O Café S. Cruz faz 90 anos

Deve estar dado como demodé ter um café, esses simpáticos estabelecimentos que em séculos mudaram o mundo.  Como por aqui já narrei ainda sou cliente principalmente de um, o mui distinto Café S. Cruz que hoje perfaz 90 anitos, coisa pouca, o edifício vai a caminho dos 500 e é monumento nacional.

Em tempos idos, perante a necessidade de escolher um edifício quinhentista para um trabalho académico, e andando com pouca vontade de defrontar as eternas dificuldades de uma igreja aberta ao culto, locais onde nunca foi consumidor, optei por este, complicado, fui avisado por quem sabia e mais sabe do assunto, mas até eu olhando muitas vezes para as mesmas paredes consigo encontrar qualquer coisa que justifique a nota. Não me dei mal. Mais tarde, e porque gosto pouco da ciência em circuito fechado, cravei uns amigos e chegámos à um livrito, a ideia era tê-lo ali à disposição dos visitantes que chegam, dizem Ah! isto parece uma igreja, e foi mesmo.

A coisa correu mal, a vereação da câmara achou que o café que a serve (e é propriedade do município) não valia uns tostões investidos em livros (investidos, a proposta foi que garantissem a compra de alguns exemplares da brochura, baratucha, oferecem coisa bem piores quando recebem alguém), e ficou o ficheiro.

Hoje é um bom dia para oferecer o texto a quem o queira ler. Teria uns acrescentos para lhe colocar mas fica assim, como estava em 1999. Detalhes técnicos à parte a história tem a sua graça, e continua deturpada por aí, a começar pela página oficial dos monumentos, já foram avisados há muito tempo, sem efeito.

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Josefa Teixeira

«Serafim,

Eu tenho lume no olho. Tenho-te dado em muita malhoada e feito vista grossa para não dar estalada. Ora agora que andas à gandaia com as vizinhas por Penafiel, e a moura de trabalho que fique para aqui como negra ao canto da cozinha, isso é que não senhores. Vai para onde essa bigorrilha, que a seu tempo terás o pago. Eu retiro-me desta casa com o meu oiro e não te fico a dever nada. Não me procures, se não quiseres sofrer uma desfeita. Em tão bom dia que eu me vou embora! Se te esperasse em casa, punha-te essas orelhas compridas como a vista, e talvez o caso passasse a mais, e eu de todo em todo me botasse a perder contigo, que és o rebotalho dos homens!!! Por não saber ler nem escrever, pedi ao teu caixeiro António que esta por mim fizesse. Ele teve dor de mim e também me acompanhou. Adeus por secula seculorum sem fins.

Josefa Teixeira»

Ramalho Ortigão, Uma visita de Pêsames, in Histórias Cor-de-Rosa

Como se faz um canalha

Excelente actualização da não menos excelente cantiga de José Afonso.

A Direita e sua História

Quando apareceu esta cena do neoliberalismo no jardim da Europa à beira-mar semeado soltei um razoável desprezo pela novidade em si. Se por um lado vejo as teorias políticas mais para o lado da treta e me interessam sim as práticas (o que já me causou dissabores, nomeadamente académicos, mas sou como sou e não como eventualmente gostaria de ser), por outro encaro em consequência esquerda e direita num quase contínuo histórico e as ideologias modernaças com o mesmo desinteresse de um desfile de moda.

A prática confirma: a nossa direita que na anterior geração foi fascista (ou com ele conviveu em paz, respeito e harmonia) descende dos talassas de há 100 anos, dos miguelistas oitocentistas, esteve com Filipe I em quinhentos e com João de Castela em 1385, para não entrar em exemplos mais anacrónicos que fariam de Afonso Henriques um homem de esquerda, mui avant la lettre, e entrando inexoravelmente no disparate. Claro que quando digo isto levo porrada, da direita que se nega e da esquerda muito ortodoxa nas suas filiações. C’est la vie.

Foi pois com inebriado prazer e profunda admiração que li este artigo do Filipe Faria. Palmas, bis, encore. Haja pois coerência e alguém da direita que corajosamente saia do armário.

PS – Eu sei que isto à esquerda tem os seus esqueletos, embora pela parte que me toca não passem de uns tarsos e falangetas. O problema aqui é simples: quem não se liberta criticamente do seu passado, claro que leva. Só se perdem as que caírem no chão.

