Penso de que algo está errado

leo jardim

E prontos, aqui está a foto. Ainda não acredito de que li isto. E agora surge-me a dúvida: terá sido Leonardo Jardim em que terá dito isto ou será sob o jornalista o qual devem recair as críticas? Seja em como for, a nossa Comunicação Social já passou sobre melhores dias.

Prémio Camões para Mia Couto

FLIP 2007

Pela segunda vez o júri acertou; Mia Couto, tal como Luandino Vieira, além da escrita recomeçaram a língua de outro continente para fora. Valem muito mais que papel pintado com tinta.

Falta o Mário de Carvalho, e os três escritores vivos que leio estariam premiados.  Pela rotatividade continental, espero que seja para o ano.

Adenda: sim, é o meu gosto pessoal, sem desprimor para com outros. A literatura gosta-se, come-se, mastiga-se, devora-se. Quem tem outro palato, problema seu.

AO90?! Não, obrigado!

Lembram-se dele?

Desabafo ao desabafo de Ruy de Carvalho

Ruy de Carvalho tem 86 anos e 70 de carreira, é um actor que aprendi a admirar, fosse na televisão ou no teatro. A idade é, de facto um posto. Eu acho que aos 86 anos, uma pessoa deve poder dizer o que lhe vai na cabeça, mesmo sendo alguém de quem se espera tudo e mais alguma coisa. Mesmo havendo o risco de desiludir admiradores, amigos. Caramba, 86 anos têm de servir para alguma coisa.

O desabafo do Ruy de Carvalho merece, no entanto, alguns desabafos, também da minha parte. As críticas que faz ao Estado – algumas certas e outras nem por isso – vêm, sobretudo, pelo facto da alteração da denominação da sua arte e do roubo que está a ser feito em sede de IRS. Tem toda a razão, Ruy, mas vamos aos factos. Sim, que tantos anos e tanta vida também hão-de comportar momentos menos felizes: [Read more…]

O calote, o AO90 e a Feira do Livro do Porto

Vale Formoso

Rua do Vale Formoso, 1976 (http://on.fb.me/19cVSkJ)

O Porto é a minha cidade. Foi lá que nasci e cresci. É, sem sombra de dúvida, a melhor cidade do mundo.

O calote é um problema que afecta – há muito, há muito – a nossa sociedade. Quando me lembro do problema do calote, lá vem o Leitmotiv, lá vêm o Fasolt e o Fafner. Claro, o Wagner não podia faltar.

O problema do calote, segundo leio nos jornais de referência, é um dos Leitmotive desta carta. Contudo, ao ler abril, ação, afeta, afetação, Arquitetura (duas vezes!), ativamente, atividade (idem!), atratividade, atuação (três vezes!!), Diretor (quatro vezes!!!), Diretora, indireto, maio, projeto (três vezes!!), projetos, setor, setores e trajetória, grafias que violam as mais elementares regras da ortografia portuguesa europeia, aquilo que a carta pretende denunciar passa-me completamente ao lado. Em lingoagem: se não fossem os jornais de referência, não perceberia patavina daquilo que se pretende com a missiva. Há, pelo menos, cinquenta cúmplices desta deriva. Sim, porque, das duas, uma: ou não leram o que subscreveram, ou leram e não se importaram.

O problema da indiferença é ainda mais grave do que o do calote. O vergonhoso cancelamento da edição de 2013 da Feira do Livro do Porto já foi denunciado, aqui no Aventar, pelo António Fernando Nabais. Até o presidente do F.C. Porto quis ajudar. Nada. Uma vergonha. Como escreveu Pedro Guilherme-Moreira [Read more…]

As coisas não são feitas por acaso

Eduardo Gageiro por Tiago Cravidão

Ante-estreia, dia 31 de Maio, 21h30, Sala Manoel de Oliveira, no Cine-Teatro São Jorge – Entrada Gratuita-  Evento no Facebook

 

Oh! Oh! Fait le Clown

Dos velhinhos e saudosos anos 60, eis uma canção de homenagem aos verdadeiros palhaços. Que têm por profissão e missão divertir, com profissionalismo e orgulho. Sem sentir rancores ou ódios em relação a quem lhes chame “Palhaço!”.

