Eu vejo este povo a lutar

Anda tudo tão entretido com o Egipto (não confundir com “Egito” que é nome de pessoa, ainda por cima de poeta) que nem se repara no rei da Jordânia que demitiu o governo (antes que o demitam a ele, 1 de Fevereiro é um bom dia para regicídios) e na Síria que já tem a sua revolução marcada para 6ª feira.

2011 começa com um Janeiro a saber a Abril. Dá-me a nostalgia, privilegiado que fui por ter vivido uma revolução na adolescência,  “eu vi este povo a lutar“, e dão-me em cima com os viciados em pânico do costume: os ocidentalistas.

Os ocidentalistas tremem de medo perante o islamismo (como se as religiões não fossem todas iguais e crentes no mesmo deus), os mercados andam aflitos com o petróleo. Já os vi a arrancar o cabelo porque Portugal podia virar a Cuba da Europa (uma tolice pegada: URSS e EUA tinham o seu tratado de Tordesilhas e as jangadas de pedra são um conceito tecnologicamente muito avançado e por enquanto impraticável). É sempre assim. Eu gosto do povo a lutar.

Uma faísca incendiou a pradaria, como dizia o camarada Mao, o incêndio é muito mais rápido do que foi o último movimento revolucionário comparável, o que culminou no derrube do Muro de Berlim. Dali só podem vir coisas boas, porque o que ali estava tinha que ser derrubado. O mundo está a ficar melhor.

Beliape, um caso de estudo do capitalismo português contemporâneo

Os trabalhadores despedidos e com salários em atraso da Beliape, uma fábrica de frangos em Cucujães, acusam seguranças ao serviço da administração de o terem atacado com petardos. A reportagem no Ionline dá conta do pânico entre os que tentam evitar o habitual roubo da maquinaria depois de encerrada a fábrica. Foram atacados depois desta reportagem da RTP ter sido emitida:

No blogue O Informador, claramente de alguém que trabalhou na empresa, escrevia-se a 1 de Novembro de 2009:

Recentemente a Beliape foi vendida a uma empresa/grupo/entidade ou pessoa… Ninguém sabe e a informação não sei onde se encontra! Pelo menos ninguém se apresenta como “o patrão”, “o gerente” ou “o accionista”.

O mesmo informador publicou um vídeo com estas imagens:

As fotos mostram frangos criados pela empresa que morreram à fome. Milhares de frangos, sem peso ideal para serem vendidos, foram abatidos e mantidos em decomposição por alguns dias nas suas instalações do matadouro. Mais tarde (bem mais tarde – Madrugada) foram encartados em sacos de plástico, colocados num camião não identificado e incinerados no passado fim de semana.

Clique para ver o vídeo, se tiver estômago para isso. [Read more…]

Ensino privado e de como o barato sai caro

O João Miranda veio aqui ler umas coisas (é sempre um prazer receber um liberal nesta casa) e tirou as suas conclusões. Por exemplo a de que o privado é mais barato que o público, constatação acertada tendo em conta os números que aqui publiquei.

É verdade, pelos vistos conseguem ser mais baratos e também, por isso têm lucro. Verdade se diga são números que acima de tudo denunciam como o estado tem sido assaltado através dos contratos de associação e dos favores de algumas direcções regionais, que pagam muito acima do custo do serviço prestado, em concorrência directa com o estado.

Como é possível fazer tão barato? Pagando menos (embora as carreiras docentes sejam vagamente equiparadas, há truques para isso), mas sobretudo fazendo trabalhar mais. Ora se a carga lectiva (não confundir com horário de trabalho) dos professores portugueses em geral já é superior às médias europeias, 27 ou 28 tempos lectivos não abona nada à qualidade de ensino. Como tenho dito não é uma questão de direitos do trabalhador (embora também seja), é um direito dos alunos terem professores com um máximo de 22 horas lectivas por semana. Quem experimentou (já me calharam 25h em tempos muito idos), sabe bem que é humanamente impossível trabalhar com qualidade nessas condições, a que acrescem turmas no limite máximo legal da sua lotação. [Read more…]

Contas do ensino privado

O Paulo Guinote publicou este interessante raciocínio de um seu leitor:

