Zona de desconforto

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Miguel Szymanski

Adoramos Cohen ou Bowie e sabemos onde é a Gulbenkian. Não usamos palitos à mesa, fazemos gala em ir ao casamento de amigos gay e somos contra alimentos geneticamente modificados, porque sim. Passamos férias em cidades interessantes, onde temos amigos e conhecemos cafés e restaurantes óptimos e achamos importante que as nossas filhas e filhos aprendam violino, piano ou pelo menos flauta.
Sorrimos da gramática e ignorância da população tendencialmente obesa que ouve Ágata e se alimenta de frango industrial, bebe vinho de pacote e refrigerantes açucarados e pensa que a Teresa Guilherme e aquele senhor do Preço Certo são vultos da cultura.
Depois, um dia, admiramo-nos que as massas incultas usem a democracia para nos puxar o tapete debaixo dos nossos sapatos elegantes.

O Capitão América ficou obsoleto

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No seu tempo, Charles Chaplin esteve na Lista Negra de Hollywood, uma das ferramentas da perseguição de americanos supostamente simpatizantes dos ideais comunistas – bastava serem acusados. Hoje, quando Trump e Putin parecem BFF, a indústria das ilusões não o baniria do negócio. Mas, chegados ao ponto em que não se pode acreditar no que se diz na comunicação social, é possível que o seu cinema continuasse mudo. O Captain America, sendo daltónico, só vê o vermelho e já não serve. Esperemos que a Marvel tenha um novo super-herói, pronto para combater o malvado Doctor Stupidificae. O controlo da mente via bits e feixes hertezianos tem que parar.

Que diferença face a Trump. E por cá, aprendam também.

God Bless América

Rui Naldinho

O carater vitorioso de uma candidatura é determinado, mais pelo conjunto de interesses que ela consegue aglutinar à sua volta, do que pelas ideias propostas ao eleitorado.

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Lettres de Paris #19

Trump: président des États-Unis

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é com esta frase que acordo. Ou melhor, é a primeira frase que leio no écran da televisão mal saio da cama e a ligo. Fico um bocado a olhar para aquilo, meia atónita, meio a dormir. Tinha-me deitado às 4 da manhã em Paris, ainda a procissão da contagem de votos ia no adro, mas já o mapa dos Estados Unidos se tingia de vermelho, mas não do vermelho bom. De maneira que acordei assim, com esta notícia que não é exatamente avassaladora, nem surpreendente, nem coisa nenhuma de assinalável. Suponho que metade do mundo tenha acordado exatamente como eu, embora talvez noutras línguas, e a outra metade tenha adormecido como acordei. Não que a Clinton fosse melhor, vá, mas pelo menos não seria tão ridícula, tão xenófoba, tão bacoca, tão vazia ideologicamente. Vi logo de manhã a cara do Trump quando do discurso. Pareceu-me a de alguém que também não acreditava exatamente no que (lhe) tinha acabado de acontecer. Também vi François Hollande, de beicinho, a felicitar oficialmente o Donald. Também me lembrei do episódio dos Simpsons, de há 10 anos, em que o Bart viaja até um futuro em que a Lisa tinha sido eleita ‘the first white straight woman’ (sic) dos Estados Unidos da América, um país que o seu antecessor, Donald Trump imagine-se, tinha deixado falido.

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Alguém explica ao deputado Duarte Marques como funciona a democracia representativa?

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Este tweet é a prova viva de que, das duas uma: ou Duarte Marques não conhece o funcionamento da democracia portuguesa, o que, apesar de não surpreender, é grave vindo de um deputado, ou então é apenas intelectualmente desonesto. A parte cómica de tudo isto é que Hillary Clinton até teve mais 140 mil votos do que Donald Trump. Alguém explique ao deputado que em Portugal ainda vigora um sistema de democracia representativa e que o que realmente conta é a distribuição de mandatos no Parlamento e não o líder partidário que recebe mais votos. Depois queixem-se que se afundam em todas as sondagens. A paciência dos portugueses para a retórica do ressabiamento tende a esgotar-se.

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Dili

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Foi assim
há 25 anos.

A Psicóloga Cristã

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“Mas, ao mesmo tempo, como acolher os homossexuais?
A psicóloga acompanha famílias e pais e salienta que para aceitar o filho não é preciso aceitar a homossexualidade.
«Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.
É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.»

in Família Cristã. A sério?

