“A nossa história não nos ensina a ter orgulho no país. Retratada nos manuais escolares, é propaganda política. Tem muito pouco de objectividade. Hoje em dia quase não há mais História de Portugal no ensino oficial. Em geral, o que é negativo é que é salientado e o que havia de muito positivo na nossa História, é considerado politicamente incorrecto. Os programas escolares de História são francamente anti-portugueses em geral. Tudo isto, dá ideia que há o objectivo de provar que Portugal não tem razão de ser, não é viável como país. Estão a preparar tudo para entregar Portugal a Espanha”.
Limusina+Falcon aos cavacos

Custa-nos perto de Dezoito Milhões de Euros por ano, aos quais se somam todas as despesas inerentes aos seus antecessores vivos. Comitivas enormes e restante acessorizing on the rocks, são parte integrante do estafadíssimo Esquema a que nos habituámos. A tudo isto teremos ainda de somar Cimeiras, eventos festivos fora de Palácio, ajudas de custo para o servicismo permanente, viagens de Estado e consequentes imprevistos técnicos, ciclónicos, vulcânicos, etc, etc, etc.
E se Sua Excelência fizesse precisamente aquilo para que serve um Chefe do Estado, ou seja, representar de quando em vez o nosso país? Bem sabemos que um chefe de Partido – mais ou menos oculto mas nem por isso menos evidente – terá sempre dificuldades para encarnar a totalidade do povo de um país quase milenar.
Homenagem à mulher portuguesa
Acabo de chegar a casa ainda comovido com o belo expectáculo a que assisti no Coliseu, promovido pela Associação 25 de Abril e a RTP1.
Pelo palco passaram artistas que todos conhecemos, da Maria do Amparo à Maria de Medeiros, do Vitorino ao Fernando Tordo, da Simone ao Carlos do Carmo, os jovens do Chapitô (a Tété deu-me um cravo…) os cantares de Montemor-o-Novo no feminino, Bernardo Sasseti, Carlos Mendes ,Carlos Alberto Moniz, Helena Vieira, José Mário Branco, Lena d’Água, João Pedro Pais, Mafalda Veiga, Manuel Freire, Luisa Basto, Luisa Amaro, Maria Viana, Odete Santos e que me desculpem os que me faltam…
Recordaram-se mulheres corajosas como Maria Lamas, Maria de Lurdes Pintassilgo, Izabel Aboim Inglês, as três Marias e tantas outras que estiveram na frente na luta contra o pesadelo facista. Os avanços que as mulheres foram obtendo na sua luta pela igualdade, a primeira vez que votaram, logo na Constituinte, que deixaram de ser propriedade do pai ou do marido.
A mulher que logo no dia 25 de Abril vendia cravos na Baixa de Lisboa e se lembrou de os “plantar” no cano das espingardas dos soldados, a duas cadeiras de mim, chorava digna do seu gesto nobre e que ficou para a posteridade.
Estiveram lá os capitães de Abril e o povo de Lisboa e com excepção de um deputado que tambem é capitão de Abril, não estava lá um único político no activo,( a não ser que os não conheça…) embora Mário Soares e Maria Barroso tivessem dito presente.
Abracei o Vasco Lourenço e o Otelo ! 25 de Abril, sempre !
O deboche do "Esquema"!

Os órgãos de comunicação social, declaram continuar hasteada a bandeira espanhola na fortaleza de Valença. Monumento nacional, símbolo local da soberania portuguesa, foi profanado por gente que perdeu toda a legitimidade ao optar por este insultuoso tipo de contestação. Trata-se de subversão e de atentado à integridade do Estado. Do que está à espera a GNR? Que explicação dá a PSP? Porque não envia o exército um pelotão que ponha cobro ao dislate? O episódio da taurina coisa nas varandas, não passa de folclore a resolver no próximo embate futebolístico entre as duas “selecções”, quando tudo voltará ao normal. Outra coisa, é o assalto estrangeiro a um edifício público. S. Bento não cora de vergonha?
O que se estranha, é a total passividade das autoridades nacionais que se têm abstido de impor a Lei e a dignidade do Estado. São precisamente estas autoridades – e aqui incluímos o governo que tutela as policias e as Forças Armadas – que são muito lestas na resolução de outros casos que têm acontecido e que vão continuar a acontecer, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem. O critério parece simples: se se trata de uma Bandeira Nacional azul e branca, deve ser de imediato apeada e entregue a um nebuloso “Ministério Público” – o que é isso? -, mas se o caso disser respeito a uma bandeira estrangeira, poderá então ficar ao vento durante o tempo que a subversão militante assim o entender.
É o patrioteirismo dos senhores do Centenário da República, com o Palácio de Belém incluído no rol. Enfim, mais um episódio do “Esquema”, porque nada deve ser por acaso. Entretanto, o “agente dorado” Saramago, continua a sua prédica. Só visto!
Valença à nora