Tenho a minha filha num colégio particular, linha de Sintra, sem contrato de associação.
Pago 240,00 euros por mês, durante 11 meses.
A turma tem 28 alunos, logo……. por mês serão 6.720 euros. Logo por ano, serão… 73.920 euros.
O proprietário tem lucro e paga 14 meses aos funcionários e professores. Todos os anos, no final do ano lectivo ainda dá mais algum…
E estes senhores com contrato de associação dizem que 90.000 euros não dá…

E aqui fica também o preçário” de uma Escola Privada sem contratado de associação, que segundo os rankings se encontra entre as melhores do país, e em que o preço por turma não ultrapassa os 60 mil euros! Garanto-vos também que graças à boa gestão praticada neste estabelecimento de Ensino Particular o que sobra (lucro)  dos 60 mil euros dar para fazer bastante pela instituição!”, como assegura o Nuno Domingues:

preçario

Deolinda que Parva que eu Sou

canto & letra de olinda. Quem disse que já não se faziam hinos?

E finalmente um hino tem a letra no feminino:

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!

[Read more…]

Quando um gráfico vale mais que mil mentiras

Esta malta andava a subir na vida. E fica-me a dúvida: não fosse a crise, e não teria este gráfico seguido o seu percurso natural, aumentando o assalto às finanças públicas e sustentando os empresários chulos do estado?

gráfico via Câmara Corporativa

Actualização – Não quero que falte nada aos meus comentadores:

[Read more…]

Revista de blogues

Da Espanha como exemplo

se é para seguir exemplos, por que carga de água é que não aumentam também o salário mínimo nacional lusitano dos actuais 485 € para os 640 € de Espanha? E, já agora, por que não elevam os salários médios dos trabalhadores portugueses dos actuais 894 € para os 1 538 € da vizinha Espanha ou para as remunerações médias na Europa? E, já agora, porque não harmonizam o IVA, na Espanha de 18% e em Portugal de 23%?

Henrique Sousa – Mais um prego no caixão da redução das relações de trabalho à lei da selva e do Estado Social a um Estado assistencial

Paneleirices

Eu cá não me punha com paneleirices como “renegociar contratos de associação”; eu, pura e simplesmente, eliminava-os até ao último cêntimo (ai a “escola é longe”? fique com a tia, como o meu pai ficou, filhos da puta); e depois rezava a cada uma das santas padroeiras destes colégios todos orgulhosos da sua moral cristã que me fizessem uma manifestação com caixões ainda mais grossos que desta última vez, para que o Corpo de Intervenção da PSP, devidamente instruido por mim, os enfiassem pelo cuzinho daqueles pais acima.

maradona – Com todo o indevido respeito

A frase

Como já disse, desta campanha – e agora desta eleição –, sobrará uma frase:
“Têm que nascer duas vezes para serem mais honestos do que eu!”.
Cavaco nunca mais será o mesmo. E com um par de botas para descalçar.

Packard em rodagem –  autoridade e fé

[Read more…]

Estou vivo e não quero ter medo de ir a Coimbra-B

O  Manuel Rocha, violonista da Brigada Victor Jara e director do Conservatório de Música de Coimbra, foi vítima de uma brutal agressão. No hospital onde se encontra internado escreveu este texto, contando como tudo se passou, com a dignidade de quem não confunde a árvore com as florestas. As melhoras Manuel, e roubo-te o texto do Facebook para servir de exemplo: outro qualquer já teria exigido uma caça ao cigano.

Queridos amigos!

Boletim clínico: fractura do perónio e lesão na articulação da perna direita; escoriações muito ligeiras; sem mais lesões físicas ou morais; sono profundo e descansado.

Descrição da ocorrência: abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o “bom” ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto da alcateia colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido; pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu).

Análise de conteúdo: não se tratou de violência étnica – os bandidos são bandidos seja qual for a característica dos indivíduos. A atitude demissionária e de assobiar para o ar de quem presenciou a ocorrência, não pode ser justificada pelo medo (característica, como é sabido, de quem tem cú), ou não faria sentido evocar esse pilar da civilização ocidental que é o amor ao próximo.

[Read more…]

O ensino privado não é melhor que o público: selecciona os alunos, e claro que tem melhores resultados

Na discussão sobre os ensino privado alimentado pelos nossos impostos volta sempre o velho mito da suposta qualidade dos colégios. Aparentemente os pais escolheriam os colégios porque estes teriam melhores resultados.