Rui Rio a querer levar a água ao seu moinho

Apontou a segurança social como exemplo de direito não sustentável. Se é um direito, pode ser recusado? E o buraco da banca, foi um direito? Quanta insustentabilidade não se resume a pagar a factura do BPN, do BES e do BANIF?

Se esta sopa requentada, impregnada de discurso sobre viver acima das possibilidades, é a alternativa a Passos Coelho, então muito obrigado, mas já tivemos que chegue para uma congestão.

Rui Rio, supõe-se, não é parvo, pelo que estará consciente das críticas que afirmações destas lhe trazem. Sobra, portanto, a intencionalidade das palavras, uma espécie de declaração dirigida, não aos eleitores, mas sim àqueles que podem mexer os cordões para o fazer chegar ao poder. Esses mesmos que ganharam com a política pafiosa de empobrecimento do país. Uma proclamação simples, na qual se lê nas entrelinhas “o Passos está em queda, mas podem apoiar-me sem risco, que eu continuarei a obra.” O discurso para os eleitores virá depois, devidamente polido, como no lobo vestido de cordeiro.

O eleitor não é inocente

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(publicada no diário As Beiras a 10/11/2016)

A propósito das eleições americanas, regressou ao debate uma questão que é um clássico da ciência política. Devemos criticar ou não os eleitores pelos resultados de candidatos com potencial destrutivo para a sociedade, como Marine Le Pen, Donald Trump ou o britânico Nigel Farage? Há quem julgue que não se deve culpar o eleitor. A culpa é remetida exclusivamente para os restantes candidatos e respetivos programas, desculpabiliza-se o eleitor argumentando, por exemplo, que nenhum candidato é bom, logo é aceitável votar num candidato desbocado.
A própria definição de democracia requer que ninguém deve estar à margem da crítica ou do escrutínio, inclusivamente o eleitor. Mas mais do que catalogar negativa e cegamente todos os eleitores deste perfil de candidatos, interessa sim interpelá-los em questões concretas e fundamentais. No caso dos candidatos referidos é especialmente difícil debater diretamente assuntos basilares da sociedade, como a igualdade de género, o respeito pelas minorias, a orientação sexual ou a laicidade. Mas quem não pode fugir a estes debates são as respeitáveis figuras públicas que apoiam personagens deste calibre. Entre os apoiantes de Trump estão veneráveis mecenas, banqueiros e personalidades como Clint Eastwood, Slavoj Žižek ou Rudolph Giuliani. É a estes que deverão ser colocadas as questões que dolorosas que vão do racismo à misoginia de Trump.

O nervosismo de Carlos Carreiras

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Carlos Carreiras, um dos mais fiéis súbitos da corte passista, reagiu com incómodo à entrevista de Rui Rio, sugerindo que o ex-autarca do Porto se candidate às Autárquicas. Seria um alívio, para Carreiras, se Rio seguisse esse curso. Afinal de contas, o coordenador autárquico do PSD está a demonstrar uma absoluta falta de competência para encontrar alternativas para os dois grandes centros urbanos, e, desta forma, matava dois coelhos com uma só cajadada: mantinha o ventilador do passismo ligado, adiando a anunciada morte política do chefe, e enviava Rio para o matadouro, onde o outro Rui, o Moreira, com uma alargada base de apoio popular e partidária, o retalharia alegremente, enfraquecendo a posição do mais recente pesadelo de Passos Coelho.

Compreende-se o nervosismo de Carreiras. O fim político de Passos Coelho poderá retirá-lo da ribalta laranja e remetê-lo para o exílio político em Cascais, que não sendo propriamente o inferno na terra, não tem paralelo com o poder de ser um dos homens fortes do líder do maior partido da oposição. Os poleiros, grandes ou pequenos, deixam sempre saudades a quem vive para eles.

Foto@Jornal de Negócios

Obamacare: o primeiro recuo de Trump?

Depois de prometer acabar com a reforma do sistema de saúde de Obama nos primeiros 100 dias de mandato, Trump parece agora inclinado para aceitar uma versão alterada da lei. Sai um chá para a mesa do Tea Party.

