig é Gdansk em alemão e Dantzig era o matemático. A propósito deste artigo de Severiano Teixeira.
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Agora, vou ver o Benfica-Ajax.
A língua portuguesa e a coboiada
O Diário da República e o infinitivo pessoal
Podem sêrem… não é linguagem de cá.
— Cândido de Figueiredo
***
O infinitivo pessoal é um tema fascinante. Distingue-se do infinitivo impessoal por ser flexionado — chamar-lhe flexionável pareceria, à primeira vista, uma denominação mais correcta, mas levar-nos-ia por caminhos tortuosos. A denominação infinitivo flexionado vinga em palcos que me agradam particularmente e há excelentes artigos que se debruçam sobre o assunto (e.g., Madeira et al., 2010; Fiéis & Madeira, 2014).
Gosto imenso do infinitivo pessoal e daquela tão desconhecida regra que determina a incorrecção do recurso à contracção de preposição com artigo ou pronome, quando estes iniciam uma oração infinitiva.
Lembrei-me disto, ao ler hoje o Diário da República, mais concretamente, quando me estatelei naqueles da e do (contracções de de + a e de + o) em vez de me deleitar com uns de a e de o (formas “descontraídas”):

Ninguém reparou no fato?

Ah!
Já agora, venha o resto. [Read more…]
O grande vencedor deste fim-de-semana
Com algumas espinhas, mas sem qualquer escandaleira.

Fotografia: AFP
«Infanta Cristina e Iñaki Urdangarin vão divorciar-se»
Legislativas 2022 e Acordo Ortográfico de 1990: as respostas dos partidos com assento parlamentar
Alertado pelo João Maio, acabo de saber que a Antena 1, a TSF e a Renascença conduziram o último debate das Legislativas 2022 entre representantes dos partidos com assento parlamentar. Chega e PSD não se fizeram representar, mas há uma nótula no final deste pequeno texto.
No fim do debate, a pergunta:
Revisão do acordo ortográfico: sim ou não?
Convido os leitores do Aventar a ouvir as respostas de PAN (Inês Sousa Real), CDS (Francisco Rodrigues dos Santos), IL (João Cotrim de Figueiredo), Livre (Rui Tavares), CDU (João Oliveira), BE (Catarina Martins) e PS (António Costa).a partir de 02:01:18.
Não ouso escrever aqui o que os candidatos disseram, uma vez que alguns deles preferiram embrulhar a resposta com paleio, em vez de pura e simplemente responderem SIM ou NÃO. No entanto, há quem tenha sido claríssimo como água.
Nótula: O PSD e o Chega não se fizeram representar no debate. Todavia, graças aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, sabemos qual a posição do PSD e, graças ao Público, sabemos qual a posição do Chega.
A sexão, a secção, a seção e a sessão
Columbo. I’m trying to reconstruct that note.
Galesko. You need any help with your spelling, lieutenant?
— Columbo: Negative Reaction
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É sabido que é curta a distância entre a *seção e a *interseção e, mais lá para a frente, entre a *interseção e a *intercessão. Sabe-se igualmente, como já nos lembrou Nabais, que a sessão é contínua. Em tempo de eleições (e eis uma bela imagem enviada pelo excelente leitor do costume),