Para começar esquece-se uma evidência: se fosse concedido aos pais escolherem a escola para os seus filhos e todos optassem pelo privado, além de o público ficar às moscas, gostava de ver a proclamada qualidade do privado que não pudesse seleccionar os alunos. Porque essa é a questão: quem escolhe alunos (como aqui provei que se escolhe, tendo em conta “o percurso escolar do aluno”) fica com os melhores e estes obtêm melhores resultados. É óbvio. Tão óbvio como este velho texto do Pedro Sales, que mantem a sua actualidade ranking após ranking:

O colégio São João de Brito é da Companhia de Jesus, a qual tem mais duas escolas com ensino secundário. O Instituto Nun´Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache – Coimbra. Como acontece com quase todas as escolas privadas no interior, têm um contrato de associação com o Estado. [Read more…]

O estado da arte em Portugal

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/h9zsaozB7IZdr3YgFrkG/mov/1&color=0x4e00ff&frame=ROUND

Varela, Hulk, Calcanhar, James. Chapéu. Golo.

Verdades privadas, mentiras públicas

A cidadão Barbara Wong tem o legítimo direito de ter um filho num colégio privado sustentado pelo estado, e de estar contra as medidas do governo que a colocam perante a questão de o colocar numa escola pública. Afirmá-lo e defender os colégios privados no seu blogue também não me parece incorrecto, antes pelo contrário.

Já a jornalista Barbara Wong quando escreve no Público de hoje isto

A tutela não vai ceder às pressões  – hoje duas dezenas de escolas serão fechadas pelos pais na região de Coimbra –, e mantém que os colégios que não assinarem as adendas aos contratos não serão financiados.
Até ontem, 57 já tinham firmado. Faltam 36. Todos são financiados para oferecer educação gratuita aos alunos de determinada região, onde não existe oferta pública.

(o sublinhado é meu) sabe que está a mentir. O mapa  da rede escolar pública e privada que publiquei ontem demonstra como isso não é verdade em Coimbra cidade, e na esmagadora maioria dos colégios de Coimbra distrito, acrescento. Estas escolas concorrem com a rede pública a quem roubam descaradamente alunos, numa das piores “parcerias público-privadas” que temos. Na maior parte dos casos nunca fizeram falta: muito simplesmente responsáveis locais pela educação, onde sobressai a viúva de Mota Pinto foram privatizando o ensino, dando chorudos lucros a empresários tipicamente portugueses: à sombra do estado é que estão bem.

É indigno, e digo-o na qualidade de leitor do Público. Na qualidade de professor já nem digo nada, mas artigos como este aqui criticado vão-se entendendo melhor.

Este inverno as revoluções andam pelo sul

egypte_manif_inside Sabe bem o Mediterrâneo a pedir mudança. A Europa mediterrânica está a ficar entalada entre o norte que a empurra para o sul da falência, e o seu sul, o norte de África que descobre que para mudar é preciso vir para a rua. Depois da Tunísia vem o Egipto. Há 2000 anos éramos províncias  do mesmo império.

As escolas privadas de Coimbra também foram chorar a Lisboa

Como era de esperar a luta dos empresários privados, e confissões religiosas, continua. Vejam o caso de Coimbra. A verde os que, só da zona urbana, foram hoje manifestar-se. A amarelo a rede de ensino pública (2º e 3º ciclo e secundário), com quase todas as escolas subaproveitadas, algumas muito longe do número de alunos que já tiveram.

Escolas-de-Coimbra

Transcrevo também o comunicado do meu Sindicato, o SPRC, que desde sempre denunciou esta situação pregando aos peixes, enquanto o Ministério da Educação continuava a esbanjar o seu orçamento para satisfazer a ganância de alguns empresários e de uma confissão religiosa:

[Read more…]

Uma reportagem no país real

A Estamo é a empresa do grupo Sagestamo vocacionada para a compra ao Estado ou a Outros Entes Públicos e a privados de imóveis para revenda, para arrendamento ou para alienar após acções de promoção e valorização imobiliária dos mesmos.

Numa reportagem para TVI Rui Araújo foi à Estamo, uma empresa pública vocacionada para o enriquecimento de investidores numa teia de subornos, cunhas (outra vez o mesmo tio de Sócrates), ameaças, inspectores da Judiciária cheios de coincidências, processos arquivados, o supermundo dos negócios que vendem o que foi património do estado e vai mais uma vez enriquecer vigaristas bem colocados e disponíveis para distribuir parte dos lucros pelos abutres. Os abutres, de tanta estamo.