Exactamente, Paulo Baldaia

De mal a pior

Um conselho a Donald Trump…

Juncker afirmou que Trump desconhece o funcionamento da Europa, pelo que teremos dois anos desperdiçados até que o próximo inquilino da Casa Branca adquira a noção da realidade para lá das fronteiras dos EUA. Talvez seja avisado Trump perguntar ao antigo Secretário de Estado, Republicano, nascido na Europa, Henry Kissinger, se já tem o indicativo para marcar o número e fazer a chamada para o cada vez mais velho, ultrapassado e irrelevante Continente…

Muros e pontes

Não queria comentar isto, mas com a insistência no tema e a ridícula e empertigada interpelação que o PSD fez sobre este assunto, não resisto. Não, oh alaranjadas criaturas, os cartazes que ornam as entradas do Web Summit, que terminam com o justo propósito de “fazer pontes, não muros”, não são uma proclamação anti-Trump. Se esquecermos a gralha da primeira versão – entretanto corrigida -, esta metáfora, com esta exacta formulação ou outras muito semelhantes, é antiga como a noite. Não foi inventada por Hillary Clinton – donde a sintomática indignação do PSD que, pelos vistos, anseia por agradar ao novo chefe. Já a encontramos, implícita ou explicita, em textos antigos, em documentos de evangelização e ecuménicos, em obras de filósofos. O grande – enorme! – Isaac Newton (se os laranjas não sabem quem é,vão ao Google) escrevia “construímos muros de mais e pontes de menos”. E, só para ficarmos nos Newton, Joseph Newton escreveu, dois séculos depois, “as pessoas estão sós porque constroem muros em vez de pontes”. E até o Papa Francisco, há já algum tempo, afirmou, em Auschwitz, “lancem-se na aventura de construir pontes e destruir muros, vedações ou redes”. E não vale a pena continuar. O problema, portanto, não é da Câmara de Lisboa, oh PSD, que atacais, fogosos, sem antes procurar informação.
O problema é o da vossa arrogante iliteracia.

Lettres de Paris #18

Presque tous les auteurs de la sociologie rurale que j’avais lu à l’université, il y a prés de 30 ans, ils sont ici et je peux les connaître

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Não é pouca coisa, desculpem lá. Quero dizer poder conhecer uma parte importante de sociólogos rurais que li e reli e voltei a ler quando me sentava, como estudante de sociologia, nas carteiras do ISCTE. Isto foi há quase 30 anos. 27 para ser mais exata. Todas estas pessoas eram bastante mais jovens. Eu também. Alguns deles deviam ter, nessa altura, a idade que tenho agora mais ou menos. Falo, por exemplo, de Marcel Jollivet que já mencionei nestas cartas. Ou de Nicole Mathieu que se prontificou para me receber aqui e me escreveu a carta de recomendação para ficar alojada na Maison Suger (que pertence à Fondation Maison des Sciences de L’Homme e onde não é assim tão fácil ter lugar) mais simpática de sempre. E exagerada, claro. Conheci a Nicole Mathieu em 2004, creio, em Trondheim, Noruega, por ocasião de um Congresso Mundial de Sociologia Rural. Cheia de vitalidade e energia. Aproximei-me dela, cheia daquele nervoso miudinho (e algum temor, confesso) que temos quando conhecemos alguém que admiramos e disse-lhe que na universidade, quando era estudante, tinha lido tudo o que ela escrevera até então. E que continuava a ler. Aliás, para o meu doutoramento, os trabalhos dela com o Marcel Jollivet (sobretudo o livro que editaram ‘Du Rural a l’Environment’) foram importantíssimos. Ela olhou para mim surpreendida com o francês num sítio onde todos supostamente falariam inglês. E riu-se. E ficámos ali a conversar.

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RIP

First we take Manhattan, then we take Berlin

lc

They sentenced me to twenty years of boredom
For trying to change the system from within
I’m coming now, I’m coming to reward them
First we take Manhattan, then we take Berlin
I’m guided by a signal in the heavens
I’m guided by this birthmark on my skin
I’m guided by the beauty of our weapons
First we take Manhattan, then we take Berlin

May you rest in peace, Leonard. We’ll take Manhattan for you.

