O mundo em que até o futebol apodreceu

O Barcelona venceu a ‘Champions League’, ao derrotar o Manchester United por 3-1 em Wembley.

Os aficionados do clube catalão, naturalmente, saíram à rua para festejar o título e aconteceu aquilo que o vídeo nos mostra: cenas de grande violência, entre manifestantes e as severas forças policiais locais. Resultado: 132 feridos são citados pelos jornais La Vanguardia e “i”, estando 2 desses feridos em estado grave.

Como os tristes acontecimentos de violência não fossem, já por si, suficientes, em Santiago de Compostela, uma jovem de 17 anos morreu, por acidente diga-se, quando também festejava a vitória do Barça.

Registe-se que, nos confrontos na capital catalã, não se envolveram os “acampados na Praça da Catalunha”. Reforçou-se, assim, a falta de qualquer justificação para a violência de que foram alvo há dias por parte dos ‘mossos d’esquadra’ e polícia urbana catalãs, como denunciou aqui o João José Cardoso.

O ‘acampados’ da Praça da Catalunha lutam contra o tipo mundo em que nos transformámos; ignominioso, corrosivo e em que tudo, até o futebol e o que o rodeia, apodreceu. Triste.

Marquem na agenda: 26 de agosto há futebol

A abrir a temporada, promete ser o jogo do ano: Barcelona e FC Porto, as duas equipas que melhor futebol jogam na Europa, encontram-se no Mónaco.

Como já escrevi, no dia seguinte os jornais vão ter no cabeçalho

Villas-Boas vinga Mourinho

Sim, é uma profecia.

Valdano não resiste a Mourinho

Escrevi isto em Janeiro mas podia ter sido agora. Valdano, eminência parda de Florentino Pérez e jogador de xadrez na sombra, levou xeque-mate.

O meu menino é d’oiro

Amar o Porto, tão só.

Por isso, ao olhar orgulhoso para mais uma vitória histórica do meu Porto e rumar para o meio da multidão, do meu Povo, nos Aliados senti pena. A pena de não ter visto em Dublin, ao lado dos autarcas de Braga, do Presidente da sua câmara, o seu colega do Porto. Um sentimento justificado e sublinhado ao olhar para os Aliados e espreitar para a NOSSA casa e vê-la fechada, como que envergonhada. Uma vergonha não de si mas daqueles que ainda a ocupam não compreenderem o seu significado.

Qualquer um pode ser Presidente da Câmara Municipal do Porto mas não é um qualquer que ficará no coração dos Portuenses. Uma coisa sei de Pinto da Costa: estará para sempre no coração dos Portistas e no da maioria dos Portuenses.

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E agora que venha o Barcelona

O melhor jogo da temporada portuguesa foi, de muito longe, o FC Porto – Braga. Simpático da nossa parte oferecer uma réplica ao mundo. Claro que final é final, e réplica não é o original. Mas foi entretido, embora tenha faltado o golo do Braga, e os que se lhe seguiriam.

Coisas que orgulham a pátria: Helton diz ao árbitro que não sofreu falta (também é verdade que ia dar ao mesmo) e a saída de campo dos jogadores do Braga, passando por um respeitoso túnel formado pela equipa do Porto. Mais duas razões pelas quais o Braga mereceu eliminar os apóstolos da luz apagada.

Próxima etapa: a supertaça a disputar com o vencedor da Liga dos Campeões parece que é no Mónaco. Muito perto da Catalunha? Que venha o Barça. Eu sei que profecias só no final do jogo, mas esta já a fiz.

Eu, hoje, sou do Braga, olé,olé

E, se tivesse comprado o bilhete há seis meses, como estes adeptos benfiquistas, também era do Braga desde pequenino.

Só espero que joguem de vermelho.

Um Livro do Futre Para Cada Português

Desde que, cá na terra, se perderam os últimos resquícios de modéstia e de pudor, não faltam auto-proclamados génios, vencedores e gajos muita bons. Uns com razão – Mourinho, o especial – outros sem ela – Sócrates, “ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice”.

À parte está Paulo Futre que, quando fala, não se esquece de lembrar “eu fui bom”. É verdade. Paulo Futre foi bom, muito bom, foi dos melhores.