Pensão Flor, onde há noite todas as noites

Os mistérios da música em Coimbra não sendo insondáveis, perturbam. A cidade que nos anos 60 soltou um Adriano e formou um Zeca foi perdendo comboios. Será simbólico que no ano do Chico Fininho o seu grupo de baile com mais original e potencial para gravar (a Banda do Arco da Velha) tivesse acabado de se dissolver, que o punk nos tenha chegado retardado, e por aí fora; os nossos dois músicos mais conhecidos, JP Simões e Paulo Furtado emigrados para o capitalismo, tinha de ser.

Mas uma cidade que parece adormecida não tem de dormir. Discretamente vai cerzindo as suas cumplicidades musicais, guardando os seus segredos baixinho, entre voltas da nossa guitarra e da mundial viola, muitos cantos numa diligência eternamente na malaposta, ataques frontais à música tradicional portuguesa sob, por exemplo, a forma de gaita de foles, até que um dia alguém diz: acordámos, estamos de volta.

A volta agora chama-se Pensão Flor (um local que é um sonho) e já se nos apresentou. Vão ouvi-los, ai se vão, juntaram-se a família Brigada Victor Jara com a dos Belle Chase Hotel, a nossa guitarra, a do Carlos Paredes, regressa pelas unhas do filho Portugal (tinha de ser Manuel), tudo isto com um moço que desconhecia (e como é bom ter surpresas na nossa aldeia) de seu nome Tiago Almeida. Vai uma aposta?

 

Cacém-Barcarena-Mont’Abraão

Cacém - BarcarenaLinha de Sintra. A pé, ao longo dela, do Cacém a Vale Abraão, há flores na berma, campestres, de todas as cores e para todos os gostos. O variegado delas embriaga, paraíso de abelhas que não vemos, promessa de néctar, âmbar ou luz que nem sabemos.

Humildes, airosas, pisáveis, misturam-se a marginar o férreo caminho, iluminando a grande e metálica certeza de haver por onde ir e regressar às pobres moles. Estão desempregadas, coitadas, as flores na berma do caminho, sem prado, esquecidas, encharcadas de efémero e eternas porque as vemos. Dir-se-ia que é só por elas que ali há linha e a nossa azáfama, meu amigo!

Não vão chatear o Camões

BXK8813_tumulo_de_luis_de_camoes_lisboa800Incapazes de uma abordagem ao mesmo tempo séria e holística da coisa educativa, os responsáveis pela Educação, políticos e não só, têm contribuído para a destruição do currículo, entre muitos outros malefícios provocados no sistema educativo.

Várias ideias (mal) feitas se foram instalando e ocupando demasiado espaço na reflexão sobre ou na concepção do currículo: ir ao encontro dos interesses dos alunos, transformar o lúdico na essência do acto de ensinar ou simplificar conteúdos ainda antes de se saber se são complicados. Em duas palavras: facilitismo e deslumbramento.

Ao comemorar vinte anos, a revista Visão resolveu pedir a José Luís Peixoto que transformasse em contos os cantos d’Os Lusíadas, publicitando a ideia de que o escritor irá actualizar a epopeia camoniana. [Read more…]

O grande deambulador

Diz-me o dicionário que não existe a palavra “deambulador”. Nem sequer “deambulante”, embora admita o galicismo tão baudelairiano “flanador”.

Começo por esta constatação para que não me cobrem o uso, como verão frequente, de uma palavra que o dicionário não consagra. Proponho-vos que, entre o título de lá de cima e o ponto que há-de pôr fim a estas linhas, exista, só para nós, a palavra “deambulador” e exista até, enquanto conceito também muito nosso, a figura do «grande deambulador».

O deambulador é, coisa óbvia, aquele que deambula. Quer dizer, aquele que caminha pelas ruas sem rumo certo, porque o seu percurso não é apenas pelo empedrado, pelo asfalto, pelo passeio (deambular é tão citadino, não é?), mas é, sobretudo, um caminho interior, porque, em verdade vos digo, não há rua que trilhemos que não corresponda a um caminho feito também por dentro. [Read more…]

Democracia

O Público de hoje traz depoimentos de 55 personalidades sobre aquilo que melhorariam na democracia portuguesa. Muitas das declarações não passam de colagens de banalidades românticas, ingénuas e tardo-adolescentes. Outras, pelo contrário, são estruturadas e fazem uma leitura política de um tema naturalmente político.