Foto@TVI24

Rui Rio chega-se (mesmo) à frente

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Luís Montenegro deu o mote, Rui Rio chegou-se à frente. Em entrevista ao DN, com perguntas previamente enviadas ao ex-presidente da CM do Porto, Rio afirmou aquilo que já todos sabíamos: que “poderá” ser a alternativa a Passos Coelho se o PSD “não descolar“. Se assim é, o anúncio oficial deve estar para breve. O PSD não só não descola como se afunda, sondagem após sondagem, atingindo níveis historicamente baixos, com a mais recente sondagem da Aximage a empurrar o PSD para uns modestos 28,7% de intenção de voto dos portugueses, quase 10 pontos percentuais atrás do PS (38,3%). Os dias passam, e cada vez menos portugueses estão interessados em ouvir a repetitiva cassete da moribunda Pàf. [Read more…]

Leonard Cohen (1934 – 2016)

Neste dia tão triste, lembremos um excelente texto da Carla Romualdo (já agora, eis outro) e esta Villanelle que o A. Pedro Correia nos trouxe.

O Tino está de volta

Penafiel nunca mais será a mesma.

Lettres de Paris #17

Je veux être photographe…

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.com, era o nome de uma loja na Rue Jacob por onde passei hoje à tarde. A loja estava para alugar. Provavelmente o negócio de realizar o sonho de quem quer ser fotógrafo não deve ser muito rentável. Eu gostava de ser fotógrafa, como gostava de ser (ou ter sido) milhares de outras coisas. Esta hoje principalmente. E esta hoje porque é difícil descrever bem as cidades, o que se sente quando nelas nos passeamos, o que vimos com os nossos olhos, usando apenas as palavras. Gosto muito de tirar fotografias mas reconheço que me falta muito para ser fotógrafa. Sou apenas uma pessoa que gosta de tirar fotografias. Nem sempre (quase nunca, para ser verdadeira) trago comigo a máquina fotográfica melhorzinha, que não é de profissional, seeja como for, mas bastante boa para quem, como eu, gosta de tirar fotografias. Uso-a quando saio propositadamente para passear. De resto, nos dias normais, em que o passeio se resume a ir até ao trabalho, às compras, por uma carta no correio… nesses dias normais ando sempre com uma máquina compacta, muito pequenina, na carteira. E uso-a para tirar fotografias ao que vou encontrando e me desperta o olhar e a atenção.

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Um Português à Passos

Rui Naldinho

O exemplo de um Português zeloso das suas obrigações com os mercados.

Passos Coelho e Ângela Merkel deram os parabéns a Pedro Dias por ter vivido um mês com apenas 60 euros

Eu aproveito para dar os parabéns aos dois primeiros, pelo facto de ao fim de vários anos terem descoberto o “Português Económico”. E, já agora, ao terceiro por ter tido direito a entrevista na RTP, ainda antes de ser detido, privilégio a que nem todos tem acesso, mesmo pessoas importantes.

Na realidade há gajos com sorte!
Sócrates deve estar a roer-se de inveja.

“Temos de empobrecer meus caros, se queremos pagar a nossa dívida. Caso contrário só nos resta emigrar.”

Para a América não, que agora está lá o Sr. Trump! Parece que ele não gosta de “imigras”. Já lhe basta ter de aturar os “cucarachas”. Mas há sempre uma terra desconhecida, algures. Quem sabe um país longínquo onde ninguém queira estar?

Talvez Pedro Dias tenha pensado nisso antes de se entregar!

Grabbed by the balls

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Boris Johnson, Mayor de Londres, 2015:

A ignorância estupidificante torna-o completamente inapto para ser o Presidente dos Estados Unidos

Boris Johnson, Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, 2016:

Parabéns a Donald Trump e um enorme desejo de vir a trabalhar com a sua administração para a estabilidade global e para a prosperidade

Foto@London Loves Business

 

 

O método Felgueiras

Em 2003, a mãe Fátima fez uso do direto televisivo do Brasil para branquear uma fuga inaceitável à justiça quando era acusada de corrupção e de financiamento ilegal da secção local do PS. Fátima Felgueiras chegou a ser acusada de 23 crimes no processo do “Saco Azul” e foi condenada a três anos e três meses de pena suspensa e perda de mandato, sendo absolvida destes crimes em 2011. Mas em Abril de 2011 foi condenada a um ano e oito meses de prisão, com pena suspensa, e a 70 dias de multa pelo crime de participação económica em negócio. Foi obrigada a devolver à autarquia de Felgueiras 16.760 € de honorários pagos pelo município ao advogado brasileiro Paulo Ramalho, quando fugiu para o Brasil.