Dos que actuam no ‘circo da política’, chamem-se Grillo, Silva, Ramos ou Ramalhete, não têm a dimensão humana do palhaço verdadeiro. Ofendem-se por serem, erradamente em relação aos autênticos, classificados como membros de uma profissão que, afinal, abominam. E desdenham.

Como se consideram supremas divindades, a PGR tem de ir ao circo e produzir um longo processo, no qual será ouvido o Sr.  Victor Hugo Cardinali  e todos elementos da companhia. Dos ursos aos leões, dos trapezistas aos nobres palhaços, ricos ou pobres mas sempre autênticos. Dos falsos, estamos saturados, porque o espectáculo de que são protagonistas é demasiado repugnante.

Viva a canção velhinha de Frank Alamo!

Martim & Gonçalves, a nova música portugesa

Apadrinhada pelo saudoso Relvas eis a nova boy band portuguesa, Martim & Gonçalves, uma dupla nacional empreendendo-lhe os ouvidos numa renovada mocidade portuguesa perto de si.

Georges Moustaki 1934-2013

Rui Nero Rio

O mal não é só nosso, mas grande parte da História da arte portuguesa narra gloriosos feitos de destruição do património artístico. Os Painéis de Nuno Gonçalves estavam a servir de andaime numas obras em S. Vicente de Fora mas lá foram salvos do macio calçado dos trolhas, é um exemplo, pintura perdida é incontável  – basta imaginar tudo o que um artista régio como Nuno Gonçalves terá executado e por vastos andaimes se perdeu. Altares barrocos eliminados de igrejas românicas ou góticas nas primeiras décadas do século passado contam-se às dezenas. O fresco na arte portuguesa é escasso, levou camadas de cal por cima. E tivemos igrejas e colégios inteiros, por exemplo em Coimbra por conta e obra de uma universidade à medida da ditadura e seu Cottinelli Telmo, reduzidos a entulho. Ou castelos devastados porque já não serviam para a guerra (passatempo que muito arquitecto ainda hoje pratica, esquecido de que está a mexer numa obra de um colega, ide a Óbidos e vereis, embora o estrago pior ainda tenha sido evitado por um autarca culto).

O terramoto de 1755 ao pé destes e tantos outros exemplos não é nada, até porque só afectou seriamente meio território.

Faltava-nos um demolidor intensivo. Um Nero incendiário. Já temos. Chama-se Rui Rio. Usa o orçamento camarário e acaba de ganhar uma nota de rodapé nos futuros manuais de História da Arte do séc. XXI. Espero que a adjectivação não falte a quem vier, a seu tempo, tratar do assunto, e que merecidamente se revolva no túmulo.

Rui rio e Hazul

Uma lágrima furtiva

De alegria ou de tristeza, quem sabe. Tristezas não pagam dívidas, seja então de alegria, que até é o caso desta remasterização com um registo de 1904 (voz) e outro de 2002 (orquestra). Se bem que continuo a gostar mais do piano e voz, em vez  da exuberância sinfónica.

Robotarium de Vila Franca desactivado

Era simultâneamente uma peça de arte pública e um cruzamento entre arte, ciência e biologia. Não resistiu ao vandalismo, que incluiu até disparos de balas.

Este é o tipo de notícia a que bastaria um “sem comentários” para mostrar desacordo, incompreensão e condenação, não fosse uma afirmação  do autor, o artista Leonel Moura:

Leonel Moura mostra-se resignado perante a situação, considerando que os atos de vandalismo são fruto do momento conturbado que o país atravessa

Infelizmente duvido que, mesmo se os tempos que o país atravessa não fossem conturbados, este tipo de vandalismo não existiria. Trata-se de um problema de (falta de) cultura e de civismo, e está inscrito mais fundo do que a mera circunstância das dificuldades do momento. Lamentavelmente.