Se não viu, e se não enjoa,

Actualização: fica aqui a reportagem

Parte 1

[Read more…]

A luta é alegria

Aquela coisa pindérica chamada Festival RTP da Canção volta a ter alguma piada por obra e graça dos Homens da Luta, que insistem em concorrer.

É ouvir e votar.

Presidenciais: a luta continua!

0630_guangyiPara os meus lados as eleições correram muito mal para Manuel Alegre e muito bem para José Manuel Coelho.

José Manuel Coelho ficou no quase quanto aos 5% que lhe dariam direito a financiamento da campanha, mas na Madeira tem uma base para as eleições regionais que coloca toda a oposição ao PSD-M a olhar com cara de parva. Falta ver quem o vai acompanhar e aí temo o pior. Pode vir a ser a minha indigestão de votante mas para já foi bom: a azia do intelectual de esquerda, o militante com horror a pobre, está-me a compensar não haver 2ª volta.

O caso Alegre, e de muito do milhão de votos ter horror a Sócrates, pode terminar numa coisa estranha, uma espécie de derrota de pirro do Bloco de Esquerda. Saindo cabisbaixo das presidenciais, naquilo que interessa – as legislativas não se sabe quando – pode vir a capitalizar a aproximação ao que sobrava de esquerda no PS, os últimos alegristas, como de resto já sucedeu em Setembro. O problema é que pode vir ou pode não vir a. Nunca se sabe. Para já sabe-se que os eleitores do BE saem do rebanho, o que faz só faz bem à saúde da esquerda.

Francisco Lopes vai passar a aparecer mais vezes na televisão. Se será o sucessor de Jerónimo Sousa é tão irrelevante como, não havendo segunda volta, foi toda a  sua campanha: não fez crescer o PCP, e ainda tem o amargo de boca de ter  visto fugir para José Manuel Coelho os votos que contava pescar para os lados do BE.

Bem, e agora é dia 23, vamos lá ouvir as explicações sobre a casinha da Coelha. E talvez comece o julgamento de Oliveira Costa. Ou como se grita em agitpropês: a luta continua, cavaco para a rua.

E esta noite, o Cavaco e a Maria, o que irão fazer?

Os meus parabéns ao presidente dos outros portugueses.

Sondagens à boca das urnas

Haverá expressão eleitoral mais parva? Pode ser que haja. Tipo 49 a 52 dentes para Cavaco Silva.

Ou, e actualizando:

[Read more…]

Tem um cartão de cidadão ou perdeu o cartão de eleitor? está tramado, a incompetência pode não o deixar votar

burroVirados para a parede, de castigo, com orelhas de burro, é o que merecem os responsáveis pela vergonha que hoje se está a repetir: eleitores impedidos de votar, porque desconhecem o seu número de eleitor.

Basta ler os comentários que os nossos leitores vão escrevendo nos textos onde tentei ajudar quem procura as indicações para poder votar, porque tem um cartão de cidadão ou perdeu o cartão de eleitor.

O cartão de cidadão contém o número de eleitor, mas para ser lido é preciso um terminal.

A página do recenseamento eleitoral não aguenta os acessos, os sms não funcionam, há portugueses impedidos de votar, falseando os resultados eleitorais. Imaginem que uma segunda volta se decide por um pequeno número de votos como sucedeu nas últimas presidenciais.

Logo à noite vamos ouvir muitas queixas e leituras dos paineleiros do costume sobre a elevada abstenção. Duvido muito que os responsáveis por esta abstenção forçada sejam chamados ao quadro. [Read more…]

Como obter o número de eleitor, e saber em que freguesia está recenseado

Nuno Godinho Marques, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, acaba de dizer em directo à TSF que não é possível obter o número de eleitor via net, recomendando uma ida à Junta de Freguesia, o que já por si é tolo, já que muita gente nem sabe em que freguesia está recenseado.

É falso. Talvez porque entre CNE e o Ministério da Justiça, responsável pela página do recenseamento eleitoral as coisas há muitos anos não corram bem, o que escrevi há bocado (para quem perdeu o cartão de eleitor, ou tem um cartão de cidadão onde ainda não se consegue ler o número de recenseamento), baseava-se na minha própria experiência pessoal, esta manhã, e funcionou.

