Perguntas do Centenário da República


Sabia que em 22 de Abril de 1924, foi dada a ordem de venda, em Londres, de uma montanha de 146 toneladas de prata, guardada e amontoada pela “ruinosa e falida” monarquia deposta em 1910?

Serviu para estabilizar o Escudo em queda livre nos mercados cambiais. Durou pouco, essa estabilidade. Voltaria rapidamente à desvalorização, empurrando o país para a ditadura da 2ª República. Nada que não se saiba.

Revolta Total

Portugal está à beira do caos. O país pode paralisar com greves e outras formas de protesto. Os portugueses estão revoltados e exigem mudanças.

O Centenário

Quando foi a última vez que o povo deste país pegou em armas? (a sério, digo)

Assalto por encomenda


Estamos em crise e o senhor Cavaco Silva foi uma vez mais atrás de D. Manuel II. Tal como o rei, viajou até ao Buçaco, para quase incógnito, comemorar discretamente a vitória sobre a “querida França do regime”. Bem ao contrário do Desventurado, não foi recebido em delírio pelas populações e muito menos ainda, pelo exército. Sabe-se que o rei terá exclamado após tanto entusiasmo, ….”hoje conquistei o exército!” Pensava ele nos promissores fastos dessa conquista, sem sequer imaginar que uns dias depois, aquelas espadas lustrosas permaneceriam oportunistamente nas bainhas. Pelo contrário, seriam os cutelos do talho no qual Portugal se transformaria por muitas décadas.

São assim, os defensores da pátria e das instituições. Estamos habituados. Isto dizemos, para que o senhor Cavaco Silva saiba do país em que se vive. Hoje inaugura festas e para a semana poderá ter de partir à pressa. Nunca se sabe, nem nada está garantido. É a única certeza.

[Read more…]

Pagando produções fictícias


Imaginemos algumas situações que hoje, qualquer bípede julgaria caricata:

1. Estando vivo até uns anos depois de 1974, o governo português convida António Lopes Ribeiro, para a realização de uma mini-série sobre a tomada do poder pelos militares e a consolidação da 2ª República sob a direcção de António de Oliveira Salazar.

2. Em 1955 e decorrida uma década após o desaparecimento do III Reich, a recentemente constituída República Federal da Alemanha, contrata Leni Riefenstahl e Wolfgang Liebeneiner, com o fim de passarem ao cinema, a tomada do poder por parte do NSDAP de Adolfo Hitler.

[Read more…]

Repressão à imprensa: um história bem escondida


A Repressão da Imprensa Na 1ª República
Exposição Em Lisboa no Palácio da Independência
04 a 15 De Outubro.
Estará patente no Palácio da Independência, ente o dia 04 e o dia 15 de Outubro a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República”, organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real.

Esta exposição é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também, o que é mais penoso, à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano. Trata-se da exibição dum conjunto de várias dezenas de quadros que evidenciam existência de um sistema repressivo regular e duradouro, mantido ao longo da primeira república.

[Read more…]

A Múmia (ou Humor Azul-Alaranjado com Humor Negro se Paga)

Mantemos o preâmbulo da Constituição para preservar uma peça arqueológica.

disse Paulo Teixeira Pinto, o monárquico presidente da Causa Real, a quem o PSD confiou a direção da proposta de revisão da Constituição da… República.

Parece-me bem, acho que é uma razão atendível, provavelmente até legalmente atendível (pois podia dar-se o caso de ser atendível, mas ilegalmente). Sou dos que concordam com a preservação das peças arqueológicas.

Ironicamente, sempre que olho para Paulo Teixeira Pinto, fico com a sensação de estar perante uma múmia falante e em movimento. Preserve-se, portanto. A arqueologia nacional agradece, a nação engrandece e por aqui se veria, se dúvidas restassem, quão fascinante  pode a arqueologia contemporânea realmente ser.

De um ersatz para outro ersatz


Admirável, a forma como se analisam as situações, dependendo de quem exerce o poder. Mário Soares que é, de longe, do melhor que o regime ainda pode apresentar, discursou uma vez mais. Numa conferência inserida na comemoração do glorioso golpe de Estado que deu a Portugal o progresso, democracia e paz, o ex-presidente abordou as questões mais prementes da actualidade. O emprego, ou melhor, a falta dele, mereceu umas tantas palavras que serviram como aviso. Assim, foi dizendo que a propósito dos “gritos” por mais salários, ……”é preciso também saber de onde é que ele (o dinheiro) vem. Não basta pedir e descer uma avenida a gritar para julgar que o dinheiro vai cair, pois não vai”. O conforto auto-confiante dos aposentados de cinco estrelas, dá-lhes uma certa autoridade para increpações a quem se atreve a “não compreender” uma “conjuntura grave e que veio de fora”.

