À espera de Le Pen

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O centrão político – conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas – anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o “comércio livre”, menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela “mão invisível” dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?

Facebook Ricardo Paes Mamede

Imagem via Financial Times

Grabbed by the pussy

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Afinal, o “bem-estar” dos portugueses melhorou entre 2011 e 2015

Rui Naldinho

Duarte Marques é um especialista naquilo a que comumente se chama, no jargão, bacoradas. Ele consegue ler um documento do INE de tal forma enviesado, que tudo o que dali retira é a parte que lhe der mais jeito. É uma espécie análise à José Gomes Ferreira.

Na realidade, a partir de 2014, o bem estar dos portugueses começou a melhorar face a 2011, 2012 e metade do ano 2013, porque o Tribunal Constitucional obrigou o governo de Passos Coelho a repor rendimentos, contra a sua vontade, tanto a funcionários públicos como a pensionistas. Devemos agradecer ao TC essa melhoria, e não, ao governo que Duarte Marques elogia. Mais, não tivessem os partidos da oposição levado ao organismo máximo que fiscaliza as leis em Portugal, o TC, a questão dos cortes nos rendimentos e estivéssemos nós à espera do anterior Presidente da República, ainda hoje nos manteríamos na mesma.
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Trump: Era tudo a fingir


Já se sabe que um presidente não pode ser igual a um candidato.
(espero)

Trabalho infantil?

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Dá dó profundo ver este pobre miúdo, manifestamente perturbado durante o discurso de vitória do pai, em constante movimento, suspirando, sério todo o tempo, fechando os olhos, encolhendo-se, esticando-se, infeliz; uma criança que deveria estar a dormir às 02.50 da manhã; é triste, é deprimente, é a outra face da medalha de um homem absurdo que vai segurar as rédeas desta superpotência egocêntrica, com uma apetência irresistível e doentia para o show off.

Napalm

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“Adoro o cheiro a napalm logo pela manhã”

Heil!

dear-americans

Chegou a vez do fascista americano. Mais um. What could possibly go wrong?

Bilhete do Canadá – Tempestade Americana

São 3 horas da manhã em Toronto e New York.  Donald Trump acaba de ser eleito presidente dos Estados Unidos da América e de fazer o seu discurso de vitória, após ter recebido um telefonema de Hillary Clinton reconhecendo a derrota.  Vitória por margem mínima e um discurso paroquial, muito ao estilo babado dos patos bravos contentes consigo mesmos e distribuindo agradecimentos a vivos e a mortos, que enumeram pelo nome e parentesco. A multidão delira. E começa agora o caminho para o detestar porque, tendo recebido todas as promessas, será defraudada.  Donald Trump, um construtor civil, um outsider sem preparação nem experiência, com ousadia e sem medir aquilo que são as consequências políticas, não pode saber neste momento que a realidade é uma trela curta e dura.  A partir de agora, está nas mãos da oposição e da comunicação social que não lhe há-de perdoar nada.  O povo, esse será o eterno adiado. [Read more…]

Presidente Donald Trump

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À excepção dos autores dos Simpsons ninguém seria capaz de prever que Donald Trump se tornaria presidente dos EUA. Aparecendo de fora do sistema, começou por derrotar o establishment no GOP conseguindo a improvável à partida nomeação. Sem o apoio de grande parte dos Republicanos, em certos casos até contra, terá sido esse o trunfo que ontem lhe permitiu alcançar a vitória. [Read more…]

Trump declara vitória

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Já cá se disse, há anos, que vender sabonetes ou presidentes era a mesma coisa. A Fox News assim o demonstra e, simultaneamente, reforça a tirada de Rangel*. A publicidade a um produto não tem que ser verdadeira.

[*Correcção: foi Rangel, e não Balsemão, conforme inicialmente publicado]

Vai-se confirmando

O Dia do Democalipse?

Obrigado, FBI, deve Trump estar a pensar

Depois de uma América onde se fez caça às bruxas por causa dos comunas, eis um presidente eleito com apoio da Rússia e, possivelmente, no caso dos email, auxiliado pela pátria dos comunistas.

Os mercados não gostam de Trump?