O único problema é que o acesso à página está muito complicado, pelo que recomendo o envio do sms como expliquei e aqui repito:

enviar um sms (gratuito) para 3838, com o texto com «re», espaço, número do Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão, espaço, data de nascimento (no formato AAAMMDD), por exemplo:
re 1234567 19740425

Quanto ao porta-voz da CNE, vá ver a página da… CNE, e mais não digo. Só espero que nem senha de presença receba por um disparate deste tamanho.

Screenshot_3

Jesus agride um jogador do Nacional

Desta vez foi antes do túnel. Desta vez as televisões filmaram. Desta vez não há Ricardo Costa, embora haja outra vez Rui Costa.

Jorge Jesus não tem personalidade para treinar uma equipa de futebol do 1º escalão.  Porque esta agressão é antes de mais uma agressão ao Benfica, que por muito que me custe admiti-lo está muitos furos acima de personagens deste calibre. Ser treinador de uma equipa de futebol não é só saber de tácticas, é também saber estar numa indústria de entretenimento. Seguir o exemplo de Scolari não foi exactamente uma ideia brilhante. Esperemos pelas consequências.

Perdeu o cartão de eleitor? não sabe o seu número de recenseamento? vote na mesma

Quem perdeu o cartão de eleitor, ou tem um cartão de cidadão onde ainda não se consegue ler o número de recenseamento, tem várias opções:

  • ir à página do recenseamento eleitoral, e pesquisar.
  • enviar um sms (gratuito) para 3838, com o texto com «re», espaço, número do Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão, espaço, data de nascimento (no formato AAAMMDD), por exemplo:
    re 1234567 19740425

A abstenção também é um direito, mas não diga que não votou porque não sabia o número…

O colégio “Rainha Santa”, um caso de assalto às finanças públicas em nome de deus

O Colégio Rainha Santa Isabel, em funcionamento no coração de Coimbra e rodeado de escolas públicas por todo o lado, é um dos colégios privados que agora gemem porque apareceu alguma vontade política em acabar com o financiamento público do ensino privado. É dado como exemplo pelos bons resultados que apresenta nos rankings. Pudera. No seu regulamento interno estipula-se quanto à admissão de alunos:

1-  Para  a  admissão  de  alunos,  o  Colégio, desenvolverá  anualmente  com  os  candidatos pré-inscritos um processo de selecção no qual, para além da adesão dos Pais e Encarregados de  Educação  e  do  próprio  aluno  ao  Ideário  e Projecto Educativo do Colégio, serão  tidos em conta os seguintes critérios:
(…)

f) Percurso educativo do candidato;
(…)

3- Em caso algum serão  factores de exclusão neste  processo  aspectos  relacionados  com  a raça, religião, posição social e opções políticas dos candidatos ou das suas famílias.

O ponto 3 é de uma hipocrisia espantosa. É que no seu ideário o CRS afirma ter como “Visão Educativa” isto: [Read more…]

Ainda a casa de Cavaco: honestidade?

A casa de férias de Cavaco Silva continua a dar que falar. Cada investigação jornalística, cada minhoca. Segundo o Público:

Cavaco Silva fez obras durante um ano na sua actual residência de Verão com a licença caducada e em desrespeito do processo inicialmente aprovado.

Isto depois de se ter sabido que a tal permuta de terrenos foi feita deforma a não pagar impostos, e trocando terrenos quando a casa já estava em construção.

O conhecimento destes factos deve assegurar a vitória de Cavaco Silva à primeira volta: os portugueses querem que os deixem construir à vontade, impostos é fugir de os pagar,  e só não ganha uns cobres num cambalacho com um amigo que nos deve favores ou seja quem é parvo.

É complicado demitir este povo e eleger outro, mas às vezes apetece.

(corrigido)

Banhos de multidão

parecer-parecem

parecem muitos [Read more…]

Claro que se pode mudar a Lousã para Coimbra, mas fica mais caro

coimbra movimentos pendularesUm dos problemas de asnearmos é a tentação em continuar a asnear, negando a asneira. Acontece aos melhores. A João Pinto Castro acontece mais vezes. Tirando pormenores irrelevantes como colocar Coimbra no interior, uma disfunção geográfica que talvez ainda seja tratável nas Novas Oportunidades, JPC descobriu o absurdo:

Ora o meu ponto é precisamente denunciar esse absurdo: não faz sentido algum que uma cidade pequena como Coimbra tenha um subúrbio a 30 kms de distância.