Não deve ser o mesmo Mário Soares do “direito à indignação” dos tempos de Cavaco Silva, hoje seu sofrível ersatz belenense. Este círculo vicioso do “Chefe de Estado supra-partidário” que faz os favores ao seu Partido, conduz ao completo descrédito dessa raridade que se limita a uns tantos países do planeta. De facto, a democracia não se extingue na formalidade dos grandiloquentes enunciados e das formalidades eleitorais que a legitimam. Significa antes do mais, o sacrifício pessoal daqueles que a defendem, ordenam e conduzem. Isto é precisamente, aquilo que tem faltado. Uma política de Estado que se sobreponha à de grupo e que noutros países, é nitidamente extensível à educação, relações externas, defesa e economia.

Quando o optimista Mário Soares afirma que …”a situação é grave, mas é uma situação que tem saída. Nós temos de lutar e não estarmos sempre a dizer que queremos isto e que queremos aquilo”, bem podia iniciar um aturado período de circunspecta autocrítica.

Qual é a saída?

Analfabetismo


O Público tem divulgado uma série de textos alusivos à comemoração do centenário da República. Por regra, o tom laudatório predomina, escamoteia a realidade histórica e reafirma as superstições que ao longo de gerações, foram insistentemente inculcadas nas mentes dos portugueses. O analfabetismo na sua versão mais moderna que sem dúvida é a iliteracia, torna-se assim, numa preciosa ferramenta para a manutenção de um teimoso olhar para um passado, onde a divagação ocupa o lugar de primazia, relegando a análise multidisciplinar, para o âmbito de um número muito restrito e díspar de curiosos da história. Simplificando, a narrativa do preconceito é de fácil divulgação, atinge o objectivo político e torna os eventos identificáveis em termos sociais, atravessando sem distinção de extractos, todo o corpo nacional. É esta afinal, a exclusiva e mais perene vitória do defunto PRP.

No mais moderado e credível texto do Centenário divulgado pelo Público, Joaquim Pintassilgo aborda os temas do analfabetismo e da educação popular, que aparentemente tiveram os seus defensores em entrecruzadas trincheiras, quando não opostas. De facto, o problema da escola e da formação já vinha de longe e o chamado Iluminismo pombalino, num afã imediatista de concentração de poderes à laia de modernização do Estado e liquidação das informalmente aceites autoridades multipolares numa sociedade predominantemente rural, comprometeu de forma irreversível, a criação das desejáveis elites de que o país, apesar de tudo ainda imperial, necessitava. A escola tacitamente confiada aos clérigos como aliás, passe o anacronismo do conceito, a “assistência social”, foi uma das primeiras vítimas do desejo do controlo absoluto de um poder político emergente que de imediato, identificava a velha nobreza e a Igreja, como os principais adversários. Rapidamente, o restrito corpo discente viu-se sem mestres capazes, expurgado pelas maciças expulsões e sobretudo, pelo progressivo estiolar da investigação, compilação de registos e arquivos e também, da necessária salvaguarda da formação dos instrumentos humanos que garantiam a normal continuidade e adequação da administração pública. Mais tarde, os republicanos, encandeados pelos grandes princípios generalizantes que de fora chegavam, totalmente submeteram o seu “programa” a um sem número de artigos, onde o populismo fácil de mera propaganda assimilável pela massa citadina, garantia uma audiência minoritária, fazia vista e sobretudo, era ruidosa. Os grandes mitos do sangue, da terra e do altar da Monarquia, tornaram-se naquela trilogia que na prática, acabava por justificar a outra, a parisiense ressonância que incendiara a Europa. Numa Lisboa que de novo se transformara numa terra de muitas e desvairadas gentes, estava criado o cadinho essencial para a agitação permanente condicionante da política e mais ainda, que tolhia de receios uma população de extracto médio, imbuída por um geral respeito e aceitação da ordem estabelecida pelo liberalismo constitucional, este sim, introdutor das tais sempre aguardadas novidades e progressos que fizeram Portugal caminhar naquele sentido europeu reclamado pela burguesia.

[Read more…]

A Cultura em África

Nossa Senhora das Águas da Barragem

Nossa Senhora das Águas da Barragem

(ou a Ministra da Incoerência)

“A Cultura é um elemento indispensável para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e para a qualidade de vida, factor de cidadania e instrumento fulcral para a compreensão e conhecimento crítico da realidade.”