Por enquanto, parece que não.

Imagem: An employee of a foreign exchange trading company watching U.S. election results in Tokyo.
TORU HANAI / REUTERS

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Perceber o resultado de Trump

Trump perto da presidência

São 5 da manhã e o inacreditável está à porta.

Abrigos nucleares a apenas 30 mil dólares

O botãozinho vermelho de Washington vai começar a mexer. Abrigos nucleares Atlas desde 30 mil dólares. Não tenho (ainda) comissão.

Well done, RTP!

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Segundo a RTP, Pedro Dias intregou-se. Sim, leu bem: intregou-se, pretérito perfeito do verbo intregar, terceira pessoa do singular. Por momentos, cheguei mesmo a pensar que o tipo se tinha entregue às autoridades.

Boa sorte, planeta Terra!

dthc

Estamos a poucas horas de saber em que mundo viveremos nos próximos anos. As alternativas resumem-se a mais do mesmo, com uma Hillary Clinton a representar os interesses do costume, ou à entrada em cena de Donald Trump, um personagem bizarro, xenófobo, racista e mentecapto, preparado para semear o caos e fracturar ainda mais a controversa pátria do Tio Sam. Desolador.

Foto@People

Ameaça terrorista nos Estados Unidos

milícias pró-Trump não vão deixar as armas em casa. A jihad yankee segue dentro de momentos.

Florença VS McDonalds

cadeia de fast food quer abrir na Piazza del Duomo, câmara municipal diz que não. Com o TTIP aprovado, tudo seria mais simples. Para o McDonalds, claro.

Lettres de Paris #15

‘Be not inhospitable to strangers/ Lest they be angels in disguise’

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É uma frase de W. B. Yeats que há décadas recebe os visitantes da livraria Shakespeare and Company, que sobem ao primeiro andar. É uma frase que se adequa a Paris e ao dia de hoje. A cidade não é pouco hospitaleira a estranhos, recebe-os bem, com simpatia, já o escrevi aqui em quase todos os postais. O André que chegou ontem a uma Paris chuvosa concorda comigo nisto da simpatia extrema dos franceses. Hoje quando acordámos na Rue Suger não chovia, o céu estava mesmo azul, embora houvesse nuvens que o tornavam ainda mais bonito. Depois do pequeno almoço, bebemos café no Cafe Saint-André, onde um rapaz se ofereceu, sem mais nem menos para nos tirar uma fotografia.
 
Na impossibilidade de escolher onde levar uma pessoa que visita Paris pela primeira vez, decidi pelo óbvio: um passeio de barco no rio Sena. O mesmo que havia eu mesma feito há poucos dias. Como então escrevi, não há maneira mais bonita de ver Paris. Antes de embarcarmos no BateauBus no Quai Montebello, parámos – claro – na Shakespeare and Company. Gostando ele de livros e livrarias, era impossível estar em Paris e não ver esta. Há muitas outras, muitas, livrarias em Paris, muitas encantadoras, mas nenhuma das que conheço já tem este encanto. Tirámos a típica fotografia no banco da entrada, passeámos entre os livros colocados nos sítios e recantos mais espantosos e depois apanhámos o barco. Gostava de saber – de me lembrar, melhor dizendo – da primeira vez que vi Paris. Gostava de sentir, com o André, hoje, essa sensação primeira. Mas não consigo, claro. Perguntei ao André o que sentiu a ver Paris pela primeira vez, suspirou fundo. Está tudo dito, penso. E é isso, Paris é um suspiro de espanto e admiração sem fim, em cada canto, a cada ponte, a cada pessoa, a cada bonjour, a cada bonne soirée.