Numa atitude pouco pensada e nada inteligente, a comissão de utentes do SAP de Valença, decidiu-se pelo hastear da taurina bandeira do país vizinho. Além de não terem concitado a mínima simpatia ou compreensão por parte dos seus concidadãos, os apressados activistas acabaram por fazer exactamente o que os responsáveis políticos de Lisboa pretendem: estes últimos conseguiram alijar um problema que tinham em ombros e melhor ainda, os gastos com a assistência à população, passam directamente para a responsabilidade do erário vizinho. Pelo menos, durante algum tempo. Neste processo de …”aproximação à Espanha, Espanha e Espanha”, onde surgem Mários Linos, Pinas Mouras, sector bancário e da informação e um ou outro tinte pretensamente avermelhado como o Sr. Saramago, os utentes do SAP participam gulosamente no festim que não durará muito. Decorridos alguns meses de visitas de urgência a Tui – muitas vezes e como é hábito, “por dá cá aquela palha” – e passada a euforia do sucesso mediático além-fronteira, sempre queremos ver até quando as autoridades estrangeiras permitirão o abuso ? Podemos imaginar o que daqui a algum tempo se dirá dos portugueses, enraizando o preconceito que é velho de séculos e ainda tão visível no péssimo ou desigual tratamento ministrado a tantos dos nossos que por lá trabalham ou querem investir.
Pois, Mas Nós Somos do Sul da Europa
Os deputados na Suécia são apenas gente normal que trabalha de segunda a sexta.
Nós, por cá, acabamos as licenciaturas ao domingo, oferecemos 20 projectos de engenharia civil a amigos e, para castigo, somos eleitos ministros. Mas tudo democraticamente embrulhado.
Por isso, tem razão Durão Barroso: devemos ajudar a Grécia. Hoje eles, amanhã nós…
Asnices à beira "Duero"
Os opinioneiros de serviço têm destas coisas. Quando nada existe para preencher a agenda própria de alçamento de suas excelsas personalidades, dedicam-se a temas para os quais não possuem a mais insignificante base de sustentação, seja ela histórica ou objecto da reflexão da economia, finanças ou de uma apressada leitura de um textozito de ciência política. Importa é falar de barato e sem tino.
Num amontoado de lugares comuns para comedor de tremoços e fã de cervejola ler antes do início da partida, o sr. Menezes decidiu-se agora e de forma desabrida, pelo iberismo. Esperar-se-ia o desvendar de um aturado estudo da situação nacional e a apresentação das claras e indesmentíveis vantagens de uma união ibérica que embora não seja corajosamente assumida pelo edil-escriba, é implícita no seu texto hoje publicado no oficialista Diário de Notícias. Ninguém quer perspectivar um futuro bastante hipotético, através da reedição de um salto das alturas de uma varanda de edifício público. A coragem não chega para tanto.
Do Ultimatum ao reconhecimento britânico de 1911
De todo o longo processo que o PRP desenvolveu no sentido da subversão do regime da Monarquia Constitucional, a questão da Aliança Luso-Britânica foi sempre um dos principais polos de virulenta propaganda. Mesmo antes dos acontecimentos decorrentes do Ultimato de 1890, os feros ataques ao predomínio da Inglaterra em Portugal, consistiram no eixo primordial da acção política, onde um nacionalismo de laivos retintamente demagógicos, visava antes de tudo, mobilizar uma parte da facilmente excitável e ociosa população das duas principais cidades portuguesas.