É assim a Cultura. Eu ainda sou do tempo em que a cultura em Portugal era uma coisa autêntica, das pessoas e dos sítios, ancestral. Depois criaram-lhe uma Secretaria de Estado da mesma cultura. Mais tarde, a Cultura passou a ser um ministério, o Ministério da Cultura. E eu a pensar que a Cultura seria sempre um insuspeito ministério, o dos artistas, sempre lá seu mundo de artistas, alheado das vagabundices terrenas, sublime, espiritual, etérea, cultural, a Cultura…

Foi-me preciso acordar na África Negra para descobrir uma Cultura que financia (via RTP) as touradas, que diz, à tarde, que o vale do Côa não é património de Foz Côa ou de Portugal, Foz Côa é Património da Humanidade!!!! (colocar ênfase lisboeta na leitura, pf) quando, de manhã, a mesma “Cultura” diz que a classificação do vale do Tua como monumento nacional não impedirá a construção de uma barragem que, ooops, apagará o vale em vias de classificação cultural…

Feneceu uma talentosa Ministra da Cultura. Ganhámos, ao menos, uma Mercenária by EDP. Vergonha…

Era Melhor Poucos mas Bons

Será por isto que dizem que Portugal e o Brasil são países irmãos?

João Vieira é o meu Presidente

Não é o presidente de todos os portugueses, é só de alguns. Viva o Rei!

A tiro de obus!

Oportunamente distraídos pela plena e ininterrupta campanha eleitoral em que há muito se empenha Belém e pelos futebóis que se tornaram no principal esteio do cambaleante Esquema, os portugueses não podem imaginar o que os seus lídimos dirigentes preparam. Nem sequer já mencionando o nada estranho conluio que representa a “força de intervenção europeia” que ditará Golpes de Praga em ocasiões azadas pelo directório bruxelense, eis que surge uma clara e incontornável programação para o enfrentar de qualquer eventualidade.

Muito pela rama, um canal noticioso passou rapidamente uma peça, cujo tema versava a segurança interna do Estado. A má nova despercebidamente se desvanecerá nos sinais rádio enviados para o insondável abismo cósmico. No entanto, consiste num preocupante motivo de rápida reflexão por parte dos potenciais e evidentes alvos da securitária intenção: nós, o vulgo.

[Read more…]

um busto para O república

Alguém explica ao sr. Rui Sanches a diferença entra A república e O república?

Agradecia, e não me refiro apenas à gramática, nem às coisas de género, é mais em relação à História.

Até gosto da ideia, vista de trás para a frente:

Inglês Técnico Para Tótós (3)

Plunder – saquear, roubar, tomar posse.

Inglês Técnico Para Tótós (2)

Esquerda – o mesmo que Direita ou Centro.

"Primeiro Intercidades Sem Comboio"

A antiga estação de Viseu. Foto retirada do grupo do Facebook de apoio (clique).

Deitou-me ao chão. Fui agora mesmo derrubado – a prosa poética de Fernando Ruas, edil de Viseu desde tempos imemoriais, prepara-se para bater mais um recorde (e, desta vez, não é o de dirigir a maior cidade europeia sem caminho-de-ferro).

Desta feita, Ruas vai mesmo é fazer “fazer o primeiro intercidades sem comboio”.  Tal vindo do homem que, na qualidade de autarca, deu uma mãozinha na demolição da antiga estação de Viseu, a dois passos do centro histórico, é de mestre. O mesmo Ruas exige mesmo o comboio na cidade e o povo (tendecialmente amnésico ou apenas estúpido) acredita e não pede contas. Todos se esqueceram que ao Cavaquistão se chegava por duas vias férreas (Dão e Vouga). Pornografia é….fazer um Intercidades sem comboio…

Inglês Técnico Para Tótós (1)

Passócrates – o mesmo que Socrelho.

O Estado, Thievery Corporation

Thievery Corporation, pelo contrário, boa música (clique)

as PME representam 99,5% do tecido empresarial, geram 74,7% do emprego e realizam 59,8% do volume de negócios nacional.

A estória que se segue assenta, rigorosamente, em factos irreais e consumados. De facto, irreais…

Imagine o leitor um país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, imagine Portugal; imagine que nesse pequeno país uma parte maciça do emprego é gerado por pequenas e médias empresas (até 250 trabalhadores); imagine que muitas destas são apenas pequenas empresas (até 50) e destas muitas são micro-empresas (até 10). E, de entre estas, as nano-empresas. Temos um assim um vasto tecido empresarial de 214.527 (INE, 1998). Ou, como agora se diz, “nano, micro, pikenas e médias empresas”.