Serve esta introdução para dizer que, se houve depoimentos mais importantes e lúcidos do que outros, aquele que mais me tocou e melhor põe o dedo na(s) ferida(s) pertence a Gonçalo M. Tavares, e não é “político”, nem “programático”, nem sequer “objectivo”, muito pelo contrário: é metafórico, artístico e literário, na melhor acepção dos termos. No entanto, estas parábolas ilustram na perfeição a situação de “captura democrática” em que vivemos

1 –“O cantor”

Um pássaro foi atingido com um tiro na asa direita e passou por isso a voar na diagonal.

Mais tarde foi atingido na asa esquerda e viu-se obrigado a deixar de voar, utilizando apenas as duas patas para andar no chão. [Read more…]

Liberdade

Esta canção é todo um programa e volto sempre a ela quando as coisas se confundem e o mundo parece perder o rumo.
Que sociedade queremos construir e para quem? Quem deve estar no centro das decisões políticas? Os políticos eleitos devem estar ao serviço de quê? Queremos, ou não, um mundo mais justo e inclusivo?
Porque a nossa liberdade não acaba na liberdade de expressão. Aí, ela apenas começa.

O Frágil Som do Meu Motor

Estreia de filme português. Amanhã.

Em Lisboa (Amoreiras, Alvaláxia), Grande Porto (Norte Shopping, Gaia Shopping), Faro, Coimbra, Oeiras, Almada.

Para saber mais, podem consultar a página do facebook. Escrito e realizado por Leonardo António. A banda sonora é de Rodrigo Leão. Como tantos objectos artísticos, em Portugal, tornou-se possível contra muitos obstáculos e graças à persistência e à boa e muita vontade de muitos.

As dúvidas existenciais de um ser humano começam dentro do útero.
“Será que irei nascer e conhecer a minha mãe?”
A história é contada na primeira pessoa por um bebé ainda por nascer.
Como um Tango, atemporal e implacável, O Frágil Som do Meu Motor marca o ritmo das personagens no seu melhor… e no seu pior!

O Diletante e a Quimera, de Pedro Medina Ribeiro

Saíu hoje, Dia Mundial do Livro, o novo título de Pedro Medina Ribeiro.

Ainda não o li e não posso opinar sobre ele. Mas sobre a escrita bela, luminosa e transparente de PMR, posso.

A seu tempo, aquando da saída do seu primeiro livro, dei disso notícia no Aventar. Volto agora a fazê-lo a propósito de “O Diletante e a Quimera” com a certeza comprovada e consabida de que recomendo um grande escritor, de voz clara e cristalina, alheio a modas e contemporaneidades algo vácuas e fúteis, como se o nosso tempo não fosse plural e vário, como se não fôssemos quase todos tocados pela emergência do “hoje cheirando a amanhã” na actual configuração multimédia do mundo.

Por isso mesmo a escrita de Pedro Medina Ribeiro se impõe como “diferente”, por parecer alhear-se da necessidade imediatista de afirmar-se “moderna”, por ser sua, genuína e extraordinariamente bela, por nos remeter para um tempo que, paradoxalmente, transporta algo de intemporal. [Read more…]

Dia Mundial do Livro

Como hoje, 23 de Abril, se comemora o Dia Mundial do Livro, vale a pena aproveitar o dia para reflectir.

Ficções sem hora marcada

Rui Oceano estacionou cuidadosamente o seu Simca de colecção. Tirou um paninho de flanela, friccionou com cautela todos os frisos, guardou cuidadosamente o paninho no estojo de pele, bateu a porta muito devagar e dirigiu-se para o palco da feira do livro. Era caro para a sua Câmara, mas valia a pena: os seus concidadãos acotovelavam-se nos escaparates, homens de letras abancavam em sítios combinados e faziam dedicatórias. O povo gostava, e Oceano, o Rio, (Rui, aliás) estava feliz.
Por dentro. Por fora, aquela máscara de mau feitio. De quem pensa que, pelo facto de ter estudado numa escola de referência, deve  ser olhado de baixo, para a sua superioridade. Aquele ar de quem tem sempre razão e nunca se engana, como o Outro. [Read more…]

Código da Estrada no Porto: os livros perdem prioridade

feiralivroportoEstá suspensa a realização da Feira do Livro do Porto, em 2013. A Câmara Municipal, ainda presidida por Rui Rio, tem dinheiro para “sustentar os 700 mil euros de prejuízo do Circuito da Boavista, houve dinheiro para sustentar a empresa de Filipe La Féria em igual montante durante a sua polémica passagem pelo Teatro Rivoli, num negócio que saiu caro à cidade, aos seus artistas e aos agentes culturais” (Porto24), mas não está disposta a investir no apoio a um evento profundamente enraizado na história da cidade.