Wagner nasceu há duzentos anos

τῶν ὄντων τὰ μέν ἐστιν ἐφ᾽ ἡμῖν, τὰ δὲ οὐκἐφ᾽ ἡμῖν

Um rápido intervalo na atribulada semana de Estrasburgo, para celebrar o segundo centenário do nascimento daquele que é o mais fulgurante, inovador e talentoso compositor de que há memória. A minha entrada no maravilhoso mundo de Wagner foi através d’O Piloto do Navio Fantasma, de Adolfo Simões Müller, para depois me embrenhar na floresta encantada da obra, um caminho, felizmente, sem retorno. Obrigado, Wagner, pelo Fasolt e pelo Fafner e por todo o Ouro do Reno, pelo Siegfried, pelas Valquírias (pois, o Apocalypse Now), pelo Crepúsculo, pelos Mestres Cantores, pelo Tannhäuser, pelo Lohengrin (toda a gente conhece o Lohengrin), pelo Rienzi, pelo Parsifal, pelo Navio Fantasma. Obrigado, Wagner, pela Waltraud Meier. Obrigado, Cosima, pelo Siegfried Wagner. Obrigado, Wagner, pelo primeiro texto que li do Nietzsche. Obrigado por tudo. É verdade: parabéns!

Richard-Wagner-Museum-Bild-mit-Richard-und-Cosima-Wagner

Richard e Cosima Wagner (1872)

Actualização (23/5/2013): Um leitor do Aventar, aparentemente meu homónimo, escreveu o seguinte: “Imperdoável esquecer-se do Tristão e da Isolda”. Sem ter pretendido ser, como se diz por aí, exaustivo, quando agradeço a Waltraud Meier, é à Isolda que me refiro (“Obrigado, Wagner, pela Waltraud Meier“). Esclarecido este ponto, muito obrigado pelos excelentes comentários. Aproveito para acrescentar as Wesendonck-Lieder (obrigado, Wagner, pelas Wesendonck-Lieder – não consensuais, como sabemos) e deixar aqui uma preciosidade.

É isto

ganhar o salário mínimo é melhor do que estar desempregado, estar no gulag é melhor do que estar morto, ser português é melhor do que ser somali, viver na brandoa é melhor do que viver em damasco, lavar casas-de-banho é melhor do que trabalhar em desminagem, ter um marido ciumento é melhor do que ser mulher em kandahar, ser insultado pela maria teixeira alves é melhor do que ser espancado por um skin, viver na carregueira é melhor do que estar preso no carandiru, viver com o passos coelho é melhor do que viver com dois pais, digamos um mobutu e um mugabe (há correntes), estar a recibos verdes é melhor do que ser escravo na Mauritânia  vestir uma blusa over it é melhor do viver numa dama de ferro. Espero que o miúdo passe factura das vendas na internet.

Pedro Vieira

Tomai cultura

Aqui na terra onde se agarra a carteira quando alguém fala de cultura, temos paredes que falam, temos paredes que gritam, temos paredes que nos fazem parar e agradecer que haja quem nos deixe recados espalhados pelas esquinas. É uma sorte que ainda nos vai restando e às vezes até nos faz ganhar o dia, basta um desvio não pensado, um súbito olhar de relance para a ruela por onde nunca vamos.

Não estou a falar de tags, de cagalhotos pintalgados nas paredes, de pirocas (embora também esses possam justificar-se, que as paredes não são todas iguais). Estou a falar de arte, aquilo a que se convencionou chamar arte urbana, expressão criativa num espaço público. E entre os muitos talentos que nos povoam as ruas está o Hazul Luzah, cuja obra podem conhecer melhor aqui, e, por enquanto, em algumas ruas da cidade.   [Read more…]

Bandex & Cavaco Silva: O Meu Chá

Ray Manzarek (1939-2013)

Descansa em Paz, Ray

Obrigado por teres aparecido.

Ray Manzarek, 1939-2013, quando o órgão se acaba

Alguém mete uma cunha ao filhodaputa do diabo, a ver se grava e mete no youtube o Jim e o Ray reencontrando-se nas portas do inferno? É que morreu o teclista que, agradecido.