Mas Paulo Futre tem outras qualidades. A primeira é que não se leva demasiado a sério, ri-se de si próprio, faz rir, é assim uma espécie de malandreco porreiraço e assume-se como tal. E, nesse sentido, não chega a ser nunca imodesto; é um de nós, um puto com talento a quem as coisas correram bem. E, como tal, é um despudorado em quem não se nota a falta de pudor.

Além disso tem mundo e tem histórias. Muitas. Giras. Histórias de gente comum que, de repente, caminha nas estrelas e mantém os pés cá em baixo. Futre é um bem-disposto, um sem-peneiras, um tipo popular capaz de beber uma bejeca com qualquer de nós, com duas histórias de permeio, as mesmas (ou outras) que agora juntou em livro.

Recomendado especialmente para convencidos, vaidosos e macambúzios, um livro do Futre para cada português. Já.

Laurentino Dias é grande, mas não é grande coisa

Foi mais ou menos o que disse Pinto da Costa acerca do ainda Secretário de Estado do Desporto, que manifestoua sua preferência pela vitória do Braga na Final da Liga Europa.
Pinto da Costa atirou-se a Laurentino Dias e fez muito bem. Sendo governante, a função dele é ser imparcial e tratar de igual modo os dois clubes. Não interessa se é de Fafe ou de Vila Fresca de Troca-o-Passo, interessa que deve manter uma posição equidistante perante todos.
Claro que a Laurentino Dias, que só tem tamanho e mais nada, isso não interessa nada. Todos nos lembramos da forma como em 1988, era então Deputado do PS e Presidente da Assembleia Municipal de Fafe, esteve por trás da despromoção do Famalicão
ao e da subida do Fafe à I Divisão.
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Bilhetes Braga Dublin

Acompanhe o SC Braga à Final da Liga Europa – Partida e regresso ao Porto no dia 18 de Maio’11

Ou aproveite para conhecer um dos “metros ligeiros” de mais surpreendente sucesso na Europa, o Luas (“velocidade”). E, já agora, o DART (coisa mais feia, cruzes).

Dicionário do futebolês – “fair-play” e desportivismo

Mesmo os desconhecedores da língua inglesa usam correntemente este termo. Julgo que, se fosse pedido a algum que indicasse um significado, poucos se lembrariam de ‘desportivismo’, por exemplo. Já nos meus tempos de petiz, estava habituado a ouvir dizer ofessaide e não foi fácil habituar-me a perceber que era o mesmo que fora-de-jogo.

Trata-se de uma expressão ligada à ética. Ora, todos sabemos que a ética, na futebolândia, é como as sondagens: vale o que vale. Se for em nosso benefício, está certa; se servir o adversário, é um corpo estranho, entre o vírus e a bactéria.

O desportivismo é, de qualquer modo, algo que os nossos adversários nunca conseguem alcançar, porque são uma gente mal formada, sem educação, incapazes de um gesto de, lá está!, fair-play. É isso, aliás, que serve para explicar por que razão é que, por vezes (muito raramente, claro), também somos forçados a não praticar o fair-play: como os nossos oponentes são, sem excepção, uns facínoras da pior espécie, torna-se necessário ignorar a ética por razões estritas de sobrevivência no meio dessa selva onde é tão difícil ser-se bem-intencionado.

É por isso que um desarme de um jogador de outra equipa será sempre violentíssimo e um pontapé na cabeça de um adversário desferido por um dos nossos não passa de uma acção compreensível, porque, provavelmente, já tinha havido provocações num jogo qualquer da oitava jornada de há três anos.

Quantos jogadores seriam capazes de fazer o que faz Di Canio no vídeo que se segue?

 

 

Solidários na desgraça:

Ao que parece, alguns benfiquistas crentes nas capacidades da sua equipa, adquiriram umas viagens a Dublin e agora estão desesperados para as vender.

Olhem que Dublin é uma cidade fantástica e a final promete: sempre jogam as duas melhores equipas portuguesas e uma delas, o FCP, é considerada pela UEFA a 3º melhor da Europa.

Todo o tópico é um must!