Em 2016, a filha Sandra que curiosamente trabalha na RTP num programa sobre justiça (adorava ter acesso às atas dos concursos desta contratação), numa jogada de autopromoção, usa a televisão e o direto para dar uma oportunidade de ouro a um suspeito de crimes gravíssimos. Este, obviamente, declara-se inocente e lança suspeitas graves sobre agentes da GNR mortos e vivos criando um desequilíbrio imenso entre a apresentação de argumentos entre agressor e vítimas. Imagino a revolta da família das vítimas quando assistiram àquele espetáculo. Foi um abuso de utilização do serviço público da RTP para promoção pessoal, para um momento de sensacionalismo puro, de reality show, com conteúdo de informação duvidoso ou vago (o que ganhámos ao assistir ao suspeito algemado em direto?).

Independentemente, de algum bom trabalho já realizado no programa de Sandra Felgueiras, este foi um momento de nojo televisivo, de lixo onde crescem os Trumps deste planeta. Este tipo de trabalho não tem lugar no serviço público. A direção da RTP deveria analisar este trabalho e tirar daí as respetivas conclusões, se calhar algumas dolorosas…

Elementar, caro Watson

Hillary teve mais votos do que Trump. Como diria a direita portuguesa, foi a candidata que ganhou as eleições. Aguarda-se a qualquer momento a declaração de Passos Coelho e de Assunção Cristas a apoiar Hilary Clinton, futura presidente no exílio.

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Obsessões académicas

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Ana Paula Vitorino, ministra do Mar do executivo Costa, nomeou o jornalista Fausto Coutinho para seu adjunto. Na nota curricular publicada no Diário da República, para além da vasta experiência jornalística, ficamos a saber que o nomeado se matriculou na universidade, que não chegou a frequentar. Não sendo, nem de longe, nem de perto, comparável com os embustes recentes, questiono-me sobre a relevância de referir que Fausto Coutinho se matriculou numa universidade onde não voltou a pôr os pés. Se isto é currículo, vou ali matricular-me em meia-dúzia de doutoramentos e não aceito menos que uma secretaria de Estado.

Lettres de Paris #16

‘(…) Ne perdez pas de vue que Paris, c’est Paris. Il n’y a qu’un Paris’ (*)

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isto foi o que Van Gogh escreveu em 1886 a Horace Mann Livens, quando viveu em Paris, passando tempos difíceis. Apesar deles, dizia ao seu amigo que o ar de Paris, o ar de França, aclarava as ideias. Fazia bem, muito bem.
É verdade, o ar de Paris, não direi de toda a França, veja-se por exemplo o que se passa em Calais, faz bem. Especialmente este ar cheio de um frio fininho que começa a ser cortante. Mas é bom este ar frio num dia de sol, como hoje. Voltei (voltámos) a ser turistas e quando saímos da Rue Suger, apanhámos a linha 4 do metro na Place Saint-André-des-Arts, depois do café no Le Saint-André, o sítio do costume. Saímos em Barbés-Rochechouart e percorremos o Boulevard Rochechouart até encontrarmos a Rue Steinkerque e, no fim desta, a Place Saint-Pierre onde apanhámos o pequeno funicular para o Sacré-Coeur. As escadas e toda a área em volta da igreja estavam cheias de gente, mas isso foi, claro, apenas um pormenor sem importância.

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Mais vale prevenir

mexico

via Political Cartoon

 

And now Trump? The day after

Do que fui ouvindo e lendo à medida que se desenrolava a campanha presidencial norte-americana, houve para lá dos aspectos bizarros que uma figura controversa possibilita, muita parvoíce sobrevalorizando o perigo que representa eleger o excêntrico Donald Trump. Vejamos, Obama prometeu encerrar Guantanamo e passados 8 anos a prisão ainda funciona. O Obamacare ficou longe da promessa eleitoral. Porque razão temos que acreditar que agora vai ser mesmo construído um muro e veremos emigrantes deportados aos milhares? Se recordarmos a campanha eleitoral de 2000, W. Bush foi eleito com a promessa de não ingerir militarmente no exterior, reduzindo os gastos militares. A administração Clinton havia sido marcada pela intervenção nos Balcãs, culminando no Kosovo, sem esquecer o tristemente célebre episódio da desastrosa intervenção na Somália. E no 1º ano de mandato surgiu o 11 de Setembro e com ele toda a política mudou num ápice. [Read more…]