Num período onde a expansão colonial atingiu o climax e ameaçou a Europa com a eclosão de uma guerra generalizada, Portugal conseguiu preservar um relevante património colonial, objecto da cobiça dos novéis actores da cena internacional, como a Bélgica de Leopoldo II – a questão do Congo – e logo após a unificação de 1871, o II Reich do Kaiser Guilherme I e do chanceler Otto von Bismack. A arbitragem a que Mac-Mahon foi chamado para decidir (1875) a posse do valioso território banhado pela baía do Espírito Santo (Lourenço Marques), deveria ter representado para a opinião pública nacional, num claro sinal demonstrativo da necessidade da manutenção de um firme apoio britânico à posse portuguesa dos estratégicos e potencialmente ricos territórios em África. De facto, Lourenço Marques era o porto natural do hinterland sul-africano e num ponto de partida da mão de obra destinada às minas do Rand. O desencadear da segunda Guerra Boer (1899-1902), valorizaria enormemente a área geográfica que os britânicos displicentemente designaram até à década de 30 do século XX, como Delagoa Bay.
Cem Anos Sem Rei
.
CEM ANOS SEM REI
O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e “chacun s’amuse à ça façon”.
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado, e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?
A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767 [Read more…]
Centenário da república: a melhor vista, no alto do Parque
Não existiu qualquer profanação ou ofensa de nenhum dos símbolos históricos de Portugal, passados ou presentes. Num mastro deixado ao abandono desde Novembro de 2009, alguns fizeram brilhar ao sol, cores que ali não se viam há quase cem anos. O local tem sido profanado, isso sim, pela omnipresença de uma entidade bancária que fazendo publicidade, pretensamente oferece uma árvore de Natal aos lisboetas. No local panoramicamente mais conhecido da capital.
Para quem tenha qualquer dúvida, aqui está a prova, sem truques de perspectiva, photoshop ou outras habilidades do género. Alguns órgãos de comunicação social de “referência”, já iniciaram a campanha de desinformação, dizendo terem os “Carbonaros” substituído um certo – e respeitável – símbolo inestético e de má memória de um péssimo século, pela bandeira azul e branca.
Como sempre, mentem. A novidade é uma não-notícia, porque totalmente falsa!!
Nos sectores da blogosfera políticamente bem instalada na vida, a resposta obedece previsivelmente ao cânone clássico, preferindo-se desprezar a ousadia e invectivando os monárquicos de patuscos! São tão conservadores e elitistas, são reverentes ao poder, caquéticos, imobilistas e agarram-se ferozmente aos capitosos privilégios de casta! É o eterno argumento dos vencidos reduzidos à defensiva e incapazes de sequer colarem um cartaz, coisa que a passada juventude jamais lhes proporcionou. Sempre tiveram quem o fizesse por eles, a troco de metal sonante. No fundo, fica-lhes tão bem.
Não sabem o que é ser irreverente, com respeito por aquilo que deve ser respeitado.
Pois eu rio-me e muito.