Carta de amor a Dublin


Sabes bem como eu amo Dublin. Não é uma cidade de monumentos. Não é uma cidade linda. Mas é uma cidade fremente de vida. De noite. De paixão.
Em Dublin, amor, fomos felizes e havemos de voltar a ser. Em Dublin, fomos tudo aquilo que tínhamos sonhado. Desde que estivessem cheias as canecas de «Guiness» e de «whiskey in the jar». No mais antigo pub de Dublin, o Brazan Head (1198), lembras-te?, erguemos todos os copos em honra da Molly Malone. Estava na hora de preparar os corpos para a noite do Temple Bar.
E enquanto lemos um livro do Oscar Wilde ou do James Joyce, saboreámos o «Fish & Chips» do Leo Burdock num dos baquinhos do jardim da Christ Church. Lembras-te das paredes? Edith Piaf. Bruce Springsteen. BB King. Tom Cruise. Todos levaram de lá um guardanapo de papel e, se calhar, também se foram sentar no mesmo sítio.
Vamos deixar as compras de lado. As compras naquelas lojas caríssimas que já conheceram melhores dias. Eu sei que é Natal, mas temos tempo para os presentes.
Vamos para o Temple Bar. Ó vamos. Ó vamos. É dali que somos. Daqueles pubs que são exactamente iguais aos que vimos nos filmes. Está a tocar o Patsy Watchorn. O Davy Spillane – lembras-te do Davy Spillane a tocar na Ribeira em 1990?, foi aí que estivemos juntos pela primeira vez. [Read more…]

Adeus Dublin, Olá Europa

Adeus Dublin, diz o Benfica, olá Europa, diz o Braga.

O Benfica, cansado e passivo, não foi nunca superior ao Braga e o resultado acaba por ser justo. O Braga, organizado e destemido, demonstrou atitude, paciência e maturidade para  se  mostrar à europa sem complexos de novato.

O jogo foi limpo, sem as picardias que envolvem os jogos com adversários de outro tipo, os jogadores não se armaram nem em wrestlers boçais, nem em bailarinas caprichosas, pese a lentidão dos benfiquistas.

Na final torço pelo Braga.

PS: No final do jogo, uns energúmenos que se dizem do meu clube, empenharam-se em tentar destruir um dos estádios mais bonitos da europa. Há pessoas -de todas as claques- que têm mesmo de ser proibidas de assistir a jogos de futebol.

Real de Madrid roubado mais uma vez em Barcelona

O Real de Madrid não pode jogar contra o Barcelona sem ser roubado. Não está aqui em causa o valor de cada uma das equipas, mas o condicionamento do  jogo e do resultado por influência directa das arbitragens.

Uma falta inexistente na primeira falta assinalada a Di Maria em situação potencialmente perigosa para o Barcelona, um golo muitíssimo mal anulado a Higuain, cartões amarelos estrategicamente mostrados, faltas assinaladas -ou não- com critérios distintos, fizeram com que o campo se inclinasse em desfavor do Real.

Mourinho tem razão, o Real está proibido de ganhar ao Barcelona.

Futebol é outra coisa. Em Futebol, com uma bola redonda e um campo plano, até o Barcelona estaria sujeito a perder.

Saía um Porto-Barcelona, sff

Pesem as minhas simpatias pelo Barcelona, aquilo que se viu ontem foi uma vergonha:

Isto somado à expulsão palerma de dois portugueses mexe com a minha adormecida costela patrioteira.

Não sei se ainda há supertaça europeia, mas sei que lá para o verão os vencedores das ligas europeias se vão encontrar. Espero por isso que o Barça ganha a Liga dos Campeões. Um Porto – Barcelona permitirá aos jornais do dia seguinte titularem:

Villas-Boas vinga Mourinho

E já agora parabéns ao Braga, e a Domingos Paciência, a um golito de uma final europeia. Este verão, na falta de outra indústria competitiva, lá vamos exportar jogadores e treinadores. O costume.

Golos do Porto, Benfica e Braga…

…mantêm duas equipas portuguesas na rampa da final da Liga Europa.

O Porto, com cinco golos, praticamente comprou hoje os bilhetes para Dublin. O Benfica marcou dois e o Braga um, que pode vir a valer dois. Assim, é melhor nenhuma das  duas falar com a agência de viagens e passar já o cheque.

Para já, uma quase certeza: dois treinadores portugueses vão defrontar-se na final e um deles vai ganhar.

Nota: sempre achei uma falácia os treinadores, dirigentes, adeptos, etc., dizerem que um campeonato nacional é mais valioso (“o objectivo principal da época”) do que uma competição europeia. Deixem-se de tretas, não é, toda a gente sabe isso ainda que não o diga. Vão ver as declarações, os festejos, as notícias, as reacções de jogadores e treinadores depois de um troféu europeu. Qualquer deles trocava dois campeonatos nacionais por um único título da europa.