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Bilhete do Canadá – Atrás duma grande mulher

Todos sabemos, geralmente de ouvido, que atrás dum grande homem está sempre uma grande mulher. Foi assim com Bill Clinton e com Barak Obama. E aqui chegamos a esta coisa gira: Hillary já foi primeira dama e agora, não havendo azar, passa a ser presidente da República. Jornalistas bem dispostos do Canadá resolveram reinar com a situação e perguntam, deslavados, se Bill Clinton vai ser primeiro cavalheiro.  Mas reconhecem que, sendo ele muito macho, não vai conseguir encher o tempo com chás de caridade, hortinhas orgânicas, galinhas de campo com ovos cheios de saúde (a fazer inveja à Senhora Maria do Salazar, se ela ainda por cá andasse).  Ninguém está a ver o Bill, dizem, na tv a cantar louvores ao mel orgânico e à dieta vegetariana. Para isso, Michelle Obama é que é uma artista, garantem os ditos jornalistas. E solícitos, sugeram que a Hillary deixe o Bill à solta e contrate a Michelle como primeira dama.

Dirão: mas, num momento tão sério, põem-se com estas graçolas?  Bom, é mesmo o momento de as inventar e dizer, assim como quem canta pela estrada deserta ou assobia no escuro.  Para espantar o medo.

Ou sim ou sopas

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Foto: dpa

Diz um ditado alemão que “até uma galinha cega acaba por encontrar um grão”; pois foi o que aconteceu, a Comissão Europeia encontrou um saboroso grão: a insuficiente protecção dos lençóis freáticos e consequente contaminação da água potável com níveis demasiado elevados de nitrato. Depois de vários avisos, a Comissão instaurou agora junto do Tribunal Europeu uma acção judicial contra a Alemanha.

A principal causa dos elevados valores de nitrato é a prática agrícola de fertilização da terra com chorume e estrume. Em exagero, o nitrato polui a água doce, sendo tóxico tanto para plantas como para animais. Estudos indicam que a substância pode ser cancerígena. No ecossistema marinho, o excesso de nitrato contribui para a proliferação de algas e consequente aumento de bactérias aeróbicas, rarefazendo o oxigénio na água e provocando a morte de outros seres vivos (por exemplo peixes).

Enfim, já não falando no “pequenino defeito” resultante deste uso e abuso que é aspirar o cheiro nauseabundo quando se passeia pelos campos, pensando nisso, até beber água da torneira se pode tornar ligeiramente desconfortável.

Em caso de condenação, a multa poderá ser da ordem dos milhões de euros por dia. A França já foi condenada por idênticas razões, podendo a multa ascender a 3 mil milhões de euros.

Só é pena a falta de coerência entre os diversos ressorts da UE: distribuir multas a prevaricadores ambientais é uma óptima ideia, mas enquanto se continuar com uma política agrícola comum que privilegia totalmente a agricultura e pecuária intensivas, não é possível ter mão nos problemas e prejuízos ecológicos – degradação da paisagem, perda da biodiversidade dos ecossistemas, erosão do solo e poluição. Talvez começando por aí…

«Factos? Quem quer saber de factos?», pergunta o João Mendes

[F]or any philosopher who is willing to work out the implications of his philosophical position, there is an answer to the question, “What, if anything, is that in terms of which everything else has to be explained, but which does not itself have to be explained in terms of something else?”.

— John R. Searle, “Seeing Things as They Are: A Theory of Perception

***

Efectivamente, o Diário da República, por mais esta amostra, não quer saber de factos. Desejei, há uns tempos, que não houvesse mais “fatos ofensivos do direito ao repouso”. Infelizmente, o desejo não se concretizou.

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E hoje? [Read more…]

E a tua declaração de rendimentos de 1999, Passos? Já apareceu?

ppc

Bem sabemos que, de esquemas para ocultar declarações de rendimentos, está o Parlamento cheio. E se o exemplo que vem de cima é este, não nos podemos admirar que outros tentem fazer pela vida. Que o diga o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, que por estes dias, moralista como só ele sabe ser, tem insistido na obrigação que o governo tem de exigir à nova administração da CGD a apresentação das suas declarações de rendimentos. O que me leva à dúvida existencial do dia: a declaração de rendimentos que Passos Coelho estava obrigado a entregar em 1999, já apareceu? Da última vez que fui ver, continuava em paradeiro incerto.

LOL!

Foi apresentada/inaugurada, com pompa e circunstância (à parte a falta de pilhas no comando que ligaria a luz), a nova peça de Joana de Vasconcelos. Um galo de Barcelos à beira-Tejo.