Carbonara – Movimento Monárquico para as Massas:

A Carbonara – Movimento Monárquico de Massas, levou esta noite a cabo, a sua primeira acção directa. Esperem pela manhã de sexta-feira, 26 de Março. O prato servido a Portugal está bem condimentado e tem todos os ingredientes necessários para agradar. Pela irreverência e ousadia! Não perdem por esperar mais umas horas.
Dª Amélia em Centenário

Sempre que deparo com o nome de Dª Amélia numa montra de livraria, franzo o sobrolho. As más experiências que a minha curiosidade tem sofrido, ditam a desconfiança. É que não existem Corpechots, Rochas Martins e Ruis Ramos ao virar de cada esquina.
Acabei de ver em escaparate nas Amoreiras, o livro Dª Amélia, da autoria de Isabel Stilwell. Apenas folheei as derradeiras e demasiadamente sucintas páginas referentes à passagem da rainha no Portugal de 1945, parecendo corresponderem à verdade histórica, embora Stilwell pudesse ter sido mais rigorosa no epílogo, quando da imponente e multitudinária manifestação de pesar popular no funeral da Grande. Mas a obra não pretende ser uma análise histórica do momento social e político do Portugal da 2ª república.
Sócrates em moçambique, Liberdades cá, PCP refém do sindicalismo, PSD procura Chefe
A viagem de Sócrates para Moçambique não só lhe permitiu a ele uma distanciação dos problemas daqui, mas também a nós uma distanciação dele. Foi a meu ver uma visita positiva, embora sem resultados espectaculares, tendo em conta que o português e a CPLP estão a tornar-se uma mais valia económica, e todas as viagens de todas estas personalidades aos diferentes paises desta área são sempre apports para reproduzirem e majorarem essa mais valia. O Instituto Camões ja mediuo valor económico da língua portuguesa e chegou à conclusão que 17‰ do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua.
No parlamento, em Lisboa a Comissão de Ética continua reunir-se mas uma coisa já conclui e por ora só ouviu quase personalidades ligadas ao PSD.
Conclui que “não há duvidas em Portugal que a liberdade de expressão existe, ainda que com o Governo de Sócrates tenha piorado, mas todos concordam que nao ha em Portugal um problema generalizado de liberdade de expressão”. Já aqui o tinhamos dito. O problema da imprensa é de manipulação, não é de liberdade, mas isso já vem de trás, e todos os partidos têm responsabilidades nisso, desde o PCP no tempo do PREC, recorde-se o documento Veloso,ao CDS, passando pelo PSD e pelo PS. [Read more…]
A questão dos adiantamentos (Centenário da República)
Temos estado a analisar os principais motivos que conduziram à queda do regime monárquico. O Ultimato, o 31 de Janeiro e a questão dos tabacos foram muito importantes nesse percurso, sem esquecer os escândalos da vida pessoal do monarca, uns verdadeiros, outros inventados ou exagerados. Outra tema explorado pela propaganda republicana e pela dos monárquicos dissidentes foi a dos adiantamentos à casa real. E no que consistia isso?
Era prática corrente desde D.João VI, o ministério da Fazenda ir cobrindo despesas que a família real fazia e que excediam as verbas atribuídas, com adiantamentos em dinheiro. Como os adiantamentos de um dado ano civil não eram cobertos por descontos na verba institucionalmente atribuída no ano seguinte, o défice destes adiantamentos (realizados à margem da lei e da intervenção parlamentar) ia acumulando-se. [Read more…]
Uma Grande de Portugal
![Tributo1[1]](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2010/02/tributo111.jpg?resize=224%2C300)
As mais extraordinárias iniciativas são por vezes desconhecidas da imensa maioria, para quem apenas é notícia aquilo que a imprensa entende divulgar. As obras de assistência social são hoje geralmente aceites como da atribuição desse ente que flutua acima das nossas mortais consciências e que se convenciona denominar como Estado. Esta mirífica entidade do éter, é afinal a soma de todos os portugueses e esta é uma clara verdade que não queremos reconhecer, devido ao muito luso e atávico costume do desinteresse pela coisa pública. Esquecemos facilmente associações beneméritas – algumas velhas de séculos – e que preencheram o imenso vazio que as mentalidades de outrora votavam a dezenas de gerações que permaneceram na desafortunada base da pirâmide social.
A questão dos tabacos (Centenário da República)

A antiga Fábrica de Tabacos de Xabregas
1906 foi um ano crucial no desgaste do regime monárquico. Para além da crise política que vinha de trás, a questão dos tabacos e a dos adiantamentos à casa real, embora correspondendo a factos e a erros ou atropelos da legalidade por parte dos sucessivos governos, foram aproveitados pela máquina de propaganda republicana (e não só).
Vejamos a questão dos tabacos. Não vos vou contar a história desde o princípio, de como a partir do século XVI a planta começou a ser introduzida na Europa. No século XVIII, em Portugal, o negócio do tabaco era já significativo. Uma lei de 1736, assinada por D. João V, proibia a entrada de planta estrangeira, em Portugal e em todos os territórios administrados pela Coroa. [Read more…]
Estamos em ano de Sem-tenário…