Dicionário do futebolês – remate denunciado

João Pinto, antigo defesa direito do Futebol Clube do Porto, considerou que “Prognósticos só no fim do jogo” é a sua melhor tirada. A verdade é que esta frase, ainda que involuntariamente, constitui uma lição que deveria ser aproveitada pelos comentadores de futebol.

De uma maneira geral, o comentador de futebol gosta de se apresentar como um adivinho, sendo vulgar ouvi-lo antever os actos dos futebolistas ou as decisões dos treinadores. É por isso que podemos ouvir frases como “O jogador vai rematar eeeee… passou a bola ao colega.” Sendo certo que o futebol resulta de treino constante, não se confunde com o xadrez, porque o tempo para pensar é muito menor. Logo, querer saber aquilo que um futebolista vai fazer, quando o próprio não sabe, até pode passar por falta de respeito.

O comentador, na realidade, deveria emitir juízos sobre o que se passou e não sobre o que ainda não aconteceu. No entanto, mesmo quando fala do passado, não consegue deixar de tornar implícito que já sabia que o acontecido tinha de acontecer.

A expressão hoje dicionarizada é muito usada para explicar por que razão uma grande penalidade foi defendida. Vários guarda-redes já explicaram de que modo conseguem fazê-lo, sendo unânimes na afirmação de que a pressão está toda sobre quem marca. Na maior parte dos casos, o homem da baliza escolhe um lado e lança-se o mais tarde possível. Quando a bola vai ao seu encontro, a remate foi denunciado; se, por acaso, a bola e o guarda-redes se desencontrarem, o avançado passa a ter mérito absoluto. [Read more…]

Pinto da Costa não é do Porto

O Fernando Moreira de Sá, grande portista, rejubila, compreensivelmente, com a vitória – justíssima – do Porto sobre o Benfica, querendo transformar essa mesma vitória numa manifestação de superioridade moral, uma lição a um benfica que, na sua opinião, só pode ser escrito com minúscula inicial.

Não faço parte dos que atribuem as vitórias do Futebol Clube do Porto a jogadas de bastidores, mesmo acreditando que há gente de todas as cores a praticá-las, o que tem como efeito mais ou menos cómico acabarem por não ter o resultado pretendido, por se anularem umas às outras. Entretanto, nos últimos trinta anos, como diz o Fernando – e bem – “São onze contra onze e no fim ganha o Porto.”

Já a superioridade moral e a bofetada de luva branca afiguram-se-me mais invisíveis. É certo que Villas-Boas consegue, na maior parte das vezes, ter um discurso mais elevado do que a maioria dos frequentadores da praça futebolística, mas, tirando isso, a verdade é que, de uma maneira geral, em termos de ética, respeito e desportivismo, o nome dos clubes só pode ser escrito com letra minúscula, sobretudo quando temos ocasião de ouvir Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa.

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Os obscenos dinheiros do futebol

Sou um apreciador de futebol em final de processo de desintoxicação. Diversas e substantivas razões levam a alhear-me do dito “desporto-rei”. Cheguei ao ponto de, pela TV do café mais próximo, me dispensar de assistir a um jogo daqueles que há tempos considerava imperdível – por exemplo, um ‘Barcelona-Real Madrid’, dito assim, em respeito pela ordem alfabética.

A violência, sobretudo entre as claques dos ‘dois grandes’, e todo esse espectáculo degradante de confrontos entre uns e outros e a polícia a tirotear, mostrados nos telejornais, constituem motivos de sobra para a minha repulsa.

Todavia,  também dão forte contributo notícias como esta, da saída Villas-Boas poder representar a receita de 15 milhões de euros para o FCP; ou então esta, em que é contado que Ronaldo ganhou 71 mil euros diários, em 2010.

Tais casos, e ainda é mais grave, são meras gotas de água de vastíssimos mares. Nos quais também  navega a construção do ambientalista Sócrates de 10 estádios de futebol e de outras infra-estruturas que entram – e de que maneira! – na contabilização do défice público, assim como do défice externo total. Os tais défices que trouxeram até nós a troika e tudo o mais que se vai seguir na caminhada, de cada vez mais portugueses, na direcção da pobreza ou mesmo da miséria.