(feito a 4 mãos com o Francisco Miguel Valada)

Marx em Bruxelas

Marx le retour affiche-marx-officiel

Jésus ne pouvait pas descendre, c’est donc moi qui ai fait le déplacement

Quem morar por estas bandas, não deve perder o Marx de Michel Poncelet, em cena até 25 de Maio.

De regresso ao mundo dos vivos, Marx explica, sem intermediários, mas de forma bastante crítica, as suas ideias. Uma excelente interpretação do texto de Howard Zinn, em que os fragmentos dedicados ao tempo presente são transportados, de uma forma extremamente fina, do Soho nova-iorquino original para Bruxelas, espaço concreto do espectador que se deslocou ao Théâtre de la place des Martyrs. Um monólogo em que Poncelet consegue dar-nos uma perspectiva realista e notável dos participantes da narrativa e interagir com quem se encontra no acolhedor espaço da sala de espectáculos. E mais não digo, se não, estrago a surpresa.

Post scriptum: Quem não morar por estas bandas, pode sempre ver a interpretação que deixei há uma semana ou comprar o livro do Zinn (esta é a edição que possuo). Creio que ainda não haverá tradução portuguesa, mas há Marx, le Retour (o texto interpretado por Poncelet) e Marx en el Soho.

Quadrivium

quadrivium

O Quadrivium é, muito provavelmente, um dos espaços mais arejados na nossa blogosfera e a melhor plataforma portuguesa de divulgação de conteúdos relacionados com Diplomática, Codicologia, Crítica Textual e Paleografia. Com contributos de alguns dos melhores especialistas nestas áreas e com excelentes notícias, como o I Curso de Paleografia Portuguesa Moderna (s. XVI-XVIII) «Escrivaninhas Judiciais, Notariais e Outras». Vale a pena visitar o Quadrivium.

A felicidade é um prato de tripas

Proust tinha uma madalena, cujos aroma, textura e paladar evocavam memórias de infância. Eu, mal comparando, tive recentemente uma tripa enfarinhada, o que só comprova que não é Proust quem quer, e que não há-de ser o mesmo uma infância nutrida a madalenas que a tripas de porco.

Passou-se isto num restaurante onde eu nunca tinha estado, algures em terras minhotas. Depois de perguntar a vários desconhecidos onde é que se podia comer por aquelas bandas, fui parar a um lugar aconchegado e que prometia mesa farta. Se esperam crítica gastronómica, desenganem-se, que eu careço de jeito e entusiasmo para tanto. Aliás, sei que comi e bebi bem mas já nem me lembro exactamente o quê. E não me lembro porque foi nas entradas que eu me detive, e apesar de ter continuado a comer alarvemente, o meu coração – sim, o meu coração, por que não? – apenas recorda aquele petisco inicial, as pequenas iscas de tripa enfarinhada que me foram servidas.  [Read more…]

Convite:

O Pedro Correia é um dos melhores bloggers portugueses. O Pedro Correia é um bom amigo. O Pedro Correia vai lançar o seu novo livro, “Vogais e consoantes Politicamente Incorrectas do acordo ortográfico” no próximo dia 21 de Maio, pelas 18h30 na Bertrand Picoas Plaza (Lisboa). Fica aqui o convite a todos os leitores do Aventar:

 

CONVITE_vogais_Picoas

Memorando para reforçar relações culturais entre Portugal e Espanha

Que tenham assinado o memorando, acho bem.

Que tenham boas intenções, também acho bem, mas de boas intenções assinadas estão os caixotes do lixo cheios.

Enquanto a cultura for um broche para colocar na lapela, especialmente em cimeiras internacionais vazias de conteúdo prático, nada mudará em Portugal.

Em relação a políticas culturais é que sim, por uma vez valia a pena Portugal fazer o papel de bom aluno. Em Espanha já há muito se percebeu o valor da cultura e dos apoios para as áreas criativas como formas de valorização da sociedade, como instrumento económico e como forma de afirmação internacional. Mas não basta querer, é preciso investir nos artistas e criadores, nas estruturas e nas indústrias culturais.