Tal como na estrada, é tudo uma questão de prioridades: no Porto de Rui Rio, a cultura e produtos derivados, como os livros, têm de deixar passar os carros, especialmente se forem desportivos.

A imagem de cima mostra a Feira do Livro noutros tempos e foi encontrada em Do Porto e não só. A imagem que se segue corresponde ao projecto de Rui Rio para a Feira do Livro deste ano. [Read more…]

Doloroso e intolerável

Anteontem, só me ocorria a palavra vergonha. Hoje, José Manuel Mendes acrescenta “doloroso e intolerável”. Exactamente.

Fernanda Policarpo, a mulher detida

A Noémia já aqui escreveu sobre os acontecimentos e a detenção de Fernanda Policarpo.

Conheço a Fernanda há muitos anos, tenho com ela uma relação de amizade. Trata-se de uma actriz com longa carreira de palco, com quem já tive o prazer de trabalhar em várias ocasiões.

Como actriz e cidadã, Fernanda tem encarnado, no contexto actual, uma personagem que transporta consigo uma bandeira portuguesa e lenços brancos. Trata-se de uma figura que resiste, protesta e exerce cidadania activa, para que não nos esqueçamos que há um mínimo de dignidade a que todos temos direito.

Foi isso que ontem lhe negaram na manifestação em frente ao hotel Ritz. Suponho que atacaram mais a personagem do que a cidadã (ainda que em alguns aspectos sejam indissociáveis) e pergunto-me o que odeiam e temem tanto, se a bandeira portuguesa, se os lenços brancos, se a atitude de quem não se rende e age de forma teatral e eficazmente simbólica, obrigando-nos a uma reflexão sobre o nosso próprio espaço, cultura, história e liberdade:

Eis o que quero dizer:

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Cantando espalharei por toda parte/partilhai e espalhai a mensagem

Ricardo Costa 1142013
Ricardo Costa, director de um jornal que, há cerca de três anos, decidiu “poupar letras” e *adotar o acordo ortográfico, diz que este texto “não corre o risco de ser muito partilhado no Facebook e de circular na net por um ou dois anos”. Antes pelo contrário, Ricardo Costa. No que me diz respeito, considerando a incontestável qualidade da grafia empregada (sim, no segundo parágrafo, aparece uma *fatura, mas gralhas, como falhas, todos as temos) e respondendo ao apelo com que remata o texto (“partilhai e espalhai a mensagem”), como diria o Poeta, “cantando espalharei por toda parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte”, por um, dois, quatro, seis ou mais anos se for preciso: no Facebook, sim, claro, mas também no Twitter, pois então.
Gostei muito deste texto, Ricardo Costa. Muito obrigado. Melhor prenda no meu primeiro aniversário no Aventar não era impossível, é verdade, mas admito que era difícil.
Agora, só falta fazer-se justiça. Sim, justiça. Falta o Expresso deixar de utilizar várias grafias e permitir que os seus jornalistas possam adoptar a grafia do director, uma grafia que, afinal, também é deles. Exactamente.

Gonçalo Ribeiro Telles recebe Prémio Sir Geoffrey Jellicoe

Ribeiro Telles

Tenho pelo Arq. Ribeiro Telles o maior dos respeitos. Pelos vistos a Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA) também.

Gonçalo Ribeiro Telles, pioneiro da arquitectura paisagista, pregou quase sempre no deserto, entre assentimentos de cabeça e palmadinhas nas costas, como as gentes arrogantes sempre fizeram com os visionários, do género “será génio, mas é maluco”.

As mesmas gentes que nos deixaram como legado um país caótico e desordenado, muito longe da suficiência agrícola, com imensas quantidades de solos inutilizados e impermeabilizados, destruidor de biodiversidade, um país desintegrado e desmemoriado em relação à sua própria cultura e natureza.

Perseverante, lutou décadas pela implementação e manutenção, por exemplo, do Corredor Verde de Monsanto. A sua marca em Portugal é, felizmente, maior do que a obra que lhe foi permitido concretizar e visível no número e qualidade de seguidores e discípulos que granjeou.

Tenho a infeliz sensação de que, não fosse a pequenez e a hipocrisia com que foi tratado pelos poderes que foram sucessivamente administrando o território, ministros e ministérios do ambiente incluídos, e Portugal seria hoje um país mais equilibrado, belo, justo e sustentável. [Read more…]

Boa noite.