Anda Portugal inteiro raladíssimo com o défice e por isso mesmo, urge auxiliar o governo no corte da despesa. Pode bem começar num edifício contíguo, onde as verbas para 2010 serão as seguintes:
1 – Vencimento de Deputados ……………………………………………12 milhões e 349 mil Euros
2- Ajudas de Custo de Deputados………………………………………..2 milhões e 724 mil Euros
3 – Transportes de Deputados …………………………………………….3 milhões 869 mil Euros
4 – Deslocações e Estadas …………………………………………………..2 milhões e 363 mil Euros
5 – Assistência Técnica (qual?) …………………………………………… 2 milhões e 948 mil Euros
6 – Outros Trabalhos Especializados (quais?) …………………………3 milhões e 593 mil Euros
7 – Serviço restaurante, refeitório, cafetaria…………………………………………… 961 mil Euros
8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares………………………………………………970 mil Euros
9 – Equipamento de Informática ………………………………………….2 milhões e 110 mil Euros
10 – Outros Investimentos (quais?) …………………………………….. 2 milhões e 420 mil Euros
[Read more…]
Estórias do Sem-tenário de 2010

Salário de Barack Hussein Obama, presidente dos EUA….. 294.000 EURO/ano (400.000 USD)
Salário de Armando Vara no BCP (2009)……………………………. 480.000 EURO/ano (653.000 USD)
Dotação de Cavaco Silva, presidente de Portugal…………………………………………17.000.000 EURO/ano
Dotação de João Carlos I, rei de Espanha…………………………………………………… 8.500.000 EURO/ano
e agora, uns pequenos detalhes acerca de gente mais comum:
Verdades ocultas

Este post no Combustões, alerta-nos para uma realidade que todos conhecem, mas que ninguém pode atrever-se a combater. O regime assenta totalmente nestas fidelidades impostas por uma manjedoura que por pouca ração que sirva, sempre garante o sustento à maioria de dependentes directos e indirectos. Na verdade, por detrás dos parcos salários de 750 Euros, esconde-se um outro Portugal, bastante exclusivista e quase secreto para milhões de distraídos. É o contentamento pela malga meio vazia, mas garantida para a maioria. No entanto, existe aquele outro país das comissões instaladoras, das comissões executivas, dos gabinetes de paus-para-toda-a-obra nomeados pelo partido que esteve, está ou estará no poder e que numa ciranda, vai garantindo os necessários postos para o efectivo controlo do todo.
Confirma-se o azul e branco em Belém?
Nesta confusão total em que se transformou o palco da política, surge agora o anúncio da candidatura de Fernando Nobre à presidência. Tem toda a legitimidade para o fazer, até porque o seu nome corta transversalmente todas as facções políticas presentes – e fora – do Parlamento.
Deve-se no entanto, tomar nota de um aspecto curioso. O dr. Fernando Nobre tem sido desde há muito, conotado com a Causa Real. Para qualquer dúvida, poderão consultar este link:
14 de Fevereiro de 1910 e os 5 mil contos do défice

O «Diário de Notícias» revela que ontem, Domingo, os ministroa do Reino, Justiça e Fazenda foram a casa de José Luciano de Castro, com quem conversaram durante algum tempo. Ontem, foi também a reunião do Partido Regenerador em Cascais.
Teixeira de Sousa, que fora eleito chefe do Partido no dia 16 de Janeiro, promete que irá tentar fortalecer o Partido e respeitar a memória de Hintze Ribeiro. Critica a situação económica do país, que já tem 5 mil contos de déficit e 80 mil de dívida flutuante. O rendimento das alfândegas está hipotecado, bem como o rendimento dos Tabacos, dos Fósforos e dos Caminhos-de-Ferro. Há risco de bancarrota porque não há mais nada para hipotecar. O estado das colónias é de descalabro. Não há assistência pública,a instrução é rara e má, as corporações administrativas asfixiam sob uma tutela que as esmaga. «A lei eleitoral é uma burla, a soberania do povo não existe»
De Coimbra, Hipólito Raposo escreve o texto «As Engomadeiras». «A minha engomadeira é uma mulher esperta, risonha e bem falante, com o timbre de voz docemente cantado que torna a pronúncia de Coimbra a mais bela de Portugal.»
No futebol, o Gilman Sporting Clube ganhou por 3-0, no Lumiar, ao Sporting Clube de Portugal
Os dias do fim – 13 de Fevereiro de 1910
![]()
Teixeira de Sousa
É a edição de Domingo do «JN», maior e mais ilustrada do que o costume. Dois «cartoons» marcam a primeira página. Num deles, dois pobres conversam enquanto vasculham o lixo. «Um papel assinado?» – pergunta um. «Isso deve ser um programa político» – responde o outro. No segundo cartoon, um homem sentado à mesa: «Como tudo muda! Antigamente os bifes… eram maiores.»
Ainda na capa, é publicado um extenso «dossier» intitulado «A Onda Vermelha» – o grande aumento da criminalidade que se está a verificar em Portugal.
No noticiário político, o Conselheiro Teixeira de Sousa vai assistir a uma reunião do Partido Regenerador em Cascais. Segundo se diz, no último Conselho de Ministros houve graves desavenças por causa de uma comissão ilegal que foi concedida ao general Baracho.
O rei recebeu ontem Francisco Pires Bordalo, Melchior Guedes e Manuel Luis Lima Perfeito de Magalhães, representantes da Associação Comercial de Lamego, e ainda Henrique Taviera, presidente da Associação Industrial Portugesa. Os presentes ofereceram ao monarca uma caixa para tabaco feita de uma só peça de madeira de cerejeira, com ornamentação em ouro. O objectivo da comitiva era pedir ao monarca o prolongamento da Linha da Régua até Lamego.
Faltam 235 dias para a instauração da República.
Sem progresso ou regeneração possíveis.