Ora, para isso é necessário um ministério da Cultura e um aumento do peso da cultura no Orçamento Geral do Estado. E aí é que a porca torce o rabo.

Coragem!

cadeira

Aos que pensam não valer a pena lutar; aos que pensam que são vãos todos os esforços; aos que pensam que nada nos pode valer; aos jovens, que talvez o ignorem, aqui apresento um recurso de luta política que tão importante papel teve na história recente do nosso país. Sim, um humilde objecto, mas que, aliado à lei da gravidade, deu um estimulo importante à luta contra a ditadura. Que cadeiras se multipliquem em S. Bento. E Belém.

Revisionismos

a grande porca politica

Vasco Pulido Valente, um historiador da I República que se reformou antecipadamente escrevendo excelentes romances históricos, reduz hoje no Público o segundo séc. XIX português a dívida investida nas obras públicas da Regeneração, e cobrada a doer em 1891.

Omitir que no entretanto se construíram as grandes fortunas sempre à pala do estado e suas rendas, onde avultavam as concessões do tabaco, já para não falar de uma cobrança de impostos eternamente favorável aos homens do progresso, ou como os bens nacionais a seu tempo devidamente expropriados aos que os haviam saqueado durante séculos, clero e nobreza, foram de imediato transaccionados em favor da burguesia empreendedora, o caso da Companhia das Lezírias é exemplar, omitir a Inglaterra onde hoje se repete a Alemanha, omitir a realidade ajuda sempre à construção ficcional de um mundo tal como nos dá jeito que tivesse sido.

Hoje, como sempre, revisita-se a História ao sabor do discurso dominante.

Bom povo, sim senhor

Têm razão os que garantem ser pacífico o bom povo português. Na verdade, em mais de oitocentos anos anos de história, só mandou desta para melhor, além de uns fidalgotes e bispos sortidos, um ou outro ministro, um 1º ministro, um presidente da república, um rei e um príncipe herdeiro, enfim, nada de especial.

É curioso lembrar a preferência pelos métodos da defenestração e do tiro ao alvo. Podem, pois, estar descansados os mandantes. Podem apertar à vontade com o povo, que nada acontecerá. Just saying.

Arte financeira

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Na Aldeia

Faz neste S. Martinho quatro anos que, pelo tempo de varejar os castanheiros, se passou o que vou narrar nos bens do tio João da Serra, lavrador que enceleira não menos de trinta carros de pão em anos fartos, e envasilharia dez pipas de vinho se a moléstia das vides lhe não tivesse há muitos anos convertido o lagar em uma arca para onde se atira tudo, menos uvas no tempo. Na trave penduram-se agora os ensinamentos e as palhoças dos moços. Na pia arrecadam-se os fueiros, os vimes das ataduras, o aparelho da égua, e quando Deus quer, por não haver mais para que ela sirva, as canas de amparar as dálias no quinteiro e as estacas no faval.

A abegoaria do tio João é bucólica como um quadro de Leopold Robert ou uma paisagem do Sr. Thomaz da Anunciação. Nada lhe falta: nem o enorme alpendre do palheiro com a sua escada exterior e os seus postiguinhos de portas corrediças, nem as paredes musgosas dos currais, nem o carro de mato por descarregar a um canto, nem o bezerrinho que pula, nem o boi que rumina pachorrentamente tendo voltado para a gente a sua fisionomia de boa pessoa, nem a pia aonde se traz o gado a beber, nem os bácoros que bufam por baixo da esburacada porta do eido. [Read more…]

Touros mariposa

Andaram dois touros à solta pelos montes de Perre e Outeiro, concelho de Viana do Castelo. Um, segundo o dono, era muito perigoso e já tinha tentado fugir antes. O outro parece que apenas aproveitou a confusão gerada pela fuga do outro para juntar-se-lhe.

Eram dois touros com pouco menos de dois anos, tinham sido ambos vendidos a um talho da cidade e iam ser levados para abate. O perigoso, não sabemos se alguém lhe deu nome, soltou-se das cordas com que tentavam metê-lo no camião e fugiu pelos campos. O outro, o manso, foi atrás dele. [Read more…]