Imagine que estas empresas têm contabilidade trimestral e que, por isso, no final de cada trimestre têm que reportar às Finanças, nomeadamente entregando o iva sobre sobre os bens transaccionados no trimestre findo. Sem apelo nem agravo, o iva – um imposto sobre o consumo – será entregue ao Estado considerando a data de emissão das respectivas facturas pelas tais nano, micro, pikenas e médias empresas e desconsiderando totalmente se as mesmas facturas foram já liquidadas pelos clientes finais.

[Read more…]

A Porno Tv

Neste ano centenário da República laica, ando a tentar perceber o que me envergonha mais.

– Financiar a visita de um líder religioso ou financiar touradas onde, sem bolinha e sem vaselina, são espetados guilhos em animais.

RTP, a Porno TV?

Mais uma mentira


A escola e os seus mestres, a universidade, bibliotecas, a formação cívica. Tudo isto consiste no primordial ponto de insistência dos convivas da perdulária Comissão Oficial do Centenário republicano. Coincidentemente, aqueles que reivindicam a fanada memória da abjecção costista – uma supersticiosa questão de espiritismo de mesa de pé de galo -, liquidam de uma penada, páginas e páginas de prolixa escrita intencional, fazendo mofa dos textos oficialistas tão mal propagandeados pela dita Comissão. Mentiras, ganância, negociatas com o privado, incompetência e sobretudo, uma falta de respeito por quem ensina, por quem paga esse ensino e sobretudo, pelo corpo discente condenado a definhar ou a submeter-se à qualitativamente muito discutível escola privada.

[Read more…]

Carla Bruni


Uma sugestãozinha à Comissão do Centenário que anda tão fracassada. Arranjem uma destas, substituindo as bombardas do costume. Talvez consigam convencer mais uma meia dúzia de “vuvuzelas”. Não é uma boa ideia?

Bruna Real, a Republicana (2)

Bruna Real, a Republicana (1)

Portugal, essa minha criança

a primeira imagem da República de Portugal, faz 100 anos

Pensa-se que o amor à criança é genético. Entre a minha experiência dispersa por vários textos e livros, e a de Eduardo Sá, expressa, entre outros, no ano de 2003, diria que esse amor é resultado do convívio respeitoso, da acumulação de experiências na memória acumulada no decorrer do tempo ou história da interacção social entre progenitores e descendentes.
Poderia afirmar sem medo de me enganar que o amor não é genético, não é o acto de parir que o transporta: mas sim, o amamentar, acarinhar, beijar, cuidar, ensinar, que podem (e devem) ser exercidas por ambos os progenitores. A criança desenvolve-se no meio de percalços e de doenças, bem como entre estigmas de crescimento que o tempo vai marcando no seu ser e afazer, organiza a sua inteligência e estrutura a sua boa disposição, ou a sua saudade. [Read more…]

21 Milhões para Belém!

Esta também passou de fininho. Olarilololó, “Viva” a República… Numa época de contenção e sempre de “Falconaria para cá e Falconaria para lá”, chega agora a notícia do reforço da verba para a presidência da comemoracionista república. Gatucho escondidinho de rabo de fora, os módicos 17,7 milhões de Euros anuais, sobem às alturas do nirvana e atingem agora os 21 milhões. Algumas sugestões para a justificação deste bodo aos pobres:

1. Contratação de professores de etiqueta e protocolo do Estado.
2. Mais duas dúzias de assessores ventríloquos que estejam incumbidos dos discursos e apartes públicos dos residentes de Belém.
3. Renovação urgentíssima da frota automóvel que como se sabe, é velhota de 12 meses.
4. Contratação a tempo inteiro de José António Tenente e de Miguel Vieira.

*Aceitam-se mais sugestões que iremos acrescentando a esta lista.

semana de desencontros

Eusébio da Silva Ferreira, grande goleador do Benfica

tEusébio da Silva Ferreira GCIH, GCM (Lourenço Marques, 25 de Janeiro de 1942) é um ex-futebolista português, de origem moçambicana. Considerado um dos melhores futebolistas de todos os tempos, marcou 733 golos em jogos oficiais e 1137 golos na carreira. Foi o melhor jogador do Sport Lisboa e Benfica, e, se compararmos, um dos melhores jogadores de vários clubes nacionais e internacionais. Esta semana fica marcada por este primeiro desencontro. Nascido na então Lourenço Marques, hoje Maputo, capital de Moçambique, ficou conhecido como Pantera Negra, biografia em: http://www.slbenfica.pt/Clube/Historia/GrandesJogadores/Avancados/avancados.asp. Para nossa tristeza, faleceu exactamente dois dias depois do seu clube (Benfica) ter conquistado, pela trigésima terceira vez, o Campeonato da Liga Portuguesa de Futebol, a 9 de Maio deste ano.