O aparente declínio da actual maioria parlamentar e a iminente eleição do novo presidente do maior partido da oposição, são demonstrativos do funcionamento daquilo a que em Portugal se convencionou chamar de “rotativismo”. Expressão cunhada nos finais do século XIX e à época conotada depreciativamente, espelha afinal a natural alternância no poder de forças que aparentemente antagónicas nas suas bases programáticas e sociais, são a essência da manutenção daquilo a que os marxistas apodaram de “democracia burguesa”. Este tipo de organização constitucional firma o seu edifício no primado da Lei, liberdade de pensamento, expressão e reunião e os consequentes direitos adquiridos ao longo do processo de modernização social que se estenderam à saúde, educação, habitação, etc. Portugal foi um dos Estados pioneiros na construção daquilo que se convencionou designar por liberalismo, pois a consolidação do regime da Carta a partir da década de 60 – a Regeneração -, normalizou o relacionamento inter-institucional, criou as condições para um impressionante desenvolvimento económico e possibilitou o país a constitucional e gloriosamente consagrar ad eternum princípios fundamentais, como a abolição da pena de morte.
Os dias do fim – 12 de Fevereiro de 1910
É Sábado. Na política nacional, Francisco Beirão não parece disposto a continuar à frente do Governo depois do falhanço das negociações relativas à reforma da lei eleitoral. Diz a boataria que lhe sucederá um Governo liderado por Júio de Vilhena.
Saiu a público o primeiro número da revista «Alma Nacional», dirigida pelo republicano António José de Almeida.
Morreu ontem o Conde de Tattenbach, que esteve em Portugal durante alguns anos como ambaixador da Alemanha. Ainda do estrangeiro, um sacerdote foi envenenado em Roma enquanto rezava a missa. Em Paris, começou a ser representada a peça Chantecler, no Teatro de Port Saint-Martin.
Faltam 236 dias para a instauração da República.
A Carbonária, a «coruja» e a conspiração do Regicídio – 2 (Centenário da República)
Bandeira da Carbonária Portuguesa.
Pelos últimos dias do ano de 1907, por ocasião do Congresso Internacional de Imprensa que se realizou em Paris, tiveram lugar algumas reuniões entre políticos republicanos portugueses e revolucionários franceses. Os encontros realizaram-se no café de um hotel, que creio ainda existir, pois não há muitos anos fiquei lá hospedado uns dias – o Hotel Brébant, no Boulevard Poissonière (um hotel relativamente barato, mas que não recomendo – um rato resolveu fazer-me companhia e comer parte de uma tablete de chocolate que deixei sobre a mesa da televisão…).
Nessa reunião de há 103 anos o assunto em agenda era, nem mais nem menos do que a supressão física de João Franco, chefe do Governo português. Na sequência dessa e doutras reuniões, foi criado o «Grupo dos 18», com a missão especifica de organizar a execução de João Franco. Um mês depois, em 28 de Janeiro de 1908, eclodiu a chamada «Revolta do Elevador», da qual falei aqui. Como disse, a revolta falhou e muitos dos líderes foram presos.
Entre os republicanos que a polícia encarcerou, estava Luz de Almeida, o comandante supremo da Carbonária. Grandes vultos do Partido Republicano Português – João Chagas, França Borges, António José de Almeida e muitos outros, foram também presos. Alguns conseguiram fugir, como os monárquicos dissidentes do Partido Progressista, entre eles José Maria de Alpoim e o visconde da Ribeira Brava. Como é que monárquicos estavam ligados a republicanos e com eles conspiravam para derrubar a Monarquia? [Read more…]
Os dias do fim – 11 de Fevereiro de 1910