Ao longe ouviam-se as grandes gargalhadas de dois Antónios, o Oliveira Salazar e o Ferro!

Bilhete do Canadá – Pois

A história, velhíssima, foi assim: um soldador, empoleirado num andaime, soldava uma janela de alumínio. Vários metros abaixo, o seu ajudante olhava para cima, de nariz no ar. De repente, um pingo de solda caíu-lhe num olho e as dores violentas abiram-lhe a boca em todas as injúrias que cabem na língua portuguesa. Estomagado, o soldador processou o ajudante, sob a acusação de lhe ter chamado os nomes mais obscenos. Quando foi presente a tribunal, o soldador ouviu o juiz acusá-lo de ter chamado ao seu patrão os palavrões mais escabrosos. O ajudante explicou com grande aprumo: Palavrões? Eu? Nunca, senhor doutor juiz. Quando o pingo de solda me entrou no olho, eu só disse oh Manel toma cuidado.

Foi mais ou menos isto que eu percebi da briga entre os presidentes do Arouca e do Sporting, ao ouvir o adido de imprensa dos leões: O presidente do Sporting não chamou nome nenhum nem empurrou o responsável do Arouca. Este é que estava a brigar e Bruno de Carvalho só lhe perguntou o que se passava. Nuno Saraiva disse isto com as bochechas como um pudim flan. Está visto que não nasceu para estas baldrocas.

Carrrrrrrrros em movimento

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Sabem que porra é esta? É uma feira. Para além de cavalos, vacas e chouriços que se emborracham à noite para troca de fluídos, são transaccionados circuitos e aplicações seminais (e não me estou a repetir) entre megawatts sukarnoputris de luz e toneladas messiânicas de graves. O pessoal anda todo numa cloud muito marada de ideias vendidas como jogos de lençóis de flanela e infalíveis elixires da juventude. Anuncia-se a next big thing e… zás!, up with the cock from Barcelos da Joana Vasconcelos, seguido de um sonzinho lounge. A insofismável cultura da era techie não pode faltar. Vhils, Kalaf e a Lisbon Fado Sin. O turismo esfrega-se todo por summits, e para todos os gostos que os há: o sunset summit, o surf summit, o farturas summit, o crunchie’s dog summit, o caralho que os foda summit, tudo pináculos da excitação mediática e da diarreia comunicacional: as televisões rapidamente se afeiçoam a este evento e os écrans enchem-se dos Caras de cú habituais. Ir ao Web Summit é, em termos de gente, como ir ao Dragão ver o Benfica fazer o Porto descer à terra ou como encher um concerto da Lady Gagabyte. Mas a um nível superlativo e expialidoso. Os bilhetes, qrido, para os pobres ficam a € 1000, os remediados arrotam € 3000 e os Premium, Platinium e Uranium entre €4.245 e € 5.245, mas estão todos sold out. Ou isso ou 3 fichas para os carrinhos de choque. Não será preciso dares uma de penetra porque estamos nos idílicos domínios do marketing. Especulação a bem da nação, com os putos MC Costa e Funky Cold Medina na área. Alguém me arranja um bilhete para ir ouvir o investidor e empreendedor Ronaldinho Gaúcho falar da sua fantastic new internet venture? É que há uma nerd activista curda que eu queria deglutir que vai lá estar…

Deixem-se de merdas e cumpram a lei

acmc

Poucos debates espelham tão bem o país em que vivemos. Discutir se um gestor público, tal como qualquer governante, deve ou não apresentar a sua declaração de rendimentos é triste, acima de tudo, porque não deveria sequer gerar qualquer tipo de discussão. É óbvio que deve. Melhor: é obrigado a fazê-lo. Se existe uma lei que a isso mesmo obriga, qual é a dúvida? Se António Domingues e a sua equipa são tão fantasticamente espectaculares, como podem supor que estão acima da lei? Será que lhes foi prometida uma excepção à regra, que obviamente violaria a lei portuguesa, e eles, tão fabulosos, não perceberam que tal não era possível? Esperava-se mais de um indivíduo que vai auferir um salário astronómico sem mostrar serviço.  [Read more…]

Quo vadis USA 

Escolher entre tragédia e catástrofe…