Não é, obviamente, redutível a Portugal o fenómeno da obscenidade dos dinheiros futebolísticos. É impossível ignorar os mais de 4,5 milhões de desempregados em Espanha; ou, em síntese, as percentagens da população em risco pobreza publicadas pela EUROSTAT para 2009 (últimas estatísticas publicadas). Observe-se as elevadas percentagens da Itália e do Reino Unido, destinos eventuais apontados para Villas-Boas.

É o futebol e o mundo, como diria Rodrigo Guedes de Carvalho. Triste, muito triste, acrescento eu.

Benfica e “benfica”:

Ontem o meu FCPorto deu uma enorme lição ao seu principal e histórico adversário.

Alguns, mais entusiastas, falam em humilhação. Erro. OFCP não humilhou o Benfica, apenas lhe deu uma enorme lição. Não ao Benfica enquanto Instituição, merecedora de todo o respeito, mas a um certo “benfica“: aquele que olha para a superioridade do FCPorto como mera batota. Aquele que não vê, ou não quer ver, três décadas de trabalho, de sangue, suor e lágrimas, de esforço e dedicação, de razão e paixão.

O “benfica” acha que tudo o que o FCPorto ganha é fruto da “fruta e da meia-de-leite” fingindo-se virgem pura nestas matérias, fazendo de conta que só existem processos contra dirigentes do FCPorto e os seus são uns puros. O melhor exemplo de pureza deste “benfica” é aquele senhor, advogado, que o representa num programa televisivo da SICN, todo ele um modelo de educação e moderação, a mesma moderação tida quando se apanhou com poder público e procurou sanear o Prof. Marcelo pelo crime de delito de opinião.

Esse “benfica” não é o Benfica. Este é uma Instituição de respeito e respeitável, o outro é uma espécie de casa de alterne mal frequentada onde se apaga a luz e se incita os “seguranças” a não deixar os adversários festejar com os seus adeptos. O Benfica é um clube que já deu muito ao desporto português, o “benfica” é uma espécie de calamidade que lhe aconteceu, assim como nas famílias existe sempre um parente que nos envergonha. O “benfica” é a vergonha do respeitável Benfica.

Por isso, ontem, o meu Porto humilhou esse “benfica” reduzindo-o à sua insignificância. E não o fez dentro das quatro linhas, não. Nessas apenas existiu futebol. A humilhação concretizou-se pelas palavras moderadas, pelo elogio ao treinador adversário, pelos festejos contidos na casa deste. Pela forma como o meu Porto soube ganhar mesmo olhando para aqueles que, uma vez mais, não souberam perder.

Ontem, no Estádio da Luz, na casa do SLBenfica, o meu Porto foi grande, foi gigantesco e não o escrevo motivado pela vitória mas pela grandeza de como soube ganhar e dar uma valente bofetada de luva branca nessa coisa a que chamo simplesmente e em letra do tamanho dos seus protagonistas, “benfica”.

O resto? O resto é pontapé na bola. São onze contra onze e no fim ganha o Porto. Tão simples como isto.

Os jornais desportivos de Lisboa mudaram-se para Madrid

Tardes na “Província”

Hoje, o Bastuço São João defrontou o Vila Cova e sagrou-se já campeão da II Divisão do distrito de Braga em Iniciados. As coisas que eu sei de futebol ressuscitam qualquer defunto…

Dicionário do futebolês – levantar a cabeça

Esta frase é muito usada por quem acabou de levar na cabeça ou por quem costuma levar na cabeça. Faz parte de um rol de muitas frases pré-cozinhadas que qualquer jogador, ofegante ainda de uma derrota, produz instintivamente.

É certo que, muitas vezes, é difícil levantar a cabeça, porque as derrotas podem levar a que se perca exactamente a cabeça, que, uma vez perdida, é dificilmente recuperável, como já demonstrou Luís XVI. Aliás, numa prova de que o mundo do futebolês está carregado de lógica, é vulgar ouvir os treinadores, nos momentos difíceis, dizerem “É preciso jogar com cabeça.”

Entretanto, julgo que, face aos dislates que tantos idiotas incendiários e incendiados produzem, seria importante que o futebolês passasse a incluir a expressão “É preciso baixar a cabeça”, sinal de arrependimento ou, pelo menos, de vergonha. [Read more…]

Sim, isto foi dito num canal de televisão

Já desconfiava. Impõe-se uma limitação à liberdade de expressão: permitir que clubes de futebol tenham canais de televisão ia dar nisto.