Com o fim do Carnaval, a actualidade política regressou ao topo da actualidade. O «Jornal de Notócias» fala da reforma eleitoral e das audições aos Partidos que estão a ser promovidas pelo chefe do Governo, o progressista Francisco Beirão. Não se sabe muito bem em que consistirá essa reforma, embora se fale na criação de pequenos círculos de 2 a 6 deputados, na existência de voto obrigatório e voto por procuração para os entrevados e ausentes, «excepto o gato do sr. José Luciano de Castro, que esse vota por acumulação».
Entretanto, os partidos da Oposição queixam-se da perseguição que lhes está a ser movida pelo ministro da Fazenda. Francisco Beirão bem prometeu que não haveria retaliações, mas «teve de largar do bico o raminho de oliveira ou engoli-lo, transformando ao mesmo tempo a bandeira branca em lençol para envolver o corpo dos adversários que vão descendo à cova.»
Reuniu-se ontem a Câmara do Porto, sob a liderança do presidente Cândido de Pinho. Foram debatidos os melhoramentos na cidade, em especial o porto de Leixões e do Douro. Em Coimbra, foi preso o democrata Francisco da Fonseca, por ter em casa duas carabinas novas e algumas caixas de munições. Em Braga, vai ser organizado um «bodo aos pobres» por iniciativa do conde de Agrolongo.
Do noticiário internacional, saliente-se a tomada de posse do novo Governo de Espanha, chefiado por José Cavalejas. Em Paris, anda à solta um estripador que já fez dezenas de vítimas. Em Tribunal, uma mulher, Roselia Bosch, foi condenada À morte por ter morto uma rapariga.
Faltam 237 dias para a instauração da República.
A Carbonária, a «Coruja» e a conspiração do Regicídio – 1 (Centenário da República)
Com mais este terceiro texto (desdobrado em dois) sobre o tema do Regicídio encerrarei, para já, este assunto. Com a plena consciência de que muito (ou mesmo quase tudo) fica por dizer. Tendo servido de assunto a muitos livros, a questão do Regicídio não se esgota em pequenas crónicas que, como esta, apenas permitem aflorar, muito superficialmente, alguns aspectos. Nos textos anteriores, além de um enquadramento político do atentado, vimos como ele se passou.
Como disse no texto anterior, todas as reconstituições iconográficas do Regicídio são, no mínimo imprecisas. A que vemos acima é, apesar de tudo, uma das menos fantasiosas. O cenário está perfeito, é a Rua do Arsenal sem invenções. O Costa está a ser agarrado pelo cívico que lhe vai disparar um tiro na cabeça. Mas, à esquerda vemos Buíça, que tinha ficado no Terreiro Paço e ali terá sido acutilado e morto. Todavia, mesmo com este erro, talvez seja, entre as muitas dezenas de reconstituições que vi, a que menos mente.
Em todo o caso, ficou na sombra algo que nunca se esclareceu. No Terreiro do Paço, além de Buíça e de Costa, quantos mais elementos intervieram. Pela peritagem da Polícia Científica, chega-se à conclusão de que foram pelo menos cinco, os que participaram no atentado. É uma evidência que os projecteis encontrados, nos corpos, no landau, nas arcadas, foram provenientes de cinco armas diferentes, embora duas delas fossem iguais – carabinas Winchester de calibre 351.
Identificou-se também as munições de calibre 7,65, da pistola Browning do Costa. No landau, foram encontrados vestígios de projécteis de calibre 6,35 e, também no landau, a perfuração de um projéctil 5,5 do chamado tipo «Vello-dog», revólveres de pequeno calibre e fraco poder de penetração que os ciclistas usavam para afastar os cães. [Read more…]
Os dias do fim – 10 de Fevereiro de 1910