também temos *sessões em vez de *seções, por haver *seções em vez de secções. Como já escrevi, mal por mal, prefira-se sexões, devido à vantagem do elemento [k]. Enfim. Continuação de uma óptima semana.
***
Mais um episódio da saga Não há tradução para português e não se fala mais nisso
Já Pulido Valente e Esteves Cardoso tentaram. Mais recentemente (há dois anos, mas só agora dei por ela), Feijó Delgado repetiu a tentativa, com um nada recomendável ‘certamente’. Tentam, tentam, mas não conseguem.
Na quarta-feira, saberemos como ficou Manuel Pinho, depois de passado pelo coador
«Medidas de coação conhecidas na quarta-feira». Efectivamente, coação≠coacção. Lembrai-vos da *quação. Já dizia Voltaire, «Ce n’était qu’en Italie qu’on avait élevé des temples dignes de l’antiquité».
O facho e a ortografia
Le processus révolutionnaire commence toujours avec et dans une crise économique. Mais cette crise offrirait deux possibilités. La possibilité dite néo-fasciste, où les masses se tournent vers un régime beaucoup plus autoritaire et répressif. Et la possibilité contraire : que les masses voient l’opportunité de construire une société libre dans laquelle de telles crises seraient évitables. Il y a toujours deux possibilités. On ne peut pas, par crainte de voir la première se réaliser, renoncer à espérer la seconde et à y travailler, par l’éducation de ces masses. Et pas seulement par des paroles : par des actes.
— Herbert Marcuse
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Há dois anos, em entrevista à Visão, Rui Zink falou de um dos seus livros (Manual do Bom Fascista), esclarecendo que
Não gosto muito de explicar os livros, isso faz parte do leitor. Senão, o fascista sou eu.
Efectivamente, sabe-se que, em português europeu actual, ao fascismo não é atribuída apenas a acepção de Payne, ou seja, um tipo de ultranacionalismo, ligado a um mito de renascimento nacional e marcado por elitismo extremo, mobilização das massas, exaltação da hierarquia e da subordinação, opressão das mulheres e uma visão da violência e da guerra como virtudes.
Em português europeu actual, fascismo tem igualmente a acepção de [Read more…]
Durban é uma cidade fulcral para descrever os últimos 126 anos de Portugal
Pessoa, em 1895. Rendeiro, em 2021. Valha-nos a Literatura.
Homofonias
/dɪˈsɛnt/ = ‘descent‘ e ‘dissent‘. Exactamente. Obviamente. Efectivamente (parabéns!).
Lembrei-me do Vanilla Sky e, efectivamente,
o Jason Lee é mesmo o puto do skate do 100% dos Sonic Youth. Exactamente.
Viva o Porto
Ora eu nasci no Porto e criei-me em Gaia.
— Almeida Garrett
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Sou do Porto, adoro o Porto e adoro ser conterrâneo de Garrett. Por adorar o Porto, ando atento a plataformas que divulgam a História do Porto e que me trazem conhecimento e alegria. Todavia, por vezes, lá vem um travo amargo.
Há uns anos, avisei que a eliminação da letra ‘p’ de palavras como excepção levaria a um aumento de ocorrências de *excessão em vez da grafia pretendida pelos autores do AO90 (exceção), com a consequente necessidade de, em publicações portuguesas, se indicar, como já acontecia antes do AO90 em publicações brasileiras, que «’excessão‘ (com dois ss) constitui erro grosseiro» (cf. Manual de Redação [sic] e Estilo do jornal Estado de S. Paulo).
Nessa altura, acrescentei que seria igualmente necessário um aditamento, exclusivo para a norma portuguesa, com a menção da diferença entre concessão e conceção (sem o ‘p’). Exclusivo para a norma portuguesa, efectivamente, pois, em português do Brasil, a concepção mantém-se imaculada.
Noutra altura, com os exemplos recepção, percepção e concepção, expliquei a importância grafémica da letra ‘p’, não só devido à função diacrítica , mas também por causa da correspondência com morfemas presos (“bound morphemes”), neste caso concreto, -ceber e -cepção.
Ora, o mesmo acontece com -ceder e -cessão. A confusão, criada por regras mal concebidas e mal explicadas, leva a que vários escreventes de português europeu grafem seção, em vez de secção.
Eis um exemplo fresquíssimo, no sítio do costume.

Ora, da seção à interseção, [Read more…]
Uma abordagem teórica da resistência, aliada à resiliência
Por Jorge Jesus: «Se [fosse] possível, não tinha folgas, para estar sempre a treinar.». Resistência. Resiliência. Ao cuidado do João Mendes e do João L. Maio.
«Desesperado, ficou de joelhos no relvado»
Efectivamente. De facto. Exactamente. Como diria Guardiola, «son cosas que pasan».

A nota ortográfica
Hugo Stiglitz. Und auf die Entfernung bin ich ein richtiger Fredrick Zoller.
— IBÀ la fin du XVIIIe siècle, la tolérance perd enfin sa signification restrictive et péjorative.
— Denis LacorneBernard Tapie. C’est où la nature?
Michel Polac. En Suisse…
— ONPC
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Hoje, não há *fatos no Diário da República, mas há *contatos. Sim, dois *contato no singular e muito perto um do outro. Tudo como dantes. Nada de novo a assinalar no sítio do costume.

Recentemente, recebi um testemunho, em forma de livro, que me trouxe reminiscências de uma prática há muito em voga entre gente forçada, por isto, por aquilo ou por aqueloutro, a adoptar o AO90. Essa prática (conheço exemplos concretos, mas ficam para próximas oportunidades) consiste em grafar alternativas, para que, de facto, o dito cujo não seja utilizado: por exemplo, metas em vez de *objetivos, excelente em vez de *espetacular, maravilhoso em vez de *ótimo, dar o dito por não dito em vez de *retratar-se, justamente em vez de *exatamente, etc.
Todavia, o exemplo desta “Nota Ortográfica” é diferente e, acrescente-se, interessantíssimo.

Os meus agradecimentos à Professora A.
Desejo-vos um óptimo resto de semana.
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Feels So Good
Chuck Mangione toca Feels So Good, em 2 de Junho de 1978, durante o 271.º episódio do programa The Midnight Special, de Burt Sugarman.
Dedico esta interpretação ao j. manuel cordeiro, o nosso campeão da rubrica Hoje dá na net. Ele sabe porquê.


Foto: 









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