À Minha Pyrus Centenária

Pereira

Fez-se aqui um debate frondoso e sumarento. Belo. Que inveja da saudável ternura e paixão nele colocados! E logo eu que venero todas as minhas árvores e as desejo, verde-luz dos meus olhos.

Mais uma Primavera, e a Pereira centenária do meu quintal oferece-nos uma impressionista floração rósea de neve. Pensar que a minha avó a viu assim, ano após ano, década após década. Saber que nem sequer o meu bisavô a plantara. Já estaria ali. Disse cá em casa e redigo que tê-la, vê-la, a cada ano, neste desabrochar amplo e promissor, é um sinal do Amor de Deus, generosidade do Cosmos, sorriso tenaz da Vida, transe e trânsito para o Mistério de onde provimos. E eu tenho uma relação íntima de quarenta anos e pico com esta árvore. [Read more…]

Eterno aprendiz de si mesmo

José Luis Sampedro – republicano, antifranquista, humanista, economista, escritor, romancista, referência do movimento “15-M” – viveu tão extraordinariamente os seus 96 anos que dele apenas se poderia esperar que revelasse a mesma arte no momento da despedida. Nos últimos anos de vida, dizia esperar morrer docemente, “como morre um rio no mar”, mas nunca aceitou reformar-se nem deixar de sentir como seus o mundo e o futuro a que já não assistiria.

Soube-se hoje que partiu na madrugada de segunda-feira, na sua casa de Madrid. [Read more…]

Pequenas maravilhas de seis ou sete anos

Por volta dos seis ou sete anos, os rapazes são uma divertidíssima combinação de inocência e perversidade. Falam de beijos na boca, mamas e pipis, e soltam gargalhadas recém-desdentadas à conta da sua própria audácia em falar dessas coisas, para logo em seguida discutirem entre eles a natureza da Fada dos Dentes e os poderes do Homem-Aranha.

Valorizam a camaradagem entre rapazes e tratam-se pelos apelidos – o Silva, o Fonseca, o Campos – e olham para as raparigas com desconfiança e impaciência. Desprezam as brincadeiras em que elas tentam inclui-los – pais e mães, comidinhas, etc – e reduzem-nas a um invariável adjectivo: chatas.  Mas são chatas com um inegável mistério, uma fonte de atracção – a diferença – que eles suspeitam vagamente que poderá vir a ser importante.

Estes rapazes são criaturas de riso fácil: qualquer frase que inclua cocó, xixi, ranho, pilinha ou diarreia arrancará gargalhadas certas. Navegam pela internet, aceleram pelo botão scroll do rato como se tivessem nascido com ele na ponta dos dedos, mas espreitam para baixo da cama para ver se não está lá o lobisomem, tal como os seus avós poderiam ter feito. [Read more…]

Como cortar nos gastos

Porta dos Fundos explica, e apresenta em exclusivo a última reunião do Conselho de Ministros. Força Passos Coelho, vamos conseguir.

Almada Negreiros

Faz hoje 120 anos que nasceu este senhor maior da cultura portuguesa

Eu ficava diante das primeiras linhas como um peru a quem se traça um traço a giz no meio do chão e ele não passa para o lado de lá

 

Na volta de um beijo

Já se canta na Pensão Flor.

O Caso da Pensão Flor

Vai dar muito que ouvir, e falar. Segredos de Coimbra…

O novo CD de Luiz Caracol

Chama-se Devagar. Há títulos mesmo adequados. Melhor só mesmo quando Tony Carreira lançou O Mesmo de Sempre.

Diversidades em concordância

Uma das notícias de hoje é titulada da seguinte forma:

“Ministros pedem a Passos para saírem do governo”.

É apenas uma meia solução!

A solução inteira passaria, simplesmente, por reescreverem a frase, assim:

“Ministros pedem a Passos para sair do governo”.

Esta é dedicada ao amigo Fernando Nabais, que, entre outras ideologias diversas, se bate, como eu, desalmadamente, pela língua portuguesa.

Os meus presentes de hoje

Nasceram com um ano de diferença. O segundo filho do Dario e a SPELL. Renovar a humanidade com novos frutos será sempre uma responsabilidade, mas é sobretudo um momento de alegria e amor.

Ao Dario, amigo recente pelas mãos do Aventar, os meus parabéns nortenhos e vizinhos, e que, para júbilo e exultação da família, bebé e mãe continuem bem. [Read more…]