Este é o início do texto que tinha preparado para o dia de hoje, mas um grande e feliz, neste caso, desencontro me aconteceu. O Eusébio falecido não é o Pantera Negra, mas uma das lontras marinhas do Oceanário de Lisboa, nunca uma gargalhada me soubera tão bem quanto aquela que dei ao perceber o meu grande equívoco. [Read more…]

Profissão: Polícia-Comissionista*

é uma tarde de verão de um dia de Maio; a Guarda Nacional Republicana, quase centenária como a república nacional, tem um brigada junto a uma rotunda, junto à linha do comboio. Passam carros, os agentes bem fardados levantam a mão, param os carros. Boa tarde, senhor condutor, os seus documentos e os documentos da viatura, se faz favor, com certeza, senhor guarda. Os meus documentos, os documentos deste veículo. O senhor onde mora? Moro ali. A sua carta de condução não condiz com o seu bilhete de identidade. Senhor guarda, eu sou um cidadão do mundo, tanto moro aqui como moro na casa do meu pai ou noutro sítio qualquer, sou um cidadão do mundo. Não é nada, só há um domicílio. Tem três dias para apresentar a carta rectificada. Remeto-me ao meu novo estatuto de não-cidadão do mundo e preparo-me mentalmente para o processo de ter um domicílio, só um. Ao lado, a um condutor faltava comprovativo do seguro automóvel, vou ter que o autuar, mas oh senhor guarda, eu tenho os papéis em casa, vou ter que o autuar, estou aqui para trabalhar. Nós agora somos avaliados pelo número de multa que passamos. Fez-se luz na minha cabeça: a polícia da república agora trabalha à comissão, quais vendedores de sapatos (com o devido respeito). Faço um esforço e tento imaginar quantos países da África Negra pagam os seus agentes da lei com base na quantidade e qualidade das multas. É isto a República?

* qualquer coincidência com a realidade é verdade. Sim, eu sei, o MAI apressar-se-á, novamente, a desmentir categoricamente a mercantilização das polícias.

PETIÇAO -sobre a visita do Papa

PETIÇÃO sobre visita do papa. Para quem quiser assinar e divulgar!

Partilhar

Terça-feira às 19:08
http://www.peticaopublica.com/?pi=CPL2010

Senhor Presidente da República Portuguesa,

Nós, cidadãs e cidadãos da República Portuguesa, motivados pelos valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da laicidade, manifestamos, através da presente carta, o nosso veemente protesto contra as condições – oficialmente anunciadas – de que se revestirá a viagem a Portugal de Joseph Ratzinger, Papa da Igreja Católica.

Embora reconhecendo que o Estado português mantém relações diplomáticas com o Vaticano e que a religião católica é a mais expressiva entre a população nacional, não podemos deixar de sublinhar que ao receber Joseph Ratzinger com honras de chefe de Estado ao mesmo tempo que como dirigente religioso, o Presidente da República Portuguesa fomenta a confusão entre a legítima existência de uma comunidade religiosa organizada, e o discutível reconhecimento oficial a essa confissão religiosa de prerrogativas estatais, confusão que é por princípio contrária à laicidade.

Importa ter presente que o Vaticano é um regime teocrático arcaico que visa a defesa, propaganda e extensão dos privilégios temporais de uma religião, e que não reúne, de resto, os requisitos habituais de população própria e território para ser reconhecido como um Estado, e que a Santa Sé, governo da Igreja Católica e do «Estado» do Vaticano, não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem – não podendo portanto ser um membro de pleno direito da ONU – e não aceita nem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional nem do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, antes utilizando o seu estatuto de Observador Permanente na ONU para alinhar, frequentemente, ao lado de ditaduras e regimes fundamentalistas. [Read more…]

Azar é Furar o Pneu do Carro e Não Ter Sobressalente

“De repente, levantou-se da cadeira e saiu apressado. Antes, pegou discretamente os gravadores dos jornalistas da SÁBADO e meteu-os nos bolsos das calças.”

ps: agora chama-se “tomar posse“.

(agradeço ao Abnóxio a divina e católica inspiração que ilumina os meus dias)