Particular atenção ao que é dito ao minuto 2’40. E depois nos blogues é que se escrevem barbaridades, coiso e tal.

Uma final Porto-Braga no horizonte?

Seria lindo.

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Mas para já o que conta é que Braga ou Benfica vão a Dublin. Se o talento que aplicamos na indústria futeboleira se aplicasse a outras, não estava cá o FMI.

Fica o jogo do Porto, que foi dar mais uma lição de bola a Moscovo.

Dicionário do futebolês – comentadores

Na minha juventude, ficava à espera das imagens da jornada no Domingo à noite e acabava saciado com os resumos de três minutos por jogo. Para o adolescente que ansiava por imagens de pontapé na bola, o mundo de hoje é um banquete pantagruélico que começa no Youtube e acaba na Sporttv.

Nesses tempos distantes, começou, a pouco e pouco, a insinuar-se a figura do comentador, que, para meu desespero, retardava o aparecimento do fundamental – as imagens dos jogos – com explicações para o resultado final, naquele tom de quem já sabia tudo antes de o jogo terminar. Já nesse tempo, o jogo começava a perder terreno para a conversa.

Com o aparecimento das televisões privadas, a televisão tornou-se cada vez pior, sempre pronta, até hoje, a explorar os sentimentos mais baixos e as pulsões mais rasteiras. Rapidamente foi inventado o conceito do programa sobre futebol, com comentadores ligados, normalmente, aos três grandes. Num mundo minimamente sério, a televisão poderia servir, também, para fazer um pouco de pedagogia. Na realidade, estes programas servem para levar a casa das pessoas as mesmas figuras tristes que qualquer um de nós é capaz de fazer num café, entre amigos e adversários, gritando grandes penalidades a nosso favor e chamando virilidade a agressões perpetradas pelos nossos.

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Homenagem ao SL Benfica

O SL Benfica é o maior clube português. Para além de ser, embora com uma curta distância, aquele que detém mais títulos no futebol (entre os quais se incluem os 29 títulos de Campeão Nacional contra os 24 do FC do Porto – não 32 contra 25, como a imprensa gosta de dizer), é também o que tem mais adeptos espalhados por todo o país. Graças, sobretudo, aos espantosos anos dourados de Eusébio e Companhia durante os anos 60 e 70.
Desde miúdo, aprendi a ver no SL Benfica o rival maior do meu FC do Porto. O meu clube, quando comecei a gostar de futebol, tinha apenas 5 títulos de Campeão Nacional – o último tinha sido conquistado 11 anos antes de eu nascer.
A partir de finais dos anos 70, com Pedroto e Pinto da Costa ao leme, tudo mudou. O FC do Porto começou a ganhar títulos e a rivalizar com o SL Benfica. A chegada à Final da Taça das Taças em 1984 e a vitória na Final da Taça dos Campeões Europeus em 1987, no Prater, foi o culminar desse processo e, no fundo, significou a passagem de testemunho em termos de hegemonia do futebol português.
Habituei-me a ver no Benfica um adversário digno e merecedor do maior respeito. Desejando que perdesse sempre nas provas nacionais, claro, mas nunca deixando de reconhecer o seu valor. Com Luis Filipe Vieira, numa linha que já vem desde Vale e Azevedo, percebi que, afinal, há um benfiquinha capaz de imitar o pior de um portinho que, infelzimente, também existe. Percebi que uma certa gente do Benfica entende desde há algum tempo que a melhor forma de combater o FC do Porto é imitar os discursos, as atitudes e os métodos de Pinto da Costa. [Read more…]

O meu Benfica não apaga a Luz

O meu Benfica não apaga a Luz, rega o relvado a horas próprias, não se sente menorizado quando um campeão faz aquilo que faz o Benfica ao ganhar títulos: festeja-os com a legitimidade do vencedor.

O meu Benfica demarca-se do Benfica igual aos outros, do Benfica que copia e imita o pior dos rivais. O meu Benfica não perde tudo numa centena de minutos, o jogo, a postura, a dignidade. O meu Benfica não é uma massa de seguidores acéfalos, questiona os dirigentes, exige explicações e chama os bois pelos nomes.

Consola-me que exista um Benfica dentro do benfiquinha. Porque eu, do benfiquinha, não sou.

Tu queres ver que foi o Vasco Santana que levou a luz?

A propósito disto…