Terminado o Carnaval, é tempo de regressar à normalidade. «Findou o período de loucura e de disfarce, anualmente permitido, para que se julgue haver juizo e verdade durante o resto do ano», diz o correspondente de Lisboa do «Jornal de Notícias».
Em Braga, foram grandiosos os festejos carnavalescos promovidos pelo Clube dos Invencíveis. No Porto, foi a enterrar o alquilador José Galiza.
O noticiário internacional está marcado pelas grandes cheias de Paris – as águas chegaram a atingir 6 metros de altura. Há milhares de mortos. Neste momento, felizmente, as águas do Sena já começaram a descer. No Brasil, o navio «Minas Gerais» vai à Virgínia buscar os restos mortais do seu embaixador em Washington Joaquim Nabuco. Como principal momento da sua carreira, a luta contra a escravatura. Ainda no Brasil, morreu o poeta Luis Delfim dos Santos.
O photógrafo H. Loureiro – Nellas anuncia «Photographias Galantes» de nús a 500 réis a dúzia.
Faltam 238 dias para a instauração da República.
Os dias do fim – 9 de Fevereiro de 1910

via Póvoa 2010
Hoje, dia 9 de Fevereiro de 1910, não houve jornais. Ontem, comemorou-se a Terça-Feira de Carnaval, razão pela qual os jornalistas e tipógrafos não trabalharam.
No dia 8, o tema do dia era precisamente o Carnaval, com dois cartoons alusivos à quadra e um longo texto sobre a história do Carnaval.
Em Lisboa, fala-se da possibilidade de organizar uma grande Exposição Internacional, da qual faria parte a construção de um grande palácio no alto do Parque Eduardo VII.
No noticiário internacional, aventa-se, segundo informações vindas da capital francesa, que o cometa Halley vai chocar com a Terra. Dá-se também conta de um crime em Paris, com duas mulheres degoladas por motivos passionais.
Ainda no que respeita à criminalidade, a D. Maria Rosa de Almeida foi assaltada no Porto. Roubaram-lhe, no largo dos Lóios, uma bolsa que ela trazia no avental com 5 meias libras, 10$000 réis em dinheiro e um vigésimo da Lotaria de Lisboa.
Morreu José Galiza, «estimado e importante alquilador» do Porto. Foi ele que estabeleceu o serviço de carros eléctricos entre Vila do Conde e a Póvoa.
O «Jornal de Notícias», dirigido por Alfredo de Figueiredo e com 42 mil exemplares de tiragem diária, já é o jornal com maior circulação no norte do país.
Faltam 239 dias para a instauração da República.
No Centenário: quando a Inglaterra visitou Portugal
9 de Agosto de 1902, consagra o verdadeiro início do século XX na Inglaterra. Nesta data foi coroado Eduardo VII e a Europa despediu-se do longo período vitoriano, durante o qual conquistou o mundo e se forjaram novos Estados, pela unificação imposta por nações e exércitos. A Itália e a Alemanha tinham deixado de ser meras expressões geográficas e cumpriam o seu decisivo papel no frágil equilíbrio de forças plasmado em alianças que mantinham o staus quo de fronteiras e regimes.
Ascendendo ao trono aos sessenta anos, o monarca assistira ao longo processo de consolidação dos nacionalismos continentais e à rápida transformação imposta por uma revolução industrial que tendo na sua pátria o berço, rapidamente teve réplica além-Mancha, originando uma outra realidade política e económica que não deixava de ameaçar a até aí incontestada supremacia britânica.
Como Príncipe de Gales e sucessor designado de Vitória, viajou e conheceu os grandes vultos do seu tempo, fossem eles políticos, financeiros ou artistas. Conviveu com os parentes que ocupavam os mais importantes tronos da Europa e foi talvez o primeiro habitante das Ilhas Britânicas a verificar a vantagem implícita no conhecimento in loco de outras sociedades potencialmente rivais da sua. O Grand Tour onde criou fama de bon vivant frívolo e mulherengo, permitiu-lhe o estabelecimento de contactos que décadas mais tarde, seriam preciosos esteios de um Foreign Office sempre mal amado pelas chancelarias europeias.
[Read more…]














Recent Comments