Não faz realmente sentido. Quem mandou as pessoas instalarem-se onde tinham um comboio para aceder ao seu local de trabalho? as pessoas deviam estar todas a viver em Coimbra, admitindo que Coimbra faça sentido.

Agora, e para conhecimento do JPC, as pessoas tiveram a ousadia de fazer pior, espalharam-se num raio de 50 km não por terem aderido à ideologia da ruralidade, as pessoas não vivem em ideologias vivem em casas, e as casas em Coimbra tiveram durante décadas um dos m2 mais caros do país, mas por falta de dinheiro, ao contrário do que JPC pensa a ruralidade não é uma ideologia é uma necessidade. Estas pessoas, sobretudo as mais jovens, vivem no rural porque não conseguem ir para o mais urbano. Existe uma ideologia urbana que prega a ruralidade mas não é para aqui chamada. A Cidade é outra, e das Serras nem se fala.

Agora quando diz que [Read more…]

Garanto que não bebi álcool hoje

Mas cito o que se assina valupi, pior ainda – subscrevo:

Depois não entendem as noções básicas da comunicação na Internet, onde o vazio somático e o uso da linguagem escrita são factores inevitáveis de equívocos interpretativos (não temos a expressão facial e o tom de voz, o que pode levar a que uma piada seja tomada como uma ameaça, por exemplo e etc.) e de pulsões justiceiras (as flame wars como folclore das comunidades digitais desde o começo da Web). Há inúmera literatura científica sobre o fenómeno. Por fim, não compreendem que a sua verrina contra o povo abrutalhado que berra e larga caralhadas é uma declaração de desprezo pela democracia. Particularmente em Portugal, país sem tradição recente de cidadania, debate político elevado ou estima pela intelectualidade. Naturalmente, há milhões de portugueses que só agora estão a aprender a discutir com o vizinho, tenham eles 17 ou 71 anos. Os excessos, as falhas, a exposição crua das misérias que cada um de nós carrega, fazem parte do nosso destino comum. São a matéria de que somos feitos. A matéria com que se cresce.

E o resto, mesmo que não concorde com todo o discurso, também se recomenda.

"Manifestações são sinal de vitalidade da sociedade civil", Cavaco Silva

Três dirigentes sindicais foram detidos hoje ao final da tarde junto à residência oficial do primeiro-ministro, foram algemados e levados para a esquadra da PSP de Alcântara. in Público

Esta é de homem, é muito de homem

610xSweden’s Crown Princess Victoria speaks to Portugal’s Prime Minister Jose Socrates during the World Future Energy Summit at the Abu Dhabi National Exhibition Centre January 17, 2011 um achado da Ana Cristina Leonardo,

Metro Mondego, ramal da Lousã e poeira para os olhos

Screenshot_2

O assassino de comboios de serviço no governo mandou a primeira bojarda sobre o assunto e João Pinto e Castro veio logo defender o homicídio do ramal da Lousã. Era preciso um idiota útil para o efeito e apareceu um inútil.

O ramal da Lousã seria deficitário se fosse só um ramal. O metropolitano de superfície de Coimbra, Metro Mondego de seu nome, não será deficitário porque com a sua componente urbana garante a viabilidade do empreendimento coisa que foi estudada durante anos, e aprovada pelo governo, que o afirmava há exactamente um ano. Acresce que encerrar uma linha e investir milhões nela para agora querer abandonar o projecto é de tolos.

João Pinto e Castro queixa-se do fanatismo pela ruralidade. Não lhe vou explicar que a Lousã e Miranda do Corvo cresceram como subúrbios de Coimbra precisamente porque tinham comboio, porque isso implicava explicar-lhe um bocadinho de geografia, tarefa complicada.

Eu e os meus conterrâneos, de todos os partidos, somos mais contra o fanatismo pelos transportes urbanos subsidiados, como os de Lisboa e Porto, que nós pagamos sem os usar. O que já pagámos ao longo destes anos chegava para manter o comboio como estava mas nem é isso que queremos: muito simplesmente pedimos que acabem a obra que começaram, e que não inventem estudos, quando se preparam para privatizar todas as linhas de comboio rentáveis, nomeadamente as suburbanas de Lisboa e Porto.